16 abril 2012 RÁDIO-PEÃO - Huytamar Freitas


Iêu mi alembro di seus zóio
toda veiz qui óio o céu
modi ispiá as sua trança
mi faiz vortá sê criança
qui si lambuzô toda de mel
Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja


Iêu mi alembro di seus zóio
toda veiz qui óio o céu
modi ispiá as sua trança
mi faiz vortá sê criança
qui si lambuzô toda de mel

Quer ver a ave cantar
Dê-lhe notícia de dor.
(Mote de Aloísio Lopes)
Escravo da solidão
Tornei-me há dias atrás
São espetadas demais
Em meu velho coração
Até o meu azulão
Virou meu consolador
Sempre que ver meu clamor
Ele começa a trinar.
Quer ver a ave cantar
Dê-lhe notícia de dor.
É bem triste o meu cenário
Amei e não fui amado
Hoje só sou consolado
Quando escuto o meu canário
Que sabendo do fadário
Deste pobre sonhador
Fica imitando um tenor
Só para me consolar.
Quer ver a ave cantar
Dê-lhe notícia de dor.
A patativa golada
Canta que se arrepia
Ao notar tanta agonia
Dentro da minha morada
Seu canto na madrugada
Espanta todo o pavor
Mas a lembrança do amor
Ela não pode apagar.
Quer ver a ave cantar
Dê-lhe notícia de dor.
Glosas: Wellington Vicente.
Po rto Velho, 20/10/2009.


La vinha eu serelepeando por uma destas ruas infernais de Cuiabá, com uma tocha de fogo no tampo do quengo de desassossegar e ferver o sangue de qualquer vivente. A tocha era o sol, que pelos calientes minutos do tempo entre as quatorze e quinze horas, espalha um bafo de aproximadamente 42 graus em qualquer sombra.
Chupar um picolé nessa canícula é tarefa que precisa ser cumprida em no máximo dois minutos. Passando disso vira suco e cai melecando a roupa todinha.
Pois como disse, lá vinha eu. E vinha vestido de bermuda larga, camiseta polo branca e um par de franciscanas, que não há força no mundo que me tire dos pés.
Vinha pensando na história incrível da minha família e rindo à larga dos acontecidos com esta tuia de loucos, que é a vida dos pais e prole dos Cavalcantis.
A paixão do casal Garibaldi e Maria Angélica, começou em Uberaba. Por essa época o cabra tinha ficado noivo de uma baranga qualquer na cidade e, mesmo sem conhecê-la, dou graças a Deus por não ter sido a minha mãe.
È que mãe pra mim só vale a que eu tenho e se fosse outra, eu seria ainda mais rebelde do que sou. Um revoltado, ou quem sabe ainda, um deputado ladrão.
Quando meu pai pôs os olhos por riba dos apetrechamentos de Maria Angelica, babou-se todin. A criatura tinha o apelido de Maria Cinturinha e, além de ser alta funcionária da Vasp, ainda tinha as qualidades de ser belíssima, culta, educada e de comportamento irrepreensível.
Foi tes…digo paixão à primeira vista. O noivado do velho Cavalcanti, um homem muito bem apessoado, foi pras cucuias, e o namoro dos dois foi à moda antiga dos amores verdadeiros que, em tempos idos, duravam por toda vida.
A tristeza aconteceu quando meu pai resolveu aceitar o convite para ser chefe da Comissão Mista Brasil-Bolívia, cuja tarefa era a de construir a estrada de ferro que ligaria o país vizinho até o portos dos litoral brasileiro.
O sujeito, querendo mais desta vida e recusando-se a ser um fazendeirinho qualquer em Uberaba, se manda pra Corumbá e, com essa atitude tresloucada, deixa minha pobre mãezinha em prantos, por desconfiar da perda do grande amor da sua vida.
A tristeza teve pouca duração. Um dia o carteiro chegou e o seu nome gritou com uma carta na mão. Ante tristeza tão rude não sei como ela pôde chegar ao portão.
Ao contrário da moda, a carta trouxe imensa felicidade. Minha mãe diz até hoje que não sabe como é que em um pedaço pequeno de papel pôde caber tanta alegria.
Era um pedido de casamento. E feito por carta, que durou aproximadamente uns quinze dias pra sair de Corumbá e chegar a Uberaba.
Outros quinze dias levaram a resposta do sim até meu pai.
Outros quinze dias para o meu pai dizer que era o homem mais feliz do mundo.
Mais outra quinzena para minha mãe se declarar totalmente dele.
Outra ainda para marcar a data do casamento.
E, por fim, a última para acertar como o casório seria levado a efeito.
Pois minha mãe aceitou casar sem o meu pai presente.
Casou por procuração e foi levada ao cartório pelo tio que mais amei na vida e que recebeu de batismo a graça de Guilherme Cavalcanti.
Tão amado fui por ele, que quando meu primo Murilo – filho dele – faleceu, o cabra implorou que minha mãe o deixasse me criar. Pedido negado é claro. O máximo que ele conseguiu foi ser meu padrinho.
Tio Guilherme se foi e, junto com ele meu pai e todo o clã da velha guarda dos Cavalcantis. Uma cambada de nordestinos alegres e safados e sem vergonhas e desatinados, que hoje devem estar provocando gargalhadas, estando onde estiverem.
Pois minha mãe casou com meu tio, com a procuração do meu pai.
Imediatamente entrou num velho Douglas DC 3, (equipamento do heróico CAN – Correio Aéreo Nacional) e tomou o rumo de Corumbá. Um fim de mundo que consegue a proeza de ser mais quente que Cuiabá, e, por essa época, sem energia elétrica, sem água encanada, sem telefone e sem mais nada.
O amor não precisa dessas mudernages não.
Apenas ele é o suficiente para dar à vida o necessário para o enfretamento de qualquer vicissitude.
Basta ele.

Com essa, conta-se mais noites juntos do que esperado, porém menos do que ela realmente queria. Ficava por ali, passavam-se as horas e acabavam por amanhecer juntos, na cama, emaranhados – como ele gostava, e ela ainda mais – depois de descobrir esse hábito dele.
Acordou naquela manhã mais melancólica do que de costume… Muitas palavras mal colocadas, situações incômodas e, consequentemente, sentimentos mal entendidos surgiram nos últimos dias e, como forma de defesa… o afastamento.
Levantou sem acordá-lo, vestiu uma camisa – dele mesmo, jogada pelos cantos do quarto – e saiu sem ser percebida. Levou o remédio na mão, até a cozinha, e o tomou com pequenos goles d’água. Percebeu o último botão aberto ainda, sem ânimo assim o deixou… quem sabe ele veria como convite? Sem se prolongar nessa esperança vã, caminhou com os pés descalços até a sala. Sentou confortavelmente no pequeno sofá e ligou a tv.
Suspirou profundamente e logo percebeu que ligar o aparelho foi inútil, estava mais centrada em seus próprios pensamentos do que em programas culinários matinais. Não parava de perguntar-se o motivo de tantos desentendimentos… Nessas horas de questionamentos tão intensos, ficava realmente tensa e cobrava muito de si mesma. Melhores momentos, melhores atitudes, melhores palavras… só não sentimento; sabia que o que sentia era realmente o que de mais verdadeiro tinha. E ele? Ah, chegou o momento, tanta insegurança!
Automaticamente pensou na frase que leu em um livro recente onde o personagem, criado por Wilde, Lorde Henry Wotton, em suas várias divagações diz: “O pior em ter um romance é que ele lhe deixa extremamente sem romantismo”. Tão triste! Era algo que realmente tentava entender…
Ainda envolvida por lembranças de um presente pouco passado, pensou ainda mais o quanto a situação pode se complicar por coisa pouca. Nesta noite fez apenas uma pergunta à ele, sabia da resposta, mas a melodia cantada de suas palavras que poderiam ser doces, saída da boca de quem ela mais amava a faziam sonhar… Mas, ele duramente respondeu como alguém que pouco importa com a sonoridade leve de uma resposta pensada. “Tudo pode mudar, temos apenas o que conquistamos”. Fato, mas não quisto. Ela nunca pediu para que ele mentisse ou omitisse nada, mas a verdade pode ser colorida e ainda ser sincera…
Ele deu de ombros, ela virou e adormeceu… chateada.
Desligou a tv – percebeu que ligara apenas para afastar a solidão – e continuou acomodada ali mesmo. Tentou pensar nele com carinho, mas não resistiu e chorou. Sentida, magoada, mas com esperança de que ele percebesse a inutilidade do que aconteceu.
Ele acordou e andou pela casa à sua procura. Entrou na sala, foi ao seu encontro e a abraçou. Forte. Perguntou se ela a amava e se estava tudo bem. À primeira pergunta, respondeu que ‘sim, e muito’. Alguns segundos passaram antes que respondesse à segunda… Mas logo veio: ‘sim, tudo bem’. E fechou os olhos que ainda guardavam lágrimas.
Não estava tudo bem, mas ela queria que estivesse e, por isso, faria com isso se tornasse um fato. Ele sabia também que não estava, mas gostou da resposta… Na noite anterior era assim que deveria ter sido!
A nossa vida é uma somatória de realizações, principalmente das que mais desejamos e trabalhamos para alcançar… Daí o poder das palavras, a importância que damos a elas e o cuidado de como e quando as pronunciamos…
“A palavra é meu domínio sobre o mundo” (Clarice Lispector)
“Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.” (Shakespeare)
Um folheto de Leandro Gomes de Barros
GOSTO COM DESGOSTO ou O CASAMENTO DO SAPO
No tempo do carrantismo
Tempo que os bichos falavam
Como hoje vivem os homens
Eles também transitavam
Havia muitas questões
Casos fundos que se davam
Na cidade da Caipora
Perto da Tábua Lascada
Município da Rabugem
Freguesia de São Nada
Rua de Não Sei Se Há
Esquina da Sorte Minguada
Morava nesse chalé
Um sapo velho caldeireiro
Tinha uma grande família
Um filho ainda solteiro
O velho era arrumado
E o filho tinha dinheiro
A filha caçula dele
Sapa também arrumada
Filha daquele lugar
Por todo mundo estimada
Por amar muito o seu pai
Ainda não era casada
O visconde Cururu
Barão da Cria Quebrada
Morava na Vila Nojenta
Rua da Esfarrapada
Travessa do Alagadiço
Na casa número nada
O visconde tinha um filho
Um rapaz também solteiro
Não era lá desses ricos
Mas também tinha dinheiro
Engraçou-se da sapinha
A filha do caldeireiro
A viscondessa dona Jia
Conhecendo que o filho amava
A sapinha caldeireira
Com vergonha não falava
Respeitava muito ao pai
Por isso nada tratava
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Mino Pedrosa

No dia 13 de fevereiro de 2004 Lula enfrentou seu primeiro escândalo como Presidente da República. O ministro da Casa Civil, o todo poderoso, José Dirceu, através de seu assessor Waldomiro Diniz estava envolvido em propinas de Caixa 2 do PT, flagrado pelo chamado “empresário do jogo” Carlos de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O tratamento da mídia dado a Carlinhos Cachoeira à época foi de grande “empresário do jogo” e dono do segundo maior laboratório de medicamentos genéricos do país: Vitapan. A TV Globo anunciava, no Jornal Nacional, a pedido do Palácio do Planalto, que a fita, flagrando Waldomiro pedindo propina a Cachoeira para as campanhas petistas presidencial e estaduais, era uma conspiração do Ministério Público e da imprensa contra o governo petista.
Hoje, passados oito anos e findados o governo Lula e a blindagem, Cachoeira e Waldomiro foram condenados pelo processo de 2004.
O Partido dos Trabalhadores saia, na ocasião, numa defesa feroz de Zé Dirceu e Waldomiro alegando que o “empresário do jogo” Carlos Cachoeira estava sendo usado num complô para beneficiar os tucanos derrotados nas eleições presidenciais.
Enquanto isso, numa cobertura na Avenida Atlântica esquina com a Rua Hilário de Gouveia, num dos pontos mais chiques do Rio de Janeiro, Copacabana, morava o bicheiro Aniz Abraão Davi, o Anísio. Alí era feita a arrecadação do jogo do bicho carioca. O mesmo apartamento, de propriedade do doutor Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, era usado apenas para assistir a queima de fogos na passagem do ano, até 2003. Era um apartamento de alto luxo com mármore de carrara e louças portuguesa e inglesa, importadas com exclusividade para decorar a cobertura do empresário e jornalista.
Recentemente a TV Globo, no Jornal Nacional, mostrou imagens da cobertura dizendo que o bicheiro Anísio vivia num luxuoso apartamento em Copacabana. Mas omitiu que o proprietário anterior era o falecido presidente das Organizações Globo doutor Roberto Marinho.
O Jogo do Bicho no Rio de Janeiro se mistura com a arrecadação de dinheiro do Metrô e trens de superfície. Os bicheiros comandam parte das estatais do Governo Carioca.
A Operação Monte Carlo foi montada pela Polícia Federal de Brasília e Ministério Público Federal para atuar no Estado de Goiás. O objetivo era atingir Demóstenes Torres e Marconi Perillo. Ambos oposição ao PT.
Dessa vez, o personagem é o mesmo, mas o tratamento dado pela mídia e pelo Palácio do Planalto mudou muito. Agora, Carlinhos Cachoeira, “empresário do jogo” é chamado de bicheiro, contraventor e presidiário em Mossoró.
Os bicheiros de renome no país estão revoltados com a imprensa quando denominam Carlinhos Cachoeira de “bicheiro”. Segundo eles, Carlinhos não passa de vendedor de papel para gerenciar loterias nos Estados e gerente de grupos proprietários de caça-níqueis.
Waldomiro e Zé Dirceu, em 2004, tentavam legalizar as máquinas de caça-níqueis para o “empresário do jogo” Alejandro de Viveiros Ortiz, que tinha o foco apenas em seus próprios negócios. Enquanto isso, Carlos Cachoeira, outro “empresário do jogo”, com um foco mais “profissional” queria as caça-níqueis em casas especializadas, ou seja, a legalização total do jogo no Brasil, com a apuração em real time, on-line. Cachoeira pensava no software do jogo on-line, desenvolvido especialmente para suas empresas e que já atuam no mercado internacional.
Agora, a Operação Monte Carlo não quer revelar os negócios do “empresário do jogo” Carlos Cachoeira. Omite a participação de grandes empreiteiras, que abocanharam bilhões dos cofres públicos durante o Governo Petista. Em centenas de horas de grampo telefônico, apenas 2 minutos se referem ao chamado “Jogo de Azar”.
Carlinhos Cachoeira fala com o senador Demóstenes Torres e pede para “tocar no Senado o projeto de lei de autoria do ex-senador Maguito Vilela.” Demóstenes, após analisar, diz que o conteúdo vai de encontro ao projeto de Cachoeira. Mas mesmo assim, Cachoeira pede o empenho de Demóstenes, para colocar em votação para apreciação de todos os senadores.
A bancada da legalização do jogo no Congresso é muito forte. O retorno dos cassinos é projeto do senador Edison Lobão, com o apoio do PMDB. A legalização das máquinas de caça-níqueis e bingos é do ex-senador Maguito Vilella e outros parlamentares, inclusive do PT, e na Câmara, há projetos de dezenas de deputados.
Quando as gravações do MPF revelam o nome de Cláudio Abreu não diz que se trata do diretor do Centro-Oeste do Grupo Delta de Engenharia, o maior fornecedor do Governo Federal. A Delta atua fortemente no Governo de Goiás, com obras e locação de veículos. O governador Marconi Perillo chegou a conversar com Cláudio Abreu no sentido de liberar concessões em todo o Estado para beneficiar Carlos Cachoeira. A Delta estava sendo usada como fachada de negócios do contraventor, que despachava numa sala no mesmo andar da empreiteira em Goiânia. Por isso, aparece nas gravações falando de milhões com seu contador. Já que o contraventor falava em milhões com o seu representante fiscal, não poderia estar se referindo ao jogo e sim a negócios “lícitos” e “declarados”.
E é pela porta dessa “legalidade” que Carlinhos Cachoeira entra em Brasília gerenciando com Cláudio Abreu o lixo do DF. O gerente do Centro-Oeste da Delta é o contato de Cachoeira com o Governo do DF, juntamente com o Dadá, Idalberto Matias de Araújo, o braço operacional de Carlinhos.
Cláudio Abreu faz contato com o Governador Agnelo, através do chefe de gabinete Claudio Monteiro e Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão, da Casa Militar e dono da Plá Comunicação. A agência está no nome da mãe de Marcello, Marly Antônia de Oliveira Castro.
O que chamou a atenção do MPF foi o modus operantes de Carlinhos Cachoeira. A equipe que trabalha com ele faz monitoramento clandestino eletrônico e telefônico de empresários, políticos e jornalistas. Carlinhos também tem o costume de gravar as conversas durante seus encontros. Tudo isso fazia parte de um plano do “empresário do jogo” para comprar parte da Delta e se tornar parceiro de Fernando Cavendish, o presidente da Delta que recentemente durante uma reunião de diretoria da empresa disse na mesa que é muito fácil comprar um senador da base governista para conseguir obras. “Senador tem preço é só pagar que ele dá um jeitinho ”
O mais interessante é que até agora o Senado não chamou o empresário para explicar por quanto é possível comprar um senador.

Em conversa gravada, em dezembro de 2009, o dono da Delta Construções S/A, Fernando Cavendish, afirma que é possível ganhar contratos com o poder público subornando políticos.
* * *
Já sabem os bem informados leitores do JBF que a Delta é aquela empresa “fraquinha”, a predileta do gunverno, que já recebeu mais de R$ 3,6 bilhões em verbas federais. É a mesma que está no centro das investigações envolvendo Carlos Cachoeira. As investigações chegaram a ponto de descrever Cachoeira como um sócio oculto da Delta.
Num trecho da gravação, o dono da Delta afirma o seguinte:
“Se eu botar 30 milhões na mão de político, eu sou convidado pra coisa pra caralho.”
A gravação foi divulgada pelo jornalista Mino Pedrosa, no blogue Quid Novi. Pedrosa é o mesmo que acertou na mosca quando denunciou ao Ministério Público a cobrança de propina pedida por Waldomiro Diniz, então assessor de José Dirceu na Casa Civil, a Cachoeira. O episódio, depois comprovado com um vídeo, provocou a queda de Diniz e levou a criação um ano depois da CPI dos Bingos. Foi o primeiro grande escândalo do governo Lula, em 2004.
A Delta soltou uma nota confirmando a autenticidade da gravação agora divulgada. E confirmando também as palavras de Cavendish, mas ressalvando que “o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata.”
“Exemplo hipotético“… Sei, sei, dona Delta…. Tô entendendo… “Tom de bravata“… Entendi…
Bravata quem vai fazer agora é o JBF: o áudio em primeira mão pra comunidade fubânica da gravação do bem sucedido bravateiro:


UMA PEÇA DE TEATRO PARA COLABORAR NO COMBATE À DENGUE
Caro Papa Berto I,
Volta e meia, temos lido algumas notícias sobre casos de dengue, inclusive com mortes. Preocupado com isso e como atuo na área da literatura infantil, sei que sem a mobilização das crianças pressionando os pais nada vai pra frente.
Assim, escrevi uma peça de teatro (toda em versos, como um cordel), para ser montada em escolas e para a população de um modo geral. Enviei “trocentos” e-mails para as prefeituras das maiores cidades de Norte a Sul do País e, até agora, nenhuma se interessou pela montagem.
Fica aqui, portanto, o oferecimento para os grupos de teatro infantil que queiram montar a peça em suas regiões. A peça se chama CHAPEUZINHO COR DE MEL E UM MONSTRO PRA LÁ DE CRUEL e está devidamente registrada na Biblioteca Nacional.
Contanto com o desinteresse das autoridades no assunto, estou certo que a dengue vai durar muitos e muitos anos ainda. Logo, quem montar a peça vai ter trabalho que não acaba mais.
Se V. Santidade me permite, gostaria de deixar o meu e-mail para contato: hardyguedes@gmail.com
Um abraço
Você me fala de amor,
Que me adora e coisa e tal…
Amigo pegue seu rumo,
Vá, não me leve a mal.
Você já saiu da tela,
Estou em outra novela,
E até mudei de canal.
Quando vi chegar a hora
De você sair do ar,
No camarim eu fiquei
Novo ato a ensaiar,
Imbuída na labuta
Fui feliz em minha luta
Mesmo não sendo seu par.
Sou estrela principal
Em um novo seriado.
As histórias fracassadas
São roteiros do passado.
Eu seguirei adiante,
Você foi só figurante,
Num caso finalizado.

Times de Futebol !
Estou indignada , com o futebol Pernambucano, ontem estava sem sono, quando resolvi assistir um programa, só sobre futebol onde passava os lances dos jogos do Final de Semana do Campeonato. Hoje, as torcidas não vão assistir o espetáculo, o jogo em si, estão mais preocupados, com o time adversário, com a rivalidade, com brigas fúteis, isso sem contar nas briguinhas verbais em fóruns na internet, famílias não estão indo mais aos estádios, por conta dessa briga sem fim.
Sou Sport, mas totalmente contra a essas pancadarias, ate acho que deveria mudar essa grito de guerra “Pelo Sport Tudo …” Quem já se viu dar tudo pelo time, (Por sua Mãe tudo ou Por seus filhos …) Mulesta de ta se acabando por time, os jogadores não estão nem ai, nem le conhece, pra você estar destruindo tudo. Sem contar que basta ganhar fama já começam a rebolar faltando os treinos, e você lá matanto e morrendo pelo time, isso não existe.
Vamos dar valor mais ao nosso tempo, assistir coisas mais inteligentes, sair para passear com nossos filhos, não perder o domingo se matando por um time, imaginem uma copa, Meu Deus!

No futebol, a derrota sempre é uma coisa ruim. Ainda mais quando acontece contra um adversário ferrenho e tradicional.
Assim, a derrota do Santa Cruz, ontem, na Ilha do Retiro, contra o Sport, se não significou muita coisa em termos de decisão do Estadual 2012, serviu para aumentar ainda mais a larga vantagem que o clube rubro-negro mantém nas estatísticas sobre Náutico e Santa.
Além do mais, quebrou a magnífica sequência de oito vitórias que o Santinha vinha sustentando ao longo dessa fase e que serviu para catapultar a sua ascensão na tabela de classificação.
Mas, assim como a derrota vergonhosa na Copa do Brasil, para o Penarol amazonense nos serviu de motivo para a reabilitação, esperamos que a derrota de ontem por 2×1 para o time da Ilha, quando jogamos desfalcados, sirva de alerta e para uma postura mais aguerrida e eficiente nossa no quadrangular final.
E se alguém pensa que o Salgueiro, o terceiro colocado que disputará as semifinais contra nós, será um time fácil, está enganado. Pelas estatísticas, o time sertanejo disputou 18 pontos contra o chamado trio de ferro do futebol pernambucano, na fase inicial do certame, e ganhou 13, com um aproveitamento altissímo de 72,2%. Por sinal, nessa fase, a única derrota salgueirense ocorreu justamente contra o Santa Cruz, no Estádio do Arruda. No mais, venceu o Náutico duas vezes, dentro e fora de casa, e derrotou o Sport em casa para empatar no jogo da volta, na Ilha do Retiro. É uma equipe perigosa e coesa, faltando-lhe, porém, tradição e torcida.
Mais modesto nas suas estatísticas contra os grandes, o Santinha disputou os mesmos 18 pontos, ganhando apenas sete, com aproveitamento de apenas 38,9%. Foram duas vitórias (Salgueiro e Náutico), um empate (Náutico) e três derrotas (Sport, duas vezes, e Salgueiro). Pelas estatísticas, portanto, devemos nos preocupar.
Por seu lado, dos dezoito pontos disputados contra os finalistas, o Sport ganhou 11, com aproveitamento de 61,1%, com o segundo melhor desempenho. Por seu lado, o Náutico, com apenas dois empates e quatro derrotas, arrebatou apenas dois pontos dos 18 disputados contra os outros finalistas, com um desempenho fraquíssimo de apenas 11,1%, contando ainda com o agravante da queda de produção nas rodadas finais da fase inicial.
Pelos números apurados, portanto, disponta um favoritismo para o Salgueiro e o Sport. Mas, como quem morre de véspera é o peru e os números servem apenas como um retrato de momentos vividos e já consolidados, será dentro de campo, onze contra onze, que as decisões ocorrerão.
E nesse momento, o que valerá será a capacidade de cada um se impor com competência, seriedade e, acima de tudo, espírito de luta.
Escrito após o jogo Sport 2×1 Santa Cruz, em 15/4/2012, na Ilha do Retiro.

A Delta Construções faturou R$ 3 bilhões em 2010, ficando em sexto lugar no ranking anual das empreiteiras.
No novo ranking de 2011, ainda não divulgado, a empresa se aproxima de R$ 4 bilhões, podendo desbancar a Queiróz Galvão na quarta posição e aproximando-se muito da Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez.
* * *
Sob as asas desta Delta muita gente mamou e muita gente continua mamando. É um peito com biquinhos macios e fartos.
Muita gente voou e muita gente continua voando. É cada voo panorâmico arretado!

Não é por mera coincidência que a empresa é a campeã de obras do PAC, aquele programa que não saia da boca de Lapa de Conversador e que, no presente, não sai do pensamento da mamãe da petralhada.
Também não é por coincidência que o principal cliente da Delta dentro do gunverno vermêio é o Ministério dos Transportes, aquele onde o festival de propinas já derrubou até ministro.

Quando o sonho era só a manga do quintal vizinho a grande vontade era crescer para poder ver as pernas de Bardot no cinema. Esse tempo, embora ainda houvesse o medo de responder a tabuada pelo temor da palmatória, era um tempo bom em que o sonho era apenas encontrar um grande amor, ver o dia clarear e andar de trem buscando o Cariri. Não precisava dormir para sonhar. Era tão bom quando os sonhos eram só sonhos e a gente podia sonhá-los. Hoje resta a TV e o medo de ir às ruas, às praças, de namorar no escurinho deserto, território privativo dos namorados. Quem senta nos bancos das praças? Quem namora na penumbra do cinema? Onde estou? Que é da Rural Willys do meu pai?
A crônica de hoje poderia ser a sinopse de um filme do asiático John Woo, onde seqüências de lutas coreografadas se intercalam com diálogos sobre a máfia chinesa, policiais corruptos, imigração ilegal e preconceito.
Aqui, discorreremos sobre todos esses assuntos, menos as lutas coreografadas, pois essas sim, só acontecem no cinema.
Para aumentar a emoção da narrativa, colocaremos nossos personagens e cenas num prédio de classe média alta da tradicional e abastada sociedade recifense.
A polêmica começou com a inauguração de um condomínio de luxo instalado no coração do Recife, carinhosamente apelidado de Torres Gêmeas. A julgar pelos protestos da população, os recifenses querem que a cidade fique menos parecida com Nova York e mais com uma aldeia rural chinesa. A contradição de uma sociedade que mora em apartamentos e que protesta contra a verticalização da cidade.
Sigamos com a história: já que falamos de aldeia rural chinesa, foram eles, os chineses, que trabalhando na ChinaTown local, compraram 5 dos apartamentos de uma das Torres. Lá, instalaram cerca de 20 chineses por unidade (segundo fofoca local dos moradores ricos e que não curtem o cheiro de peixe frito às 5 da manhã).
O ápice do filme, quer dizer da crônica, aconteceu quando a polícia civil invadiu o prédio chique para prender Lin Aiyun por pagar propina para não ter suas mercadorias ilegais apreendidas.
Calma, antes do senhor colocar a culpa na chinezinha e dizer o velho “bem feito” vamos repensar o fato usando o estudo da lógica: se ela pagou propina, logo alguém recebeu; se ela vende mercadorias de contrabando mas tem dinheiro pra morar no prédio de luxo, logo alguém compra suas mercadorias.
O que me traz à seguinte conclusão: esse “alguém” é local, tem dinheiro e fala português! É justamente nessa cena que entram os policiais corruptos, o preconceito e a imigração ilegal. Uma verdadeira pena eu não poder incluir aqui as lutas coreografadas.
O prédio de luxo virou uma briga de comadres: Lin denunciou os agentes da polícia civil enquanto os vizinhos reclamam do cheiro do peixe e da falta de higiene dos asiáticos. Os estudiosos dizem que é um choque cultural e acusam os moradores brasileiros do prédio de preconceito e falta de conhecimento. No meio disso tudo, a Polícia Civil não atende o telefone e prefere não comentar o assunto.
O que me leva à segunda conclusão lógica desta história: vou largar essa vida de jornalista e ser roteirista de filme policial em Hollywood!

O Partido dos Trabalhadores de Belo Horizonte confirma aliança com tucanos para eleição municipal.
* * *
Isto aconteceu ontem, domingo, em reunião do bando encarnado da simpática capital mineira. Petralhas e tucanalhas de mãos dadas em busca do poder municipal.
E esses tabacudos ainda têm a coragem de vir torrar meu saco aqui no JBF falando em “esquerda” e “direita”, “progressistas” e “racionários”. Pois sim…
Sexta-feira passada li na internet um iluminado falando que o Mensalão era uma “mentira Demo-Tucana“.
Já a aliança do PT com o PSDB em Minas, deve ser uma “mentira Petelhocana“. Ou, talvez, uma “mentira tucanotralha“
Esses escrotos me fazem ficar apreensivo quando lembro que sou torcedor do cordão encarnado nos pastoris do ciclo natalino aqui no Nordeste, desde os tempos de menino.

Petelhada belorizontina selando acordo com a tucanalhada da cidade
No mundo contemporâneo, um binômio tornou-se indispensável, de extrema valia para o desenvolvimento de profissionais, empresas e comunidades grandes e pequenas. Competência x criatividade, irmãs siamesas, estão se tornando requisitos primordiais, para quem deseja enfrentar, sob a vertente integrada Trabalho-Capital, os desafios proporcionados pelas turbulências conjunturais do mundo contemporâneo, valorizando o pensar antológico do poeta Fernando Pessoa: “Viver não é necessário, o que é necessário é criar“.
Estamos emergindo de um período pouco democrático onde muito pouco se questionou, onde as questões mais estruturadoras foram escanteadas do conhecimento comunitário nacional, quando predominavam interpretações simplistas ou simplórias sobre fatos do cotidiano, negligenciando-se aspectos históricos, políticos e sociais dos ontens pátrios. E onde decisões significativas foram tomadas por minorias ínfimas, frutos de comprometimentos com outros bem poucos, alienígenas, como se o decidido de cima para baixo não violentasse, despersonalizando a nossa identidade cultural. Atrofiada a discussão democrática, estrangulou-se a visão macro-estratégica, disseminando-se um sentimento maniqueísta, resultante de um pensar dualista já ultrapassado, hoje carta fora do baralho, sem eira nem beira.
A profunda crise que vem se abatendo sobre o contexto planetário tem acarretado fortes impactos indutivos no processo de formatação de novas estratégias, públicas e empresariais, afetando o desempenho organizacional do conjunto, que exige, hoje, para a superação dos obstáculos oersistentes, uma formação cultural consistente, polivalente até, para que se possa entender os sistemas de trabalho e os seus interrelacionamentos, a complexidade dos ambientes externos, tudo integrando-se nas engrenagens de um processo de desenvolvimento, ainda hoje muito mais voltado para o financeiro do que para o social.
O instante nacional está a exigir novas posturas profissionais e posicionamentos estratégicos, onde o binômio competência x criatividade deve estar vinculado a um compromisso social edificado num planejamento de longo prazo exequível e politicamente convincente. Servirá tal binômio de pano de fundo para a formatação de cenários futuros que tenham como meta última a sobrevivência de seres humanos e organizações. Apta para enfrentar novas alavancagens desenvolvimentistas pós-crise, que certamente será de um outro padrão, mais social que apenas economicista, posto que a solução dos nossos mais cruciantes problemas não surgirá do acaso, nem advirá de caminhos trilhados por um pessimismo nostálgico, tampouco eivado de derrotismos ingênuos.
À sociedade como um todo, parte empresarial e parte pública, caberá a intensificação da pesquisa, a reflexão crítica propositiva multiplicadora, as propostas de novas metodologias, a compreensão maior dos derredores locais e regionais, a pregação da paciência sem pieguismos cavilosos, sem esmorecimentos e o constante estímulo para o reconhecimento dos erros e acertos de todos nós, reanimando-se os omissos, superando-se os despreparos, envolvendo todos num salutar processo de participação integrada. Paulofreireanamente libertadora.
O poeta Fernando Pessoa soube magistralmente conjugar o binômio competência x criatividade, a envolver um compromisso social bandeira de todos: “Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade“.
O que não tínhamos, há algumas décadas, temos agora em expansão: redes sociais que favorecem quase instantaneamente o conhecimento do que se passa nos quatro cantos do planeta, anunciando, denunciando, compartilhando, conscientizando, guttemberguizando novamente a aldeia global, que necessita ser mais solidária para com os que ainda são privados de liberdade, dignidade, arroz, feijão e participação.
É o que os mais lúcidos pretendem fazer, com a ajuda de todos, o Brasil acima de tudo. Quem com criatividade souber viver, participará de um contexto nacional, fazendo história nova sem sectarismos de espécie alguma. Caso contrário, ficará sempre com o rabo entre as pernas, imaginando-se coitadinho ou bolando soluções messiânicas do tipo “ou vai ou racha”, de desfechos históricos por demais conhecidos dos mais entrados na idade.

A Nação Brasileira é devedora aos que fizeram à Restauração Pernambucana, em 1654, dentre outras coisas, da sua integridade territorial, se os holandeses continuassem dominando a costa brasileira de Sergipe ao Maranhão, por certo esta região e o restante do Norte do Brasil seria hoje outra nação, e/ou um aglomerado de repúblicas a exemplo da América Espanhola; nunca o Brasil dos nossos dias, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados.
No dizer do padre Antônio Vieira, que antes aconselhara a D. João IV a desistir de Pernambuco deixando o Nordeste do Brasil na posse definitiva da Holanda, “pelejando só as relíquias dos pernambucanos com toda Nova Holanda, defendida e presidida com 19 fortes reais, a venceram toda de Norte a Sul e de cabo a cabo, reconquistando em dois dias tanta terra quanta se não podia andar a bom passo em quatro meses” (Sermões, v. XIV, p. 253-254).
Com as duas vitórias nos Montes Guararapes (1648 e 1649) e a conseqüente expulsão dos holandeses do Norte do Brasil, com a boa nova levada à Lisboa por André Vidal de Negreiros, enviado especial dos insurretos a D. João IV, os pernambucanos tomaram consciência de sua força e de seu papel perante o sistema colonial português.
Não sabia o Rei de Portugal, que ao deixar os pernambucanos entregues a sua própria sorte, quando da insurreição eclodida em 1645 contra as tropas invasoras da Holanda, estava contribuindo para a formação de uma “nova Roma de bravos guerreiros”, fazendo surgir após as vitórias nos Montes Guararapes o que veio a ser chamado de Nação Brasileira.
No imaginário que se estabeleceu já em plena guerra contra a Holanda, seriam os pernambucanos, na imagem de frei Manuel Calado, “filhos de Marte e, por isso, gerados para a guerra e destinados a viver sob o calor dos combates”.
O nativismo pernambucano, ao pressentir a força dos naturais da terra estabelecer as suas próprias fronteiras, criou para si um ideário que vem tomar forma no último lustro do século XVII. Segundo o discurso que da “nobreza de Olinda”, a restauração fora conquistada “a custa do nosso sangue, vidas e fazendas” sendo Pernambuco, juntamente com as demais capitanias ocupadas pelo Domínio Holandês, entregue ao Rei de Portugal debaixo de certas condições, segundo nos ensina Evaldo Cabral de Mello, in Rubro Veio. Rio: Topbooks, 1997. 2ª ed.: “A gente da terra deveria à Coroa não a vassalagem natural a que estariam obrigados os habitantes do Reino e os demais povoadores da América Portuguesa, mas uma vassalagem de cunho contratual, de vez que, restaurada a capitania, haviam-na espontaneamente restituído à suserania portuguesa”.
Este ideário se fez presente no movimento emancipacionista de 1710, quando pela primeira vez a “nobreza da terra” veio propor um contrato social entre os habitantes de Pernambuco e a Coroa Portuguesa; fato visto pelo Conselheiro Antônio Rodrigues da Costa, do Conselho Ultramarino – órgão de consulta em questões de administração dos domínios do ultramar – como “um caso de sublevação formal e abominável, de que não há exemplo na Nação Portuguesa, sempre fiel e obediente aos seus legítimos Príncipes” (J.A. Gonsalves de Mello, in “Nobres e Mascates na Câmara do Recife”, Revista do Instituto Arqueológico Pernambucano, v. 53, 1981, p. 229-239).
Com o autor de Rubro Veio, concorda o nosso Historiador-Maior, José Antônio Gonsalves de Mello, quando da introdução do volume 5 de Anais Pernambucanos, de Pereira da Costa,, 2ª ed. p. XXV: “Merece atenção a esclarecedora contribuição de Evaldo Cabral de Mello sobre as idéias que surgem quando da Restauração Pernambucana com a rendição dos holandeses (1654), acerca das relações entre a Capitania de Pernambuco e a Coroa portuguesa; segundo essas idéias, a liberdade de Pernambuco fora conquistada com o esforço dos próprios moradores da capitania e a anexação desta aos domínios de Portugal se fizera por vontade de sua gente. Assim devia esta ao soberano não a vassalagem natural, como a deviam os demais moradores do Brasil, mas uma vassalagem política. Sendo assim os capítulos apresentados ao Bispo [1710] exprimiam essas idéias e reivindicavam para Pernambuco o direito de estabelecer condições para o seu governo. Evaldo Cabral de Melo mostra ainda como essa ‘espécie de doutrina das relações entre a Capitania e a Coroa’ pode ser percebida nos movimentos revolucionários posteriormente aqui ocorridos, em 1817, 1824 e 1848, que teriam assim ‘uma vinculação concreta, de raiz ideológica’. Bernardo Vieira de Melo estaria pois, na mesma linha de idéias do Padre João Ribeiro, de Frei Caneca e Nunes Machado, com lugar conquistado entre os mártires pernambucanos”.
Não mais uma colônia de Portugal, não mais um protetorado de uma Monarquia Européia, mas “um povo e um povo de heróis”, na interpretação de Capistrano de Abreu. Uma “nova Roma de bravos guerreiros”, como assinala a letra de Oscar Brandão no hino estadual, bem de acordo com o imaginário, traçado no calor dos combates contra o flamengo invasor, de que os naturais de Pernambuco são filhos de Marte e, por isso, gerados para a guerra e destinados a viver sob a tensão das refregas. Este ideário, que há 350 anos foi plantado em Guararapes, se fez presente em todos os movimentos emancipacionistas do povo pernambucano, chegando aos nossos dias com o desejo sempre crescente de autonomia diante das ingerências partidas do Rio de Janeiro, num passado recente, e de Brasília, nos tempos presentes.
Ontem, como hoje, os sentimentos dos Restauradores de Pernambuco continuam presentes no ideário do povo pernambucano. O orgulho de nossa gente, fruto do inconformismo dos seus ancestrais, não nos permite curvaturas nem reverências a qualquer colonizador, como bem vislumbrou o poeta João Cabral de Melo Neto em “Pergunta a Joaquim Cardozo”:
É que todo dar ao Brasil
de Pernambuco há de ser nihil?
Será que o dar de Pernambuco
é suspeitoso porque em tudo
sintam a distância, o pé atrás,
insubserviente de que foi mais?

Inconformado com as perseguições contra o apóstolo Valdemiro Santiago e a Igreja Mundial do Poder de Deus, o senador Lindberg Farias esteve na sede nacional, no Rio de Janeiro, para mostrar a todo o Brasil o seu apoio a este ministério.
“Eu venho como senador da República lhe trazer a mensagem de que o Estado do Rio de Janeiro apoia este ministério. Venho também lhe trazer solidariedade, em meu nome e em nome da minha esposa, Maria Antônia, e dos meus filhos, Luiz e Beatriz. O senhor saiba que eu estarei em Brasília com a presidente Dilma, lutando por esta obra”, disse o senador diante da multidão que lotava a sede, o estacionamento e as calçadas, e diante de todos que acompanhavam a concentração de fé ao vivo pela televisão, pela internet e pela Rádio Mundial AM 1180.

* * *
Esta notícia não saiu na grande imprensa. Saiu numa imprensa “mais maior” ainda: eu catei na página oficial do supermercado da fé batizado de Igreja Mundial, de propriedade do Apóstolo Valdemiro.
Um picareta é sempre solidário com outro picareta. Esta é uma nação de gente muito unida.
Lindberg, ex-presidente da UNE, é vermêio zisquerdista de destaque, estrela do Socialismo Muderno e do bando que compõe a “base de apoio” do gunverno federal. Ele representa o estado do Rio de Janeiro no Senado. Foi eleito pelo PT, como era de se esperar.
Pra que esta postagem não fique muito séria e solene, vamos encerrá-la com hilariedade e deboche.
Dois vídeos humorísticos pra começar a semana:

É malassombrado que só a porra nesta nossa comunidade!
O fubânico José Paulo Cavalcanti Filho acaba de ganhar o título de Livro do Ano, categoria Biografia, no Prêmio Brasília de Literatura, com o texto “Fernando Pessoa – Uma quase autobiografia“, obra da gôta serena sobre o grande vate português.
Somadas todas as categorias, nada menos que 1.700 títulos de livros estavam na disputa!
Além do cheque gordinho de 30 mil reais, nosso ilustre conterrâneo trouxe pra Pernambuco a grande satisfação de receber o maior prêmio literário da atualidade brasileira.
Saiba mais sobre o livro relendo postagem feita no JBF em novembro de 2011 (clique aqui)
José Paulo – que assina junto com o também fubânico Cardeal João Veiga um artigo publicado hoje no JBF -, falou comigo agora há pouco e informou que embarca na noite desta segunda-feira para Portugal, onde vai lançar seu livro pela Editora Porto, na terra de Fernando Pessoa. Como desmantelo só presta grande, haverá lançamentos também em Jerusalém, Barcelona e Nova York.
Faça uma boa viagem, ao lado da sua querida Lectícia, e faça também muito sucesso em terras lusitanas, seu cabra doido que só a bixiga lixa!

João Veiga (médico urgentista) – José Paulo Cavalcanti Filho (advogado)
Álcool e direção não dão bom casamento. Uns morrem, ou se mutilam, quase sempre os que pilotam motos. Outros matam, e às vezes morrem também, quase sempre os que pilotam automóveis. Está já provado, cientificamente, que a ingestão de bebidas alcoólicas por quem dirige provoca essas mortes. Aqui e em toda parte. Os números revelam uma epidemia. No Brasil, em 2011, morreram mais de 41 mil pessoas vítimas de acidentes de trânsito. Pesquisa da ABDETRAN prova que 61% dos acidentados no trânsito haviam ingerido bebida alcoólica. E 95% das vítimas fatais tinham alcoolemia acima do legalmente permitido. Nos acidentes de trânsito de carnaval, no Recife, 80,7% das vítimas não fatais, e 88,2% das fatais, haviam consumido bebida alcoólica.
Baudelaire, em um de seus Pequenos poemas em prosa, recomendava: “É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isto; eis o único problema”. Problema mesmo, Baudelaire, é que, bêbado assim, você hoje correria o risco de morrer mais cedo. Ou, pior ainda, matar quem não tem nada a ver com sua bebedeira. Fernando Pessoa como que completa: “Se um homem me disser que seu fígado sofre com isso (a bebida), respondo que… seu fígado… é uma coisa morta que vive enquanto você vive”. Só que, amigo Pessoa, com garrafa em uma mão e veículo na outra, o risco é antes do tempo matar seu fígado, o resto de você e os outros.
Muito se tem feito em busca de soluções. Inclusive campanhas educativas, que até agora se revelaram pouco eficientes. Para complicar, o Código de Trânsito (Lei 6.503/97, arts. 165, 276, 277 e 306) agora esbarra em um problema técnico; o reconhecimento, pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP. 1.111.566), de que ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo. Exigindo-se, como reconhecimento do estado de embriagues, só “teste de bafômetro e exame de sangue” – palavras do STJ. Abre-se, pois, uma saída para bêbados em geral – o de, simplesmente, recusar o teste do bafômetro. Com a garantia de que fica tudo por isso mesmo. Não acontece nada. Aécio Neves, Mano Menezes, Romário e muita gente boa estão cansados de dar esse mau exemplo. Como se nossas elites estivessem impondo um novo projeto ético para o país. Onde o crime compensa, sempre. Sobretudo para quem, por dinheiro ou poder público, estiver acima das punições. Crime sem castigo, pois. A epifania da anti-moral, ou de uma moral deletéria. A sagração da esperteza.
A proposta que fazemos agora é bem simples. E requer só pequena alteração do já referido Código de Trânsito, com adoção de três novas regras: 1. O agente de trânsito tem fé pública para atestar o consumo de álcool, pelo motorista, para além do limite legalmente permitido (ou agentes, ou também filmagens, a ver melhor). 2. É direito do motorista fazer teste de bafômetro, para comprovar não ter ingerido álcool além dos limites permitidos pela lei; valendo, esse resultado, como prova em favor do motorista. 3. O agente de trânsito não pode provar ter o motorista consumido álcool, além do limite permitido, quando não haja bafômetro disponível por ocasião do evento.
Simples assim. Não quer fazer o teste, senhor motorista, então não faça. Azar o seu, que a presunção será a de que bebeu além do permitido. Valerá, no caso, a palavra do agente público de trânsito. Com a consequente condenação dos ébrios, claro. Tendo, todo condutor de veículo, sempre o direito de fazer o teste – que provaria, para todos os fins de direito, não ter ele ingerido álcool além do permitido. Em vez da prova de que se ingeriu álcool, passaria a ser o contrário, com o bafômetro servindo para provar que não se ingeriu. Com essa mudança legal, tudo se ajustaria. Fica a proposta, embalada em um resto de esperança no Congresso Nacional.