24 maio 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO

LULA MENTE

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24 maio 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

24 maio 2017 MARY ZAIDAN

PAÍS DE AMADORES

Não fosse uma imensa tragédia para o país, tudo o que envolve a delação dos irmãos Batista seria apenas uma fantástica ficção, entre o terror e a comédia.

Exceto Joesley, Wesley e seus advogados – um deles recém-saído da PGR, ex braço direito do procurador-geral Rodrigo Janot -, os demais envolvidos parecem um bando de amadores: de Michel Temer a Aécio Neves, do Ministério Público ao Supremo Tribunal, além da Polícia Federal.

Primeiro, os Batistas conseguem fechar o acordo mais dadivoso de que se tem notícia, por aqui e no mundo. Corrompem, compram a República, embolsam dinheiro dos impostos de quem trabalha em empréstimos generosíssimos do BNDES e da Caixa, patrocinados por Lula e Dilma, e se mandam livres, leves, riquíssimos para os Estados Unidos, com aval da PGR e do Supremo.

Joesley grava, por conta própria, conversa nada republicana com Michel Temer, tarde da noite, no Palácio do Jaburu, e, já orientado pela Polícia Federal, outras com Aécio Neves e seus comparsas. Malas e mochilas de dinheiro entregues a mando de Joesley aos supostos cupinchas do presidente e do senador receberam um chip da PF para rastreamento, e o dinheiro teve suas notas de série marcadas.

Embora ainda não se saiba por que as investigações sobre a JBS ficaram atreladas à Lava-Jato, a PF revelou o seu orgulho com as primeiras ações monitoradas para a produção de provas no âmbito da operação.

Mas não foi bem assim: os R$ 500 mil que chegaram às mãos do deputado Rocha Loures se perderam. A mochila não tinha chip e o dinheiro desapareceu do radar, exigindo esforços de busca.

A gravação que fez o governo Temer desabar é um capítulo à parte.

A Procuradoria-Geral da República incluiu o áudio na peça da denúncia sem uma perícia técnica prévia, embora tivesse à disposição a melhor equipe para tal. Com isso, patrocinou a celeuma em torno de edição, o que pode pôr todo o processo a perder.

Provocou ainda uma ridícula guerra de versões nas empresas jornalísticas, cada uma se dizendo dona da verdade, o que prova que ninguém sabe em que lugar a verdade está.

A Folha de S. Paulo contratou perito que garante que a gravação teve mais de 50 edições; O Estado de S. Paulo ouviu outro que afirma ter 14 trechos duvidosos. E O Globo garante, com escarcéu também no Fantástico e replique no site do jornal, que o áudio não foi adulterado.

O pedido oficial da defesa de Temer fez com o que o Supremo exigisse a perícia técnica do áudio. E aí, mais uma trapalhada: o país descobre que Joesley entregou a gravação, mas ficou com o gravador – na verdade, gravadores, conforme revelou a PF ao tentar recuperar o equipamento.

É estranhíssimo, para dizer o mínimo, que a PGR não tenha confiscado o aparelho usado para a gravação. Por que deixar prova do crime nas mãos do criminoso?

Embora sua defesa aposte nisso, o fato de a gravação ter sido editada não muda a gravidade do bate-papo de Temer com o empresário bandido.

Mas põe a PGR, que, por açodamento ou algum motivo ainda não explicado, cedeu mundos e fundos aos Batistas e preferiu correr o risco de usar um áudio sem conferência. Pior, deixar que os delatores levassem a arma do crime.

Expõe também o Supremo, que, por meio do ministro Edson Fachin, homologou a delação, autorizou os inquéritos e liberou os criminosos.

As notícias dão conta de que Joesley e sua mulher saíram de Nova York e estão em local não sabido. Ninguém dá conta de seu paradeiro. Bandido profissional, ele faz chacota deste país de amadores.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

24 maio 2017 DEU NO JORNAL

FURARAM A FILA DE NOVO

A Polícia Federal cumpre, desde as 6h desta quarta-feira (24), mandados de prisão em cinco estados e no Distrito Federal contra a quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Foram presos cinco filhos do criminoso, uma irmã dele, e um braço-direito do traficante.

No total, 10 parentes tiveram a prisão pedida. 

* * *

Já o irmão, os filhos e os assessores de Lula estão todos soltos.

Esta mania de furar fila é marca característica deste país.

Que coisa horrível.

Beira-Mar irado: “Pô! Esse sujeito fica rindo da minha cara. Que merda!”

24 maio 2017 FULEIRAGEM

OLIVEIRA – CHARGE ONLINE

POBRE BRASIL

Lula reafirma que tem plena confiança na Justiça brasileira

“Minha definição vai depender do partido, de uma aliança, da Justiça, da minha saúde, do PT. Mas, se eu puder contribuir para recolocar o Brasil na rota do crescimento, recuperar o orgulho nacional, recuperar a autoestima deste povo, podem ter certeza que não morrerei logo e estarei na trincheira”.

Lula, argumentando que, num país em que Joesley e Wesley Batista estão neste momento fazendo compras na 5ª Avenida, em Nova York, alguém prestes a se tornar réu pela 6ª vez pode muito bem concorrer ao cargo de presidente da República.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE (RN)

INALDO GUEDES – CATAGUASES-MG

Ilustre editor bestânico,

Veja como são as contradições no Reino dos Dinossauros.

Maduro e Lula são a favor das “Diretas já” no Brasil.

Maduro e Lula são contra as “Diretas já” na Venezuela!!

Como diz você, eu mijo-me de tanto rir.

R. Caro leitor, cobrar coerência de lobotomizados é mesmo que dar conselho a doido: pura perda de tempo.

E você sabia que ainda existe gente aqui em Banânia que leva a sério esta parelha de safados???

Atenção: não estou inventando nada!!!

Pode acreditar que tem gente que ainda leva Lula e Maduro a sério.

Aqui mesmo no JBF você vai ver este fenômeno.

Repito: acredite, tô falando sério.

Maduro e Lula: dois tolôtes do mesmo pinico bostífero latrino-americano

24 maio 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

DÁ PRA RIR E PRA CHORAR

Todos nós sabemos que o Congresso Nacional Brasileiro mais parece uma peça teatral tragicômica. O que deveria ser uma assembleia em favor da república, foi se transformando ao longo do tempo quase num picadeiro, pior ainda, uma reunião das facções mafiosas travestidas de partidos políticos que tramam contra os interesses da nação. Hoje mesmo (23/05) tivemos um arranca-toco na CAE do Senado, enquanto discutiam sobre a reforma trabalhista.

Deputados e senadores se respeitam e se protegem, criam leis para usar em benefício próprio e de seus patrocinadores. Enquanto o cidadão sofre com a recessão, desemprego, falta de serviços públicos, Suas Excelências não abrem mão de seus privilégios. Continuam encenando a comédia mambembe para desviar nossa atenção da tragédia cotidiana da falta de segurança, assistência médica, educação, saneamento, transporte, transparência e excesso de corrupção.

Houve um tempo em que os artistas do espetáculo encenavam um ato mais divertido do que os palhaços de hoje. Vamos relembrar uma dessas comédias mais engraçadas do que as que estamos assistindo atualmente:

Nos anos de 1960, enquanto era deputado federal, ACM protagonizou um dos momentos mais marcantes da história do Congresso Nacional, depois que o Legislativo federal foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília.

Na época, o deputado federal Tenório Cavalcanti, do Rio de Janeiro, assombrava os colegas por andar na Câmara com uma temível capa preta. O temor era pelo que ele levava embaixo da roupa: a “lurdinha”, como chamava sua metralhadora – segundo a lenda, porque “falava” como uma costureira.

Eis que uma certa tarde o jovem Antonio Carlos Magalhães enfrentou o temível Cavalcanti e sua capa preta. Tudo em defesa de um amigo, o então presidente do Banco Central, Clemente Mariani, acusado pelo parlamentar fluminense de desviar verbas. ACM o atacou, chamando-o de “rei da baixada fluminense”.

E emendou: “Vossa excelência pode dizer isso e mais coisas, mas na verdade o que vossa excelência é mesmo é um protetor do jogo e do lenocínio, porque é um ladrão”. Tenório sacou a arma e esbravejou: “Vai morrer agora mesmo!”. ACM desafiou: “Atira, seu filho da puta!”. Aparteado pela turma do “deixa disso”, Tenório Cavalcanti não atirou.

Antônio Carlos Magalhães, tremendo de medo, teve uma incontinência urinária. Mesmo assim, gritava: “Atira.” Tenório, por fim, resolveu não atirar. Rindo da situação em que ACM se encontrava, recolheu o revólver, dizendo que “só matava homem”.

Antonio Carlos ficou dias sem aparecer no plenário, segundo relato de quem acompanhou o episódio. Já Tenório acabou perdendo a arma e o mandato, ao ser cassado posteriormente pelos militares.

Parte do texto: jornalggn.com.br

24 maio 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

OSCAR M. ROCHA – ANDRADINA-SP

Berto,

Sou paulista filho de nordestinos que vieram pra São Paulo nos anos 40 do século passado.

Digo isto com muito orgulho.

Fiquei revoltado com uma vereadora gaúcha que fez um discurso dizendo que nordestino não sabe falar mas sabe “roubar muito bem”.

Segue o vídeo em anexo.

Gostaria de ouvir a sua opinião

Abraços

R. Caro leitor, aqui no JBF convivem pacificamente Nordestinos e Gaúchos, Pantaneiros e Cariocas, Amazonenses e Capixabas, Paranaenses e Sergipanos.

Gente de todos os quadrantes frequenta e curte esta gazeta escrota.

Temos desde um colunista gaúcho pilchado residente na fronteiriça Quaraí, o estimado Alamir Longo, até colaboradores nordestinos do pé-rachado, como o poeta paraibano Jessier Quirino, filho de Campina Grande.

De modo que esta idiotice, esta burrice, esta canalhice, esta tabacudice de incitar a segregação entre irmãos nordestinos e sulistas não vai vingar por aqui.

Tenho orgulho de dizer que dois dos meus livros, a novela A Serenata e o romance A Guerrilha de Palmares, tiveram suas primeiras edições publicadas por uma editora gaúcha, e entraram na lista dos mais vendidos naquela terra acolhedora e abençoada.

Todavia, isto não me impede de dizer que concordo plenamente com a insolentíssima edila gaúcha.

E vou me explicar:

Meu amigo Rubão Pé-de-Mesa, rei da zona em Palmares, tem 25 centímetros de pica – medição feita no puteiro de Maria Uleiro -, e fala errado que só a porra.

Mas no último verão, numa praia do litoral sul de Pernambuco, a bela Tamandaré, ele cometeu um roubo imperdoável. E então preencheu as duas más qualidades citadas pela vereadora Eleonora Brocoió: falar mal e roubar.

Ele roubou a mulher de um sujeito que estava veraneando com a namorada aqui na terrinha. Por coincidência, a namorada do cara era uma vereadora gaúcha da cidade de Xangri-la.

Rubão enfiou tanto a pajaraca no furico da parlamentar que ela perdeu pra mais de 78 pregas e passou a andar de banda, às vezes escorada numa bengala de pau (êpa!)

Mas a incelentíssima parlamentar voltou pros pagos feliz que só a porra, se rindo-se com a boca e com a bunda.

Repito: concordo com Eleonora Babacoió: nordestino não sabe falar mas sabe roubar. E, mais ainda, sabe arrombar furicos de vereadoras que falam merda.

Sejam elas gaúchas ou pernambucanas.

Fecho a postagem transcrevendo uma poesia de autoria da nossa querida colunista-poeta Dalinha Catunda em homenagem à distinta edila:

Não sei se chame de égua
De vagabunda ou de vaca
Essa doutora de merda
Que o nordestino ataca
A Doutora Eleonora
Uma tal vereadora
Que abre a boca e diz cáca.

Gaúcha teu preconceito
Com a classe nordestina
É pior do que ladrão
Que botou mão na propina
Tu podes entrar na peia
Ou então ir pra cadeia
Pra deixar de ser cretina.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA (MG)

TEMER LUTA NA GUERRA ERRADA

Quando Bill Clinton desafiava o prestigiado presidente George Bush (o pai), amplamente vitorioso na guerra contra o Iraque, seu marqueteiro James Carville repetiu até ser ouvido: “É a economia estúpido”. Bush era popular, mas o desemprego era grande e a economia americana ia mal das pernas. Clinton espalhou pelo país seu slogan: “Saddam Hussein manteve o emprego. E você?” Ganhou – e garantiu ao país oito anos de crescimento.

Temer tenta usar o mesmo argumento no Brasil: enquanto se discutem problemas políticos e criminais, a economia volta lentamente a crescer, a inflação caiu abaixo dos 4,5% anuais fixados pelo Governo, as exportações voltam a superar as importações. Mas, como lembrava o primeiro-ministro francês na época da 1ª Guerra Mundial, Georges Clemenceau, o principal erro dos comandantes é lutar numa guerra com as táticas que deram certo na guerra anterior, e já estão superadas. Temer acha que vai ganhar a guerra apresentando bom desempenho econômico. Não vai: nesta luta pelo poder, a guerra não é econômica e o slogan é outro. “É a política, estúpido”.

Temer perdeu um partido médio, o PSB. Seu PMDB está rachado, e a Renan Calheiros o quer com uma estaca de madeira cravada no peito. PSDB e DEM balançam, embora prometam apoio (o presidente nacional tucano, Tasso Jereissati, tem até o nome de seu ministro da Fazenda caso vá para o lugar de Temer: em vez de Meirelles, Armínio Fraga. É o jogo.

Prósperas…

Delação premiada não significa perdão total aos dedos-duros. Nem é feita para atingir um só alvo. Na delação premiada, o delator confessa os crimes que cometeu e indica, com provas, seus companheiros de malfeitos. Vale para todos, não apenas para um dos times. Joesley disse a Temer na gravação, que tinha boas relações com a imprensa e por isso estava livre do noticiário dos avanços da Lava Jato. O fato é que um dos delatores da JBS acusou o jornalista Cláudio Humberto de ter extorquido da empresa R$ 18 mil mensais, para poupá-la em suas publicações. Cláudio Humberto informou que tem um contrato de publicidade com a JBS, neste valor, assinado, registrado e com os impostos devidamente recolhidos. OK, que se investigue o caso (embora sem o foguetório que os inimigos de Cláudio Humberto vêm fazendo). E se investigue também como é que um jornalista, que fazia campanha pública contra Lula na TV, de repente mudou de lado e, sempre na TV, passou a defensor radical de Lula, Dilma e do PT). Como é que outro jornalista enriqueceu ao criar uma espécie de Diário Oficial do PT na Internet. Tem mais, e tem dos dois lados.

…notícias

Um dos empresários mais competentes que este colunista conheceu costumava dizer, quando lhe diziam que alguém enriqueceu honestamente, que “ninguém enriquece honestamente”. Em seguida, ria muito. Ele era empresário, tinha enriquecido e sabia direitinho como o mundo funcionava. E acreditaria menos ainda se lhe dissessem que um grupo empresarial enriquecera honesta e rapidamente, tendo acesso a gordos cofres públicos.

Religião atacada

Aonde vai a barbárie: uma linda canção cristã, Amazing Grace, de John Newton, é espalhada na Internet com uma letra falsa, de Marcos Borkowski, louvando guerras e combates e terminando com um apelo à intervenção constitucional no Brasil, seja lá isso o que for. (Clique aqui para ler)

Ninguém é santo

Comentário de Sérgio Fadul, diretor da Sucursal de O Globo em Brasília: “Joesley preparou uma armadilha e Temer caiu. Não há inocentes nessa conversa. Ali, quem falou sabia o que estava falando, para quem estava falando e por que estava falando. Joesley não queria Justiça, queria arrumar um cúmplice e conseguiu. Para o presidente, político experiente e profundo conhecedor das normas legais, o tom de informalismo que tenta dar ao encontro não combina com a imagem que construiu de homem público cioso dos protocolos de postura. Ali, na conversa, ficam expostos os ‘usos e costumes’ que comandam a política e alguns empresários.”

Não dá vontade de ter assinado este comentário?

Ponto final?

Um dos alvos mais resistentes do Ministério Público sofreu dura derrota: Paulo Maluf foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, por 4×1, por lavagem de dinheiro. Pena: 7 anos, 9 meses e dez dias de prisão em regime fechado. O único a votar contra foi Marco Aurélio Mello, para quem o crime atribuído a Maluf prescreveu. Maluf foi acusado de lavar dinheiro desviado da Prefeitura de SP entre 1993 e 1996.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

XAVI – CHARGE ONLINE

VICIADO

Comentário sobre a postagem UM AGRADECIMENTO

Yoshiro Nagase – Campo Grande-MS

“Fiquei viciado no JBF há uns 3 anos.

De lá pra cá acesso o jornal diariamente.

Espero fazê-lo por mais um bom tempo, apesar dos meus 80 anos.

Parabéns mesmo.”

* * *

Nota da Editoria:

Trintões, quarentões, cinquentões, sexagenários (e sexogenários…), septuagenários, octogenários e nonagenários estão sujeito a uma praga rogada por Mãe Piabinha, exímia catimbozeira de Palmares. Ela disse que todo cabra que lê esta gazeta escrota vai ter saúde pra ultrapassar em muitos e muitos anos os cem anos de vida. E que o Editor, com absoluta certeza, vai dar uma festa da porra no seu aniversário de 120 anos.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE


OS BOIZINHOS DE MAMONA

Menino brincando de soltar pipa

O mundo, em especial o Brasil, está enlameado. Assim, como gosto de escrever, compulsivamente, vou me voltar a partir de agora, para outras coisas: para a infância, para aqueles que ainda não foram contaminados pela idiotice dos doutores e dos adultos.

Botar a pipa no ar; relancear sem cerol na linha; jogar peteca para uns e bila ou cabiçulinhas para outros tantos; rodar e aparar pião na mão e depois na unha; fazer bola de meia ou, ainda, jogar chuço na areia molhada depois da chuva.

É melhor que perder tempo, lendo tanta merda colocada no ventilador por quem frequentou a escola e fez juramento ético. Mas perdeu a vida: nem aprendeu nem se transformou em profissional. É doente!

Pois, decidi ligar a máquina do tempo – será bem melhor, pois nunca fiz nada de que me envergonhe – e voltar a passear na infância, mais precisamente no interior, quando ainda banhava nu no açude e vestia calças de suspensórios. Quando comia (literalmente) com a mão, fazendo capitão de feijão.

A tarde, depois de fazer os deveres escolares – lembro: não havia merenda escolar, bolsa escola, ônibus escolar, uniforme e livros doados pelo Governo; mas, lembro também, nem nós nem os professores fazíamos greves – as brincadeiras de jogar castelos de castanhas de caju, soltar pião ou cuidar da fazenda imaginária, onde a boiada era toda uma obra de arte feita com sementes de mamona.

E, as vacas eram leiteiras, sim senhor. Se alimentavam também, sim senhor. E até cagavam “aqueles pratos de esterco” que, de noite eram queimados para espantar pragas e muriçocas.

Não, nenhuma vaca holandesa. Nenhum touro de raça – e a manada era aumentada com uma simples volta debaixo do pé de mamona. Apanhadas ainda verdes, as sementes eram postas à secar.

Tempos bons. Tempos de vacas não conhecer bezerro. Mas… nenhuma ia para o brejo.

O empoderamento e as palavras inúteis

A modernidade da vida ou, a vida moderna, é algo interessante. As gerações da sociedade brasileira se modernizam (mas, como a letra da música de Belchior, eternizada pela também eterna Elis Regina, “continuam como nossos pais – e as aparências não enganam”) na teoria. A prática é a repetição dos pais, antigas pra dedéu. Nada muda, nem mudará.

Quando a gente lê e conhece escritores e cronistas do naipe do genial Ariano Suassuna, também compreende a necessidade da simplicidade das coisas. Comunicar é se fazer entender – mas a geração atual insiste em tentar falar difícil, e acaba por não dizer nada. Ariano usa adequadamente os adjetivos da língua brasileira, sem deixá-los cair na mesmice da desvalorização. Sem serem gastos (e usados) de forma inadequada.

Tipo: se eu jogo fora o adjetivo “gênio”, aplicando-o à Lula, o que sobra para usar para Rui Barbosa, Ariano, Chico Anysio, Mário Lago e outros do nível?

Pois, hoje escutei numa emissora AM local, uma jovem fazendo um convite para um evento, concentrado no “empoderamento” feminino. E aí haja sair palavras que o público alvo certamente precisou recorrer ao velho Aurélio para entender o que estava sendo dito. É comum, hoje, o uso de vocabulário fútil, sem necessidade, que não diz nada além do que outro palavreado simples diria. Só se fala em “aplicativos”, “demanda”, “empoderamento”.

Que diabos significa “empoderamento”, que não possa ser substituído por “conscientização”?

Suricate Seboso mandando ver

Lembrei, também, de Patativa do Assaré:

“É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada…”

É duro aceitar o “falar” de alguns lugares brasileiros. É duro aceitar e se acostumar com a maranhensidade do, “mamãe, ele quer me dá-lhe”. Mas, é como muitos falam, e, na terra dos sapos, de cócoras com eles. Ainda que se tenha que comer muitos mosquitos.

Mas, vamos à demanda do emponderamento com todos os seus aplicativos! Eu, se for, irei vestido com a calça Lee, americana legítima.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

GOIANO BRAGA HORTA – PETRÓPOLIS-RJ

Berto,

tá difícil de controlar a quantidade de falsidades que andam na Internet, não só na política, como na literatura e até na religião. O que se atribui, apenas para dar um exemplo, ao Luís Fernando Verríssimo e não é dele é um espanto, e todo o mundo acredita. Mensagens falsas psicografadas pelo Chico Xavier andam à solta.

O mais recente caso do JBF foi na Correspondência Recebida, do Alamir Longo: a imagem de apresentação do vídeo é falsa: Nem o Lula está na foto, nem o símbolo do PT está no painel atrás.

A foto verdadeira é essa à frente da falsa:

Tá difícil de administrar idéias políticas coerentes com a quantidade de mentiras rolando em imagens e textos na web. Quando se trata de humor, isso está explícito e não causa danos, pelo contrário, o bom humor é essencial á saúde mental.

Mas na maior parte das vezes não se trata de brincadeira, mas de tentativa séria de distorcer os fatos, particularmente para convencer que Lula não presta.

Como os fatos não corroboram isso, inventam-se lorotas.

R. Meu caro colunista, o Departamento de Falsificações do JBF está bem entregue em vossas mãos.

O gerenciamento deste importante setor da gazeta mais falsa de Banânia tem sido feito com muita competência por você.

Continue firme e conte com o apoio da Editoria.

Quanto aos falsificadores de fotos e vídeos de todo o país, vocês fiquem certos que também contam com o apoio da Editoria fubânica.

Podem continuar enviado seus trabalhos pra cá que publicaremos com muito prazer!

Quero que vocês prossigam dando serviço pra nosso esforçado colaborador Goiano.

24 maio 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

23 maio 2017 DEU NO JORNAL

UFA! DEMOROU MAS SAIU. AGORA, SÓ TÁ FALTANDO O OUTRO DA FILA…

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (23) o deputado federal Paulo Maluf pelo crime de lavagem de dinheiro, além de determinar a perda do mandato do parlamentar e multa de mais de R$ 1,3 milhão.

A pena foi fixada em 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado.

* * *

Mais uma vez a fila foi furada.

Foi pedida a prisão de Aécio e, agora, foi decretada a de Maluf.

Lula continua aguardando na fila.

Lula está rindo pelos cotovelos com a sentença que foi dada contra o seu amigo e correligionário.

E a banda decente da nação continua engulhando e vomitando que só a porra.

23 maio 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DE NOBLAT

O JBF É UM PROGRAM HUMORÍSTICO: É PRA GENTE SE MIJAR-SE DE TANTO SE RIR-SE

Comentário sobre a postagem ARROMBARAM A TABACA DE XOLINHA! DE NOVO

Goiano:

“Vocês então acham que se Lula se encontrou com o Renato Duque só uma vez ele é inocente.

Se o Lula se encontrou com o Renato Duque duas vezes ele é suspeito.

Se o Lula se encontrou com o Renato Duque três vezes ele é culpado.

Tá bom.”

* * *

23 maio 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

23 maio 2017 DEU NO JORNAL

ARROMBARAM A TABACA DE XOLINHA! DE NOVO

A imagem publicada acima implode uma das principais teses de defesa apresentadas pelo ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro sobre uma das tantas acusações que o atormentam na Operação Lava-Jato.

Em depoimento no dia 5 deste mês, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou que Lula tinha total conhecimento do petrolão, recebia propinas do esquema e era o comandante da estrutura criminosa.

Duque disse que se reuniu três vezes com o petista para tratar de assuntos de interesse da quadrilha e, em pelo menos uma ocasião, discutiu a eliminação de provas que pudessem levar a Lava-Jato até o ex-presidente.

Sentado diante de Sergio Moro, Lula negou as acusações e disse que sequer conhecia o ex-diretor da Petrobras quando esteve com ele no único encontro pessoal que tiveram num hangar do Aeroporto de Congonhas, em julho de 2014.

Em sua versão para a conversa, Duque disse a Moro que ouviu de Lula um pedido para eliminar contas de propina no exterior. Lula, por sua vez, disse que apenas apurava denúncias de corrupção envolvendo diretores da estatal.

Em meio a essa guerra de versões, a foto apresentada por Duque é uma bomba.

Segundo o diretor, ela prova que Lula conhecia muito bem Duque quando esteve com ele no hangar do aeroporto. Prova também que Duque já frequentava o Instituto Lula em meados de 2012, quando a fotografia foi tirada. Apresentada nesta terça-feira, a imagem é o registro histórico de uma conversa, ocorrida durante o pleno funcionamento do petrolão, em que Duque e Lula discutiram assuntos de interesse das empreiteiras que comandavam o cartel bilionário na Petrobras.

No encontro, o “grande chefe”, como Duque descreve Lula, chega a rasgar elogios ao ex-diretor por seus competentes e relevantes serviços prestados. Como a Lava-Jato já demonstrou, Duque foi um eficiente arrecadador do PT na diretoria de Serviços da Petrobras. Ele atravessou oito anos de governo Lula e metade do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff recolhendo 1% de propina sobre cada contrato milionário da sua área.

Preso em 2014, já foi condenado a 57 anos de prisão por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

* * *

Eu só fico com pena é da coitada de Xolinha…

A cada dia que passa, a tabaca da bichinha é arrombada mais e mais com novas revelações das putarias da quadrilha vermêio-istrelada.

Chega faz dó…

23 maio 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

ESPELHO, ESPELHO MEU

Aécio Neves jura que não é bandido

“Lamento sinceramente minha ingenuidade – a que ponto chegamos, ter de lamentar a boa-fé! Não sabia que na minha frente estava um criminoso sem escrúpulos, sem interesse na verdade, querendo apenas forjar citações que o ajudassem nos benefícios de sua delação. Além do mais, usei um vocabulário que não costumo usar, e me penitencio por isso”.

Aécio Neves, em sua última coluna na Folha, na qual comentou as gravações feitas por Joesley Batista, explicando que, se soubesse que estava em frente a um criminoso, não teria agido como um.

23 maio 2017 FULEIRAGEM

CAZO – JORNAL DO JAHU (SP)

23 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

MINISTÉRIO PÚBLICO DECIDIU SOZINHO O DESTINO DOS BATISTA

Ainda soam muito estranho as vantagens oferecidas pelo Ministério Público aos irmãos Batista, da JBS. Aproveitadores confessos dos empréstimos do BNDES (embolsaram mais de 8 bilhões de reais dos brasileiros para comprar empresas no exterior), delataram presidentes envolvidos em trapaças, um monte de político, e de uma hora para outra desapareceram do Brasil a bordo de um avião particular. Os irmãos bilionários cometeram todo tipo de crime, mas, orientados por seus advogados, decidiram apresentar-se ao Ministério Público e abrir o jogo, o mais escandaloso de todos os outros da Lava Jato.

Sou um daqueles brasileiros que se sentiram lesados pelos irmãos Batista e pelo Ministério Público. Vi, com surpresa, desaparecerem do Brasil dois empresários que durante mais de dez anos espoliaram o patrimônio público com a colaboração e a cumplicidade do PT e de políticos inescrupulosos de outros partidos. Esses senhores escancararam as portas dos bancos estatais e dos fundos de pensão para alimentar a ambição dos Batista que montaram um império no exterior com o dinheiro do trabalhador brasileiro. Ao deixarem o Brasil, ficamos, todos nós, com a sensação de que fomos burlados com o nosso próprio dinheiro por dois empresários expertos que botaram no bolso literalmente toda a elite política do país com as suas maracutaias. E, ao saírem, atearam fogo no circo.

Os depoimentos dos irmãos ao Ministério Público ainda podem ser revistos. Os dois devem esclarecer detalhes que estão sendo questionados hoje por peritos e agentes da Polícia Federal que não tiveram acesso às gravações, um erro grave que o MP não sabe explicar. Evidentemente que esses pormenores não devem alterar muito as investigações nem isentar de culpa os políticos envolvidos na caixinha dos bilionários. A revelação da dupla “caipira” só mostra como o processo político do país está degenerado, afetado pela corrupção. Deixa claro também a relação promiscua entre os poderes constituídos e os empresários cooptados por políticos para se tornarem sócio do dinheiro público nas campanhas eleitorais.

Já se falou aqui da responsabilidade de Michel Temer, das suas péssimas companhias (oito dos seus ministros estão envolvidos na Lava Jato) e da sua cumplicidade com empresários que alimentam o seu partido, o PMDB. Desde que assumiu não consegue se livrar dos escândalos. Eles começaram dentro de casa quando seu assessor especial José Yunes denunciou o ministro chefe do Gabinete Civil, Eliseu Padilha, acusando-o de receber propinas por meio do seu escritório de advocacia em São Paulo.

De lá pra cá, oito dos seus ministros foram denunciados na Lava Jato e o governo continuou paralisado, inerte às denúncias. Agora, joga-se um petardo no colo dele. Joesley grava Temer e entrega a gravação ao Ministério Público. De nada adianta ao presidente tentar desqualificar a gravação ou denunciar a sua adulteração. Se ela está editada cabe a Justiça penalizar os irmãos e quebrar o acordo da delação premiada. O que não se admite, contudo, é a intimidade revelada entre Temer e o empresário envolvido nas maracutaias.

Temer abriu a guarda ao receber Joesley no palácio. Mas pelas regalias dispensadas ao delator deixou claro a intimidade que tinha com ele. Pediu que a segurança negligenciasse ao não pedir a identificação do visitante. Deu-lhe passe livre para ser gravado porque Joesley tinha acesso fácil à sua casa. Tanto é assim que tratou com ele de vários assuntos. O mais sensível deles, a situação de Eduardo Cunha, réu condenado a 15 anos por corrupção. Nada justifica que o presidente mandasse abrir os portões do palácio para receber um empresário que já se sabia colaborar do Ministério Público por crimes cometidos.

A renúncia do Temer não iria consertar os desacertos do país tão traumatizado pelas várias organizações criminosas partidárias. O receio é que a sua saída traga de volta outros criminosos agora mais sofisticados para dilapidarem o patrimônio do Brasil. É mais prudente esperar as eleições de 2018 para que o povo escolha democraticamente o seu governante para impedir, assim, que esse Congresso carcomido o escolha por eleição indireta.

23 maio 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

SONIA REGINA – SANTOS-SP

Li aqui e ali que a “Poderosa” está empenhada no despejo do Presidente Michel.

Pelo andar da carruagem, acho até desperdício de tempo fazer tanto esforço.

Também li hoje cedo que o “Aproveitador” está desembarcando em Brasília, pra também cuidar do despejo do Presidente.

Considerando que o próprio “Aproveitador” estava rezando pra que a poderosa escolhesse logo o seu candidato a Presidente, posso até deduzir que o velho namoro vai ser reatado.

Também vou rezar pra que o mesmo raio não caia novamente no mesmo lugar.

Em 1979, Zé Ramalho nos brindou com Admirável Gado Novo.

Lá se vão 37 anos…

23 maio 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

23 maio 2017 HORA DA POESIA

ETERNA MÁGOA – Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa magoa que o acompanha ainda!

23 maio 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

23 maio 2017 A PALAVRA DO EDITOR

OBRA OU DESOCUPA A MOITA?

O Data Besta informa os números da última enquete fubânica.

A Editoria do JBF agradece a todos os leitores que deram o seu pitaco.

23 maio 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

E AGORA, JANOT?

A crise instalada com a delação premiada da família Batista, que põe o presidente Michel Temer sob suspeita e seu governo sob o risco iminente de ser deposto, não pôs fim ao Fla-Flu a que os desgovernos petistas submeteram a sociedade brasileira em seus 13 anos, quatro meses e 12 dias de mandarinato. E que se estendeu ao longo do ano e sete dias do mandato-tampão do indigesto ex-vice Michel Temer, conforme agora nos é revelado.

A esquerda, flagrada em ladroagem intensa e explícita e derrotada nas eleições de 2016 graças às revelações feitas nas investigações da Operação Lava Jato, comemora o fato e prega diretas já na esperança de iludir de novo a população na eleição com marketing politico bilionário. Financiado, aliás, com as sobras do roubo na Petrobrás, no BNDES, nos fundos de pensão e em todos os cofres públicos durante o tempo em que o PT governou em sociedade com o PMDB e políticos de todos os partidos. E com o beneplácito da oposição, cuja leniência também foi comprada com dinheiro público, repassado por propinas de empresários amigos e sócios.

Um setor expressivo da população teme a queda do governo com medo de cair nas mãos de algum político aventureiro e não menos suspeito do que ele. E praticamente a sociedade inteira tem uma dúvida que se torna um dilema atroz: viver num país presidido por um suspeito, que até agora não justificou como caiu na armadilha que um delinquente confesso e espertalhão amarrou em seus tornozelos, ou mergulhar na treva do incerto.

O delator Joesley Batista, da JBS, estar solto, com a família, em Nova York, enquanto outros acusados nos mesmos processos a que ele responde foram condenados e optaram entre ficar presos e fazer delação premiada, é algo tão absurdo que pode ser caracterizado como abuso de autoridade de quem lhe concedeu essa condição. E para isso nem se precisa de lei nova.

Em pronunciamentos convocados para responder às denúncias do delator, Temer definiu-o como falastrão. Comprova-o a afirmação que o próprio Joesley fez de ter blefado ao dizer que teria comprado dois juízes. Esse crime põe em dúvida tudo o que não se comprovar nas delações. E também poderia servir de motivo para cancelar o acordo, além de comprometer o instituto da delação premiada e, com isso, o trabalho da Operação Lava Jato, que tem apoio amplamente majoritário na população.

Mas ser falastrão é o de menos. Agora Joesley está sendo acusado de ter cometido outro crime, o de ter embolsado US$ 400 milhões na compra e de dólares à véspera e venda no dia da divulgação da delação, que provocou uma alta expressiva no valor da moeda americana. Só isso justificaria um mandado de prisão e o cancelamento do acordo espúrio. A multa de US$ 220 milhões é ínfima, se comparada com os US$ 10 bilhões que os irmãos Batista tungaram no BNDES sob as bênçãos de outros delatados dele: Lula, Dilma, Palocci e Mantega. Isso precisa ser explicado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janotm o mais rapidamente possível, sob pena de o trabalho dos procuradores cair no descrédito geral.

Aliás, até agora não vi na delação de Joesley uma narrativa completa de como ele deixou de ser um pecuaristazinho dos ermos de Goiás, tornando-se com dinheiro nosso o maior processador de carne do mundo.

Mas isso não dispensa Temer de também dar explicações ao público. Estranhei notícia do UOL de que o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, assessor jurídico do presidente, num jantar de desagravo a outro suspeito, Aécio Neves, atacou o juiz Sergio Moro, que nada tem que ver com o episódio, e o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin. Este, sim, terá ocasião de justificar sua participação no episódio suspeito da premiação excessiva aos delatores da JBS, no julgamento do episódio pelo STF. O problema é que, nos pronunciamentos de quinta-feira e de sábado, o presidente trocou seu estilo de circunlóquios, apostos e mesóclises por indignação, mas não foi convincente, pois nada justificou nem explicou.

Desde o início, Temer esforçou-se em desqualificar como prova a gravação do encontro clandestino que teve com o delator. No fim de semana, os meios de comunicação informaram sobre dúvidas levantadas por perícias. As perícias apresentadas levantam mais dúvidas do que as por elas mesmas levantadas. Nenhuma dessas dúvidas questiona o fundamental. O essencial – a prevaricação ao receber um suspeito de ter cometido uma capivara de delitos, o silêncio sobre a tentativa deste de calar Eduardo Cunha e a omissão diante da notícia de que o delator obstruiu a Justiça subornando dois juízes e um procurador – não foi explicado. A rádio CBN atestou que o truque usado por Joesley de manter na gravação a transmissão da emissora à entrada e à saída do Palácio do Jaburu, funcionou. E a eventual edição da fita não elimina outros deslizes.

Entre esses deslizes destaco a reunião fora da agenda, às 23 horas, o truque usado pelo interlocutor para entrar sem ter de passar pelos controles de portaria e ainda o uso pelo visitante do nome de um terceiro, Rodrigo, por sinal citado na conversa gravada. Isso, aliás, tornou possível ao delator entrar com aparelho para gravá-la. A ação controlada na entrega de propina a Rodrigo Loures na pizzaria Camelo poderia agravar sua situação se a Polícia Federal (PF) conseguisse informar o roteiro do dinheiro entregue. A Coluna do Estadão no fim de semana, no entanto, já levantava dúvidas a respeito do sucesso do rastreamento. E notícia mais recente deu conta do desaparecimento da mala do dinheiro.

A tática do segundo pronunciamento de Temer foi desqualificar o delator. O próprio Joesley confessou pertencer à organização criminosa que assaltou a República nos quatro desgovernos petistas. Temer participou de dois deles. E hoje é legítimo presidente, pois, se não o tivesse como vice, Dilma não teria sequer chegado ao segundo turno nos dois pleitos.

Se Temer só descobriu os podres do interlocutor depois que este gravou a tal conversa, estamos diante de uma absurda ingenuidade de um político veterano que já foi secretário de Segurança do maior Estado do País e presidente da Câmara dos Deputados. Ou seja, não condiz com a lógica dos fatos. Mas pior é ele não ter noção de que desqualificar o interlocutor automaticamente o desqualifica.

Os eufemismos que Temer usou não ajudam a tornar sua versão crível. Clandestino não quer dizer ilegal e lamúria não é sinônimo de delito. Joesley confessou muitos delitos e Temer não o contestou nem o recriminou nenhuma vez. Tampouco tomou atitude alguma. Poderia tê-lo denunciado. Por que não o fez? Agora ele tem o dever de confirmar que recebe rotineiramente jornalistas, empresários, trabalhadores e cidadãos comuns, divulgando sua agenda, pelo menos, do último mês.

Temer escorregou ainda ao dizer que Joesley criticou o governo. O delator, de forma desabusada e incorrendo em tráfico de influência, não criticou sua gestão, mas pediu autorização para pressionar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi empregado dele. Em vez de repreendê-lo e, depois expulsá-lo, autorizou-o a usar seu nome na pressão.

Ainda espero do presidente um laivo de lucidez, que, pelo visto, falta a quem está mais próximo dele para assessorá-lo neste momento crítico, seu ex-quase ministro da Justiça. Temer deve um pronunciamento submetido a perguntas de jornalistas, para corrigir os deslizes a que recorreu nos pronunciamentos sem perguntas. E, sobretudo, demitir os investigados que o cercam no palácio e ainda estão no seu governo. Mantendo-os, atesta que continua resistindo a se livrar dessa patota, o que, aliás, foi comprovado no número de vezes que se referiu a seu ex-secretário de governo afastado por suspeição, Geddel Vieira Lima.

Agora, como não acredito que ele tome essas providências, nem que os tucanos desçam do muro, nem que o DEM se desapegue do poder da hora, só resta esperar a decisão final do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Tudo isso seria menos traumático se Temer tivesse renunciado, mas, como não o fez e, assim, não facilitou o desenlace do imbróglio em que nos encalacrou, não adianta chorar peloo leite derramado. Teremos, pois, de aguardar o desfecho legal, a ser imposto pelas instituições.

Outra decisão importante será o julgamento da ação do PSDB contra a chapa Dilma-Temer na reeleição de 2014. E assegurar que a Constituição seja cumprida tanto no julgamento quanto na eventual sucessão. Tudo feito rigorosamente dentro da lei é o mínimo a esperar para evitar o caos.

E agora, Michel?


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