6 novembro 2016O TRIPLEX DO JOÃO



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João de Barro – o verdadeiro dono do triplex

João não tem nenhum sítio. Em Atibaia ou qualquer outro lugar. Nunca negou isso, até porque nunca lhe perguntaram. Aos poucos tem sido expulso de casa – da casa dele, a mata selvagem – pelos verdadeiros donos do sítio, que, inexplicavelmente, não querem ser.

João tem ido pouco ao sítio, mas, todos os dias vai ao tríplex. Esse, não nega, é dele. Até por que, não apenas visita em companhia da mulher, como o constrói auxiliado por ela. As obras estão aceleradas e em ritmo final.

Não dá muita atenção para quem diz que ele está “grilando” a área e fazendo obras para morar quando largar o atual aposento ou, futuramente, quando sair da Papuda.

Sem ser nenhum demagogo, João veio do interior pernambucano para próximo do sítio de Atibaia. Ali trabalhou, fez amigos e amizades – embora algumas estejam lhe atrapalhando a vida nos dias de hoje.

João faz jus aos adjetivos e está literalmente “tirando o seu povo da miséria”. Ao lado do seu tríplex, está construindo outro e provavelmente construirá outros – fórmula que usa para ganhar admiradores e atingir seus objetivos.

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João em visita ao tríplex – aproveitou para vistoriar a obra de outro

Quem é o João:

“O joão-de-barro ou forneiro (Furnarius rufus) é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno (característica compartilhada com muitas espécies dessa família). É a ave símbolo da Argentina, onde é chamado de hornero (“Ave de la Patria” – desde 1928).

Possui o dorso inteiramente marrom avermelhado (por isso o epiteto específico rufus). Apresenta uma suave sobrancelha, formada por penas mais claras, em leve contraste com o restante da plumagem da cabeça. Rêmiges primárias (penas de voo, nas asas) anegradas, visíveis em voo, com as asas abertas. Ventralmente é de coloração mais clara. Tem cerca de 20 cm de comprimento e não apresenta dimorfismo sexual evidente, mas sua plumagem pode mostrar variações regionais; no sul da Argentina tende a ter um tom mais pálido e acinzentado; no Piauí e Bahia as cores são mais fortes, mais avermelhado no dorso e mais escuro e ocre no ventre. Também seu tamanho pode variar, sendo em geral as populações do sul ligeiramente maiores que as do norte.” (Transcrito do Wikipédia)

O cântico do João de Barro:

Mas, Atibaia não está só. Ali existe um sítio que, vez por outra é cedido pelo proprietário para encontros de fins de semana. Não é propriamente um alambique nem existe nenhum canavial, mas, o caminhão que recolhe o lixo tem retirado garrafas vazias de Pirassununga, mesmo sendo em Atibaia.

Pura obra da Natureza, ali aportou uma verdadeira colônia de pássaros. Pássaros raros e de belos cânticos. Coleiros, curiós, sabiás e principalmente xexéu – um pássaro terrível que muito observa e muito aprende. Só falta falar. Imita sons mil.

Bom reprodutor, ali resolveu construir seu lar – ainda que não seja um tríplex, mas, pelo menos é em Atibaia. Irreverente, o xexéu garante que está construindo casas (na verdade, ninhos) e, tão logo os demais componentes da colônia cheguem, cederá para os amigos e não apenas para visitas e/ou fins de semana. Afinal, já tem até papel passado com o timbre de uma grande e mundialmente reconhecida empresa.

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Xexéu – além de encantador cântico é imitador

Quem é Xexéu:

“Cacicus cela, conhecido vulgarmente como xexéu, japi, japim, japiim, baguá, bom-é e joão-conguinho, é uma ave passeriforme da família Icteridae, pertencente à tribo Icterini. Ocorre na maior parte do norte da América do Sul, desde o Panamá e Trinidad até o Peru, Bolívia e a região central do Brasil. “Xexéu” é oriundo do tupi xe’xéu. “Japi”, “japim” e “japiim” são oriundos do tupi ya’pi. “Baguá” vem do tupi ipa gwá, “morador em brejo”. O macho de xexéu mede aproximadamente 28 cm de comprimento e pesa cerca de 104 gramas, enquanto a fêmea atinge 23 cm e cerca de 60 gramas. No macho, a plumagem é essencialmente negra, à exceção do amarelo-vivo das asas, do uropígio e da parte inferior da cauda. Tanto na fêmea quanto nos juvenis, o preto é substituído pelo fuligem. O bico é branco, tendo um tom arroxeado na base; a íris é azulada.” (Transcrito do Wikipédia)

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Casa (ninho) do xexéu imitador em Atibaia

Xexéu imitador:

2 Comentários

  1. Aristeu Bezerra disse:

    Parabéns pelo belíssimo texto sobre o João de Barro e o Xexéu. Compartilho os belos versos do repentista Zé Martins sobre o sabido João de Barros:

    “Por ser muito experiente
    Pra ver se o inverno é fraco
    Faz a entrada do barraco
    Virada para o nascente
    Ou então para o poente
    Se no plano se enganou
    Quando se certificou
    Que vai cair aguaceiro
    João-de-Barro engenheiro
    Que a natureza formou.”

    Atenciosamente,

    Aristeu

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