2 novembro 2016O PIRULITO E O ROLETE



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Pirulito sabor laranja ou limão – uma guloseima imperdível

Corina é o nome dela. Se da Silva, Pereira ou Silvestre, pouco importa. Ela é conhecida e reconhecida como “Corina”, a mulher que vende pirulito. Vende todos os dias, chova ou faça sol.

Corina vende pirulitos faz tempo. Foi vendendo pirulitos que ela mesma faz, que ajudou a criar quatro filhos – com os quais vive às turras insistindo para que ela largue o “ofício”.

– Não é meu ofício nem minha profissão. É apenas o que aprendi e gosto de fazer. Diz Corina, do alto da sua humildade e respeito aos fregueses.

Personagem (ou com citações elogiosas que demonstram retidão de vida) de vários livros, reportagens de jornais e até de emissoras de televisão, Corina tinha o hábito e o prazer de vender seus pirulitos. Antes, quando jovem e apenas com um filho para ajudar a criar, carregava uma tábua com 100 furos, o que significava 100 pirulitos. Vendia um tabuleiro pela manhã, nas portas dos colégios e outro na parte da tarde pelas ruas dos bairros do centro da cidade.

Hoje, com o peso da idade e a constante reclamação dos filhos, Corina transporta um tabuleiro com apenas 50 furos, 50 pirulitos. Tem clientela marcada e recebe o respeito de todos – nunca vendeu um único pirulito fiado. Mas também nunca deixou uma criança sem ser servida.

Corina anda horas e horas, a pé, com chuva ou com sol. Vive pelo prazer de agradar às pessoas. Merecia ser reconhecida pelos gestores municipais.

Na semana passada, soubemos….. bom, as crianças ficaram sem os pirulitos. Corina não está mais entre nós. É a vida e a sua continuidade, entremeada pelo inesperado.

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Pantico – o vendedor de roletes de cana

Cada dia que passa somem do nosso convívio algumas “profissões” que sequer foram reconhecidas formalmente. Alfaiate, Sapateiro, Engraxate, Barbeiro, Ourives, Motorneiro são apenas algumas dessas “profissões” que nos dias atuais já temos dificuldade para encontrar. Uma pena.

Ninguém algum dia “raspou” com mais paciência e competência a minha barba (uma porcaria, pela quantidade de cabelos encravados) sem faze-la sangrar, que o Totó. Na verdade, Antônio Morais.

E calças e/ou camisas de cambraia de linho, quem as fazia melhor que Biné, o Alfaiate Benedito Santos da Conceição – que se orgulhava de ter feito centenas de “ternos completos” para famosos.

Nos últimos anos a informalidade tem tomado o espaço das profissões. Vendedor de picolés, de sorvetes, de óculos e até de frutas, verduras e legumes.

É comum subir alguém para vender balas e bombons nos ônibus e trens e outros já aparecem vendendo água mineral, chocolates e até marmitas com comida.

Felizmente continuamos vendo a figura de Pantico, vindo do Quilombo de Damásio, município maranhense de Guimarães. Vestido de branco, “trabalhando” preferencialmente nos sábados e domingos, Pantico “defende” os trocados das despesas diárias vendendo roletes de cana. Uma tradição nas praias de São Luís.

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“Rolete” – esse foi mais esperto e soube explorar a verve musical

“José Galdino dos Santos, o Zeca do Rolete, tem mais de meio século de dedicação ao coco, porém só gravou o primeiro CD em 2011. Ganhou o nome artístico vendendo roletes de cana (cana-de-açúcar cortada em rodelas, espetadas em palitos) na porta de escolas de Olinda/PE, onde nasceu.

Além de cantar e compor cocos, arte aprendida com seu pai e avô, coleciona e conserta rádios antigos. Há mais de 25 anos, fixou residência no bairro do Janga, na cidade do Paulista/PE. É griô de tradição oral do Ponto de Cultura Coco de Umbigada e se apresenta com frequência nas sambadas da Região Metropolitana do Recife. Em 2013, realizou shows em Portugal e na Espanha.” (Transcrito do Wikipédia)

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