DOANDO O ORIFÍCIO

Steven Spielberg doa US$ 100 mil em apoio a casamento gay – Para cineasta, fim do direito recém-conquistado seria ‘discriminação’. Ator Brad Pitt havia doado a mesma quantia à causa na semana passada.

* * *

Seguindo os exemplos destes dois grandes nomes do cinema mudial, mandei uma contribuição para esta nobre causa, em nome das organizações Besta Fubana, também no valor de 100. Cem reais. Uma contribuição simbólica, escrita num pedaço de papel.

Afinal, este tema da frangagem, casamento de macho com macho, interessa de perto para o JBF. Trata-se de uma conversa que dá um ibope da porra entre os nossos leitores, cada um mais politicamente incorreto que o outro.

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Batman e Robin doaram, além do orifício pecaminoso, 10o mil dólares cada um para a campanha do casamento entre boiolas



PERGUNTA DE UM IGNORANTE

Números divulgados nesta terça-feira (23) pelo Banco Central mostram que US$ 2,68 bilhões deixaram a economia brasileira na semana passada, mesma época em que a crise financeira internacional piorou com o anúncio da concordata do Lehman Brothers.

* * *

Se são números do Banco Central, então trata-se de informação oficial.

Quando perguntaram ao Presidente Lula sobre a “crise”, ele aconselhou o repórter a perguntar ao Presidente Bush. Como sou analfabeto em economia e não quero ouvir desaforo do nosso Grande Líder, pergunto aos leitores que conhecem do riscado: esta notícia é boa ou ruim para o país? Isto quer dizer que a crise chegou, tá chegando ou não quer dizer nada?



SEM CORREIO

Comunico aos fanáticos leitores que estou sem correio eletrônico desde as primeiras horas da manhã de hoje. Não entra, nem sai mensagem.

Aguardemos a boa vontade do provedor Terra. E tenham paciência.



BISPO HARDY GUEDES – NATAL-RN

Caro Papa Berto I,

Já que o caso é virgindade, veja este:

Noiva perde marido por não ser virgem; promotor apela

A Promotoria pediu nesta segunda-feira a uma Corte de apelação francesa que descarte a anulação de um casamento, que terminou porque a noiva mentiu a seu futuro marido dizendo que era virgem. De acordo com os promotores, a anulação discrimina as mulheres.

A decisão tomada em 1º de abril por uma Corte de Douai, que anulou a união de um casal muçulmano, causou alvoroço no país.

Alguns críticos alegaram que a decisão foi um sinal de que os valores seculares da França estão perdendo terreno frente às tradicionais culturas das comunidades imigrantes, que crescem rapidamente.

Eric Vaillant, da Corte de apelações no norte do país, disse que os promotores insistiram em que a decisão fere o princípio de igualdade entre os sexos e a própria dignidade humana e que, inclusive, ameaça a ordem pública. A decisão da Corte sobre o caso deve ser tomada em 17 de novembro.

Obs.: Hoje em dia, ninguém liga para esse negócio de virgindade. Mas o caso é complexo, porque o casal é muçulmano. Por outro lado, é preciso esclarecer se o que foi julgado foi a virgindade ou a mentira.



CARDEAL JOÃO VEIGA – RECIFE-PE

“Não se pode ficar no esquecimento…”

Quando comecei a pesquisar sobre cruzes na estrada, para fazer o filme com Wilson Freire o poeta Dedé Monteiro fez este mote: “Não se pode ficar no esquecimento, uma cruz, uma história e uma estrada”.

“A cruz”

No caso do movimento dos médicos do estado por melhores salários e condições de trabalho, alguém é culpado pelas mortes, dores e seqüelas ocorridas mais intensamente neste período.

Defendo que se faça uma comissão para investigar todas as mortes e as cirurgias ocorridas neste período. Poderíamos aprender que a truculência não tem lugar para um estado democrático. Que personificação na gestão de saúde é um desastre, pois as políticas de saúde devem ser sempre de estado e não de governo.

As mortes e sofrimento, mesmo sem o movimento ora tratado, já existem. É a face mais cruel de um sistema de saúde com financiamento comprometido por conta da política do Ministério da Saúde, diga-se, do Governo Federal.

“A história”

Na época do Dr. Jatene, ministro e médico, e que fez uma boa gestão no MS, 22% dos recursos da Seguridade Social era destinado ao Fundo Nacional de Saúde(FNS). Ele achava pouco recurso. Após estudo dos custos da saúde, na visão da sua equipe, estipulou-se que deveria ser de 30% dos recursos da seguridade social a serem transferidos para que o Ministério da Saúde do Brasil fazer políticas de saúde de estado.

O Ministro foi ao presidente, que segundo palavras do Dr. Jatene, informou que a área econômica não aceitava este montante de recursos transferido para o Fundo Nacional de Saúde por conta das metas estabelecidas de superavite primário e etc. O Dr. Jatene propôs o “imposto do cheque” e foi “à luta” com os deputados para aprovação. A Justificativa do ministro era que o imposto do cheque injetaria o que faltava dos 22% já colocado no Fundo Nacional de Saúde para chegar aos 30%, que ele desejava.

Foi aprovado o imposto. Já no primeiro depósito do imposto (CPMF) no FNS, foi enviado menos dinheiro da seguridade social, isto mesmo, o que foi injetado do imposto do cheque foi tirado no repasse da seguridade social, que é constitucional.

Hoje a coisa é bem pior: não tem o imposto do cheque e o governo só repassa 14% dos recursos da seguridade social para o FNS. Com encolhimento do financiamento por parte do governo federal, sobrou para os governos estaduais e mais agudamente para os governos municipais. Estes são quem menos arrecada impostos e conseqüentemente que menos pode investir, resultado: o SUS ameaçado e as pessoas morrendo.

“A estrada”

Não é só com técnicos que se constrói um sistema de saúde. É necessário fazer política. A decisão de melhoria da saúde para todos é POLÍTICA. O gestor municipal “aperta” politicamente o prefeito por maior volume de recursos para a saúde. O prefeito “aperta” o governador por mais recurso e o governador “aperta” o presidente e o controle social e a imprensa aperta a todos. Esta é a fórmula.

Os gestores de saúde têm que seguir o que Dr. Jatene fez, POLÍTICA. Foi a cada deputado, a cada senador, a cada líder e a cada ministro convencendo da necessidade de recursos para a saúde. Nestas conversas, estas autoridades, já passando dos 60 anos, perguntavam se o Dr. Jatene não estava mais operando e afirmavam que se um dia precisasse ser operado, queria ser pelo Dr. Jatene. Ele muito educado, dizia: “Com certeza não terei tempo para operar Vossa Excelência, estarei em uma reunião, como esta, com outra autoridade, pedindo verbas para a saúde do Brasil”. O “cabra” dava um pulo da cadeira e dizia: “assino o que o Senhor quiser, não fique perdendo tempo com este políticos não, continue operando para o bem do “Brasil” ”

A estratégia do Dr. Jatene pode até não ter resultado em uma melhora para a saúde dos brasileiros à primeira vista, mas ele mostrou o “norte” e os percalços que o ele tem.



ESCAPOU DAS ALGEMAS

Há dias, numa festa em Lisboa, com a presença de muitos brasileiros, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu confessava que havia ficado muito tempo fora do Brasil porque “tinha medo de ser preso”. Ele havia descoberto que a Operação Satiagraha tinha ele e Mangabeira Unger entre outros alvos, além de Daniel Dantas. “Fui grampeado, seguido, fotografado, filmado, tive minha vida inteira remexida por agentes da Abin, da Polícia Federal e também por espiões do sistema privado”. E Dirceu garante ainda que Mangabeira Unger, antes de tomar posse, viajou correndo para os Estados Unidos, onde ficou mais de mês, porque teria sido avisado que seria preso em menos de quinze dias.

* * *

Este Zé Dirceu é mesmo um grandessíssimo cabra safado. Não existe um termo mais nordestinamente melhor que este pra definir o lobista petralha. Isto é a volta da aroeira no lombo de quem mandou dar. Isto é o estado policial incomodando o furico de quem sonha implantar aqui um estado policial igual ao da pátria cubana que ele tanto idolatra.

Isto são cachorradas do governo petralha.

Adora ler estas coisas.



REPÚBLICA DO GRAMPO

Levantamento da CPI dos Grampos junto a dados de uma operadora que por ordem judicial, interceptou mais de 80 mil telefones móveis em 2007, revela que o recorde nacional foi batido pela 1º Vara Criminal de Recife, que autorizou o grampo em 5.448 linhas.

* * *

Segundo um leitor do JBF, que é araponga e ganha vida fazendo grampos e extorquindo as mulheres galheiras do bairro de Água Fria, a redação desta gazeta da bixiga lixa tem todas as suas 28 linhas telefônicas grampeadas clandestinamente por ordem de Zé Dirceu e da Ministra Dilma Roussef. Diz-se que o Presidente Lula não vai dormir antes de ouvir todas as conversas de Chuplicleide e as notícias que meus informantes me dão em primeira mão.

Eu ficaria imensamente frustrado se assim não fosse.



CINCO IMPROVISOS E UM CORDEL DE LEANDRO GOMES DE BARROS

MANOEL DODÔ

Na profissão de carreiro,
eu faço tudo e não deixo,
compro sebo ensebo o eixo,
a canga e o tamoeiro,
sete palmos de fueiro
medidos na minha mão,
uma vara de ferrão,
dois canzis de mororó:
carro de boi e forró
faz eu gostar do sertão.

* * *

JOSÉ ALVES SOBRINHO

Brasil de caracaxá,
do quengo, do cacareco,
do fole, do reco-reco,
do pandeiro, do ganzá,
do chibé, do aluá,
baião de dois, rubacão,
da farofa, do pirão,
da tapioca de coco,…
Este é Brasil de caboco,
de mãe preta e pai João.

* * *

JÓ PATRIOTA

Estes teus seios pulados,
que estão me desafiando,
são dois carvões faiscando,
no fogão dos meus pecados,
são dois punhais afiados,
que já ferem dois cristãos,
para o meus lábios pagãos,
são dois sapotis maduros,
Quero ver teus seios puros
nas conchas de minhas mãos.

* * *

FRANCISCO CAETANO

Meu dom é dado por Deus
Quando eu morrer ele fica
Eu sou pobre igual a Jô
Mas a minha rima é rica
Possui o gosto da fonte
Do olho d`água da bica.

* * *

ZILMO SIQUEIRA

Vejo sempre as borboletas
Pousar em cima das lamas
Voar entre as verdes ramas
Juntas fazem piruetas
Corpos brancos, asas pretas,
Com um pêlo bem “vestida”,
Uma a outra parecida
Que ninguém divulga as cores
Nos campos beijando as flores
Tudo faz parte da vida.

* * *

UM CORDEL DE LEANDRO GOMES DE BARROS

ANTONIO SILVINO – O REI DOS CANGACEIROS

O povo me chama grande
E como de fato eu sou
Nunca governo venceu-me
Nunca civil me ganhou
Atrás de minha existência
Não foi um só que cansou.

Já fazem 18 anos
Que não posso descansar
Tenho por profissão o crime
Lucro aquilo que tomar,
O governo às vezes dana-se
Porém que jeito há de dar?!

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POPULARIDADE E CHATURA

Eu estava ainda comovido com o apelo contido na crônicia do nosso querido colunista Goiano Braga Horta, postada logo aí abaixo desta minha nota, quando fui surpreendido com a leitura destas grandes notícias da semana que se inicia:

– A dupla Zezé di Camargo e Luciano ganhou um disco de platina pela vendagem altíssima de discos;

– O conjunto “Calcinha Preta” está com a agenda cheia até o final do próximo ano;

– O índice de analfabetos funcionais no Brasil atinge a astronômica cifra de 68% da população;

– O Programa do Gugu é líder de audiência;

– O Presidente Lula bate recordes de popularidade.

Ao constatar que estas notícias têm tudo a ver umas com as outras, fiquei com a consciência aliviada por ser o chato lúcido, o enxergador do tsunami que está chegando e o profeta de mim mesmo.

Como na charge de Nani, só deixarei de exercer o papel do menino que aponta a nudez do Todo Iluminado quando a Casa Civil me arranjar uma boca semelhante à do Ministro Franklin Martins, quer dizer, um projeto de montagem da TV Besta Fubana com uma verba de 500 milhões de reais inteiramente às minhas ordens e submetida unicamente aos meus caprichos de editor sem futuro.

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NADA DE NOVO

Com base em perícia feita pela Polícia Federal, o Ministério Público em Pernambuco encaminhou parecer ao juiz Nilson Nery em que conclue que houve, sim, “abuso da máquina” da Secretaria de Educação da Prefeitutra do Recife em favor de João da Costa, candidato do PT à sucessão do atual prefeito João Paulo. Foram usados computadores da secretaria para o envio de mensagens em favor de Costa e funcionários com cargos comissionados trabalharam ali na campanha de Costa em pleno horário de expediente.

* * *

Esta é uma daquelas notícias que não dá pra escrever “suposto” ou “pretenso”. Aconteceu, foi comprovado, apurado, documentado, carimbado e atestado: a prefeitura petista do Recife cometeu crime ao usar recursos e funcionários públicos para participar da campanha do candidato do partido.

O candido petralha está na frente em todos as pesquisas, passível de ser eleito já no primeiro turno.

Ou seja: nada de novo no bando que por anos e anos esbrevejou contra a corrupção e a falta de ética e de transparência na gerência da coisa pública.

Dizem alguns que o PT foi a maior decepção desta década. Outras acham que foi a maior enganação do século. E mais alguns outros acham que nunca antes na história deste país…

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FOFANDO O ANEL

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Depois de incansáveis pesquisas, os cientistas finalmente descobriram um “novo” método anticoncepcional, baseado no uso do anel… Eu posso até tá ficando velho e sempre ter sido meio bobo, mas nunca fui idiota: esse negócio de evitar barriga fofando através do orifício do anel pecaminoso é mais velho que a posição de cagar de cócoras!



URBANO JÚNIOR – TERESINA-PI

Papa Berto I.

Vai uma história que acho não ser do seu conhecimento:

Tejo não chamava papai de compadre só pela grande amizade, ele o era de fato e de direito.

O interessante nessa história é que o velho era ateu juramentado e quando nasceu a filha de Tejo, Cristiane se não me engano, e ele o chamou para ser padrinho criou-se o problema.

Papai ainda não era batizado e foi obrigado a deixar de ser pagão depois de velho e a passar por todo aquele ritual.

Hoje seria “pagar um mico”.

Mas ele o fez em respeito ao grande amigo/irmão como ele considerava Tejo.

Deve ter tomado umas para encarar o padre, os seus padrinhos e as outras pessoas.

Um abraço.

R. E, ainda dentro deste tema, me lembrei de uma que o Tejo me falou certa vez.

“Este tal de Ninguém é poderoso que só a gota. Toda vez que eu pergunto ‘Quem pode mais do que Deus’, tem sempre alguém que responde: ‘Ninguém”




ANA CRISTINA LASKOS – FLORIANÓPOLIS-SC

Sua Santidade

Florianópolis está sendo “invadida” nao só por paulistas e gaúchos (que daqui a pouco será maioria por aqui), mas tambem por escolinhas de futebol de clubes de nosso Brasil e até do exterior.

Temos escolinhas do Flamengo, Gremio, Vasco, Cruzeiro e River Plate da Argentina.

Mas a novidade atual é uma filial do Sport, isso mesmo, daí de Recife. O empresário Francisco Brennand Guerra, que tem uma escolinha aí, resolveu mudar-se para Florianópolis e abriu uma filial aqui.

Quer dizer, nao só os gaúchos, os paulistas, e agora os pernambucanos tambem estao aportando nessa ilha maravilhosa.

Como eu já estou por aqui há 23 anos, já me considero manezinha, rsrsrsrsrs…

R. Pra quem ainda não sabe, “manezinho” é o apelido carinhoso que se dá aos moradores da ilha de maravilhas que é Florianópolis. De modo que a nossa leitora-campeã, embora maranhense de nascença, é uma autêntica manezinha completamente adaptada àquele encantador recanto de mundo.

Quanto à escolinha, conhecendo os rubros-negros daqui de Pernambuco como eu conheço, tenho certeza que eles irão afirmar que “agora, sim, os meninos do sul vão aprender a jogar futebol”.



LANÇAMENTO EM NATAL

Em www.desaboya.com

Besta Fubana

A professora norte-riograndense Ilane Ferreira Cavalcante, lançou nesta segunda quinzena de setembro, na Potylivros, seu primeiro livro intitulado “O Romance da Besta Fubana – Festa, Utopia e Revolução no Interior do Nordeste”. O texto da PhD em Educação, que também é docente do CEFET do Rio Grande do Norte, é resultado de sua dissertação de mestrado sobre a consagrada ficção de Luiz Berto, no livro “O Romance da Besta Fubana”.

A ocasião foi prestigiada pelo reconhecido escritor Nei Leandro de Castro.

* * *

Nei Leandro de Castro, o inesquecível Neil de Castro, um dos meus ídolos do Pasquim dos anos 70, é um malassombrado potiguar que só escreve desmantelos grandes. Sua obra-prima “As Pelejas de Ojuara”, foi transformada em filme de grande sucesso no ano passado, com o título de “O homem que desafiou o diabo”.

Fica feliz de saber que ele foi ao lançamento do livro da Professora Ilane sobre a Besta Fubana, no última dia 18, em noite festiva na capital potiguar.

Escritor Nei Leandro de Castro e Professora Ilane Ferreira Cavalcante

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Cartaz do filme “O Homem que Desafiou o Diabo”



PADRE JORGE FILÓ – RECIFE-PE

A poeta e escritora Micheliny Verunschk, assina uma matéria para revista Online Continuum do Itau Cultural, sobre a família Filó.

Continuum do Itau Cultural

O ponto central vislumbra famílias que se dedicam a arte como sendo algo genético.

Parte do meu avó paterno José Filomeno de Vasconcelos, José Filó, como ficou conhecido, e segue pelo meu tio Zéca Filó, grande repentista falecido aos 25 anos, na década de 50, meu pai Manoel Filó, até chegar aos mais novos poetas da família.

Vale conferir!

Clique aqui e saiba um pouco mais desta família de poetas da qual me orgulho de ser membro.

Poeta repentista Zéca Filó



CARDEAL RAIMUNDO FLORIANO – BRASÍLIA-DF

Eu também tenho a história duma feliz infância para contar-lhes.

Aos 10 anos, assumi a tarefa de, todas as tardes, buscar as vacas na quinta, distante dois quilômetros, trazê-las para o curral, apartar os bezerros e pôr a ração nos cochos; de manhã, depois de tirado o leite por meu pai, levá-las de volta para a quinta, isso antes de começar a aula no grupo escolar.

Aos 11, ia buscar lenha no mato e água no rio, tudo transportado no lombo do jumento Dom Ratinho. Na Semana Santa, pescava para alimentar nossa família nos dias de jejum obrigatório.

Também aos 11, vendia pelas ruas da cidade tomates, maxixes, quiabos, pirulitos, bolos e doces produzidos por minha mãe no nosso quintal e na nossa cozinha. Como encargo paralelo, percorria todas as casas procurando quem tinha ovos de galinha à venda.

Ainda aos 11, era o sineiro de Balsas, batendo as horas para que os comerciantes abrissem ou fechassem suas lojas, contribuindo eles com 2 cruzeiros mensais. Em extensão, batia o sinal dos mortos, não sem antes me persignar, com a remuneração dividida, metade para a igreja e metade para o meu bolso.

Aos 12, cobrava quotas para a realização de bailes, vesperais ou forrós, mediante comissão sobre o apurado.

Aos 13, fui marinheiro do canoeiro Mururé, que fazia o transporte de Teresina para Timon. Na travessia, auxiliava-o como vareiro ou no jacumã.

Aos 14, atuei como cabo eleitoral na campanha do Brigadeiro Eduardo Gomes. Aos sábados e domingos, administrava um salão de jogatina, com uma sinuquinha de bolas de gude, cobrando 50 centavos a hora. Também, a cada cinco partidas, tirava o “barato”, se o jogo era apostado.

Aos 15, fui sacristão em Teresina, tendo faturando meus trocados quando acompanhava o padre nas desobrigas pelas vilas e propriedades da periferia, com a incumbência de anotar os dados dos noivos a se casarem ou das crianças a serem batizadas, cabendo-me 1 cruzeiro por cabeça.

Aos 16, auxiliei na cubagem de arroz, feijão e milho, grãos esses a serem recebidos como garantia de empréstimos contraídos por fazendeiro nos bancos piauienses. Nas férias, ajudava meu pai, tabelião, nos serviços do cartório.

Também fui ajudante de palhaço, mas isso aos 20 anos. Só incluo essa atividade neste meu currículo, porque o picadeiro teve imensa influência na minha personalidade, fazendo de mim um fervoroso circense por toda vida, e porque, desde que me entendo por gente, até aos 72 de hoje, conservo a inocência e a alegria do menino do poleiro, que sempre fui, e do palhaço, que continuo sendo.

E nada do enumerado acima me impediu de progredir na vida, ser aprovado em concursos públicos de âmbito nacional, conquistar o grau universitário e estar agora a tomar-lhes o precioso tempo com estas maltraçadas!



URBANO LIMA JÚNIOR – TERESINA-PI

Prezado Papa Berto I.

Ainda na esteira do prematuro falecimento da nossa amiga Jô, como nós a conhecíamos lá em casa, e da lembrança de agradáveis momentos que tive o prazer de compartilhar com ela e com Orlando Tejo, que era amigo/irmão do meu saudoso pai, transcrevo abaixo uma passagem sobre o poeta que está no Livro COISAS QUE ACONTECEM (1992), de autoria do velho.

Um abraço.

R. Conhecei seu pai, também Urbano, apresentado por Orlando Tejo, na casa dele em Brasília.

Tejo o chamava de compadre e era como se eu já o conhecesse há muito tempo, pelo tanto de histórias que Tejo contava a seu respeito. Autografou-me um exemplar do seu livro e conversamos um tempo comprido sem conta.

E aquela conversa na varanda da casa de Tejo, regada a cachaça e cerveja, me voltou todinha à memória com esta história que você mandou agora e que vai aqui reproduzida pros leitores do JBF:

“Campina Grande, PB (anos 50)

Ronaldo Cunha Lima, atual Governador da Paraíba e intelectual de talento, entregou uns versos de sua autoria a Orlando Tejo.

Tejo, também poeta, não gostou dos versos. Dobrou o papel num pacotinho, colocou num vidro de penicilina e entregou à recepção do Dr. Queiroga.

A janela do médico dava para a rua e Tejo ficou do outro lado com a sua patota.

Dr. Queiroga chegou, arrumou os vidros, notando logo o estranho conteúdo. Pegou uma pinça, cuidadosamente, desdobrou o pacotinho e…caiu na gargalhada. Ele era o analista da cidade.

Tejo passou vários dias escondido de Ronaldo, que o procurava de facão na mão.”



CARLOS SILVA – SÃO PAULO-SP

BIO NORDESTINAGEM

Quem sou eu seu moço? Sou um turista forçado na bancada de um pau de arara, despejado por aqui ha muitos anos atras, quando o frio cortava feito navalha quem de muito longe trazia uma camisa “volta ao mundo”, e um monte de sonhos perdidos num matulão improvisado amarrado com imbiras colhidas no serrado.

Quem sou eu seu moço? um dormidor por sobre sacos de cimento, para fazer a tua luxuosa morada.Sou aquele, que com alcool numa”espiriteira” improvisada aprontava a gororóba amarga e tão longe de ser considerada uma verdadeira refeição merecida, após um exaustivo dia de labuta.

A sobremesa, era uma banana mergulhada na farinha para dar maior sustento.Sou um equilibrista nos andaimes da vida lutando para o destino não me lançar ao chão da discriminação. Sou aquele, que por descaso ou deboche, tu me chamavas de baiano, sem nem se quer saber a minha naturalidade.De onde eu vim,tem mais oito estados empobrecidos(aos teus olhos) pela riqueza de quem tanto lhes exploram.Sou aquele, que construiu a tua casa, mas que hoje, nem na calçada atrevo-me pisar.

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BISPO BERNARDO – MACEIÓ-AL

Mestre autenticador de cabaço,

não sabia que vosmicê exercia também a nobre profissão de perito cabacista.

Assim sendo, estou mandando mais um para sua santa perícia. Tá na Veja.

Com os respeitos do Bispo

R. Com o peso da minha autoridade eclesiástico-papal não apenas faço perícias como também forneço atestados e tenho fé de ofício no reconhecimento cabacístico.

Quanto a esta moça, Daniele, irmã do frango Diego, eu desconfio que a permanência de sua virgindade é mais por conta da falta de um corajoso que faça o favor diante de tamanha feiúra.

E vamos à matéria que você mandou:

Conversa com Daniele Hypólito

“Sou virgem”

A ginasta Daniele Hypólito mal voltou de Pequim e já mergulhou nos treinos. Aos 24 anos, reserva pouco tempo para a vida pessoal. Nunca teve um namorado e também não se preocupa com isso.

– Você é vaidosa?
Acho importante me sentir bem comigo. Há cuidados que toda mulher deve ter: usar cremes, passar um sábado no salão fazendo cabelo, pé, mão…

– Mudaria alguma coisa em você?
O tamanho. Afinal, tenho 1,47 metro. De resto, estou muito feliz. Se tivesse que me dar uma nota, daria 8, porque sou perfeccionista. Mas, em breve, vou me dar nota 10 de novo.

– O que seus namorados dizem?
Nunca namorei. Sou muito exigente.

– Nunca namorou?
Não, só fiquei.

– Você é virgem?
Sou virgem, mas nunca me preocupei com isso. Sou muito jovem ainda. É uma questão de respeito comigo e uma decisão minha.

– Por que você tomou essa decisão?
Não pretendo levar isso até o casamento. Só acho que é um momento especial e, para isso, preciso encontrar uma pessoa especial. Não pode ser de qualquer jeito.

– Você já foi criticada por causa disso?
Nunca me disseram nada, mas sei que muita gente pensa que eu sou careta. Não me incomodo. Ninguém tem nada com isso.

– A ginástica influenciou essa sua decisão?
O esporte faz o respeito pelo seu corpo aumentar, mas eu pensaria da mesma forma se não fosse ginasta.

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A briga-de-foice que é campeã de natação



TRABALHO INFANTIL

Comentário sobre o artigo “MARCOS TONELLI – ARARAQUARA-SP”
http://www.luizberto.com/?p=9228#comments

Autor: Dedé Monteiro

Papa Berto, bem que as estrofes abaixo poderiam ser assinadas por você.

Aos oito, toquei triângulo
Na calçada da matriz;
Aos dez, manobrei engenho,
Fui garapeiro feliz;
Aos doze, fui zabumbeiro;
Aos quatorze, fui “guerreiro”,
Vendendo anis-estrelado
Pra conquistar meu pedaço.
E ainda ajudei palhaço
De circo “malamanhado”…

Inda empurrei carrossel,
Vendi “algodão de bola”,
Amolei faca e tesoura,
E, em vez de pedir esmola,
Levei recados de putas…
Enfim, nessas minhas lutas,
Tive dois “patrões” batutas:
“Suvela” e “Gogó de sola”…

Um forte abraço, na certeza de que, sem exageros, é melhor ter o que fazer, para não faltar o pão, do que passar fome por não fazer nada.