VERONEZI



O AQUECIMENTO GLOBAL NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Os alarmes estão dados
O globo está se aquecendo
A amazônia queimando
As geleiras derretendo
Quem mais polui menos vê
Que o planeta está morrendo.”

Edmilson Ferreira

“Esse tal de aquecimento
Tem muito a ver com a gente
Aumenta a temperatura
No nosso meio ambiente
Se não aumentar a vegetação
Vai queimar todo vivente.”

Lucimario Almeida

“O planeta está sofrendo
Sem poder se libertar
Os emissores de gases
Não querem se equilibrar
E quem mais polui o planeta
Também não vem arrumar.”

Antonio Lisboa

“Falando em aquecimento
Tem outra alternativa
É começar preservando
A nossa mata nativa
E fazer de tudo um pouco
Pra manter a terra viva.”

Juciê Jorge

“O clima nos atropela
Depois que muito esquentou
Que a camada de ozônio
Parece que se furou
O nosso solo subiu
Ou então o céu baixou.”

José Lúcio



DUKE



UMA EXCELENTE SUGESTÃO

Comentário sobre a postagem VAMOS EM FRENTE, CUMPANHEROS ! ! !

Osmario:

“Durante a guerra do Vietname, um monge budista ateou fogo ao próprio corpo, para protestar contra a guerra.

Acho um ato bem corajoso.

Que tal se a petralhada ao invés de greve de fome, se auto imolasse?

Chamariam muito mais atenção…

E de quebra, fariam um bem enorme a Nação brasileira.”

* * *

Uma excelente sugestão para Stédile…



ALIEDO



O VIADO, A SELA E O DOUTOR

Déjà Vu – tataraneto de Pierre Collier

Paulinho de Zefa era um matuto apombalhado que saiu nos anos oitenta do distrito de Lagoa do Carro-PE para cursar Ciências Políticas na UFPE. Seu sonho: professor!

Como se destacava dos demais calouros por ser grandalhão, fez amizade na classe com Jeferson Fran, um rapagão falsa bandeira da capital, chegado às baladas afrangalhadas das noites do Recífilis.

Entrosado em todos os trabalhos de classe, Paulinho não desconfiava das tendências viadais de Jeferson e convidou-o para ir ao sítio dos pais para passar um final de semana em contato com a Natureza e os animais de estimação.

Jeferson adorou a ideia e num final de semana viajou com Paulinho para o sítio. Chegando lá ficou encantado com o negão Adamastor Pezão, pau para toda obra, um metro e oitenta e oito, braços grossos, beiço de gamela, botina quarenta e quatro.

Além de Pezão, Jeferson ficou com água na boca quando viu o jumento Pierre Collier, com a pica maior do que a de Polodoro, pra lá e pra cá, dura, correndo atrás das jumentas no cio. Era pai de todos os jegues e éguas que nasciam! Um gigante!

À noite, quando todo mundo estava dormindo, Jerferson, só pensando na picona de Collier, levantou-se da cama de campanha na ponta dos dedos dos pés, e, no silêncio da noite, foi direto à estrebaria onde o jumento dormia em pé.

Lá, no escuro, Jerferson, o alisou, passou a mão por todas as partes íntimas do bicho, pegou-lhe a jatumama e, não resistindo, arriou a bermuda e deixou entrar só a cabeça… Depois do coito zoofílico, correu para cama, todo ensanguentado e dolorido, andando com as pernas em forma de cangalha.

Manhanzinha, Paulinho, percebendo a ausência de Jerferson na hora do café, foi até a varanda da casa onde ele se encontrava deitado. Encontrando-o gemendo e com o oi da goiaba sangrando.

Assustado com a cena, Paulinho perguntou o que aconteceu:

– Paulinho – disfarçou Jerferson – me desculpa cara. Mas é que eu não resisti à noite, tomei a liberdade de andar de cavalo, pus a sela em Pierre Collier e, quando escanchei as pernas e fui apoiar as nádegas, sentei-me mesmo no pito da sela que entrou todinha no meu ânus e desde ontem está sangrando e doendo muito!

Assustado, Paulinho não perdeu tempo diante da situação. Pegou o opala do pai e levou Jerferson às pressas à maternidade local onde havia um clínico geral.

Assim que chegou à maternidade, Paulinho não perdeu tempo, tibungou com Jerferson no corredor e foi direto para sala de emergência.

O médico proctologista que estava de plantão, percebendo a gravidade do problema e desconfiando da sinceridade de Jerferson, perguntou-lhe:

– Como foi esse acidente, meu filho? Foi no pito da sela mesmo ou você andou fazendo traquinagem que não devia. Olhe eu vou fazer um tratamento aqui com penicilinas e óleo de peroba. Mas se não estancar a sangria eu vou ter de utilizar um antibiótico novo que chegou de Cuba aqui na Maternidade. Agora só tem um detalhe: Se você estiver mentindo o remédio vai ter um efeito colateral! Além de sofrer com insuportáveis dores, vai ter uma hemorragia letal! Portanto, é melhor contar a verdade!

Ao que Jerferson, temeroso, e desconfiado que o médico, experiente, já estava por dentro do “acidente”, confessou:

– Doutor, o senhor está certo! Eu senti uma atração irresistível pela mimosana do jumento do sítio e não perdi tempo! Foi muito bom o desejo, doutor, mas quando entrou a cabeça, eu desmaiei e só vim me acordar no outro dia todo ensanguentado com o Paulinho me chamando e perguntando o que era isso. Agora não conta nada pra ele não, visse doutor! É que eu sou viado, mas gostaria que ele não soubesse!

O médico deu um sorriso irônico no canto da boca e ficou a refletir olhando a imagem de Santo Agostinho instalada na parede da sala de plantão: Os tempos estão mudando!

PL 6621/16

Está sendo tramado na calada da noite na Câmara dos Deputados, Prostíbulo de Brasília, esse PL de autoria do senador Eunício Ladrão Oliveira, sobre o argumento de gestão, organização, processamento divisório e controle social das dez agências reguladoras de Banânia, com o fito exclusivo de roubar mais ainda todos os cidadãos honestos, decentes e trabalhadores deste país, com deliberalidade para escolher parentes até o terceiro grau para preencher cargos comissionados sem concurso público, verdadeira afronta à Súmula Vinculante n.º 13 do STF, que veda nepotismo nos três poderes. De olhos bem abertos nesses bandidos sujos, Mestre Adônis Oliveira!

Renan Ladroeiro Calheiros, Senador-PMDB-AL, e Eunicio Larápio Oliveira, Senador-PMDB-CE. Uma parelha de canalhas do caralho de Banânia.



CACINHO



O DONO DA ESPELUNCA

Condenado na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva completou 100 dias preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

Mais magro do que estava quando chegou de helicóptero, na noite de 7 de abril, o petista ainda dita as estratégias e os passos do partido e de seus principais aliados na campanha presidencial.

E mantém o PT imobilizado na definição de uma alternativa eleitoral.

As vésperas da convenção partidária e a um mês do prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral – o prazo é 15 de agosto –, o mais importante preso da Lava Jato transformou sua “cela” em comitê político e eleitoral, numa espécie de campanha via porta-vozes.

Desde que foram autorizadas as visitas especiais de amigos, o ex-presidente já esteve com dezesseis pessoas em onze datas distintas.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, é quem mais visitou o ex-presidente.

É ela a responsável por avisar o partido, governadores e líderes políticos sobre as decisões de Lula – que tem sempre a palavra final.

* * *

O PT não tem presidente nem diretório nacional.

O PT tem um proprietário.

Esta bando partidário é uma bodega (sem qualquer ofensa às bodegas, claro…) de 13ª categoria à frente da qual está um dono delinquente.

Era o que antigamente, na época do extinto cumunismo,  se chamava eufemisticamente de “centralismo democrático“.

A cúpula baixava a ordem e os babacas da militância tinham que obedecer, mesmo que discordassem.

Tá lá no Wikipédia:

E ainda tem neguinho tapado do juízo que não vê uma coisa tão simples e tão clara.

Cumpra o regulamento e transmita as ordens do chefão pro resto da quadrilha, dona Amante!

E estamos conversados.

“Sô eu qui mando nessa porra! Mi obedeça, seus fi da puta!”



EDD SILVA



ONDE O VENTO FAZ A CURVA

Lá onde Judas perdeu as botas e o vento costuma fazer a curva, pedi ao senhor dos ares, com a maior das humildades, que, antes de fazer a volta, viesse acariciar minha alma e afagar meu coração. Estava precisado. E o vento atendeu ao meu pedido, sorrindo com jeito de conivência. Também sorri satisfeito por saber que há razões ainda para cantar e fazer versos. E os farei. E cantarei. Enquanto razões houver estarei atento para saudar o dia, o céu, o sol, a noite e as estrelas. Quanto à lua, esta eu sempre reverenciei e assim vou continuar fazendo, retribuindo tudo o que dela recebo. E não é pouco.



FERNANDES



ORTOGRAFIA FUBÂNICA

Suvaco, buceta, pinico, viado, dimenor, minxaria, zisquerdista, intelequitual, bufete, zoios, são apenas algumas, dentre muitas e muitas palavras que aqui no JBF são escritas conforme a ortografia fubânica.

Tem também a palavra guabiru, que uso bastante pra me referir aos ratos e corruptos desta nação banânica.

No dicionário consta como “Gabiru”.

Mas eu escrevo do jeito que Seu Luiz, meu saudoso pai, pronunciava: Guabiru.

E guardei o nome desta forma na minha memória.

Dia desses eu estava passando pelo centro do Recife, cruzando o canal que margeia a avenida Agamenon Magalhães, e vi esta placa que está aí embaixo:

Pois é. O ilustre roedor estava grafado como “gabiru”.

E o bicho é mais brabo do que uma galinha choca: pode até atacar quem passa por lá.

Ataca pessoas e, na esfera federal, ataca os cofres públicos.

Vôte!

Se o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, fosse um cabra antenado e lesse o JBF, tenho certeza que ele mandaria corrigir o aviso e botaria lá “guabiru”, conforme a ortografia fubânica, ao invés de seguir a vulgar ortografia dos dicionários.

Vou alertá-lo para o erro.



PATER



FERNANDO SANCHO, O “GENIAL MALVADO”

Em se tratando de malvadeza, na arte da cinematografia, vem logo em nossa mente àquela figura excêntrica e afamada, além de galhofeira e debochada desse magistral ator que é Fernando Sancho, o nosso bom homem mau… Por esse “interiozão” das cidadelas brasileiras, dias de feiras livres, fãs de memoráveis westerns spaghetti procuravam avidamente pelo nome de Fernando Sancho nos cartazes dos filmes dependurados em postes ou acompanhava o “locutor” num carro de marca Jeep ou Rural, com um microfone enrolado num farrapo de flanela vermelha, anunciando a película cinematográfica de logo mais à noite em CinemaScope, que era uma tecnologia de filmagem e projeção que utilizava lentes de última geração, pois ninguém tinha dúvida em comprar o bendito ingresso com a certeza de boa diversão.

O Genial Malvado foi muitas vezes estigmatizado ou rotulado de modo negativo como um bandido mexicano quando na verdade ele nasceu em Zaragoza, viveu na Espanha e morreu em Madrid. Com aquele seu corpanzil pesado, o ator espanhol que passava facilmente por mexicano, normalmente por bandido mexicano. Ele é um ator espanhol que se notabilizou por interpretar bandoleiros com seu barrigão exagerado, rosto suado, vestes ensebadas e gargalhada que se ouvia à distância de um ou mais quilômetros antecipando alguma crueldade. O nome desse ator é Fernando Sancho, que por mais que tentasse ser sinistro e sanguinário, nunca deixava de conquistar o espectador que, muitas vezes, secretamente até a gente torcia por ele.

Quando o westerncinemania elaborou a desastrada enquete “Grandes Bandidos dos Faroestes”, alguns cinéfilos como Darci Fonseca, Joaílton de Carvalho e Edson Paiva não se conformaram com a ausência do europeu Fernando Sancho entre os 50 homens mais selecionados para a enquete. Escreveram: “Acho que na lista dos piores bandidos faltou Fernando Sancho, carismático, cruel, cínico e sujo”. Outros comentários: “Fernando Sancho foi uma ausência de peso. (…) Acho que nenhum dos 50 da lista interpretou a quantidade de vilões que fizeram a fama de Fernando Sancho. (…) Ele marcou os westerns spaghetti e muitas vezes os filmes só valiam à pena por sua presença”…

O cinema espanhol não poderia prescindir de um artista como Fernando Sancho que, mesmo sempre um pouco acima do peso, era capaz de interpretar galãs com a mesma facilidade com que interpretava policiais, oficiais fardados e, melhor que ninguém, hombres malos nos westerns spaghetti. Em sua briosa carreira, no auge, Sancho não parava de filmar e suas participações em produções na década de 60 é impressionante: sete filmes em 1961; – seis em 1962; – nove em 1963; – nove em 1964; – 14 em 1965; – 14 em 1966; – 12 em 1967; – nove em 1968; cinco em 1969. Nessa década Fernando Sancho fez desde pequenas participações em superproduções como “Lawrence da Arábia”, “O Rei dos Reis” e “55 Dias em Pequim” a papeis importantes como em “O Filho do Capitão Blood”. Ao todo foram mais de 200 filmes. Sancho participou de gravações cujos elencos eram liderados por campeões de bilheteria na Espanha como os astros infantis Pablito e Joselito. Foi pouco relevante mas que alcançou sucesso na Espanha interpretando “El Zorro” herói muito querido na terra de Cervantes. Em “A Vingança do Zorro” (1962), Fernando Sancho iniciou uma nova fase em sua carreira, agora no gênero western que atraía muito público na Europa. Além destes, Sancho atuou em muitos filmes com o italiano Giuliano Gemma, filmes como: “Uma Pistola Para Ringo”, “Ringo Não Discute: Mata”. Em “Uma Pistola para Ringo” ele é dublado por alguém bastante competente, o que deixa o filme ainda mais divertido. O melhor filme de Ringo com Sancho, donde, recomendo-o.

E haja filmes faroestes!!!, entre tantos: “Pelo Prazer de Matar; – “Até no Inferno Irei à Sua procura”; – “Django Atira Primeiro”; – “Clint, o Solitário”; – “Django Mata por Dinheiro. Em “Arizona Colt”, Giuliano Gemma e Fernando Sancho contracenam pela última vez num western. Dois spaghetti que alcançaram muito sucesso foram “O Dia da Desforra” e “Ódio por Ódio”, ambos com a presença de Sancho. São de 1967: “Um Homem e Um Colt”; – “Killer Kid” (com o brasileiro Anthony Steffen); – “Billy, o Sanguinário” (o personagem de Sancho é ‘El Bicho’); – “15 Forcas para um Assassino”; – “Rita no West” (com Rita Pavone e Terence Hill); – “A Outra Face da Coragem” (com Mark Damon e John Ireland e Sancho interpretando “Carrancha”, mais um nome bastante significativo para o ator).

Finalmente, como curiosidade, os filmes da dupla “O Gordo e o Magro” faziam grande sucesso na Espanha e o eclético Fernando se tornou o dublador oficial de Oliver Hardy, o Gordo. Fernando Sancho tinha como seu grande ídolo: John Wayne. Os últimos westerns da filmografia de Fernando Sancho, nos anos 70, tiveram qualidade bastante inferior uma vez que diretores como Corbucci, Sollima, Tessari e principalmente Leone (com quem Fernando Sancho nunca filmou) haviam dado adeus ao gênero. A fama de Fernando Sancho era tão grande na Europa de modo geral e mais especialmente em seu país, que a revista espanhola “INTERVIU” bateu recordes de tiragem quando estampou ensaio fotográfico com Maytita, a filha do ator. Já passado dos 60 anos de idade, o ritmo de trabalho de Fernando Sancho diminuiu sensivelmente, mas ainda assim nunca lhe faltou convites para atuar, no mais das vezes emprestando seu glorioso nome a produções de qualidade duvidosa. Sancho foi dirigido pelos principais diretores italianos e espanhóis de westerns, mas não teve oportunidade de atuar sob as ordens de Sergio Leone, o que aparentemente não o incomodou. Se vivo fosse Fernando Sancho teria completado 102 anos em janeiro de 2018. Morreu em 1990 aos 74 anos de idade de câncer. O gorducho nunca levava a sério, como também não ligava para certa discriminação que sofria de Hollywood. Porém, a única coisa que lamentava, isto sim, nunca ter participado de um filme com John Wayne, seu grande ídolo no cinema.



GENILDO



MINHA CASA, MEU TRIPLEX

A grande mídia reacionária e golpista não para de golpear.

Ontem o programa Fantástico caluniou uma das maiores realizações do PT, o programa Minha Casa, Minha Vida.

Um empreendimento tão importante quanto foi botar a negralhada pra viajar de avião e os fudidos pra tomar iogurte.

O Minha Casa, Minha Vida, segundo o atualmente presodenciável Lula, é o triplex do pobre.

Um triplex é uma Minha Casa, Minha Vida uma em cima da outra.

Intendeu?

Pois é. Lula não deixou dúvidas quanto a este assunto.

Quem quiser assistir ao programa caluniador e golpista da Rede Globo, que foi ontem ao ar, basta clicar na linda imagem abaixo.

Não esqueça de ativar o som.



CAÓ



SOBRE JOÃO SILVINO DA CONCEIÇÃO

Para satisfazer a curiosidade de muitos, inclusive ex-colegas de universidade, torno pública mais uma vez a identificação do João Silvino da Conceição, este amigão de muitas décadas, companheiro inseparável de danações, reflexões, gozações e coisas que tais, cuja alma é irmã gêmea da minha. O JSC é nascido no interior do Rio Grande do Norte, em Currais Novos. Semialfabetizado, três casamentos, oito filhos, seis vivos e dois anjinhos, o Silvino demonstra ser possuidor de uma energia incomum, uma vontade férrea de ser cada vez mais nordestinamente brasileiro. Suas histórias, não raro, são reproduzidas em ambiente onde prepondera o diálogo consciente, com muita frequência regado a uma imensa rodada de “refrigerantes” pra lá de glaciais. As garrafas sempre acompanhadas de tacos de queijo de coalho na brasa e farofa de jerimum com carne de sol, num protocolo de deixar um gosto de quero-mais da gota serena em qualquer mortal pecador como a gente.

Tricolor quatro costados, João é pernambucaníssimo quando alguém daqui joga com uma equipe de fora. Em dia de domingo, sempre perambula pelos estádios de futebol, acompanhado da Dona Conceição, sua companheira de um bocado de tempo, sete arrobas bem distribuídas e com pouca elasticidade mamária, sessentona experiente, mente livre e língua sempre solta, nenhuma flacidez abdominal, muitos quilômetros bem rodados, serenidade espiritual lindona, sem as louracidades das pessoas artificiais que só raciocinam por onde não deveriam, sempre da cintura para baixo.

As amizades do Silvino são de uma fidelidade canina: Fininha, 120 quilos, tia da sua mãe, mexeriqueira de primeira grandeza, ouvidos e boca maiores que o bom-senso; Zefinha, arrumadeira de bom calibre, criada junto com o Silvino, tendo incentivado ele nas primeiras manobras homem-mulher, na garagem sem-carro que ficava no fundo do terreno residencial; Faguinho Silva, primo em grau bem distante, especialista em corar frade de pedra com historietas apimentadas, dado seu furor anti-puritanismo; Jean Louis, inteligência gerencial gota serena em corpo atlético ainda nos conformes, marido da Leninha, uma prestimosidade cristã pra correntista bancário algum botar defeito; Dodora, toda cheínha, zelosa especialista em educação de jovens e adultos, filha da Zima, uma sessentona que é virada num molho de coentro, dançarina, junina, carnavalesca, riso largo, sempre mandando à merda as fuxicarias do derredor; e Zulmirinha, morenona de cabelo bem espichado, irmã da Dona Conceição, mulher do Silvino, seios ainda em posição de sentido, apesar dos quatro sugadores nascidos, hoje duas parelhas de nordestinos de fazer gosto às mais oferecidas. Nunca esquecendo o Faustino boa-praça, olhos sempre antenados, vocação kardecista sem mesuras nem fricotagens. Nem a Sandrinha, com seus olhinhos fingidamente japoneses.

Com o João Silvino, usufruo um bate-papo semanal fraternal, nos quais as suas irritações travestidas de quase hercúlea resistência aos medíocres foram sendo gradativamente desativadas, substituídas, bem devagarzinho, por uma crescente confiança nos amanhãs de todos nós, hoje solidificada numa consistente convivialidade, enxotados para longe os aperreios do cotidiano e as cavilações puritanosas dos sósias e sócios do divino.

Uma conquista memorável, o consentimento do João Silvino da Conceição para acesso a um monte de cadernos de papel pautado de sua propriedade. As suas primeiras anotações datam de setembro de 1955, às vésperas das eleições presidenciais, quando ele ainda se deliciava na sua primeira lua-de-mel, nas Termas Salgadinho, uma temporada presenteada por um amigo de seu pai, agricultor de médio porte. As últimas notas são deste ano, os erros ortográficos e os de concordância, hoje, bem mais atenuados pelo exercício de um escrever quase diário.

Sistematizei alguns cadernos do João sem perda alguma do conteúdo. A intenção foi apenas, com uma certa disciplina arrumadeira, a de proporcionar aos amigos dele alguns instantes para um pensar recheado de muita nordestinidade, mesclando assuntos os mais diferenciados, numa conjuntura em que o sentimento regionalista não pode ficar relegado a planos secundários, nem a fúrias globalizantes.

De muita franqueza, sem os mas-mas dos fingidos bundas moles de olhinhos virados repletos de “ai-Jesus”, Silvino botou o dedo na ferida, recentemente: “Não adianta correr atrás dos pixotes que vendem papelotes estupefacientes disso ou daquilo. Vamos rasgar a fantasia da hipocrisia: em muitos lugares granfinos, é hoje chiquérrimo servir, em bandejas aquecidas, os pozinhos e os canudinhos indispensáveis para deixar animadão o ambiente, todo mundo ficando numa boa, alegre e serelepe, à merda a moral, os bons costumes, o fino trato e os gestos nobilitantes”. Por causa de dissabores familiares, teve até grandão metido a religioso que ficou com “cara de pum”, como dizia a Trude, prima muito amada, sobrinha querida dos meus eternizados pais.

Para os que se postam como “nunca-errados”, o Silvino tem opinião de bate-pronto: “Não sei respeitar as pessoas que não sabem reconhecer seus erros. São covardes, porta-estandartes de uma frouxidão que não é nordestina nem brasileira. Aliás, nem é digna da raça humana“.

Helderista de carteirinha, o Silvino não tolera ver os “imitadores” do eternizado Dom, aqueles que buscam aparentar ser, jamais efetivamente sendo. E cita sempre o saudoso arcebispo, para consolidar sua opinião sobre os que não são: “É urgente evitar que os jovens se convençam de que a Igreja é mestra em preparar grandes textos e sonoras conclusões, sem a coragem de levá-las à prática“.

Intencionalmente, as anotações coligidas nos cadernos do João não obedecem a qualquer ordem cronológica. Mesclando apontamentos de épocas diferenciadas, procura-se, através de procedimentos integralmente não-científicos, manter a atenção dos seus escritos, evitando enfados desnecessários e abandonos precipitados.

A lição maior do João Silvino da Conceição, contudo, é para todos, pernambucanos e pernambucanizados que nem ele: que nós, imbuídos do mais acentuado instinto de soberania nacional, saibamos fazer a hora pernambucana, transformando propostas formuladas em ações concretas, percebendo que a História se edifica através de amplos procedimentos participativos, que exigem compromissos, desafios estruturadores e conscientizações comunitárias, a ninguém se permitindo o distanciamento das suas indispensáveis funções de sujeito.



MÁRIO ALBERTO



NEIL SEDAKA

Em 1966, Neil Sedaka se apresentava no programa de tv “Saturday Hop” cantando, de sua autoria e de Howard Greenfield,Breakin`Up Is Hard To Do“, música lançada em disco no ano de 1962.