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Ícones e valores brasileiros contra algo que não existe

Você já se sentiu vítima de “olho gordo”?

Não?

Nem sabe o que é?

Pois, há quem garanta que, no mundo, existem pessoas que vivem de se preocupar com a vida dos outros. Não. Isso não é “coisa de vizinhos” que não convivem bem. Tem quem só viva bem, sabendo do desacerto da vida dos outros.

Não existe Psicologia que tenha explicações convincentes para isso. E, por conta disso – a falta de explicações plausíveis – ficam adjetivando, mentindo para satisfazer “seus clientes” e faturar a “sessão” no bolso do incauto.

A partir dessa incerteza, o assunto cai na “janela” das crendices populares. Agora, nos últimos vinte anos entrou numa extensa lista, a “depressão”. E isso tem lotado os consultórios e a indústria farmacêutica vem ganhando muito dinheiro, fabricando remédios para a “depressão”.

Tenho parentes próximos que costumam dizer que, o melhor remédio para “depressão”, é o ter o que fazer, é uma carteira profissional assinada e um bom salário. Vão mais longe e garantem que, na roça, com uma enxada nas mãos e capinando, ninguém sofre de depressão.

Leia a seguir uma coisa muito interessante:

Quebranto e Mau-Olhado

Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, quebranto é estado de torpor, cansaço, languidez, quebrantamento; suposta influência maléfica de feitiço, por encantamento à distância; efeito malévolo, segundo a crendice popular, que a atitude, o olhar etc. de algumas pessoas produzem em outras.

Nos antigos dicionários portugueses era registrado apenas como desfalecimento, prostração, quebramento de corpo.

Universalmente conhecido, o mau-olhado é o mal de ojo, na Espanha; mal-occhio, para os italianos; evil eye para os ingleses e mati, para os gregos. Na Grécia existe, inclusive, o famoso olho grego, um talismã contra a inveja e o mau-olhado, que funciona também como um símbolo da sorte e é um poderoso instrumento contra energias negativas. Normalmente é feito de vidro, na cor azul, sendo usado como pingentes em pulseira, colares e tatuagens.

No Brasil, o quebranto está sempre relacionado ao feitiço e, a influências maléficas, sendo considerado uma doença causada pelo mau-olhado, também conhecida como quebrante.

Sabe-se que as pessoas transmitem energias positivas e negativas. As que possuem irradiação positiva ou benéfica são as de bons olhos e as que, ao contrário, irradiam energias negativas ou maléficas, são as responsáveis por causarem maus-olhados ou quebrantos.

Em alguns locais é feita uma distinção: considera-se quebranto quando afeta o ser humano e mau-olhado quando afeta plantas e animais.

São diversos os sintomas de quem é vítima do quebranto: olhos lacrimejantes, moleza por todo o corpo, tristeza, bocejar constante, espirros repetidos, inapetência. No caso dos animais, ficam tristes, parados e encorujados. As plantas vítimas de mau-olhado murcham sem motivo e rapidamente, às vezes da noite para o dia ou vice-versa, dependendo de quando foram atingidas pelas irradiações maléficas.

Segundo a crença popular, nem sempre o quebranto vem de alguém invejoso. Aliás, o quebranto mais difícil de cortar provém de não invejosos. É preciso benzer e defumar com a palha de alho no brasido manso (brasa com um pouco de cinza por cima); nove dias seguidos é o prazo religioso das novenas. (ARAÚJO, 1979, p. 189). (Lúcia Gaspar – Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)

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Muita reza para “tirar” o mau-olhado

Benzedeira. Esse é o nome de quem tem “resolvido alguns problemas” tratados na cidade grande por Psicanalistas e Psicólogos. Mas, “Benzedeira” não tem consultório nos grandes edifícios, não tem Secretária nem atende pelo SUS. Mas ainda pode ser encontrada nos distantes povoados do municípios brasileiros.

Se é verdade que a Benzedeira resolve o problema, não nos cabe discutir aqui. É uma questão de “fé”. Mas, como “de grátis” tem quem tome até injeção na testa, não é difícil testar e tentar. E, você sequer precisa levar o galhinho de arruda. E, como se fora uma luva descartável ou algo que esteja contaminado, depois de uma benzedura para tirar quebranto e outros que tais, o galho murcho é jogado fora. Quando o olho é muito gordo, o galhinho murcho é incinerado.

Mas, vamos além, se existe alguém que acredite mesmo que exista o “olho de seca pimenteira”. Não acreditamos que exista efeito positivo em maus olhados, maus fluidos ou algo que, apenas mentalmente, consiga resultados evocando a maldade.

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Pimenta malagueta é algo incluído na crendice popular

Quem é do interior, não gosta muito de peixe frito, de tortas de peixes ou mariscos. Gosta mesmo é de peixe cozido, com caldo, para ser bebido depois. E, esse é um dos benefícios da pimenta malagueta, eficiente para quem tem problemas cardíacos e não tão eficiente para quem sofre com hemorroidas.

Duas pimentas malaguetas (retiradas as sementes) esmagadas no fundo do prato recebendo duas conchas de caldo de peixe – há quem acrescente rodelas de bananas prata – acaba sendo melhor que o próprio almoço de cozidão de peixe. E não tem efeito colateral.

A folha da pimenteira, esquentada numa colher com azeite de coco ou banha de galinha caipira, “suga” (ou “chupa”, como dizem os da roça) furúnculos e tumores. Mas, nunca se soube na crendice popular, que essa maravilha sirva para quebranto, mau olhado ou espinhela caída. Tampouco que seja eficiente contra “depressão”.

10 Comentários

  1. Flavio Feronato disse:

    No Paraná, para depressão, ainda se acredita no café com marmelada. Enxada bem amolada para arrancar a teimosa gramínea que infesta os cafezais… e adeus depressão, gripe, etc. Gostei do artigo, José de Oliveira.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Flavio: embora não tenha nascido no Paraná, no meu Ceará velho de guerra, aprendemos que esse é o conjunto da obra que cura depressão: trabalho.

  2. José Salvador Pedroza disse:

    Lá no nosso Antonio Bezerra, onde morei de 1948 a 1968; tinham as rezadeiras. Quando o caso era mais grave, depressão ou agitação incontroláveis, o endereço era o Centro Espirita do Tenente Sena, lá no Genibaú.

  3. José de Oliveira Ramos disse:

    José Salvador: esse bairro era gostoso. Foram tantas as coisas da juventude que vivi por ali, que passaria um dia escrevendo. Na Mister Hull, na frente da antiga Escola de Agronomia, existia um posto de combustível com a bandeira da Shell ou da Esso, não lembro com certeza. Ao lado desse posto, de frente para a avenida, moravam umas amigas minhas de longas datas. As duas eram professoras: Alzair e Aglaís. Lembro de um fato curioso: na lagoa que existia dentro da área da Agronomia, certo dia, caiu um avião. Eu morava ali pertinho, na Bela Vista. Corremos para lá para olhar o acidente. Ali, parece que hoje tem a avenida Jovita Feitosa, onde aconteciam aos sábados de tarde, corrida de jumentos. Era uma festa. Servi ao Exército, por mais de 1 ano, no CPOR, na Bezerra de Menezes. Hoje, por detrás do CPOR, funciona um famoso e frequentado restaurante do Ordones.

  4. CARLOS FRANCISCO DE FARIAS disse:

    Conheci um depressivo que,quando tomava umas biritas meia doida não podia ver uma benzedura.Ficava louco pra esconde-lá no fopa.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Carlos: nesse caso especial aí, não é “depressão”. É uma acentuada necessidade “de pressão” no cagador. E, pelo visto, ele só procurava “cura” quando estava bêbado. Parece até que nunca querida saber de nada, nera não. Tem alguém pelaí que “veve” assim. Num sabe de nada, visse!

  5. José Salvador Pedroza disse:

    Oliveira Ramos, morei na Mister Hull, próximo a igrejinha, onde hoje tem uma revenda de carros GM, se não me engano Krautop. Lembro do desastre do avião da FAB e estive lá também, naquele dia.Minha familia tem origem nas proximidades do CPOR. Em 1948 mudamos para o Antonio Bezerra. A Jovita Feitosa é paralela a Bezerra de Meneses. Mudamos de lá em 1968, e aquele bairro humilde, de pessoas pobres ainda permanece na minha lembrança. Um bairro que as crianças estudavam. Dali tivemos: Médicos, advogados, empresários, políticos, juizes, etc. etc…

    • José de Oliveira Ramos disse:

      José Salvador: o que escrevi aqui sobre ruas e bairros, são coisas passadas. Saí de Fortaleza em 1967 e volto por lá esporadicamente. Não conheço mais a cidade, mas sei que a Bezerra de Menezes, apesar de constantemente reformulada, continua no mesmo lugar. Idem para a Mister Hull, para a Carapinima, para a João Pessoa. Servindo no CPOR, fazíamos nossas atividades físicas no campo de futebol do Campo do Pio, arrodeado de eucaliptos. Faz muito tempo não ando por ali. Morava na Bela Vista ou no Porangabuçu e ia para o colégio (Grupo Municipal São Gerardo e depois, Liceu do Ceará) a pé. Eram rotas, Érico Mota, Amadeu Furtado, Bezerra de Menezes até o Mercado São Sebastião e dali pegava outra rua até o Liceu. Estudava pela manhã. Quando tinha grana para pegar o ônibus na Praça José de Alencar, pegávamos a carona do ônibus (a gente nunca pagava passagem) de Jacarecanga. Quando não tinha dinheiro, ia a pé mesmo de volta para casa, catando no meio-fio carteiras de cigarros vazias. Foi assim que estudei na infância e juventude. Diferente de hoje, que o Governo dá tudo e ninguém aprende merda nenhuma. Só aprendem baitolagens, como caçar Pokémon e outras merdas.

  6. Marcos Pontes/DF disse:

    Quantas vezes minha querida mãe me levou as rezadeiras? Foram muitas, hoje, eu tomo quatro Ypiocas e o quebranto quebra, mas o mal existe, e está entre nós, amigos invejosos, mulheres mal amadas, individualistas, amigos petistas (estes são terríveis), e o pior, adorar Chico Buarque, Caetano, Fidel, Guevara, Mao, Kim Jong. Maduro e afins. nÃO HÁ GALHO DE ARRUDA que aguente. Vôte…

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Marcos: mas, assim, vosmicê num quer cura! Quer é milagre! E isso aí Deus ainda num butô rezadeira na terra, visse! Isso daí deve de ser coisa do futi! Arre égua!

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