17 dezembro 2017 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE (CE)

FIM DE LINHA

O trem ligeiro de Braga para Lisboa partiu rigorosamente no horário marcado: 13h07. Como são pontuais os trens! Isso lá é horário de gente? Dois minutos antes, três depois e seria muito mais compreensível. Mas, a pontualidade dos trens sempre foi assim, quase irritante. Até parece que todos são ingleses. Qualquer minuto é igual, ganha solenidade. Inclusive esses quebrados.

Partiu sem apitos, sem aqueles velhos sinais que se perderam no tempo. Apenas uns sons pálidos imitando os antigos resfôlegos das locomotivas de outrora. Talvez do sistema de freios. Permanece apenas aquele tlec tlec seco, metálico das rodas em atrito com os trilhos. E o balanço que, garante a lenda, inspirou a música de Glenn Miller.

A velocidade descomunal chegava a 220 km/hora em alguns trechos do trajeto. O sistema de pendulação ativa permite aos comboios vencer curvas em altas velocidades, ao contrário dos trens convencionais. E ajuda a batizar o Alfa Pendular, serviço premium da Comboios de Portugal.

Porto, Vila Nova de Gaia, Aveiro e Coimbra vão marcando pontos principais no trajeto que oferece as paisagens características do deslumbrante ambiente das aldeias e freguesias portuguesas, repleto de uvas, azeitonas, verduras, ovelhas, vinícolas… E de uma gente simpática e acolhedora.

É preciso certa atenção na bilheteria da estação para driblar alguns desconfortos. Viajar de costas (metade dos passageiros de cada vagão) pode ser bem desagradável para quem sente enjoos. Ainda mais em horários de refeições.

É possível amenizar o problema comprando o bilhete da Classe Conforto, onde as poltronas são mais largas e apenas três por fileira, uma delas individual. Um arremedo das lendárias primeiras classes, onde também a metade viaja de costas. Mas, com bilhete mais caro e menos gente por vagão, diminuem as chances de surpresas desagradáveis.

Continua impressionante a secular capacidade dos cobradores de memorizar rostos, indispensável para a função de orientar o fluxo e comprovar o pagamento de quem entra e sai nas diversas estações do trajeto.

O cobrador de trinta e poucos anos parou ao lado da poltrona à frente da minha. O homem, que embarcara pouco antes, apresentou um bilhete diferente do meu, um papel bem maior. Comprado com o desconto garantido para quem atingiu determinada idade.

O rapaz pediu documento e comprovou a desconfiança: o passageiro tinha dois anos menos. Imediatamente, iniciou uma reprimenda elegante, mas definitiva. Ao final, foi taxativo: o homem teria de pagar mais quinze euros para completar o valor normal do bilhete. E alertou que aquele tipo de infração acarretava também uma multa de mais vinte e cinco euros que, excepcionalmente, decidira não cobrar.

Sem argumento, restou ao homem estender o cartão de crédito ao rapaz. Foi informado de que o pagamento dentro do trem só poderia ser feito em dinheiro. Verdade ou mentira, disse que não tinha. Se aquilo era um estratagema, a resposta veio irredutível: teria de descer na próxima estação e regularizar a situação na bilheteria, onde cartões eram aceitos. E que o tempo da parada era curto, deveria esperar o próximo comboio.

O passageiro, envergonhado, se desculpou – ali, eu estava inclinado a pagar por ele. O rapaz disse que não havia desculpas para aquela atitude, pois era uma infração cometida por arbítrio, já que a legislação era clara a respeito do direito a desconto. A palavra “arbítrio” soou alto no meu ouvido, como um apito de árbitro de futebol. O cartão amarelo era merecido. Para o homem e para mim. Escapei por um fio! O cobrador deu o assunto por encerrado com altivez e se afastou pelo corredor.

O homem tomou o celular e começou a explicar que chegaria atrasado ao compromisso em Lisboa. Na estação de Aveiro, pegou a pequena mala no bagageiro e desceu do vagão com rapidez, cabisbaixo. Lá adiante, o cobrador, implacável, dominava a cena. Exalava o ar de guardião das normas, de dever cumprido.

O trem voltou a se movimentar e vi o homem em pé na plataforma da estação, de novo ao telefone. Não havia tomado ainda nenhuma providência. Segui a próxima meia hora pensando naquele episódio cheio de variáveis.

Claro que havia ali uma questão humana inquietante. Talvez – e era bem provável – ele não tivesse dinheiro suficiente e tentou diminuir as despesas da viagem. E outra questão humana ainda mais inquietante: a prática do desrespeito às normas, inclusive lesando terceiros. Afinal, o desconto terminava sendo pago pelo governo – por todos.

Tentei me colocar no lugar daquele homem, interrompido pela humilhação que acabou atraindo por livre arbítrio. Comecei a me convencer de que estaria arrependido se tivesse pago a diferença do bilhete. Mesmo que recebesse de volta, não seria a melhor alternativa. Afinal, havia outros trens fazendo o mesmo trajeto. Não tão rápidos, não tão confortáveis. Bem mais baratos. Questão de escolha.

A viagem avançou para além daquela meia hora de meditação, a tarde caiu feito um viaduto e João Bosco entrou na minha cabeça tocando daquele jeito fabuloso. A maravilha que essas bugigangas eletrônicas conseguem ser de vez em quando! A internet do trem é perfeita. E gratuita, claro, incluída no preço do bilhete.

Mesmo já tendo tomado partido pelo cobrador, pensei naquele homem que desceu do trem lá atrás, quando ainda havia tarde. Fiquei na dúvida se ele se foi cedo ou tarde. Talvez sentido alguma dor, eu não sei, ele foi.

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança dança
Na corda bamba, de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Lisboa estava chegando e eu pude ir até o fim da linha. Fui o último a descer daquele trem. Rumei devagar pela plataforma, ficando para trás das pessoas apressadas que foram se distanciando cada vez mais e sumindo em diversas direções.

Tomei um café para ajudar a espantar o frio. Fiquei olhando as pessoas com seus gorros, sobretudos e cachecóis, indo e vindo no fluxo implacável da vida. Não senti saudade do sol de onde vim, o frio me faz bem.

Ajustei o cachecol, fechei os botões do sobretudo. Peguei o chapéu que havia pousado sobre o balcão. Troquei um sorriso breve com a balconista bonita – adorei a malícia daquele olhar – e fui embora pensando em nada. Desci as escadas, uma senhora me ajudou com a máquina de bilhetes, entrei no metrô e me assustei com o silêncio reinante. Ao menos, um pequeno grupo de estudantes riu de algum gracejo. E houve um abraço terno entre dois deles.

Nada mais belo que abraço sereno
E sabor de perdão
Ver a beleza
E em gesto pequeno ter a imensidão
Como espalhar por aí
Qualquer coisa que faça sorrir
Aquietar o silêncio das dores daqui

Não havia vivalma além de mim. Subi sozinho os longos lances de escadas rolantes da estação. Os azulejos dominavam o ambiente e havia muitas citações literárias ao longo do caminho. Atravessei a rua já enxergando o luminoso do meu hotel refletido no chão molhado pela chuva que caíra mais cedo.

Pensei no homem que desceu do trem antes da hora. Onde estaria agora? Era óbvio, sequer lembrava de mim, se é que me notou – e quase lhe paguei a diferença do bilhete, que teria resolvido tudo. Ou apenas errado junto.

Eu estava cansado. Um banho quente, uma sopa servida no quarto e me atirei na cama. Nem sei que tamanho teve a noite. A alegria estava anotada na agenda da manhã seguinte, trazida por uns amigos que estavam vindo de Madri. Haveria festa.

Trechos de:
O bêbado e a equilibrista (João Bosco-Aldir Blanc)
Mais bonito não há (Milton Nascimento-Tiago Iorc)

17 dezembro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

17 dezembro 2017 DEU NO JORNAL

PERSEGUIÇÃO LATRINO AMERICANA

Deputados do Peru apresentaram uma moção para iniciar o processo de impeachment do presidente Pedro Pablo Kuczynski por “permanente incapacidade moral”, por ter mentido sobre seus vínculos com a empreiteira brasileira Odebrecht..

Durante uma sessão especial, membros do Congresso deram aval para o processo continuar.

Kuczynski é proprietário de empresas de consultoria que receberam pagamentos ilícitos da empreiteira brasileira, em troca de favorecimentos para licitações no Peru.

A própria Odebrecht revelou que pagou, há mais de uma década, cerca de US$ 4,8 milhões a duas empresas de assessoria vinculadas ao presidente.

* * *

Ouvido pela reportagem do JBF, Lula declarou que o impeachment do presidente peruano é gorpi.

Que esta história de “vínculo com a Odebrecht” é besteira, pois ele mesmo Lula, fazia palestras pra Odebrecht a troco de cachês milionários e nunca teve vínculo algum com a empresa.

“Perguntem pro Ceguinho Teimoso que ele vai confirmar”, completou Lula.

O ex-presidente garantiu que esta putaria do parlamento peruano não passa de perseguição contra uma empresa que produz, trabalha e dá empregos.

Uma perseguição que encontra apoio na grande mídia reacionária e gorpista, afirmou Lula.

Por fim, não se deve impichar ou prender um governante “só porque ele roubou“, completou Lula.

“Fique tranquilis cumpanhero operaro: num vamo deixá as zelites darem gorpi na Odebrexa”

17 dezembro 2017 FULEIRAGEM

LUSCAR – CHARGE ONLINE

17 dezembro 2017 REPORTAGEM

NEGÓCIO SUSPEITO

Por conta de sua atuação controversa, Gilmar Mendes tem desagradado à direita e à esquerda

O Ministério Público do Mato Grosso está prestes a oferecer denúncia contra o ex-governador do Estado Silval Barbosa e outras quatro pessoas por atos de improbidade administrativa. Seria apenas mais um processo contra um ex-governador de Estado, preso por quase dois anos acusado de chefiar uma organização criminosa, se não envolvesse uma das figuras mais controvertidas da República, dono de um proeminente assento no Judiciário brasileiro: o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

A denúncia tem como base uma longa investigação, concluída pelo MP em novembro, sobre a aquisição de uma universidade particular pelo governo do Mato Grosso durante a gestão de Silval Barbosa. ISTOÉ teve acesso ao inquérito. Nele, o MP diz que a transação foi marcada por “práticas de ilícitos morais administrativos”. A instituição de ensino, localizada no pequeno município de Diamantino, foi fundada em 1999 por Gilmar Mendes e sua irmã, Maria da Conceição Mendes França. Os dois eram sócios no negócio. No ano seguinte, para poder assumir a Advocacia-Geral da União, Gilmar teve de repassar sua parte na sociedade à irmã. Em 2013, Maria da Conceição vendeu a instituição para a Unemat, a Universidade do Estado do Mato Grosso, por R$ 7,7 milhões. O governo adquiriu 100% da unidade, incluindo toda a estrutura de salas de aula, laboratórios e biblioteca dos quatro cursos de graduação (Direito, Administração, Educação Física e Enfermagem). E instalou ali o campus Diamantino da Unemat.

A investigação do MP

O diabo mora nos detalhes. A compra, segundo o MP, esteve eivada de irregularidades. Além da suspeita de superfaturamento, o negócio foi realizado com recursos extra-orçamentários do Estado e sem autorização da Assembleia Legislativa. A Promotoria apontou ainda falta de planejamento do governo na hora de efetivar a compra, ao lançar luz para a ausência de estruturação do corpo docente e para as condições precárias das instalações. Outra particularidade da venda da universidade que chamou a atenção do Ministério Público foi a diferença na metragem do terreno informada por Maria da Conceição em comparação com o estudo realizado por técnicos do governo. Segundo o MP, “a referida unidade de ensino foi previamente avaliada pela Coordenadoria de Avaliação de Imóveis com área total 164.852,49m2 e área construída de 5727,93m2 (4.967,93m2 edifício e 760m2 galpão). Porém, ao ofertar a referida unidade ao Estado, a sócia diretora da UNED, Maria da Conceição Mendes França, especificou metragem distinta, a saber: área total de 16.4852 ha e área construída de 7.565,21m2”. Inicialmente, Maria da Conceição chegou a oferecer o campus ao Estado por R$ 8,1 milhões, mas uma avaliação da Secretária de Administração apontou que o campus valia R$ 7,7 milhões, valor final do contrato. O decreto nº 1931 que selou o negócio foi assinado por Silval Barbosa em 13/09/2013.

Procurado pela reportagem da ISTOÉ, o ministro Gilmar Mendes confirmou que foi sócio da UNED até o ano 2000, quando assumiu a Advocacia-Geral da União, mas disse que não teve qualquer participação na venda da universidade. Em Brasília, no entanto, até as emas que circulam pelos jardins dos palácios sabem que é praxe no serviço público a transferência de propriedades para parentes somente para se enquadrar às imposições legais. Uma mera formalidade. Na prática, em geral, os antigos donos continuam a influir nos destinos das empresas. É o que os indícios apontam aqui nessa transação para lá de suspeita. Embora Maria da Conceição tenha sido formalmente a responsável legal pela celebração do negócio, é difícil crer que uma senhora de 63 anos, residente no interior do Mato Grosso, tivesse acesso direto ao governador de seu Estado a ponto de convencê-lo a comprar uma universidade particular deficitária, localizada em um município de apenas 21 mil habitantes. Pior quando o governador em questão é Silval Barbosa. Em 2015, depois de ser alvo de um mandado de busca e apreensão em sua casa, ele foi flagrado num grampo da Polícia Federal em conversas no mínimo impróprias com Gilmar Mendes. “Que absurdo isso. Um abraço aí de solidariedade”, afirmou o ministro do STF no diálogo telefônico. Em 2013, o próprio Gilmar resumiu assim sua relação com Silval: “Somos amigos de muitos anos, sempre temos conversas muito proveitosas”. Além dos laços estreitos com o ex-governador, a influência que o ministro Gilmar Mendes exerce até hoje no Mato Grosso é pública e notória. Numa das discussões mais acaloradas já vistas no Plenário do Supremo, em 2009, o ex-ministro Joaquim Barbosa usou esse argumento para atacar seu colega de Corte. “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”, disse Barbosa.

Outra importante questão que se impõe envolvendo a estatização da UNED é por que o Estado compraria uma universidade particular quando o mais comum é o caminho inverso, da privatização? No momento da aquisição da UNED, a Universidade do Estado do Mato Grosso já possuía 11 campus e estava em processo de compra de um 12º prédio. Depois desse negócio, a Unemat não adquiriu mais nenhuma instituição particular. Ou seja, tratou-se de uma compra sui generis – singularíssima, obviamente. No inquérito, o próprio Ministério Público concluiu que não havia previsão, por parte do governo, de expandir suas atividades para a região de Diamantino, o que levanta mais suspeitas sobre a compra. “Em nenhum momento se vislumbra um estudo a respeito do impacto na folha de pagamentos da Unemat, notadamente, ante a necessidade de realizar concurso público. Eis a razão pela qual o quadro de funcionários da instituição é majoritariamente integrado por funcionários contratados precariamente”, disse o promotor responsável pelo caso, Daniel Balan Zappia.

Chamada a prestar depoimento ao MP em agosto de 2016, a irmã de Gilmar Mendes negou as irregularidades. Alegou que sua universidade enfrentava dificuldades financeiras, devido à inadimplência dos alunos. Eram cerca de 900 alunos em 2013. Na investigação, porém, o MP revelou a prática de ilícitos. A promotoria ainda não decidiu como irá enquadrar a irmã do ministro do Supremo, mas a principal ponta do outro lado do balcão, o ex-governador Silval Barbosa, será denunciado com base em três artigos da Lei de Improbidade Administrativa.

O MP não descarta a ligação entre a estatização da universidade de Diamantino e a contratação do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) – por coincidência, de propriedade de Gilmar Mendes – para realização de um concurso público a fim de recrutar 430 servidores à Assembleia Legislativa do Estado. O edital também foi alvo de investigação pelo Ministério Público. O IDP é outra incursão do ministro Gilmar Mendes no mundo acadêmico e que também já levantou uma série de suspeitas.

Fundado em 1998 em Brasília, o IDP oferece cursos, presenciais e à distância, de graduação, extensão, especialização e mestrado nas áreas de Direito e Administração Pública. Gilmar Mendes é um dos sócio-fundadores do Instituto. Desde sua fundação, a instituição de ensino está rodeada de polêmicas. Uma delas é justamente a atuação de Mendes no IDP enquanto ministro do STF. Fala-se em conflito ético. Entre 2003 e 2008, o IDP fechou convênios de pelo menos R$ 1,6 milhão, incluindo com órgãos do governo federal, sem licitação. Neste ano, a Lava Jato descobriu que o Instituto recebeu R$ 2,1 milhões do grupo J&F, holding que controla a JBS, como patrocínio para cinco eventos.

O empresário Jacob Barata Filho foi solto três vezes por Gilmar Mendes, seu padrinho de casamento

Holofotes Agora enredado em mais uma suspeita, Gilmar Mendes durante muito tempo despontava como um integrante da ala técnica do STF, junto com outros ministros, como Celso de Mello e Ayres Britto. A formação de Gilmar sempre foi muito respeitada. De repente, porém, não se sabe exatamente porque, o ministro abandonou a liturgia da toga e passou a buscar a luz dos holofotes a todo custo. Começou a opinar sobre todos os assuntos de interesse do País. E habituou-se a manter discussões ásperas com colegas de STF. Invariavelmente suas posições vão contra os anseios da população em acabar com a impunidade contra políticos e poderosos. Com seus votos inflamados, Gilmar Mendes tornou-se uma figura controversa e impopular.

Entre as polêmicas recentes do ministro, estão votos pela soltura do empresário Eike Batista, o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado Eduardo Cunha. Gilmar também destila críticas às investigações da Lava Jato, disse que as prisões em Curitiba “se alongaram demais”, e agora, em mais um gesto contrário aos interesses da sociedade, quer revisar um entendimento do próprio STF que permite a execução da pena após confirmação da sentença em segunda instância. A medida beneficiaria diretamente condenados poderosos. Mas a decisão mais vulnerável de Gilmar envolve o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como o “rei do ônibus” no Rio de Janeiro. Ele foi preso três vezes, e em todas elas, foi solto graças a habeas corpus da lavra de Gilmar. Acontece que o ministro foi padrinho de casamento da filha de Barata em 2013. Há relação de proximidade entre investigado e juiz. Existe um problema de ordem ética. Não aos olhos de Gilmar. Ele não vê conflito de interesse e nem se declarou impedido de julgar os casos de Barata Filho. Diz que o fato de ser padrinho de casamento não significa intimidade.

Em outubro deste ano, durante bate-boca acalorado com o ministro Luís Roberto Barroso, Gilmar foi encurralado: ouviu de seu colega de Tribunal que é um juiz que “destila ódio e muda a jurisprudência de acordo com o réu”. Barroso recomendou que Gilmar ouvisse uma música de Chico Buarque, que diz: “a raiva é filha do medo e mãe da covardia”. Faz sentido. Gilmar precisa ouvir mais os apelos das ruas, pois hoje é uma das poucas unanimidades num País dividido: ele consegue provocar reações de desagrado à direita e à esquerda.

Transcrito da revista IstoÉ

17 dezembro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

TATUAGENS E POLE DANCE

Dentre as incontáveis bobagens propagadas pelo socialismo, creio que a pior de todas seja a insistência em querer que todos os seres humanos tenham um padrão de vida igual. Se algum dia, só para efeito de raciocínio, esta miragem for alcançada, no dia seguinte já haverão alguns que terão se despojado de sua parte em troca de coisas menos valiosas, seja por que motivo for. Assim, alguns mais espertos já estarão melhor aquinhoados que os pobres, despreparados para a vida, que se desfizeram de suas parcelas.

Acompanhamos este processo, com nossos próprios olhos, em uma região de Pernambuco que foi dividida em pequenos lotes de 10 Hectares e doados aos produtores rurais, como forma de realizar a famigerada “Reforma Agrária”. Em pouquíssimo tempo, a vasta maioria se encontrava na mais absoluta miséria. Moravam em taperas de adobe, cheios de filhos, famélicos, remelentos e cheios de lumbrigas, sua única produção era derrubar uma árvore da mata de vez em quando para fazer carvão e vender. Não plantavam nada. Com o apurado do carvão, compravam sal, pólvora para a espingarda soca-soca, a fim de caçar o bicho que lhes aparecesse, e a indefectível cachaça.

Ocorre que um dos lotes terminou nas mãos de uma família de japoneses. Estes começavam a trabalhar no campo ao nascer do sol. Lá pelas 10 ou 11 horas, quando o sol esquentava, se recolhiam à residência , modesta mas impecavelmente limpa, para almoçar. Produziam hortaliças de altíssima qualidade e frutas de alto valor de mercado, como maracujá. Para encurtar a estória, em pouco tempo os japoneses compraram mais umas quatro ou cinco propriedades vizinhas, tinham uma casa linda, automóvel e um tratorzinho que era pau para toda obra: Preparava a terra, acionava a bomba de irrigação, puxava a carreta para coletar a colheita e levava a produção para ser comercializada na feira. Essa divisão entre pobre e ricos às vezes se deu, na maioria das vezes ao longo da história, como consequência das guerras. Como dizia Machado de Assis: “Ao vencedor as batatas”!

A divisão entre ricos e pobre se torna tão marcante que se reflete de forma vigorosa nas línguas faladas. A língua grega, desde as suas mais remotas origens, está dividida entre o Grego Clássico, utilizado por Homero na Ilíada e na Odisseia, e que até hoje pode muito bem ser compreendido, e o grego “Demócrito”, falado pela população em geral. A divisão é tão marcante que fez-se necessária uma legislação autorizando o uso do Demócrito em documentos oficiais daquele país. É mais ou menos o que está sendo feito de forma consuetudinária em nosso país.

Já a língua Latina, dividiu-se entre o Latim Clássico e a “Vulgata”, normalmente falado pela soldadesca e suas famílias, oriundas da miscigenação com as belas “bárbaras” dos povos conquistados. Foi assim que teve origem toda a família de línguas neo-latinas. O Português guarda resquícios das duas versões. Palavras como trabalhar (Vulgata) e laborar (Latim Clássico) convivem sem nenhum problema.

Outro exemplo bem interessante é a língua inglesa moderna. A mesma é um híbrido entre o Bretão, língua neo-latina falada no norte da França (Bretanha), e o Saxão, proto-alemão falado a Leste daquele país, e que também havia migrado anteriormente para a ilha britânica. A mistura das duas línguas se deu após a bem sucedida invasão da ilha por Guilherme, o Conquistador, após a batalha de Hastings, em janeiro de 1066. A partir da conquista normanda, a língua usual na corte inglesa passou a ser o Normando (ou Bretão), enquanto o povo falava o saxão. Da mistura dessas duas, surgiu o inglês moderno. Esta é a razão porque a maioria das palavras inglesas possuem uma similar originada na outra língua. A palavra “Pork”, de origem latina, é usualmente utilizada para representar a comida na mesa (Pork´s meat). Já para o animal vivo, a palavra “Pig” ou “Hog” utilizada é saxã. Isto se explica porque o saxão (pobre) criava o animal, enquanto o nobre bretão (Rico) é quem comia a iguaria preparada. Esta é a razão pela qual é de péssimo gosto chamar a comida pelo nome do animal vivo, normalmente em saxão, devendo ser sempre utilizada a palavra francesa. A vingança dos pobres, nesta questão da comida, foi ótima!

Utilizaram tamanha criatividade no aproveitamento das partes dos animais que lhes eram destinadas, que os pratos com elas preparados ficaram muito mais gostosos que os pratos dos ricos, feitos a partir das partes mais nobres dos animais. Os exemplos abundam:

Começamos citando a nossa tão querida feijoada, filha direta do tradicional “Cassoullet” francês. Esta é feita a partir de um simples feijão cozido, acrescido de orelhas, rabos, tripas e pés de porco, partes menos nobres do animal e que os ricos rejeitaram, bem como o que mais der vontade de acrescentar e que esteja disponível para o cozinheiro. O resultado ficou tão gostoso que virou o prato nacional por excelência.

“Cassoulet” francês e a rainha inconteste das mesas brasileiras – a deliciosa feijoada

O mesmo se deu em diferentes regiões do globo. Aos camponeses chineses, para quem só sobravam os pés das galinhas abatidas para os ricos, estes se transformaram na iguaria predileta do povo chinês. Já na Romênia, bem como no Piauí, o prato típico é um cozinhado de vísceras de boi que a mim só causa repugnância. Chamam a esta gororoba de “Panelada”. Eles adoram! O mesmo se dá com a abjeta “Buchada de Bode”, louvada em proza e verso pelos nordestinos. Todos menos eu!

Pés de galinha apimentados, panelada e buchada de bode. Vão encarar?

No caso inglês, a víscera que subiu ao podium foi o rim, na horrível Torta de Rim, ou “Kidney Pie”. Já os casos da Espanha e da Itália são muito mais palatáveis. A Espanha, com sua maravilhosa Paella (mistureba de arroz com tudo o que sobrou de Frutos do mar), e a Itália, com a nunca suficientemente louvada Pizza: um grande pão árabe coberto com qualquer coisa que se tenha à mão no momento.

A intragável “Kidney Pie”, juntamente com a deslumbrante Paella e a deliciosa Pizza

Este enobrecimento de criações populares se estendeu também ao campo musical. Obras de origem até marginal, como o tango argentino, as músicas ciganas e as canções napolitanas, são detentoras de tão elevado grau de sentimento e arte que, com o passar dos anos, ascenderam à condição de “erudito”. Os melhores exemplos são as Rapsódias Húngaras, de Lizt e de Brahms, assim como canções como “O Sole Mio” e “Torna a Soriento”.

Já o que vem ocorrendo nos nossos dias, impulsionado por um tsunami avassalador de ideologia marxista, é exatamente o oposto daquilo que ocorreu ao longo de toda a história da humanidade: Ao invés de estarem sendo enobrecidas as criações da camada mais modesta da população, está sendo degradada a camada da população que (supostamente) deveria ser a detentora de maior requinte e erudição. Em suma: O mundo, e muito especialmente o Brasil, está se esvaindo em bosta.

Alguns sintomas candentes deste embrutecimento dazelites:

– Estética Grunge – Calças sem cinturão, folgadas, rasgadas, escorregando e aparecendo o rego da bunda

– Auto-mutilação – Piercings e tatuagens cujo único objetivo é chocar quem vê.

– Músicas – Semelhantes a tambores de macumba e com temática digna de putas.

– Pole Dance – A dança praticada pelas putas, se arreganhando para atrair freguês, virou dança de salão

– O mundo gay – O que antes era um desvio (quando muito) tolerável, virou norma impositiva. Não pode nem falar que não gosta que dá cadeia.

– Padrões de comportamento – Atitudes, hoje consideradas “normais” (ou opção individual), antes não eram aceitas nem em cabarés de 5ª categoria.

Estou começando a achar que já vivi demais!

17 dezembro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

RAY CONNIFF – ORQUESTRA E CORAL

Em 1999, aos 82 anos, Ray Conniff com a sua Orquestra e Coral se apresentaram no Parque Villa Lobos em São Paulo. Deste show extraímos as músicas: “Pense em mim“, “Estou apaixonado” e “Festa de Rodeio“. Ray viria a falecer em 2002, aos 85 anos.

16 dezembro 2017 FULEIRAGEM

NCOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

16 dezembro 2017 JOSIAS DE SOUZA

CANDIDATO CONDENADO NÃO EXISTIRIA SEM O ELEITOR

16 dezembro 2017 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU (SP)

GUERRILHEIRO DE FESTIM

José Dirceu promete comandar a revolta popular em Porto Alegre contra a condenação de Lula refugiado no seu apartamento em Brasília a 2 mil km de distância

“A hora é de ação, não de palavra. De transformar a fúria, a revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate. Todos em Porto Alegre no dia 24, o dia da revolta. É hora de denunciar, desmascarar e combater a fraude jurídica e o golpe político”.

José Dirceu, guerrilheiro de festim, prometendo ir à luta em defesa de Lula com a mesma fúria, revolta, indignação, ódio e energia com que se entrincheirou atrás da máquina registradora do Magazine do Homem, em Cruzeiro do Oeste, esperando obedientemente a decretação da anistia depois que voltou do exílio no fim dos anos 70.

16 dezembro 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

16 dezembro 2017 DEU NO JORNAL

LIGAÇÕES PERIGOSAS

16 dezembro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

CANGACEIRO

16 dezembro 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

A RESPOSTA DO JECA TATU


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa