20 novembro 2016O ANTIGO E O INUSITADO



– Hoje tem espetáculo?!

– Tem sim senhor!

– Então arrocha, negrada!

Era assim, toda tarde de muitos dias que, nos bairros onde os circos se instalavam na minha jamais esquecida Fortaleza, os palhaços ou travestidos deles anunciavam mais uma noite de espetáculos e de boas e saudáveis atrações para a família. Era o circo. Não era nenhuma Câmara nem nenhum Senado. Era o circo real, com palhaços reais que, as coisas que faziam com perfeição era nos alegrar e chorar de rir. Rir comendo pipocas, churros, algodão doce ou roletes de cana caiana.

Que saudades sentimos de Carequinha, Trepinha, Arrelia e tantos outros, que não tiveram o prazer de conhecer nem conviver com os palhaços atuais, lotados em verdadeiros circos e com contratos renovados de quatro em quatro anos. Alguns, mais engraçados que outros, conseguem contratos de oito anos e, com muita graça, conseguem a renovação.

E, haja espetáculo e graça todos os dias.

– E o palhaço, o que é?

– É ladrão porque quer!

– Então arrocha negrada!

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Cagadouro público na Turquia de antigamente – não existia papel e cada um que levasse

Comer, cagar, dormir, andar são coisas tão antigas muitos ainda não descobriram como isso tudo começou. Mas tem gente (curiosa demais) querendo comprar terreno, agricultar e morar na lua. A última tentativa foi, agora, nas maior lua do mundo – teve quem dissesse que, ficando maior, a lua teria ficado mais próxima e fácil de chegar até numa jangada de cearense.

Pois, em Éfeso, na antiga Turquia, “cagar” nunca deixou de ser uma necessidade fisiológica comum, e, assim, não havia necessidade de tanta privacidade. Quem ensina alguém a cagar? Cagar é algo feio? Se você caga igual todo mundo, e quer “privacidade”, é porque não está pensando apenas em cagar. Tá pensando em “apertar” alguma coisa e acender, ou enforcar a Maria com os cinco dedos.

Em Éfeso, cagar é tão simples quanto dizer “bom dia”. Pensando assim, os antigos gestores daquele lugar, e pensando, também, em dar um destino lógico à bosta de todo mundo, resolveram construir os cagadouros num mesmo lugar, sem esquecer de terminar que o cagão se aprouvesse do papel, até porque é direito de cada um escolher a marca desse papel. Sabugo não era permitido. A não ser que o cagão o levasse de volta depois de usá-lo.

Coisas de antigamente!

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Fotógrafo antigo “lambe-lambe”

A tecnologia avançou em muitas áreas que envolvem o homem (teoricamente falando). Deveríamos fazer uma reflexão e, apesar da velocidade em que as coisas acontecem, no caso do nosso País, a dimensão continental e as dificuldades materiais por conta dos acidentes geográficos de difícil ultrapassagem, acabam intercedendo para que as coisas aconteçam mais rapidamente em todos os lugares.

Vejamos, por exemplo, o bem que o avanço tecnológico fez à fotografia. Era em preto e branco e precisava de um “laboratório” operacional para a revelação e a cópia.

Chegaram as cores e a tecnologia avançada eliminou a necessidade de alguns elementos laboratoriais. A velocidade quintuplicou para que tenhamos em mãos uma cópia fotográfica (ainda que em reprodução).

No caso da “comunicação”, entretanto, algumas regrinhas não estão sendo observadas. Antigamente era “obrigação” pedir permissão para reproduzir uma foto feita por alguém em qualquer publicação. Avançamos e chegamos ao consenso que, a colocação ao lado da foto, do autor dessa, estaria resolvido em parte. É o chamado “crédito” fotográfico em reconhecimento ao “autor” da foto, seja ele profissional ou não.

Isso já atingiu outro estágio. Agora, com a disponibilidade das fotos na Internet, afixa-se apenas “publicação” no local que se colocava o nome do autor e, aparentemente está tudo resolvido. A foto vai ao domínio público.

E, vejam ainda existem alguns “lambe-lambes” trabalhando e ganhando o pão da vida em algumas praças de municípios e capitais brasileiras.
Coisas de antigamente – e de hoje!

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Uma pia num moderno lavatório – há quem aprecie

Pois, esse mundo mudou tanto, que sequer temos informações das mudanças em todos os lugares deste planeta. Preferências religiosas, culinária diversificada, hábitos completamente diferentes, transportes diferentes, e, comportamento humano diferente. Lembram quando, alguns anos atrás, pessoas que queriam e precisavam “cuspir”, fazer isso no próprio lenço?

Hoje esse comportamento não é o mesmo. De vez em quando cito aqui a minha Avó (que Deus a tenha, varrendo o quintal dela com aquela vassourinha), e digo que ela tinha o hábito de “mijar em pé”. Pois, não é que eu pensava que era só ela que gostava de fazer isso?

Quem quiser comprovar, acesse a Internet e vai ver que aparecem muitas fotos nessa posição. E, com certeza, nenhuma será da minha falecida avó.

Agora, lavar as mãos num lavatório com torneira diferenciada – e provavelmente muito apreciada – foi a primeira vez que vi. Mais insólito é o mecanismo para “abrir” ou para “fechar” a torneira.

Coisas diferentes!

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Narinas com “buracos” para cima – você já tinha visto certamente – só em Palmares/PE

Certo dia – é verdade, minha gente! – vi uma foto, que infelizmente não tive condição de copiar para reproduzir, de um homem adulto, com um ouvido só e, claro, uma só orelha. É uma deformidade, mas causou espanto o fato de ser uma pessoa adulta e ter conseguido sobreviver com aquela situação. E, disseram, escutava tanto quanto os “normais”.

Agora, não posso dizer o mesmo dessa senhora palmarense, cuja foto estou anexando apenas para não me chamarem de mentiroso.

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2 Comentários

  1. Beni Tavares disse:

    Hoje tá tudo virado, Seu Zé Ramos, os palhaços de hoje estão no Poder e só eles riem.

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