CARLOS AIRES – CARPINA-PE

Meu amigo Papa Berto,

segue aí um texto poético de apresentação de um livrinho que estou vendendo aos amigos.

Também segue a foto dos livros bem como o endereço de E-mail para contato.

Abraço

R. Meu caro, você é um poeta popular que eu muito admiro.

A sua coluna aqui no JBF, PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO, é um dos espaços marcantes desta gazeta escrota.

O leitor fubânico que quiser encomendar o seu volume do nosso estimado colaborador, anote aí o endereço para contato: poetacarlosaires@hotmail.com

Desejo que você faça o sucesso que merece.

Um grande abraço.

* * *

Meu amigo “Papa Berto”,
Que é um sujeito bacana,
Diretor dessa “gazeta”
“Jornal da Besta Fubana”
Publique aí os perfis
Desse trabalho que fiz
Com muita dedicação
E que já está a venda.
Pra que façam encomenda
Deixo aqui a instrução.

Acima tem o E-mail
Para quem se interessar,
Em adquirir um livro
Eu logo irei lhe enviar,
Entre em contato comigo,
Que seja amiga ou amigo,
Que o poeta capricha,
Pra lhe enviar sem mutreta,
Ao leitor dessa “gazeta”
Boa da “bixiga lixa”.

Apresento pra o leitor,
Com prazer e alegria,
O livro que intitulei
“Meu Sertão em Poesia”
E essa pequena obra
Contém estrofes de sobra
Pra sua apreciação,
E como o título bem diz,
No calhamaço que fiz
Só falo do meu sertão.

Logo no início um convite!
“Vem Ver Como a Vida é Bela”,
Depois cito “A Baraúna”,
Que já foi frondosa e bela,
Na recordação fagueira
Também cito “A Quixabeira”,
Nessa minha narração,
E prosseguindo com o tema
Logo depois o poema
“Sou a Imagem do Sertão”.

“Saudade… Muita Saudade”,
Também está no roteiro,
Depois faço uma homenagem
Ao “Meu Lindo Juazeiro”,
E ao longo da caminhada
“Terra Minha, Terra Amada”,
Vai tocando o barco em frente,
E na jornada prossigo
E em alto brado lhes digo
“Esse é o Nordeste da Gente”.

“Meu Pedacinho de Terra”
Versei sem que houvesse falha,
Depois dele fui chegando,
No “Meu Ranchinho de Palha”
Vivendo nessa palhoça,
“Na Calmaria da Roça”
Vou contando essa façanha,
Para seguir adiante,
Eu vou subir confiante
“Nas Encostas da Montanha”.

Desci daquelas alturas
Porque todo o meu desejo,
Agora era assistir,
“Um Arrebol Sertanejo”,
Onde o caboclo roceiro
Cedo levanta ligeiro,
Pra cuidar da sua luta,
E com muita capacidade
Demonstra a “Autenticidade
Original e Matuta”.

“Minúcias da Minha Terra”
Vou descrevendo na reta,
Depois disserto o poema,
“O Passarinho e o Poeta”
Lembrando meu Pé-de-Serra,
“Saudade da Minha Terra”
Numa canção doce e pura,
Logo após que terminei,
Muito contente eu fiquei,
“Observando a Natura”.

Eu citei da Natureza
A particularidade,
Falei da Vida na Roça,
Com sua tranquilidade,
Do anoitecer sertanejo,
Bem visto no lugarejo,
Pela beleza e elegância,
Num versejar primoroso,
Eu escrevo pesaroso,
“Saudades da Minha Infância”.

Estou só sintetizando
Um pouco do meu escrito,
Mas são cem páginas contendo,
Um versejado bonito,
Se você adquirir
Um livro, e se me aplaudir,
Vou ficar lisonjeado,
E como um simples poeta,
Por ter atingido a meta,
Digo-lhe “Muito Obrigado”.

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

BAGGI – CHARGE ONLINE

A PANE MENTAL NO TEXAS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o ataque a tiros que deixou 26 pessoas mortas numa igreja no Texas no domingo, é uma questão de “saúde mental” e o acesso às armas nos EUA não é o problema. Ele também enviou suas condolências aos parentes das vítimas e ressaltou que os EUA “sempre são mais fortes quando estamos unidos”. Se o diagnóstico for certo, seu autor e propagador tem cometido graves erros. De acordo com o despacho da correspondente do Estado, Cláudia Trevisan, as vítimas frequentavam a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, comunidade de 640 habitantes a 50 quilômetros de San Antonio. O número de mortos representa 4% da população local. Outras 20 pessoas estão em hospitais da região com ferimentos de distinta gravidade. Segundo a polícia, a idade dos mortos varia de 5 a 72 anos.

Salta da frase do republicano a evidência de que ele pretendeu, em primeiro lugar, descaracterizar a chacina como ato terrorista e, em segundo lugar, desconectá-lo da possibilidade de ter resultado da liberdade que qualquer cidadão tem de adquirir armas de fogo no país. Feita no Japão, no outro lado do mundo, contudo, a frase só expressa mesmo a indiferença do chefe de governo da maior potência militar, política e econômica do planeta à morte dos cidadãos, que são o núcleo e a essência da democracia, sob cuja vigência atuam governo e sociedade civil com regras de convívio estabelecidas desde a chamada Revolução Americana, realizada, assim como a Revolução Francesa, no século 18, mas de natureza completamente oposta a esta. Hoje há até mesmo uma tendência dos historiadores e cientistas políticos a marcar uma diferença fundamental entre ela e a Inglesa, do século 17, de um lado, e, de outro, a citada na França e a da Rússia, cujo centenário não foi celebrado na pátria-mãe do socialismo no dizer de Stalin, mas o está sendo por comunistas do resto do mundo.

A insensibilidade do bilionário Trump na chefia da nação foi várias vezes citada em episódios como o da viúva do herói de guerra, que detectou não ódio, mas algo do mesmo gênero – descaso e desinteresse -, no telefonema que o inquilino da Casa Branca lhe deu para, em tese, lamentar a terrível perda. Nem por isso convém desperdiçar a oportunidade de notar e registrar que a forma como o presidente combate o terrorismo é absolutamente inadequada, seja no quesito direitos humanos, seja na eficácia dos métodos empregados para deter o passo dos inimigos.

O mais gélido dos chefes de governo – mas não ele – daria mais valor à perda de vidas humanas do que à natureza do atentado que as vitimou. Há algo que, certamente, escapa à percepção monolítica do mais poderoso político mundial. O assassínio dos ciclistas em Manhattan foi de inspiração terrorista fanática e, como tal, assusta muito, pois demonstra a fragilidade das defesas de uma potência como a americana em relação a esse tipo de prática suicida de inspiração religiosa fundamentalista. Outra coisa é a atitude tresloucada do atirador do Texas, um veterano de guerra, em mais uma demonstração do efeito arrasador das intervenções militares americanas no planeta sobre a população do país. O resultado de ambas, contudo, é devastador, seja pela loucura, seja pelo fanatismo. E o aspecto espetaculoso de chacinas sempre produz um efeito cascata macabro.

Quando comentei no Jornal Eldorado o atentado contra a ciclovia em pleno centro da metrópole das metrópoles, cosmopolita por definição e natureza, critiquei duramente a reação, que considerei inábil e inadequada, de Donald Trump reforçando a ideia de que o melhor caminho para combater o terrorismo é a retaliação, o olho por olho, dente por dente da Bíblia, a lei de talião. Muita gente me criticou mais duramente em respostas nas redes sociais, dizendo que ele está certo e que há que ser duro com o terror. É claro que há que ser duro contra o terror, mas não ser duro de forma indiscriminada contra todos os cidadãos muçulmanos, porque o terror mais comum pode até ter hoje inspiração fundamentalista muçulmana, mas não é só por isso e nem sempre foi assim.

O atentado terrorista de um nacionalista sérvio provocou a 1;ª Grande Guerra Mundial. Os separatistas bascos aterrorizaram a Espanha por anos. Albert Camus escreveu textos antológicos e atuais contra o terror anticolonialista de sua pátria, a Argélia. A retaliação proposta por Trump é estulta por isso tudo e também porque – repito o que disse na rádio e por isso fui repelido – ela parte da ignorância da situação. E joga, sim, gasolina na fogueira. O correto é ser duro contra o terror, mas sem abrir mão da tolerância religiosa, da liberdade individual e de outras conquistas da civilização ocidental. Os ventos fortes que o governo Trump está plantando têm produzido de volta tempestades que atingem cidadãos americanos aleatoriamente, seja por novos atentados terroristas, seja produzidos por loucura pessoal. Não venho aqui afirmar: eu avisei. Apenas reforçar minha opinião de que a truculência covarde do terrorismo aleatório não será contida com a incompetência aleatória de quem usa como arma de guerra apenas o “quem com ferro fere com ferro será ferido”.

Acho também que as condenações que recebi por ter criticado Trump podem dar uma excelente oportunidade para discutirmos essa onda de direita radical que toma conta da política brasileira, como nunca antes tinha acontecido no País. E ela leva ao paroxismo de uma nostalgia da ditadura militar, que sempre chamo de longa noite do arbítrio.

Tive oportunidade de ver análises objetivas, tranquilas e lúcidas produzidas sobre o tema por Fernando Gabeira em seus artigos no Estado na sexta-feira e no Globo de domingo. Ele mostrou como a insensatez populista, oportunista e criminosa do PT de Lula e Dilma terminou produzindo uma reação inusitada no lado oposto do espectro ideológico por uma direita cega, vingativa e muito pouco inteligente.

Domingo tive a oportunidade de ver na GloboNews que essa direita pouco afeita à lógica e à leitura chama de globolixo, um debate esclarecedor no programa de debates Painel, apresentado por William Waack e com a participação dos intelectuais Roberto Romano e Luiz Felipe Pondé, filósofos, e Luiz Sérgio Henriques, tradutor de Antonio Gramsci, o italiano que fez a cabeça dos comunistas brasileiros dos anos 40 aos 60. Aconselho que esquerdistas, direitistas e liberais lúcidos (que os há) o procurem no Google para assistir e se informar. Aprendi muito no debate.

Em seguida, tive a oportunidade de ver, no mesmo canal, um documentário sobre a brutalidade com que os ditadores militares brasileiros dizimaram, sem nenhum motivo justo ou até lógico, um dos poucos exemplos de capitalismo bem-sucedido nestes tristes trópicos, a Panair do Brasil. Essa obra nefasta do regime autoritário tecnocrático militar levou 5 mil famílias brasileiras ao desemprego. A ditadura reprimiu, torturou e derramou sangue de inimigos e de inocentes. É lamentável que ainda haja quem tenha saudade disso, como se fosse a panaceia para os males trazidos à sociedade brasileira por filhos dessa própria ditadura.

E também que tenha, neste momento de paroxismo da violência e da decadência do Rio levado à disputa da prefeitura daquela cidade em segundo turno por fenômenos da utopia regressiva religiosa de Crivella e da outra do legado revolucionário obsoleto e ineficiente de Freixo. Agora as pesquisas aparecem com a repetição desse mesmo antagonismo apontando um falso, mas perigoso, momento decisivo entre Lula e Bolsonaro. O caminho para escapar dessa assustadora fuga pelo regresso está no abandono da egolatria e da estadolatria e no avanço da sociedade na solução dos problemas, que são imensos. Lembro, como fez Luiz Sérgio Henriques no Painel, o exemplo luminoso do dirigente Lula Maranhão, do Partido Comunista Brasileiro, propondo e fazendo profícuo e democrático diálogo com e entre os cardeais dom Eugênio Sales, conservador do Rio, e dom Paulo Evaristo Arns, progressista de São Paulo.

A diferença mais notória entre a ditadura e hoje é que agora temos violência nas ruas e corrupção na máquina pública. Na ditadura também havia crime comum, mas associado ao pior de todos, a truculência do Estado. O exemplo da Panair, lembrando na canção Conversando no Bar, de Milton Nascimento e Fernando Brant, é apenas um. Os que ora sonham com esse inferno feito paraíso não sabem porque não viveram ou porque, se testemunharam, não ficaram sabendo, por causa da mão pesada da censura.

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

LANE – CHARGE ONLINE

7 novembro 2017 EVENTOS

PARA OS LEITORES DO RECIFE – COLUNISTA FUBÂNICO TOMA POSSE EM ACADEMIA

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

7 novembro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA TERCEIRA OPÇÃO

Folha de S.Paulo publicou um editorial sobre as candidaturas de Lula e de Bolsonaro para presidente.

Vejam este trecho:

“Há espaço, sem dúvida, para candidaturas com atitudes mais liberais e modernas que a de Bolsonaro e mais responsáveis e éticas que a de Lula. 

Entre o populismo macunaímico e o policialismo troglodita, a política brasileira tem certamente mais opções a oferecer.”

Eu acho que uma “opção a oferecer” seria a minha candidatura.

Este Editor está pronto para o sacrifício

Ente o “populismo macunaímico” de Lula e o “policialismo troglodita” de Bolsonaro, teríriamos o “fubanismo abestalhatório” do Berto.

Uma coisa é certa: eu seria um presidente bem mais cheiroso, bonito e charmoso que estas duas horríveis opções que estão na praça.

E tem mais um detalhe importante:

Depois de eleito, eu só iria roubar o suficiente pra quitar o meu extorsivo empréstimo consignado feito no Banco Brasil.

Quer dizer, num sei… talvez eu roube só mais um pouquinho…

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO (PE)

PERNAMBUCANOS FAMOSOS XLIV

Lampião

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em Serra Talhada, em 4/6/1898. Ficou conhecido como “Rei do Cangaço”, por ser o mais bem sucedido líder cangaceiro da história. Ganhou o apelido “Lampião” devido a sua capacidade de disparar consecutivamente, iluminando a noite. Desde criança demonstrava certa habilidade como vaqueiro, cuidava do gado, trabalhava com artesanato de couro e conduzia tropas de burros para comercializar na região da caatinga. Por volta dos 19 anos, chegou a trabalhar para Delmiro Gouveia transportando algodão e couro de bode para a fábrica da Pedra, hoje município homônimo do empresário que o fundou. Esse conhecimento precoce dos caminhos do sertão foi valioso para o futuro cangaceiro.

Era visto como um garoto inteligente, pois era alfabetizado e usava óculos para leitura, características incomuns para a região. Ainda menino, ganhou um presente de seu tio, a biografia de Napoleão Bonaparte. Ficou admirado com a bravura do imperador e seu traje, o que vai lhe permitir mais tarde a introdução de várias novidades no cangaço desde o formato do chapéu em meia lua, até a formação de grupos armados e táticas de guerra. Sua família travava uma uma disputa de terras com outras famílias locais, quando seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Virgulino jurou vingança e, junto com dois irmãos, passou a integrar um bando chefiado pelo cangaceiro Sinhô Pereira. Em 1922, tornou-se líder do bando, nomeado pelo proprio chefe, que resolveu se afastar do bando, devido a dura perseguição da polícia. .

No mesmo ano matou o informante que entregou seu pai à polícia, e realizou o maior assalto da história do cangaço àquela altura, contra a Baronesa de Água Branca, em Alagoas. A partir daí sua fama vai se alastrando como salteador de pequenas cidades e fazendas em cinco estados do Nordeste. Foi acusado de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, estupros e saques. Entretanto e paradoxalmente, a fama de justiceiro foi se afirmando até se tornar uma especie de Robin Hood do sertão, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis para dar aos pobres miseráveis. Tal contradição permanece no imaginário popular até hoje.

Não se sabe quantos assaltos, saques, invasões ele cometeu ao longo da vida, mas calcula-se em torno de 200. Em 1926, Juazeiro do Norte (CE), não foi saqueada devido a intervenção do Padre Cícero, que o convenceu a não molestar os habitantes. Lampião vinha de uma família católica e tinha admiração e respeito pelo “Padim Cíço”, com o qual manteve certo relacionamento, que foi além do aspecto religioso. O Padre, além de religioso, era um habilidoso e influente político que mantinha boas relações com Floro Bartolomeu, deputado federal pelo Ceará. Por essa época, a Coluna Prestes avançava pelo Nordeste e ameaçava o Governo de Arthur Bernardes. Para o Padre Cícero, só havia em todo Nordeste uma pessoa que poderia derrotar a Coluna e indicou o nome de Virgulino.
O deputado organizou uma força de combate composta de sertanejos e jagunços do Cariri, denominada “Batalhões Patrióticos”, e escreveu uma carta convidando Lampião para o combate. Mas antes de enviá-la, pediu ao Padre Cícero para endossar o pedido e enviar ao cangaceiro. Poderíamos perguntar: mas como se deu isso, se Lampião era um bandido procurado pela polícia? O fato é que naquela época a politica local era o que imperava, e o pragmatismo (e oportunismo) politico também. Lampião viu ali uma boa oportunidade para largar o cangaço e seguir a vida como respeitável homem do Governo. Em 12/3/1926, seguiu para Juazeiro com 50 homens e ficou acampado nas proximidades da cidade. Padre Cícero foi ao seu encontro em comitiva e lhe outorgou uma patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, assinada por um funcionário do Ministério da Agricultura, ou seja, um documento sem valor algum.

Além dele, os capangas receberam patentes inferiores e todo o grupo recebeu fuzis automáticos, muita munição e cem contos de réis. Um conto equivaleria mais tarde a mil cruzeiros. O agora “Capitão Virgulino” parte para o enfrentamento com a Coluna Prestes. Como não era ingênuo, resolveu testar sua autoridade. Mandou um recado aos seus desafetos em Pernambuco (Vila de Nazaré), querendo saber como seria recebido na condição de oficial do Exercito Patriótico. A resposta dos nazarenos foi concisa: “ à bala”. Desapontado com sua pseudolegalidade, volta para falar com o Padre Cícero, mas não é recebido. Assim, interrompeu sua curta carreira militar de defensor público e retoma a vida de cangaceiro, agora bem mais armado, aterrorizando os sertões nordestinos.

Confiante com sua tropa armada com fuzis automáticos, decidiu atacar a grande cidade de Mossoró (RN), em 13/6/1927. O bando entrou na cidade dividido em quatro subgrupos. Avisado previamente do ataque, o prefeito Rodolfo Fernandes organizou uma tropa, distribuiu seu pessoal nas quatro torres da cidade e derrotou o bando. Até hoje a cidade mantém orgulhosa o Memorial da Resistência, que retrata a história da única cidade que botou o bando de Lampião para correr. As invasões e ataques nas cidades e fazendas seguiram seu curso em outos estados chegando até a Bahia, onde o bando incorporou novos cangaceiros.

Em dezembro de 1929, entrou em Queimadas (BA); cortou os fios do telégrafo; sequestrou os telegrafistas e pediu um resgate de 500 mil réis. Depois, foi até a cadeia, prendeu o sargento e sete soldados. Foi almoçar e depois voltou para a cadeia e soltou todos os presos. Mandou os soldados ajoelharem e matou um por um. Pela tarde, saqueou o comércio, conseguindo 20 contos de réis. À noite foi ao cinema e depois mandou fazer um baile. Lampião era assim mesmo: violento, vaidoso e festeiro. Pouco depois invadiu a cidade de Quinjigue. Após o saque e matar alguns, fez outro baile e distribuiu dinheiro entre a população carente. Como se vê, era também caridoso. Foi na Bahia, na cidade de Santa Brígida (Raso da Catarina), em dezembro de 1930, que ele conheceu Maria Bonita, casada com um sapateiro, mas apaixonada pelo cangaceiro. Ela juntou-se ao grupo, sendo a primeira mulher a participar do cangaço.

No mesmo ano foi noticia no “New York Times”, numa reportagem sobre a violência no Brasil. Em 1931, Corisco, seu fiel escudeiro, também consegue uma mulher – Dadá – logo incorporada ao bando. Apartir daí a presença feminina no bando é constante. Em 1932, Maria Bonita teve uma filha – Expedita Ferreira Nunes – e existe uma informação não comprovada que teve mais filhos. Na Bahia os ataques prosseguem em diversas cidades e fazendas. Por essa época recebeu uma informação para tomar cuidado, pois a volante do Capitão Bezerra estava no seu encalço. “Diga a ele que não tenho medo de boi velhaco, quanto mais de bezerra”, foi sua reposta. O Governo baiano espalhou um cartaz oferecendo uma recompensa de 50 contos de réis para quem entregasse, “de qualquer modo, o famigerado bandido”. Seria algo como 200 mil reais hoje em dia, e isto fez com que retornassem à Sergipe. A legislação da época, que proibia a polícia estadual de agir além de suas fronteiras, favorecia a ação do bando, que ficava permanentemente viajando ente os estados do Nordeste.

O ex-secretário do Padre Cícero, Benjamin Abraão, fotógrafo e metido a cineasta teve um encontro com Lampião, em 1936, e convence-o a se deixar fotografar e filmar juntamente com todo o bando. Foram vários encontros com o fotógrafo e em 6/3/1937 saiu uma reportagem na revista “O Cruzeiro” intitulada “Filmando Lampião”, que irritou Lourival Fontes, chefe do DIP-Departamento de Imprensa e Propaganda, do Governo Vargas. O filme foi apreendido e fez com que o Governo desse ordens expressas de capturar o famigerado cangaceiro. Em 27/6/1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Por volta das 5hs. do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se preparavam para tomar café, quando um cangaceiro deu o alarme. Era tarde demais. Os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, e os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

Os cangaceiros foram decapitados e suas cabeças fizeram um “tour” por diversas cidades. Percorrendo os estados nordestinos, o tenente João Bezerra exibia as cabeças – já em adiantado estado de decomposição – por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumados cuidadosamente na escadaria da Prefeitura, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografados. Depois seguiram Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA. Em seguida ficaram expostas no Museu Antropológico Estácio de Lima, do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues por mais de 30 anos. Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus parentes. O economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, em especial, empreendeu esforços para sepultar os cangaceiros e parar, de uma vez por todas, aquela macabra exibição pública.

O enterro dos restos mortais só ocorreu depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24/5/1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília, logo reforçado por pressões sociais e do Clero. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Tais fatos contribuíram para ampliar e eternizar o mito, que antes mesmo já era conhecido internacionalmente. Em 1953, o filme O cangaceiro, dirigido por Lima Barreto, foi o primeiro a conquistar as telas do mundo e ganhou o prêmio de melhor filme de aventuras e de melhor trilha sonora, com a música Mulher Rendeira.

Um fato interessante e pouco divulgado é que Mulher Rendeira é uma música composta pelo próprio Lampião. Isto foi confirmado por alguns biógrafos e recebeu a chancela de Câmara Cascudo, segundo o qual Lampião teria escrito a letra em homenagem ao aniversário de sua avó, que era rendeira, em 1922. Tornou-se um hino de guerra dos cangaceiros, tendo inclusive relatos de que muitos ataques às cidades teriam sido feitos com os cangaceiros cantando Mulher rendeira.

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE

ACERTA NO CAMINHO, MAS ERRA AO ESCOLHER NÚCLEO POLÍTICO

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH (RS)

FILA DA PUTA

Até os anos 60 os padres, por andarem sempre de batina, portanto, facilmente identificáveis, por isso eram muito respeitados onde quer que estivessem.

Nos ônibus os jovens lhes cediam os lugares para sentar; beijava-se suas mãos; enfim o respeito era manifestado publicamente e não apenas nas igrejas.

Na década de 50, jogo de “Fla Flu pernambucano”. A cambada da Ilha do Retiro contra os meninos do Arruda. As bilheterias do campo do Santa Cruz para jogo decisivo começava a receber compradores de ingressos uma hora mais cedo.

Capiba, já às 12 horas, estava com a cara no primeiro daqueles buracos de vendas para garantir sua presença no jogão.

Tendo chegado muito cedo teve que esperar um bocado. Muito distraído, não notou que aquela bilheteria era exclusiva para sócios com Cadeiras Cativas e assim, teve que perder o primeiro lugar para colocar-se numa outra, que já contava com mais de 10 pessoas. Rápido e já arretado, deslocou-se para a próxima.

Outro fator inesperado: aquela bilheteria não abriria naquela tarde, coisa que só percebeu momentos depois de queimar o toitiço num sol de lascar.

Teve, então, que se transferir para uma outra fila, que estava enorme, com mais de 50 pessoas, todas reclamando o calor inclemente. Não percebeu quem estava atrás dele quando ouviu a pergunta que lhe foi dirigida:

– Meu amigo, que fila e esta?

E Capiba, num rasgo de irreverência, sem olhar para trás, fuzilou:

– A “fila da puta”!

Ao se voltar para ver quem era, deparou-se com um padre, de batina, que se mostrou horrorizado com a resposta do tão ilustre compositor. João Carrapateira, colega que estava com ele, “amarelou” e caiu fora.

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

LANE – CHARGE ONLINE

O AMOR EM SANTA AMÁLIA

Um Conto, duas vidas… Parte 2

Depois de uma visão como aquela, tão linda e tão nua (“teria sido despida de malícia?”, torturava-se ele em pensamentos…), seus dias passaram a ser de desejo e renitência mental, e nada havia que pudesse fazer para socorrê-lo nas obsessões que passaram a dominar-lhe as vontades . Contudo, era alguém extremamente ciente do valor daquela amizade, tesouro que considerava inimaginável de perder. E também era cheio de pudores e completamente respeitador. Enfim, um rapaz de boas maneiras, comedido nos impulsos e costumes, e sempre muito equilibrado nos modos e no trato para com os outros, principalmente com o sexo oposto. Um verdadeiro gentleman, na melhor acepção dessa palavra. Porém, passou inapelavelmente a travar intensa luta contra si, contra seus impulsos e tentações sensualizantes. Ele muito a queria, mas começou a questionar-se intensamente acerca do como ela enxergava-o afinal eram amigos desde a mais tenra infância; sim, pode-se dizer que assim se deu aquele conhecimento mútuo, aquela partilha de vidas e de histórias. E agora? Como desvencilhar-se de um passado de praticamente irmãos , para transformá-lo numa nova realidade de paixão para ambos? Sempre fora galanteador, é fato, inclusive com a própria amiga encantadora, que acostumara-se a levar aquilo na conta de seu jeito de ser, de seu natural comportamento e boa educação. Ele sabia disso! Tinha de mudar tal visão, mas como, como fazê-lo sem ferir, nem ferir-se por fim? Como abordá-la nesse sentido, como conquistá-la para um presente de namoro e romance e um futuro promissor de eternos enamorados, que era só no que pensava naquele seu coração tão repleto de encantamentos por ela.

* * *

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7 novembro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

ALINE

Em 1965, Christophe fazia grande sucesso com a composição de sua autoria, “Aline“.

7 novembro 2017 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

6 novembro 2017 FERNANDO GABEIRA

NO CORAÇÃO DAS TREVAS

Uma querida amiga disse que leu um artigo meu três vezes para entender bem. Prometi que na próxima, reescreverei três vezes. Italo Calvino disse que o texto do século XXI teria de ser leve. Mas como são pesados os temas do Brasil de hoje.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que os comandantes da PM estão ligados ao crime e que o governo não controla sua polícia. Não ficou aí, nessa sinistra generalização. Disse que a esperança de mudar só viria mesmo após as eleições de 2018. Estamos em novembro de 2017. Quantos tiroteios, quantas balas perdidas, quantas mortes nos esperam até lá? Se o quadro é esse mesmo que o ministro pintou, o governo federal deveria fazer algo para transformá-lo.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou há algum tempo que havia relação entre políticos e o crime organizado. Eles precisam de voto, o crime organizado controla mais de 800 pontos apenas no Rio. Quem vai à Baixada, viaja a cidades como Campos e Macaé ou cruza a Baía de Guanabara, vai até Niterói, constata que o número de territórios ocupados é muito maior.

Jungmann propôs uma força-tarefa para desvendar os vínculos entre crime e política no Rio. Raquel Dodge concordou. Até aí, tudo bem.

Uma revelação bombástica antes mesmo da força-tarefa começar o seu trabalho é inadequada. Acaba complicando a vida das pessoas já amedrontadas no seu cotidiano. O ministro Jardim nem mata a cobra nem mostra o pau. É como se dissesse: “Xi, a segurança está na mão de bandidos mas isso pode mudar depois de 2018.”

Felizmente não é bem assim. Ouvi alguns amigos da PM e eles garantem que há bons e honestos comandantes.

O Rio foi abalado por um governo que era, na verdade, uma organização criminosa. Todas as estruturas do poder foram de alguma forma contaminadas. Certamente será necessário um paciente e árduo trabalho com ajuda federal para desfazer todas as teias, os nichos da corrupção.

Quando o Exército veio pela primeira vez nessa crise, defendi a ideia de que deveria estabelecer um contato maior com a sociedade, oferecer um trabalho comum. Com as formas de comunicação de hoje seria possível criar um sistema de defesa muito mais poderoso. A própria sociedade se mexe. O aplicativo OTT (Onde Tem Tiroteio) é um um dos exemplos disso.

Nas primeiras investidas, a operação fez inúmeros cercos, apreendeu poucas armas. Era uma indicação de que o trabalho de inteligência precisava melhorar. Da soma que o governo federal destinou, foram usados apenas 22% para enfrentar a crise de segurança pública no Rio. E os cercos são a tática mais cara com menores resultados.

No meio do áspero caminho, uma crise no relacionamento entre os governos. Parecia haver algo no ar entre o ministro Jungmann e as autoridades estaduais de segurança. Ao invés da possibilidade de uma cooperação em grande escala, incluindo as pessoas que vivem aqui, o que nos ofereceram foram crises de relação, desconfiança mútua.

É preciso formar um bloco bem intencionado entre as forças de segurança. E pedir a ajuda da sociedade. Não temos armas. Mas o conhecimento coletivo é um instrumento que potencializa o trabalho armado, em certas ocasiões, pode até dispensá-las.

De uma certa forma, a luta contra o terrorismo na Europa e nos Estados Unidos, os esforços emergenciais após uma catástrofe natural – todos esses grandes embates demandam um vínculo através da rede. Nas inundações do Texas foi impressionante acompanhar o mapa das pessoas ilhadas; bastava clicar no ponto que aparecia a mensagem: falta comida, dificuldade de respirar, rompeu a bolsa d’água. Um terrorista procurado na Europa pode ter seu retrato passado para todos os smartphones de uma extensa área onde opera.

O potencial de descobrir os caminhos para programas que reforcem a segurança no Rio não está em governos combalidos, mas na própria sociedade. Como acionar esse poder sem ter o mínimo de credibilidade? O que os que ainda sobrevivem nos governos poderiam pelo menos tentar. E tentar com uma visão clara do que distingue propaganda de resultado real.

O grande problema não é só que os bandidos furam facilmente os cercos. O difícil é furar os cercos mentais que às vezes dominam as cabeças no governo. Quase todas têm medo de falar com pessoas reais. Preferem fazê-lo através das grandes máquinas de propaganda que filtram as críticas ou enfatizam as pequenas vitórias.

Sem que os sobreviventes no governo peçam socorro e a sociedade lhes dê mão, não vai prosperar uma defesa real diante da crise de segurança. De outra forma, voltamos aquela história de esperar 2018. É muito tempo, sobretudo para os que perdem a vida em segundos nas ruas do Rio.

É tudo tão grave, certamente não é uma dessas dores estranhas que simplesmente passam se ficamos em repouso. Nossas chances dependem também da percepção do abismo: quanto mais rápida, melhor.

6 novembro 2017 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR (G)


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