18 setembro 2016NOS TEMPOS DOS PREGOEIROS



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Pregoeiro com produtos hortifrutigranjeiros

Shopping Center.

Supermercado (com varejo e atacado).

Sacolão.

Mercearia.

Bodega.

Quitanda.

Tudo, e quase que literalmente nessa ordem. Era o desenho real do nosso comércio. Nos dias atuais, há quem afirme que evoluímos.

Se formos mais longe, vamos encontrar o tempo (já posto aqui neste espaço) em que as encomendas eram feitas aos pregoeiros (jornais, pão e leite – eram deixados nas portas das residências nos bairros, tão logo aparecia a claridade do novo dia, e ninguém se atrevia a mexer), que as atendiam completa e honestamente.

Coisa de um Brasil que já vai longe – e, a cada dia fica mais difícil de se repetir. Nossas atuais gerações estão sendo preparadas para as espertezas, os jogos de interesses, o levar vantagem em tudo, e acabam entrando pelos caminhos da desonestidade, sem qualquer obstáculo, mesmo da família.

Olha o Verdureiro!

Vai passando o Verdureiro!

Temos também galinhas gordas, batata-doce, bananas, laranjas e mangas!

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Pregoeiro vendendo aves (galinhas e patos)

Não raro, escutava-se também:

– Compro garrafas vazias, alumínio velho e usado. Pago bem!

Na parte vespertina, as ruas dos vários bairros de muitas cidades tinham o hábito de ver e escutar:

– Olha o mocotó, panelada, tripa e fígado gordo!

Ou, ainda:

– Quuueeeeiiiiixo!

Era o vendedor de quebra-queixo e algodão doce fazendo a festa vespertina da criançada.

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Pregoeiros vendendo (e comprando) engarrafados

Pois, por qualquer que seja o motivo esse “prestador de serviço” sumiu de algumas cidades grandes, mas ainda permeia nos logradouros públicos, vendendo alguma coisa.

Em São Luís, todas as tardes, no bairro onde moramos, montando uma bicicleta multimarcas (por ter tantos remendos), o Senhor Luís oferece, num tabuleiro afixado na garupa da bike, o famoso “Cuscuz Ideal”.

– Ideaaaaal!

Grita a todos pulmões o vendedor. Até onde se sabe, Senhor Luís é pai de quatro filhos, todos homens. Dois concluíram o ensino superior (graças à venda de cuscuz feita pelo pai) e dois estão cursando faculdades públicas.

Também ainda se vê alguém gritando:

– “Compro panelas velhas de alumínio; latinhas de cerveja vazias; garrafas vazias, plásticos e ferro velho”!

E você, tem algo para vender?

Nem garrafas vazias?

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12 Comentários

  1. Mundinho Fulô (do Bico Doce) disse:

    Conterrâneo,

    Parabéns!

    Tenho aqui em meu acervo, presente de Iracema, querida ludovicense, o CD Pregões de São Luís, de Antônio Vieira e Lopes Bogéa, que é verdadeiro tesouro para nós, os saudosistas!

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Mundinho (do Bico Doce): Quem está de parabéns é você mermão, por ser possuidor desse tesouro raro do falecido Antonio Vieira, com quem convivi dias e meses aqui em São Luís e, pela proximidade, com certeza não consegui comprar esse tesouro. Obrigado pela leitura e pela generosidade.

  2. Mundinho Fulô (do Bico Doce) disse:

    Complementando, aqui vai a ralação dos pregões contidos no CD: 01) Derressó 02) A Doceira 03) O Camaroeiro 04) O Amolador 05) O Compra Tudo 06) O Garrafeiro 07)Pamonha 08) O Vassoureiro 09) O Jornaleiro 10) Rolete de Cana 11) O Sorveteiro 12) Banho Cheiroso 13) Arroz de Cuxá 14) Caruru com Bola 15) O Homem do Peixe 16) Juçara 17) O Verdureiro 18) Mingau de Milho 19) Vendedor de Caranguejo 20) O Carvoeiro 21) Pirulito 22) O Laranjeiro

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Mundinho: aqui ainda se vê pelas ruas – Camaroeiro, Compra tudo, Garrafeiro, Pamonha, Vassoureiro, que outros chamam de Vasculhador, Sorveteiro, Homem do Peixe, Juçara, Pirulito.

      • Fred Monteiro disse:

        E aqui no Recife, meu caro Zé Ramo, você ouve até hoje as cantigas dos mascates, marca registrada da nossa cidade que sempre teve essa vocação de comércio de rua. Belo artigo e pesquisa de primeira sobre esses heróis das ruas que tanto nos serviram e nos servem até hoje em dia, oferecendo produtos e serviços de forma bem original. Um shopping ambulante e muito mais gostoso do que esses prédios imensos e suas galerias geladas e luxuosas. Parabéns!

      • José de Oliveira Ramos disse:

        Fredão: obrigado amigo. Saudades de você. Seja mais assíduo! É um prazer tê-lo sempre aqui.

  3. Mundinho Fulô (do Bico Doce) disse:

    Conterrâneo,

    Aqui em Brasília ainda existe um monte deles, como o Amolador de Facse Tesouras, o Consertador de Panelas, o Vendedor de Gás e o Picolezeiro.

  4. Fred Monteiro disse:

    Eu alcancei essa turma boa de gogó vendendo de tudo e fazendo todo o serviço do mundo e no marketing mais antigo do mundo, cantando loas rua afora para anunciar seus produtos. E disso fiz um frevo de bloco chamado MASCATE DAS LEMBRANÇAS, que vem a ser o nome que botei na minha coluna aqui neste jornal da gota serena. Segue a letra, pra quem não ouviu:

    Fui passear pelas ruas do tempo
    Na terra dos mascates e dos pregoeiros
    “Chá Preto & Pente”, “Mané do Palito”
    na esquina da VEstal comiam pastel de vento

    Passou “Vavá”, amolador de tesouras
    Tocando sua gaita vem “João Sorveteiro”
    Sons de triangulo do cavaco chinês
    e po pregão meloso do doce japonês

    Cadê “Bolinha de Cambará”
    Cadê o gringo da prestação
    REtrós de linha, botões e fitas
    num caixotinho de ilusão

    Ó meu Recife, vão longe os dias
    e madrugadas de cuscuz e munguzá
    Nos tabuleiros e carrocinhas
    Destes menestréis que não vão voltar…

    E quem quiser ver a dramatização desse frevo de bloco pelo Bloco O Bonde nas ruas do Recife antigo
    entre aqui no YouTube. Tem um vídeo meio tosco por lá, mas dá pra sentir…

    https://www.youtube.com/watch?v=4-gij6dGto0

  5. Fred Monteiro disse:

    E, a propósito, a música que anima o Bloco, chamada “Vou de Bonde” também é de minha autoria..

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