Quantos somos atualmente no mundo?

Seguindo resposta encontrada no Google, ultrapassamos 7 bilhões de pessoas. E estamos “aumentando”, em que pese as guerras civis, as desavenças a fome africana e, no Brasil, o incontrolável número de homicídios. É maior o número dos que nascem, que os que morrem todos os dias.

E, como alimentar essa gente toda em 2030?

Atualmente é maior o investimento na busca de petróleo e no agronegócio (que, sem regras e/ou limites, acaba desertificando a Terra), que na pesca, na pecuária ou em hortifrutigranjeiros.

A água, bem comum, começa a enfrentar problemas que são continuadamente fortalecidos pelo desserviço prestado ao meio-ambiente. Já se fala com mais assiduidade no “reuso” do líquido precioso. Não se esconde a procura ansiosa pela dessalinização. E, sabe-se, a produção de alimentos tem forte dependência da água.

Nasci em Queimadas, quase todos já sabem. Passava férias com minha falecida Avó – e todos já sabem o quanto eu a amava. Vovó e Vovô não criavam vacas – na verdade, eram meeiros na criação de caprinos e ovinos. Para montaria e transporte de mandioca em caçuás, tinham também jumentos e jumentas.

As jumentinhas faziam a alegria de muita gente. Eita tempos bons!

Pois, nas férias, acordar com a sinfonia dos galos e cabritos desmamados tinha a mesma prática de ouvir, hoje, uma Orquestra Sinfônica dos tempos das regências de Eleazar de Carvalho ou Isaac Karabtchevsky.

A atração era o “leite mugido”, bebido ainda com a espuma. Naquele tempo, para mim, eu bebia saúde. Pouco me interessava se estava pondo a saúde em risco (os animais transmitem a toxoplasmose – esta, doença do sangue na gravidez).

Depois aprendi que leite de cabra tinha alto teor de ômega e ajudava a saúde da calcificação óssea. Era verdade. Só depois dos 50 anos comecei a enfrentar problemas dentários – muito mais por desleixo.

cabras

Cabras leiteiras de raça especial

O leite de cabra na alimentação infantil – Nos últimos anos está se falando cada vez mais das virtudes derivadas do consumo do leite de cabra, que representa uma alternativa válida ao consumo do leite de vaca. Mas, as crianças também podem consumi-lo?

Muitos habitantes de países mediterrâneos adultos estão acostumados ao potente sabor do queijo de cabra, se bem que o leite fresco deste mamífero não é tão célebre. Por ter um sabor mais forte, é mais complicado introduzir na alimentação infantil. Vamos analisar algumas de suas características alimentares.

O que o leite de cabra contribui na dieta:

– Gorduras. O conteúdo lipídico global do leite de cabra é maior que o de leite de vaca, se bem que no leite de cabra exista uma maior quantidade de ácidos graxos ômega 6 (que são saudáveis). Além disso, a quantidade de colesterol é entre 30 e 40% menor que no leite de vaca.

– Proteínas. O conteúdo protéico global é similar ao leite de vaca, se bem que, qualitativamente falando, contém menos caseína alfa A1 e uma quantidade nula de caseína beta A1. Ainda assim, desaconselha-se o consumo do leite de cabra em crianças alérgicas às proteínas do leite de vaca, pois até 20% deles podem ter reações cruzadas.

– Açúcares. O leite de cabra tem menos quantidade de lactose que o leite de vaca. Por isso, pode se adequar melhor do que este último aos pacientes com uma intolerância parcial.

– Minerais. O leite de cabra contém a mesma quantidade de cálcio, mais cobre, menos ferro e selênio que o leite de vaca.

– Vitaminas. O leite de cabra contém mais vitaminas A, e uma quantidade ligeiramente superior de vitamina B2 e D. Por outro lado, o conteúdo em B12 e ácido fólico é significativamente menor que o do leite de vaca.

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Leite de cabra

Vantagens e desvantagens do leite de cabra para as crianças:

Em resumo: a composição do leite de cabra traz algumas coisas interessantes no plano teórico:

– Más ácidos graxos ômega 6.

– Menor quantidade de lactose.

– Mais vitaminas A e D.

No entanto, o leite de cabra também tem algumas desvantagens:

– Menos vitamina B12.

– Menos ácido fólico.

Analisamos assim, suas vantagens e desvantagens, sem que no momento atual existam provas consistentes para recomendar seu uso generalizado desde o ponto de vista médico. (Iván Carabaño Aguado – Chefe do Serviço de Pediatria – Hospital Universitário Rey Juan Carlos). – Transcrito do Wikipédia

Queijos com Leite de Cabra:

A França é o país onde se fabrica a maior variedade de queijos de leite de cabra. Uma grande parte destes queijos são exportados para diversos países.

A partir da década de 1970, diversos trabalhos foram feitos no Brasil, visando à substituição do queijo de cabra importado por similares nacionais, através da adaptação de tecnologia às condições locais. Assim, diversas fábricas de pequeno porte foram implantadas, visando à produção de queijos finos de leite de cabra. Naturalmente, já existia produção de leite e queijos de cabra no país, porém, estava concentrada na região Nordeste, tratando-se apenas de queijos regionais não-mofados, vendidos frescos ou semicurados. Na região Sudeste passou-se a fabricar, principalmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, queijos maturados por fungos, especialmente os tipos Chabichou e Sainte Maure.

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Queijo de leite de cabra

Algumas considerações:

O uso de fungos em queijos de cabra tem uma razão especial: o leite de cabra possui em sua gordura um elevado teor de ácidos graxos de cadeia curta até duas vezes superior àquele observado no leite de vaca, e que confere características de sabor e aroma muito típicas ao queijo.

Porém, para liberar estes ácidos graxos esterificados ao glicerol, são necessárias lipases produzidas em abundância pelos fungos, durante a cura do queijo.

O leite de cabra possui algumas características especiais que devem ser citadas, pois apresentam importância do ponto de vista da fabricação de queijos.

• Os glóbulos de gordura do leite de cabra são menores do que os do leite de vaca (desnate natural mais lento e melhor absorção a nível da mucosa intestinal).

• o leite de cabra não tem B-caroteno, daí sua coloração branca.

• Apresenta duas vezes mais ácidos graxos de cadeia curta do que o leite de vaca. Explica-se aí o pronunciado sabor e aroma dos queijos de cabra.

• Possui, em geral, menor teor de proteínas do que o leite de vaca (em média 2,82% contra 3,2%).

• Dentro das proteínas apresenta ainda uma menor quantidade de caseínas do que o leite de vaca (2,33% contra 2,7%) e uma maior quantidade de substâncias nitrogenadas não-protéicas (cerca de 0,27% contra 0,16% no leite de vaca). Isto leva a um menor rendimento na fabricação de queijos.

• O leite de cabra possui ligeiramente maior teor (1,35 g/l) de cálcio do que o leite de vaca (1 ,25 g/l).

• Devido à sua composição protéica, as micelas do leite de cabra são menos hidratadas que as do leite de vaca. Este fator, aliado ao maior teor de soroproteínas e de cálcio, conferem ao leite de cabra uma menor estabilidade térmica. (Fonte: www.leitedecabra.com.br/queijo.php)

“A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados. É um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose.

É o único hidrato de carbono do leite e é exclusiva desse alimento porque apenas é produzida nas glândulas mamárias dos mamíferos: no leite humano representa cerca de 7,2% e no leite de vaca cerca de 4,7%. Seu sabor é levemente doce e as leveduras não a fermentam, mas podem ser adaptadas para fazê-lo. Lactobacilos a transformam numa função mista de ácido carboxílico e álcool, que formam o ácido lático.” (Transcrito do Wikipédia)

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Criador tirando leite da jumenta

Leite de jumenta:

ASPECTOS COMPOSICIONAIS E NUTRICIONAIS DO LEITE DE JUMENTA: UMA REVISÃO

O objetivo deste trabalho foi buscar na literatura científica nacional e internacional informações relacionadas aos aspectos produtivos, características físico-químicas, microbiológicas e nutricionais do leite de jumenta. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e dezembro de 2014, na qual foram consultados artigos publicados entre os anos 1900 e 2014, por meio da base de dados Scielo Brasil, Web of Science, AGRIS, Google Acadêmico, FAOSTAT e EBSCO. O leite de jumenta apresenta relevante similaridade ao leite humano e seu consumo tem aumentado, associado a resultados de estudos que confirmam o seu uso como um alimento seguro e válido para maioria dos casos de intolerância alimentar múltipla. O leite de jumenta apresenta menor teor de gordura e, teores de lactose e pH semelhantes, se comparados ao leite humano. Possui maior percentual de ácidos graxos poli-insaturados em relação ao leite de ruminantes. Apresenta baixa contagem de células somáticas e baixa contagem bacteriana associadas à alta concentração de lisozima que possui características bactericidas, tornando-a um dos componentes do leite com propriedades biológicas úteis. Assim, a criação racional da espécie, com foco na produção e consumo de leite, representa uma alternativa promissora. (Adriano Henrique do Nascimento Rangel, José Geraldo Bezerra Galvão Júnior, Aurino Alves Simplício, Rayssa Maria Bezerril Freire, Luciano Patto Novaes)

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A densidade do leite de jumenta

Queijo de leite de jumenta custa até R$ 3 mil

No Rio Grande do Norte, investidores da China e da Inglaterra pretendem produzir leite de jumenta para a fabricação de um dos queijos mais caros do mundo: o pule.

O produto é consumido na Ásia e na Europa e o quilo pode custar até R$ 3 mil. O grupo se reuniu recentemente com o secretário de Agricultura do estado, Guilherme Saldanha, que fala sobre os detalhes do projeto.

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“Pule” – queijo produzido com leite de jumenta

9 Comentários

  1. José Salvador Pedroza disse:

    Oliveira Ramos. sou leitor do Besta Fubana ha muitos anos. Estava fazendo uma pesquisa sobre o Liceu do Ceará, onde fiz o ginasial de 1957 a 1960 e encontrei um trabalho seu sobre o tema, daí encontrei essa Gazeta. Sôbre o leite de jumenta, lembro do Sr. Lindolfo, funcionário da RVC, nosso vizinho no bairro Antonio Bezerra. Todas as vezes que a esposa dele ia ganhar nenem, ele comprava uma jumenta parida, para alimentar a criança.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      José Salvador: que legal, cara! Entrei no Liceu em 1957, sendo aprovado no Exame de Admissão. Fiz a primeira série em 1958 e saí de lá no final de 1964, tendo concluído o Científico. Bons tempos que a vida me reservou. Professor Mamede, com quem aprendi que “a soma do quadrado dos catetos é igual B2 + C2 (Hipotenusa”, Professor Orlando Leite, de Canto Orfeônico. Professor Oswaldo, de Latim, Caio Lóssio, professor Dilson, de Desenho. O diretor era Boanerges Sabóia. Engraçado que, numa escola onde só estudavam homens, não existia essa baitolagem de “bullying”. Quanto ao Antônio Bezerra, eu tinha umas amigas que moravam ali na Mister Hull, ao lado de um posto de gasolina, no lado oposto à Escola de Agronomia (Alzair e Aglaís). Volte sempre, amigo.

  2. Goiano disse:

    Uma pessoa da família trocou para o leite de cabra, se deu muito bem quanto a questões de saúde, mas chorava na hora de comprar: nos supermercados do Centro-Oeste era quatro vezes mais caro que o de boi.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Goiano: sempre é assim. Até porque a produção é menor, o que acaba diminuindo também a possibilidade de lucro. Mas, sabemos todos, é um leite saudável. Agradecido pela presença, meu guru.

  3. Mardonio Gadelha Pessoa disse:

    Meu caro Zé Ramos.Sua crônica me transportou para minha gostosa infância que passei com minha avó paterna. Dona Anunciada criava uma cabra que era boa de leite. Todas as manhas ela bebia um copo grande deste leite e eu bebia em um copo menor e pingava café. Nunca consegui beber o leite puro. Quanto ao leite de jumenta, meu pai pegava emprestado com os amigos uma jumenta parida pra servir o leite como remédio para meus irmãos menores que estavam com coqueluche(tosse braba). Bons tempos.

  4. Marcos Pontes/DF disse:

    Pra variar, excelente texto Zeramos e o resumo é o seguinte: o jumento é nosso irmão e a jumenta é nossa mãe, quem sabe, esse seu texto salve os jumentos(as) do abandono/morte, já que podem virar uma excelente oportunidade economica neste nosso nordeste fudido e abandonado. Quanto ao Liceu de Fortaleza, não estudei lá, tinha um primo que morava em nossa casa (CHICO ALENCAR, hoje, agrônomo), fez o ginásio e o cientíco nesta época, eu estudava no Colégio São João, que tinha como professores o Prof. Boanerges Saboia e também o prof. Braveza que veio a ser também diretor do Liceu. Bons tempos…

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Marcos: só estudei no Grupo Municipal São Gerardo, por trás da igreja do bairro, ali na Bezerra de Menezes; passei para o Liceu; iniciei nas faculdades de Medicina e Filosofia. Essas duas últimas “me largaram” nos anos de chumbo.

  5. valquir coutinho disse:

    Bom dia tudo bem sou mineiro carmo Do paranaiba MG estou criando jumentas pra fazer queijo pule
    Em breve vou ter queijo disponivel Se vc sober algum interresa comprar

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