19 outubro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

O INSTITUTO DATABESTA INFORMA

Estes são os números da última Enquete Fubânica.

A Editoria do JBF agradece a todos que participaram e deram sua opinião.

Aguardem a próxima.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

ELVIS – AMAZONAS EM TEMPO


http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/
RAPIDÍSSIMAS

ÉTICA NA POLÍTICA

Assim vamos: o roto fala do rasgado, o rasgado desanca o maltrapilho. E todos afanam.

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RITA LEE

Na pior idade, a forma mais comum de fazer amor é por telepatia.

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QUEM DIRIA?

Tudo aquilo não passava de um faz-de-conta.

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COMPADRE:

A ida é certa, mas não digo o mesmo da volta.

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TODO MUNDO FICA VELHO

O problema é continuar burro.

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ABUSADA

Onde você arrumou essa intimidade que nunca lhe dei?

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TIM-TIM

Um beijo pra ti, outro pra mim.

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ESTÁ DIFÍCIL

Hoje, pelo visto, só pego no tranco.

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PILOTO AUTOMÁTICO

Quando ele assume o comando, o T já era.

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SANTA CHATICE

Todo pai é chato. Se ele não for chato, não é pai.

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HISTÓRIAS

Já me contaram tantas. Quase todas eram falsas.

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SANTOS COPOS

Um cantinho, um violão… E o coração voa. Enternecido.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA (ES)

SEM SABER O QUE FAZER COM AÉCIO, GLEISI FOI PASSEAR NA RÚSSIA

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

RONALDO – CHARGE ONLINE

19 outubro 2017 A PALAVRA DO EDITOR

UMA SUGESTÃO DESTE EDITOR

O senador Tasso Jereissati, tucano de alto calibre e exercendo a presidência interina do PSDB, declarou que Aécio Neves, o corrupto que é seu colega de partido e de senatoria, deveria renunciar à presidência da sigla.

Isto por conta do escândalo e do desmantelo dos últimos tempos.

Segundo Jereissati, Aécio “não tem condições de ficar como presidente do partido“.

Aí me ocorreu um ideia:

Gleisi Hoffmann, também senadora e também presidente de um partido, está na mesma situação de Aécio, respondendo processo no STF por ladroagem, por recebimento de propina da Odebrecht, em cuja lista de corruptos ela consta com o codinome de Amante.

Vou sugerir ao senador Humberto Costa, mais conhecido por Pato Rouco, que tome a mesma iniciativa do tucano Jereissati e peça a renúncia de Gleisi da presidência do PT.

As lideranças do PT deveriam seguir este belo gesto do tucano, não acham?

Os leitores que quiserem reforçar esta sugestão,  podem escrever diretamente para Pato Rouco neste endereço eletrônico: 

humberto.costa@senador.leg.br

“Se tu não aceitar a ideia do Editor do JBF e ficar quietinho, eu boto outro chifre no meu marido Paulo Bernardo contigo. Topas?”

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA (ES)

SÓCRATES, LULA E DIRCEU

Eça de Queiroz (em “As Farpas”) escreveu: Nós estamos num estado correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública. Contra esse vaticínio de Eça, o ex-primeiro ministro José Sócrates acaba de virar réu, em Portugal. Por corrupção passiva. Acusação 122/13.8 TELSB, com 3.908 páginas. Trata-se da operação “Marquês”. Prefiro nossos nomes – “Juízo Final”, “Dolce Vita”, “Erga Omnes”. Agora, vai sofrer nas mãos do jovem juiz Carlos Alexandre. O Sérgio Moro de lá. Curioso é que tudo, nesse processo, faz lembrar nossa terra que tem palmeiras (ou tinha), onde cantam (ou cantavam) os sabiás. É só conferir.

Em 2006, chegando ao poder, Sócrates logo teria montado esquema junto a grandes grupos econômicos – entre outros Lena, Octapharma, Espírito Santo, PT (Portugal Telecom). Com pagamentos em dinheiro vivo, todos, essa era a regra. Fazendo negócios até longe, com parceiros amigos. Entre eles a Venezuela. E sempre tendo por trás o governo. Sem esquecer a grana que veio de um banco público, a Caixa Geral de Depósitos. Não podendo faltar, dando toque romântico à trama, um sítio. Para lazer nos fins da semana. No caso de Sócrates, o “Monte das Margaridas”, em Montemor-o-Novo. Tudo mostrando que tinha razão Camões (em “Os Lusíadas”), ao falar nos cristãos atrevimentos que se veria depois: Mas entanto que cegos e sedentos/ Andais de vosso sangue, ó gente insana,/ Não faltarão cristãos atrevimentos/ Nesta pequena casa lusitana.

Bem visto, é tudo muito parecido com o que aconteceu por aqui. Nem deveria estranhar, que Lula é íntimo de Sócrates. Tanto que fez prefácio para um livro dele, “A confiança no mundo”. Fosse pouco e o jornal “O Público” anuncia que haveria um plano de fuga para Sócrates. Em que passaria a “viver confortavelmente em um país da América do Sul”. Sublinhando que haveria referências ao Brasil, nos documentos apreendidos. Não estranha portanto que, nesse processo, dois brasileiros ilustres sejam citados. O ex-presidente Lula, em 9 itens. E o ex-ministro José Dirceu, em 15.

Lula, Dirceu e Sócrates

Com relação a Lula, temos só relatos de encontros que buscavam permitir investimentos da PT por aqui. Especificamente, na aquisição da TELEMAR. Com gestões para obter financiamentos do BNDES. Sendo necessário, mais, que o governo brasileiro providenciasse alterações na Lei do Plano Geral de Outorgas. O que aliás fez, com o Decreto 6.654/2008. Quanto a Dirceu, sobretudo em depoimentos de Henrique Granadeiro (da Portugal Telecom) e Ricardo Salgado (ex-presidente do Banco Espírito Santo), há referência aos serviços prestados. Indicando os depoentes que seriam nomeados outros, diferentes, nas notas fiscais apresentadas por ele como pessoa física e por sua empresa (LSF). Para não despertar suspeitas. E já foram comprovados pagamentos de “pelo menos, 618.410 euros” (item 2.786 do processo). Cerca de 2,5 milhões de reais.

Em resumo, fica só a curiosidade em ver brasileiros no maior processo de corrupção da história de Portugal. Como coadjuvantes, é certo. E sem que se possa, nem deva, tirar conclusões a respeito. Por enquanto, ao menos. Nem penais. Nem morais. Todos beneficiados com a presunção de inocência, pois, como na boa regra das democracias. Faltando, agora, só esperar tempos melhores. No Brasil e em Portugal. Fora disso, nos restaria seguir Manuel Bandeira (em “Pneumotorax”) e tocar um tango argentino. Ou, na terrinha, lembrar a deusa Sophia de Mello Breyner Andresen (em “Exilio”): Quando a pátria que temos não a temos/ Perdida por silêncio e por renúncia/ Até a voz do mar se torna exílio/ E a luz que nos rodeia é como grades.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO (MG)

19 outubro 2017 DEU NO JORNAL

IDEIA INOVADORA VINDA DA PARAÍBA

Justiça cassa mandatos de prefeita e vice de Mamanguape, PB, após compra de voto com cachaça.

Maria Eunice (PSB) e Baby Helenita (PRTB) também foram multadas em R$ 53,2 mil, de acordo com decisão da juíza Juliana Maroja.

Prefeita Maria Eunice e vice-prefeita Baby Helenita

* * *

Ôxi!

Por cachaça eu também venderia meu voto. Com muito gosto e prazer.

Uma iniciativa excelente foi esta tomada pelas duas candidatas da pacata cidade de Mamanguape, no interior paraibano.

Comprar votos com talagadas de aguardente é uma iniciativa cidadã de largo e porrístico alcance.

Quando alguém tenta elevar os costumes eleitorais e impor um padrão decente às eleições municipais, vem a justiça e atrapalha tudo. Que merda.

É muito melhor cachaça por voto do que mortadela por voto.

Com sentenças assim, é impossível Banânia progredir.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

BAGGI – CHARGE ONLINE

CAMELÔ DE EMPREITEIRA

Lula confirma que prefere sítios e coberturas triplex a malas de dinheiro

“Eles estão há três anos investigando a minha vida. Já encontraram dinheiro do Aécio, já encontraram dinheiro do Serra, já encontraram dinheiro do Geddel, já encontraram dinheiro do Temer, eu quero ver se eles encontram dinheiro meu”.

Lula, num ato em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, que reuniu militantes do PT, centrais sindicais e movimentos sociais ligados ao partido, confirmando que prefere receber a sua parte em sítios, coberturas triplex, apartamentos, terrenos e imóveis em geral.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS


http://www.musicariabrasil.blogspot.com
HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DA MPB

Hoje quero trazer para esta coluna o nome de Amélia Cláudia Garcia Collares Bucaretchi, que ficou popularmente conhecida como Amelinha, artista que surgiu a partir dos anos de 1970 na leva dos grandes nomes que surgiram na música brasileira a partir daquela década oriundos do Nordeste.

Intérprete, já registrou os mais distintos gêneros musicais existentes no país tais quais Xotes, baiões, forrós peneirados, galopes e arrasta-pés a partir de projetos fonográficos diversos a exemplo do CD “Só Forró“, lançado em 1993 pela Polygram (um projeto em homenagem ao forró a partir de alguns dos mais representativos nomes que engrandeceram o gênero país afora como João do Vale e Luiz Gonzaga).

Além deste projeto a sua biografia (discograficamente falando) é composta por discos como “Flor da paisagem”, seu álbum de estreia lançado em 1977 e que traz um repertório essencialmente nordestino a partir de canções como “Santo e Demônio” (Fagner/Ricardo Bezerra), “Depender” (Fagner/Abel Silva), “Cintura Fina” (Luis Gonzaga/Zé Dantas), “Flor da Paisagem” (Robertinho de Recife/Fausto Nilo), “Senhora Dona” (Brandão/ Petrúcio Maia), “Agonia” (Fagner) entre outras.

Em 1979 lançou “Frevo mulher“, um disco que traz o primeiro registro da canção “Dia Branco” (de autoria do cantores e compositores Geraldo Azevedo e Renato Rocha), “Frevo Mulher” (canção de autoria de Zé Ramalho e que viria a se tornar um clássico do repertório de ambos) e “Galope rasante” (outra canção da lavra do cantor e compositor paraibano). Seus dois LP’s seguintes, “Porta secreta” e “Mulher nova, bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor” trouxeram mais canções que caíram no gosto popular, além de registro de autores como Jorge Mautner, Nelson Jacobina, Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Djavan, Vital Farias, Gonzaguinha, Moraes Moreira, Novelli, Cacaso entre outros.

São desses álbuns faixas como Gemedeira (Robertinho de Recife/Capinan), “Periga ser” (Fausto Nilo/Robertinho de Recife), Foi Deus que fez você (Luis Ramalho), Mulher nova bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor (Otacílio Batista/Zé Ramalho), Amar quem eu já amei (João do Vale/Libório), Água de lua (Djavan) entre outras.

Para quem não sabe a cantora é cearense e radicou-se no Sudeste no início da vida adulta objetivando estudar comunicação. Pode-se afirmar que a música entrou em sua vida de modo bastante despretensioso. Suas primeiras incursões na música ocorreram de forma bastante amadora, participando de shows do conterrâneo Raimundo Fagner. A partir destas apresentações surgiram algumas oportunidades para aparecer em programas de televisão. Em 1975 viajou com Vinicius de Moraes e Toquinho onde participou de diversas apresentações da dupla. Essa convivência inspirou Vinicius de Moraes que compôs para ela “Ah! quem me dera“. Como dito, a sua notabilidade nacionalmente falando veio na mesma época que toda uma leva de artistas nordestinos chamados genericamente de “Pessoal do Ceará”, entre os quais estavam seus conterrâneos Raimundo Fagner, Ednardo e Belchior.

Dentre suas façanhas profissionais está o disco de ouro conquistado com o disco “Frevo mulher“, a sua participação no Festival MPB 80, da Rede Globo, classificando em 2º lugar a música “Foi Deus quem fez você“. Devido ao sucesso desta música, vendeu mais de um milhão de cópias do compacto homônimo, e foi a primeira música a alcançar o primeiro lugar entre as mais executadas tanto nas faixas de FM quanto de AM naquele ano. Outro feito da cantora: teve um dos seus LP’s por 30 semanas entre os 50 LPs mais vendidos do país, entre outras façanhas.

Para matar a saudade desta intérprete deixo aos amigos a canção “Dia Branco”, presente no álbum “Frevo mulher” e a canção “Mulher nova bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”. A primeira é uma faixa composta por Geraldo Azevedo e Renato Rocha:

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A segunda canção é uma das canções mais marcantes da carreira da cearense e como dito é de autoria de Zé Ramalho e Otacílio Batista:

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19 outubro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

ZÉ MANÉ – SALVADOR-BA

Frase do Dia

Aécio Neves reduziu a justiça a pó e respirou aliviado!

R. Meu caro, a propósito do cheirador de pó, ele voltou ontem à tribuna do Senado e fez um furioso pronunciamento se dizendo “perseguido e injustiçado“, depois de ter sido vergonhosamente absolvido por comparsas que também respondem a processos na justiça.

E aí eu me lembrei de outro grande corrupto banânico que também se declara injustiçado e perseguido.

Trata-se de um outro larápio, multi réu já sentenciado a cagar de coca, que faz uma parelha da porra com o mineirinho.

É um discursando pó e outro cheirando pó.

Uma linda afinidade.

“Nóis semo foda, cumpanhero Aéço”

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JORNAL DA BESTA FUBANA

SER PROFESSOR

Ensinar é fazer a realidade 
Flutuar pelo céu do pensamento

Mote de Pedro de Oliveira

Quem ensina escancara os caminhos
Abre as portas que dão pra o horizonte
Quem aprende bebendo desta fonte
Colhe flores, se livra dos espinhos
Para os mestres, afagos e carinhos
Como paga por seu conhecimento
No saber um degrau pra o crescimento
E na mente a busca pela verdade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Quem ensina ao outro sempre aprende
Numa troca constante de valores
Os alunos se tornam professores
E o mestre é discente pois entende
Que ninguém esse todo compreende
Mas o sábio possui discernimento
Pra saber que se aprende no momento
Em que a mente se abre com humildade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Não importa se é a matemática
Se é química ou física ou história
O saber é o que nos leva a glória
Resolvendo qual seja a problemática
No entanto não é com uma gramática
Que se aprende a ler o fimamento
Pois se aprende também estando atento
A natura e sua complexidade
Ensinar é fazervabrealidade
Flutuar pelo céu do pensamento

Mas se queres é entender o mundo
De uma forma completa e não vazia
O caminho é o da Geografia
O saber mais complexo e mais profundo
A ciência que investiga a fundo
Que é capaz de explicar com sentimento
Furacão, tempestade, chuva e vento
E os porquês que explicam a humanidade
Ensinar é fazer a realidade
Flutuar pelo céu do pensamento.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

ED CARLOS – CHARGE ONLINE

DEMIS ROUSSOS

Em 1971 Demis Roussos havia se separado do grupo Aphrodite´s Child e se lançava em carreira solo. Seu primeiro sucesso foi a composição de Boris Bergman e dele próprio, “We Shall Dance“.

19 outubro 2017 FULEIRAGEM

NEI LIMA- CHARGE ONLINE

BRASIL AGONIZA NA JAULA AO RELENTO

Nos dias anteriores à votação pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) da necessidade de aval do Legislativo para a aplicação de sanções em medidas cautelares a seus cada vez menos nobres membros o Brasil viveu uma crise institucional tão falsa quanto uma cédula de três reais entre dois Poderes da República, em conflito de meras aparências. Vendeu-se à sociedade a ilusão de que o Judiciário violaria a autonomia do Legislativo caso não submetesse a decisão da Primeira Turma do STF ao veredicto dos senadores, que exigem tratamento de varões de Plutarco, embora grande parte deles se comporte com a sordidez própria dos escroques.

De fato, tudo não passou de uma farsa, na qual se inverteu a célebre máxima de Karl Marx parodiando o conceito de Hegel de que a História sempre se repete. Na abertura de O 18 Brumário de Luis Bonaparte, o filósofo asseverou que ela acontece como tragédia e se repete em tom de farsa. Cá entre nós, a comédia precedeu a bufonaria, que pode descambar numa tragédia institucional: a perda pelo Congresso Nacional da condição de verdadeiro representante da cidadania. Tal como ocorre aqui, sob o cínico controle dos hierarcas partidários, o Parlamento representa somente essa elite política dirigente e marcha rumo à subserviência a seus chefes.

O que viu a Nação, bestializada, para repetir a dura expressão usada pelo historiador e acadêmico José Murilo de Carvalho sobre o ato criador da própria República, foi a sessão de uma Suprema Corte transformada em mera sucursal das cumbucas no centro da Praça dos Três Poderes. Consagrou o privilégio de casta de alguns tranchãs sobre a plebe. O tema específico do julgamento não podia ser mais simbólico: o que o placar de 6 a 5, com o voto de Minerva (embora nada sábio) da presidente Cármen Lúcia, assegurou foi o direito do presidente nacional “afastado” do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, à farra ampla, geral e irrestrita, “diuturna e noturnamente” (apud Dilma).

Trata-se de um vício de origem. Os membros da grei que se julga suprema agem como avalistas jurídicos de trapaças e trampolinagens do chefe do Executivo, que indica seus 11 membros conforme as próprias conveniências, e do Legislativo, que finge sabatiná-los antes de avalizá-los. O STF de hoje resulta do projeto de demolição do Estado burguês empreendido pelo líder máximo da socialização da gatunagem, Luiz Inácio Lula da Silva, e por sua sequaz, Dilma Rousseff. O primeiro nomeou um reprovado serial em concursos para o exercício da magistratura. E a segunda, uma protégée do ex-marido. Não inovaram: Fernando Collor promoveu o primo e José Sarney, o então jejuno cumpridor de tarefas de seu advogado do peito.

Até recentemente se discutia à boca pequena nos meios forenses qual o prazo médio da gratidão dos membros do colegiado ao dono da caneta que lhes deu o poder. Na República dos compadrinhos, onde os votos do nobre instituto do habeas corpus são discutidos em convescotes à beira do lago, essa é uma questão da velha ordem. E são dados de acordo com interesses negociais de garantistas que só zelam pela boa saúde financeira de seus estabelecimentos privados ou de seus partidos, que fazem de campanhas perdulárias fonte bilionária de furtos e doações.

Ao desmascarar o enriquecimento geral dos chefes de bando do Planalto e da planície, a Lava Jato provocou os acordões suprapartidários como o que antes engaiolou o carta fora do baralho Eduardo Cunha e agora o que liberou o garoto dourado Aécio Neves para pecar na “naite” sem punição. Os tucanos Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes foram acompanhados pelos petistas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, com a adesão de Marco Aurélio Mello, um espalha-brasas fiel às origens. O voto, não de Minerva, mas de misericórdia, de Cármen Lúcia, acabou com a batalha judicial de Itararé, a que não houve.

A nova ordem resume-se ao voto lotérico na coluna do meio, inventado pela presidente do STF: mandato de senador suspeito não pode ser interrompido, pois não pertence ao parlamentar, mas ao cidadão, condenado à pena perpétua por ter votado mal. Atingimos a perfeição da condição revolucionária celebrada por Che Guevara, morto há meio século num 9 de outubro: “Podemos ser gatunos, mas nunca perder a pose”. Nem as posses!

O sinal de que a zelite previu o recado a ser dado por seus supremos garantistas foi o tríduo em que comemoraram o máximo despudor. De quarta 4 a sexta 6 de outubro, eles passaram por cima de toda a vergonha e de todos os princípios, assegurando a corrupção na próxima eleição e o perdão de suas dívidas com a União, ou seja, com o populacho que os elegeu. Numa evidência de que perderam de vez o pudor, aprovaram um fundo de campanha com piso, mas sem teto, a ser debitado ao erário em bilhões. E, depois, cancelaram as próprias dívidas, assim como seus eleitores são incomodados dia e noite pelo Fisco inclemente, que não dá a mínima folga à plebe ordinária.

A farra dos privilégios continua à tripa forra. A Lava Jato tem sido combatida ferozmente pelo delatado Michel Temer e pelo jurisconsulto Torquato Jardim, à sombra da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, abençoada por deus Michel e pelo espírito santo de orelha Gilmar. Sobre a primeira instância, que condenou 116 réus e mantém 27 deles presos em Curitiba, pende a espada de Dâmocles da Suprema Tolerância Federal, que ocupa o topo do castelo judiciário com condenação zero. E para liberar as baladas de Aecim sem serem vigiados pela opinião pública contra, que vai ao Hermitage, em São Petersburgo, vaiar acusados de furtar a previdência de servidores sob sua chefia. No país do bebê fuzilado no ventre da mãe e do comerciante que agonizou em jaula ao relento, quem sai aos seus não regenera, quem pode se sacode e quem não pode vai pro diabo que o carregue.

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

ZÉ VICENTE: PARAÍBA E PERNAMBUCO NA VIDA DO POETA

 

José Vicente do Nascimento, ou simplesmente, Zé Vicente da Paraíba, nasceu em Pocinhos-PB, foi criado em Taperoá, no Cariri paraibano e moldado na poesia popular nas escolas de Itapetim e São José do Egito, ambas na região do Pajeú pernambucano. Recrutado pelo Exército Brasileiro, serviu a Pátria nos anos de 44/45, em Caruaru-PE. Ao largar o fuzil, abraçou a viola, que foi sua companheira até os últimos dias de sua vida. Dos oitenta e cinco anos vividos, quarenta e cinco deles foram em Altinho, no agreste meridional pernambucano, onde, em 2005, recebeu o título de “Cidadão Altinense”. Em um dos momentos de inspiração, como forma de agradecimento ao Estado e à cidade que o acolheu como filho, escreveu:

Sou nordestino de raça,
Pernambucano deveras,
Vivo sem temer as feras
Que venham de qualquer praça.
No Brasil só acho graça
Neste pedaço de chão,
O Estado por ser Leão,
A cidade por ser querida:
Pernambuco é minha vida,
E Altinho minha razão!

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

ALECRIM – CHARGE ONLINE

A ABSOLVIÇÃO

Entre as quatro paredes do Senado tudo é permitido, disso estão convictos os nossos egrégios senadores. Por razões óbvias, todas as vezes que tal plenipotência é contrastada, as desavenças dão lugar à ação conjunta para restabelecer as fronteiras de cada, digamos, “nação’. É o caso do senador Aécio Neves, um homem que, ontem, teve de volta o seu mandato senatorial, por decisão do Senado.

Como tudo começou já é sabido. O Supremo Tribunal Federal decidiu cassar-lhe o direito de frequentar a Casa senatorial – o que na prática seria cancelar o mandato – e ainda o instruiu a abrir mão dos prazeres noturnos, estivessem eles em Brasília, em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

O fato é que, dono de indiscutível talento, ele iludiu 51 milhões de eleitores prometendo-lhes um governo probo quando, em verdade, parecia ter para o País um governo oprobrioso.

Condenar Aécio Neves pela doação, empréstimo, propina, subtração ou seja lá o quê, seria condenar-se. As práticas são as mesmas, ora, e têm uso intensivo na vida política nacional, presente nas campanhas que vão de vereadores de cidades quase inexistentes à disputa da presidência da República.

Foi aí que, “com movimentos espiralados, a suína criatura contorceu o apêndice pós-anal que encerra a porção terminal da coluna vertebral” ou, para dizer mais claramente, foi aí que “a porca torceu o rabo”.

A Praça dos Três Poderes tremeu. As ogivas carregadas com megatons de arrazoados cruzavam os céus brasilienses, que naqueles dias mais se assemelhavam a Pyongyang esperando uma guerra total. Muito barulho por nada, diria Shakespeare.

Restabelecido o mandato do senador Aécio Neves, ficou estabelecido que qualquer medida cautelar envolvendo deputados e senadores deverá ter o “nihil obstat” do poder Legislativo.

Se tem que se submeter ao crivo do Legislativo, para que envolver o Judiciário que, na prática, teria, em lugar de uma atuação soberana, uma importância meramente sufragânea?

Tem mais uma coisa: será que, se a moda pegar, qualquer hora dessas o senhor Luiz Inácio pleiteará que as sentenças passem pelo crivo do PT?

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH (RS)

18 outubro 2017 JOSELITO MÜLLER

AÉCIO COMEMORA DECISÃO DO SENADO NA BALADA

O senador Aécio Neves, PSDB-MG, que estava de castigo há dias, proibido pela justiça de sair de casa à noite, saiu ontem para a balada para comemorar a decisão do senado da República que, por maioria de votos, não aplicou as medidas cautelares sugeridas pelo STF.

“O STF PROFERIU UMA DECISÃO QUE DIZIA MAIS OU MENOS ASSIM: AÉCIO ESTÁ PROIBIDO DE SAIR DE CASA À NOITE, MAS SE QUISER, PODE. ENTÃO O SENADO, A PEDIDO DOS DONOS DE BOATE DA REGIÃO, DECIDIU LIBERAR ELE”, EXPLICOU UM SENADOR AO PROFERIR SEU VOTO.

Aécio, após a decisão, saiu para comemorar e foi visto tomando umas brejas com a rapaziada.

Cumpridor da lei, o senador evitou voltar para casa dirigindo, já que havia consumido álcool etílico, e acabou pegando uma carona no carro da polícia por confundir tal veículo com um Uber.

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

BAGGI – CHARGE ONLINE

NOTAS

Os investimentos fogem do Nordeste por justas razões. Como a presa do predador. Desemprego massacrante, mercado consumidor inexpressivo e acentuada desigualdade com o Sul do país. Então, para conquistar algumas sobras, os estados nordestinos recorrem à guerra fiscal. O Estado que oferecer mais vantagens ao investidor, ofertar renúncias, conceder mais benefícios e isenções às empresas e indústrias interessadas, ganha na acirrada disputa. É o único recurso positivo do nordestino para atrair investimentos, gerar empregos e estimular algumas pitadas de desenvolvimento. Depois de permanecer dois anos engavetadas no Congresso, o Senado aprovou novas regras, bem mais flexíveis, para a concessão de incentivos fiscais. Todavia, dois senadores pernambucanos, Humberto Costa e Armando Monteiro, permaneceram calados na aprovação do Projeto de Lei. Sem declinar o motivo do silêncio.

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O Brasil continua acumulando erros. Quando aparecem nas redes sociais, apesar do sigilo cobrindo o assunto, a sociedade se espanta. A gratificação de 40% que os magistrados do Acre recebiam, acrescentada ao salário, apenas por terem nível universitário, foi citada pelo ministro Gilmar Mendes como ilegal. Como não consta da redação do legislativo estadual, a vantagem foi considerada inexistente pelo STF-Superior Tribunal Federal e automaticamente cortada. Os juízes do Acre que receberam altas gratificações, são obrigados a devolver os valores ganhos nos últimos cinco anos, totalmente atualizados com jutos e correção monetária.

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É triste, mas é verdade. No mês de setembro passado, o mapa estatístico do Sindicato dos Rodoviários registrou o 300º assalto a ônibus acontecido na Região Metropolitana do Recife. No geral, contabilizando as ocorrências registradas desde janeiro até o dia 27 de setembro, os números revelam a impressionante marca de 2.954 ataques ao buzão. Carregando passageiros. Pra onde o usuário se deslocar, o perigo ronda nas linhas de ônibus. Tanto faz o usuário usar as linhas de ônibus que passam pela 2ª Perimetral, Bultrins ou na PE-15, em Paulista, o perigo é constante. Da mesma forma quem viaja de buzão que passa pelos Torrões, Cabanga, Casa Amarela ou cruza o bairro de São José, a aflição é a mesma. O medo é constante. Significado dizer que o Estado descumpre um preceito constitucional. Oferecer segurança pública à população.

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A vida política é cheia de mistérios. Quando era candidato, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi apresentado por Lula como pessoa honesta, honrada e capaz de realizar uma boa gestão. No entanto, depois de passar o cargo ao sucessor, a história mostra outra versão. Bem diferente. Cabral foi condenado a 45 anos e dois meses de reclusão em regime fechado pela prática de três tipos de crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Quer dizer, Cabral não foi honesto, honrado e nem bom gestor. Enquanto especialistas estimam o recebimento de US$ 78 milhões de propinas do exterior em dois mandatos de governador, o estado do Rio de Janeiro ficou quebrado, devendo salários aos servidores.

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Tem ocasião em que o STF toma decisões estranhas. Age contra a vontade do povo. Na longa sessão do dia 10 de outubro, cheia de discórdias, os ministros decidiram não interferir na independência do Legislativo. Embora possa aplicar medidas cautelares a parlamentares, o STF decidiu ficar na dele, correu da parada, optando por jogar pro Congresso a incumbência de tomar decisão no julgamento de parlamentares. Como era esperado, com a sessão do plenário de ontem, Aécio Neves recuperou o mandato de senador, com a derrubada das medidas cautelares tomadas pelo STF, afastamento do mandato e recolhimento noturno, decorrente de denúncia da Procuradoria Geral da República por corrupção passiva e obstrução de Justiça, fundamentadas em delações premiadas. Parece que agora a crise institucional entre os poderes parece estar sanada e o Congresso, rejeitando a decisão da suprema corte, possa, enfim, dar seguimento ao seu papel de legislar em favor do país e não ficar desperdiçando tempo na discussão de temas meramente políticos.

*

Como o poder público se omitiu, a situação no baixo São Francisco é crítica. Sobrou para a população ribeirinha, na foz do velho Chico, que recebe a carga de destruição, provocada pelo desmatamento e a poluição. A devastação do manguezal e da mata atlântica, a multiplicação de viveiros para a criação de camarões, a prática de permitir o despejo de esgotos no leito do rio, a grilagem, a profusão de armadilhas para a captura de peixe e de camarão, os abates irregulares, o uso descontrolado de agrotóxicos na monocultura, as carvoarias e as construções irregulares nas margens, destroem a preservação do rio. A falta de fiscalização contribui para o desaparecimento da fauna silvestre, inclusive favorece duas espécies de pássaros correr o risco de extinção. Em Sergipe e Alagoas, os pescadores sofrem com a redução de renda, devido ao assoreamento e o despejo de lixo. Coitado do rio São Francisco, apesar de sua importância para o país, ter 2.863 quilômetros de extensão, passar por cinco estados, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco até desaguar no Oceano Atlântico, possuir em seu leito barragens e hidrelétricas, hoje pede socorro. Quer ajuda para combater a pobreza que se multiplica em suas margens.

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Muitos costumam ouvir palavras comuns no dia a dia, no entanto, poucos conseguem definir o real significado do linguajar. Dois termos são usualmente ouvidos no cotidiano. Autoridade e autoritarismo. Porém, nem todos alcançam o sentido do vocábulo. Autoridade, expressa comando, liderança, postura de um indivíduo. Maneira individual de desempenhar um cargo de gestão com qualidade. Por sua vez, autoritarismo manifesta rígida imposição. Impõe poder, medo, censura, ameaça, agressividade, arbitrariedades. Muitas vezes o autoritarismo pode acontecer no âmbito da vida pessoal, profissional, acadêmica e governamental. Enquanto a autoridade estabelece regras como norma de obediência, de forma democrática, o autoritarismo abrange o modo exagerado de comando. Por isso, nem todos aceitam a ditadura, forma de governo exercido por militares, que geralmente descamba para a restrição de direitos individuais.

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Por causa da crise econômica e do desemprego, a frota de veículos em circulação, envelhece. Como o brasileiro, faz quatro anos, anda meio duro de finanças, e imprensado pela escassez de crédito, a troca do carro velho por um modelo mais novo ficou difícil. Por isso, a idade média da frota atinge a pior fase, desde 2007. Até o ano de 2012, quase metade da frota em uso no país era constituída de seminovos. Veículos com cinco anos de uso. Atualmente, a situação é inversa. Mais carros velhos, menos seminovos em circulação. Numa clara demonstração de que a compra do carro novo anda em queda no mercado. O bom disso é que para rodar com o carro velho em segurança, a manutenção é mais do que necessária. Quem vibra com a inusitada situação é o setor de autopeças que sente o mercado aquecer. Enquanto o fornecimento de peças para as montadoras enfraquece, o mercado de reposição cresce. Aumenta a movimentação de carros em reparação nas oficinas. Garantindo trabalho e renda na área.

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

UM JORNAL NOTA DEZ

Comentário sobre a postagem SESSÃO DE CINEMA – MÚSICAS DE TRILHAS SONORAS DE FILMES

Dirceu Mattos:

“É impressionante a grande quantidade de MUSICA de verdade que a Besta Fubana publica diariamente.

O publico jovem não tem ideia do que é musica de verdade.

Vocês são nota dez em qualidade musical, cinema, teatro discos, artistas etc.

Que pena que o cenário artístico ficou tão pobre.

Avante Besta Fubana

Não sentimos mais nenhum esforço de qualidade em todos os sentidos.

Um abraço.

Ainda bem que vocês existem.

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18 outubro 2017 FULEIRAGEM

FRANK – A NOTÍCIA (SC)

SÃO JOÃO DA VÁRZEA, UMA USINA DENTRO DO RECIFE

Casa de Ferro, Várzea, Recife

Em 1882, encontravam-se em atividade na Várzea do Capibaribe os engenhos: Borralho, Brum, Cova de Onça, Cumbe, Curado, do Meio, Poeta, São Francisco, Santo Inácio, Santo Amarinho, Santos Cosme e Damião e São João, os dois últimos de propriedade de Manuel Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque.

No início da década de 1890, os dois engenhos São João e o Santos Cosme e Damião foram comprados por Francisco do Rego Barros de Lacerda, então proprietário do engenho São Francisco da Várzea, que pretendia reunir as terras dos três engenhos para fundar uma usina de açúcar.

O novo proprietário nascera no engenho Trapiche, na freguesia do Cabo, em 2 de agosto de 1831, falecendo à meia noite do dia 24 de janeiro de 1899, em São João da Várzea. Foram seus pais o Barão e a Baronesa de Ipojuca João do Rego Barros e Inácia Militana Cavalcanti Lacerda.

Era ele sobrinho de Francisco do Rego Barros (1802-1870), Barão e depois Conde da Boa Vista, presidente da Província de Pernambuco entre 1837 a 1844.

Graças a esses laços de parentesco, Francisco do Rego Barros de Lacerda não escapou do destino político que sua família havia reservado para si: Em 1882, elege-se deputado geral do Império, para a legislação de 1882-1885. Em 1886, é eleito para a Câmara de Vereadores do Recife, continuando como vereador da capital de Pernambuco, após a proclamação da República, em 1889. Dois anos depois, em 1891, deixa a câmara municipal, para concorrer a uma vaga no Senado Estadual de Pernambuco, em 1892.

Sempre atento às novidades tecnológicas do seu tempo e inovações ligadas ao processo de plantio da cana e produção do açúcar, optou ele, em meados de 1893, por empreender viagem a fim de conhecer as novas unidades fabris utilizadas na produção açucareira nas zonas produtoras do sul dos Estados Unidos.

Para facilitar a comunicação entre seus engenhos, importou dos Estados Unidos uma ponte de ferro, com 160 m. de extensão, dividida em quatro vãos, que veio ser instalada sobre o leito rio Capibaribe, por seu filho Francisco do Rego Barros de Lacerda.

Com a chegada dos demais equipamentos, adquiridos no estado norte-americano da Luisiana, a nova usina veio ser inaugurada em 1894 em terras do antigo engenho São João, moendo canas dos três engenhos de sua propriedade, com a produção inicial de 4.200 sacos de açúcar.

O Sobrado de Ferro

Em sua viagem ao estado da Luisiana, o proprietário da Usina São João, despertou sua atenção para um estilo de casa de vivenda com estrutura em ferro e paredes de alvenaria em voga em Nova Orleans.

Encantado com o projeto, encomendou uma casa semelhante a fim de erguê-la nas terras do Engenho São João.

Com sua planta baixa lembrando a letra U, que se fecha com uma elegante escada de ferro em dois lances, na parte posterior, a casa tem sua estrutura pré-fabricada, tendo sido importada através do porto do Recife. Todas as fachadas, internas e externas, “possuem varandas suportadas por colunas de ferro fundido e peitoris igualmente fabricados em ferro. Toda a estrutura dos assoalhos e da coberta é em ferro. Somente as paredes são de alvenaria de tijolos e o recobrimento da casa em telhas de barro, tipo Marselha”. (¹)

O Sobrado de Ferro da Várzea possui em seu primeiro pavimento as dimensões de 34,2 m de comprimento por 26,4 m. de largura, compondo uma área de 902,88 m2. No andar térreo, numa área adicional de 224.10 m2, foram distribuídos a cozinha, copa, lavanderia, sanitários e outras acomodações. Considerando toda a construção, incluindo os terraços cobertos, a área total da casa é de 1.420,20 m2, sustentada por 69 colunas de ferro fundido.

O velho patriarca acompanhou toda a construção da sua nova residência, porém nunca chegou a nela residir, vindo a falecer pouco depois da conclusão das obras, em 24 de janeiro de 1899.

Maria da Conceição

Francisco do Rego Barros de Lacerda casara-se em 1853 com Mariana de Sá Barreto, desta união nasceram dois filhos e uma filha: João, Francisco e Maria da Conceição do Rego Barros de Lacerda.

O filho João (João Menino), casou com Filipa Barros Barreto, gerando tão somente uma filha falecida ainda criança.

O segundo filho do casal, Francisco do Rego Barros de Lacerda (Chico Velho), possuía o mesmo nome do patriarca e era formado em engenharia. Fora ele o responsável pela montagem da ponte de ferro sobre o rio Capibaribe, juntamente com a maquinaria da nova usina de açúcar e o Sobrado de Ferro, tendo falecido sem deixar descendência.

Restou da diminuta prole sua filha Maria da Conceição do Rego Barros de Lacerda (Cecé), que, nascida em 5 de agosto de 1863 e falecida em 9 de julho de 1942, continuou solteira, sucedendo aos irmãos como herdeira universal de todos os bens da família.

Em 1914 a Usina São João dispunha de 11 km de estrada de ferro e sete tanques para álcool. Em 1912, sua produção foi de 11.663 em sacas de 60 quilos de açúcar. No final da década, 1918, atingiu o patamar de 34.350 sacas. Em 1921, já acusava em seus relatórios uma capacidade de esmagamento diário de 200 toneladas de cana, ocupando o 9º lugar no parque industrial açucareiro do Estado; registrando, atingindo, em 1933, a produção de 37.853 sacas de açúcar.

Na década de 1930, dois novos engenhos foram adquiridos pela Usina São João: O Santo Amarinho, com 330 hectares, localizado no atual município de Jaboatão dos Guararapes, e o engenho Mamucaia, com 504 hectares, em São Lourenço da Mata.

Em fins daquela década, a Usina São João possuía um total de 2.644 hectares de terras produtoras de cana-de-açúcar para alimentar suas moendas, sendo 280 hectares do engenho São João; 550 hectares do Santos Cosme e Damião; 980 hectares do São Francisco, além dos dois acima citados.

No ano de 1934, encontrava-se a usina sob a administração de Ricardo Lacerda de Almeida Brennand, a quem D. Maria da Conceição do Rego Barros Lacerda, conhecida entre os familiares pelo apelido de Cecé, transformara, por perfilhamento, em seu herdeiro universal.

Assim, Maria da Conceição do Rego Barros de Lacerda, Cecé, com tal iniciativa, veio a se tornar a principal responsável pelo patrimônio econômico de toda Família Brennand, transformando-se numa espécie de “matriarca” de todos.

A Usina São João da Várzea continuou em atividade até o ano de 1943, quando veio encerrar sua produção de açúcar e álcool. Suas máquinas foram vendidas para a Usina Trapiche, então, propriedade da empresa Mendes Lima.

* * *

(¹) ANONYME / Cie. CENTRALE DE CONSTRUCTION / EAINE ST. PIERRE BELGIQUE / ADMINISTRATEUR DIRECTEUR LEON HIARD.” “Esse indício, da origem belga dos componentes da arquitetura metálica da casa, contradiz a primeira informação. A não ser que se considere a hipótese do edifício ter sido montado originalmente nos Estados Unidos da América do Norte e de lá ter sido reexportado para o Brasil”. – GOMES-DA-SILVA, Geraldo. Arquitetura de ferro no Brasil. São Paulo: Nobel, 1986. P. 218-222.

Informa o professor Geraldo Gomes da Silva, que a residência em questão “teria vindo de fato dos Estados Unidos, de onde chegara nos fins do século XIX. Essa informação não foi ainda comprovada mas, foi possível descobrir, numa das colunas de ferro fundido do pórtico de entrada, a inscrição: SOCIETÉ

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)

MAGNO BEZERRA DOS SANTOS – CHICAGO-ILLINOIS-EUA

B.E.R.T.O. Berto:

(Benfazejo Editor e Realista Tradutor de Opiniões Berto)

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…

Este é o início do poema “Vozes d’África”, do grande e imortal Castro Alves, implorando pela justiça divina para eliminar o tráfico de escravos da África para o Brasil..

Hoje veio-me à mente tal poema, após saber do resultado da votação no Senado sobre o vagabundo, ladrão e senador Aecio Neves. Também a primeira denúncia contra o outro escroque Michel Temer teve destino parecido, e assim certamente será com a próxima, cujo desfecho é previsível.

Vejo-me afundado na mais profunda indignação e vergonha de ser brasileiro.

Quem pôs os Aécio, Temer, Jucá, Delcídio, Geddel, Lula, Dilma, Cabral e todo o bando de canalhas no poder foram os brasileiros.

Parece que a falta de vergonha na cara veio para ficar e hoje é parte do DNA de muitos.

Um exemplo de que essa deformação cultural não depende nem do tempo nem do espaço pode ser compreendido por ocasião de um recente desastre natural aqui nos Estados Unidos: o furacão Harvey que devastou parte do estado do Texas, particularmente a região de Houston. Milhares de pessoas engataram seus barcos em suas caminhonetes, levaram comida e roupas e correram para a região espontaneamente para ajudar as vítimas das enchentes que se seguiram. Muitos moradores têm geradores de emergência em suas casas.

Pois bem, aqueles que não sofreram por falta de energia elétrica passaram a emprestar seus geradores para os que ficaram sem ela. Quase que imediatamente alguns brasileiros desgraçados passaram a emprestar os tais geradores de seus vizinhos e os alugavam aos necessitados, ganhando uns trocados com isso. A Polícia os encanou. Nem o receio de uma Polícia eficiente os atemorizou.

Voltando ao nossos políticos: quem deu o poder a eles foram os próprios brasileiros, não os americanos. Se juntarmos toda aquela cachorrada (sem ofensa aos cães de quatro patas) em um saco e tentarmos ver o que possuem de honra e moral vamos concluir que (perdoem-me a grosseria) não valem a merda que cagam. Mas foram postos lá por nós.

Não há que reclamar do STF – outro bando de ilustres vagabundos – nem de ninguém. Somos todos responsáveis por isso, estamos simplesmente tendo o fruto da semente que plantamos.

Para mim, o poema de Castro Alves é atual, e poderia – com a permissão de seu ilustre autor – ser redigido assim, implorando pela justiça divina para eliminar tanta miséria moral no Brasil:

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há 13 anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…

Desejo aos meus patrícios de bem e com vergonha na cara um dia com muita paz.

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

PELICANO – TRIBUNA (SP)

CINCO LETRAS QUE CHORAM

Michel Temer está com a popularidade abaixo de cauda de jacaré, mas sai dessa; e, em algum momento até o final do mandato, dezembro de 2018, alguém reconhecerá os êxitos de seu Governo num setor-chave, Economia. Com o mesmo problema da área política, basicamente a necessidade de dar um agrado a numerosos parlamentares, conseguiu reduzir a inflação para baixo da meta, ampliar as atividades de maneira a indicar crescimento futuro, tomar providências que um dia forçarão o Governo a reduzir seus monumentais, extraordinários gastos. Na política e na economia, seguiu a oração de São Francisco: é dando que se recebe. E talvez ganhe para sua memória a frase seguinte do santo, “é perdoando que se é perdoado”.

Já Aécio, tanto faz ter ou não seu mandato mantido pelo Senado. Pois não há como manter um mandato que já não existe: por algum motivo, as delações de Joesley Batista, que abalaram mas não derrubaram o poder de Temer, foram catastróficas para Aécio. De repente, o segundo colocado na eleição presidencial, com 51 milhões de votos, quase metade do eleitorado, cujos aliados se cansaram de dizer que só perdeu por ter sido prejudicado na apuração, virou um zero político. O antigo presidente do Senado demonstrou-se incapaz de coordenar sua própria defesa, de articular-se com seus colegas senadores, de defender-se sem choramingos, sem argumentos.

As acusações foram aceitas como verdade. Deve haver motivo para isso.

Os passos de Temer

O presidente não deve tentar a reeleição. Acha que haverá um bloco à direita, com Jair Bolsonaro ou alguém menos flutuante (Bolsonaro já esteve em nove partidos, inclusive o Ecológico, diz defender o liberalismo mas gosta de estatais); um à esquerda, sob o comando do PT – ou, mais precisamente, de Lula, preso ou solto); um em cima do muro, o esfacelado PSDB; e quer chefiar a sucessão unindo partidos como PMDB, DEM, PSD, PTB, PTB, PR, PRB. Candidato provável, Henrique Meirelles. É cedo para prever, mas no meio da briga partidária, pode sobrar para ele. Ou Dória.

Como diria Caetano

Ou não. Lula neste momento lidera as pesquisas, mas ninguém vence a eleição com o nível da rejeição que ostenta: metade dos eleitores diz que não vota nele de jeito nenhum. Mas falta um ano e isso pode mudar. E Lula nem precisa ser candidato: basta que possa proclamar que “a zelite” usa as leis para prejudicá-lo e, por isso, em vez de sair candidato, lança outro. Quem conseguiu eleger Dilma sabe a força de que um poste é dotado.

A força do adversário

Lula conta, na campanha para que o eleitor o veja como perseguido, com o valioso apoio dos adversários. Os procuradores da Lava Jato já fizeram o que não deveriam com aquele “power point” segundo o qual, com ou sem investigações, Lula era apontado como ponto central da ladroeira. Já havia ocorrido, há tempos, o caso “Vavá dois pau”, uma operação contra Genival, irmão de Lula, que teria pedido “dois pau pra eu” para usar sua influência num caso. Que influência, cara pálida? Alguém que, entre Petrolão, Mensalão e Quadrilhão, aceita “dois pau”? E agora houve o caso mais obscuro de todos; a pressão sobre o filho de Lula.

Vale tudo

Há pouco mais de uma semana, no dia 10, um delegado da Polícia Civil de Paulínia, SP, com três policiais armados, invadiu com ordem judicial a casa do psicólogo Marcos Lula da Silva, o mais velho dos filhos de Lula. Segundo se soube, com base em denúncia anônima, acreditavam que na casa houvesse drogas e armas. Não havia. Recolheram então dois computadores, pendrives, CDs e DVDs; foram a outro endereço, com base na mesma suspeita, e o resultado foi o mesmo: nenhum.

A juíza Marta Pistelli, que dera a ordem de busca e apreensão de “armas e drogas”, disse ter sido enganada pela Polícia Civil. Mandou devolver tudo o que tinha sido ilegitimamente apreendido e foi mais longe: disse que tinha autorizado a busca e apreensão em um endereço, não em dois.

E até agora o governador Geraldo Alckmin, PSDB, que pretende ser candidato à Presidência, talvez contra Lula, ficou mudo. Nada disse – nem ele nem seu secretário da Segurança. Abriu-se uma investigação e o delegado foi afastado do caso – aliás, de qual caso? Por que adversários de Lula tanto querem estimular sua candidatura?

Como se faz

As investigações sobre corrupção no Brasil ocorreram também em Portugal, com manobras casadas e sócios ultramarinos. Mas, em Portugal, sem delações premiadas, a acusação é completa e não dá margem à criação de vítimas (Lava Jato à portuguesa). Atingiu do banqueiro Ricardo Salgado (Banco Espírito Santo) a José Sócrates, preso enquanto era primeiro-ministro. Sócrates se diz perseguido mas ninguém lhe dá bola. Juiz e procurador podem andar tranquilos pelas ruas, sem ser reconhecidos.

18 outubro 2017 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU (SP)


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