30 outubro 2016VAMOS AO CINEMA?



Hoje é domingo. Nos anos que continuam nas nossas lembranças sem Parkinson ou Alzheimer, acordávamos cedo para engraxar os sapatos (na verdade, um Vulcabrás 752 que, naquele tempo era “pisante” para tudo), vestir uma roupa fora do uso diário e ir à Santa Missa.

Na volta à casa, o almoço com a família. Religiosamente, e ai de quem ousasse faltar ou chegar atrasado. Se o cardápio do dia fosse uma peixada ao molho de camarão, ou uma feijoada ou uma panelada, o castigo para o “audacioso” era comer arroz branco com ovo cozido – sem direito a farofa. E isso nem era considerado “bullying”.

Na parte da tarde, todos os caminhos levavam ao cinema. A chegada da noite era iluminada, e só existia um itinerário: casa da namorada.

Dois tipos de filmes faziam nossa festa: romance ou ação. Um terceiro item, que não era nem uma coisa nem outra, era o filme “brasileiro”, que só tinha graça quando tinha no elenco Oscarito, José Lewgoy, Grande Otelo, Eliana, Mazaropi ou Jece Valadão e, de quebra, Zé Trindade.

O gênero hoje dominado pelas tevês, as novelas, no passado era exibido pelos cinemas e recebiam o nome de “séries”. Quem é dessa nossa geração acima dos 65 que não lembra Flash Gordon, Perigos de Nyoka, Zorro, Cavaleiro Negro e Durango Kid?

Tema filme Casablanca

Faz tempo vimos Casablanca, Candelabro Italiano, Noviça Rebelde, Doutor Jivago, Girassóis da Rússia, A filha de Ryan, sem contar os inesquecíveis, Ulisses, A ponte do rio Kwai, e uma sequência de filmes de ação estrelados por Clinton Eastewood. E nem estamos falando, mas não esquecemos Terence Hill e Bud Spencer.

Nunca imaginamos o filme como uma obra real, nem mesmo os que tratam desse tema e são chamados de documentários. Existirá sempre – até por necessário – algo de ficção sendo exibido como real.

Nos últimos anos, entretanto, a tecnologia mergulhou de cabeça na produção cinematográfica, exagerando nos efeitos que acabam mudando o comportamento do espectador, levando-o a um status quo de descrédito, mesmo que todos saibam que nenhum Diretor pretende impor que o filme é algo real.

Imaginemos o filme Os dez mandamentos com os recursos tecnológicos utilizados hoje. Imaginemos um Casablanca, um Cantando na chuva, e tantos outros que entraram para a lista de clássicos dessa arte.

Hoje resolvemos render homenagem a esse excelente ator americano, Jack Palance – na verdade, Vladimir Palahniuk -, nascido a 18 de fevereiro de 1919 em Latimmer Mines, EUA.

Jack Palance

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Jack Palance (Fev/1919 – Nov/2006)

“Jack Palance (nome artístico de Vladimir Palahniuk; nascido em Lattimer Mines, a 18 de fevereiro de 1919, e falecido em Montecito, a 10 de novembro de 2006) foi um ator norte-americano. Antes da carreira artística, ele foi lutador de boxe profissional, com muitos acreditando que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas na verdade a desfiguração foi causada por um acidente de avião, quando ele tomava aulas de pilotagem. Palance, um dos cinco filhos, nasceu Volodymyr Palahniuk (em ucraniano: Володимир Палагнюк) na região de Lattimer Mines da cidade de Hazel, filho de Anna Gramiak e Ivan Palahniuk, um mineiro. Seus pais eram os imigrantes ucranianos; seu pai nasceu na aldeia de Ivane Zolote, na Ucrânia Ocidental, e a sua mãe era da região de Lviv. Também trabalhou como mineiro antes de se tornar um pugilista. Palance largou a carreira no boxe quando foi convocado para atuar na Segunda Guerra Mundial. No retorno da guerra iniciou sua carreira artística, caracterizando-se pelos papéis de vilões nos filmes western dos anos 50 e 60.

Apesar de ter sido indicado ao Oscar anteriormente, com Shane (br: Os Brutos Também Amam, 1953) só obtém sua primeira estatueta em 1992, pelo filme City Slickers (br: Amigos, Sempre Amigos). Palance surpreendeu a audiência da cerimônia ao mostrar seu vigor físico, ao fazer flexões com apenas um braço, mesmo já tendo 73 anos na época.

No Brasil, indiscutivelmente, seu maior sucesso não foi nenhum de seus filmes, mas sim a série Ripley’s Believe It or Not! (Acredite se Quiser), produzida na década de 1970, e exibido no país pela Rede Manchete nas décadas seguintes. À época, chegou até a ser contratado pela gestão da então prefeita Luíza Erundina para divulgar as ações da prefeitura paulistana, num comercial inspirado na série.” (Transcrito do Wikipédia)

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Cena do filme Os Profissionais

Os Profissionais – The Professionals. Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, Ralph Bellamy, Woody Strode, Joe De Santis, Rafael Bertrand, Jorge Martínez de Hoyos

Sinopse: Rico rancheiro texano contrata equipe de homens para resgatar sua esposa que foi seqüestrada por um revolucionário mexicano.

The Professionals é um filme americano de 1966 do gênero western dirigido, produzido e roteirizado por Richard Brooks. O filme é baseado na novela A Mule for the Marquesa de Frank O’Rourke. (Transcrito do Wikipédia)

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Claudia Cardinale e Lee Marvin em cena do filme Os profissionais

Mas, o que marcou mais ainda e ficou na lembrança dos cinéfilos de antigamente, foi a qualidade das trilhas sonoras. Difícil mesmo para quem assistiu o filme, não identificar quando escuta o Tema de Lara que conduziu o excelente e clássico filme Dr. Jivago ou A ponte do rio Kwai.

Doutor Jivago – Tema de Lara

A PONTE DO RIO KWAI

Tema do filme Os Girassois da Rússia, Henry Mancini

19 Comentários

  1. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    José de Oliveira Ramos. Sua reportagem leva a todos com mais de 70 a rever os melhores momentos do cinema. Tenho 80 e bem rodados, porque jornalista sou desde os 20 anos. Trabalhei no Recife, no Diário de Pernambuco, com um moço que fez fama como colunista de cinema – o Ralph, nome jornalístico de José de Souza Alencar, Bacharel em Direito e escritor, há poucos anos falecido. O cinema tinha tanto valor que “cinéfilo” não era apenas gostar de cinema e sim ter cultura. E “na moita”, com muita sutileza e inteligência, os americanos iam propagando sua cultura musical através de trilhas sonoras como – “Melodia Imortal”, minha preferida – e graças a você, neste domingo, descrevendo cenas semelhantes àquelas de minha infância, voltei à juventude dourada dos anos 50. Grato amigo. Receba um abração deste que habita a Olinda multicultural, mas que os administradores públicos não mantiveram um único cinema que nós tínhamos.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Carlos Eduardo: o cinema é algo impressionante. Quem assiste sabe que é ficção, mas imagina como se realidade fosse. As etapas subsequentes à produção de bons filmes, atingiram apenas uma camada da sociedade que, ao que parece, não valoriza muito. Tantos filmes épicos bons, tantos bons diretores e excelentes atores e atrizes. As locadoras de vídeos tiveram ótimo papel, entendo eu, porque permitiram que “cinéfilos” voltassem a ver filmes antigos e possibilitaram a formação de coleções feitas em casa. Foram tantos os bons filmes que quase não cabem em nenhuma relação que venha ser citada. Hoje em dia, a Secretaria de Cultura de Fortaleza tenta manter vivo o interesse pelo cinema, exibindo em algumas praças, muitos bons filmes, de forma gratuita. Pela verve cearense reconhecida, resolveram chamar essa nova diversão de “Cine Corno”, sugerindo que, enquanto alguns ficam nos cinemas vendo os filmes, tem um “pé de pano” em casa fazendo outro filme… será que é assim mesmo?

  2. Nélio Santana disse:

    Seu Zé Ramos:
    É o tema do filme “três homens em conflito” – em inglês “the Good, the ugly, the bad” – que se tornou a senha para western?

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Nélio: se você fez uma pergunta, sinceramente, não sei responder. Numa tradução direta e livre, “good”, seria “bom”; “bad” seria “mau” e o “ugly”, só consultando no dicionário. Bom mesmo, independentemente do filme, é a sua volta, amigo. Você estava mais desaparecido que o povo alagoano com vergonha do Renan.

      • Nélio disse:

        Agradeço a preocupação do amigo. Apesar da solução para os meus problemas ainda estarem muito distantes, lentamente estou retornando à minha rotina. Já até voltei a postar comentários nesta gazeta da bixiga lixa!
        Não fiz uma pergunta, e sim uma afirmação. É que, às vezes eu e o nosso idioma natal brigamos um pouco. Me perdoe o mau jeito.
        Ugly é feio em inglês. Se não assistiu este filme, eu o recomendo vivamente. É um “western spaguetti” clássico, com Clint Eastwood no auge e preocupado apenas em contar uma boa história, antes do advento do “politicamente correto”.

      • José de Oliveira Ramos disse:

        Nélio: Ok. Entendi. Esse filme era um que mostrava um corvo, ou era um urubu, sempre que se aproximava a “morte” de um bandido? Relembro as “cusparadas” do personagem do Clint em animais. A gente ria pra caramba!

      • Nélio disse:

        Não, seu Zé. O filme de que o sr. fala eu conheço, mas não sei o nome.

  3. Nélio Santana disse:

    Seu Zé Ramos:
    É o tema do filme “três homens em conflito” – em inglês “the Good, the ugly, the bad” – que se tornou a senha para western?

  4. violante pimentel disse:

    Parabéns pelo emocionante texto, prezado escritor José de Oliveira Ramos! Adorei a referência aos antigos filmes. Ouvi os respectivos temas musicais com o coração apertado, pois meu saudoso marido era louco por filme de guerra. Esses filmes marcaram época!
    Um grande abraço e um excelente domingo!

    Violante Pimentel Natal (RN)

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Violante: querida, que boa a sua volta aos comentários. Enriquece e massageia a autoestima do colunista. Filme de guerra e ação (sem ser de guerra), faz realmente um gênero atrativo e do bom gosto dos cinéfilos. Abrace minha amiga Diana e meu “Doutor” preferido.

      • violante pimentel disse:

        Obrigada pelo carinho, querido amigo e grande escritor José de Oliveira Ramos! Diana e Bernardo também lhe enviam um grande abraço.

        Violante

      • José de Oliveira Ramos disse:

        Violante: a verdade é que a gente acaba gostando mesmo de quem nos cativa e trata bem. E olhe que Diana pouco fala!

  5. Claudemiro disse:

    Valeu a pena ler o seu artigo. Ele me remeteu aos cinemas de Caruaru dos anos 60 (Santini, Santa Rosa e Irmãos Maciel). Muito obrigado.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Claudemiro: filme é algo bom e é lazer. Cinema também é bom. Lembro de alguns cinemas antigos que tinham problemas de projeção. A fita quebra toda hora e a gente gritava: quero meu dinheiro de volta ladrões. Naquele tempo já tinha ladrão. Isso é coisa antiga.

  6. Paulo Terracota disse:

    O sr me ajudou a dar um pulinho ali no meados dos anos 50 e início dos anos dourados. Obrigado meu companheiro.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Paulo. quem agradece sou eu. Você, pelo visto, não frequentou o cine Majestic, que ficava ali na Avenida Rio Branco, lado oposto ao Cine Diogo.

  7. Cicero Cavalcanti disse:

    Bravo!!

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Cicim: tu gostava daquelas cusparadas do personagem do Clint, bem na cara do bicho? Era hilário, porque ele nunca errava. E Chinatown, tu vistes?

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