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Nome: Luiz Berto Filho

Data de nascimento: 7 de agosto de 1946

Local de nascimento: Palmares, Pernambuco, distante 108 quilômetros do Recife. Zona da Mata Sul.

Pai: Luiz Berto de Oliveira, falecido em setembro de 1983, aos 82 anos. Semialfabetizado e de muitas luzes.
Mãe: Quitéria Gouveia Berto, falecida em março de 2014, aos 85 anos, doméstica e mansa.

Estados civis: três casamentos e quatro filhos.

 

Passou a infância em Palmares, onde fez os cursos primário e ginasial. Saiu de lá em julho de 1964, corrido pelas forças moralizadoras que combatiam a subversão em que se achava mergulhado Pernambuco até março daquele ano.

Reapareceu em Goiânia-GO, onde foi recrutado para o serviço militar obrigatório.

Da capital goiana foi mandado pra Brasília, onde fez o Curso de Formação de Sargentos.

Após servir ao exército por 3 anos e 10 meses, ingressou na Câmara dos Deputados, mediante disputado e difícil concurso público. Lá permaneceu até ser aposentado em 1997.

Professor de Matemática por dez longos anos. Largou o Magistério para ter tempo de ler, escrever, ver filmes à noite, beber aguardente e criar os filhos.

Em Goiânia, 1964, por força da idiotice e autossuficiência peculiares a todo sujeito que tem 17 anos, meteu-se a escrever umas poesias herméticas, sem rima, métrica, qualidade e sentido. Ligou-se ao GEN – Grupo de Escritores Novos, através do qual viu, pela primeira vez, um trabalho seu em letra de forma. Foi na antologia “Poemas do GEN”. Deu fim a todos os exemplares que guardava. Cita o fato apenas para fins de registro.

Toca qualquer instrumento de percussão, exceto pandeiro, destacando-se, sobretudo, no triangulo e na zabumba.

Por sua conta e risco, botou na praça o livreto “A Prisão de São Benedito e Outras Histórias”. Edição de 1.000 exemplares, rapidamente esgotada entre Brasília, Recife e Palmares. Muitos parentes, muitos amigos. A experiência foi boa: tanto que as Edições Bagaço, temerariamente, fizeram uma 2ª edição. Resumindo: o opúsculo já está na 5ª edição e continua vendendo feito a porra.

Perpetrou “O Romance da Besta Fubana”. Gastou um ano na tarefa e mais quatro meses de ajustes, desde a datilografia até a remessa dos originais à editora. Obra metida a besta, por duas vezes premiada. Prêmio Literário Nacional do INL, 1985, e Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, 1986.

A partir de um conto escrito para a revista “A Região”, desenvolveu a novela “A Serenata”, publicada como o volume de nº 30 da série Novelas da Editora Mercado Aberto. Este livro foi reeditado pela Bagaço que, atualmente, administra e publica toda sua modesta obra.

Protegido pela Besta Fubana, foi convidado pelo governo dos Estados Unidos da América a participar do Programa para Escritores da Universidade de Iowa, juntamente com outros vinte caboclos catados pelo mundo a fora. De chinês a argentino, passando por ugandense e espanhol. Quatro meses de boa vida, muitas viagens pelo território americano e muito medo de avião.

Estava ainda em Iowa quando foi chamado para participar, como representante do Brasil, do Festival Mundial de Autores, em Toronto, Canadá. Uma semana inteira de badalação, porres, namoricos e fudelança.

De volta da viagem, redigiu o livro “Brazilian, Go Home – Um Relato de viagem”, narrando suas andanças por terras estrangeiras. A obra está (há muitos anos) guardada na gaveta. Talvez fique apenas como registro para os descendentes.

Lê muito. Quase só prosa. Tanto quanto possível, romance brasileiro.

Autor do poema “Versos a uma Prostituta”, que era declamado, louvado e admirado nos bordéis de Goiânia, nos anos 60, especialmente na casa do xibungo-cafetão Edil, onde era tido em alta estima e elevada consideração.

Amigo de muitos amigos, todos de igual relevo e especiais qualidades. Cultiva com carinho a amizade das pessoas que lhe são caras. Tem amigos generosos e de mão aberta. E tem também amigos chatos, impertinentes, inconvenientes e pirangueiros. Suporta estes últimos com muita piedade e, sobretudo, puto de raiva.

Realizador dos filmes “A missa do Vaqueiro”, “Rumo Norte” e “Sumo do Guará – um limpo bloco de sujos”, todos na bitola super-8. Entregou os originais destes filmes a uma empresa do Recife, pra que fossem transformados em CD, e a “empresa”, fela-da-puta, sumiu com os originais. Detalhe: não havia sequer um recibo pra acionar o cafajeste do proprietário da firma…

Declara sua paixão por folheto de cordel, forró, cantoria improvisada de viola, carnaval recifense, barulho de feira e folclore nordestino. Prefere a mundiça à classe média, e se sente melhor entre os iletrados que na companhia de intelectuais.

Já foi magro, já teve pneumonia, esquistossomose e blenorragia. Já foi operado de hemorroidas e de catarata. Chegou bem perto de perder a vista direita num acidente de automóvel. Nos anos 70 um psiquiatra descobriu que carregava um mal denominado “Palimpsesto Alcoólico”. Teve um piripaque cardiológico em 2016 que quase o leva desta para melhor. Recuperou-se, sobreviveu e deixou puto os tabacudos que lhe rogam pragas.

E nada mais tem a dizer. A não ser que lhe perguntem.

OBRAS DO AUTOR

  • A PRISÃO DE SÃO BENEDITO – Crônicas
    Primeira edição: Brasília, 1982, Ed. Independência
    Segunda edição: Palmares, 1987, Ed. Bagaço
    Terceira edição: Recife, 1991, Ed. Bagaço
    Quarta edição: Recife, 1997, Ed. Bagaço
    Quinta edição: Recife, 2014, Ed. Bagaço
  • O ROMANCE DA BESTA FUBANA – Romance
    Primeira edição: Belo Horizonte, 1984, Ed. Itatiaia
    Segunda edição: Recife, 1994, Ed. Bagaço
    Terceira edição: Recife, 2004, Ed. Bagaço- Prêmio Literário Nacional, 1985, Instituto Nacional do Livro/MEC
    – Prêmio Guararapes, 1986, União Brasileira de Escritores/Rio
  • A SERENATA – Novela
    Primeira edição: Porto Alegre, 1986, Ed. Mercado Aberto
    Segunda edição: Recife, 2005, Ed. Bagaço
  • A GUERRILHA DE PALMARES – Romance
    Porto Alegre, 1987, Ed. Mercado Aberto
    Recife, 2007, Ed. Bagaço
  • PEIBUFO, ETC. E COISA E TAL – Comédia em um ato
    Levada ao palco em Palmares-PE, Recife-PE, Belo Horizonte-MG e Brasília-DF, 1989.
  • MEMORIAL DO MUNDO NOVO – Romance
    Primeira edição: Recife, 2001, Ed. Bagaço
    Segunda edição: Recife, 2008, Ed. Bagaço
  • HISTÓRIAS QUE NóS GOSTAMOS DE CONTAR
    Recife, 2016, Ed. Bagaço

 

Participação no Internacional Writing Program da Universidade de Iowa, Estados Unidos, a convite do governo americano, 1986.

Participação no International Festival of Authors, Toronto, Canadá, 1986.

Prêmio Literário Nacional do Instituto Nacional do Livro/MEC, categoria Obra Publicada (O Romance da Besta Fubana), São Paulo, 1985.

Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores (O Romance da Besta Fubana), Rio de Janeiro, 1986.

Participação na antologia “Cronistas Pernambucanos”, Ed. Carpe Diem

O Romance da Besta Fubana ou Festa e Utopia no interior do Nordeste, dissertação apresentada pela Professora Ilane Ferreira Cavalcante ao Curso de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para a obtenção do Grau de Mestre em Letras, área de concentração em Literatura Comparada, em junho de 1996.

Resenhas, análises, reportagem e comentários: Revista Veja-SP, o Globo-RJ, Correio Braziliense-DF, Jornal do Brasil-RJ, Zero Hora-RS, Revista Manchete-RJ, Jornal da Tarde-SP, Jornal José-DF, Última Hora-DF, Diário de Pernambuco-PE, Jornal de Letras-RJ, O Popular-GO, Jornal de Brasília-DF, World Literature Today-USA, Revista Humanidades-DF, Jornal do Comércio-PE, Diário do Pará-PA, Tribuna do Ceará-CE, Jornal da Casa-MG, Jornal de Alagoas-AL, O Estado do Paraná-PR, O Estado do Maranhão-MA, A União-PB, Jornal de Santa Catarina-SC.

Críticas, análises e comentários: Ênio Silveira, Wilson Martins, Oswaldino Marques, Edísio Gomes de Matos, Jorge Medauar, Maurício Melo Júnior, Luiz Beltrão, Fernando Antonio Gonçalves, Graça Santos, Marcus Prado, Paulo do Couto Malta, Mirian Paglia Costa, Juarez Correya, Eduardo Francisco Alves, Salete de Almeida Cara, Valesca Assis Brasil, Ubiratan Teixeira, Luiz Felipe Maldaner, Carlos Romero, Brasigóis Felício, Abdias Lima, Carlos Menezes, Napoleão Barroso Braga e Regina Igel.


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