7 abril 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

7 abril 2017 DEU NO JORNAL

SUGESTÃO

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, foi preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal.

A prisão faz parte das ações da operação Águas Claras, que apura um esquema de desvio de recursos públicos repassados à CBDA, envolvendo dirigentes do órgão e empresários.

* * *

O nome da operação, “Águas Claras”, tem tudo a ver com o guabiru, que é presidente de uma entidade que cuida de desportos aquáticos e que estava roubando dinheiro público.

A Polícia Federal está especializada (além de prender corruptos…) em criar interessantes nomes pras suas operações.

Vou enviar à PF uma sugestão pra dar nome à operação que vai prender Lula em breve.

Poderia ser chamada de “Águas Sujas”.

Ou “Águas Petroladas”.

Ou, ainda, “Água de Peroba”.

Qualquer uma destas dará certinho com o nosso umedecido Lapa de Corrupto.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

AUTO REFLEXÃO

Mote:

Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Autor: Poeta Zé Bezerra (Clube do Repente)

Glosas do colunista

Sou eu mesmo o autor da minha história
Construida aos poucos, passo a passo
Se o futuro me reservar fracasso
Ou um porvir loureado pela glória
Estará preservado na memória
Que a mim não faltou coragem e tino
Se tornei-me pacato ou ferino
Fui eu mesmo criador e criatura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

Se o que fiz é motivo de louvores
Se as ações foram dignas e corretas
Se cumpri com meus planos, minhas metas
Os meus sonhos foram meus condutores
Meus princípios, meus idealizadores
Minha marca, meu jeito de menino
Persistência como a de Severino
Com a crença na paz que tudo cura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Quando eu erro é tentando acertar
Mas o erro me serve de lição
Aprendi a também pedir perdão
Ao irmão que aceita perdoar
Minha escola me ensina a admirar
A bravura do povo nordestino
Que suporta sem medo o sol a pino
E extrai toda força da quentura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino

“Forest Gump” não narra meu roteiro
Pois eu sei que pra mim “a vida é bela”
O meu conto não é de “cinderela”
Mas do riso e do drama tem o cheiro
Se pergunto “o que é isso companheiro?”
É porque pela causa eu me atino
Pois no oscar da vida eu tiro um fino
No cinema da minha desventura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

Com Raul aprendi “tente outra vez”
Com Baleiro “você só pensa em grana”
No forró o meu idolo é Santanna
E a rainha se chama Marinês
Zé Ramalho cantando já me fez
Perceber “Avohai” como seu hino
Com música de Chico eu me fascino
Vendo a vida com os olhos da cultura
Eu escrevo na minha partitura
O concerto que narra meu destino.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

MORO ESTICA A MERECIDA TEMPORADA DE ANDRÉ VARGAS NA CADEIA

O deputado gatuno que sonhava com a presidência da Câmara perdeu a vergonha, o mandato, a carteirinha do PT e a liberdade

O deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, repetindo gesto dos mensaleiros presos

Eleito deputado federal em 2006, reeleito em 2010 por milhares de paranaenses irresponsáveis, o companheiro André Vargas entrou para a história da Câmara no mesmo instante em que dali saiu: num Congresso que lembra uma Papuda sem grades, ter o mandato cassado por falta de decoro equivale a ser expulso do hospício por excesso de loucura – e por decisão dos demais malucos. O despejo consumado em 10 de dezembro daquele delirante 2014 reafirmou que o meliante em ascensão na seita de Lula era uma abjeção sem similares.

Onze meses antes, ao assumir a vice-presidência, ele já decidira chegar ao comando da Câmara pela rota da cafajestagem. Ao debochar do ministro Joaquim Barbosa na sessão de abertura do ano legislativo, tornou-se o primeiro parlamentar a ofender publicamente um chefe do Poder Judiciário. Ele seria o primeiro deputado a fazer companhia ao sócio Alberto Youssef no noticiário político-policial. E logo se transformou no primeiro figurão do PT defenestrado por um partido que absolve até ladrões capturados no interior do cofre com a gazua na mão.

O paranaense falastrão entrara em 2014 convencido de que festejaria o réveillon como candidato imbatível à presidência da Câmara. Começou 2015 desempregado e tentando escapar da candidatura (apoiada com entusiasmo pela Polícia Federal) a uma cela coletiva. Não conseguiu uma coisa nem outra. Em abril, ainda chapinhando na vadiagem, foi preso na 11ª fase da Lava Jato, batizada de “A Origem” numa justa homenagem ao primeiro parlamentar flagrado em suspeitíssimas conversas telefônicas com doleiro Youssef.

Em setembro de 2015, o juiz Sérgio Moro condenou Vargas a 14 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Uma fartura de provas demonstrou que o vice-presidente da Câmara embolsou propinas de bom tamanho agenciando contratos de publicidade com a Caixa Econômica e o Ministério da Saúde. Nesta quinta-feira, Moro voltou a condenar o gatuno sem remédio – agora a quatro anos e meio de prisão por lavagem de dinheiro. Vai cumprir a etapa inicial da pena em regime fechado.

Na abertura do ano legislativo de 2014, André Vargas posou para os fotógrafos com um sorriso triunfante, braços erguidos (como convém a guerreiros do povo brasileiro) e punhos cerrados a centímetros da cabeça de Joaquim Barbosa. O espetáculo do cinismo facilitou o trabalho da polícia, dispensada de medir-lhe o tamanho do traje e a circunferência dos pulsos. Bastou um atento exame das fotos para a confecção do uniforme de presidiário e das algemas personalizadas.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

7 abril 2017 DEU NO JORNAL

BEBA SEM MODERAÇÃO

O brasileiro Jorge Paulo Lemann é o homem mais rico do Brasil e o 22º mais rico do mundo, segundo a revista “Forbes“.

Do ano passado para cá, a fortuna de Lemann aumentou US$ 1,4 bilhão, atingindo US$ 29,2 bilhões, calcula a publicação.

Isso representa um ganho de US$ 3,836 milhões por dia, ou US$ 159.817 por hora durante um ano. 

Considerando a cotação do dólar nesta quarta-feira (R$ 3,115), a fortuna de Lemann aumentou R$ 497.831 a cada hora no último ano.

Ex-jogador profissional de tênis, Lemann é sócio da empresa de investimentos 3G Capital Partners, que possui marcas como Budweiser, Burger King e Heinz.

No Brasil, ele tem participação na Ambev, fabricante de cervejas como Brahma, Skol e Antarctica.

* * *

Para um cabra que ganha quase 500 mil reais POR HORA, fazer doação de uns míseros trocados para esta gazeta em petição de miséria, é um gesto de tocante caridade e de saudável grandeza.

Ajude nóis, Seu Lemann, o sinhô que é um galêgo tão bunito e simpático!

Deposite uma merrequinha na nossa conta.

Pelo menos um troco que dê pra pagar os salários atrasados e o décimo terceiro de Chupicleide, secretária de redação do JBF.

E que sobre ainda uns tostões pra gente pagar as contas atrasadas.

Se o sinhô fizer isto, eu prometo que o Complexo Midiático Besta Fubana fará uma campanha publicitária como nunca se viu antes, divulgando pra Banânia e pro mundo as excelências das cervejas Skol, Brahma e Antarctica.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

7 abril 2017 JOSIAS DE SOUZA

AUTOR DO ENREDO, PT ODEIA FILME SOBRE LAVA JATO

Presenciei dias atrás uma cena curiosa. Apaixonado pelo PT, um professor de ciência política convidou-me para visitar uma de suas classes. Pediu-me que fizesse um contraponto à aula que havia preparado sobre a “criminalização das forças de esquerda no Brasil”. Ao chegarmos, havia um grupo de estudantes ao redor de um computador. Na tela, uma animação com cenas de prisões e depoimentos de enroscados na Lava Jato. O professor indagou: “Vocês fizeram esse vídeo.” E o dono do lap-top: “Não, foram vocês que fizeram.” Achei que minha presença era desnecessária. O professor já dispunha do seu contraponto.

Petistas e simpatizantes têm a mania de olhar com distanciamento típico dos scholars os escândalos produzidos sob Lula e alimentados sob Dilma. Os deputados petistas Paulo Pimenta, Wadih Damous e Paulo Teixeira, por exemplo, preparam uma representação a ser protocalada na Procuradoria da República contra agentes da Polícia Federal e o juiz Sergio Moro. Acusam-nos de ceder armas, uniformes, carros e aeronaves da PF para a produção do filme ”Polícia Federal – A Lei É para Todos”, com estreia prevista para julho.

A iniciativa dos deputados pode ser útil. Transparência nunca é demais. Entretanto, Pimenta, Damous e Teixeira talvez fizessem um bem a si mesmos se desperdiçassem um naco de tempo para fazer uma introspecção. Levando a experiência a sério, cada um deles talvez passasse a enxergar no espelho a imagem de um omisso. Indo mais fundo no processo de auto-exame, os parlamentares verão materializar-se diante de seus olhos uma obviedade: os escândalos dignos de filmes não surgem por geração espontânea. Eles nascem da perversão.

Os deputados talvez percebam que, além da representação contra os servidores-amigos do filme sobre a Lava Jato, a realidade exige deles uma outra atitude. Um gesto consciente e, a essa altura, já meio tardio. No caso do PT, a conjuntura já não admite que os filiados se mantenham exilados no conforto de sua omissão política. A cena intima-os a reagir. O primeiro passo é o abandono da cômoda e tola retórica de que o problema do PT são os outros.

O segundo passo é a caída em si, a descoberta de que o problema não é o filme sobre a Lava Jato, mas o enredo que inspira a filmagem. Prestes a renovar sua direção, o PT está em ebulição. O momento parece propício para uma rediscussão de certas práticas. Há sempre a alternativa de lavar as mãos e continuar detestando o filme que ainda não chegou às telas. Se preferirem esse caminho, os deputados não devem reclamar quando alguém lhes disser: “Foram vocês que fizeram!”

* * *

7 abril 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

COUNTRY GOES ON – THE MIDNIGHT RAMBLERS

Este LP foi lançado em 1981 e alguns dos componentes desse conjunto eram o Chrystian, da dupla Chrystian e Ralf, Sérgio Sá que nos anos 70 gravou em inglês sob o nome de Paul Bryan, Hélio Costa Manso que usava o nome de Steve McLean, Vivian Costa Manso que fez parte do grupo “Harmony Cats”, Ângelo Apolônio, o multi instrumentista, Poly, além de outros que faziam parte do grupo “Sunday” que fez sucesso com a música “I´m gonna get married”.

Todos brasileiros com altíssima qualidade nos arranjos, na instrumentação e nos vocais, interpretando o melhor da música caipira americana.Todas as faixas são pout-pourri.

* * *

01 – Country Goes On

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02 – And The Devil Went Down To The Country Music

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03 – Sweet Memories

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04 – Duelin´ Songs

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05 – Like In The Good Old Western Days

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06 – I Can´t Stop Singin´ These Songs

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07 – Country Music Is Knockin´ Your Door

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7 abril 2017 FULEIRAGEM

ALPINO – YAHOO NOTÍCIAS

7 abril 2017 A PALAVRA DO EDITOR

PESQUISA FUBÂNICA

O Data Besta informa os números finais da última pesquisa.

Grato a todos os 264 leitores que participaram desta que é mais uma inutilidade do jornal mais escroto de Banânia.

A próxima tá vindo por aí.

Um excelente final de semana pra todos vocês!

7 abril 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

7 abril 2017 DEU NO JORNAL

LULISMO PRECISA SER DERROTADO NAS URNAS, DIZ SOCIÓLOGO DE ESQUERDA

Rodrigo Constantino

Demétrio Magnoli escreve em sua coluna de ontem na Gazeta do Povo (leia na postagem seguinte) que o juiz Sergio Moro não deveria correr com o processo contra o ex-presidente Lula, pois o melhor para o país seria o lulismo ser derrotado nas urnas. Ainda há uma parcela da população que flerta com esse esquerdismo ultrapassado, e impedir que esse projeto concorra em 2018 seria um erro, segundo o sociólogo. Ele conclui:

Lula é um pragmático, não um ideólogo. A utopia política de Lula resume-se ao poder de Lula – como sabem perfeitamente os quadros petistas e até mesmo os signatários do manifesto pela sua candidatura. Contudo, as circunstâncias e os acidentes históricos preencheram o seu pragmatismo com uma série de marcadores ideológicos. Lula converteu-se em representação de um Brasil que se recusa a romper com o passado e de uma esquerda hipnotizada por utopias regressivas de segunda mão. É por isso que o Brasil precisa de Lula – não como presidente, mas como candidato.

O ciclo lulista começou com um maiúsculo triunfo eleitoral que parecia, aos olhos da maioria, inaugurar uma era redentora. A curva de declínio, nos mandatos de Dilma, completada pela implosão do impeachment, atestou uma falência política de fundo. Na depressão econômica, de proporções inéditas, e na desmoralização das instituições públicas, envenenadas pela corrupção, encontram-se os frutos maduros da longa experiência lulopetista. Contudo, como revelam as sondagens eleitorais, a queda drenou apenas parcialmente o pântano das ilusões. O Brasil não se livrará delas enquanto não tiver a oportunidade de confrontá-las na arena do voto.

Ninguém tem o privilégio de pairar acima da lei. Lula não deve ter prerrogativas negadas a Marcelo Odebrecht, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha. O papel desempenhado por ele nas teias de corrupção do “Estado-Odebrecht” precisa ser examinado pelos tribunais. Os juízes, espera-se, terão a coragem de ignorar a programada intimidação de hordas de militantes, julgando o ex-presidente segundo os códigos legais. Mas não há necessidade de apressar os ritos processuais, normalmente tão vagarosos.

Não corra, Moro! Não tome o lugar dos eleitores, salvando-nos de nós mesmos. Um Lula “ficha-suja” ofereceria ao lulismo um santuário inexpugnável. O Brasil precisa, enfim, mirar-se no espelho. Inexiste saída fora da política: aquilo que começou numa eleição só terminará em outra.

Entendo a posição de Demétrio, mas não sei se concordo. Primeiro, porque sempre haverá um Lula disputando eleições no Brasil, seja ele, seja um genérico similar, como Marina Silva, Ciro Gomes ou Marcelo Freixo. A extrema-esquerda tem seu lugar garantido por alguns anos ainda, pois a ignorância campeia em nosso país, e os “intelectuais” dominaram a educação e abusam da lavagem cerebral. As utopias socialistas ainda não foram completamente enterradas no Brasil, país que adora uma ideologia vencida.

Segundo, porque acho que Lula preso, a despeito do espetáculo de vitimismo que veremos pela turba organizada, tem um papel pedagógico ainda mais importante para a nação: nem mesmo os poderosos populistas estão livres da lei. Um Lula preso – e já deveria estar preso – transmite uma fundamental mensagem de “império das leis”, que o país tanto necessita.

Por fim, porque nunca subestimo a estupidez do povo. Em 2005, a estratégia era deixar Lula sangrar com o mensalão, e deu no que deu. Acho que Lula perderia em 2018 se fosse candidato, e acho que isso seria muito bom para nosso futuro, para desmistificar de vez o embusteiro demagogo. Mas e se “der ruim”? E se os idiotas se mostrarem novamente em maior quantidade e caírem na ladainha de que tudo foi culpa de Dilma, e que seu criador não teve responsabilidade alguma na catástrofe?

Melhor não brincar com essa possibilidade. O Brasil seria a Venezuela. O lugar de Lula é na cadeia. E alguém com seu currículo sequer deveria disputar eleições. Ou vamos rasgar a importante conquista da Ficha Limpa?

7 abril 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

7 abril 2017 DEU NO JORNAL

NÃO CORRA, MORO!

Demétrio Magnoli

Uma nuvem paira sobre Lula. No início de maio, o ex-presidente prestará depoimento perante Sérgio Moro, num dos processos por corrupção que ameaçam sua elegibilidade. As delações da Odebrecht, acompanhadas por uma extensa coleção de evidências materiais, apontam o rumo da condenação – que, caso confirmada a tempo na segunda instância, o tornaria um “ficha- suja”.

Nessa hipótese, a urna eletrônica de 2018 não conteria o nome que aparece como favorito nas sondagens atuais. Não corra, Moro: o Brasil precisa da candidatura de Lula.

A candidatura foi lançada, em março, por meio de um manifesto encomendado aos “intelectuais de esquerda” de sempre. Nele, figuras como Chico Buarque, Leonardo Boff, Fernando de Morais e Fábio Konder Comparato oferecem três motivos pelos quais a nação precisaria de Lula:

1) “ainda é preciso incluir muita gente e reincluir aqueles que foram banidos outra vez”;

2) “é fundamental para o futuro do Brasil assegurar a soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas”;

3) “o país deve voltar a ter um papel ativo no cenário internacional”.

De fato, as políticas que estão atrás das sentenças propagandísticas subscritas pelos “intelectuais de esquerda” formam parte dos motivos para os brasileiros rejeitarem um novo mandato lulista.

A chamada “inclusão social” promovida nos mandatos do lulopetismo nunca passou de uma política de estímulo ao consumo privado, pelas vias de aumentos do salário-mínimo e das aposentadorias, transferências estatais de renda e expansão do crédito pessoal.

A esquerda entrincheirada nessas políticas sociais desistiu de suas utopias desastrosas (socialismo), mas não aderiu à utopia possível da inclusão por meio do desenvolvimento econômico (produtividade) e da qualificação dos direitos sociais (educação, transportes, reforma urbana). De mais a mais, a “idade de ouro” do lulopetismo apoiou-se numa singular conjuntura internacional, que não se repetirá. O Brasil precisa da candidatura de Lula para derrotar, pelo voto, a fé anacrônica no paternalismo estatal.

Sob Lula e Dilma, a “soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas” significou a montagem de um capitalismo de Estado organizado como aliança das empresas estatais com conglomerados privados de “amigos do rei”. No fim do arco-íris, em meio à paisagem de ruínas formada pelo colapso financeiro da Petrobras, da Eletrobras e da Caixa Econômica Federal, sobrou o maior escândalo de corrupção registrado na história brasileira.

A esquerda pós-socialista elegeu, como utopia substituta, o “Estado-Odebrecht”. Mas ele também não pode ser plenamente restaurado, pois sua versão original devastou os balanços financeiros das estatais e reduziu a capacidade do poder público de subsidiar o alto empresariado. O Brasil precisa da candidatura de Lula para derrotar, nas urnas, a crença nas virtudes do capitalismo de compadrio.

Nos governos lulistas, o “papel ativo” do Brasil no cenário internacional materializou-se, principalmente, na fracassada obsessão por uma cadeira de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU e na aliança com o castrismo, o chavismo e o kirchnerismo.

A opção preferencial por regimes autoritários manifestou-se pelo perene apoio diplomático a Havana e Caracas. Lula evidenciou seu desprezo pelas liberdades ao deportar os pugilistas cubanos, ao qualificar os presos políticos de Cuba como presos comuns e ao silenciar sobre o encarceramento de opositores na Venezuela.

A esquerda que clama pela volta do ex-presidente abdicou do sistema econômico socialista, mas continua seduzida pelo monopólio do poder por um “partido dirigente”. A catástrofe venezuelana não merece uma linha de protesto dos fabricantes de manifestos. O Brasil precisa da candidatura de Lula para derrotar, no debate eleitoral, o conceito de que só merecem repúdio as ditaduras de direita.

Lula é um pragmático, não um ideólogo. A utopia política de Lula resume-se ao poder de Lula – como sabem perfeitamente os quadros petistas e até mesmo os signatários do manifesto pela sua candidatura. Contudo, as circunstâncias e os acidentes históricos preencheram o seu pragmatismo com uma série de marcadores ideológicos. Lula converteu-se em representação de um Brasil que se recusa a romper com o passado e de uma esquerda hipnotizada por utopias regressivas de segunda mão. É por isso que o Brasil precisa de Lula – não como presidente, mas como candidato.

O ciclo lulista começou com um maiúsculo triunfo eleitoral que parecia, aos olhos da maioria, inaugurar uma era redentora. A curva de declínio, nos mandatos de Dilma, completada pela implosão do impeachment, atestou uma falência política de fundo.

Na depressão econômica, de proporções inéditas, e na desmoralização das instituições públicas, envenenadas pela corrupção, encontram-se os frutos maduros da longa experiência lulopetista. Contudo, como revelam as sondagens eleitorais, a queda drenou apenas parcialmente o pântano das ilusões. O Brasil não se livrará delas enquanto não tiver a oportunidade de confrontá-las na arena do voto.

Ninguém tem o privilégio de pairar acima da lei. Lula não deve ter prerrogativas negadas a Marcelo Odebrecht, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha. O papel desempenhado por ele nas teias de corrupção do “Estado-Odebrecht” precisa ser examinado pelos tribunais.

Os juízes, espera-se, terão a coragem de ignorar a programada intimidação de hordas de militantes, julgando o ex-presidente segundo os códigos legais. Mas não há necessidade de apressar os ritos processuais, normalmente tão vagarosos.

Não corra, Moro! Não tome o lugar dos eleitores, salvando-nos de nós mesmos. Um Lula “ficha-suja” ofereceria ao lulismo um santuário inexpugnável. O Brasil precisa, enfim, mirar-se no espelho. Inexiste saída fora da política: aquilo que começou numa eleição só terminará em outra.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

7 abril 2017 DEU NO JORNAL

MAIS UMA INJUSTIÇA

O Ministério Público Federal pediu a condenação do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira pelos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro.

O pedido foi feito nas 230 páginas das alegações finais apresentadas pelos procuradores na ação penal em que ele é réu por desvios de dinheiro nas obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras, o Novo Cenpes, no Rio.

Paulo Ferreira assumiu a tesouraria do partido em 2005, quando estourou o mensalão. Entrou no lugar de Delúbio Soares, que anos depois viria ser condenado como um dos cabeças do esquema, e foi sucedido pelo também notório João Vaccari Neto, hoje preso em Curitiba sob a acusação de ter atuado como o caixa petista no petrolão.

Além da condenação de Paulo Ferreira por corrupção e lavagem, o MPF pediu ao juiz Sergio Moro que sejam restituídos aos cofres públicos 20 milhões de reais correspondentes aos desvios. Os procuradores pedem ainda o pagamento de outros 41 milhões de reais, equivalentes ao dobro do valor total das vantagens indevidas pagas.

Paulo Ferreira deixou a cadeia no final do ano passado, após pagar fiança de 1 milhão de reais. Na obra do Novo Cenpes foram pagos mais de 20 milhões de reais em propinas para funcionários do alto escalão da Petrobras e representantes do PT.

* * *

Lula está certíssimo.

Nosso lúcido e isento ex-prisidente tem razão.

Este tal de Ministério Público Federal – junto com o Juiz Sérgio Moro, com a Polícia Federal e com os coxinhas golpistas/reacionários -, só sabe mesmo perseguir aqueles que lutam por justiça social.

Imaginem só: 230 páginas de inverdades!

Se houve mesmo desvio de dinheiro, de alguns poucos trocados, tudo foi desviado pros bolsos dos pobres e pra fazer uma justa distribuição de riqueza.

Roubar para proteger os miseráveis não é roubo. É justiça social.

Não se deve incriminar e encarcerar abnegados heróis que, segundo Ceguinho Teimoso, tiraram da miséria milhões, milhões, milhões e milhões de fudidos.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

PICANHA DO MAR

Evaristo era um fazendeiro rico do interior do Estado, conhecido pela avareza, com relação às pessoas pobres que lhe pediam ajuda. Além de “amarrado”, tratava mal aos empregados e a quem dele precisasse. Era incapaz de dar alguma recompensa a um portador que lhe levasse uma encomenda. Também, não gostava de presentear ninguém, usando como desculpa o esquecimento ou a falta de tempo. A esposa e as duas filhas sofriam com isso, e tomavam a frente, na compra de qualquer presente. Essa sua avareza fazia com que os subalternos o detestassem. Quando o viam, cortavam caminho, evitando prestar-lhe qualquer serviço.

Um certo dia, na Semana Santa, um deputado seu amigo, e que lhe devia favores em campanhas eleitorais, mandou-lhe de presente uma enorme Meca, peixe conhecido no Nordeste como “Picanha do Mar”, e muito usado para churrasco. É um dos pratos principais, encontrados no excelente “Restaurante Solimar”, localizado na Barra do Cunhaú (Canguaretama-RN).

O portador do presente era um criado do político, que já tinha ido várias vezes à casa do fazendeiro, levando encomendas. Mas esse homem nunca lhe dera qualquer agrado.

O rapaz chegou de cara feia e mal olhou para o fazendeiro, destinatário da encomenda. Só Deus sabe a má vontade com que chegou ali, levando ao ombro o enorme peixe, devidamente embrulhado. Visivelmente irritado, e sem cumprimentar o austero fazendeiro, o portador colocou o peixe no chão do terraço, e se limitou a dizer:

– Meu patrão mandou entregar esta encomenda ao senhor!

Contrariado com a forma nada simpática, com que o portador a ele se dirigiu, o fazendeiro o repreendeu, dizendo:

– Rapaz, você precisa apreender que não é assim que se faz entrega de um presente desse! Venha cá! Vou ensinar a você como é que a gente faz! Vamos imaginar que o dono da casa é você e eu sou o empregado que trouxe a encomenda. Sente aqui nesta cadeira! Eu entro com o presente na mão e, com muita delicadeza, digo:

– Bom dia, Senhor! O meu patrão, Deputado Aparício, mandou lhe entregar este presente, acompanhado dos votos de uma Feliz Páscoa, para o senhor e sua família! Espera que o senhor goste e com isso ele ficará muito feliz.

O criado aproveitou o momento para provocar o fazendeiro, na esperança de receber algum trocado. Sorriu e respondeu:

– Muito bem…Transmita ao seu patrão os meus agradecimentos, e receba esta recompensa, pelo trabalho que teve, em trazer até aqui este peixe tão pesado!

E o rapaz meteu a mão no bolso, com o gesto de quem vai tirar dinheiro.

Seu Evaristo não gostou da resposta. Ficou vermelho e confuso. Lembrou-se de que nunca tinha dado uma gorjeta àquele rapaz, ou a qualquer outro portador que lhe trouxesse uma encomenda. Quis lhe dar uma lição de boas maneiras, mas terminou recebendo uma lição ainda maior, de uma pessoa tão simples.

E não teve outro jeito. O avarento tirou algumas moedas do bolso e deu ao esperto criado, agradecendo-lhe por ter trazido o presente. Em seguida se despediu dele com muita amabilidade.

A partir de então, passou a dar sempre um agrado, a quem lhe trouxesse uma encomenda.

7 abril 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

JOAQUIM MARQUES DE SOUZA – CUIABÁ-MT

Luiz Berto

Segue abaixo mais uma para a sua coluna em homenagem aquela desvairada.

Clique na notícia abaixo para ler a matéria completa:

Em 22 dias, oito morrem em confrontos com a Polícia Militar somente na capital

“Que barbaridade… estão exterminando os nossos militantes… Xiuf, xiuf, snif, snif…”

7 abril 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

NEURÔNIO MAFIOSO

Dilma reconhece que foi uma faxineira que não soube viver sem lixo por perto

“Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és”.

Dilma Rousseff, em entrevista à Folha, justificando por que passou tantos anos ao lado de José Dirceu, Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, Alfredo Nascimento, Carlos Lupi, Edson Lobão e Lula, fora o resto.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

JOSÉ SILVA – CAMPO GRANDE–MS

Sr. Editor,

Hoje deparei-me com uma fubânica notícia que me levou a meditar, incluindo entre as grandes questões do universo as seguintes indagações:

Quem é a cafetina?

Quem são as “meninas”?

Será que as frenéticas defensoras da Anta fazem parte dessa “casa”?

Será que entenderam mal o “é dando que se recebe”, esquecendo que também “é dando que se concebe”?

Então resolvi consultar esse emputecido oráculo fubânico para deslindar tão intrigante mistério.

R. Quem quiser saber as razões da angústia do nosso meditativo e filosofófico leitor, é só clicar na manchete abaixo que ficará por dentro de tudo:

Petistas de Lula recebiam dinheiro sujo da Odebrecht até em puteiros, diz Marcelo Odebrecht

Uma coisa é certa: se existe a palavra “puteiro” no meio, com absoluta certeza tem a ver com Lula e com o JBF, antro de escrotidão e raparigagem.

Só pra você ter uma ideia, veja o reclame que recebi ontem da minha querida amiga Maria Beira-Roxa, dona da Pensão Riso-da-Noite, o maior puteiro de Palmares.

Me mandou a publicidade do estabelecimento e também uma foto dela, proprietária, pedindo que fossem ambas publicados no JBF. 

Aproveito esta postagem pra atender ao pedido desta estimadíssima figura, pela qual tenho um carinho e um bem-querer muito grande. Publico com muita satisfação.

Maria Beira-Roxa é uma conterrânea empreendedora, excelente recrutadora e administradora de tabacas, além de cantora afinadíssima de músicas bregas.

Quando aparece algum xexeiro em seu estabelecimento, ela expulsa debaixo de porrada e, em seguida, canta “Vá Com Deus“, de Roberta Miranda. E a freguesia aplaude com entusiasmo.

Confira na tabela aí embaixo que Palmares evoluiu tanto que “bimba” passou a ser chamada de “pinto“, como acontece nos grandes centros putáricos bananíferos.

E vamos aproveitar que os preços estão baratinhos.

É promoção de Páscoa!!!

Maria Beira-Roxa, distinta amigo do Editor, e a tabela de preços do seu estabelecimento

6 abril 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

6 abril 2017 HORA DA POESIA

HIMENEU – Vinicius de Moraes

Na cama, onde a aurora deixa
Seu mais suave palor
Dorme ninando uma gueixa
A dona do meu amor.

De pijama aberto, flui
Um seio redondo e escuro
Que como, lasso, possui
O segredo de ser puro.

E de uma colcha, uma coxa
Morena, na sombra frouxa
Irrompe, em repouso morno

Enquanto eu, desperto, a vê-la
Mesmo sendo o homem dela
Me morro de dor-de-corno.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

CASAL DO MAL

Comentário sobre a postagem MYRRIA – A CRÍTICA (AM)

Dalinha Catunda:

Subia a temperatura
A chapa estava esquentando
Mas acabaram botando
Muita água na fervura
E nessa tal conjuntura
Só perde a população
Uma boa ocasião
De se livrar do casal
Que já causou tanto mal
Ao povo desta nação.

* * *

6 abril 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

A SEMANA É SANTA, MAS ENTRE VINHOS E CHOCOLATES

Meus netos estão se empanturrando de chocolate para alegria dos fabricantes. Essa invencionice comercial, a venda da “comida dos deuses” durante a Páscoa, está definitivamente institucionalizada pela propaganda massiva. Nossos netos vêem o ovo de chocolate e o coelho como símbolos da semana da paixão e morte de Cristo. Um período mais apropriado à meditação, à oração, tornou-se a festa do chocolate.

Os marqueteiros não combinaram com a Igreja, tão conservadora nos assuntos sobre sexo, pois, coelho é o símbolo de procriação, de fertilidade, de muitas transas, e chocolate é conhecido como alimento afrodisíaco. Portanto, os símbolos da semana santa moderna, inventados pelo comércio, são apologias ao sexo. Não deixa de ser uma evolução da Igreja, sempre castradora em sua história.

Juntar coelho com ovo de chocolate deu samba de crioulo doido. Meu neto menor em sua inocência perguntou porque o ovo de coelho é de chocolate e o da galinha é de cozinha. Foi difícil explicar.

Sou saudosista das tradições, mesmo sem muita crença, tenho boas recordações da semana santa de meu tempo de criança ou juventude.

Iniciava no Domingo de Ramos quando se comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém montado em um burrico. Seus discípulos trouxeram dois burricos puseram em cima deles suas vestes, e sobre elas Jesus montou. A multidão estendeu suas vestes e cortaram ramos das árvores, espalhando-os pela estrada, formando um tapete de folhagem para o Rei dos Reis passar em cima de um jerico. O povo acompanhava Cristo, aclamava: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Entrando Jesus em Jerusalém, toda cidade se alvoroçou. Perguntavam Quem é este? E a multidão respondia: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.” Assim li, aprendi e está escrito na Bíblia.

Sempre achei essa parte da história de Cristo muito emblemática. Entrada triunfal num jerico, logo depois ser traído e crucificado. Mas para meninada dos anos 50/60, o melhor do Domingo de Ramos era a procissão. Iniciava na Catedral, os colégios femininos religiosos compareciam: São José, Sacramento, um desfile de meninas bonitas, a moçada comparecia mais para paquerar. Um olhar, um sorriso, um piscar de olho valia a pena a missa, a procissão.

O feriado começava na quinta-feira santa, a partir desse dia era proibido comer carne. Em compensação minha mãe cozinhava um delicioso bacalhau, arabaiana, camarão, feijão ao coco, jerimunzada, brêdo, uma delícia. Por que só existe esse maravilhoso tipo de comida na semana-santa? Nunca esclareceram-me essa dúvida.

Na noite da quinta-feira havia uma brincadeira perigosa. A meninada saía em bando, cinco a seis moleques para o “Serra Velho”. A serração de velho é uma tradição européia conhecida desde o século XVIII. Reunia-se o grupo de jovens brincalhões, diante da casa de um velho. Serravam um pedaço de tábua com muito ruído, muito choro, muito lamento. Os velhos “serrados” irritavam-se com a brincadeira. Pela crença popular, velho serrado morreria naquele ano, não chegava à outra Quaresma. A garotada cantava alto acordando a vizinhança: “As almas do outro mundo vieram lhe avisar que deste ano o “Seu Fulano” não vai passar”. “Encomende a alma a Deus, que seu corpo já não vale nada”. E liam um bem humorado testamento em versos feitos anteriormente com ajuda de adultos. Os velhos ficavam brabos. Certa vez levamos uma carreira do pai do Toroca na Pajuçara. Seu Pádua um velho ranzinza da Avenida, quando estávamos lendo seu “testamento”, jogou um penico cheio de xixi, tive que ir para casa tomar um demorado banho.

Na Sexta-feira da Paixão parecia que o mundo havia se acabado. As rádios tocavam músicas fúnebres, era proibido ir à praia, tomar banho de mar, proibido sorrir. As mulheres da vida fechavam as portas dos cabarés e o balaio; nem pensar numa visita fortuita.

À noite todos iam à Igreja para beijar os pés de Nosso Senhor morto. Finalmente o sábado de aleluia. A meninada preparava um boneco de pano, o Judas, sempre com um nome de algum político ou algum inimigo público ( quanta gente hoje poderia ser o Judas! ). Quando às 10 horas, os sinos da Igreja dobravam anunciando a aleluia, a moçada caía de cacete malhando, tocando fogo no Judas amarrado em um poste. Melhor do que malhar um Judas, era roubar os Judas dos pivetes da vizinhança. (Já estão taxando a malhação de Judas como uma brincadeira primata, politicamente incorreta)

Afinal chegava o domingo da ressurreição. Os padres contavam a história como Cristo depois de morto subiu aos céus. Hoje é um espetáculo pirotécnico com atores globais para se assistir comendo chocolate e tomando vinho.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ATORRES – DIÁRIO DO PARÁ

QUATRO AVE-MARIAS BEM CHEIA DE GRAÇA

Rezo quatro Ave Maria
Ao Glorioso São Gerome
Pra que nos livre da dor
Da agonia e da fome
Duma casa com goteira
Cacimba longe de casa
Dente de piranha preta
Dum teco-teco sem asa
Dum sem pensar no juízo
Dum teje-preso! ou cadeia
De sofrer uma cambrainha
Bem cedo de manhãzinha
Por ter pisado sem meia.

Da tercerez desse mundo
De passagem só de ida
Ferroada de lacrau
Coice de besta parida
Nos livre da companhia
Dum cabra chato e pidão
Dum sujeito bexigoso
Sem figo e sem coração
Duma tosse igrejeira
Dum trupicão de ladeira
Duma largada de mão.

Nos livre da punição
Da saúde canigada
Pois a enxada na mão
É melhor que mão inchada
Nos livre duma dentada
Dum vira-lata espritado
Picada de mangangá
Dum soldado má-criado
Dum baque de rede pensa
De briga de má-querença
Dum jogo má-radiado.

Nos livre dum nôro besta
Ou duma genra fregona
Que Zé meu abaixe o facho
Pro lado daquela dona
Nos livre duma visagem
De alma braba e defunto…
Puxando agora de banda
Disgaviando o assunto:
Nos livre daqui pra diante
Do roubo dos governantes
Coisa que duvido muito.

Poema publicado em 1998, no livro Agruras da Lata D`água

6 abril 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

YEVTUSHENKO EM OLINDA

Yevgeny (Aleksandrovich Gangnus) Yevtushenko nasceu (18.07.1932) em uma pequena cidade, Zima, da Sibéria (Russia). E morreu, sábado passado (01.04.2017), longe de casa. Nos Estados Unidos. Onde lecionava, na Universidade de Tulsa (Oklahoma) e no Queens College (Nova York). Filho de modesta família camponesa, acabou sendo um poeta do mundo.

Em fins dos anos 1980, passou pelo Recife. A convite do Partido Comunista, deu recital na lendária Livro 7 de Tarcísio Pereira. Apresentado pelo famigerado Jommard Muniz de Brito. Numa noite, levado por Naíde Teodosio, foi parar em Olinda. Na casa do pintor José Cláudio – que pensava encontrar um homem baixinho, branquelo e de barriga proeminente. Só que bateu na sua porta um sujeito enorme, com corpo de atleta, vestindo bermuda e camiseta brancas.

Conversaram em espanhol. Lembrança dos tempos em que viveu na Ilha, em 1964, redigindo o roteiro de um filme de propaganda, Soy Cuba. Era próximo de compañeros como Allende, Neruda e Che Guevara.

No fim da visita, perguntou se poderia escrever algo na parede. Nada a estranhar, tratando-se de um poeta. Quando redigi uma biografia de Fernando Pessoa, estive na Biblarte – Miradouro de São Pedro de Alcântara, Lisboa. E lá, bem no fim da loja, o alfarrabista Ernesto Martins mostrou um pequeno quarto. Onde Pessoa dormia todo fim de tarde. Para curar dos quilos de álcool consumidos. E se preparar para noitadas com os amigos. Só depois da morte de Pessoa (em 1935), Martins (que nunca lá ia) percebeu que as paredes estavam todas rabiscadas. Com versos imortais. Perdidos, para sempre, depois de uma reforma. Ninguém se preocupou em preservar o local. Talvez porque, naquele tempo, ainda Pessoa não fosse Pessoa.

Lembro, a propósito, conto de Julio Cortázar (“Grafito”) que fala na história de homem e mulher que se apaixonam, durante a ditadura, e se comunicam por frases escritas nos muros de Buenos Aires. Até que, um dia, ele escreveu “también me duele a mi” (também me dói). E nunca mais se soube dos dois. Como disse Victor Hugo, “palavras são passagens para os mistérios da alma”.

Voltando a Olinda, Leo foi logo buscar um carvão. Desses que pintores usam para fazer rascunhos nas telas. Yevtushenko pegou nele e escreveu, na parede bem branca da sala de jantar, “La felicidad es el sufrimiento que se ha cansado” (A felicidade é o sofrimento que se cansou). E assinou, por baixo. Despediram-se. Zé Cláudio pensou em pintar uma moldura, em volta, como se aquela frase fosse um quadro. Para mostrar aos visitantes. Mas era tarde, estava cansado e foi dormir.

Dando-se que no dia seguinte, bem cedinho, Mané Pé-de-Pano entrou em ação. Contrariado por terem sujado, com palavras estranhas, aquela parede que com tanto zelo havia pintado na véspera. E passou tinta branca por cima. Deixando nela, sem razões para explicar isso, apenas a assinatura do poeta (que ainda hoje lá está) – começando por algo que se parece com a letra E. Mais o resto do nome, em cirílico.

Agora se foi Yevtushenko. Em palavras de Pessoa “Quem, morrendo, deixa escrito um verso belo deixou mais ricos os céus e a terra e mais emotivante misteriosa a razão de haver estrelas e gente”. É pena. Quando perdemos um poeta, o mundo fica menor. Uma estrela se apaga, no céu. E todos nós ficamos um pouco mais tristes.

6 abril 2017 FULEIRAGEM

ANTONIO LUCENA – BLOG DO NOBLAT

ALAMIR LONGO – QUARAÍ-RS

Prezado Editor,

Podem falar o que quiserem de Lula, mas quando nosso estadista fala dele mesmo, não mente.


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