21 setembro 2016GALINHA SEM INDEZ!



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Indez que a meninada roubou para sacanear a galinha Lucinha

Voltamos ao sertão – o nosso sertão! – para compor o texto desta postagem. Não que vivamos, agora, o sertão. Voltamos ao tempo em que vivíamos no sertão. E, difícil compor um texto do sertão onde vivíamos, sem ter como um dos personagens, a minha falecida Avó – que Deus a mantenha num bom lugar na eternidade, fumando o cachimbo dela e às vezes até queimando os cabelos das narinas ao acender o fumo.

Minha Avó era uma “figuraça.” Uma verdadeira Einstein de saias e vivendo nas locas das Queimadas. Como não inventou um saco para guardar fumaça, não descobriu as mil e umas utilidades da mandioca nem tinha a mão esquerda com nove dedos, nunca ocupou espaço na chamada grande mídia. Só aqui, neste pedregoso JBF.

Pois era a minha Avó que, ao escutar o cacarejar aperreado da galinha “Lucinha” (apelido lá colocado por ela, para identificar as penosas, com quem, afirmava com todas as letras e versos de Bráulio de Castro, “conversava” longas estórias. Eu sempre acreditei nisso. E você? Ela sempre garantiu que, quando Lucinha ciscava pra frente, alguma coisa extraordinária estava para acontecer.

E, quando escutava aquele aperreio da bichinha, vaticinava:

– Santo Deus, tiraro o “indeiz” da bichinha, e ela tá aperreada por sentir a farta. Agora quer botar mais um ovo e num vai conseguir. Deve de tá intupida, a coitada!

Era essa mesma minha Avó, quem tinha a mania de dizer que conversava com as aves e os pássaros. Adotou um beija-flor, um vem-vem e uma sabiá comedora de melão São Caetano, que ela plantara na cerca para usar como sabão.

Certa vez, escutamos minha Avó conversando com dois perus grandes que engordara para “uma eventualidade” de faltar “dicomer”! E, quase sempre faltava esse “dicomer”.

Na volta para o jirau onde areava os pratos de barro e as panelas idem, sem qualquer cerimônia, minha Avó não se preocupava com as lágrimas lhe corriam pela face.

– O que é Vó, tá sentino dô?

– Não meu fii… tô cum pena do bichim!

Cheia de mistérios (e quem quiser que tentasse adivinhá-los), pouco falante, minha Avó nos obrigou a consultar a folhinha do calendário. Era 23 de dezembro de 1954. Lembro como se fosse hoje. Repito: 23 de dezembro de 1954. E minha Vó garantiu que os dois perus estavam chorando. O nome dela não era Terta. Era Raimunda!

E a gente sempre escuta que, peru é o único bicho que morre na véspera!

Pois, tanto quanto a galinha desesperada pelo sumiço do indez que “precisava” para continuar botando mais ovos, ou quanto os perus que anteviam a morte para a ceia de Natal, podemos afirmar que está o senhor (com “s” minúsculo mesmo!) Luís Inácio da Silva que, chegando ao poder, só Deus sabe como, resolveu mudar para Luiz Inácio Lula da Silva e nunca mais falou em Caetés, município do agreste pernambucano. Agora só fala em Guarujá e Atibaia.

“Lula desesperado, atira pra tudo que é lado e se posiciona até contra o trabalhador concursado.

Concursados e concurseiros estão reagindo mal. Muitos se consideram ofendidos, à parte da fala desta quinta-feira (15) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que considerou os políticos como os cidadãos mais honestos do país, numa comparação que soou pejorativa em relação aos servidores públicos.

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: “Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”. (Folha Dirigida).”

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O pinto Lulu nem percebeu que o irmão “Zé” já era

Lula já “se consultou” e recebeu passes de tudo quanto é catimbozeira do Maranhão, de Pernambuco e da Paraíba. Todos recomendam que ele “bote as barbas de molho” pois dentro de poucos dias vai mudar de endereço, sem ser obrigado a voltar para Caetés; sem assumir que realmente o tríplex é seu ou seu ter que se recolher em Atibaia.

O sol vai ficar diferente para ele e todos os dias a “patroa” pergunta se ele não está tomando muito Gutalax.

O que se sabe é que, feito a galinha Lucinha, ele vive procurando o indez, e fica atirando para todos os lados e ofende até quem, CONCURSADO, votou nele e nela nas últimas eleições.

8 Comentários

  1. Beni Tavares disse:

    Meu amigo, você tem uma cabecinha iluminada. Mistura ovo com estorvo e no fim acaba tudo dando certinho.
    Obs. A cabecinha aí em cima é a pensante.

  2. José de Oliveira Ramos disse:

    Beni: você provavelmente é parente próximo da minha falecida Avó. Você também é uma “figura”!

  3. Marcos Mairton disse:

    Seu Zerramos,
    acredito piamente na capacidade de sua avó conversar com galinhas e perus.
    Até porque criei cachorro por alguns anos, e chegou um tempo em que se uma delas (sempre criei fêmeas) latisse de noite, eu sabia se era gente, gato ou outro cachorro passando na calçada.
    Um dia estava no apartamento de um amigo, e o poodle dele ficou ali por perto. Avisei ao amigo que o cãozinho queria descer para fazer xixi. O amigo estranho: “Como é que tu sabe?”. Respondi: “Ele tá lhe pedindo faz tempo”.
    E a comparação que Lula fez entre políticos e concursados? Não me surpreende. Talvez ele pense isso mesmo, talvez tenha dito só para atrair o apoio dos políticos. De um jeito ou de outro, disse uma grande bobagem e ofendeu muita gente que o ajudou a se tornar presidente da República um dia.
    Nada, porém, que vá tirar a serenidade dos concursados responsáveis pela sua acusação e seu julgamento nas ações penais em curso. E nas que, ao que tudo indica, virão.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      MMM: se eu ainda estivesse trabalhando na Redação do jornal que me abrigou por mais de 15 anos, e tivesse ainda a tarefa de por títulos (na verdade, a gente chama “editar”) nas matérias para compor a página e até em matérias assinadas, que, via de regra são opinativas, eu não titubearia para dar um título ao que vosmecê escreveu: “Lucidez”!
      Em tempo: eu tenho um poodle preto em casa. Ele já tem mais de 10 anos de vida conosco. Eles são assim mesmo. Protetores, inteligentes e cuidadosos. Gosta de ficar perto dos pés de alguém da casa. Quando está assim, ninguém se aproxima daquela pessoa “protegida”, pois ele avança mesmo!

  4. Fred Monteiro disse:

    Eita. Olha aí o Pinto Zé, rapaz.. Vou te contar uma, Zé Ramo, sobre aquele cordel que fiz baseado na tua história do Pinto Zé e do Cururu Casquinho. Acredite se quiser, mas minha cunhada Elena, médica que é louca por animais e cria juntos uma Rottweiler enorme, chamada Kelly e uma gatinha viralata chamada Kitty chorou de verdade quando leu a história dos dois. Dona Raimunda Buretama devia ser realmente uma grande figura humana!

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Fred: além de grande figura humana, Vovó era uma mulher de cabelos nas ventas. Mascava fumo, não tinha vergonha de peidar, bebia uma talagada antes de banhar no açude, conversava com passarinhos e outros animais, rachava lenha com o machado e ainda rezava nim nós com gaio de arruda quandi nós tava constipado. Vixe Maria Santíssima!

  5. Glória Braga Horta disse:

    Zé, preciso parar de me meter em política e me dedicar aos meus escritos e à minha música. Depois que você parou de escrever sobre política, sua literatura ficou nota mil! Mas, o meu problema é mais com´licado: vou deixar de receber aquela “boquinha” do PT, o que vai me fazer muita falta, ainda mais nesse tempo de crise. Kkkkk.
    Desculpe a brincadeira,amigo, e parabéns pela gostosa crônica!
    Abraço

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Glorinha: é, a Política é assim mesmo. Aprendi que, “democrático” é apenas aquilo que eu penso e defendo. O que os outros acreditam e defendem, é só bobagem. Me senti atingido por tabela, quando da sua última postagem. Alguns partiram para o lado pessoal – e aí a coisa muda de figura. Vida que segue, né não?

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