16 agosto 2017 FULEIRAGEM

SID – CHARGE ONLINE


A PIPA E LINDALVA

1 – Fazendo a pipa

Grude de goma para o fabrico da pipa

Uma tesoura, linha de carretel, palitos de coqueiro, papel de seda colorido, e grude. Estava montada a “oficina” para construir, uma, duas, três ou quantas pipas fosse necessárias – dava até para ganhar uns caraminguás, vendendo as sobras.

Era dado o início da “construção”, quando três palitos de coqueiro eram raspados e amarrados em forma de cruz. Um palito (o maior) na vertical e os outros dois menores na horizontal. Amarrados e postos de forma a montar o “esqueleto” da pipa, que no Ceará é também conhecida como “arraia”.

Prepara-se o papel em uma ou mais cores – e isso requer habilidade e experiência. O papel deve ser cortado com sobra de pelo menos um centímetro maior que a linha que vai garantir a “armação do esqueleto”.

Na sequência passa-se o grude de goma na sobra de um centímetro, que em seguida deve ser dobrada para dentro, cobrindo a linha do esqueleto.

Em seguida, no palito maior – o que está na vertical – arma-se o “cabresto”. A penúltima etapa é a preparação da “rabiola”, feita com pedacinhos de pano velho e leve.

A última etapa é amarrar a linha do carretel no “cabresto” – e em seguida procurar um local aberto, sem a fiação da rede elétrica e botar a pipa no ar.

2 – Botando a pipa no ar

A pipa já está no ar

Feita a pipa, a etapa seguinte e “botá-la” no ar. As crianças e adolescentes de hoje precisam aprender a soltar pipa. Estão se arriscando muito e causando muitos problemas para os pais, para pessoas e para si.

Soltar pipa (ou botar a pipa no ar) é uma brincadeira saudável que ajuda a eliminar o estresse. Muitos cuidados são necessários.

Lá pelos anos 50 e 60, a fiação aérea eletrificada era muito pouca. Apenas os fios que conduziam a eletricidade. Nos dias atuais, quintuplicaram. São os fios das concessionárias de telefones, assinaturas de televisão, internet e mais a eletricidade, gerando uma verdadeira barafunda. Isso dificultou um pouco para quem gosta de botar a pipa no ar.

Em São Luís existem até campeonatos de pipas (os participantes fabricam as pipas com as cores dos seus times de preferência – e ainda vestem as camisas oficiais). É proibida a participação de quem usa cerol na linha, que tem provocado muitos problemas, inclusive fatais. O excesso de ciclistas e motociclistas acaba saindo prejudicado com pescoço e garganta cortada pelo cerol das linhas.

O bom mesmo é o “lanceio”, e há quem tenha habilidade e paciência para colocar até três pipas no ar ao mesmo tempo.

* * *

3 – Lindalva – a mulher ciumenta

Não namoraram por tanto tempo. Uns três ou quatro anos e já resolveram casar. Pensavam que se amavam, por que, todo começo é maravilhoso.

Minha falecida Avó sempre me disse: “quer conhecer uma mulher, coma uma saca de sal com ela”. É que, antigamente, a saca de sal pesava 60 quilos e o sal era em pedra. Para ser usado no dia-a-dia, necessitava ser socado no pilão – e quase sempre se passavam três ou quatro anos para ser consumido totalmente. Era o tempo suficiente para se conhecer a pessoa com quem se conviveria.

Na lua de mel, mais de trinta dias de “cama” e de amor. Muito sexo e cinco ou seis beijinhos antes de entrar debaixo do chuveiro e mais uns vinte enquanto se secava com a toalha. Amor de aparência e de araque.

Lindalva terminava de lavar a louça do café da manhã, corria para o banheiro e, no banho amaciava e acariciava a xereca – dizia que isso era para garantir a sensibilidade (sabem aquele coisa que dois partidos políticos fizeram para garantir a governabilidade?).

De noite, quando o marido (vou omitir o nome do dito cujo) chegava, já estava tudo pronto: o jantar, o vinho e a xereca úmida e lubrificada. Era orgasmo para tarada nenhuma botar defeito (mas as mulheres sempre encontram defeitos em tudo).

Lindalva vivia para o casamento e para o marido. Exigia retribuição total em todos os quesitos e, diferente de algumas, nunca sentia as tradicionais dores de cabeça – aquela quando as coisas começam a mudar e a “comida” está sendo apreciada por mais de um.
Ciumenta ao extremo. Ciúme doentio. Intolerante. Inaceitável.

E eis que Lindalva pôs na cabeça que o marido (à quem dedicava toda a sua atenção e os seus gemidos de orgasmos mais escandalosos e preferidos) estava começando a comer noutra cama, outra ração, outra carne.

Mulher ciumenta tenta “flagrar” o marido com a “outra”

4 – A vingança de Lindalva

Lindalva começou a desconfiar de alguma coisa – quando deveria desconfiar era de si mesma. Verificar se estava fazendo tudo certo, tudo de acordo. Como sempre (e isso é quase igual para todas as mulheres), passou a char que, se havia erro, esse só podia ser dele.

Passou a esperar o marido na saída do trabalho. Passou a segui-lo. Ficava de longe, escondida atrás de postes e colunas, para tentar flagrar o marido e descobrir com quem ele estaria se encontrando e dando parte do que era dela.

Lindalva foi ao desespero e “prendeu” o marido

Tanto Lindalva “caçou”, que encontrou o que queria. Certo fim de tarde, conseguiu flagrar o marido com uma jovem – a quem beijava carinhosamente, de longe. Afobou-se e aproximou-se do casal, e sem demora foi logo proferindo impropérios. Aquelas coisas de mulher ciumenta e descontrolada.

O sal da saca de 60 quilos ainda nem estava pela metade, e o marido já começou a conhecer a esposa, a mesma dos gemidos, dos afagos na cama e das promessas eternas de carinho e amor.

Como havia namorado pouco tempo, Lindalva não conseguiu conhecer toda a família do marido. Não sabia da existência de algumas pessoas.

A jovem com quem o marido se encontrou apenas naquele fim de tarde, era uma irmã dele (fruto do primeiro casamento do pai), que estava enfrentando sérios problemas de saúde na família.

Mas, o ciúme, o que fazer com ele?

Não deu para terminar de comer toda a saca de sal. Separaram-se no terceiro ano do casamento. Coisas da vida.

16 agosto 2017 FULEIRAGEM

BAGGI – CHARGE ONLINE

ELVIS PRESLEY – 40 ANOS DE SAUDADES

Neste 16 de agosto, quando se completam 40 anos da morte de Elvis Presley, vamos relembrar um de seus grandes sucessos na cena do filme de 1962 “Garotas, garotas e mais garotas“. Composição de W.Scott e O.Blackwell. “Return to sender“.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO (CE)

CONFIRMADO: HÁ VIDA INTELIGENTE FORA DA TERRA!

(Matéria científica elaborada pelo Dr. Goyambú Bigeyes, PhD, adjunto da NASA)

A história que vou contar para vocês é difícil de acreditar, talvez pelo extraordinário ou quem sabe pela carência de uma perfeita situação no tempo e no espaço. Mas posso garantir que é verdadeira e possivelmente um dia todos os seus detalhes virão à tona. Hoje deve, realmente, ser difícil acreditar que se possa saber disso. Como? Não sei. Mas é fato que em um planeta do nosso próprio sistema solar, ainda desconhecido do grande público, sondas puderam verificar coisas impressionantes nesse globo que fica atrás de Vênus (as fontes não informam exatamente se se trata de um planeta ou de uma das luas pouco conhecidas desse gigante do espaço).

O fato é que foi possível captar a evolução da vida nesse local, através de contrastes de infra-vermelho, da distorção de raios alfa e de outros fenômenos cósmicos já visíveis e interpretáveis por radiotelescópios. Graças à constatação, feita por esses métodos, da existência de vida no local, foram enviadas sondas capazes de gravar vídeos e captar sons praticamente como se estivessem na superfície desse corpo celeste.

O que se viu deixou perplexa a NASA e a comunidade científica, que tenta a todo o custo esconder, seja porque a agência espacial norte-americana não quer que o assunto vaze, seja por preconceito de que cachorros possam ser tão ou mais inteligentes que os humanos.

É que nesse planeta, ou lua, como queiram, não só existe vida inteligente, mas… o mais interessante é que esses seres inteligentes têm a aparência de cães, ou melhor, são exatamente como os cães da Terra, andam e agem como os nossos cachorros.

Porém, por terem o corpo de cachorros, a manifestação de sua inteligência encontra obstáculos quase intransponíveis: primeiro, porque suas cordas vocais e o formato da boca e dos lábios não lhes permite a manifestação através da fala; segundo, porque suas patas, sem o famoso dedo polegar, e por isso sem a capacidade de pegar e segurar coisas, não lhes faculta o dom de fabricar; terceiro e muito importante, seu corpo não obedece ao pensamento, quase como se mente e corpo fossem entes separados.

Foi preciso, para que ali se desenvolvesse uma civilização – como de fato se desenvolveu – que a sábia Mãe Natureza interferisse encontrando soluções para problemas aparentemente insolúveis. Pois é assim que nesse planeta também existem macacos, sendo que os macacos não têm a menor inteligência.

Só que se os macacos ali não têm, por um lado, o intelecto desenvolvido, são, em compensação, dotados de expressão facial, de aparelho vocal apto a emitir sons bastante variados, podem andar eretos e, o mais importante, possuem a capacidade de pegar e segurar objetos, pois dispõem da articulação do dedo polegar, sim, dessa articulação que é responsável pelo progresso humano, mais do que qualquer outra coisa que exista.

Nessas condições, os macacos não poderiam, nesse planeta, fazer nada, a não ser procurar bananas e caçar insetos para se alimentarem.

Eis, então, que a natureza permitiu que os cães pudessem, ali, dominar completamente, por controle mental, as ações e movimentos dos macacos, pondo-os a trabalhar inteiramente ao seu comando: os cães produzem mentalmente, os macacos executam e realizam manual e corporalmente.

Há, então, um exército de macacos trabalhando para os cães, tornando realidade todas as suas ordens mentais, fabricando aparelhos, manuseando máquinas, escrevendo livros, produzindo shows, inventando rações, cursando veterinária, enfim, tudo aquilo possível de ser feito em uma verdadeira civilização.

A princípio parece que os cães tentaram comandar os macacos para produzirem aparelhos e coisas em geral que os próprios cães pudessem dirigir e controlar, como veículos com assentos adaptados a seus corpos, pedais e volantes com furos ou aberturas para que introduzissem seus pés, mas a ausência de controle racional dos seus pensamentos sobre seus corpos impediu que fosse dado seguimento a essa investida: não adianta ter um pedal sem que as pernas e os pés consigam controlá-los. Seus corpos somente obedecem a impulsos instintivos, como correr atrás de pequenos animais, latir perseguindo veículos, sair em disparada para pegar bolas, urinar em postes para marcar território e assim por diante.

Hoje, o que se vê naquele planeta, como se deixou entrever, é que os macacos agem em todos os sentidos, controlados pelos cães; e essa civilização evoluiu de uma forma tão característica que os cães se tornaram completamente dependentes dos macacos, pois deles necessitam não só para fazerem tudo como para poderem aproveitar os benefícios do progresso obtido: assim como são os macacos que produzem aparelhos e tudo o que se pode usar em um mundo evoluído, também são eles que manuseiam esses aparelhos, cuidam da agricultura e da pecuária, plantam e colhem, matam e limpam, congelam e assam, constróem e destróem, dirigem, consertam, trocam pneus – enfim, fazem de um tudo para os cachorros e sob o comando mental dos cachorros! Inclusive são os macacos que levam os cães a passear.

Se há uma guerra, são os macacos que vão ao campo de batalha, sob o comando mental dos cães, enquanto os cães ficam de longe, latindo e uivando, cavucando jardins e enterrando ossos.

Por enquanto, poucos somos os que tiveram acesso a estas informações guardadas a sete chaves, mas segredos de tal magnitude não conseguem ficar guardados para sempre e na certa os cientistas nos darão dentro de pouco tempo informações mais completas sobre o estranho planeta. E a NASA os liberará para que possamos dividi-los com o público em geral.

O Universo é um campo inesgotável de surpresas (anotem esta frase).

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

VERONEZI – GAZETA DE PIRACICABA (SP)

15 agosto 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA GRANDE PARCERIA

Desesperada por não receber seu salário há meses (não viu nem a cor do 13º ainda!!!), Chupicleide, a sofrida secretária de redação do JBF, resolveu apelar para a imaginação.

E montou um reclame que, pela criatividade, vai deixar com inveja as maiores agências de publicidade de Banânia.

Vejam que coisa linda:

Esta fantástica peça publicitária foi enviada hoje, terça-feira, diretamente para a presidência do Banco do Brasil, com cópia para o Palácio do Planalto.

Desesperada, Chupicleide apelou para que o Presidente Michel Vice-de-Dilma Temer interfira junto à direção do nosso maior banco estatal e faça com que o BB bote o anúncio nos ares na grande mídia banânica.

O objetivo é conseguir a liberação de uns tostõeszinhos para o fudido caixa desta gazeta escrota.

Ao mesmo tempo, eu aproveitei a oportunidade e remeti a criação de Chupicleide para o ex-presidente do Banco do Brasil nos governos petistas, o presidiário Aldemir Bendine, trancafiado desde o mês de julho passado pelo impiedoso e desumano juiz Sérgio Moro.

Como o presidente Michel Cara-de-Tabaca está devastado por denúncias de ladroagem e associação com guabirus de grosso calibre, minha esperança é que o nosso mandatário acate um pedido de outro corrupto, o gostosão Bendine, emérito comedor de bucetas de celebridades.

Aldemir Bendine foi homem forte e poderoso nos tempos das administrações petralhas, nas quais teve importante participação na destruição da Petrobras, quando ocupou a presidência da nossa maior estatal, nomeado por Dilma.

Aliás, a Vaca Peidona é fã incondicional deste sujeito e, dizem as más línguas,  tem o maior tesão por ele. O que não se sabe é se ele foi macho o bastante pra encarar este lobisomem. (ou seria lobimulher?)

Como um corrupto se entende muito bem com outro corrupto, estou torcendo para que Bendine interfira junto a Temer, defendendo o desesperado apelo do Complexo Midiático Besta Fubana.

Para mostrar que estou falando sério, aqui vai um lindo e tocante comercial do Banco do Brasil, veiculado no final de dezembro do ano passado.

Um comercial tão terno que o correntista nem sente quando a pajaraca dos juros estratosféricos invade o seu furico.

Postado gratuitamente como sinal de boa vontade desta esperançosa editoria.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

CHICO CARUSO – O GLOBO

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

ED CARLOS – CHARGE ONLINE

UMA HOMENAGEM PARA O SAUDOSO COMPOSITOR PERNAMBUCANO JOÃO SANTIAGO

Comentário sobre a postagem O ADEUS DE SANTIAGO

Bráulio de Castro:

“O último encontro que tive com João Santiago, foi durante um sarapatel na sua casa.

Meses depois soube da sua morte.

Na minha modesta opinião, até as músicas de Santiago que falam de saudade são alegres.

Me espelho muito nele, tenho várias marchas de bloco buliçosas como ele fazia.

Me orgulho de ter composto com Marcelo Varella um frevo de bloco em sua homenagem, gravado pelo coral do bloco Cordas e Retalhos, intitulado “Pra Santiago“.

Vou enviar para o meu amigo Luiz Berto, se ele postar ficarei muito agradecido.”

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O grande compositor pernambucano João Santiago (1928-1985)

* * *

Nota do Editor:

Você não tem que agradecer nada, meu caro Bráulio. Nós é que temos de agradecer a você por nos brindar com o seu talento e a sua inspiração.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE (BA)

EM BENEFÍCIO DO INFRATOR

Um dos mais bem achados e felizes slogans da política brasileira de todos os tempos foi aquele que conduziu Luiz Inácio Lula da Silva à primeira vitória na eleição presidencial de 2002, depois de amargar três derrotas seguidas, para Fernando Collor e Fernando Henrique: “A esperança vai vencer o medo”.

Passados 15 anos e três gestões e meia do PT, sendo que a metade da quarta está sendo tocada pelo vice que o mesmo Lula escolheu para compor a chapa de Dilma Rousseff duas vezes, o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) e a Operação Lava Jato da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sob a égide do juiz Sérgio Moro, em Curitiba, ensinou à Nação que não foi tudo como se esperava naquele tempo. Na decisão unânime da Segunda Turma do STF que aceitou o despacho de Teori Zavascki, relator da Lava Jato à época, mandando prender o então líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio Amaral, a ministra Cármen Lúcia deu uma lição que se tornou histórica.

“Na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou no mote de que a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo venceu a esperança. E agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. Quero avisar que o crime não vencerá a Justiça. A decepção não pode vencer a vontade de acertar no espaço público. Não se confunde imunidade com impunidade. A Constituição não permite a impunidade a quem quer que seja”, ela disse.

A primeira metade da sentença é irretocável. A segunda, nem tanto. A Nação acompanhava então, entre perplexa e indignada, investigações que desvendavam o maior escândalo de corrupção da História, praticado nos governos em que Lula, que havia cunhado o belo lema, e seus acólitos, que o apregoavam, mandavam na República. O cinismo continua sendo soberano na reação dos acusados de terem esvaziado todos os cofres disponíveis do País sob a indiferença e depois, conforme tem sido revelado, a cumplicidade dos mandatários máximos, eleitos para executarem um projeto de socialismo real nos trópicos. Agora o escárnio atingiu o ápice, quando, pilhados, os mandatários políticos do governo e da oposição, dos municípios, Estados e União, resolveram intervir para encontrar um meio e um método de se manterem livres de pena e, de preferência, com mandatos à sua disposição para continuarem vivendo à tripa forra por conta de propinas bilionárias distribuídas por contratantes de obras públicas, dispostos a corromper e ser corrompidos. A conspiração pela impunidade.

Por enquanto, a promiscuidade social vigente na capital federal, erguida no cerrado distante para proteger os donos da lei – que a aprovam, executam e julgam tal execução – da ordem institucional vigente, tem protegido os sócios do club privé dos mandatários. O prestígio popular massivo da Ação Penal 470 tornou inevitável que maganões do ofício político fossem conduzidos às barras dos tribunais e às celas do inferno presidiário. Mas, com o passar do tempo, os maiorais escorregaram pelas frestas da permissividade. Dos condenados do dito mensalão restam presos alguns gatos-pingados sem partidos para escondê-los nem padrinhos para acobertá-los. Do topo do mandato dado pelo voto popular, Dilma perdoou companheiros de partido e de ofício e contou com a complacência da mesma Corte que os apenou. Zé Dirceu, o capitão do time de gatunos, Genoíno, ex-guerrilheiro que presidiu o partido no poder, e todos os seus comparsas voltaram para o conforto do lar, doce lar, com tornozeleiras. Ficaram na prisão os sem-mandato Marcos Valério, Kátia Rabello e outras figuras sem relevância na briga pesada pela ocupação dos palácios.

À exceção de gatos pingados que podem ser contados nos dedos de uma mão só, os companheiros de luta pelo poder não conheceram o mesmo destino de quem os corrompeu, caso de empreiteiros que comandavam o propinoduto, destacando-se o príncipe Marcelo Odebrecht.

Os políticos, mandantes dos crimes praticados, compartilham o conforto do foro privilegiado de que gozam 36 mil nobres patrícios que foram eleitos ou nomeados para cargos de prestígio na burocracia da politicagem. Agora, no entanto, paira no ar seco do Planalto uma ameaça real: as eleições para Presidência, governos estaduais e Casas legislativas federais e estaduais, que podem desalojá-los do foro e entregá-los a Moro. Tal ameaça se concretiza na manchete de primeira página e no noticiário da editoria política do Estado do domingo 13 de agosto, mês da efeméride do martírio político do suicídio do caudilho Getúlio Dornelles Vargas. O noticiário reproduziu pesquisa de um instituto insuspeito de se imiscuir em política paroquial brasileira, o Ipsos. Segundo o levantamento, como enfatiza o redator que escreveu a linha fina da página A4 do jornal, a um ano da eleição, “94% dos eleitores não se veem representados por políticos”, como ressoa a manchete abaixo apenas do título do jornal. Quem convive com o cidadão brasileiro em casa, nas ruas, no trabalho e nos botecos só estranha uma informação da pesquisa publicada: onde se escondem os 6% de entrevistados que não negam peremptoriamente a expressão “democracia representativa”, tal como se define a nossa.

O desencanto da cidadania ainda não atingiu em cheio o prestígio da boa e velha democracia das ágoras gregas, dos burgueses europeus ou dos pais fundadores da Revolução Americana. Metade (50%) dos eleitores brasileiros ainda considera o Estado de Direito o melhor a ser praticado no País, contra a opinião de 33%, aos quais se somam 17% que não sabem o que dizer a respeito. Mas é quase igual (47%) a porcentagem dos cidadãos destes nossos tristes trópicos sul-americanos que não consideram nosso tipo de democracia o mais adequado. Os que deles discrepam e concordam com nossa “democracia” chegam a 38% e os que dizem não saber, a 15%.

Toda a pesquisa é acachapante e está bem resumida nas páginas do Estado ou nos arquivos deste portal. Não me resta mais espaço aqui para expô-los e facilitar sua busca. Falta-me ainda dizer que os políticos que não nos representam, se não sabiam disso, pelo menos desconfiavam desde antes da publicação da pesquisa. E é por isso que tentam agora o tiro de misericórdia na cabeça da democracia para continuarem com seus desmandos – entre os quais a corrupção é apenas mais um.

Por isso o deputado Vicente (nada) Cândido, relator de um mostrengo falsamente apelidado de reforma política, apresentou à comissão especial encarregada de realizá-lo e que o apoiou, deu nomes de santos aos demônios que soltou em nossa vida comum. Além da reforma política, o “distritão”. E para driblar a decisão judicial que mantém interditada a doação empresarial para campanhas, o por fora bela viola, por dentro pão bolorento Fundo para o Financiamento da Democracia, na verdade, um “passe aí sua carteira com o que ela contiver, seu idiota batizado”.

Quando basbaques como o autor destas linhas ou bem-intencionados ingênuos – como Modesto Carvalhosa, José Carlos Dias e Flávio Bierrembach – passaram a divulgar ideias como não votar em nenhum mandatário de qualquer poder e de convocar uma Constituinte independente, eles já tinham o veneno que anularia tais antídotos. Como detêm o apito do jogo na mão e a toga do juiz a seu favor e, perdidos por um, perdidos por mil, resolveram se antecipar às providências da cidadania para providenciarem o próprio e privilegiado salve-se quem poder.

Emulam o coronel Chico Heráclio do Rego, que Chico Anysio imortalizou como Coronel Limoeiro. Na final do campeonato pernambucano das seleções municipais, tendo o árbitro da contenda marcado pênalti a favor de Arcoverde e contra Limoeiro no último minuto da porfia, impressionado com a turba revoltada, o coronel questionou o capanga sobre a causa da confusão. Informado da importância da decisão, desceu à área adversária, apontou o 45 para a cabeça do apitador e mandou que invertesse área e campo. E o pênalti foi batido contra a meta do visitante. Essa boutade é a metáfora perfeita para este benefício para o infrator praticado na Brasília de costas para o Brasil. E para a civilização.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

15 agosto 2017 EVENTOS

DOCE POESIA DOCE

De 17 de setembro a 8 de outubro o projeto DOCE POESIA DOCE estará distribuindo gratuitamente nada menos que 10 mil “poesias doces” (poesias impressas embalando balas doces) em praças, escolas, hospitais e postos de atendimento em Salvador.

Metade das 10.000 “poesias doces” celebrará a obra de poetas consagrados da língua portuguesa, como Castro Alves, Fernando Pessoa, Gregório de Mattos, Álvares de Azevedo, Florbela Espanca, Gonçalves Dias e muitos outros. Já a outra metade das poesias será selecionada a partir da Convocatória Doce Poesia Doce, que possibilita que poetas de todo o Brasil participem do projeto. Os interessados devem enviar um poema de sua autoria (com no máximo 14 versos) e uma foto com boa resolução para o e-mail poesianasarvores@gmail.com até o dia 31/08/17. Os melhores poemas enviados serão impressos e distribuídos junto com balas doces em diversos pontos de Salvador, com direito também a publicação no blog Poesia nas Árvores e na página do projeto no Facebook.

Todos os poetas participantes receberão por e-mail a arte digital de seus poemas incluídos no projeto.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

A ASSUSTADORA “TOLERÂNCIA” DOS INTOLERANTES!

Nesses tempos pós-impeachment, dez em cada dez blogueiros da artilharia petista fazem questão de deixar patente suas aversões à classe média nos textos que escrevem. Agora entre eles virou lugar-comum tecer considerações irônicas como: “Dizem que o sonho de toda classe média brasileira é ser parte da Europa. Mas há ao menos uma exceção: a Holanda. A Holanda é o pesadelo da classe média brasileira e da família de bem”. Do mesmo modo, postagens cheias de ódios e preconceitos explícitos tornaram-se corriqueiras, e de tudo fazem para tentar amesquinhar moral e politicamente essa parcela de nossa população: “A nossa classe média não tem mais receio de confessar publicamente que não gosta de pobre, preto, nordestino, índio. Por extensão, nem de petistas, comunistas, bolivarianos etc. Tudo ladrão. Todos merecem morrer”, disse alguém lulista em uma rede social.

Bonecos de ventríloquo do Lula, papagaios da Marilena Chauí, poderíamos chamá-los assim…

Na verdade execram a própria condição social em que vivem e se lambuzam. Interessante é que no auge de sua popularidade o ex-presidente Lula, segundo os institutos de pesquisas, alcançou mais de 80% de aprovação, por óbvio contando largamente com o apoio da classe média: “O presidente Lula encerrará seu mandato na Presidência da República no auge de sua popularidade. Após sete anos e 11 meses de governo, 83% dos brasileiros adultos avaliam sua gestão como ótima ou boa – com isso, repete a marca de outubro, a mais alta já alcançada por um presidente na série histórica do Datafolha. A fatia dos que veem seu governo como regular é de 13%, enquanto 4% consideram-no ruim ou péssimo.”

Como a realidade sempre se impõe e não podia ser diferente com o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, seus índices de aprovação desmoronaram após os dados nus e crus de sua herança político-econômica se manifestarem em toda sua desastrosa concretude e os fatos corruptos-administrativos de seu governo, e do governo de sua pupila, apurados pela operação Lava Jato virem à tona. Aí não houve mais marqueteiro que pudesse dar jeito e o mundo de fantasia petista foi desmascarado, culminando no impeachment da presidente. Impeachment levado a cabo pelo Senado, todos sabem, porque os números efetivos das nossas contas públicas estavam completamente incompatíveis com as mentiras fiscais do governo Dilma Rousseff, que mais que “pedalou”, mentiu desavergonhadamente aos brasileiros para ganhar uma eleição na base da enganação e da fraude.

Acompanhando de perto os articulistas ligados ao PT e às esquerdas em geral, são comuns também encontrarmos neles avaliações “conjunturais”, tipo essa “pérola” que li outro dia: “crise de identidade no Brasil é doença crônica, precisa de um estudo epidemiológico para entender esse fenômeno. Efeito da educação escravagista que viralizou entre os próprios empregados. Com o baixo investimento em pesquisa dificilmente se encontrará a cura. O vírus do fascismo e do coronelismo feudal mata mais que o câncer. Só por um milagre mesmo!”

Estão enfurecidos e não se conformam, por exemplo, com o fato da reforma trabalhista apresentada pelo governo Temer ter sido aprovada sem maiores contestações a partir das ruas; daí enxergarem essa tal “crise de identidade no Brasil”. Agem como se obrigatoriamente os trabalhadores tivessem que se identificar com a mesma ideologia socialista que professam.

O danado é que a camisa de força onde querem meter a classe trabalhadora teima em não funcionar como desejariam que acontecesse. Desde Carl Marx que é assim, aliás, pois não há na história um único manifesto, desse tipo “convocatório”, que tenha logrado resultar em algo como uma revolução generalizada de trabalhadores contra patrões. Isso apesar das muitas tentativas panfletárias e dos muitos gritos de ordem saídos das bocas militantes dos socialistas. Porém, historicamente, com a insuficiência prática da luta de classes instigada de forma maniqueísta pelo marxismo e com o crescimento das classes médias na esteira do capitalismo, muitos filósofos e pensadores marxistas passaram a discutir novas formas mais dissimuladas e estrategicamente disfarçadas para insuflar socialmente uns contra os outros, visando a promoção de suas verdadeiras taras intelectuais. A esse incremento ideológico dá-se de forma geral o nome de “marxismo cultural”, a origem filosófica do “politicamente correto”.

Politicamente, a camuflagem e o mimetismo são tão “naturalmente” usados como um camaleão transformista ou certas cobras que apresentam coloração semelhante à do meio ambiente para ficarem menos visíveis e assim aumentarem suas capacidades de iludir e capturar suas presas. Astúcia que serve de arma aos sedutores ideológicos, tão “mutantes” quanto venenosos. Foi assim que surgiu a “Carta ao povo brasileiro” arquitetada na campanha de Lula no ano de 2002 para acalmar o mercado financeiro; foi assim que o Foro de São Paulo disfarçou-se por muito tempo como sendo apenas uma frente política de esquerda não comunista, enquanto tramava o bolivarianismo socialista para toda a América Latina e Caribe.

Cortina de fumaça lançada, usaram e abusaram do “nós contra eles”, das artimanhas do “politicamente correto”, das falsas estatísticas, da ideologização estudantil, das estratégias de propaganda e marketing político ao estilo “guerra fria”, das formações de milícias e preparações de grupos paramilitares e, muito especialmente, da ocupação tática do Estado e da corrupção político-administrativa como método de governar e assaltar desenfreadamente os cofres públicos – intentando acumular fundos para a conquista permanente e em escala continental do poder.

Em exame interno, muitos petistas hoje lamentam não terem conseguido convocar uma Assembléia Constituinte como na Venezuela, não haverem imposto ao País o “controle social da mídia” e feito passar no Congresso uma lei dos meios de comunicação, para com isso desestruturarem economicamente o jornalismo profissional. Não que não tenham tentado, pois foram várias as investidas nesse sentido. Inclusive quiseram exercer controle até sobre os conteúdos das produções audiovisuais nacionais e supervisionar, como verdadeiros censores, o exercício da profissão de jornalista, como muito bem nos lembrou o “BLOG DO NOBLAT” em artigo recente. Não esqueçamos ainda das declarações do então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que falava da “necessidade de se travar uma ‘disputa ideológica’ contra os evangélicos.” O desejo de Carvalho era ver um PT hegemônico, passando por cima de tudo que ousasse contrariar os objetivos político-filosóficos do partido.

Mas, a despeito das autocríticas para consumo interno, a guerra agora é aberta e está declarada. Já não fazem questão de tentar esconder suas intenções totalitárias e nem tampouco seus planos socialistas para o Brasil. Lula, José Dirceu e Gleisi Hoffmann que o digam, com seus discursos ameaçadores e seus ódios publicamente externados. E que o diga também o Diretório Nacional do PT, que aprovou uma resolução tornada igualmente pública em que o partido lamenta não haver modificado o currículo das academias militares e nem atuar para intervir na Polícia Federal e no Ministério Público.

E o dia a dia da militância nas redes sociais reforça sobremaneira o corpo a corpo do partido no interesse da volta escatológica do PT ao poder. Para tanto, não dão a mínima trégua na patrulha ideológica e na “construção do socialismo”. Seja atacando sistematicamente o juiz Sérgio Moro, seja justificando o ditador Maduro, seja idolatrando obstinadamente o Lula, esses militantes internéticos não param nunca.

Vejam, por exemplo, o absurdo de comentário de uma fanática do lulopetismo, apresentada no Facebook como “professora e psicóloga”, sobre as posições políticas do jovem conhecido como Fernando Holiday, que é um crítico bem ácido do Lula e das esquerdas socialistas, e é negro e assumidamente gay e atualmente é vereador na cidade de São Paulo pelo partido Democratas (DEM): “Este rapaz devia honrar a cor que ele tem e valorizar o Presidente LULA que implantou políticas públicas de inclusão do NEGRO brasileiro.”

Por mais despropositado que seja, segundo essa seguidora incondicional do ex-presidente, uma pessoa como Holiday teria mais é que ser absolutamente reverente e eternamente grato ao Lula. Ela, em sua adoração insana, estabeleceu que foi mesmo o seu ídolo de barro quem incluiu os negros no cenário nacional. Desse jeito, quer submetê-los todos à sua intolerância e sectarismo! É inacreditável, mas é assim mesmo que pensa a mente facciosa de muitos dos partidários da seita. Para essa gente doutrinada e doentia, um negro, um gay ou um alguém pertencente às chamadas minorias sociais não têm direito a opinião própria nem podem exercer qualquer ato de vontade ou de liberdade que contraste e contrarie a visão de mundo comuno-petista. É assustador, não é?

Enfim, eis aqui a síntese da lavagem cerebral que foi feita nessa gente (transcrito ipsis litteris de uma página do Facebook):

Pessoa 1) “No país aonde negros aplaudem feliciano (sic). Gays aplaudem bolsonaro (sic). Favelados aplaudem dória (sic). Pobres criticam ações sociais. Os moro (sic) da vida nem ficam com sentimento de culpa.”

Pessoa 2) “Essa (sic) foi um resumo mais contundente que li hoje. É a impotência a nos acometer diante desse caos de vergonha.”

Aí está o resultado de anos de doutrinação marxista. Essas pessoas acreditam de verdade possuírem uma “superioridade” moral e intelectual sobre aqueles que não se curvam aos seus caprichos ideológicos e passam a desdenhá-los como se estúpidos fossem! Tornaram-se incapazes de compreender e aceitar que simplesmente existem pessoas que pensam de forma diferente, que veem o mundo de outra maneira. Tamanho fanatismo as tornaram cegas e não percebem que a estupidez está é com elas, intolerantes e patrulhadoras das vontades e das liberdades alheias que são. Ao mesmo tempo que é assustador, não deixa de ser também humanamente constrangedor saber que ainda existe gente assim.

Existe mesmo alguém
como nós humanos?
Até o diabo duvida.
Santo Deus!

E que Deus nos proteja da “tolerância” dos intolerantes!

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

15 agosto 2017 DEU NO JORNAL

UMA POLÍCIA DA PORRA

A Polícia Federal dá exemplo de burocracia de primeiro mundo.

Quem tem passaporte e informou seu e-mail quando o solicitou, agora recebe aviso da data do seu vencimento com meses de antecedência.

* * *

Esta nossa Polícia Federal é uma exceção na máquina rinocerôntica da burocracia governamental.

De fato, um órgão brasileiro com eficiência de primeiro mundo.

Haja vista sua participação na Operação Lava Jato, que os ratos banânicos estão tentando desesperadamente destruir…

Quando renovei meu passaporte, deixei meu endel no formulário que preenchi.

(endel é a sigla de “endereço eletrônico”: é melhor que a colonizante e americanizada viadagem de e-mail)

Agora, aqui entre nós:

Ao invés de receber antecipadamente o aviso de vencimento do passaporte, eu queria mesmo era que a Polícia Federal me informasse, aqui na minha caixa de mensagens, qual será a data em que irá cumprir a ordem de prisão de Lula.

Seria um manchete da porra para esta gazeta escrota.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

SAMUCA – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

PERNAMBUCANOS ILUSTRES – XXXII

Luiz Freire 1896-1963

Luiz de Barros Freire nasceu no Recife, em 16/3/1896. Engenheiro, professor e incentivador de talentos na área científica. Houve uma época, meados do século XX, em que se falava de uma tal “Escola de matemáticos do Recife”. Ele ocupou lugar destacado nesta famosa Escola. Formado em engenharia civil pela Escola de Engenharia de Pernambuco, em 1918, ingressou na mesma como professor contratado em 1920. No ano anterior, conquistou a cátedra de Matemática da Escola Normal de Pernambuco. Sua carreira de professor havia iniciado bem antes no Ginásio Pernambucano e alguns colégios particulares, como Nóbrega e Osvaldo Cruz, nos cursos complementares de Engenharia.

A Escola de Engenharia foi um centro de formação de engenheiros, técnicos para o mercado industrial em expansão e um centro de formação de cientistas preocupados com os estudos físicos, matemáticos, cósmicos, etc. Produziu, em meados do século XX, cientistas que ganharam projeção mundial no ramo. Foi criada no governo de Barbosa Lima Sobrinho, com a finalidade de fornecer mão-de-obra qualificada ao Estado, no momento em que ocorria um certo desenvolvimento industrial.

Em 1934 foi aprovado em concurso para professor catedrático de Física e recebeu o título de Doutor em Ciências Físicas e Matemática. Em 1943 foi nomeado professor catedrático de Análise Matemática da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega, hoje integrada a Universidade Católica de Pernambuco. Seu grande sonho – realizado em 1952 – foi implantar um Instituto de Física e Matemática na Universidade do Recife. Para ele, a função da Universidade não era apenas transmitir conhecimento, mas também produzir conhecimento. Em última instância, seu objetivo era montar uma equipe de grandes físicos e matemáticos num centro de produção científica em áreas altamente especializada.

Dirigiu este Instituto, mantendo intercâmbio com instituições semelhantes no país e no exterior, sobretudo em Paris, onde esteve em missão científica do CNPq, em 1958. Trouxe para o Recife para ministrar cursos avançados no Instituto, grandes mestres do porte e dimensão, tais como Bruhat, Arnaud Dejoy e Roger Godement. Uma de suas proezas foi deduzir a famosa expressão do chamado “Potencial Vetor”, utilizando, já naquela época, a linguagem do cálculo vetorial com recursos dos operadores vetoriais. Preocupados em formar discípulos, como bom professor que era, manteve um íntimo relacionamento com o núcleo de pernambucanos radicados no Rio e em São Paulo, como Mário Schenberg, José Leite Lopes, Leopoldo Nachbin, Joaquim Cardoso entre outros. Encaminhou para estudos nesse centro, estudantes pernambucanos que se aperfeiçoaram e hoje são físicos e engenheiros notáveis, como Fernando Souza Barros, Ricardo Palmeira, David Gorodovitz, Rômulo Maciel, Fernando Cardoso Gama, José Waldir de Medeiros Campelo, Jaime Azevedo Gusmão Filho e José de Medeiros Machado. Estes bolsistas trabalharam sob a supervisão e orientação de César Lattes, na ocasião em que ele se tornara famoso por suas pesquisas sobre Radiações Cósmicas.

Desse modo, destacou-se com professor, incentivador e formador de estudiosos na sua área de atuação; organizador e dirigente das instituições de ensino e pesquisa, além de produzir conhecimentos científicos. No Rio de Janeiro, exerceu o cargo de professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Distrito Federal (atual UFRJ), sob a direção de seu colega Anísio Teixeira. Como professor, vejamos o depoimento de seu aluno José Leite Lopes: “Quando passei no vestibular e fiz o primeiro ano de Química Industrial, o professor de Física era o Luis Freire. Esse era a figura mais notável de todas porque era um homem de uma grande cultura em Matemática e em Física, um grande espírito filosófico e de crítica e dava as aulas de uma maneira muito elegante, muito atraente, Foi ele, exatamente, ao fazer já o curso no primeiro ano, que me desviou da Química Industrial. Ele foi um arquiteto de valores humanos”.

Logo que foi criado o Conselho Nacional de Pesquisas (atual CNPq), em 1951, foi nomeado membro integrante da Comissão de Ciências Físicas e Matemáticas, ocupando este cargo até seu falecimento. Vale ressaltar que a Lei nº 1.310, de 15/1/1951 que criou o Conselho, foi chamada na época de “Lei Áurea da pesquisa no Brasil”.

Foi também membro da ABC-Academia Brasileira de Ciências, mérito alcançado pelo belo trabalho realizado, quando do estabelecimento da “Lei dos Estados Correspondentes e da Equação Geral da Excitabilidade dos Nervos e dos Músculos”, trabalho esse que o professor Miguel Osório de Almeida comentou em sua Memória, intitulada A Propos de Ia Nouvelle Théorie de I’Excitation Electrique des Tissus de H.M. Monnier, reivindicando a prioridade do trabalho para o professor Luiz Freire, porque o professor Monnier, da Sorbonne, alcançou resultados idênticos e menos completos, só a primeira parte do trabalho, não deduzindo a lei.

Como cientista renomado foi convidado para dirigir ou integrar diversas instituições: presidente do Instituto Tecnológico de Pernambuco; diretor técnico da Associação Brasileira de Educação; presidente da Comissão de Professores Universitários de Física do Brasil; membro do Conselho Orientador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada-IMPA; membro fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas-CBPF; membro do Comité Internacional do jubileu Científico do professor Arnaud Denjoy, da Sorbonne e do Instituto de França; membro da American Mathematical Society e do “Conimbrigensis Instituti Academia.”

Quanto aos trabalhos publicados, destacam-se: Da ciência matemática, sua metodologia, tese de concurso em 1919; Concepção cartesiana e as séries de Fourier, tese para concurso em 1921. No Boletim de Engenharia publicou entre outros: Teoria da relatividade, contraditando o trabalho do físico H. Bouasse, de Toulouse, subordinado ao mesmo título; Vetores polares e axiais, A arte do matemático e os incompreendedores, A filosofia de Henri Poincaré, O problema dos três corpos, Equação geral das escalas termométricas. A Revista Brasileira de Matemática publicou A Bossa das Matemáticas, que veio a receber elogios do sábio Charles Ricket, detentor de prêmio Nobel. Na revista da Escola Politécnica do Rio de Janeiro publicou As matemáticas ante os problemas de filosofia natural. Para a Gazeta de Matemática de Lisboa, escreveu: Os Potenciais, Escalar e Vetorial, Os espaços a conexão linear ou superficial, simples ou múltipla, “A Função Exponencial, A filosofia natura, Equação geral das escalas termométricas.

Dentre os grandes brasileiros esquecidos no “Panteão das Ciências” Luiz Freire ocupa lugar de destaque. Seu nome foi justamente dado à avenida onde está localizado o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Faleceu em 17/7/1963.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

FERNANDO – JORNAL DA CIDADE DE BAURU (SP)

15 agosto 2017 EVENTOS

PARA OS FUBÂNICOS DO RECIFE – ESTESIA: ARTE E TECNOLOGIA

O projeto artístico pernambucano ‘Estesia: Arte e Tecnologia dentro do palco’ leva ao Portomídia, bairro do Recife Antigo, entre os dias 17 de agosto e 28 de setembro, apresentações e debates sobre a arte e sua relação com a tecnologia, seus impactos na produção cultural e no segmento da economia criativa. O evento é gratuito.

Os encontros serão quinzenais e vão reunir especialistas das áreas, sempre nas quintas-feiras das 19h às 21h. Os debates serão ministrados pelos integrantes do Estesia, Carlos Filho, Cleison Ramos, Miguel Mendes e Tomás Brandão.

‘Estesia: Arte e Tecnologia dentro do palco’, que possui produção colaborativa, utiliza o formato teatral para interação com público e mistura os elementos sonoros com a tecnologia e experimentalismo.

Programação

17/08 – Gutie (Rec-Beat), Batebit e Sofia Freire;

31/08 – Melina Hickson (Porto Musical), Neilton (Altovolts) e Grupo Magiluth;

14/09 – Paulo André (Abril Pro Rock), Mabuse (C.E.S.A.R.) e Dielson Pessoa;

28/09 – Ana Garcia (Coquetel Molotov), Carlinhos Borges (Estúdios Carranca) e Gabriel Furtado;

Serviço

Estesia: Arte e Tecnologia dentro do palco
Portomídia (Rua do Apolo, 181 – Bairro do Recife)
Quinta (17) – 19h30

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

15 agosto 2017 MEGAPHONE DO QUINCAS


ASA BRANCA, HINO NACIONAL DO NORDESTE

Asa Branca: 70 anos

O pernambucano Luiz Gonzaga e o cearense Humberto Teixeira compuseram “Asa Branca”, há 70 anos. A história deste hino só se renova. A primeira gravação, de 03 de março de 1947, pela RCA, é impecável, na voz de Gonzagão.

Antes de iniciar o artigo de hoje, tive o cuidado de verificar nos arquivos de nosso “Besta Fubana” o que o portal-jornal já havia produzido neste ano especial sobre a matéria.

Sim, claro, como veículo que aborda de política a futebol, de economia a culinária, mas principalmente por ser a voz digital mais importante do país no que se refere a coisas da terra – Pernambuco, Nordeste -, registrando, descobrindo, compilando, traduzindo e explicando de onde vem tanta criatividade, inventividade e originalidade do artista nordestino, procurei não ser redundante.

O “Besta Fubana” tem mesmo o diferencial de trazer entre seus colaboradores, articulistas, caricaturistas, ensaístas colunistas, alguns grandes artistas que de punho próprio escrevem para o veículo, como Jessier, Xico Bizerra e outros da música, da poesia, do cordel, das artes plásticas, do repente, das danças e dos ritmos.

Entre os artigos que trataram já neste ano do septuagésimo aniversário do clássico está o do nosso pesquisador, estudioso e agitador cultural, o amigo Bruno Negromonte, que trouxe um delicioso compêndio de gravações de “Asa Branca”, cantadas em 7 línguas estrangeiras. Muito bom, Bruno….

Aqui, trago minha contribuição para essa efeméride, com três vídeos, que considero marcantes na trajetória da canção de Gonzaga e Teixeira.

A gravação original, de 1947; a versão com onomatopaicos de gemidos, do exílio de Caetano Veloso, em Londres, que imprimiu status internacional à obra de Gonzaga e Teixeira, em 1971; e a versão lapidada e completa da música, feita pelo Quinteto Violado, de 1972:

1 – Original

2 – Com Caetano

3 – E a do Quinteto Violado.

Eu também gosto muito de “A Volta de Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

Noutro dia, a gente fala sobre isso.

Semana que vem, tem mais.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

15 agosto 2017 DEU NO JORNAL

CONTINUA A CAMPANHA DE “DESCONSTRUÇÃO” DE IMAGEM

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, é alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (15) que investiga a prática dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça por parte dele e de servidores do governo potiguar.

Agentes foram ao edifício onde mora o governador logo no início da manhã e também à Assembleia Legislativa e à Governadoria, no Centro Administrativo do Estado.

Segundo a Polícia Federa, a investigação mira “manobras ilegais” para impedir investigações sobre desvio de recursos públicos por meio da inclusão de funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do estado desde 2006.

* * *

A que ponto chegou esta nossa arrombada Banânia…

Putz…

A polícia bater na porta de um governador de estado, um corrupto de alto escalão, no final da madrugada, para cumprir ordem judicial.

Não custa nada ressaltar um pequeno detalhe: o governador potiguar chegou ao cargo através do voto secreto, livre e direto dos eleitores do estado.

Do mesmo jeito que todos os outros ladrões que ocupam cargos públicos através de eleições.

Repito: não custa nada lembrar este detalhe. Sobretudo lembrar para os tabacudos que estão pregando o lema “Se ainda estiver solto, Lula-2018

O fato é que esta situação, a mais alta autoridade de um estado acordar com agentes fardados na sua porta, é o retrato cagado e cuspido deste país que foi montado (ou seria desmontado?) nos últimos anos, quando a ladroagem passou a ser sinônimo de “luta para ajudar os pobres“.

Ouvido hoje cedo pelo Departamento de Fuxicos do JBF, o fubânica lulista Ceguinho Teimoso declarou que esta nova investida da justiça e da Polícia Federal contra um governador aliado de Lula, faz parte do “projeto de desconstrução” da imagem do impoluto ex-presidente.

15 agosto 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

CONQUEST OF PARADISE – ANDRÉ RIEU

Para o Yoshiro Nagase, André Rieu e Johann Strauss Orchestra apresentam de Vangelis “Conquest of Paradise“.

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

14 agosto 2017 REPORTAGEM

A CORRUPÇÃO DA BOLIVARIANA DO PT

É DO LEVANTE – Para Gleisi, o Brasil poderia se tornar uma grande Venezuela

A senadora Gleisi Hoffmann não é apenas a representante legal do Partido dos Trabalhadores – enquanto presidente da legenda da estrela rubra. Gleisi é hoje o retrato mais bem acabado do fosso profundo em que se embrenhou a sigla. Como irmãos siameses, ambos podem ser facilmente confundidos. Cordeiro só na epiderme de porcelana, Gleisi é como o PT dos últimos tempos: posa de tolerante, mas nunca apresentou-se tão autoritária. Finge-se de democrata, mas não hesita em franquear apoio a ditaduras – como a instaurada por Nicolás Maduro, na Venezuela. Alega ser vítima de perseguição política, mas é quem melhor encarna o papel de algoz de parcela dos brasileiros. Arvora-se paladina da ética, mas é constantemente flagrada com as mãos sujas da corrupção. É a tal cegueira mental de que falava José Saramago: consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que for suscetível de servir aos seus interesses.

Na última semana, a Polícia Federal concluiu um contundente relatório em que imputa a Gleisi os crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro. O relatório congrega laudos técnicos, registros de telefonemas, planilhas e trechos de delações de executivos da Odebrecht e de sócios de uma agência de publicidade da qual a petista se valeu para receber propina. A partir dos documentos é possível traçar o caminho do dinheiro até Gleisi Hoffmann. Uma das planilhas em poder da PF indica as datas de oito pagamentos de R$ 500 mil cada para a campanha de “Coxa” ao Senado em 2014. Segundo a delegada Graziela Machado “existem elementos suficiente a confirmar que o codinome Coxa se refere a Gleisi Helena Hoffmann”. O esquema envolveu também o Ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma, Paulo Bernardo – marido de Gleisi e que chegou a preso por desviar recursos de empréstimos concedidos a servidores públicos aposentados. O conjunto de desembolsos à petista perfaz um total de R$ 4 milhões, mas os colaboradores chegaram a mencionar repasses de R$ 5 milhões apenas no ano de 2014.

A apuração começou em fevereiro de 2016, quando a PF apreendeu documentos na residência de Maria Lúcia Tavares, secretária do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o já famoso departamento de propinas da empresa. Em dezembro do ano passado, três executivos da Odebrecht detalharam as anotações apreendidas pela PF e as mensagens de correio eletrônico relacionadas a Gleisi e ao codinome “Coxa”: o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, o da unidade infraestrutura, Benedicto Júnior, e o diretor da empresa na região Sul, Valter Lana. Segundo a PGR, o trio narrou “diversos repasses financeiros” nos anos eleitorais de 2008, 2010 e 2014, por solicitação direta de Paulo Bernardo. De acordo com Odebrecht, o acerto para pagar Gleisi passou pelas mãos do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci, hoje preso em Curitiba.

O advogado do casal Rodrigo Mudrovitsch disse à ISTOÉ que as informações levantadas “não autorizam” as conclusões dos investigadores. A PF, no entanto, é taxativa: “Há elementos suficientes para apontar a materialidade e autoria dos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro praticados pela senadora, seu então chefe de gabinete, Leones Dall Agnol e seu marido, Paulo Bernardo da Silva. Os autos também comprovam que a parlamentar e seu marido, juntamente com Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Valter Luiz Arruda Lana, foram responsáveis pelo cometimento de crime eleitoral”. Agora, o destino de Gleisi está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, a quem caberá pedir ou não seu indiciamento ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin.

AFINIDADE ELETIVA – Gleisi esteve com Maduro na posse Dilma

Espelho de um PT que deixou as bandeiras históricas de lado para enveredar pelo caminho da indigência moral, Gleisi é alvo da Lava Jato desde os primórdios da investigação. Na ocasião, os policiais descobriram que ela recebera R$ 1 milhão em propinas desviadas da estatal. Para emitir sua versão sobre esse processo em particular, no qual é ré, a senadora será interrogada pela Justiça no próximo dia 28, ao lado do marido Paulo Bernardo. É possível que o julgamento ocorra ainda este ano. O dinheiro, neste caso, foi repassado por doleiros. Seria apenas o fio de um extenso novelo que implicava o até então casal mais influente da Esplanada. A propina era desviada para um escritório de advocacia de Curitiba por meio de uma operação dissimulada: a Consist, empresa originalmente de software, fazia de conta que pagava pelos serviços advocatícios e, sem deixar digitais, os advogados bancavam as despesas do casal. Um dos sócios, o advogado Sasha Reck, depois de acusado de envolvimento na falcatrua, resolveu se mexer. Encomendou uma auditoria independente nas contas do escritório e descobriu aquilo que a Polícia Federal não levaria muito tempo para entender: o contrato de serviços jurídicos com a Consist era de fachada. A empresa também operou no Ministério do Planejamento e irrigou as contas do PT, por meio do ex-tesoureiro João Vaccari — razão pela qual Bernardo amargou seis dias na prisão, em 2016.

Gleisi discursa durante abertura do 23º encontro do Foro de São Paulo 

“O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), seus aliados e ao presidente Maduro, frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela”

“Gostando-se ou não de Maduro, ele tem legitimidade, foi eleito na urna, o que não é o caso de quem governa o Brasil”

“Temos a expectativa que a Assembléia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”

“A vitória da Assembleia Constituinte demonstra claramente que é possível enfrentar e derrotar as novas táticas eleitorais e golpistas da direita”

“No Brasil também defendemos uma Constituinte para implantar as reformas”

Como é possível notar, Gleisi e PT sempre tiveram tudo a ver. Hoje, suas conveniências entrelaçam-se mais do que nunca. Em junho, Gleisi conquistou a presidência do partido com 60% dos votos dos delegados. Em sua primeira declaração, disse que o partido não iria fazer autocrítica de seus atos escabrosos “porque não contribuiria para fortalecer o discurso dos adversários”. “Não somos organização religiosa, não fazemos profissão de culpa, tampouco nos açoitamos. Não vamos ficar enumerando os erros que achamos para que a burguesia e a direita explorem nossa imagem”, discursou Gleisi. Em seguida, na mesma toada de seu padrinho mais ilustre, o ex-presidente Lula, a senadora petista passou a dourar outra narrativa: a de vítima. Foi para exercitá-la que “Coxa” foi guindada ao posto também com a bênção de José Dirceu. Em recente reunião em sua residência, o ex-capitão do time de Lula assim classificou a petista: “Ela é orgânica e focada”.

Além de se esgueirar dos avanços da PF sobre ela, o foco da presidente petista, ultimamente, consiste em tecer loas ao regime ditatorial de Nicolás Maduro, na Venezuela. No PT, a senadora é quem entoa com mais vigor o discurso pró-Maduro. Desde o início da repressão, Gleisi deu toda sorte de demonstrações de solidariedade ao governo venezuelano. No último Congresso do PT, por exemplo, recebeu uma delegação da embaixada venezuelana. Presente ao evento, o ex-presidente Lula não mencionou o tema, como era aguardado, uma vez que na campanha eleitoral ele havia gravado um vídeo em favor de Maduro. Razão: ele e outros petistas seriam contra a Constituinte, em dissonância com o que tem pregado Gleisi. No partido, no entanto, há quem diga tratar-se de uma estratégia. Enquanto Lula é poupado da exposição a um tema para lá de delicado, caberia a presidente do PT, por assim dizer, o “serviço sujo” — o qual ela pratica com convicção e impressionante entusiasmo.

PT ajudou a bancar a ditadura de Maduro

De 2006 a 2014, os governos de Lula e Dilma financiaram, por meio do BNDES, importantes projetos na Venezuela

Durante greve de petroleiros na Venezuela em 2002, o presidente eleito Lula enviou navio com gasolina para ajudar Chávez

Os governos de Lula e Dilma emprestaram R$ 11 bilhões à Venezuela, para obras no Metrô de Caracas, siderúrgicas e pontes

Em 2013, o PT de Dilma mandou o publicitário João Santana ajudar a reeleger Maduro. A ditadura venezuelana se intensificou

Sem segredo

Ao abrir o 23º encontro do Foro de São Paulo, dia 16 na Nicarágua, a presidente do PT declarou, em nome do partido, apoio ao governo do Partido Socialista Unido da Venezuela. “O PT manifesta o seu apoio e solidariedade ao PSUV, seus aliados, e ao presidente Nicolás Maduro, frente à violenta ofensiva da direita pelo poder na Venezuela. Temos a expectativa de que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”, disse. O endosso da Constituinte feito por Gleisi carrega um outro significado: escancara o desejo irrefreável do PT de executar um programa bolivariano no País. Nos 13 anos em que esteve no poder foram inúmeras as tentativas de aplicá-lo, sem sucesso devido à solidez de nossas instituições. Mas o programa de censura a meios de comunicação e perseguição a adversários políticos, caso o partido retorne ao poder, já não constitui mais um segredo de polichinelo no PT, a julgar pelos recentes discursos de Lula.

Independentemente das reais intenções, o apoio à ditadura de Maduro representa, sem sombra de dúvida, a página mais vergonhosa da história do Partido dos Trabalhadores e, consequentemente, de Gleisi. O que se vê por lá é uma catástrofe humanitária sem precedentes. Os números são eloquentes, por desoladores. Em quatro Estados daquele País, a desnutrição infantil já alcança 20% das crianças com menos cinco anos de idade. O País amarga ainda a segunda maior taxa de homicídios do mundo. O índice de assassinatos em Caracas é 14 vezes maior que o de São Paulo, por exemplo. A inflação projetada para este ano é de 2.200%. Para se manter a qualquer custo no poder, Maduro apela para a violência extrema. Só nas últimas semanas, a guerra civil conflagrada no País deixou um saldo de mais de 100 mortes. É para ele que Gleisi bate palmas. Para justificar essa cumplicidade, os petistas, Gleisi à frente, praticam uma desonestidade intelectual: cada denúncia contra o regime é encarada como parte de uma campanha da CIA ou da imprensa “golpista”. Nada mais falso. São os órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos, nos quais se escudaram a esquerda latino-americana no passado, quem mais apontam para os descalabros venezuelanos. “Na Venezuela toda a gama de direitos humanos é violentada. Direitos econômicos, sociais, culturais. As liberdades fundamentais, o direito à associação, a liberdade de expressão. Está havendo um contexto repressivo e militarizado diante das demonstrações de descontentamento social, no qual, além disso, são feitas detenções arbitrárias como ferramenta de controle, de calar as vozes da dissidência”, afirmou recentemente Erika Rivas, diretora da Anistia Internacional para as Américas.

Não foram apenas as afinidades eletivas que levaram Gleisi a alcançar a presidência do PT. A senadora se cacifou para assumir o partido quando passou a adotar a postura de líder da tropa de choque de Lula e Dilma no Senado. Na verdade, começava ali a manchar publicamente a própria biografia. Depois do impeachment, para deleite do petismo, ela transformou sua atividade parlamentar em sinônimo da política do quanto pior melhor, promovendo uma oposição inconsequente que em nada contribui para o avanço do País. A postura da presidente do PT ecoou entre os eleitores. Recentemente, Gleisi conversava com um jornalista quando foi abordada por uma cidadã: “Oi, Gleisi, você já está preparada para ser presa?”, perguntou. Ao que a petista replicou com uma resposta atravessada. “Não, querida, mas você pode ir”. Resultado: abriu o flanco para tomar outra invertida. “Eu não. A bandida aqui não sou eu”, sapecou a mulher. O diálogo foi gravado e viralizou nas redes sociais. Internamente no partido, a atitude intempestiva da senadora não foi bem recebida. Houve quem recomendasse recato, no momento em que a sigla experimenta a maior crise de sua história. Ela não aquiesceu.

O PT a conhece bem

Outro motivo de desgaste interno é a maneira imprudente, para dizer o mínimo, com que Gleisi sempre escolheu seus assessores mais próximos. Seu mais lamentável intento foi nomear Eduardo Gaievski (PT/PR) para trabalhar no gabinete contíguo o da presidente deposta Dilma Rousseff (PT), quando ela era ministra da Casa Civil. E, pasme, como responsável pelas políticas da Presidência para Jovens e Adolescentes. Gaievski não tem currículo. Ostenta uma ficha corrida de dar calafrios. Hoje ele é acusado de crimes sexuais, sendo a maior parte deles contra menores. Na sequência, Gleisi escolheu o deputado André Vargas (PT/PR) para chefiar sua campanha ao governo do Paraná, para depois ter de afastá-lo pelo envolvimento com o doleiro Alberto Youssef e o ex-Diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em fraudes investigadas pela PF. A petista não pode alegar que desconhecia a face mais obscura de Vargas. Em 1998, ele foi indiciado por desvio de R$ 14 milhões da Prefeitura de Londrina (PR) para abastecer o caixa 2 da campanha a deputado do seu marido Paulo Bernardo. Na verdade, ela o conhecia muito bem. E era por isso que ele estava lá. É como ela própria, Gleisi: é por conhecê-la a fundo que o PT a alçou ao comando máximo da legenda.

Os malfeitos de Gleisi

– A senadora Gleisi Hoffmann é investigada no STF por ter recebido R$ 1 milhão em propinas da Odebrecht para sua campanha ao Senado em 2010

– No próximo dia 28, ao lado do marido Paulo Bernardo, Gleisi estará sentada no banco dos réus para dar sua versão sobre o caso

– O dinheiro era repassado a Gleisi por doleiros. A propina era desviada por um escritório de advocacia de Curitiba

– O casal Gleisi e Paulo Bernardo usava a empresa de software Consist para simular o pagamento de serviços advocatícios. Na verdade, era por meio dela que o casal tinha suas contas pessoais bancadas. A Consist também mantinha polpudos contratos com o Ministério do Planejamento, comandado por Paulo Bernardo durante o governo Dilma

– No departamento de propinas da Odebrecht foram encontradas planilhas de três repasses de R$ 150 mil cada, no total de R$ 450 mil, feitos à Coxa, o codinome de Gleisi. Os pagamentos foram feitos entre 2008 e 2010

– A senadora está sendo julgada na Comissão de Ética do Senado por quebra de decoro, ao invadir a mesa diretora do Senado, em 11 de julho deste ano

Transcrito da Revista Isto É

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

INCÊNDIO NO APARTAMENTO AO LADO

Infelizmente a revista “The Economist” quando coloca na capa matéria sobre países sul-americanos não tem sido para dar boas notícias. Na edição de 04/08 a prestigiada publicação britânica traz em sua capa a manchete “Venezuela em caos”. Nosso confrade Carlos Ivan comentou sobre o problema em sua coluna “Enquanto isso…”. Pego carona no assunto para trazer alguns números e comentários.

Entre 2013 e o final de 2017 o PIB daquele país terá encolhido 35%!!!!!!!!

O desabastecimento é cruel, obrigando o cidadão a enfrentar filas enormes para comprar itens básicos subsidiados pelo governo, caso contrário terão de recorrer ao mercado negro, com preços proibitivos. O governo instituiu um esquema de abastecimento de itens básicos, chamado de CLAP, sugerido pelos consultores cubanos do presidente Maduro. 30% das famílias venezuelanas são atendidas pelo CLAP, lamentavelmente a seleção de quem é beneficiado com as cestas básicas não obedece critérios de necessidade, mas de fidelidade ao regime de Maduro. Ainda segundo a revista, 80% das famílias não tem renda suficiente para cobrir suas necessidades básicas.

O país que até 2005 tinha o maior PIB/capita da América Latina, que na década de 50 do século passado tinha o quarto PIB/capita do mundo, hoje, segundo dados da Encovi (Enquete sobre Condições de Vida), pesquisa realizada por um consórcio de universidades venezuelanas em 2016, quase 75% da população perdeu uma média de 8,7 quilos no ano passado por conta da desnutrição. A mortalidade infantil aumentou 66% em 2106.

Será que a “presidenta” do PT, Senadora Gleisi Hoffmann que apoia Maduro, conhece esses números?

A tragédia venezuelana preocupa o mundo e em especial o Brasil. Não podemos ficar desatentos a calamidade do vizinho. É como um incêndio no apartamento ao lado. Se continuarmos assistindo à partida de futebol sem ouvir o pedido de ajuda do vizinho, logo-logo estaremos com as chamas queimando nossa sala.

Em 26/07 o Governo Trump anunciou sanções contra membros da equipe de Maduro, cassando seus vistos de entrada nos EUA e proibindo empresas americanas, principalmente bancos, de fazerem negócios com esses indivíduos. A sugestão da “The Economist” em seu editorial é que União Europeia e países Latino-Americanos juntem esforços com os EUA criando ação internacional contra Maduro, a favor da Venezuela, para que se encontre uma solução negociada, considerando algum perdão para líderes do Socialismo do Século XXI, em troca de uma solução sem violência generalizada.

O “paradoxo da abundância”, uma teoria econômica segundo a qual a abundância de algum recurso natural (no caso, o petróleo) pode levar o país a uma excessiva dependência daquela riqueza, não conseguindo diversificar suas indústrias e redundando em governos autoritários e ineficientes, explica boa parte da tragédia. Juan Pablo Pérez Alfonzo, ministro de Minas e Hidrocarbonetos da Venezuela na década de 1960, havia feito uma previsão sombria em 1976, pouco após o país estatizar a exploração do ouro negro: “daqui a dez ou vinte anos, o petróleo nos trará a ruína. É o excremento do diabo”.

Somando o “paradoxo da abundância” com o Socialismo do Século XXI, Nicolas Maduro parece ser apenas a cereja do bolo no caos venezuelano.

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

J. BOSCO – AMAZÔNIA JORNAL (PA)

VOZES DA RUA

Passeava pela cidade
Quando ouvi um clamor
Dizia, poeta por bondade
Faça-nos um grande favor
Junte nossa voz a sua
Dê voz as vozes da rua
Nós também temos valor

Quem critica o camelô
Com palavra humilhante
Certamente não parou
Para pensar um instante
Se assim tivesse feito
Teria outro conceito
E seria mais elegante

Nós somos comerciantes
Pagamos nossos tributos
Mesmo assim não obstante
Sofremos muitos insultos
Por parte da fiscalização
Ameaças, perseguição
Não achamos isso justo

Apreendem nossos produtos
Destroem nossa mercadoria
Passam por cima das leis
Fazem coisas que não devia
Não ouvem nossos argumentos
São geralmente truculentos
Agem com cinismo e covardia

O estatuto da cidadania
Nos reserva o direito
De exercer nossa profissão
Trabalhando com respeito
Sendo justo eticamente
Para deixar o cliente
Plenamente satisfeito

Que o excelentíssimo prefeito
Faça valer a constituição
Assinando uma portaria
Proibindo a perseguição
Que tira nosso sossego
Gera ódio e desemprego
Violência e exclusão

Antes de qualquer decisão
Mande alguém nos ouvir
Temos boa sugestão
Precisamos interagir
Vamos nos sentar à mesa
Que ao final com certeza
Teremos motivo para sorrir

Vamos juntos descobrir
Uma saída decente
Trabalhando em parceria
De maneira inteligente
Ouvindo a voz da rua
Para que enfim se construa
Uma solução permanente

Portanto minha gente
Vamos juntos apoiar
Os amigos ambulantes
Que vivem a batalhar
Nas ruas das cidades
Que as autoridades
Deixem eles trabalhar

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

DEPUTADA LUCIANA SANTOS – BRASÍLIA-DF

R. Vossa Insolência, senhora deputada Luciana, não imagina como eu fico ancho que só a porra em receber e publicar vossos reclames aqui nesta gazeta escrota.

Mande mais.

É marca registrada deste jornal imundo botar merda no ar o dia inteiro e todos os dias.

E botar no ar merda de político banânico – de qualquer partido ou de qualquer tendência -, me dá uma satisfação imensa.

A senhora está um tesãozinho neste vídeo que nos mandou. Deixou pra trás Gleisi Hoffmann, a ré que é presidente do PT. Aquela sua aliada que tem o codinome de Amante na lista de propinas da Odebrecht.

Aproveito a oportunidade para fazer um pedido: será que a senhora não conseguiria com a direção do PCdoB uma verbinha pra amenizar um pouco a triste situação em que se encontram as finanças desta gazeta escrota?

Hein?

Veja aí se arranja alguns tostões deste tal de fundo partidário aqui pro JBF. Garanto que meu voto será seu na próxima eleição. E ainda mando botar uma foice e um martelo no cabeçalho do jornal.

A situação do Complexo Midiático Besta Fubana está tão desesperadora que eu estou latindo de noite pra economizar a nossa cachorra Xolinha.

Faça uma caridade por nóis, Insolência.

Quando encontrar com Kim Jong-Un, diga que Chupicleide, secretária de redação, mandou um beijinho pra ele.

Muito agradecido.

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

14 agosto 2017 A PALAVRA DO EDITOR

A FRASE DA SEMANA

“O projeto de desconstrução de Lula está em pleno andamento”.

Goiano Braga Horta, colunista do JBF.

Ou seja, estão desconstruindo um edifício que desmoronou por conta (êpa!) própria e que acabou de ser implodido por 9,5 anos-quilos de dinamite-sentença.

Um edifício (atenção: não estou falando de triplex) apodrecido, bichado, desmascarado, desmoralizado, arruinado por baratas, antas, hipopótamos, cupins, ratos, empreiteiros, propinas, “cachês” e pixulecos.

É arretado este ofício de editar o JBF.

Fortalece minha saúde mental, anima meu humor e leva o meu astral pras alturas.

Eu me divirto pra caralho!

O canonizado São Lula e os fieis carregadores do seu andor estão sempre nos proporcionando momentos de gostosas gargalhadas.

Que bom!

14 agosto 2017 FULEIRAGEM

THIAGO LUCAS – CHARGE ONLINE


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa