8 maio 2012 FULEIRAGEM

IVAN – CHARGE ONLINE

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AS BAHIAS QUE VIVI (PARTE II)

Salvador – vista de quem está no Ferry Boat, na travessia  para Itaparica – à frente um barco de passageiros

Na primeira parte desta crônica, reproduzi o inusitado diálogo (veja Parte I) entre funcionários do Ferry Boat, da Companhia de Navegação Baiana (TWB) chamando pelo nome de batismo suas embarcações:  elogiando o ‘Jorge Amado’ e criticando o ‘Bethânia’.

Com a lembrança dessa abertura, volto às minhas reminiscências das Bahias que vivi:

Eram anos 70, primeira e segunda metades da década (residi ali em duas ocasiões). Cheguei em Salvador muito desconfiado. Meus ouvidos reproduziam na cabeça as mais intrigantes mensagens, brincadeiras e ameaças: cuidado, eles têm o nariz em pé, não vão nem olhar para você; ôh povo metido; se acham os autênticos brasileiros; tudo que é nacional nasceu na Bahia. E mais: a fama de que não nascem, “estréiam”, pois são todos artistas; de que “baiano burro nasce morto”, essa sim disseminada pelo grande Gordurinha…..

Recusando os paroxismos e aceitando que algumas das brincadeiras são mesmo verdades, mas que não ofendem ninguém, contemporizei. Por sobrevivência, estava disposto a enfrentar e superar todos esses dissabores de um convívio incivilizado. Pensei também de onde vinha.

Afinal, o meu Recife querido não é o umbigo do mundo? Possui a maior avenida em linha reta da América Latina; tem o primeiro jornal em circulação da América Latina; abriga a primeira sinagoga das Américas; realiza o melhor carnaval do mundo (antes mesmo de Dodô e Osmar); “Pernambuco falando para o mundo”, dizia humildemente a rádio Jornal do Comércio. Por outro lado, pensei: e nossos poetas, nossa cultura e nossa história – batalhas, movimentos, revoluções, insurreições, não estão para comparações. Pronto!

Mas, qual o quê? Primeiro não fui à Bahia fazer comparações; segundo, fui a Salvador a trabalho; e terceiro quem disse que baiano é assim? Metade é lenda.  Mas quem não ama sua terra natal e aumenta um ponto?

Por circunstância ($), arrumei moradia numa pensão-república, mista, para rapazes e moças que, enfim, não pedia certificado de gênero aos hóspedes. O lugar era perto de tudo. Migrantes de todos os lugares, figuras interessantes, classes sociais diferentes (até a B) e aquele cheirinho permanente de dendê, vindo da cozinha.

Rua do Alvo, antiga rua Frei Caneca (!), descida-conexão do Largo da Saúde (Nazaré) para a Baixa dos Sapateiros.

Por acaso, instalei-me no centro velho, velhíssimo, de Salvador, na Boa Terra. A um passo  da Barroquinha, do Terreiro de Jesus, da Fonte Nova (resolvi ficar fora da briga BA-VI e escolhi o Galícia, time da colônia espanhola, para torcer), do Pelourinho – ah, o restaurante de comida baiana do SESC), da praça Castro Alves, da Joana Angélica. Enfim, no gargarejo. Sim, o Terreiro e o Pelourinho eram região tão ou mais sinistra que é hoje. Mas, para quem “é da terra” todos os caminhos têm atalhos.

Da Fonte Nova (antiga) tenho algo a dizer: como é vazada em um dos lados, com vista belíssima do Dique do Tororó, tem grande vantagem sobre todos os demais estádios brasileiros: quando o jogo está ‘devagar’, aprecia-se o Dique do Tororó – pode até meditar.

Outra lenda destruída: que nariz em pé que nada. Oh! povo ‘retado’ (tiram o ar inicial usado em Pernambuco). Tratavam muito bem e, pasmem, apaixonados por Recife, sempre demonstrando interesse e perguntando pelas pontes, os rios. E eu ali, feliz, vez por outra soltando um “meu rei”.

A minha necessidade de trabalho me fez conhecer uma Salvador linda e aconchegante – sendo uma enorme metrópole, como outra qualquer, com todos os defeitos e problemas.

O mate da Praça da Inglaterra, com pastel, era um almoço, entre a venda de uma e outra passagem aérea da  British Caledonian para Londres, pela Banorte Transeuropa, meu metiê.

O acarajé no Rio Vermelho (histórico bairro onde mora o amigo-comandante Ricardo) era outro almoço. Na época, a Coca-Cola estava em baixa em Salvador. Aprendi a beber Pepsi lá e continuo até hoje. Três marcas baianas (algumas já extintas) me marcaram muito: charutos Suerdieck, chocolate Chadler e leite Alimba……..

Tomar sorvete na Ribeira (antiga raia de remo e onde pousavam os hidroaviões), pegar o Plano Inclinado Gonçalves, em vez de ir pelo elevador Lacerda (sem emoção), viajar pelas ladeiras sem fim. Andar de Nazaré até o Farol da Barra – uns 6 km, a pé-, sem lenço, sem documento, à procura de um lugar seguro para dar um beijo arrochado numa baiana moça, com cheiro de abará e manacá!


 
Plano Inclinado Gonçalves – antigo “Guindaste dos Padres” (Jesuítas)

Vermelhos, moquecas, aratus, cocadas, bobó e o insuperável caruru. A culinária baiana; o sincretismo religioso e os rituais em todo o canto – a lavagem do Bonfim; a melodia que vem do Convento de São Francisco, da Sé; a música que invade e aquece vielas e becos, com berimbaus, atabaques e agogôs; a capoeira de Mestre Pastinha e Camafeu de Oxossi, que também presidiu o afoxé “Filhos de Gandhi”; os carnavais mais musicais, já com trios, ainda com foco no Campo Grande.

O Teatro Castro Alves e sua concha acústica (onde vi ‘Os Mutantes’ na sua melhor época), o Solar do Unhão, os fortes e o casario. Andar em Salvador é fazer figuração na história.

Eita, lembranças da gota! Que saudades tenho da Bahia!!!

Voltando ao início de nossa conversa, a Companhia de Navegação Baiana foi concedida à TWB, que vem comandando os negócios do Ferry Boat. As reclamações de atrasos, desconfortos, navios à deriva continuam. Mas a TWB adquiriu um barco século 21, luxuosíssimo, cujo nome é o da madrinha Ivete Sangalo.

Portanto, no diálogo de abertura desta crônica, inclua-se: “Oh Teca, essa semana vamos trabalhar no Ivete”.
O Ivete é ótimo, mas já quebrou e ficou à deriva. Olha ele aí:

Novo Ferry Boat – Ivete Sangalo (cap. p/610 passageiros c/110 na classe executiva
e 74 veículos) São 30 minutos nos 13km da travessia (feita em 55 min pelos velhos FB)

Não sou contra o progresso, nem alheio aos avanços da ‘mudernidade’, mas acho que a denominação dos  FB deveriam refazer toda a série de novo – Gal, Bethânia, Jorge Amado, Dorival etc para depois chegar a Ivete, Daniela….

CNB-Companhia de Navegação Baiana

Dorival Caymmi, cantando “Saudades da Bahia”, em sarau
com Tom Jobim, Danilo e convivas. Ah, se eu fosse uma mosca!

Quando for a Salvador, escolha o Ferry Boat para Itaparica pelo nome. Ivete é o mais muderno!

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8 maio 2012 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

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ESTROFES ON-LINE

ALLAN SALES

Se leão , coral ,timbu
Boto em mesma sacola
Três timecos sim senhor
Que lá fora só degola
Um futebolzinho peba
Nessa trinca só pereba
Que não dão um show de bola

ÉSIO RAFAEL

Um dos dois já se atola
Com isso não me comovo
Timezinhos de galinha
Todos três têm goro ovo
Os cartolas ganham tudo
E quem se fode é o povo.

ALLAN SALES

Na Alemanha no Kosovo
Ou na terra de Andaluz
Futebol sim tem pereba
Que mal joga eu supus
Torcedor daqui maluco
Pobre do meu Pernambuco:
Coisa, Barbie e o Santa cruz

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8 maio 2012 FULEIRAGEM

PADRE SPONHOLZ – JORNAL DA MANHÃ

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CARDEAL CÍCERO CAVALCANTI – CUIABÁ-MT

Emputecida Santidade

Quanta sacanagem com as putas meu Deus, quanta sacanagem!

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8 maio 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CORREIO DO POVO

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http://www.batidasalvetodos.com.br
O SERTÃO VAI VIRAR VINHO!

Já que o assunto da última crônica foi o bode à moda da casa do bodódromo de Petrolina, nada mais justo do que hoje falar do vinho produzido na mesma cidade sertaneja. Se bode harmoniza (palavra chique dos entendedores de gastronomia) com vinho, aí já é outra história que eu vou deixar para os enólogos de plantão.

O fato é que o semiárido pernambucano é o segundo maior centro produtor de vinho do país. Calma amigos baianos, vou dividir com vocês o título, porque é ali, na divisa entre Pernambuco e Bahia que fica a primeira região vinícola tropical da história.

O verdadeiro movimento tropicalista do vinhedo!

Tropicalistas, graças a Deus, diriam os produtores locais que, graças ao clima quente (bota quente nisso) e seco (bota seco nisso), colhem uva o ano todo. Se a gente vive reclamando do eterno calor, as uvas fazem a festa!

E num é que é justamente do sol que torra nossa cabeça que as danadas gostam? Quem diria hein, amigos chileno, italianos e franceses!

Se foi o próprio Jesus que transformou água em vinho, e não em cerveja, é porque a bebida só pode ser divina. “Bebo, logo existo”, diz Roger Scruton em seu Guia de Um Filósofo para o Vinho, provando que além de celestial, a bebida é responsável pela sociedade civilizada.

Paz e perdão ficam mais acessíveis depois de uma taça de vinho, diz o expert.

Não bebo vinho com aquele pantim* de cheirar, bochechar, dizer que tem aroma de grama molhada ou vestígios de noz-moscada da Indonésia. Bebo e sei dizer se é gostoso ou tem gosto de vinagre. Ok, minha expertise passa longe dos sommeliers que cospem, sempre para meu espanto, antes de validar a safra da uva em questão.

Minha experiência no assunto vem mesmo da repetição: bebo vinho todos os dias. E, antes que me chamem de cronista bebum, bebo apenas o suficiente para acalmar a alma.

Se o Sertão vai virar mar, não posso garantir, mas que está no prumo certo de virar um grande e bem sucedido vinhedo, isso eu posso garantir.

E se o senhor se empolgou para vir provar o bode à moda da casa, aproveite e dê um golinho nos vinhos de Petrolina e do Vale do São Francisco. Não, ainda não sei se vinho harmoniza com bode, mas que harmoniza com gente feliz, isso eu tenho certeza.

*Pantim no nordestinês quer dizer: frescura, manha, onda.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

PELICANO – BOM DIA SP

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SETE MESTRES DO IMPROVISO E UM FOLHETO DE PELEJA

Gonçalo Ferreira da Silva

João Martins de Ataíde
 
Valente não teme luta,
Enchente não teme rio,
Machado não teme pau,
Touro não teme novio,
Violão não teme prima,
Poeta não teme rima,
Eu não temo desafio.

* * *

Antônio Batista Guedes

Longe do mar de Netuno,
O cocheiro Faetonte
Percorria o horizonte
No seu coche de tribuno,
De Anfitrite e de Juno,
Tinha ele a proteção!
Apoio, tendo na mão
Um livro de poesia,
Me ensinou com galhardia
Cantar Dez Pés em Quadrão!

* * *

Geraldo Amâncio

Itapetim és a pista
De Louro, Otacílio e Dimas
Aonde o carro das rimas
Obedece ao motorista
Que cada página é revista
Escrita em diversas cores
És do Pajeú das Flores
A mais poética cidade
Itapetim, faculdade
Que diploma cantadores.

* * *

Zé Adalberto

Improvisar não é ruim,
mas é bom que a gente diga
que dá frio na barriga,
pois sempre começa assim.
Eu vim lá de Itapetim
pedindo força a Jesus
pra que ele me dê luz
e assim minha mente cria.
Vim derramar poesia
no chão dos maracatus.

* * *

José da Rocha Freire
(Zé Melancia)

Já fui cantador destemido
Cantador de alta classe…
Já cantei face a face
Com poeta garantido…
Com rima e verso medido,
Na matéria e em repente,
Quem fui eu antigamente,
Quem estou sendo hoje em dia,
Só resta da melancia
A casca e uma semente.

* * *

José Francisco de Souza

O cantador repentista
Canta por convicção
Tem presença de espírito
Para qualquer narração
Representa muito bem
As belezas do sertão

* * *

Hélio Crisanto

Eu só sei cortar mato de enxada
Amansar burro brabo e fazer broca
Dar solfejos com flauta de taboca
Tirar leite rompendo a madrugada
Meu cardápio é queijo com coalhada,
Rapadura batida com feijão
Já botei muita água de galão
Enchi pote com água de barreiro
Sou poeta, matuto e violeiro
E as histórias que conto é do sertão.

* * *

Um folheto de Gonçalo Ferreira da Silva

PELEJA DE OSCAR ALHO E FRANCISCO MALAGUETA

Quem não leu ainda, leia
a mais acirrada e preta
peleja que já se viu
em cima deste planeta
a luta de Oscar Alho
e Francisco Malagueta.

Malagueta era filho
de João Antônio Barbalho
nunca violeiro algum
lhe deu o menor trabalho
assim queria encontrar-se
com o famoso Oscar Alho.

Clique aqui e leia este artigo completo »

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE

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BISPO BIRA DELGADO – JOÃO PESSOA-PB

Meu Magnífico Papa Berto,

Estaremos nesta festa de homenagem ao nosso Gonzagão, mais uma em solo pernambucano e desta feita, nas terra do grande parceiro do Rei do Baião, João Silva e na porta de entrada do meu Moxotó.

Será uma grande honra.

R. Estando ao lado de Cezzinha, está bem acompanhado.

Sucesso, seu doido!

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO

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ACONSELHAMENTO

Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado.

(Mote de autoria desconhecida enviado pelo Poeta Zé Ilton)

Não critique a atitude
De quem só quer ajudar
Pois se um dia precisar
Vai encontrar quem lhe ajude
Não prejudique a saúde
Com cigarro ou “baseado”
Não compre nada roubado
Nunca xingue o reverendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado.

Não dê asilo a ladrão
Não critique a vizinhança
Não tente puxar pra dança
Dama com anel na mão
Evite entrar em questão
Com alguém muito abastado
Não desacate soldado
Quem fez isso está sofrendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado.

Fale pouco e ouça mais
Aprenda com o erro alheio
Nunca queira está no meio
De conflitos conjugais
Honre o nome dos seus pais
Não se venda a deputado
Que um dia o cabra safado
Vai acabar lhe vendendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado.

Glosas: Wellington Vicente.
Porto Velho, 24/04/2010.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

CLÁUDIO – AGORA SP

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http://www.seteinstrumentos.com/
BUSCANDO AS RAÍZES – BEZERROS É CULTURA

Um dia desses tomei o rumo de Bezerros, aqui pertinho do Recife, para beber um pouco das nossas raízes culturais.  Em Bezerros, a tradição e o artesanato comandam as atividades o ano inteiro. Do Mestre J.Borges e sua operosa família, surgem trabalhos belíssimos de xilogravura e cordel. 

A tradição dos Papangus, no Carnaval, dita o ritmo da cidade, atraindo milhares de turistas do Brasil e do Exterior. O Centro de Artesanato é um capítulo à parte, muito bem cuidado, apresentando sempre exposições de muito bom gosto e variedade.  A Serra Negra, além da beleza natural, também guarda sempre surpresas culturais inesquecíveis, principalmente em Junho, tempo de muito forró, côco e xaxado, em meio a uma natureza exuberante e um clima com temperaturas mais baixas nas suas montanhas.

Um passeio que vale sempre a pena ser feito, no mínimo para matar a saudade das coisas da terra nordestina.  Quem é de fora não perderá tempo e além de apreciar e comprar peças dessa rica cultura popular, terá oportunidade de conversar com os artesãos, sempre muito solícitos com quem lhes procure. Sendo ou estando de passagem pelo Recife, não deixe de visitar Bezerros, cidade cultural por excelência.

Abaixo uns fragmentos em vídeo do meu último passeio por lá.  No final, ainda testei uma rabeca bem artesanal. Música de fundo de um artista do pífano, o Gilson do Pife, de Bonito-PE. 

Divirtam-se !

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

VASQS – CHARGE ONLINE

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7 maio 2012 DEU NO JORNAL

MINISTRO CONTRARIA PROGRAMA SOCIALISTA

O ministro Aloizio Mercadante (Educação) afirmou nesta segunda (7) que a pasta estuda a criação de parâmetros mais objetivos para corrigir as redações do Enem.

Mercadante garante que o MEC terá mais “rigor” no momento em que for avaliar a nota do texto.

* * *

 

Impor “rigor” na correção de redações, contraria frontalmente a Pedagogia do Fudido. Aquela que estabeleceu que falar errado é certo e que criou o “preconceito linguístico”.

Assim como falar errado é certo, escrever errado também é certo. O importante é se cumunicar. Nós vai e Nós vamos estão ambas corretas. Do mesmo modo que é correto escrever Eu se fudi-me ou, abreviadamente, Eu sifu.

Tô cum a leve impressão que esse ministro não desconfia que exerce um cargo no Socialismo Muderno e se esqueceu de quem o nomeou pro ministério petista…

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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www.cantinhodadalinha.blogspot.com
NOS DEZ DE QUEIXO CAIDO

 

Cai Carlinhos Cachoeira,
Cai Demóstenes também.
Cai máscara de quem tem
Conchavo com roubalheira.
Quero ver esta poeira
Abaixar sem alarido!
Virar pizza é proibido
Afirma a população
Farta de tanto ladrão
Nos dez de Queixo caído.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

GILSON – CHARGE ONLINE

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7 maio 2012 DEU NO JORNAL

OS ATINGIDOS PELO COMPLEXO DE SUAPE

Heitor Scalambrini Costa

Em Pernambuco vivencia-se uma situação, análoga a tantas outras que ocorrem no País e diz respeito ao modelo predatório adotado de desenvolvimento. Quem paga pelo “progresso” a nível local são as populações nativas, obrigadas a saírem de suas moradias, criando grandes problemas sociais. E também o meio ambiente, onde são despejados produtos tóxicos e suprimida a vegetação, com reflexos na vida animal, nos rios e riachos. Esta ação local acaba se somando negativamente a tantas outras que estão sendo realizadas em todo o território nacional, e em todo o planeta.

Constata-se que a sociedade deixou-se hipnotizar pelo crescimento econômico a todo custo (expresso em maiores valores monetário do PIB, que não leva em conta os custos ambientais). E o que se verifica é um conflito entre o interesse econômico predominante e o interesse coletivo da população, do meio ambiente com seus ecossistemas, enfim, de todas as manifestações no plano da vida. Neste embate, sem a participação da sociedade, o dinheiro tem vencido inexoravelmente.

Com a megalomania das obras do Complexo Industrial e Portuário de Suape são evidentes os efeitos de um crescimento desordenado, de reflexos destrutivos sérios, afetando principalmente as populações nativas, agricultores, que acabam sendo inteiramente ignorados, tornando invisíveis aos olhos da sociedade. Sobretudo pelo papel da propaganda oficial, que apenas destaca as virtudes econômicas dos projetos.

Os moradores do entorno acumulam reclamações contra a Autoridade do Porto de Suape, e são testemunhas de um processo que tem gerado pobreza e desolação. São relatadas promessas  não  cumpridas, manipulação  e  pressão  sobre os moradores da área constituída de 22 engenhos (13.500 ha e aproximadamente 15.000 famílias) onde situa-se o Complexo, a falta  de  informação, intransigência nas negociações e intolerância ao lidar com a população.

A desocupação deste território pelo Estado tem ocorrido de forma truculenta, sem negociação “amigável” com os moradores. Muitas vezes, recorrendo, ao que se denomina na região de “milícias armadas” para a execução dos processos de reintegração de posse contra os pequenos produtores rurais. É uma farsa a chamada “negociação” para definir a indenização a ser paga e acertos nos detalhes da saída dos moradores. Denúncias e mais denúncias são constantes, algumas divulgadas pela mídia, mas nada é feito. Sem dúvida, um dos motivos destas expulsões arbitrárias está na sobrevalorização, na especulação do preço da terra, que é muito disputada por grupos empresariais.

O processo de “desapropriação”, tem se caracterizado por expropriação e esbulho, com a Constituição Estadual e com o Marco de Reassentamento Involuntário-MRI do Projeto Pernambuco Rural Sustentável-PRS (disponível clicando aqui), cujo objetivo é o tratamento das questões que envolvem a mudança ou perda involuntária do local de moradia, a perda de renda ou meios de subsistência, em decorrência da implementação de projetos.

Artigos da Lei Magna e as diretrizes do MRI/PRS estão sendo violados, social e ambientalmente. Por exemplo, o artigo constitucional 139 que diz que o Estado e os municípios devem promover o desenvolvimento econômico, conciliando a liberdade de iniciativa com os princípios superiores da justiça social, com a finalidade de assegurar a elevação do nível de vida e bem-estar da população. Também o artigo 210 que trata da proteção ao meio ambiente é desrespeitado, assim como o
artigo 211 que veda ao Estado, na forma da lei, conceder qualquer benefício, incentivos fiscais ou creditícios, às pessoas físicas ou jurídicas que, com suas atividades poluam o meio ambiente.

Os agricultores despejados, não têm noção de onde irão restabelecer seu sistema produtivo garantindo sua qualidade de vida. Pelo contrário, estão perdendo o gosto pela vida, sendo constrangidos com a ação da polícia, homens armados que os fazem sentir verdadeiros bandidos. Além das condições de vida digna estão retirando desses agricultores, sua condição de existência e outros bens que são de ordem imaterial. E mesmo aqueles que se aventurarem morar nas cidades, não poderão adquirir nenhum imóvel com as irrisórias indenizações pagas por Suape.

Portanto, é urgente antes que o “caldeirão social” exploda, um novo formato do processo negocial, a revisão das indenizações, a retirada das milícias armadas, a regularização fundiária destes moradores e a implementação imediata do projeto Morador (Lei 13.175 de 27 de dezembro de 2006) que garante o direito a políticas públicas para os agricultores que vivem no entorno de Suape. 

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

BENETT – GAZETA DO POVO

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MONSENHOR WASHINGTON TEIXEIRA – CAMPOS GERAIS-MG

Ultra Papa, o Indestrutível

Estou de saco cheio de ver a cambada dos “politicamentecorretosbagarayo” descerem a lenha no Novo Código Florestal Brasileiro e, da mesma forma que descem o sarrafo, não divulgam uma linha sobre o assunto.

E fica essa imprensa de merda, com os “globais” e outros artistas de merda, dando pancada no Código como se fossem as maiores autoridades do mundo no assunto.

Portanto, para dar um cala-boca nessa tropa de choque de merda, lhe envio a cópia do Código Florestal Brasileiro que está com a Dilmão Calamity para ser sancionado. Ressalto, de antemão, que é o mais avançado conjunto de leis ambientais do mundo, um verdadeiro tratado sobre o assunto.

Sou a favor do Código!

Abração, direto do querido Campos Gerais, capital mundial do café de qualidade!

R. Atenção, leitor:

Para ter acesso ao material enviado pelo Monsenhor, basta clicar em CÓDIGO FLORESTAL e, a seguir, clicar novamente em “Abrir“.

Boa leitura!

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

ZOPE – CHARGE ONLINE

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FURANDO OS OUVIDOS

Novo comentário sobre seu post UM CABRA QUE ADMIRO QUE SÓ A BIXIGA LIXA

Cardeal Irineu:

“A natureza fez poeta o Noel para criar essa raridade poética. Fez cantor o grande gaúcho Antonio Gonçalves Sobral, o Nelson Gonçalves, para interpretá-la com tamanha perfeição que superou a si mesmo.

Me fez cachacista para fustigar o fígado ouvindo-a repetidas vezes e sair do boteco cantando: ‘quando o apito da fábrica de tecido vem FURAR os meus ouvidos…’
 
Outra novidade nesse post do papanoel, aqui apresentado, é que nunca tinha ouvido a voz do Noel! Achei genial, meu guru! Manda mais!

E se der repita Três Apitos. Tô a fim de decorar a letra! O litro de Seleta já tá na mesa!!

Abraços, Papa nosso de cada fubanada!!!!”

Três Apitos – Canta Nelson Gonçalves

O “X” do Problema – Canta Roberta Sá

Feitiço da Vila – Canta Nelson Gonçalves

Com que Roupa – Canta Noel Rosa

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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EU CANTO IGUAL À DALINHA

(Resposta ao poema DEU SAUDADE DE REPENTE da poetisa Dalinha Catunda, publicado em sua coluna EU ACHO É POUCO no dia 05 de maio de 2012).

Cantorias de viola
Que me serviram de escola.
Botaram em minha cachola
Versos de voltar mourão.
Onde eu ficava encantado
Passando a noite acordado
Ouvindo um mourão voltado
Nos oito pés a quadrão.

Eu tive vida bacana,
Bebendo e chupando cana
E à noite gastando grana
Para escutar um baião.
Sou um dos apologistas
Que admira os repentistas
E considera uns artistas
Nos oito pés a quadrão.

Na vida do interior
De dia fui plantador,
De noite admirador
De uma improvisação.
Morando na capital
Vivo me sentido mal
Por não ter um festival
Com oito pés a quadrão.

Com galinhas num poleiro,
Pato e gansos no terreiro,
No terraço um candeeiro
Fui feliz no meu sertão.
Estudei numa cartilha,
No São João brinquei quadrilha
E ouvi num rádio de pilha
Nos oito pés a quadrão.

Não sou bom no improviso,
Porém agora lhe aviso
Que tenho um verso preciso
Quando escrevo num borrão.
Nunca fico na berlinda,
Porque meu verso não finda
E fica melhor ainda
Nos oito pés a quadrão.

Mesmo estando na cidade
Meu canto tem qualidade
Para matar a saudade
Que eu sinto lá do torrão.
Lembrando minha terrinha,
Meu potro e minha vaquinha
Eu canto igual à Dalinha
Nos oito pés a quadrão.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

PADRE SPONHOLZ – JBF

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O AÇÚCAR NO COTIDIANO

 

O sabor dos doces e a importância de suas receitas culinárias nos levam ao ambiente das casas grandes, que na nossa paisagem posam como se fossem castelos medievais.

Nesse ambiente, culturalmente ligado a vida das senzalas, surgiu uma literatura regional voltada para o Ciclo do Açúcar, na qual é retratado o dia-a-dia dos engenhos, as festas familiares e outras ligadas à moagem, aos santos padroeiros, aos terreiros das senzalas, que tanto marcaram a nossa formação cultural.

Na bibliografia brasileira destacam-se: Joaquim Nabuco (1849-1910) – Minha Formação (1908); Mário Sette (1886-1950) – Senhora de Engenho (1921), O vigia da casa-grande (1928) e Azevedos do Poço (1938); José Américo de Almeida (1887- 1980) – A bagaceira (1928); Ascenso Ferreira (1895-1965) – Cana caiana (1939); Jorge de Lima (1893-1953) – Essa negra Fulô (1928); Manuel Bandeira (1886-1968) – Evocação do Recife (1925); Júlio Bello (1873-1951) – Memórias de um senhor-de-engenho (1938); todos os romances escritos por José Lins do Rego (1901-1957) – Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), Fogo Morto (1936), Usina (1943); Joaquim Cardozo (1897-1978) – O Coronel de Macambira (1963); João Cabral de Melo Neto (1920-1999) – O cão sem plumas (1950), Morte e vida Severina (1955), Educação pela pedra (1965), O Rio (1954), Funeral de um lavrador (1967), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Agrestes (1985); Carlos Pena Filho (1929-1960) – O livro geral (1959); Hermilo Borba Filho (1917-1976) – Apresentação do bumba-meu-boi (1967), A donzela Joana (1966), Fisionomia e espírito do mamulengo (1966), Um cavalheiro da segunda decadência (1968); Osman Lins (1924-1978) – Lisbela e o prisioneiro (1961), Missa do galo (1977), Diabo na noite de Natal (1977); Marcus Acioli (1943) – Nordestinados (1971), só para citar alguns.

O século XIX trouxe consigo um notável surto de progresso para a indústria açucareira em Pernambuco, particularmente por conta da queda da produção do produto nas ilhas do Caribe e da Revolução do Haiti (1801-1803), acrescido da abertura dos portos brasileiros às nações amigas, pelo Príncipe Regente Dom João (1808). O Recife, que segundo Henry Koster possuía uma população de cerca de 25  mil habitantes, veio a se transformar no porto de maior movimento comercial do Brasil, chegando a exportar  no ano seguinte 12.801 caixas de açúcar. Os altos preços obtidos por este produto, que em 1817 atingiu a quantia de 17 francos a arroba, e pelo algodão, “então com um aumento de 500 por cento”, fez surgir na província grandes fortunas e um maior  intercâmbio com os Estados Unidos e a Europa.

No âmbito dos engenhos, porém, pouco havia mudado no que diz respeito à sistemática de produção do açúcar, permanecendo a utilização das mesmas técnicas de plantio e produção das quais faz referência o jesuíta Antonil e os senhores-de-engenho com os mais amplos poderes e regalias.

Ao jornadear pelo interior do Nordeste brasileiro, o viajante inglês Henry Koster (Lisboa, 1793 – Recife, 1820) compara o senhor-de-engenho aos barões da velha Europa, observando o seu grande poder, não somente sobre os seus escravos mais a sua autoridade sobre as pessoas livres das classes pobres.

Ao mesmo tempo em que exercem a sua autoridade, “de baraço e cutelo” [poder absoluto e discricionário; arbitrariedade], a grande maioria dos senhores-de-engenho vivia num quase total desconhecimento do que acontecia no mundo de então. Observa o viajante inglês que “a maioria dos plantadores vivia em extrema ignorância, admirados ao saber que existiam outros agricultores além deles; que o Brasil não era o único país do mundo a produzir açúcar. Até pouco tempo não sabiam da existência de outra nação fora a deles e imaginavam Portugal como sendo senhor de tudo que tinha importância no mundo”. (¹)

No seu livro clássico, Travels in Brazil, com sua primeira edição publicada em Londres em 1816, seguindo-se de cinco edições em um ano, Henry Koster faz singulares observações sobre a cultura da cana de açúcar em Pernambuco, bem como sobre a vida nos engenhos e aspectos outros nunca observados por qualquer viajante. Dominando fluentemente a língua portuguesa, foi ele mesmo um apaixonado da terra pernambucana onde se radicou como senhor do engenho Jaguaribe (Itamaracá,1812), daí o conhecimento das espécies de cana e das técnicas do fabrico do açúcar e da aguardente, as quais ele tão bem expõe no seu livro. Não deixou ele de consignar algumas páginas de crítica ao sistema escravocrata existente no Brasil, como também apreciações outras sobre personagens da vida política e religiosa da então colônia  e observações sobre a flora e a fauna de Pernambuco.

Testemunha Koster, pintando em cores vivas e desprovidas do preconceito comum aos viajantes europeus, as festas dos engenhos como as coroações dos Reis do Congo, o entrudo, as cavalhadas, as festas dos santos padroeiros e a botada que dava início a moagem da cana no mês de setembro:

Tudo ficou pronto pelo fim do mês e mandei buscar um padre para benzer o engenho. Sem que essa cerimônia seja realizada nenhuma das pessoas empregadas no engenho, seja homem livre ou escravo, quer começar sua tarefa, e se algum acidente sobrevém, é explicado como justo castigo do justo pela falta da observância religiosa. O padre veio e disse a missa, depois da qual almoçamos e fomos para o engenho. O feitor e muitos outros homens livres e negros estavam ao pé da maquina, e certa quantidade de cana-de-açúcar estava prestes a ser levada aos cilindros, e quatro negros, encarregados dessa operação, estavam nos seus postos. Duas velas acesas foram colocadas perto dos cilindros sobre a plataforma que sustenta a cana, e foi disposta entre elas uma pequena imagem do Nosso Salvador na cruz. O Padre tomou seu breviário e leu varias orações e, em certos momentos, com um ramo de arbusto, preparado para esse gesto, mergulhado n’água benta, aspergia o engenho e os presentes. Alguns negros se precipitavam para frente no desejo de receberem uma boa quantidade desse liquido santificado. Depois o mestre das caldeiras levou-nos para a seção do engenho que ele dirigia, e aí houve nova aspersão. Quando voltamos a parte do engenho onde ficam os cilindros, o padre tomou uma grande cana e eu outra, e a um sinal combinado a porta d’água foi aberta e a roda começou a mover-se e segundo a tradição, as duas canas que o padre e eu segurávamos na mão, foram as primeiras esmagadas. [...] mesmo que algumas pessoas encontrassem qualquer coisa de ridículo, só a vi [a cerimônia] como digna de muito respeito.(²)

Testemunhou Koster o aparecimento em Pernambuco da cana caiana, no início do século XIX, a qual “toda a gente é de opinião que ela seja mais rendosa que as demais”.

Segundo a mesma fonte, a cana Taiti ou de Bourbon, trazida de Caiena para Pernambuco, são muito parecidas, “mais grossa que a cana comum [...] e ao mesmo tempo o rendimento é muito mais compensador. Não é plantada em leirões, mas em buracos, afastados em espaço igual [...] suportam mais o verão”.

Os engenhos, como nos primórdios da colonização, estavam situados bem próximos ao litoral, geralmente às margens dos rios que desaguavam no mar.

A poucas centenas de metros do litoral, em algumas localidades, já estamos em contato com a zona da Mata, onde a cana expulsou a floresta e fez-se dona da paisagem.

Meu Deus! Já deixamos a praia tão longe…
No entanto, avistamos
bem perto outro mar….
Danou-se! Se move,
se arqueia, faz onda…
que nada! É um partido
já bom de cortar…

Na imagem do poeta Ascenso Ferreira, in Trem de Alagoas, o canavial tomou conta da paisagem como se fosse outro mar, com suas ondas ao sabor dos ventos alísios que povoam a costa pernambucana.

Cana-caiana,
cana-roxa,
cana-fita,
cada qual a mais bonita
todas boas de chupar…

O canavial teve, como bem expressa o poeta em Trem de Alagoas, diferentes espécies de cana-de-açúcar (Sacharum officinarum), desde a primitiva Crioula (séc. XVI) à Caiena (séc. XIX), até outras espécies importadas em diferentes épocas, além das obtidas, em cruzamentos experimentais, como os realizados nas estações de São Bento, Barreiros e Curado (Recife), todas em Pernambuco. O agrônomo José Clóvis de Andrade relaciona, ainda, a demerara, manteiga, listrada, caiará, pêlo de moça, São Domingos, São Caetano, Luzier (preta), vespertina, kassoer, caiana, riqueza além de outras variedades obtidas em laboratório como POJ, SBP, EB, com as suas respectivas numerações. (³)

A zona da Mata era onde vicejava a opulência vegetal da Mata Atlântica, é a menor das regiões fisiográficas de Pernambuco: 11 500 km2. Nela, porém, encontra-se a maior parte da população espalhada pelas microrregiões da Mata Seca, do Recife e Mata Úmida; conforme classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que em 1968 resolveu dividir Pernambuco em doze “microrregiões homogêneas”.

Seu índice de pluviosidade situa-se entre 700 e 2.500 mm de chuvas anuais: Barreiros (2.464 mm), Olinda (1.761 mm), Goiana (1.621 mm), Escada (1.621 mm), Aliança (724 mm), Vitória de Santo Antão (665 mm).

No final do século XIX foi a produção dos engenhos sendo substituída, gradativamente, pelas usinas e o canavial, por vezes, expulsou o próprio homem; como nos versos do poeta João Cabral de Melo Neto, in O Rio.

O canavial é a boca
com que primeiro vão devorando
matas e capoeiras,
pastos e cercados;
com que devoram a terra
onde um homem plantou o seu roçado:
depois os poucos metros
onde ele plantou sua casa;
depois o pouco espaço
de que precisa um homem sentado;
depois os sete palmos
onde ele vai ser enterrado.

______________

1) KOSTER, Henry. Viagens ao Nordeste do Brasil. Tradução de Luís da Câmara Cascudo. Organização e apresentação de Leonardo Dantas Silva. Recife: Ed. Massangana, 2002. p. 523.

2) KOSTER, Henry. Op. cit. p. 411.

3) ANDRADE, Clóvis. Escorço histórico de antigas variedades de cana-de-açúcar. Maceió: Associação dos Plantadores de Cana, 1985.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

TIAGO RECCHIA – GAZETA DO POVO

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CARDEAL MAVIAEL MELO – SALVADOR-BA

Celebração das Culturas dos Sertões
 
Logo mais a noite, ás 19 horas, dentro da programação da celebração das Culturas dos Sertões, estaremos apresentando a nossa cantoria – CICLOS – Acompanhado pelos parceiros musicais Kiko Souza (Flauta e Sax), Rennan Mendes (Sanfona), Silvino Junior (Percussão) e Ricardo Nunes (Baixo), em Feira de Santana, no centro de Cultura Amélio Amorim.

Participando também dos Estudos das Culturas dos Sertões, amanhã dia 08 de maio, a partir das 14 horas, participo de uma mesa sobre Artes Sertanejas – Multiplas Linguagens, também no Centro de Cultura.
 
Programação completa: Celebração das Culturas

Prosa Sertaneja
 
Pra se falar dessa poesia popular
Pra investir nas rimas do pensamento
E estender nossa cultura pelo vento
Basta uma prosa boa a se espalhar
Pelos batentes dessa gente a cochichar
Ser o cantar numa manhã passarinheira
Dialogar entre os brincantes pela feira
Formando o tempo que ponteia o improviso
Entre os gracejos pelas noites sem aviso
Cadenciando nossa canção estradeira
 
Que sonoriza as palavras que se soltam
Harmonizando os delírios andarilhos
Pra entender que buscar força nos filhos
É aprender que alguns caminhos voltam
Juntam-se a nós e com versos nos escoltam
Querendo apenas que a gente não se cale
Não tem tropeço que a essa poesia abale
Pois ela tem a rima da nossa terra
Querendo a paz, sem que se precise a guerra
E quem tiver de ser poesia, logo fale
 
Talvez assim essa mistura se combine
Pelos valores que norteiam a esperança
No Cirandar dessa semente que avança
Ser o direito que permite onde se opine
E quem tiver seu instrumento, logo afine
Vamos cantando por aí sem ser refrão
Compartilhando como quem partilha o pão
Ser o sorriso estampado, sem ser moda
Nossa palavra é de aço e ninguém poda
Viva a Cultura Popular, viva o sertão!

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

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http://geleiageneral.blogspot.com
ENTREVISTA COM JOMARD MUNIZ DE BRITTO

Foto: Clóvis Campêlo/2007

“Caro amigo Clóvis Campêlo:

Me ajude a me escafeder (Banda Larga Cordel). Até minha Olivetti Tropical se escafedeu… Estou na mão com minhas intuições. Resolvo então fazer mais um exercício caligráfico, tentando ser tão breve quanto o ritmo da net, mesmo contrariando, digamos, a maliciosa retórica de seu interrogatório: cloviseano, cloviseando…”

Foi com o texto acima que Jomard Muniz de Britto devolveu-me as dez perguntas enviadas para ele via e-mail. Atencioso, mas, ao mesmo tempo, sintético e objetivo. Depois, por telefone, diria que as pessoas não gostam de ler na Internet. Apenas olham. Por conta disso, acha um desperdício os textos longos. Assim sendo, foi o mais sucinto possível nas respostas. Terminei concordando. Seguem abaixo, portanto, as perguntas e as respostas dessa entrevista relâmpago, mas super interessante (CC).

CC – Alguém já disse que você é o guardião das tradições das vanguardas recifenses. O que acha dessa afirmativa?

JMB – Não me sinto nem pressinto guardião de qualquer coisa ou jóia! As linguagens contemporâneas e extemporâneas sempre me estimularam.

CC – Você nasceu em maio, sob o signo de Aires. Assim sendo, é o verdadeiro ariano da cultura pernambucana. Por falar nisso, como situaria hoje essa oposição entre o Tropicalismo e o Movimento Armorial que houve na cultura pernambucana? Quem saiu ganhando com isso?

JMB – Nasci em 8 de abril, mas não acredito que esse seja o “mês mais cruel” (T. S. Eliot). Mesmo sendo do signo de Aires, minhas afinidades relacionais se debruçam sobre a pele indígena e afro-descendente. Pele significa: de corpo inteiro e abismos da afetividade. Nada a favor ou contra os arianos…

CC – Por trás dos seus textos aparentemente simples se escondem diversas proposições filosóficas e ideológicas, que exigem do leitor vários instrumentos para decifrá-las. Você acha que o leitor comum sempre está disposto a entrar nesse jogo?

JMB – Cada leitor(a) em processo tem a potência de me entender ou DESENTENDER livreMENTE. O que significa “leitor comum”? Talvez seja um autor/co-autor de incomuns contradições entre “o olho, o piolho, o zarolho, o alho” (Gilberto Gil).

CC -Por conta desse jogo construtivo, você já foi classificado como um autor hermético, embora se autodefina como hermenêutico. Afinal, dentro dessa sua visão, qual o papel do artista na sociedade atual?

JMB – Nem hermético nem hermenêutico: o gosto amargo e amorável de ser herético. O papel do “artista na sociedade atual”? Saudade de replicantes heroísmos salvadores da pátria? Prefiro apostar nas LINGUAGENS provocativas e provocadoras de nossas contradições, entre belezas naturais e místicas da politicidade. E, através de atentados poéticos, a tragi-comédia (com e sem hífen) de nossa cotidianidade. Poeticidades em traumas e transes.

CC – Você teve uma participação muito produtiva dentro do ciclo pernambucano do Super 8. Até que ponto o cinema pernambucano atual bebeu nessa fonte e se deixou influenciar por suas propostas estéticas e ideológicas?

JMB – Apesar de “O Palhaço Degolado” ir-e-vir-devir, tornando-se quase um fetiche, o novo cinema pernambucano está melhor identificado com o “arido movie”, expressão feliz do cineasta-pop-filósofo-jornalista Amim Stepple.

CC – Uma das características dos intelectuais dos anos 60 e 70 era lutar pelas transformações sociais e políticas do mundo. Você foi um desses intelectuais engajados. Até que ponto a sua produção de artista multimídia foi influenciada por essa visão?

JMB – Continuo navegando em terras da incerteza: entre engajamentos e engasgamentos: patrulhas sexo-ideológicas: ditaduras mercadológicas: entrevistas super tendenciosas (como esta) e deliciosas apresentações televisuais no Opinião Pernambuco!

CC – Você acha que o mundo realmente mudou sob a influência dessa visões ou os donos do poder se reciclaram e adotaram formas mais sutis de dominação?

JMB – Reler a pergunta como uma resposta. Só nos restam os micropoderes, atuações pontuais, gestos de solidariedade, atitudes de dúvida permanente e desejos desejantes de transformações no cotidiano. Vocês concordam?

CC – Como você vê a literatura pernambucana atual, principalmente a poesia? Existe uma estagnação ou ela tem se renovado?

JMB – Tudo pela força revolucionária dos COLETIVOS: menos egos fissurados em narcisismos e mais vacas tossindo pelos raros Suplementos. Por todos os desgovernos.

CC – Você já teve poemas musicados por vários compositores pernambucanos. A música pernambucana atual vive um bom momento? Até que ponto influenciamos na renovação da MPB? Ou continuamos reféns da cultura musical do sul e sudeste?

JMB – Nunca fomos “reféns”. Desde os tempos eternos da bossa nova ao “mangue beat”, Pernambuco permanmece desafiando, desafinado, reinventando CANIBAIS e COMUNAS. Em nome da PAP (patrulha autopromocional), o que vocês, internautas ligadíssimos, acham do cd/intersemiótico JMB em COMUNA? Procurem logo na Livraria Cultura. Não percam tempo com entrevistas…

CC – Para finalizar, a existência de um grupo teatral como o Vivencial Diversiones foi um fato isolado na arte cênica pernambucana ou as suas propostas se fazem presentes ainda hoje na nossa produção teatral?

JMB – Aos interessados na pergunta (quem já ouviu falar em Vivencial Diversiones?). Todos os internautas de nossa teatralidade. É preciso ler o livro de Leidam Ferraz, com Ivonete Melo na capa. O Vivencial Diversiones pode ter sido a expressão mais representativa do Tropicalismo no Nordeste. Muita coisa deste Grupo está registrada em Super 8 e também se encontra no YouTube e Myspace. O que refazer? Desfazer? Vamos ao Teatro! Continuemos lendo e conversando nos bares da artevida. Abraços nas galeras que sabem das coisas e loisas.

Recife, 2008

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

HUMBERTO – JORNAL DO COMMÉRCIO

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

PELICANO – BOM DIA SP

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ESSE JBF É UMA MERDA MESMO… SEM ORIGINALIDADE E SEMPRE DESAGRADANDO A FRANGAGEM NACIONAL…

Comentário sobre a postagem SONETO – Mário de Andrade

Henrique Wagner:

“É só o que publicam de Mário de Andrade: esse soneto…

Meu Deus, Mário tem uma quantidade significativa de poemas, mas todos os blogs só publicam um. Falta de conhecimento e pesquisa, naturalmente…

Há poemas infinitamente superiores a esse na obra do autor de Macunaíma… Como soneto, está bem feito, e só. A ideia, entretanto, não traz qualquer originalidade…

E está claro que falta originalidade aos divulgadores de poesia brasileira.”

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

SANTO – CHARGE ONLINE

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MEU PRIMEIRO LIXO

Eu era rapazinho – e isso já faz bastante tempo… – quando ouvi dizer que os norte-americanos não consertavam mais seus aparelhos domésticos velhos ou danificados. Não valia a pena consertar. Era mais econômico comprar um novo.  E quando adquiriam um mais moderno não tinham o que fazer com o antigo. E então, eles simplesmente deixavam televisores e geladeiras, dentre outros pertences usados, na rua, para serem recolhidos. E havia quem recolhesse, fosse para vender como ferro-velho, no caso dos defeituosos, fosse para utilizar, quem não tinha um ou o seu estava em ainda pior estado.

Fiquei admiradíssimo. Para nós, uma geladeira era um luxo, uma televisão era um sonho. Se dava defeito era sempre mais barato consertar, pois um aparelho desses, novo… nem pensar. Geladeira, então, era coisa para toda a vida.

Por isso, não me admirei quando, agora, muitos e muitos anos depois, vim morar na França e comecei a ver que o futuro aqui já chegara e que, como nos Estados Unidos, até computadores são deixados na rua para quem quiser levar.

Tenho visto fogões, colchões, armários e outras coisas abandonados por aí.

Jamais pensei que algo me interessaria.

É que, apesar de pequeno, o sala e quarto em que moro em Paris tem de tudo, forno, fogão, micro-ondas, telefone, geladeira, televisão com seiscentos canais, internet, máquina de lavar pratos, lavadora de roupas e tudo o mais que faz o conforto moderno.

Eis que se não quando me aparece, cara a cara, uma pequena estante, estreita, seis prateleiras, perfeita, abandonada.

Virei-me para minha mulher, trocamos um olhar cobiçoso: precisamos muuuuito de uma estante. Se o pequeno apartamento tem tudo, falta algum quase, um lugar para pôr pequenas coisas,  como um relógio, um frasco de perfume, um vidro de remédio, coisitas pequenas que ficam espalhadas por aqui e por lá.

Ela encorajou-me mas fingiu que não me conhecia enquanto eu punha o tesouro às costas e me apressava para o apartamento, onde depositei o meu primeiro lixo francês e voltei para a rua.

Lá, próximo ao lugar de onde eu recolhera a tralha, minha mulher me aguardava assustada, de olhos arregalados. 

É que dois parrudos franceses procuravam o safado que tinha levado a estante que estava na calçada aguardando para ser transportada sabe-se lá para onde.

Enquanto eles xingavam e imprecavam ao vento nós já estávamos no metrô, suando frio e com o coração em disparada. A situação precária de brasileiros na Europa não recomendou que explicássemos que pulga não é elefante e que achado não é roubado.

Premidos pelas circunstâncias, vamos usando enquanto resolvemos se um dia desses, na calada da noite, deixamos de volta no mesmo lugar.

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7 maio 2012 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO

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© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa