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Cuia com chimarrão – algo indispensável para os gaúchos

Olhar a garoa cair na serra gaúcha durante o inverno e, pegar a bomba e sugar o chimarrão de uma boa erva, é algo que não dá para descrever – o prazer. É tradição que se junta ao prazer.

Passar boas horas da noite tomando um (vários, aliás) chopinho gelado com colarinho do Bar Luiz no Rio de Janeiro, ou no Pinguim de Ribeirão Preto, em São Paulo e, no amanhecer do dia forrar o estômago com um caldo verde bem feito (purê de batatas, couve picada, costelinha de porco frita e umas rodelas de linguiça calabresa) é algo que só quem conhece e fez, sabe o prazer que dá.

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Caldo verde – delícia portuguesa importada pelos cariocas

Comer uma fava rajada com charque e um arroz branco soltinho, acompanhados de uma boa talagada de cana Sanhaçu, só o pernambucano tem esse prazer.

Da mesma forma, comer um baião de dois grolado com uma farofa de tripa de porco ou toucinho e farinha seca – é algo que cearense nenhum dispensa. Aplaude, repete e se puder, se serve pela terceira vez. É algo divino!

Dispor de pupunha no café matinal, acompanhado de tapioquinha ou beiju, dispensa qualquer comentário para os paraenses.

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Pupunha é item que não se dispensa no café da manhã dos paraenses

Assim, iniciamos (para evitar o ócio) mais uma série de relevantes situações e assuntos tradicionais das nossas terras.

Enquanto a meninada de hoje não teve o prazer de conhecer, por que lhes “empurraram” os danoninhos, os nescaus e os todinhos da vida (fabricados por uma multinacional – a mesma que inventou a “papinha para bebê” feita só Deus sabe como), queremos relembrar o prazer que é preparar o próprio chibé com todos os ingredientes preferidos, e degusta-lo sem dar a mínima para as formalidades do mundo e as muitas frescuras que lutam para tornar nossas escolhas tradicionais e nossa culinária em algo de gente miserável.

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Chibé – comida indígena adorada pelos maranhenses

Conhecemos, aqui em São Luís, quem use o chibé como sobremesa. E vida que segue.

Se nós mesmos não valorizarmos o que é nosso, e as nossas tradições e prazeres, quem fará isso por nós?

Vamos tomar um chibé?

E o que é o “chibé”?

Chibé é uma mistura de água, farinha, sal, limão, coentro picado com mais cebolinha também picada. Quem prefere, acrescenta sal e pimenta do reino e ainda adiciona pimenta malagueta.

8 Comentários

  1. violante pimentel disse:

    Parabéns pelo excelente texto, prezado escritor José de Oliveira Ramos! Nada como ampliar nossos conhecimentos sobre a maravilhosa comida de todas as regiões do nosso Brasil! Esse Chibé é bastante apetitoso. Deve ser ótimo, com peixe…Da ilustração, só conheço “caldo verde”, “anordestinado”!!!rsrs
    Um grande abraço, da sua leitora assídua ,

    Violante Pimentel Natal (RN)

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Violante: você é generosa além da conta. Abrace, por mim, fazendo o favor, Diana. Todo lugar do nosso país tem algo “reverenciado” como muito gostoso. A Paraíba tem a carne de sol com inhame e queijo de coalho que são imperdíveis. A empadinha da Confeitaria Colombo (a do Centro) é algo maravilhoso. Você já tomou um café da manhã em Caratinga ou em Governador Valadares? Não tem comparação com nada de bom.

  2. Pablo Lopes disse:

    Primeiro quero lhe agradecer, sr José Ramos, por ajudar a dar um tempo nas notícias sobre a crise e pensar um pouco em coisas agradáveis.

    Ainda não tive o prazer de degustar as delícias do norte e nordeste que o senhor nos apresentou, mas já me considero obrigado a conhecer.

    Além disso, agradeço por me fazer lembrar do choppe do Pinguim: morei mais de vinte anos em Ribeirão, e só quem já experimentou um choppe gelado, tomado no imenso calor do fim de tarde, em qualquer das muitas choperias e cervejarias artesanais da cidade é que sabe o quanto isso é bom!

    Da próxima vez que visitar minha querida ribeirão tomarei um choppe em sua homenagem.

    Saúde!

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Pablo: eu costumo tomar quatro (é a minha média). Então tome os meus quatro e um por você. Vou agradecer. Peça o ótimo “engana gosto” feita daquelas bolinhas de queijo. Tremoço, não. Não suporto ficar mastigando aquela rolha de garrafa.

  3. Paulo Terracota disse:

    Sr. José Ramos, forrar o estomago com um suculento angu do Gomes, após uma noitada na Lapa,no fim dos anos 50 e início da década de sessenta, era maravilhoso. Velhos tempos belas noites.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Paulo: pois é. Era bom realmente. Quando eu morava em Santa Teresa, subindo a pé pelo acesso que fica atrás da Sala Cecília Meireles, eu gostava de “levantar o astral” depois de muito chope, num vendedor de Angu do Gomes que ficava ali nas imediações da subida do Convento Santo Antônio; depois, quando mudei para Bento Ribeiro, comia com um vendedor que tinha o carrinho na estação de Marechal Hermes. Levantava o astral mesmo. boas lembranças!

  4. Marcps Pontes/DF disse:

    Caro Zeramos, este caldo de Chibe, parece muito com o “nosso” caldo de caridade (só falta o ovo) servido no Ceará nos anos 50/60. Ou estou errado? Parabéns pelo texto.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Marcos: o “nosso caldo de caridade” é quente. Quase uma “Crista de Galo”. O Chibé é feito e sorvido com água fria – se for gelada, ainda melhor. Tem quem goste quando é feito apenas com água, farinha (d´água), sal e limão.

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