CHARGE TACHO

SANDRA BELÊ NA PARAÍBA, RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO

O Novo CD

Sandra Belê foi contemplada pelo edital do Fundo Municipal de Cultura em 2017 e com a produção de Jader Finamore e Helinho Medeiros, inicia esta semana a gravação deste novo trabalho.

Feito todo com músicas de compositores paraibanos, o CD será o quarto da carreira da cantora, que gravou o último em 2010 (EcarnadoAzul). Depois disso, apenas havia gravado o EP Prisma, em 2013, que está disponível na internet e é composto de quatro músicas.

Agenda de shows:

13/04 (sexta-feira)

Sandra Belê canta o Amor
Na Budega Arte Café (Rua Arthur Américo Cantalice, 197, Bancários), a partir das 20h

14/04 (sábado)

Show de Forró com Sandra Belê
Na Pizzaria Capitão Farinha (Rua Floriano Peixoto, 199, Jaguaribe), a partir das 21h

20/04 (sexta-feira)

Show Rendar
No Festival Zabé da Loca, em Monteiro/PB

21/04 (sábado)

Show Voz & Sanfona
No Restaurante Recanto do Picuí (Rua Mírian Barreto Rabelo, 120 – Jardim Oceania), a partir das 20h

27/04

Rio de Janeiro
Casa Rosa – Sesc Tijuca

28/04

Rio de Janeiro
Feira de São Cristóvão

29/04

São Paulo
Vale do Anhangabaú

Contato: Suelen Garcez (83) 9-8893-4244 

CHARGE SPONHOLZ

O MEDO QUE ELES TÊM DE LULA LEVA À VIOLÊNCIA

Goiano Braga Horta

Teoria da Conspiração

Uma das primeiras coisas que ouvi, quando saiu a notícia dos tiros dados em dois ônibus da caravana do Lula no Paraná, foi que isso devia ser coisa deles mesmos.

Quem é Ele

Em seguida, jornais disseram que o pré-candidato pelo PSL – Partido Social Liberal, Jair Bolsonaro, manifestou sua opinião de que “está na cara que alguém deles deu os tiros”. Sua certeza é tanta que ele garante que a perícia revelará isso.

Talvez ele creia firmemente, também, que os “miguelitos”, espécie de prego com cinco pontas, que foram jogados na estrada para furar os pneus dos veículos da comitiva, que esvaziaram pneu de um dos ônibus, também foram espalhados ali pelo PT.

Crimes, Crimes e Crimes

Lançar esses pregos pode eventualmente redundar em crime, pois furar os pneus dos veículos pode causar sérios acidentes, levando até à morte.

Desânimo

Sinto-me, hoje, em desalento, abatido pelo futuro do meu País, que poderá ser entregue em mãos de pessoas de tanta irresponsabilidade, verdadeiras comadres fuxiqueiras, que não medem as conseqüências de suas palavras e que demonstram tamanha falta de ética ao abordarem questões tão contundentes do momento social e político.

Hipóteses

É claro que nada é impossível e, certamente, as autoridades apurarão quem fez os atentados e colocarão, dentre as suspeitas, a hipótese de que os próprios atingidos tenham feito o atentado com o fim de criar um clima na opinião pública que lhe seja favorável.

E é claro que seria uma loucura, mas há doido para tudo.

Enquanto divagávamos, as perícias foram feitas, nada se apurou, a não ser que foram tiros e pedradas mesmo.

Hipóteses Que Não Se Sustentam

Porém, os investigadores sem dúvida também, antes de chegar aos resultados, avaliarão o fato de que inúmeros ataques foram feitos, muitos atos de violência contra a caravana foram praticados, pessoas foram feridas por variados tipos de agressão, inclusive pedradas, sendo inafastável o clima aguerrido daqueles que não só isso fizeram, como bloquearam estradas para impedir a caravana de ir ao seu destino (em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, em Francisco Beltrão, no Paraná) causando tumultos e engarrafamentos quilométricos, demonstrando que paz, ordem, ética e democracia não fazem parte de sua educação.

A Verdade

O que revelam os acontecimentos é que muitos dos que querem ver Lula pelas costas têm medo de que ele consiga, apesar de tudo, candidatar-se e ser eleito presidente da república, fazendo com que eles percam privilégios exagerados, estando dispostos a tudo para evitar que ele chegue lá e volte a fazer a política de justiça social que distribui a riqueza nacional também entre os mais pobres; e os acontecimentos confirmam, ainda, que uma massa de manobra se formou, uma multidão de inocentes úteis de cabeça feita, envolvidos pelos reais interessados na queda do PT, para que seus privilégios não diminuam pela aplicação de recursos governamentais em uma política de assistência social.

A Política do PT

Sim, a política do PT, desenvolvida pela vontade política e realizadora do Lula, é aplicar recursos em Bolsa Família, em programas habitacionais, em atividades de saúde básica, em luz para todos, em infraestrutura de água e esgotos, em possibilitar aos mais pobres acesso a boa alimentação, escolaridade superior e outras regalias que até a chegada do PT ao poder só a classe média alta tinha acesso.

O Medo

O que os praticantes da violência têm não é coragem, é medo. Mais que medo, pavor. Pavor do Lula, pavor das suas próprias perdas pessoais, pavor da justiça social que diminui privilégios injustificados para garantir maior igualdade social.

Lula Preso

Consumada a prisão do Lula, o medo diminuiu, os tiros e pedradas nos ônibus ficaram para trás, o perigo foi afastado e se faltava algo nem falta mais: o Partido Ecológico Nacional, que acreditava que o inciso LVII da Constituição tinha de ser respeitado, quando viu que sua ação perante o STF redundaria na possível soltura de Lula… voltou atrás! Agora diz o contrário. O Barroso do PEN passou a rezar no missal do Barroso do STF.

Haja oportunismo!

CHARGE CLÁUDIO

MAIS OUTRO EXPOENTE VERMÊIO-ISTRELADO É DEVIDAMENTE ENGAIOLADO

Um dos presos na Operação Rizoma, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, foi o economista Marcelo Sereno – um dos principais assessores de José Dirceu durante seu período como ministro da Casa Civil do governo Lula

José Dirceu e Marcelo Sereno

Sereno era ativo nas redes sociais. Em suas postagens, rotineiramente compartilhava textos e vídeos de blogs alinhados ao PT, onde fazia comentários contra a Operação Lava-Jato e em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

O petista participou de um esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina para gestores dos fundos de pensão dos Correios (Postalis) e do Serpros, empresa pública de tecnologia da informação (Serpro).

Segundo as investigações, Sereno usou de sua influência política junto a fundos de pensão para direcionar investimentos.

* * *

Mais um guabiru de alto calibre da cúpula petralha é engaiolado.

Excelente notícia para os contribuintes e para a banda decente deste país.

Não é por acaso que este bando de cabras safados vivem esculhambando com a Operação Lava Jato.

Fernandinho Beira-Mar e Marcola também tem ódio da polícia e dos investigadores que combatem seus crimes.

Todo bandido, seja na política ou no tráfico de drogas, odeia a lei que os leva pra cadeia.

Se vocês querem saber quem é Marcelo Sereno, é só ler o que escreveu um comparsa dele, o também corrupto senador Lindbergh Farias, mais conhecido pela alcunha de Lindinho Fala-Bosta.

Lindinho responde a processo no STF (por conta desta porra de foro especial) por ter recebido 4,5 milhões da reais da Odebrecht, a mesma empresa que comprou Lula e comprou também sua colega de Senado Gleisi Amante Hoffmann

Vejam o que Lindinho disse sobre o cumpanhero preso ontem:

“É um dos grandes nomes do PT, trabalhou no governo do presidente Lula desde o começo, é uma das pessoas mais próximas do ministro José Dirceu, foi um dos responsáveis pela vitória do presidente Lula”

Enfim, o presidiário Marcelo Sereno é mesmo a cara do PT.

CHARGE FRAGA

HÉLIO DE ARAUJO FONTES – VIDEIRA-SC

Berto,

Gostei da nova cara do JBF.

Ficou mais clara e moderna.

Gostei do detalhe da foto em que aparecem D. Aline e o pequeno (grande) João.

Significa a união familiar na condução dessa gazeta escrotíssima, sem a qual uma multidão de bem-pensantes fica órfã, em grave crise de abstinência.

Siga em frente, Berto.

Parabéns.

R. Esta “nova cara” do JBF ainda está em processo de ajeitamento, caro leitor.

Alguns detalhes estão sendo providenciados pra que tudo entre nos eixos.

Vocês fubânicos são a grade força que impulsiona esta gazeta escrota.

Grato pela generosidade de suas palavras.

Abraços e um excelente final de semana!

CHARGE S. SALVADOR

STAND-UP COM POESIA

NADA TENHO

Já não tenho pai
Perdi o útero materno
Pra viver neste inferno.
Não tenho patrão,
Nem sou
Não sou rei,
Nem vassalo
Nem herói,
Nem guru,
Nada tenho,
Nada sou…
Tenho somente
Alguns amigos (as)
E a Ti Senhor
Isso me basta
Para ir vivendo.

CONTENTAMENTO

Eu me contento
Com tão pouco
Basta um olhar
Um beijo na boca
Um abraço apertado
No teu corpo molhado
As mãos feito loucas
Num frenesi danado
E algo mais.
Parece tão pouco
Mas me satisfaz.

O BRASIL QUE NÓS QUEREMOS

O Brasil que nós queremos
Tem o verde da esperança
Tem fartura em abundância
Tem um clima mais ameno…
Não é o Brasil que temos
Com tanta sede de saber
Calado por desconhecer
Até como falar direito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher.

Desde o tempo de Caminhas
O Brasil é um celeiro
Desde um abacateiro
A um laranjal e vinhas
Já disseram por a cá
Em plantando tudo dá
É esperar para ver
Tudo aqui é está bem feito
O Brasil ainda tem jeito
É só plantar e colher…

MENINAS MOÇAS

As meninas de hoje
Já nascem moças…
As bonecas de louças
Vivem assustadas
Quem as embalarás
Nos braços, no porvir.
Não temos direito
De ser crianças.
Nem de brincar
Nem de sorrir…

PRISÃO DOMICILIAR

Teu corpo nu
É a tornozeleira eletrônica
Que me mantem
Em prisão domiciliar.

CHARGE ELVIS

ESTA VIOLÊNCIA ABSURDA NÃO SAI NA GRANDE IMPRENSA BANÂNICA

CHARGE NANI

RECORDAR É VIVER

Foi uma semana inesquecível. Por conta, claro, do Náutico. Campeão depois de 13 anos. 13. O número, às vezes, traz azar. Outras, dá sorte. Por isso hoje, dia 13, peço licença para lembrar que dona Maria Lia sempre contou histórias da mãe, da família, do passado. Com brilho, entusiasmo e plateia garantida. Tanto que, em fins do ano passado, resolveu pôr algumas dessas histórias no papel.

Apesar de exímia datilógrafa, tem relações conflituosas com máquinas em geral. E computadores, em particular. Um problema. Porque as máquinas de escrever, que antes usava, não existem mais. Com enorme sorte conseguimos uma, num site de compras. Portátil. Olivetti! Funcionando!! E com fita!!! Ela começou, então, a datilografar o que dizia para seus seis filhos (sou só o mais velho). Esses textos foram, em seguida, passados num computador. Para formar conjuntos que (assim imaginava) seriam por ela distribuídos a filhos, netos e agregados.

Depois descobrimos que tinha escondido, em uma pasta, grande volume de textos. Escritos em outros tempos. Até poesia. Tudo de (muito) boa qualidade. Uma enorme surpresa, para todos. Escreveu a vida toda e ninguém sabia. Esses papéis foram, então, discretamente surrupiados, também editados, e depois devolvidos à gaveta onde por tempos dormiram. A nós coube apenas organizar os escritos, por temas. Um deles converteu-se em apresentação. Os outros formaram capítulos. Uma frase que citou em artigo, de García Márquez (“A vida não é a que a gente viveu. E, sim, a que a gente recorda”, em Viver para Contar), virou exergo (aquela frase que vem antes do livro começar). O próprio título do livro, Recordar é Viver, acabou sendo consequência natural de tal citação. Tudo é inteiramente dela, pois. Segue a tal apresentação:

“Sempre escrevi. E sempre à máquina. Para ninguém. De mim para mim mesma. Escrevi sobre as saudades que tinha da Bahia. Do Rio também. Do dia a dia na faculdade ou nos teatros. Das visitas ao Museu de Arte Moderna que acabara de se instalar no subsolo do Ministério da Educação – prédio que dividiu muitíssimo as opiniões dos entendidos e dos desentendidos, com seus azulejos externos desenhados por Portinari, azul e branco em riscos ondulados. Escrevi sobre tudo o que via e ouvia no rebuliço artístico do Rio, naqueles anos 1940.

“Escrevi o prazer da praia quase deserta. J.P. encontrava essas folhas escritas e se punha perplexo, e procurava me fazer explicar o porquê dessa mania besta de escrever para nada. Penso que nunca acreditou muito que era para nada mesmo e não sei que explicações rocambolescas se dava. Faz tempo que não escrevo. Por que o desejo de voltar ao papel nessa altura da vida? Será agora, e terá sido antigamente, a substituição de um padre ou de um psiquiatra? Uma vontade de transformar em palavras os pensamentos que andam fazendo acrobacias dentro desse computador fantástico e provisório que é o cérebro? Lembro do livro de Marie Cardinal, Le mots pour le dire.

“Uma explicação mais próxima da verdade seria, talvez, a vizinhança da morte. Claro que os anos que ainda me faltam cumprir são muitíssimo menos que os já gastos. É dessa proximidade que falo. Não que sinta a frialdade da Ceifadora, neste momento. Não. Sou, como sempre fui, corpo e mente. Alguns déficits hão, não posso negar. Mas nada que incomode muito. Espero, agora, que alguém me decifre no depois? Não sei e não me interessa. Escreverei como sempre fiz: para nada, para ninguém, de mim para mim mesma.”

O livro, para completa surpresa dela, foi lançado em 16 de março. No próprio dia em que completou 92 anos. Foi seu primeiro. Esperamos que não o último. Viva Dona Maria Lia!

CHARGE TACHO

SÍLVIO CALDAS CONTA E CANTA COISAS DE NOEL ROSA

Sílvio Caldas se apresentando, em 1974, no programa “Sambão” transmitido pela TV Record e apresentado por Elizeth Cardoso, contando e cantando coisas de Noel Rosa.

CHARGE S. SALVADOR

SUPERNOVA

Sonia Zaghetto

Uma supernova brilhou nos céus do Brasil. Mal sabia que a explosão que a tornou visível já lhe anunciava o fim. A eleição de Lula para a Presidência da República é o marco inicial de sua queda.

Eleito, carregava consigo a esperança de muitos. Gente simples, que acreditava na lenda do trabalhador inculto que venceu as elites. Gente sonhadora, que o louvava como pai dos pobres, D. Sebastião revivido, campeão da ética, herói que venceria a fome e encantaria o mundo. Nas redações, sindicatos e universidades intoxicados de idolatria infante, era bicho raro, ave exótica que nunca estudara mas cuja sapiência era louvada. Uma lenda que ainda hoje alimenta o imaginário da cada vez mais esquálida academia brasileira e de um jornalismo torcedor e tacanho.

Mas o poder tem lá suas seduções e armadilhas. Uma delas é revelar a verdadeira natureza dos homens. Lula aliou-se aos antigos inimigos, fez tudo o que antes dizia condenar, arrumou justificativas para cada ato indigno. O Fome Zero jamais saiu do papel.

Veio o mensalão. Havia algo de podre no reino das vestais impolutas. O esquema subterrâneo de Dirceu começava a ser conhecido. Ponta de iceberg, mas suficiente para acender o alerta. Uma parte dos antigos aliados debandou. Foram-se o Bicudo, a Heloísa, o Cristovam.

Arrumou substitutos. Agora lambuzava-se com Sarney, Collor, Renan e Jucá. Bebiam na mesma taça de torpezas. Champanhes, jatinhos, adegas e ternos caros eram sua vida, mas ele ainda se apresentava como operário. A aura de herói injustiçado o mantinha enfeitiçando universitários, artistas e outros devotos. Comprou uma bela máquina que moía reputações, apostou em um país dividido, criou frases que nutriram ódios e incendiaram a imaginação pré-adolescente de alguns. E os doutores, que valorizavam os títulos e diziam honrar os livros e a ciência, nem se deram conta de que ele consolidava na alma brasileira a preguiça e o desprezo pelo intelecto.

Apresentou sua sucessora. Era medíocre e arrogante, mas estava embriagada pela possibilidade de voar alto. Criou-se para ela também uma imagem falsa, de eficiência, valentia e honestidade. A realidade se impôs, cruel como sempre, em atos e discursos. Pobre mulher, rainha do auto-engano, imperatriz de um reino imaginário.

No meio do caminho havia a Lava Jato. Caíram o Delcídio, o Palocci, o Dirceu, o Vaccari, o João Paulo, o Mercadante. Martha foi embora. Odebrecht desnudou o apocalipse. E, nas noites, sussurrava-se sobre um cadáver insepulto, o de Celso Daniel. Um fantasma, como o pai de Hamlet, clamando por justiça.

Pedalinhos e pedaladas. Triplex e impeachment. O sonho de poder se desfez entre miudezas, como um sítio que ele poderia ter comprado. Sequer pagou pelos armários da cozinha – o que diz muito sobre sua pequenez.

Soterrado por denúncias, encolheu a cada escândalo, denúncia e depoimento.

Da altivez arrogante de outrora, Lula tornou-se uma figura trágica. Revelou-se de forma plena. Era agora bem visível a extensão de sua indigência moral. Comparou-se a serpentes venenosas, exagerou-se como a alma mais honesta do Brasil. Suas negativas soavam patéticas e a insistência em dizer que nada sabia o transformaram em figura folclórica e ridicularizada.

Marisa morreu. A companheira foi velada em um comício-bravata e tornada responsável por recibos, contratos e negociações. Mais um cadáver a arrastar correntes pesadas com marcas de lodo e horror.

Palocci falou, com voz arrastada: havia um pacto de sangue. Ainda assim, nada parecia abalar a devoção de alguns de seus súditos: encharcados de teorias da conspiração, agarrados à túnica do ídolo, levaram-no a liderar a corrida presidencial. A alguns pouco importava se Lula comandou o maior esquema de corrupção da história brasileira.Às favas o saque aos cofres públicos. Que importa se a Pátria sangra?

Condenada, carregada de processos, com os bens bloqueados, a antiga estrela promoveu uma caravana. Gabava-se da força, da disposição, debochava dos adversários e açulava seus defensores contra os que considerava adversários. Seus advogados protelavam o cumprimento da pena. Recebeu ovos, pedras e tiros no ônibus. Reclamou do ódio que semeou, cultivou e agora colhe.

Veio o julgamento no Olimpo brasileiro. Minerva decidiu o jogo de poder, enquanto as demais divindades guerreavam entre si. Encerrados em suas torres de marfim, alguns deuses não viram a exaustão de um povo. Venceram os que farejaram o perigo de consolidar a sensação de que, no Brasil, os poderosos compram impunidade.

Por fim, a ordem de prisão. Sergio Moro concedeu ao ex-presidente benefícios devidos à dignidade do cargo presidencial: nada de algemas, cela especial. Uma ironia final, destinada a contrastar com a indignidade dos atos de quem ocupava o cargo.

Lula terá o tempo de vida que lhe resta para descobrir que livros são úteis, sim. Faltou-lhe ler os filósofos, os pais de outras nações e os grandes mestres da retórica e do Direito. Se houvesse conhecido o velho Aristóteles, descobriria que pathos (as paixões) precisam de ethos (o caráter do orador) e de logos (o conhecimento) para que ocorra a persuasão que captura em definitivo a alma da audiência. As biografias o ensinariam que mesmo o grande Cícero, que mesmerizava multidões, terminou com um alfinete de cabelo espetado na língua. Coisas da política.

Era uma vez uma estrela que brilhou nos céus do Brasil. Mal sabia que era uma supernova.

CHARGE NANI

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Estava decido a só enviar para serem publicados no Jornal da Besta Fubana apenas os artigos das segundas-feiras.

Mas quebrei “a regra” a mim me imposta diante dessa extraordinária e firme explanação do eminente ministro Luiz Roberto Barroso, quando proferiu seu voto contra o HC do bandido de colarinho branco petralha Antônio Palocci.

Um voto que deixou Gilmar Mendes, Dias Tofolli, Celso de Mello, Marcos Aurélio e Ricardo Lewandowski mais desmoralizados do que rapariga de beira de estrada aguardando caminhoneiro, mas com uma respeitosa ressalva: as prostitutas que ganham a vida com dureza merecem mais consideração!

Vamos ao vídeo.

Carregar mais