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LULA QUER PROVAR QUE ‘NEOMALUFISMO’ COMPENSA

Nestes últimos dias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem desafiado a própria fama de infalível em estratégias políticas com uma série de “pisadas na bola”, como se diz na gíria futebolística, que ele tanto aprecia, num território no qual sempre desfilou com desenvoltura.

Enquanto os adversários tucanos se engalfinhavam em lutas internas intermináveis e injustificáveis para escolher o candidato à sucessão de Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo, Lula não ouviu lideranças locais, federalizou o pleito e lançou Fernando Haddad com a justificativa de que aposta no “novo” e repete a audácia de ter indicado Dilma Rousseff para presidente, em 2010. O risco é que, se Haddad perder, dará a Dilma a oportunosa ensancha de mostrar que ela não ganhou só por causa do apoio dele, mas teve méritos próprios.

A aposta isolada de Lula ignorou a lição do poeta britânico William Congreve, que, no século 17, constatou o óbvio ululante: “Não há no céu fúria comparável ao amor transformado em ódio nem há no inferno ferocidade como a de uma mulher desprezada”. Da mesma forma como, segundo Arnaldo Jabor, teria escolhido Dilma para lhe suceder por imaginar que, sendo mulher, ela não o trairia, pensou que, depois de pisar nos calos da senadora Marta Suplicy (PT-SP), pudesse contar com seu apoio leal e entusiástico na campanha do favorito. Deu no que deu: a ex-prefeita virou a “fera ferida” da canção de Roberto Carlos e é, ninguém duvide, o maior empecilho para os planos de Lula conquistar uma vitória pessoal no pleito em São Paulo, cujo eleitorado lhe tem sido historicamente hostil. Ele próprio perdeu para José Serra e para Geraldo Alckmin e seus candidatos Marta Suplicy e Aloizio Mercadante Oliva foram derrotados por José Serra, ela também por Gilberto Kassab há quatro anos, além de Dilma Rousseff para o mesmo Serra nas urnas paulistanas. Outra lambança de Lula na mesma disputa foi deixar-se fotografar afagando o “filhote da ditadura” Paulo Maluf em troca do apoio do Partido Progressista (PP).

Os 95 segundos do PP malufista no horário gratuito, cedidos em troca dos afagos no jardim da mansão do dr. Paulo, geraram a crise da saída da ex-prefeita Luiza Erundina da chapa lulista, numa evidência de que, como o crime, o “neomalufismo” poderá não compensar.

No afã de eleger Haddad, o ex-presidente passou a seu eleitorado devoto e leal a impressão de Kassab – que se dispôs a apoiar o favorito dele e chegou a comparecer a uma reunião petista – lhe ter passado a perna. Tenha sido ou não esperteza do prefeito, a iniciativa dele empurrou o ex-governador José Serra para a disputa e convenceu seus desafetos no PSDB a compreenderem que a única forma de manter a oposição ao poder federal na maior prefeitura do País será apoiá-lo sem restrições, embora tapando o nariz.

Outro episódio posterior ao diagnóstico do câncer na laringe desmentiu mais até do que a fama de infalível do ex-presidente, pois contradisse um histórico de bom senso que o tem aproximado do cidadão comum, responsável por vitórias dele e de seus candidatos e altíssimos índices de popularidade por eles obtidos. Trata-se do encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes no escritório do amigo comum Nelson Jobim. Mesmo que a versão do interlocutor – segundo quem Lula apelou para ele evitar que o julgamento do mensalão coincidisse com as eleições municipais – não seja absolutamente fidedigna, não faz sentido a exposição a que ele e alguns membros da última instância do Poder Judiciário – Gilmar, entre eles – se expuseram, às vésperas de um momento relevante como as sessões nas quais se julgará o maior escândalo de corrupção atribuída a seu governo na vigência do gozo da aposentadoria. Nada justificaria tal cruzada peripatética estando fora da Presidência, período no qual prometera se comportar com o máximo de discrição, e durante delicado tratamento de saúde.

Fato é que quem se surpreende com essas derrapadas do líder tido como infalível desconhece sua biografia. Nem sempre Lula foi sequer sensato como se pensa que foi. Em 1978, o ex-governador Cláudio Lembo, atendendo ao chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, lhe pediu apoio para a anistia e a volta dos exilados. Ele negou. Em 1985, apoiou a expulsão do Partido dos Trabalhadores (PT) dos deputados Bete Mendes, Airton Soares e José Eudes porque votaram em Tancredo Neves contra Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, alegando que os dois candidatos eram “farinha do mesmo saco”. Em 1988, o partido só assinou a Constituição dita “cidadã” por apelo insistente do presidente do Congresso Constituinte, Ulysses Guimarães (PMDB-SP). No mesmo ano, omitiu-se na campanha da candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, que tivera a ousadia de vencer seu favorito, Plínio de Arruda Sampaio, na convenção. Em 1993, apesar de ter participado da derrubada de Fernando Collor no Congresso, o PT recusou-se a participar do governo tampão do vice Itamar Franco e suspendeu a filiação da mesma Erundina, porque ela ousara desafiar novamente o chefão ao aceitar a Secretaria da Administração Federal – o que a levou a migrar para o PSB em 1997.

Aconselhado por Aloizio Mercadante Oliva, Lula levou os petistas a votarem contra o Plano Real, acusando-o de “estelionato eleitoral”, posição que o levou a duas derrotas eleitorais seguidas no primeiro turno para o criador do maior projeto social da História do País, Fernando Henrique Cardoso. E, na oposição, se opôs ferozmente à privatização, à adoção do câmbio flutuante, às metas de inflação, à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e aos programas sociais propostos pelos tucanos.

Fiel à condição confessa de “metamorfose ambulante” (apud Raulzito Seixas), contudo, elegeu uma anistiada presidente. E agora enfrenta o desafio de provar que o “neomalufismo” não é crime e pode compensar. Se conseguirá só Deus sabe.

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

FAUSTO – OLHO VIVO

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

RENATO – A CIDADE

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4 julho 2012 DEU NO JORNAL

HOMEM-BOMBA VAI VIRAR BOI-DE-PIRANHA

No processo do mensalão prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), as defesas de Delúbio, do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino combinaram uma atuação única: Delúbio, o ex-tesoureiro petista vai assumir que partiu dele sozinho a iniciativa de formar o caixa 2 para financiar partidos e parlamentares que se coligaram com os petistas nas eleições de 2002 e 2004.

 

 * * *

Quer dizer, então, que o núcleo central da “sofisticada quadrilha“, composto (sem Lula) por Delúbio, Zé Dirceu, Zé Cueca Genoino e Silvinho Pereira (este último já cumpriu pena alternativa de 750 horas de serviços comunitários), entrou novamente em associação criminosa pra arquitetar uma defesa?

Que danado será que eles prometeram pra convencer Delúbio, o Homem Bomba, a aceitar fazer o papel de boi-de-piranha pra quadrilha???

Talvez o mais doloroso pro mensaleiro cara-de-bunda não seja fazer este papel. Eu acho que o mais doloroso vai ser Lula morder a canela dele, já que o Inimputável vive latindo que “o mensalão não existiu“.

Se os maiorais da quadrilha convenceram Delúbio a assumir a culpa de tudo, a conclusão é uma só: o Mensalão existiu. Apesar do que garantem Lula e Goiano.

Agora, só tem um detalhe. Que vou passar pros bem informados leitores do JBF.

É o seguinte: desde 2005 corre na justiça de Brasília um processo, movido pelo carequinha Marcos Valério, no qual o Diretório Nacional do PT afirma que o ex-tesoureiro Delúbio Soares não tinha “poderes estatutários” para contrair empréstimos em nome do partido.

Quem tá com a verdade: o diretório da quadrilha vermêia em 2005 ou o núcleo central da quadrilha nos dias de hoje?

Ou então, fazendo a pergunta mais adequada pra esse tipo de malfeitores: mentiram antes ou estão mentindo agora? Ou mentiram nos dois casos?

Afinal, foi mentindo que chegaram ao poder e nele se mantiveram até agora.

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

MÁRIO ALBERTO – LANCE

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CALABAR: DESERTOR OU TRAIDOR?

 

Domingos Fernandes Calabar

Durante o Domínio Holandês (1630-1654), segundo se depreende dos cronistas que escreviam no dia a dia, eram comuns as deserções de ambos os lados litigantes. A religião, a fome, as privações do corpo, a promessa de ganhos e a ausência do sentimento de pátria fizeram com que a mudança de lado se tornasse rotina, sendo praticada pelos mais diferentes indivíduos pertencentes às mais diferentes etnias e nacionalidades.

Do lado das forças da resistência foram os cristãos-novos, receosos dos tentáculos da Inquisição, quem primeiro se bandearam para o lado dos invasores. No seu rastro vieram os índios tapuias, sempre em constantes litígios com os portugueses; escravos africanos, buscando um novo tratamento; pequenos infratores, procurados pela justiça do Rei de Espanha; até mesmo um sacerdote que resolveu, sem quê nem para quê, tornar-se seguidor da nova teologia reformada.

Do lado do holandês, formado em sua maioria por soldados mercenários das mais diferentes origens, fugiam aqueles ameaçados por castigos e/ou pela fome e pelas necessidades do corpo; fugiam franceses em busca dos seus valores religiosos; fugiam os próprios holandeses que haviam optado por casar-se com moças nascidas no Brasil; havendo até casos de agentes duplos, que procuravam no calor da guerra servir a dois senhores.

Do lado das forças de resistência, comandadas pelo general Matias de Albuquerque, são constantes as deserções e os atos de traição, como se vislumbra da leitura das Memórias Diárias, escritas pelo próprio donatário, Duarte de Albuquerque Coelho (1591-1658), irmão do general comandante.

De todos esses fatos, o que mais causou impacto, foi o episódio da deserção do mulato Domingos Fernandes Calabar, em 20 de abril de 1632. Tal acontecimento é atribuído pelos cronistas da Guerra Brasílica como a principal causa da perda da capitania de Pernambuco para as forças de ocupação holandesas. Conhecedor profundo da região, dos seus caminhos, portos, cursos d’água e veredas, com o poder de diálogo e convencimento dos índios, apontado como mestre nas táticas da guerra de guerrilhas, Calabar aprendeu o idioma holandês e assim pôde conquistar as simpatias dos seus superiores.

Como o nosso general lhe conhecia o talento, sentiu muito esta fuga, não só pelo mal que receava (como iremos vendo), mas pelo caminho que abria para os outros, como ele (que não faltavam), fazerem o mesmo.(¹)

Era Domingos Fernandes Calabar profundo conhecedor da região, habituado às guerras de guerrilha, o que logo despertou as atenções dos chefes holandeses que souberam assim apreciar suas habilidades e dar-lhe um tratamento diferenciado na sociedade de então, recompensando-lhe pelos seus serviços. Com a sua ajuda e orientação foram tomadas as vilas de Igarassu (1632), Rio Formoso (1633), Itamaracá (1633), Rio Grande do Norte (1633) e Nazaré do Cabo (1634).

Pouco se sabe dos seus motivos em trair os portugueses, passando-se de armas e bagagem para o lado dos holandeses. Dos relatos e documentos de então informam apenas que era Domingos Fernandes filho da negra Ângela Álvares com um português de nome desconhecido, nascido em 1609, na vila alagoana de Porto Calvo, que tomou parte ativa na guerra desde o seu primeiro momento; fora ele ferido, em 14 de março de 1630, quando na defesa do Arraial do Bom Jesus, estando processado por alguns crimes pela justiça do Rei de Espanha. No dizer de Francisco Varnhagen, tinha ele muito valor e astúcia, sendo o mais prático em toda aquela costa e em terra que o inimigo podia desejar.(²)

Domingos Fernandes Calabar é citado no Diário de um seu contemporâneo, o oficial inglês Cuthbert Pudsey, que entre 1629 e 1640 esteve a serviço da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil.

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

TACHO – JORNAL NH

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CARDEAL BERNARDO – MACEIÓ-AL

Mestre Papa,

veja o que a maré da praia da Pajussara nos trouxe ontem (03/07) bem cedinho.

Aos mais incréus vale lembrar que foi o dia dedicado a São Tomé.
 
Com os respeitos do Cardeal

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

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Mundo Cordel
O GIRASSOL

Em um terreno baldio, em meio a restos de material de construção e muito mato, nasceu um pé de girassol.

Não se sabe se a semente foi lançada ali deliberadamente por alguém, se chegou trazida pelo vento ou se veio junto com os restos da refeição de uma calopsita. O certo é que a semente brotou, a planta cresceu e, em uma ensolarada manhã, uma bela flor amarela desabrochou, erguendo-se bem acima do mato rasteiro.

Antes que a flor surgisse, ninguém havia percebido a planta crescer até quase um metro e meio de altura. Talvez por isso as pessoas se mostrassem admiradas e surpresas com a presença do girassol naquele lugar improvável.

A mulher que morava em frente ao terreno baldio foi a primeira a ver a novidade, e ficou mais tempo que o de costume debruçada na janela do quarto, no andar de cima de sua casa dúplex. Um homem que passeava com seu cachorro ficou alguns minutos parado, simplesmente olhando para o girassol. Outra mulher, que levava o filho à escola, quase se irritou com os puxões que garoto dava em seu braço, tentando chamar a sua atenção para a flor. Antes, ele somente havia visto outras daquela espécie na Internet e em um livro de ciências. Ao perceber do que se tratava, a mãe se acalmou.

E assim foi o começo do dia naquela rua, até que cada um foi cuidar dos seus afazeres e o belo girassol ficou sozinho em seu terreno baldio.

Somente mais tarde, em um momento no qual não havia ninguém na rua, apareceu uma jovem senhora. Estava vestida com roupas que normalmente se usam em academias de ginástica e tinha os cabelos presos por uma faixa de tecido. Ela também parecia atraída pelo girassol, mas, ao invés de ficar olhando de longe, como os outros, caminhou com dificuldade pelo piso acidentado do terreno baldio, aproximou-se da planta e, com uma tesourinha de cortar unhas, rompeu o talo e retirou a flor. Depois foi para casa sorrindo, segurando em uma das mãos o seu troféu.

Minutos depois, o menino que havia dado puxões no braço da mãe passou novamente por ali, voltando da escola, e percorreu com os olhos cada centímetro do terreno baldio. No entanto, viu apenas o mato e restos de material de construção.

P.S.: Após esse episódio, o menino acabou por convencer a mãe a plantar girassóis em seu próprio quintal, mas, durante meses, cada vez que nascia uma flor, ele ficava todo o tempo que podia vigiando-a. Dizia à mãe que essas flores misteriosas podem se soltar da planta e voar em direção ao sol quando ninguém está olhando.

Publicado originalmente no sítio Migalhas

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

FLÁVIO – CHARGE ONLINE

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VAMOS FAZER DE CONTA…

Nesta terra de mil flores/de néctares/de passarinhos/borboletas, pirilampos/ de matas, mares,  de amores/crianças abandonadas/culpa não têm das drogas/delinquências, armadilhas/em que caem enredadas. (Fragmentos do meu poema “Chacina da Candelária”, publicada no JBF em  23/7/2011)

Não dá pra esquecer, por isso vamos fazer de conta que ainda somos crianças. Quem foi criado no interior,  era mais favorecido pela vida saudável, com mais liberdade, subindo em árvores, tomando banho de rio, jogando pelada na rua, ou se embrenhando nas matas à procura de cavernas e de frutinhas silvestres.

E das brincadeiras, vocês se lembram?  Bola de gude, esconde-esconde, pique, ioiô, peteca, troca de figurinhas, jogo de botões, médico e enfermeira, bandido e mocinho… muitas dessas brincadeiras nem existem mais. E do picolé de coco queimado e dos pirulitos em forma de chupeta? Inesquecíveis, né mesmo? E  daquele animalzinho de estimação – você se lembra?  Eu carregava minha cachorrinha Diana na garupa da bicicleta.  As crianças  deliravam de alegria e vinham correndo atrás de nós nas ruas poeirentas daquela cidadezinha do interior de Minas Gerais.  A meninada jogava uma bola e ela descia da garupa pra brincar com eles. Quase toda criança tinha um animalzinho de estimação. Passarinhos engaiolados era o lado ruim da estória – um hábito normal, infelizmente, naquela distante época da nossa infância.

E você minha amiga: lembra-se daquele menino, seu primeiro amor? Coisa séria mesmo, pra toda vida… não era assim que a gente pensava? Você, meu amigo, com certeza não se esqueceu da garotinha da sala da aula, da troca de tímidos olhares, e do que se passava no seu pensamento:  –  Quando eu crescer, vou me casar com ela!

As crianças, mesmo as mais pobrezinhas,  não passavam fome nem moravam debaixo de ponte.  Não se viam pessoas se alimentando de lixo. A população naquela época era bem menor, o que contribuía para uma vida mais digna para o ser humano.

Eu também acredito que o controle da natalidade seria um passo importante para o começo da solução desse sério problema da fome.  Com o crescimento alarmante da população, vai ficando cada vez mais difícil dar alimento, teto, saúde e educação a todos.  Vai ficando também cada vez mais difícil seres humanos   deixarem de  comer lixo.  Com certeza vai ficar cada vez mais difícil o adolescente deixar de se prostituir ou de entrar no mundo da droga e da delinquência.  

Os bichos nada têm a ver com isso.  Dar incentivo ao abandono dos animais e à matança descontrolada das baleias e de outros animais, achando que com isso o problema da fome dos seres humanos vai ser resolvido,  e que os homicídios e a violência vão acabar ou diminuir, é uma atitude de total insensatez e ignorância.

Quem dera pudesse toda criança ter uma vida digna, de alegria, de estudo e de brincadeiras, e assim poder guardar na alma, no decorrer da vida, a pura essência da infância… essa que muitos de nós ainda tivemos a oportunidade de guardar!

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

TIAGO RECCHIA – GAZETA DO POVO

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https://www.facebook.com/gustavo.arruda3/
TECNOLOGIA REVOLUCIONÁRIA II

“Para acabar com a calvície…, raspe o restante da cabeça!”

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

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4 julho 2012 FULEIRAGEM

BRUNO AZIZ – A TARDE

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3 julho 2012 A HORA DA POESIA

INSCRIÇÃO – Manuel Bandeira

Aqui, sob esta pedra, onde o orvalho roreja,
Repousa, embalsamado em óleos vegetais,
O alvo corpo de quem, como uma ave que adeja,
Dançava descuidosa, e hoje não dança mais…

Quem não a viu é bem provável que não veja
Outro conjunto igual de partes naturais.
Os véus tinham-lhe ciúme. Outras, tinham-lhe inveja.
E ao fitá-la os varões tinham pasmos sensuais.

A morte a surpreendeu um dia que sonhava.
Ao pôr do sol, desceu entre sombras fiéis
À terra, sobre a qual tão de leve pesava…

Eram as suas mãos mais lindas sem anéis…
Tinha os olhos azuis… Era loura e dançava…
Seu destino foi curto e bom… — Não a choreis.

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

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3 julho 2012 A PALAVRA DO EDITOR

…POR ENQUANTO…

Uma análise do jornalista Helder Caldeira na Rede Record.

Atenção: não é na Globo. Repito: saiu na Record.

Eu mesmo não sou contra, nem a favor. Muito pelo contrário. E vocês, o que é que acham???

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CORREIO DO POVO

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

NÉO CORREIA – CHARGE ONLINE

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PADRE ZAMENHOF SITÔNIO – MACEIÓ-AL

Caro Papa Berto I,

Estou preocupado, com a tendenciosa crônica esportiva brasileira. Você assiste vários canais de televisão, desde a ESPN, passando pelas tradicionais Bandeirantes, Globo, Band Sports e outras, como a Fox Sports, Rede TV… e os outros meios midiáticos, e o que se observa é uma inversão de valores.

Praticamente em todos os meios de comunicação, seus profissionais torcem desavergonhadamente pela seleção espanhola e todo o seu futebol, como não tivessem Pátria.

Fico me perguntado: Será que depois que o Ricardo Teixeira, fechou a torneira de bene$$e$ para esse compadrio, e seguindo a mesma linha, o presidente que o sucedeu, o Sr. José Maria Marin, a manteve fechada, como forma de protesto, pela degola do primeiro… é que houve essa crise de ufanismo exacerbado além fronteiras???

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

ERASMO – JORNAL DE PIRACICABA

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA

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VEÍCULO IDEAL

A bicicleta tem inúmeras vantagens. Como meio de transporte é super útil. Não polui, não causa impacto ambiental, não congestiona o trânsito, não anda lotada, é silenciosa, requer pouco espaço para estacionamento. Facilita e muito os problemas de mobilidade urbana. Havendo segurança nas ruas, a bike não tarda a ser eleita como o veículo mais indicado para o transporte urbano. Também no Brasil.

Por ser barato, movido tradicionalmente com propulsão humana, o ciclismo é defendido pelos urbanistas como um dos melhores equipamentos de esporte e lazer. De fácil condução, o ciclismo é recomendado como excelente instrumento para o condicionamento físico. A manutenção da saúde. 

Atualmente, como as cidades procuram alternativas para suprimir os enfadonhos problemas de locomoção, crescem os debates sobre os modelos de mobilidade sustentável. A sociedade deseja encontrar um meio saudável associando economia, segurança, saúde e bem estar-social. A exemplo do que faz a cidade de Vancouver, no Canadá, que acredita nesse meio de transporte como a saída de resolver muitos problemas.

Por isso, a tendência mundial é incentivar o uso da bicicleta como o melhor meio de transporte urbano. Em Buenos Ayres, capital da Argentina, a bike é incentivada como o meio de transporte ecológico, saudável e rápido. Na Suíça, da mesma forma, apesar do país não ter um solo ondulado. Não ser plano.

Em Nova York, Paris e Barcelona, para desafogar o trânsito, os governos se esmeram na construção de bicicletários, local de estacionamento exclusivo, dotado de segurança e conforto para o ciclista.  A razão é simples. O ciclismo é visto como o melhor parceiro para aliviar as tensões do trânsito. Então, para popularizar o uso, em muitas cidades europeias, como na Irlanda, onde a bicicleta tem fama, funciona até o aluguel gratuito da bicicleta pública.

Para evitar o roubo, os interessados no uso da bicicleta pública, se cadastram, apresentando uma série de documentos, inclusive foto atualizada de modo a impedir a recompra de bikes roubadas.

Tentando se enquadrar na tendência mundial e pensando em ampliar a cultura da bicicleta, que ainda é inexpressiva no país, algumas cidades brasileiras começam a implantar políticas de estímulo ao pedalar. A cidade de Santos, situada no litoral do estado de São Paulo, tem investido em ciclovias. Multiplicando a malha cicloviária.

Mas, pra galera optar pela bicicleta, falta somente engrenar algumas políticas para incentivar o uso da máquina, facilitando a compra para quem precisar, mais não tem dinheiro para empregar na aquisição do veículo.

Aliás, sobre as vantagens da bike, até a Organização das Nações Unidas-ONU já se pronunciou, assegurando ser esse veículo o mais indicado para ser o transporte ecologicamente mais sustentável do planeta.  Segundo pesquisa do Ibope, durante a realização do Rio+20, foi comprovado num universo de quase cinco mil pessoas avaliadas, que é enorme o interesse do brasileiro em usá-la, em virtude de oferecer agilidade no trânsito. 

Graças justamente às diversas modalidades de uso. Além de facilitar a mobilidade no tráfego congestionado, o veículo também serve para proporcionar mil aventuras em trilhas sinuosas, boas expedições e agradáveis passeios junto com os amigos de pedaladas.

Tudo bem que no Brasil o número de ciclistas e de motoqueiros atropelados é alarmante. Somente no estado de São Paulo, no ano passado, mais de 3 mil pessoas foram internadas pelo SUS como vítimas de acidentes nas ruas. Apresentando lesões como traumatismo craniano, da coluna vertebral e de fraturas de braços e de pernas, cujos tratamentos custaram aos cofres públicos um valor superior a R$ 3 milhões.

Confirmando a falta de legislação urbana e de campanhas de conscientização, principalmente para os motoristas. Na prática, os maiores causadores de acidentes contra os usuários das máquinas de duas rodas.  

Registre-se aquela famosa história de Robério Bezerra, um paraibano da gema, nascido em Campina Grande, que desde criança foi um apaixonado pela máquina de pedalar. Com a cara e a coragem de um bom nordestino, Robério se mandou para os Estados Unidos, acreditando no talento. Depois de ralar muito como mecânico de bicicleta, o cara ficou famoso.

É respeitado no trabalho, foi tema de muitas reportagens em revistas, vídeos e sites americanos. Atualmente, o paraibano desempenha a função de gerente  numa renomada loja de Miami, na Flórida, onde vive numa boa. Rodeado de elogios. Sem vontade de retornar ao Brasil, pelo menos por enquanto, em função da fama e da dinheirama que ganha no ramo das bicicletas.

Eliminando os buracos das ruas nas metrópoles brasileiras, administrando o desrespeito generalizado de motoristas de veículos motorizados, trabalhando contra a falta de ordem e de educação de muitas pessoas, mantendo-se sempre alerta contra a desatenção e a imprudência, o ciclista por ter vez no Brasil. Ser respeitado como usuário de um bom meio de transporte no conturbado  trânsito do país. Sem oferecer perigo pra ninguém.

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

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NINHO DE JARARACAS

Comentário sobre a postagem ROBERTO VIEIRA – RECIFE-PE

Wilson:

“Eu, um iletrado descabido, me dei bem quando descobri (por acaso), essa caverna fubânica.

Aqui só da ‘cobras’.”

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

PATER – A TRIBUNA

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LEMBRANÇAS…

Quando a gente se apaixona a vida parecer ter um sentido diferente. Tudo se torna mais intenso. São beijos calorosos, abraços envolventes, encontros arrebatadores… Essas são as mais gostosas lembranças que guardamos, principalmente quando a tal ‘paixão’ chega ao fim.

No momento que se acaba um relacionamento a maior ausência, às vezes, nem é a presença física do outro, mas o que de bom foi vivido com ele. E é essa vivência que insiste em vir à tona de tempos em tempos. Sempre que toca alguma música, ou paira no ar aquele cheiro inesquecível ou mesmo uma fotografia da época em que dividiam o tempo juntos… Isso tudo nos faz recordar daquilo que nem sempre queríamos que tivesse passado.

Essas lembranças mexem conosco de uma forma inexplicável. Sim, não conseguimos explica-las até mesmo porque, como disse o escritor brasileiro Roberto Freire, “quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando”. Essa falta de palavras para descrever tamanho sentimento prova o quanto ele foi genuíno e profundo.

Não é da veracidade da paixão em si que se trata essa reflexão, mas das marcas que ela nos deixa e do que a desperta em nós, como algo que ainda pulsa ao toque de uma lembrança.

Não são raras as vezes em que me pego alheia ao que acontece ao meu redor… É só tocar aquela canção que me ponho a chorar. Ou quando sinto o cheiro do perfume dele – que eu tanto gosto – me deixa com um sentimento enorme de nostalgia. Até quando penso nos planos nossos, e que, mesmo sem ele, continuam como meus a serem concretizados.

Na composição Paixão Antiga, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, há a descrição dessas lembranças gostosas: ‘Paixão antiga sempre mexe com a gente é tão difícil esquecer. Basta um encontro por acaso e pronto começa tudo outra vez…’ É bem isso mesmo. Claro que nem sempre há a possibilidade de um encontro real, mas, acredito que valha a lembrança como presença.

Friso que, a vontade de viver de novo nem sempre requer a volta do outro, mas do que de bom foi compartilhado com ele. Penso assim porque, se houve um fim é porque também houve um motivo e, caso nada tenha sido modificado, a decisão permanece a mesma. Não há sentido em voltar a uma situação que não te satisfaça mais…

Não podemos voltar no tempo literalmente, mas nossas antigas paixões (boas ou ruins) sempre estarão conosco através dessas lembranças. Isso é algo que não dá para fugir, apagar ou fingir que não aconteceu. Somos completos quando admitimos o nosso passado.

E meu passado apaixonado está marcado em meu corpo, de forma literal. Eu ainda o vivo… pelas fotos, perfumes, músicas… e por mim, pelo que me tornei depois do nosso encontro duradouro. Chego a conclusão de que não há como fugir de você, mesmo tão distante. Suas marcas serão eternas… já que as lembranças insistem em não se desfazerem…

“(…) o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor (…) Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado (…)” (Charles Chaplin)

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

FAUSTO – OLHO VIVO

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3 julho 2012 DEU NO JORNAL

MARCHA DA INSENSATEZ

J.R. Guzzo

O advogado paulista Márcio Thomaz Bastos encontra-se, aos 76 anos de idade, numa posição que qualquer profissional sonharia ocupar. Ao longo de 54 anos de carreira, tornou-se, talvez, o criminalista de maior prestígio em todo o Brasil, foi ministro da Justiça no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus honorários situam-se hoje entre os mais altos do mercado — está cobrando 15 milhões de reais, por exemplo, do empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira, o mais notório de seus últimos clientes. Num país que tem mais de 800.000 advogados em atividade, chegou ao topo do topo entre seus pares. É tratado com grande respeito nos meios jurídicos, consultado regularmente pelos políticos mais graúdos de Brasília e procurado por todo tipo de milionário com contas a acertar perante o Código Penal. Bastos é provavelmente o advogado brasileiro com maior acesso aos meios de comunicação. Aparece em capas de revista. Publica artigos nos principais veículos do país. Aparece na televisão, fala no rádio e dá entrevistas. Trata-se, em suma, do retrato acabado do homem influente. É especialmente perturbador, por isso tudo, que diga em voz alta as coisas que vem dizendo ultimamente. A mais extraordinária delas é que a imprensa “tomou partido” contra os réus do mensalão, a ser julgado em breve no Supremo Tribunal Federal, publica um noticiário “opressivo” sobre eles e, com isso, desrespeita o seu direito de receber justiça.

Se fosse apenas mais uma na produção em série de boçalidades que os políticos a serviço do governo não param de despejar sobre o país, tudo bem; o PT e seus aliados são assim mesmo. Mas temos, nesse caso, um problema sério: Márcio Thomaz Bastos não é um boçal. Muito ao contrário, construiu uma reputação de pessoa razoável, serena e avessa a jogar combustível em fogueiras; é visto como um adversário de confrontos incertos e cético quanto a soluções tomadas na base do grito. É aí, justamente, que se pode perceber com clareza toda a malignidade daquilo que vem fazendo, ao emprestar um disfarce de seriedade e bom-senso a ações que se alimentam do pensamento totalitário e levam à perversão da justiça. Por trás do que ele pretende vender como um esforço generoso em favor do direito de defesa, o que realmente existe é o desejo oculto de agredir a liberdade de expressão e manter intacta a impunidade que há anos transformou numa piada o sistema judiciário do Brasil. Age, nesses sermões contra a imprensa e pró-mensalão, como um sósia de Lula ou de um brucutu qualquer do PT; mas é o doutor Márcio Thomaz Bastos quem está falando — e se quem está falando é um crânio como o doutor Márcio, homem de sabedoria jurídica comparável à do rei Salomão, muita gente boa se sente obrigada a ouvir com o máximo de respeito o que ele diz.

O advogado Bastos sustenta, em público, que gosta da liberdade de imprensa. Pode ser – mas do que ele certamente não gosta, em particular, é das suas consequências. Uma delas, que o incomoda muito neste momento, é que jornais e revistas, emissoras de rádio e de televisão falam demais, segundo ele, do mensalão, e dizem coisas pesadas a respeito de diversos réus do processo. Mas a lei não estabelece quanto espaço ou tempo os meios de comunicação podem dedicar a esse ou aquele assunto, nem os obriga a ser imparciais, justos ou equilibrados; diz, apenas, que devem ser livres. O que o criminalista número 1 do Brasil sugere que se faça? Não pode, é claro, propor um tabelamento de centímetros ou minutos a ser obedecido pelos veículos no seu noticiá­rio sobre casos em andamento nos tribunais – nem a formação de um conselho de justos que só autorizaria a publicação de material que considerasse neutro em relação aos réus. Os órgãos de imprensa podem, com certeza, ter efeito sobre as opiniões do público, mas também aqui não há como satisfazer as objeções levantadas pelo advogado Bastos. O público não julga nada; este é um trabalho exclusivo dos juízes, e os juízes dão as suas sentenças com base naquilo que leem nos autos, e não no que leem em jornais. Será que o ex-ministro da Justiça gostaria, para cercar a coisa pelos quatro lados, que a imprensa parasse de publicar qualquer comentário sobre o mensalão um ano antes do julgamento, por exemplo? Dois anos, talvez? Não é uma opção prática – mesmo porque jamais se soube quando o caso iria ser julgado.

A verdade é que a pregação de Márcio Thomaz Bastos ignora os fatos, ofende a lógica e deseduca o público. De onde ele foi tirar a ideia de que os réus do mensalão estão tendo seus direitos negados por causa da imprensa? O julgamento vai se realizar sete anos após os fatos de que eles são acusados – achar que alguém possa estar sendo prejudicado depois de todo esse tempo para organizar sua defesa é simplesmente incompreensível. Os réus gastaram milhões de reais contratando as bancas de advocacia mais festejadas do Brasil. Dos onze ministros do STF que vão julgá-los, seis foram indicados por Lula, seu maior aliado, e outros dois pela presidente Dilma Rousseff. Um deles, José Antonio Toffoli, foi praticamente um funcionário do PT entre 1995 e 2009, quando ganhou sua cadeira na corte de Justiça mais alta do país, aos 41 anos de idade e sem ter nenhum mérito conhecido para tanto; foi reprovado duas vezes ao prestar concurso para juiz, e esteve metido, na condição de réu, em dois processos no Amapá, por recebimento ilícito de dinheiro público. Sua entrada no STF, é verdade, foi aprovada pela Comissão de Justiça do Senado; mas os senadores aprovariam do mesmo jeito se Lula tivesse indicado para o cargo um tamanduá-bandeira. O próprio ex-presidente, enfim, vem interferindo diretamente em favor dos réus – como acaba de acusar o ministro Gilmar Mendes, com quem teve uma conversa em particular muito próxima da pura e simples ilegalidade. Mas o advogado Bastos, apesar disso tudo, acha que os acusados não estão tendo direito a se defender de forma adequada.

Há uma face escura e angustiante na escola de pensamento liderada por Bastos, em sua tese não declarada, mas muito clara, segundo a qual a liberdade de expressão se opõe ao direito de defesa. Ela pode ser percebida na comparação que fez entre o mensalão e o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados em 2010 por assassinarem a filha dele de 5 anos de idade, em 2008, atirando a menina pela janela do seu apartamento em São Paulo – crime de uma selvageria capaz de causar indignação até dentro das penitenciárias. Bastos adverte sobre o perigo, em seu modo de ver as coisas, de que os réus do mensalão possam ter o mesmo destino do casal Nardoni; tratou-se, segundo ele, de um caso típico de “julgamento que não houve”, pois os meios de comunicação “insuflaram de tal maneira” os ânimos que acabou havendo “um justiçamento” e seu julgamento se tornou “uma farsa”. De novo, aqui, não há uma verdadeira ideia; o que há é a negação dos fatos. Os Nardoni tiveram direito a todos os exames técnicos, laudos e perícias que quiseram. Foram atendidos em todos os seus pedidos para adiar ao máximo o julgamento. Contrataram para defendê-los um dos advogados mais caros e influentes de São Paulo, Roberto Podval — tão caro que pôde pagar as despesas de hospedagem, em hotel cinco-estrelas, de 200 amigos que convidou para o seu casamento na ilha de Capri, em 2011, e tão influente que um deles foi o ministro Toffoli. (Eis o homem aqui, outra vez.)

Ao sustentar que o casal Nardoni foi vítima de um “justiçamento”, Bastos ignora o trabalho do promotor Francisco Cembranelli, cuja peça de acusação é considerada, por consenso, um clássico em matéria de competência e rigor jurídico. Dá a entender que os sete membros do júri foram robôs incapazes de decidir por vontade própria. Mais que tudo, ao sustentar que os assassinos foram condenados pelo noticiário, omite a única causa real da sentença que receberam – o fato de terem matado com as próprias mãos uma criança de 5 anos. Enfim, como fecho de sua visão do mundo, Bastos louvou, num artigo para a Folha de S.Paulo, a máxima segundo a qual “o acusado é sempre um oprimido”. Tais propósitos são apenas um despropósito. Infelizmente, são também admirados e reproduzidos, cada vez mais, por juristas, astros do ambiente universitário, intelec­tuais, artistas, legisladores, lideranças políticas e por aí afora. Suas ações, somadas, colocaram o país numa marcha da insensatez — ao construírem ano após ano, tijolo por tijolo, o triunfo da impunidade na sociedade brasileira de hoje.

O Brasil é um dos poucos países em que homicidas confessos são deixados em liberdade. O jornalista Antonio Pimenta, por exemplo, matou a tiros sua ex-namorada Sandra Gomide, em 2000, e admitiu o crime desde o primeiro momento; só foi para a cadeia onze anos depois, num caso que a defesa conseguiu ir adiando, sem o apoio de um único fato ou motivo lógico, até chegar ao Supremo Tribunal Federal. Homicidas, quando condenados, podem ter o direito de cumprir apenas um sexto da pena. Se não forem presos em flagrante, podem responder em liberdade a seus processos. Autores dos crimes mais cruéis têm direito a cumprir suas penas em prisão aberta ou “liberdade assistida”. Se tiverem menos de 18 anos, criminosos perfeitamente conscientes do que fazem podem matar quantas vezes quiserem, sem receber punição alguma; qualquer sugestão de reduzir esse limite é prontamente denunciada como fascista ou retrógrada pelo pensamento jurídico que se tornou predominante no país. O resultado final dessa convicção de que só poderá haver justiça se houver cada vez mais barreiras entre os criminosos e a cadeia está à vista de todos. O Brasil registra 50.000 homicídios por ano – e menos de 10% chegam a ser julgados um dia.

Nosso ex-ministro da Justiça, porém, acha irrelevante essa aberração. O problema, para ele, não está na impunidade dos criminosos, e sim na imprensa — que fica falando muito do assunto e acaba criando um “clamor popular” contra os réus. Esse clamor popular, naturalmente, tem dois rostos. É bom quando vai a favor das posições defendidas por Bastos e por quem pensa como ele; é chamado, nesse caso, de “opinião pública”. É ruim quando vai contra; é chamado, então, de “linchamento moral”. A impunidade para crimes descritos como “comuns”, e que vão superando fronteiras cada vez mais avançadas em termos de perversidade, é, enfim, só uma parte dessa tragédia. A outra é a impunidade de quem manda no país. Não poderia haver uma ilustração mais chocante dessa realidade do que a cena, há duas semanas, em que a maior liderança política do Brasil, o ex-presidente Lula, se submete a um beija-mão em público perante seu novo herói, o deputado Paulo Maluf – um homem que só pode viver fora da cadeia no Brasil, pois no resto do planeta está sujeito a um mandado internacional de prisão a ser cumprido pela Interpol. É, em suma, o desvario civilizado – tanto mais perigoso por ser camuflado com palavras suaves, apelos por uma “justiça moderna” e desculpas de que a “causa popular” vale mais que a moral comum. Um dos maiores criminalistas que já passaram pelo foro de São Paulo, hoje falecido, costumava dizer que o direito penal oferece apenas duas opções a um advogado. Na primeira, ele se obriga a só aceitar a defesa de um cliente se estiver honestamente convencido de sua inocência. Na segunda, torna-se coautor de crimes. O resto, resumia ele, é apenas filosofia hipócrita para justificar o recebimento de honorários. Há um abismo entre a postura desse velho advogado e a do doutor Márcio. Fica o leitor convidado, aqui, a escolher qual das duas lhe parece mais correta.

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

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3 julho 2012 DEU NO JORNAL

PINTOU SUJEIRA VERMÊIA

A família do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, se aliou ao PT de Goiás na disputa pela Prefeitura de Luziania.

* * *

O melhor de tudo foi a declaração do candidato, Cristovão Tormim, deputado estadual goiano que é primo e aliado do guabiru Joaquim Roriz. Ele é do PSD e terá como candidato a vice um petralha.

O candidato a prefeito da simpática cidade de Luziania, vizinha a Brasília, declarou textualmente o seguinte:

“A aliança com o PT não prejudica minha imagem aqui no município”.

Coitado… Não tem a menor idéia do que está dizendo.

A partir de agora, depois da aliança com o partido de propriedade de Lula, a imagem da família Roriz está irremediavelmente enlameada no município goiano e em todo o resto do estado.

Jaqueline Roriz no vídeo onde foi flagrada recebendo dinheiro do mensalão de Brasília: sujou sua bela imagem depois que a família se aliou ao PT em Luziania

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

ZOPE – CHARGE ONLINE

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO

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http://www.fernandogoncalves.pro.br
ALÉM DE UM PRÊMIO NOBEL

Li com incontido entusiasmo entrevista concedida pela mãe e cientista Ada Yonath, 71 anos e Prêmio Nobel de Química 2009, a um jornal paulista de circulação nacional. Ela ganhou o Nobel pelos seus estudos sobre ribossomos, estruturas celulares que fabricam proteínas e que ensejam a descoberta de novos antibióticos.
 
A entrevista não foi de natureza técnica, mas de uma mulher e mãe, a primeira mulher israelense a ganhar um Nobel e que ainda trabalha no Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, onde possui nove orientandos, sempre apaixonada pelos estudos. Entretanto, o que mais impressiona na entrevista é o orgulho por ela sentido em ser possuidora do título de “avó do ano”, a ela atribuído por uma neta de apenas 15 anos. O título que ela mais aprecia.
 
Indagada sobre as dificuldades de ingressar no mundo científico, Ada Yonath afirma que existem problemas de gênero em toda sociedade, cuja maioria ainda acredita que as mulheres devem ser destinadas apenas à procriação. E declara com simplicidade: “Há muitas mulheres na ciência hoje em dia. Todos têm dificuldades: a ciência pode ser difícil para homens ou para mulheres. Entendo que a única diferença entre homens e mulheres é biológica: mulheres podem dar à luz. Só isso. Não sou uma militante de gênero”.
 
Suas outras afirmações encantam: “As pessoas devem fazer o que amam, sem modelos”; “Sou de uma família muito pobre de agricultores de Israel”; “Sempre fui interessada em tudo, era curiosa, gostava de entender processos naturais. … Você faz perguntas interessantes a si mesmo e tenta respondê-las. Isso é fantástico”; “Eu me tornei conhecida e, com isso, posso usar essa notoriedade para estimular jovens para a carreira científica”; “Como orientadora de mestrandos, gosto de ver a carreira acadêmica dos meus orientandos evoluindo”; “Diria aos mais pobres para não desistir. Eu fiz todo o possível para ter dinheiro e continuar estudando: lavei louça e lavei chão”; “Gosto de cozinhar, de nadar, de conversar com crianças e jovens, E amo escrever. Estou escrevendo um romance para mim mesmo, sem qualquer intenção de publicação. As personagens estão em construção. Como eu”.
 
Tenho uma imensa compaixão pelos que possuem alma pequena. Dos complexados por esse ou aquele motivo, dos que se imaginam corporalmente belos e se desestruturam com as primeiras rugas. Dos que não entendem a concepção moderna de família, refugiando-se num tribalismo hermético. Dos que não sabem rir, sentindo-se sempre coitadinhos e mal amados. Dos que se imaginam libertos, somente porque não prestam mais contas dos seus atos e andanças a companheiros, cônjuges, superiores ou subordinados. Dos que se arvoram de poderosos quando espezinham humildes, de quatro se postando, rabinho entre as pernas, diante dos imediatos superiores. 
 
Aflige-me a incapacidade daqueles que não sabem transformar “coisas invisíveis” em paz e felicidade, nunca assimilando, porque sempre dependentes, que “o inferno é a incapacidade de amar” (Dostoievski),  ignorando também, porque ficaram na superficialidade, que foi o próprio Dostoievski quem disse que o único meio de evitar os erros é adquirir experiência, esta somente emergida através dos erros cometidos. E percebo quão infelizes se estão tornando aqueles que não reconhecem, porque portadores de uma portentosa transitividade ingênua, que livrar-se do que não se quer não é equivalente a obter o que se deseja.
 
Ultrapassados os burburinhos de mais uma temporada junina, as esperanças por um mundo mais humano persistem solidamente plantadas nos corações dos menos desavisados. Sempre antenados com o pensamento de Erich Fromm, autor de Ter ou Ser, um famoso livro de cabeceira de muitos: “Pela primeira vez, na História, a sobrevivência física da espécie humana depende de uma radical mudança do coração humano. Todavia, uma transformação do coração humano só é possível na medida em que ocorram drásticas transformações econômicas e sociais que deem ao coração humano a oportunidade para mudança, coragem e visão para consegui-la“.

Nunca esquecerei que a coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a que garante as outras, frase dita por Aristóteles quatro séculos antes do nascimento da Criança, esse Amor Infinito de quem sou servo apaixonado. 
 
Permanecer no centro do seu ser, ainda é a melhor maneira de se aprender um pouquinho mais. E de apreender derredores, fatos e cenários. Vacinando-se contra a confiança em demasia, a especialização individual excessiva, a rotinização do convívio e a cegueira dos amanhãs.    
 
E sonhar sempre. Sempre com os pés bem plantados e o coração apaixonado, posto que a lição de T.S.Eliot continua contemporârea: “Somente quem se arrisca a ir longe fica sabendo até onde pode chegar”.

(Publicada originalmente na Revista Algomais) 

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE

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3 julho 2012 FULEIRAGEM

ROB – TRIBUNA DE AMPARO

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3 julho 2012 DEU NO JORNAL

UM JEITO VERMÊIO DE GUNVERNAR

A greve dos professores e dos demais servidores federais continua crescendo e já passa dos 40 dias sem que o governo retome as negociações e apresente uma proposta ao funcionalismo.
 
Na última sexta-feira, os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul aprovaram, em assembleia, a adesão à greve.

* * *

A cada dia que passa, mais e mais adesões vão acontecendo…

Eu acho simplesmente um espanto que uma coisa gigantesca e demorada feito esta greve (esta e mais outras…) esteja sendo levada a efeito no Socialismo Muderno, um regime que se propôs a acabar com todas as queixas e a atender plenamente as reivindicações de todos os trabalhadores, inclusive dos chamados “trabalhadores da educação”.

Na verdade, segundo voz corrente nas conferências, simpósios e assembléias da Confraria dos Cegos, os problemas básicos e estruturais destepaiz foram todos extintos desde o dia 1º de janeiro de 2003, quando Lapa de Redentor tomou posse, sendo ele o maior presidente que Banânia já teve desde Epitácio Pessoa, conforme alardeia um emocionado Natan.

Acabei de enviar mensagem à Presidenta Dilma sugerindo que ela trate os professores federais do jeito que o gunvernador baiano Jaques Wager trata os professores estaduais, também em greve na Boa Terra, depois de várias outras paralisações naquele estado.

Wagner, afilhado e cria de Lula, é cumpanhero de partido e de ideologia da Presidenta, de modo que os dois têm muitas afinidades e seguem o jeito vermêio de gunvernar.

Junto com a mensagem, enviei pra Dilma este vídeo, no qual o gunvernador da Bahia aparece discursando, há poucos dias, pros professores estaduais em greve, numa cidade do interior.

Mandei o vídeo pra nossa querida e amável Presidenta pra que ela aprenda o que deve dizer um gunvernante vermêio-popular-zisquerdista-revolucionário se algum dia chegar a ser vaiada por professores vagabundos e subversivos.

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© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa