Um jornalista do site Daily Caller fez recentemente uma entrevista com Aurel Hizmo, economista-chefe do FED, o banco central norte-americano. Nesta entrevista, Hizmo declara que ele e o chefão do FED, Jerome Powell, são inimigos declarados do ex-presidente e agora candidato Donald Trump.
Hizmo diz que Powell “odeia” o ex-presidente e “quer ser lembrado na história como alguém que evitou o avanço de Trump”. Na sua visão, “o problema com Trump é que os apoiadores de Trump não estão votando nele por razões lógicas”. Além disso, “Trump é apenas uma pessoa louca. É um cara burro”.
Em relação à próxima eleição presidencial: “O sentimento é o seguinte: não queremos que Trump esteja no governo. Mas se ele estiver, ainda vamos tentar fazer o melhor que pudermos pelo país.” Hizmo também afirmou que Powell, um republicano de longa data, buscou melhorar sua imagem aproximando-se da esquerda progressista ao expandir unilateralmente a missão do Fed: “Sob Powell, o FED mudou para pensar sobre questões de equidade, questões raciais, pensar sobre desigualdade de riqueza.”
Powell e Hizmo podem fazer tudo isso porque o FED onde trabalham têm completa independência (aliás, muito maior que a do Banco Central do Brasil). Então surge a pergunta inevitável: a tal independência existe para permitir que os chefes do FED (que não foram eleitos) possam afetar a economia do país inteiro de acordo com suas convicções pessoais? Ou para dar a eles o poder de influenciar nas eleições a partir de sua avaliação particular de quem eles “querem” ou “não querem” que ganhe as eleições? Ou de agir além de suas funções legais e “mudar o FED” para “pensar” em coisas que não são sua atribuição?
A verdade dura é simplesmente a seguinte: Bancos centrais não precisam e não deveriam existir. Sua função é apenas burocratizar e esconder algo que os governos fazem mas não deveriam fazer: inflacionar a moeda. Todo o resto é apenas cortina de fumaça. A FUNÇÃO DOS BANCOS CENTRAIS É FABRICAR DINHEIRO, e ao fabricar dinheiro eles roubam da sociedade duas vezes: a primeira quando fazem o dinheiro que as pessoas ganharam com seu trabalho desvalorizar. A segunda, quando os impostos que o governo recebe sobem por conta da inflação, mas os pagamentos que o governo faz não sobem na mesma proporção e muito menos na mesma velocidade.
Nosso sistema educacional faz pior do que não educar os cidadãos sobre economia: ele deseduca, pregando um monte de mentiras e fantasias que leva a sociedade a viver em um mundo de conto de fadas. A imprensa, que é formada por esse mesmo sistema educacional, segue o mesmo padrão. Vejamos um exemplo de um jornalista sério e bem-intencionado, mas que em matéria de economia tem 0% de conhecimento e 100% de crença no governo:
“O Banco Central é o guardião da moeda e do crédito. Se não tem inflação, isso é graças ao Banco Central, que a mantém sob controle. Graças à política do Banco Central.”
Quem disse isso foi Alexandre Garcia, cuja coluna faz parte aqui do JBF. Ora, se o BC é o “guardião da moeda”, então não deveríamos ter inflação, certo? Mas o Alexandre diz “Se não tem inflação…” sabendo que tem inflação sim, e sempre acima da meta, que por si só já não deveria ser acima de zero.
A imprensa é tão cega à realidade econômica que rotineiramente mostra fatos absurdos como se fossem a coisa mais natural do mundo. Esta notícia apareceu em um site especializado em economia:
“O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira (24) que o BC quer tempo para entender o efeito da curva de juros dos EUA sobre o mandato de controle da inflação doméstica.”
Considerando que a tarefa básica do BC é defender a moeda e controlar a inflação, seria de se esperar que eles soubessem algo sobre o assunto, e não que pedissem “tempo para entender o que está acontecendo”. O que está acontecendo aliás, não é nada de novo e não leva mais de alguns segundos para entender: se os juros nos EUA sobem, os investidores tiram o dinheiro daqui e levam para lá. O efeito aqui é o dólar subir, os preços de muitas coisas subirem junto, e a demanda pelos títulos do governo cair, o que pressiona os juros para cima. E o nosso banco central não pode fazer nada a respeito. O que ele poderia ter feito, se quisesse exercer seu papel de “guardião da moeda”, era não ter fabricado dinheiro e portanto não ter enfraquecido o poder de compra da nossa moeda, o Real. Mas nosso BC nunca fez isso desde que foi criado pela ditadura em 1964.
Quem quiser um exemplo mais bizarro do nível dos economistas governamentais, veja esta entrevista com o presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Biden, e observe o quanto ele parece entender do assunto: (clique aqui para acessar)
Resumindo a história: durante muito tempo, não havia bancos centrais, a moeda era o ouro, e não havia inflação. Hoje a moeda é um papel pintado feito pelo governo e desvalorizado por esse mesmo governo. Consentir com essa situação é ser conivente com uma forma de roubo mais cruel e mais perversa que um assalto à mão armada.


