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Chegada das jangadas na Praia de Iracema – anos 50/60

Era assim todo final de dia: a maré baixava, aumentava em mais do dobro a orla marítima e a cereja do bolo era a chegada das jangadas – mais propriamente a chegada do pescado e, nele, as biquaras, as cavalas e os cangulos.

Carregados da jangada para a areia num caçuá médio, ali estavam os peixes, resultado de mais um dia de pescaria – as jangadas construídas artesanalmente não permitiam mais de um dia de pesca, tampouco um atrevimento além da linha do horizonte – nesses casos, o retorno era quase incerto e sempre se previa uma fatalidade. Com o passar do tempo os barcos surgiram, as jangadas aos poucos foram desaparecendo – e hoje são mantidas apenas por uma questão turística – e os pescadores se modernizaram na garantia do pão de cada dia.

Jogados na areia, os peixes estavam ali para serem vendidos frescos e sem conhecer gelo – preparados por qualquer cozinheira, com certeza era por isso que o sabor era diferente do sabor dos dias atuais.

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A biquara – peixe de sabor inigualável

Biquara: Peixe de água salgada (Haemulon plumieri), que vive em grandes cardumes no fundo do mar. Comum no litoral do Brasil. Pode atingir até 50 cm. Tem esse nome porque ao ser capturado emite um som:” cóo, cóo, cóo. Não é muito apreciado pelos pescadores, por ser peixe cheio de espinhas, e com pouca carne; e também por ser numeroso, costuma atacar vorazmente a isca, impedindo a captura de outros peixes.

Mas, aquilo – ser jogado na areia – não entusiasmava as crianças que ali se aglomeravam. Ninguém “tocava” no peixe do pescador. O que se queria, mesmo, era vender o papel para embrulhar o peixe, enquanto outros vendiam a palha de carnaúba para fazer o “cambo” – as meninas, quase sempre vendiam o cheiro verde e os tomates.

Isso ainda dá uma saudade danada. Chega a doer. Mas é muito mais uma lembrança da infância que propriamente dos tempos. A inocência. A pureza de propósitos. A ausência de qualquer tipo de maldade. E o dinheiro arrecadado com aquela venda tinha um destino – ajudar domesticamente em casa, sem a frescura atual de exploração ao trabalho infantil. Quem um dia fez aquilo e ainda está vivo, continua digno e, felizmente, não virou “político” nem outra coisa, e que tudo acaba sendo igual.

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Cangulo – peixe de couro e escamas muito apreciado

Cangulo – (Balistes Vetula) é o nome popular de um peixe marinho da família Balistidae que pode alcançar até 60 cm de comprimento e pesar cerca de 6 quilos. Tem o corpo muito colorido com tonalidade azul ou verde, boca pequena com 8 dentes fortes em cada maxila. Seus olhos se movimentam independentemente um do outro. Ocorre em locais rochosos em profundidade que pode variar de 5 à 200 metros.

Peixe carnívoro e voraz alimentando-se de camarões, crustáceos e moluscos. Solitário só procura um companheiro na época da reprodução, para então passar a viver junto com seu par. Também é chamado de peixe-porco.

O desconfiômetro está ligado. Assim. Não mais que de repente, o comportamento infanto-juvenil mudou. E mudou muito e, lamentavelmente, para pior. As leis complacentes, concebidas muito mais para “passar a mão na cabeça” que para punir de forma exemplar, tiveram papel duplamente importante nessa degeneração. E, parece estar fora de controle.

Quem se dispuser a pesquisar as informações existentes (sem esquecer que existe um “abafa” em curso em favor das políticas sociais – com o objetivo mesmo de enganar os cidadãos) a respeito da quantidade absurda de roubos, furtos, homicídios e uma quantidade exagerada de viciados em drogas químicas, com certeza vai encontrar que, acima de 70% estão os da faixa etária de 12/18 anos. Ninguém quer mais vender papel para embrulhar peixe nas praias – muitos preferem roubar celulares de quem está na praia.

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Cavala é um peixe apreciado nos principais restaurantes de Fortaleza

Cavala: Acanthocybium solandri (Cuvier, 1829) é um peixe escombrídeo conhecido pelos nomes comuns de cavala, cavala-da-índia, cavala-aipim, aimpim, guarapicu ou cavala-wahoo no Brasil; cavala-gigante em Moçambique; serra em Cabo Verde e nos Açores; e serra-da-índia, em Portugal. É uma espécie pelágica comum nas águas superficiais das regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos. Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá a Santa Catarina). No litoral do Nordeste, é comum o ano todo, mas no Sudeste e Sul é mais frequente no verão.

Na própria Fortaleza dos dias atuais o panorama existente nos anos 50/60 é completamente diferente. As famílias estão disformes, e os pais, idem. Escancararam as portas para a entrada do Estado – uma instituição falida que tudo promete e nada faz. Falamos, como um todo, do “estado brasileiro”, onde a cada dia são criadas leis hilárias e desobedecidas até por quem as imagina, planeja e aprova.

Vovó, aquela mesma que você já encontraram tanto nas minhas pobres crônicas, quando em vida, lá pelos anos que nem ela mesma sabia, asseverava: “filho, neste nosso Brasil só existem duas coisas sérias – a Lei que obriga os homens a pagarem pensão alimentícia; e o jogo do bicho, onde vale o que está escrito.”

2 Comentários

  1. Marcos Pontes/DF disse:

    Prezado Zeramos, pelo que conheço de sua vó, ela vale mais que 1000000 de ciro gomes, mas temos que admitir, o mundo mudou, e pra pior, lembro bem desta época, a minha rua começava na praia de Iracema (RUA JOÃO CORDEIRO), era a minha praia, hoje praticamente não existe, são apenas lembranças, mas o que seria de nós sem as lembranças? São fundamentais em nossa formação, como seres íntegros (vendemos jornais sim), não surrupiamos peixes, e com certeza ajudamos a puxar as redes, pelo simples prazer da farra. Ler as suas cronicas, é sempre um bálsamo neste mundo de merda que atualmente vivemos. Vida longa amigo…

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Marcos: obrigado. Você sempre generoso. Mas… Rua João Cordeiro? Não era aquela que começava ali próximo do “Seminário”?
      Eu trabalhei com um amigo, na Western de Fortaleza (Rua Castro e Silva – Centro) que era de São Paulo e casou com uma jovem que morava ali no começo da João Cordeiro. Por sinal e coincidentemente, o nome dele era Marcus. Só que, Marcus Gonçalves. Isso foi por volta dos anos 65…já faz tanto tempo! Se não me engano, o nome da jovem mulher do Marcus era Márcia. Mas não tenho certeza. Volte sempre, amigo.

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