13 maio 2012 UM TEXTO DE LUIZ OTÁVIO CAVALCANTI

Dia das mães, restaurante, doze e meia. Casa quase cheia, vozes se misturando, alegria boiando no ar. Entra um casal, a mulher de xale, os dois sentam-se numa mesa ao fundo. Pedem carpaccio pra começar a conversa.
Em seguida, chega um segundo casal, a mulher de rosto redondo, e sentam-se na única mesa disponível. Junto à do primeiro casal que comia carpaccio. A mulher de rosto redondo, que chegou depois, pergunta ao garção sobre o que pedir. Então, a mulher de xale, que gosta de prestar atenção a tudo e a todos, diz:
- Peça o capeloni, é ótimo.
A partir daí, elas começaram a conversar. Envolvendo os maridos na fala. Então, o marido da mulher de xale começou a reconhecer a mulher de rosto redondo. Rosto claro, olhos vivos e cabelos curtos. Desenhava-se certa familiaridade naqueles traços. Ele olhava, tentava se lembrar, mas nada. Não conseguia nenhuma pista da memória. De repente, um vislumbre, ainda incerto, ele resolveu indagar:
- A senhora é parenta de Osvaldinho, Osvaldo Lima Filho ?
- Sou irmã.
- Uma ocasião, fui visitá-lo, a senhora me recebeu no portão da casa dele, na praça de Casa Forte.
Em seguida, a mulher de xale intervém:
- Estudei com parentas dele no Vera Cruz.
- Estudamos lá, eu e minha irmã, responde a mulher de rosto redondo.
- Então, me diga onde anda Amália, pergunta a mulher de xale.
- Eu sou Amália, retruca a mulher de rosto redondo.
O que se seguiu foi o encontro de duas senhoras transmudadas em jovens. Não naquele restaurante, nem no século vinte e um. Uma volta no tempo. No colégio da praça do Entroncamento, há décadas atrás.
As meninas se levantaram e se abraçaram. Um longo abraço que foi busca e encontro, saudade e reparação. Abraço que, ao sentir a outra, era como se cada uma tivesse recuperado a si própria. Na esquina da vida. Na bruma do afeto.
Os maridos, pasmos, apenas olharam. E, de algum modo, partilharam o fio de emoção que uniu as duas mulheres. Reconhecidas.
13 maio 2012 TERCEIRA VISÃO - Cícero Cavalcanti

Em nome de mim foi que fizestes o amor
Com o amor que fora sempre seu.
E esfregastes na cama teus hormônios
Que iluminaram a tua vida de mulher.
Em nome de mim sentistes o frêmito da boca
A provar – atoa e sem pudores-
Cada pedaço de tua carne,
No contexto universal da vida e sina.
Em nome de mim fizestes o leite
Que me soprou forças na frágil idade.
E lavastes, nos meus pudores, a podridão humana,
As fezes, as urinas e o regurgitar da minha incompetência.
Em nome de mim sofrestes todas as dores,
Dos males que os demônios me impuseram.
E orastes qualquer reza que te deram
A espantar de mim a dor da vida
Em nome de mim perdestes sono,
Enquanto sonhavas, acordada, o meu futuro.
E me levavas de mãos dadas à ciência,
Toda que eu sei, dos bancos das escolas.
Em nome de mim fizestes tudo
Doou-te inteira, guia do caminho
Luz do meu destino, estrela do meu norte
Mão segura de todos os meus passos.
E em nome de mim não recebestes nada.
E no findar desse teu dia, linda,
Que vai do teu nascer à tua ida,
Ainda pensas me dever a vida.
13 maio 2012 A PALAVRA DO EDITOR

Já estamos na tarde do domingo.
Depois da meia noite, começa a segunda-feira, um dia comum.
Que venha logo, que chegue depressa!
Ufa..
13 maio 2012 PROSEANDO NA SOMBRA DO JUAZEIRO - Carlos Aires

Detentora incomum do amor materno
Cujo ventre produz e gera a vida
Amorosa, afetiva, extrovertida.
Traz encanto e primor, seu jeito terno.
Meiga, afável, com um afeto eterno.
Dá a vida em favor de cada filho
Desconhece embaraço ou empecilho
Ao expor o seu lado mais fraterno.
E essa joia de especial valor
Não repara o credo, a raça, a cor.
Nem os bens, pois pra ela nada importa.
É uma prenda de Deus que nos cativa
É uma Deusa na terra, enquanto viva.
É uma Santa no céu, depois de morta.
Parabéns a todas as mães do mundo
Pela passagem do seu dia!!!
13 maio 2012 DEU NO JORNAL

Depois de dar entrevista denunciando pressão dos mensaleiros e de ganhar apoio até de ministros do Supremo Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acaba de entregar à Alta Corte mais material sobre as relações incestuosas entre o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, que não estão nos processos produzidos pelas Operações Monte Carlo e Vegas.
Ao mesmo tempo, a Polícia Feral está fazendo perícia nos documentos e mais gravações que recheiam o conteúdo desse material, desconhecido até agora da maioria dos setores envolvidos no escândalo. Essa bomba-extra promete: supostamente, incluiria mais governadores, outros políticos e figuras ligadas ao Judiciário. Gurgel não abre a boca sobre isso: quer garantia total de que não haverá vazamento. A CPI receberá esse material só depois de periciado: será remetido pelo Supremo.
** *
O fato de Fernando Collor, o PT, a militância zisquerdista e Lula estarem ferozmente contra o Procurador Gurgel, já me coloca incondicionalmente a favor dele.
Quem é atacado por estas quatro entidades, só pode ser uma pessoa honesta, correta e do bem.
* * *
PS: Esta postagem já estava editada quando li a seguinte notícia:
“Os petistas resolveram recuar de suas investidas em cima do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, depois que cinco dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal resolveram sair na defesa dele: Carlos Ayres Brito, Celso de Mello, Luiz Fux, Joaquim Barbosa e – para surpresa de muitos – até Ricardo Lewandowski.”
13 maio 2012 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Em busca da riqueza plena
Nas escuras florestas da vida
Envoltos num silêncio profundo
Procuramos sem descanso
O maior tesouro do mundo.
Um avarento sem moral,
Talvez grande banqueiro,
Pensará logo no cofre
Onde guarda seu dinheiro.
Cronistas, poetas e artistas,
Pessoas de alma pura,
Acreditam que o mesmo
Mora dentro da cultura.
Amantes das belas estrelas,
Que liberam o pensamento,
Esticam os dedos confiantes
Apontando o firmamento.
Até mesmo os computadores
Na pesquisa são usados,
Tentando com rapidez,
Ajudar aos mais apressados.
Quanta perda de tempo
Pois o tempo se extinguiu
As correntes se romperam
E pouca gente sentiu.
Somente quem conserva
Seu espírito de criança
De encontrar o caminho
Terá alguma esperança.
Nós todos, no limiar,
Estivemos ao seu lado
Pulsando ao seu compasso
Protegidos e amados.
Por nove meses repousamos
Protegidos do mundo cruel
Todas as noites eram doces
Embaladas pela voz de mel.
Agora ficou bastante fácil
Obter a simples conclusão
O rico tesouro é o amor
De seu belo coração, Mãe!
13 maio 2012 COLCHA DE RETALHOS - Ismael Gaião

Pra descrever minha mãe
Nenhuma palavra rima,
Porque das obras de Deus
É a que Ele mais estima.
Mesmo com sua grandeza
Eu tenho quase certeza
Que ela é sua obra prima.
13 maio 2012 ENQUANTO ISSO... - Carlos Ivan

Comércio exterior é a técnica, comercialmente falando, que os países utilizam para trocar mercadorias e serviços além-fronteiras. A venda e a compra de produtos nacionais por mercadorias estrangeiras começaram com a rota da seda, entre a China e a Europa. A intenção era procurar indícios de modernidade, através da consolidação da maior rede comercial entre nações.
A finalidade era estreitar relações comerciais. Formar reservas de divisas, obter tecnologias, buscar avanço econômico, gerar renda e emprego. Engrandecendo o PIB dos países envolvidos na transação. Com a globalização, então, as exportações e as importações passaram a desempenhar importantes funções no campo econômico, social e político.
No ano passado a balança comercial brasileira registrou um recorde. Movimentou mais de US$ 482 bilhões, entre exportações e importações. As exportações superaram as compra do exterior. Com as vendas externas, o Brasil faturou US$ 256 bilhões, enquanto as importações atingiram a casa de US$ 226 bilhões. Proporcionando um saldo comercial positivo de quase US$ 30 bilhões.
O melhor mercado de destino de produtos brasileiros continua sendo a Ásia. Botando pra trás as vendas feitas para a América Latina, Estados Unidos e a União Europeia.
Até o ano de 1960 as exportações eram compostas basicamente de produtos primários, como o algodão, cacau, fumo, açúcar, madeira, carne e café. A pauta de exportações de produtos primários chegava a 70% das vendas no geral.
Depois a pauta foi se diversificando com a inclusão de produtos industriais e semimanufaturados como calçados, suco de laranja, produtos têxteis, óleos comestíveis, bebidas, equipamentos mecânicos, armamentos e produtos químicos.
Durante muitos anos, logo após a descoberta pelos portugueses, a economia brasileira ficou estagnada. Distante dos avanços econômicos, políticos e tecnológicos do mundo. Talvez fruto da forma de exploração imposta pelos colonizadores, quando empregaram uma forma de submissão.
As mudanças só rolaram depois da década de 50, quando pintou os primeiros sinais de industrialização. Alimentados pelos investimentos. Mas, faz trinta anos a economia brasileira engatinha. Permanece fraca diante do desempenho mundial. A culpa deve-se às questões macroeconômicas como os juros elevados e a valorização da taxa de câmbio.
Isso afetou a competitividade que bloqueou o desempenho da indústria nacional em inovação e melhorias. Mantendo as estruturas econômicas e as instituições do êxito competitivo.
A herança colonizadora faz com que o Brasil permaneça atrelado à sua eterna fama de país concentrado na produção agrícola e rico em minerais. Grande exportador de commodities, porém péssimo vendedor de produtos com valor agregado. Cego na cultura de exportação de manufaturados.
A crise mundial alterou o perfil das exportações brasileiras. A participação de commodities, os chamados produtos básicos, como o minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café tem ultrapassado a venda de produtos industrializados. O conteúdo chega à metade das vendas ao exterior. Isto descontenta o empresariado. A dependência de apenas seis produtos nas vendas externas, preocupa, incomoda, aborrece. Por mostrar sinais de fraqueza econômica. Falta de progresso. Carência tecnológica.
13 maio 2012 A COLUNA DE CLÓVIS CAMPÊLO
De repente, um pequeno sinal que coça, sangra e não quer cicatrizar, aparece no meu peito direito. Vou ao dermatologista e ele é incisivo: “Pode ser um tipo benigno de câncer de pele. Vamos tirar. Só a biópsia poderá nos dizer com certeza”. Concordo e marcamos data da cirurgia. Ele me pergunta se durante a minha vida tomei muito sol. Respondo que sim.
A minha infância, adolescência e juventude foi toda passada na praia do Pina, onde costumava bater bola, pescar e me masturbar dentro dágua, olhando as meninas que tomavam sol nas areias ou jogavam frescobol.
Ele diz que esse foi o meu mal. Fico sem entender se se refere ao sol ou ao vício solitário, que nos propiciava tanto prazer e, ao mesmo tempo, tantos medos e dores de consciência. Naquele tempo, masturbação provocava fraqueza, anemia e fazia nascer até cabelo na palma da mão, além é claro dos prováveis castigos divinos. Na dúvida, resolvo culpar o sol por meus males. Além do mais, hoje, a masturbação já foi reabilitada e recomendada. Faz bem até para a próstata. Quem quiser que tente entender a ciência…
Entre as meninas que frequentavam a praia, naquela época, havia uma que se chamava Bete e que conseguia mexer deveras com o lado pecaminoso do meu cérebro nervoso. Estava sempre cercada de amigas e pretendentes. Durante um certo tempo, alimentado por várias punhetas, curti por ela um amor platônico. Um dia, chego na praia e Bete está sozinha, sentada nas pedras, com um biquini estampado em preto e branco, contrastando com o azul do céu e o verde do mar. Sem querer querendo, resolvo abordá-la. Ela mostra-se simpática. A conversa deslancha, rimos muito e acabamos nos beijando dentro de uma poça dágua, sob o sol escaldante do meio dia. Nos despedimos e vou para casa com a pele e o coração em brasa. Eu havia conseguido. Bete era um peixe graúdo, almejado por muita gente. No dia seguinte, encontramo-nos novamente. Ela estava diferente. Diz que tudo aquilo que acontecera fora uma coisa do momento, que eu não a levasse a mal, mas que queria apenas ser minha amiga. Aceitei a contragosto. Não tinha outra opção. Mas tinha a esperança de reverter o quadro. Soube depois, através do meu amigo Val, que ela dissera que eu não sabia beijar e que não namoraria comigo por causa disso. Achei aquilo tudo uma idiotice. Desfiz todos os meus sonhos e pretensões e terminei concordando com o Val: “Esqueça aquela mulher, Clóvis. Aquilo é uma rapariga safada. Não vai te fazer bem”. Achei que ele estava certo.
E por falar em raparigas, elas também faziam parte do cenário do Pina. A zona do bairro era conhecida e conceituada. E foi no Alaíde Drink’s que conheci Lindomar. Era baixinha, galega e logo se insinuou para mim. Encarei. Ela me pediu para colocar uma música na radiola de fichas. Era “Rock’n'roll Lullaby”, com B. J Thomas. “Adoro essa música”, disse-me ela. Dançamos um pouco e tomamos algumas cervejas. Logo já estavámos envolvidos. Passei a frenquentar a pensão e namorar com Lindomar nos intervalos dos seus clientes. Eu era o seu escolhido. O romance durou algumas semanas, até o dia em que, numa briga na pensão, ela levou um tiro no pé e precisou ser hospitalizada. Nesse dia, eu estava prestando serviço à gloriosa Força Aérea Brasileira e não pude ir ao seu encontro. Vivi momentos de angústia, sem ter notícias suas. Até que um belo dia ela voltou ao trabalho e nos reencontramos. Achei-a diferente, desinteressada por mim. Perguntei o que havia e ela mesma me contou que estava apaixonada por um enfermeiro que cuidara dela no hospital. Queria ficar com ele. Foi assim que terminou o meu romance com Lindomar. Nunca mais dancei o “Rock’n'roll Lullaby”.
Recife, 2009
13 maio 2012 A PALAVRA DO EDITOR

Música do saudoso Toinho Alves, do Quinteto Violado
Uma comovente homenagem a Luiz Gonzaga no ano do seu centenário de nascimento.
13 maio 2012 A COLUNA DE ALLAN SALES - O Menestrel do Cariri

Um Teló e um Calypso
Ô forró onde estás tu?
Pois em ano de eleição
Eleitor tangido é: muuuu
Na cultura a sodomia
Pra fazer demagogia
Aqui jaz Caruaru
Um Queiroz que trabalhista
Nessa hora com malícia
Bota lixo cultural
Como tosca imundícia
Se à cultura desacata
E assim forró se mata
Voto fácil é uma delícia
13 maio 2012 EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda
Minha mãe sempre cantava
E não poupava alegria.
Fazia versos, paródias,
Enfeitando o dia-a-dia,
Costureira e professora,
E mestre na poesia.
Na cozinha caprichava,
Fazendo nossa comida,
Seu tempero incomparável
Dava gosto a nossa vida,
Minha mãe se desdobrava,
Pra nos dar melhor guarida.
O tempo passa ligeiro,
Meu Deus que velocidade…
Minha mãe está velhinha
E eu sinto tanta saudade
Daquela mãe tão ativa,
Da nossa felicidade…
Minha mãe muito obrigada
Por tudo que você fez.
Eu hoje também sou mãe
E chegou a minha vez,
De lutar pelos meus filhos
E ter sua sensatez.

Uma mulher-fruta recusou uma moita de verdinha pra posar… de casca! Como está começando a chover na horta dela agora, ela argumentou que isso poderia prejudicar o início da sua colheita…
13 maio 2012 REPENTES, MOTES E GLOSAS - Pedro Fernando Malta

Um poema de Giuseppe Ghiaroni
DIA DAS MÃES
Mãe! eu volto a te ver na antiga sala
onde uma noite te deixei sem fala
dizendo adeus como quem vai morrer.
E me viste sumir pela neblina,
porque a sina das mães é esta sina:
amar, cuidar, criar, depois… perder.
Perder o filho é como achar a morte.
Perder o filho quando, grande e forte,
já podia ampará-la e compensá-la.
Mas nesse instante uma mulher bonita,
sorrindo, o rouba, e a velha mãe aflita
ainda se volta para abençoá-la
Assim parti, e nos abençoaste.
Fui esquecer o bem que me ensinaste,
fui para o mundo me deseducar.
E tu ficaste num silêncio frio,
olhando o leito que eu deixei vazio,
cantando uma cantiga de ninar.
Hoje volto coberto de poeira
e te encontro quietinha na cadeira,
a cabeça pendida sobre o peito.
Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo.
Quero acordar-te, mas não sei se devo,
não sinto que me caiba este direito.
O direito de dar-te este desgosto,
de te mostrar nas rugas do meu rosto
toda a miséria que me aconteceu.
E quando vires e expressão horrível
da minha máscara irreconhecível,
minha voz rouca murmurar:”Sou eu!”
Eu bebi na taberna dos cretinos,
eu brandi o punhal dos assassinos,
eu andei pelo braço dos canalhas.
Eu fui jogral em todas as comédias,
eu fui vilão em todas as tragédias,
eu fui covarde em todas as batalhas.
Eu te esqueci: as mães são esquecidas.
Vivi a vida, vivi muitas vidas,
e só agora, quando chego ao fim,
traído pela última esperança,
e só agora quando a dor me alcança
lembro quem nunca se esqueceu de mim.
Não! Eu devo voltar, ser esquecido.
Mas que foi? De repente ouço um ruído;
a cadeira rangeu; é tarde agora!
Minha mãe se levanta abrindo os braços
e, me envolvendo num milhão de abraços,
rendendo graças, diz:”Meu filho!”, e chora.
E chora e treme como fala e ri,
e parece que Deus entrou aqui,
em vez de o último dos condenados.
E o seu pranto rolando em minha face
quase é como se o Céu me perdoasse,
me limpasse de todos os pecados.
Mãe! Nos teus braços eu me transfiguro.
Lembro que fui criança, que fui puro.
Sim, tenho mãe! E esta ventura é tanta
que eu compreendo o que significa:
o filho é pobre, mas a mãe é rica!
O filho é homem, mas a mãe é santa!
Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
mas que me beija como agradecendo
toda a dor que por mim lhe foi causada.
Dos mundos onde andei nada te trouxe,
mas tu me olhas num olhar tão doce
que , nada tendo, não te falta nada.
Dia das Mães! É o dia da bondade
maior que todo o mal da humanidade
purificada num amor fecundo.
Por mais que o homem seja um mesquinho,
enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
cantará a esperança para o mundo!
12 maio 2012 DEU NO JORNAL

Ruy Fabiano
A campanha do PT contra a imprensa reincide em velhos jargões autoritários do passado, cometendo, desta vez, um erro crasso: o de querer fulanizá-la. O repórter de Veja, Policarpo Junior, tornou-se o alvo da atual investida. E o que fez ele?
Cumpriu sua função. Ouviu uma fonte – no caso, Carlinhos Cachoeira -, em assuntos nos quais o contraventor tinha mais informações que a própria polícia. Separou o joio do trigo e utilizou o que convinha às investigações que fazia.
Qualquer um que já tenha exercido o ofício sabe que é indispensável ouvir todos os lados envolvidos numa história. Não importa se a informação está no inferno: terá que buscá-la onde estiver. O que fará com ela são outros quinhentos.
Policarpo publicou-a, prestando um serviço público; Demóstenes Torres, o senador, vendeu-a a um contraventor.
Tim Lopes, o repórter martirizado pelo narcotráfico carioca, subia os morros e conversava com bandidos, em busca de notícia. Contribuiu, e muito, para expor ao público o mapa do crime organizado do Rio de Janeiro e suas conexões.
O crime, porém, não se faz presente apenas nas favelas e periferias. Há muito, chegou às instituições e frequenta a Praça dos Três Poderes. Se o repórter quer mapear esse submundo, será inútil conversar com políticos ficha limpa (que também os há).
Eles podem apenas compartilhar sua perplexidade, não informá-lo, já que não circulam no submundo. Dependendo do assunto, terá que conversar com gente ainda pior que Cachoeira.
O equívoco de fulanizar a luta contra a imprensa decorre de algo simples: se for comprovado que o jornalista delinquiu, o órgão para o qual trabalha simplesmente o demitirá, preservando-se. O mau jornalista passa, mas a imprensa fica.
Supor que investindo contra esse ou aquele jornalista intimidará a instituição é, acima de tudo, burrice. Exemplo disso foi o que ocorreu em 2009, quando a imprensa divulgou a farra das passagens aéreas no Congresso.
Descobriu-se que diversos parlamentares faziam uso indevido daquele privilégio. Alguns, então, decidiram contra-atacar, na expectativa de inibir a ação da imprensa, revelando o nome de jornalistas que haviam beneficiado.
Acabaram prestando um serviço à própria imprensa, que, ao demitir os repórteres infratores, mostrou-se desconectada de suas práticas. O mau jornalista passa, mas a imprensa fica.
Os petistas que decidiram eleger Policarpo como meliante e a revista Veja como instância conspirativa apenas melhoraram o currículo de ambos.
Dependendo de quem acusa e das alegações que faz – é o caso presente -, as acusações transformam-se em atestado de idoneidade. Policarpo não precisa de defesa.
Sua carreira e o próprio teor dos diálogos gravados pela Polícia Federal – em especial quando Cachoeira queixa-se a um comparsa de que o repórter não retribui as informações que recebe e que já desistiu de o cooptar – o isentam.
Já com seus acusadores dá-se o contrário, embora tenham razão num ponto: de fato, faz-se necessária uma CPI da Mídia. Urgente.
Não a pretendida pelos acusadores do repórter de Veja, mas uma que exponha a rede estatal de blogs, pagos com dinheiro público, que aparelha a internet, para difamar adversários e viabilizar um projeto político que começa pela censura aos meios de comunicação e não se sabe onde pretende parar.
Ou por outra, sabe-se muito bem.
12 maio 2012 RÁDIO-PEÃO - Huytamar Freitas


Modiquê sinóis quié nóis
acha qui Catulé é bicho
antão uquê um bicho tão bão
trabaiadô, isforçado e amigo
acha qui nóis acha quisêmo?
*Pramodi ocêis sabê, Catulé é meu burrico
12 maio 2012 A COLUNA DE LUCIANO SIQUEIRA
É a nanotecnologia a serviço do bem estar da gente – ou, pelo menos, do controle da saúde de quem não anda tão bem assim. Cientistas da Universidade de Arkansas (EUA) criaram um conjunto de sensores têxteis em nanoestruturas que, colados ao corpo do indivíduo, transmite informações em tempo real ao médico (ou hospital, se for o caso).
É comunicação em altíssimo nível. A partir de um módulo leve e sem fio, os sensores se interligam a um software que recepciona os dados dentro de um smartphone, os compacta e os envia a uma variedade de redes sem fios. Onde o paciente estiver – aqui, na China ou no interior da Amazonia.
Assim, a pressão sanguínea, o ritmo respiratório, o consumo de oxigênio, a temperatura do corpo, algumas atividades neurais e todas as leituras que se obtêm com o eletrocardiograma convencional, inclusive a capacidade de mostrar as ondas T invertidas (denunciando o início de uma parada cardíaca), tudo isso e mais alguma coisa, entra na tela do “radar”.
Acontece que esses sinais vitais podem se alterar sob o impacto de um sem número de atividades – das mais cândidas às, digamos, calientes. O que pode gerar inquietação e dúvida no cliente, quando convidado a aderir a esse tipo de monitoramento. A privacidade do dito cujo (ou da dita cuja) estará ameaçada.
Certa vez, ainda estudante de medicina, fui solicitado a esclarecer um caso de certo modo intrigante de um jovem que, embora clinicamente curado de uma hepatite, não recebera alta médica porque nos exames laboratoriais os níveis das trasaminases (enzimas referenciadas em lesões hepáticas) não baixavam. E o cara jurava honrar o repouso absoluto prescrito pelo seu médico.
Mas, numa anaminese detalhada, onde lhe pedi que reconstituisse o seu dia a dia, fiquei sabendo que o jovem repousava sim, o dia todo, mas ao anoitecer recebia a namorada para inocente coloquiuo sob o pé de jambo no quintal de sua residência! Estivesse ele com um desses sensores colado ao corpo logo se veria que o repouso não era tão absoluto assim…
Então, que se popularize o bom uso da engenhoca, deixando-se entretanto o paciente à vontade para desligá-la ou não durante certas atividades, digamos lúdicas, para que o smartphone não registre que, para além de uma efermidade eventual, há sempre a atração irresistível do amor e a força incontrolável da volúpia.
12 maio 2012 EVENTOS, ESPETÁCULOS E BABADOS

Irah Caldeira e Maciel Melo, fazem show juntos no Teatro Luiz Mendonça.
O repertório inclui sucessos de Irah e Maciel, que vão desde a cantoria aos forrós mais dançantes.
Além de dividir o palco, a dupla ainda recebe Bia Marinho e Vates & Violas.
O show será dia 16 de maio, as 20h30.
Parque Dona Lindú. Avenida Boa Viagem, s/n – Recife.
Preço dos ingressos: Inteira R$20,00. Meia estudante R$10,00.
Mais informações: 3445-5728
12 maio 2012 FULEIRAGEM
12 maio 2012 A PALAVRA DO EDITOR

No dia de ontem, sexta-feira, a Presidenta Dilma deu uma canetada e criou a chamada “Comissão da Verdade”, composta por sete integrantes de altíssimo nível. Um grupo que terá dois anos para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, apenas esclarecendo fatos e sem caráter punitivo
Assim que saiu esta notícia, a Anistia Internacional divulgou uma nota na qual diz esperar que os membros nomeados pela Presidenta Dilma Rousseff garantam a imparcialidade e a transparência nos trabalhos da comissão. “A Anistia Internacional insta os membros desta comissão a assegurar que funcione de uma forma imparcial e transparente para garantir que os crimes do passado sejam revelados por completo“, diz a nota.
Eu quero tranquilizar a Anistia Internacional quanto à “imparcialidade e transparência” dos trabalhos desse ilustre sodalício. E explico a razão: é que entre as sete personalidades que compõem a Comissão da Verdade, está um fubânico veterano. E também fiel dedicado da Igreja Sertaneja.
A Comissão da Verdade, recebida ontem pela Presidenta Dilma, conta entre os seus membros com o notável escritor e grande jurista brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho, colaborador e ex-colunista do JBF. E isto é uma garantia de que serão sérios, respeitáveis e dignos de créditos os resultados do trabalho que a CV vai tocar a partir de agora.
Para assistir a um vídeo com reportagem sobre o assunto, clique aqui.

O fubânico José Paulo Cavalcanti, ao lado da esposa Lectícia (de frente), ouvindo sermão do Papa Berto no Palácio Pontifício, sob os olhares atentos do Monsenhor Fred Monteiro e sua esposas, Irmã Edla (de costas)
12 maio 2012 EVENTOS, ESPETÁCULOS E BABADOS

12 maio 2012 REVISTA CEGO À VISTA - Luís Campos (Blind Joker)
Notas:
1. Esta é a versão “verdadeira e atualizada” (sob minha ótica) duma mensagem veiculada há algum tempo em algumas das nossas Listas;
2. Segundo a Miau, na década de 80 um sujeito cego de um olho, bêbado, matou um outro cego. O crime aconteceu no Rio de Janeiro e deu-se porque o assassino queria pernoitar nas dependências de uma Associação e a vítima, presidente da Entidade, não permitiu. O homicida foi embora, retornando mais tarde armado com uma faca e o matou. O criminoso foi preso próximo ao local do crime, ainda sujo de sangue.
Agência News Braille Press
Dos correspondentes no brasil, Olho Vivo e Faro Fino
Conforme teletipo recebido pela Agência News Braille Press, um cego matou outro com uma facada, depois de identificá-lo pela voz, durante um Encontro de Deficientes Visuais.
Cornélio Brochado, de 84 anos, após reconhecer a voz da vítima como a do sujeito que, com a bengala numa mão e as calças na outra, fugira pela janela do seu quarto, gritando para sua mulher: ” Volto amanhã, amorzinho!”, o esfaqueou até a morte.
Este crime hediondo ocorreu na noite da sexta-feira, 13 de agosto de 2000, só não sendo divulgado anteriormente para não atrapalhar as investigações.
Segundo o Baretta, responsável pelo caso, baseado nas informações que obteve junto aos presentes a esse Evento, a coisa começou mais ou menos assim:
Cornélio Brochado, ao ouvir a voz de um dos cegos presentes ao Encontro, com sua bengala, interceptou a passagem deste e o acusou de ser amante da sua esposa, Mary Pozza, de 80 anos, também Deficiente Visual.
A vítima, o cego Ricardo Adão, de 77 anos, negou o fato dizendo ao assassino que passava as noites jogando sinuca com uma nega maluca num boteco do Morro do Vintém.
Minutos antes de esfaquear o desafeto, durante o Encontro da ASSOCU (Associação dos Cegos Unidos) , Cornélio Brochado perguntou à vítima seu nome para certificar-se de que não mataria a pessoa errada, pois sua vizinha, Dona Candinha, lhe dissera que o homem que ela vira saltar a janela era o Ricardo Adão. Com a cabeça quente, mas com uma frieza cruel, Cornélio Brochado armou-se com uma peixeira que comprara na feira de São Cristóvão e rumou para o encontro anual dos cegos.
Lá dentro, Cornélio, metodicamente, perguntava a todos que ali estavam, seus nomes… mas não dizia o dele a ninguém! Então, segundo alguns cegos, travou-se o seguinte diálogo, antes do fatídico acontecimento:
- Qual o seu nome, cabra?
- Ricardinho! – Respondeu o Ricardo Adão, como se já imaginasse o que
poderia ocorrer.
- Não é você que é o gostosão do Papovox?
- Eu, que nada… lá tem um bocado de gostosões…mas eu não sou um deles, não senhor! – respondeu Ricardo, já ouvindo seus joelhos repicando que nem tamborim no sambódromo.
- É, cabra… então me diz aí os nomes desses gostosões!
- É ruim, hein! Tá difícil! São tantos…
- Diz aí os nomes de alguns, mano!
- Te-tem o Ed, o Frigobar, o Marujo, o Mergulhador, o Ninja, o Pardal, o Sinvas, o Supermalavox, o Vagner, o… sei lá, são tantos! – disse Ricardo Adão com a voz trêmula.
A esta altura, Ricardo Adão já sentia um líquido quente a escorrer pelas pernas.
- Tu é mentiroso, cabra safado e vai morrer agora! – gritou Cornélio Brochado, possesso.
- Fa-faça isso não, Seu Moço… sou arrimo de família! – gaguejou Ricardo Adão.
Agora a quentura era pastosa e descia por trás das pernas do pobre ceguinho. Mas Cornélio, muito aborrecido, continuou:
- Mas quando tu tava no bem bom com a safada da Mary Pozza, não pensou nisso, né, cabra safado?
- Fu-fui eu não, meu amigo… deve ter sido meu irmão gêmeo!
Ricardo Adão achou que, se o homem engolisse esse argumento, ele estaria safo. Mas o outro não comeu nada dessa gaiva:
- Filho duma égua, pestilento… eu não tomo sopa de letrinha pra não comer agá, moleque safado! – arrematou Cornélio Brochado, já com a peixeira enfiada até o cabo no peito do Ricardo Adão, que desabou sobre a própria bengala, enquanto estrebuchava numa grande poça de sangue quente e viscoso que descia do seu peito aos borbotões.
O cheiro da morte exalou por todo o ambiente. Ricardo Adão só teve tempo para dar seu último suspiro, mas esse tempo foi insuficiente para que recebesse a extrema unção.
Ao ouvir-se o gemido de morte do Ricardo Adão, estabeleceu-se o caos no recinto. O pânico e a correria foi geral. Era cego indo, pensando que estava vindo e cego vindo, pensando que estava indo… nessa hora, nenhuma serventia tinha a boa audição que dizem ter o cego. Aos gritos de, “mataram um cego”, a cegaiada, entre encontrões e quedas, corria sem mesmo saber para onde, numa confusão dos diabos. Quase não sobraram bengalas inteiras e até um cão-guia, coitado, antes de ser pisoteado no empurra-empurra, trocou de dono umas cinco vezes!
Após cometer esse “ceguicídio”, Cornélio Brochado evadiu-se do local e até esta data não foi encontrado pelas autoridades policiais.
A polícia local tem dificuldades para conseguir testemunhas, visto que apenas cegos participavam da reunião e nenhum destes quis falar sobre o que vira, alegando estarem distraídos na hora do crime.
Três dos cegos presentes fizeram um retrato falado do assassino, mas a polícia achou por bem não divulgá-lo. Alguém sugeriu que o fizessem em braille, mas o Delegado também não gostou da idéia!
A polícia está visitando todos os CAPs, Associações, Institutos e demais Entidades que lidem com Deficientes Visuais no País, visando prender o criminoso. Inclusive, policiais disfarçados estão, todos os dias, no Chat Saci, no Skype, no MSN, na Dosvox-L, na Voxtec, na VV, na Livraria, na Cegos, na Papo Saci, na Campos Livres, na Sempre Lendo, na Arca, na Cantinho da Leitura e até mesmo escutando as Rádios Dosvox, Legal e outras, cujos produtores e gestores são cegos, no intuito de obter pistas do paradeiro desse “foragido da justiça”.
O agente Kojak disse que, embora não tenha encontrado o criminoso, está achando porreta a programação dessas rádios e, ainda que o encontre, continuará ouvindo essas rádios.
O delegado Baretta diz que, mesmo que o assassino seja descoberto, terá dificuldades para reconstituir o crime, visto ninguém saber como o mesmo ocorreu e também porque nenhum dos cegos topa fazer a reconstituição.
* * *
A Globo já comprou os direitos dessa história para apresentar no próximo “Linha Direta”. Também contactou a Miau para dirigir um “Você Decide”, que seria apresentado no “Rebeastros” (programa antigo da Rádio Dosvox), com adaptação de Luís Campos, narração da Jobis e tendo como protagonistas, Wil, Cisco Devair e Evangel, que faria a Mary Pozza!
Tudo pela arte de representar, né, pessoal!







































































