24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

DUKE – O TEMPO

duke

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24 dezembro 2014 HORA DA POESIA

MILAGRE – Anderson Braga Horta

presepio

Fitando esse presépio abençoado
onde Cristo nasceu para a amargura
de viver entre os homens, nesta impura,
feia esfera de exício e de pecado;

para morrer, enfim, crucificado
na inveja, na ambição e na loucura,
por os homens salvar da lama escura
do mal, onde a alma houveram conspurcado;

em prece de telúrica tristeza,
peço a Deus Incriado e Onipotente
que minha alma forjou pura e imortal,

ilumine meus sonhos de certeza,
um astro acenda para o olhar do crente,
num milagre sublime de Natal.

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

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24 dezembro 2014 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

INÁCIO STRIEDER – RECIFE-PE

MD. Luiz Berto:

Primeiramente, um BOM NATAL para VOCÊ e sua FAMÌLIA!

Entretanto, todo dia há motivos para surpresas neste nosso imenso Brasil.

Ontem a nossa Presidente publicou mais uma penca de novos Ministros. Neste ritual de cargos, no primeiro escalão, é motivo de satisfação quando encontramos entre os nomeados algum personagem com notável perfil.

Assim, todos os cidadãos se podem alegrar quando o nomeado é Ficha Limpa; quando o Ministro da Justiça é um notável Jurista; quando o Ministro da Saúde é um notável médico; quando o Ministro do Exterior é um notável diplomata; quando o Ministro da Educação é um notável educador…

Seria muito gratificante descobrir que os perfis dos novos ministros correspondessem às suas funções nestes altos cargos…

Como nem todos os novos Ministros estão nomeados, ainda é cedo para estudar os perfis de todos eles. Também não tenho a capacidade para valorar todos estes perfis em função dos cargos. Mas, me aventuro a examinar um pouco o perfil do novo Ministro da Educação, e perguntar pelos méritos dele na área da Educação.clayton

CID GOMES, 51 anos. Engenheiro (jamais foi professor). Já se filiou a 5 partidos: PMDB, PSDB, PPS, PSB e, agora, PROS. Vai deixar de ser Governador do Ceará. Têm dois irmãos “importantes” (como se isto fosse crédito para Cid!): Ivo Gomes (deputado federal), e Ciro Gomes, que já foi Governador do Ceará e Ministro. Ciro, em tempos passados, segundo denúncias, fez uma “caixinha”, com dinheiros desviados, para financiar a campanha de seu irmão Cid.

Quanto aos méritos educacionais, a resposta de Cid aos professores do Ceará, em greve em 2011, declarou: ” Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quiser ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado“.

Frente a esta “pérola” de sugestão do Governador CID, o Presidente do Sindicato dos professor declarou: “É fácil falar de amor ao trabalho com o salário de Governador“.

Aliás, o futuro Ministro da Educação Nacional se tornou conhecido por outras frases de impacto. Quando se tratou de uma campanha de combate ao câncer de próstata, CID aconselhou aos homens a se sujeitarem ao “toque retal”. Alertou, no entanto, que havia um problema: eventualmente alguém gostar demais e se viciar neste “toque”.

Pesquisei mais para descobrir outros méritos de CID em relação à educação, que legitimassem a sua competência para ser Ministro da Educação. Não descobri mais nenhuma referência, além da “pérola” sobre a greve dos professores.

Por isto pergunto: quais os critérios de competência que a Presidenta Dilma está usando para nomear seus Ministros? O que podemos esperar para a Educação no Brasil com um Ministro da Educação com o perfil de CID GOMES?

Meu Editor do JBF, estou angustiado. Alivie minha angústia!

Com estima.

R. Meu ilustre colunista fubânico – educador e professor universitário renomado -, vossa angústia me deixou também angustiado. Pelo simples fato de que não tenho, de forma alguma, como aliviar o vosso desconforto, como amenizar a vossa indignação, como diminuir a vossa perplexidade.

Nós, os que somos da banda séria do Brasil, que enxergamos a realidade como ela é, que não nos deixamos cegar por paixões político-ideológicas, estamos pra lá de angustiados: estamos desesperançados e sem conseguir avistar uma luz no final do túnel escuro em que eztepaiz foi jogado.

Por outro lado, vossa angustiada mensagem me tirou de um outro tipo de angústia, que eu estava vivendo desde ontem. A angústia de estar travado, paralisado, e não conseguir escrever uma única linha sobre o “novo” ministério de Dilma.

Principalmente, sobretudo, não conseguir escrever a respeito daquela indecorosa, daquela imoral, daquela impressionante consulta que Dilma fez à Procuradoria-Geral pra saber quem tinha ou quem não tinha ficha limpa, quem era ou quem não era malfeitor, quem estava ou quem não estava envolvido no Petrolão, quem era ou quem não era corrupto. Isto pra que ela, Dilma, pudesse nomear pro primeiro escalão do gunverno socialista muderno do PT apenas quem não tivesse prontuário muito sujo.

Agora, enquanto estou respondendo vossa mensagem, meu caro colunista, consegui destravar e estou escrevendo estas mal traçadas. Alívio.

Dá pra acreditar que isto aconteceu??? Que Dilma queria saber quem não era criminoso pra nomear pro seu ministério???!!!

Dá pra não ficar puto ao constatar que isto aconteceu???!!!

O Ministro Joaquim Barbosa, em mensagem que botou no seu Twitter, resumiu tudo numa palavra.

Uma palavra que traduz com perfeição o estágio a que estes felas-da-puta levaram nossa sofrida nação.

A palavra é DEGRADAÇÃO.

BarbosaT

Meu angustiado colunista: você citou apenas um caso espantoso de “novo” ministro do gunverno petralha, o Ministro da Educação, que será o “educado” Cid Gomes, irmão do mais “educado” ainda Ciro Gomes. Uma fraterna parelha de figuras gentis e do mais fino trato.

Todavia, eu gostaria de ressaltar mais alguns outros nomes.

Como, por exemplo, o nome de Eliseu Padilha, que Dilma escolheu para a Aviação Civil. Padilha foi Ministro dos Transportes no gunverno tucano de FHC e, naquele tempo, os petistas costumavam chamá-lo de “Eliseu Quadrilha“. Num é arretado a gente relembrar este fato?

Já o “teólogo” George Hilton, que é pastor da Igreja Universal, será o Ministro dos Esportes. É ele que vai administrar o bilionário orçamento das Olímpiadas de 2016. Em julho de 2007, George Hilton, que agora é ministro do PT, partido de propriedade do Lula, foi expulso do PFL por ter sido flagrado no aeroporto de Belo Horizonte com malas de dinheiro provenientes de doações dos trouxas que endeusam Edir Macedo. Os trouxas que endeusam o picareta Edir são uma nação de gente tão babaca quanto os trouxas que endeusam o mitômano Lula.nve

Helder Barbalho, novo Ministro da Pesca, é filho do notório corrupto Jáder Barbalho, um dos mais destacados guabirus deztepaiz. Jáder é aquele para o qual Lula “assinaria um cheque em branco”, conforme declarou em comício. Jáder responde a seis ações penais no Supremo Tribunal Federal e renunciou ao mandato parlamentar em 2001 por conta da ladroeira de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Seu filho Helder, novo ministro do PT, acabou de ser derrotado na disputa pra gunvernador de sua terra, o estado do Pará.

Pra encerrar, só quero citar mais um caso: Kátia Abreu, nova Ministra da Agricultura. Expoente da extrema direita, latifundiária e líder ruralista. Do jeito que os idiotinhas da militância petista e os babaquinhas do MST gostam. Eu chega se mijo-me todinho de tanto se rir-se-me com uma coisa assim.

E o mais interessante, o mais abjeto, o mais repugnante, meu caro colunista, é a razão, a explicação pela qual Dilma abriu tanto as pernas e fez concessões bem além do que a gente já esperava e já sabia que ela iria fazer. É o medo de um processo de impedimento no ano que vem, quando o Petrolão chegar ao pescoço dela e à venta de Lula.

Tanto ela, Dilma, quanto a cúpula do PT, tão se cagando de medo de um processo de impedimento, por conta dos desdobramentos do escândalo na Petrobras, o maior roubo de dinheiro público da história de Banânia (que ela sabe perfeitamente até onde vai chegar…). Isto sem contar os outros escândalos que irão surgir em outras áreas. O próximo, tudo indica, será no BNDES.

Foi por conta disto que a Bovina do Priquito Afolosado nomeou, sem pestanejar, quem o PMDB indicou. Isto porque este partido é que tem a maioria de votos pra derrotar o impedimento dela no parlamento. Dilma comprou antecipadamente os votos que irão garantir a sua permanência como prisid-Anta. Ela sabe perfeitamente o risco que corre o mandato dela e sabe, mais ainda, quem é que pode afastar este risco.

Fecho a postagem com trechos de uma artigo de Augusto Nunes:

prontuário

A desastrada tentativa de instituir o critério do prontuário assombrou um país que já não se espanta com nada. Não seria outra invencionice da oposição essa história de que a presidente pediu socorro ao procurador-geral para não elevar mais um pouco a taxa de criminalidade do Poder Executivo? Não seria outra molecagem da elite golpista espalhar que Rodrigo Janot rechaçara a maluquice ilegal? Como acreditar que o emissário designado pelo Planalto fora capaz de murmurar que, nesse caso, a chefe se contentaria com uma relação dos réus iminentes, desacompanhada dos delitos atribuídos a cada um?

Pois foi tudo verdade, confessou no começo da tarde José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e estafeta de Dilma.

Fiz ao Janot a ponderação de que gostaríamos de informações sobre nomes que comporiam a nossa equipe independentemente de qualquer detalhamento”, declamou ao som da lira do delírio. “Mas ele ponderou que não poderia fornecer qualquer tipo de informação a respeito da Operação Lava Jato uma vez que essa questão está sob segredo de Justiça”.

Quer dizer: o titular do Ministério ao qual está subordinada a Polícia Federal anda à caça de informações que reduzam o número de colegas criminosos. Um monumento ao surrealismo.

No Brasil, excluída a população carcerária, a maior concentração de patifes por metro quadrado está alojada na Esplanada de Ministérios. Se quisesse mesmo combater a corrupção cinco estrelas, bastaria que Dilma reunisse o primeiro escalão, convocasse os diretores das estatais e desse voz de prisão aos presentes.

No segundo seguinte, meio mundo estaria com os dois braços erguidos.

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

NICOLIELO – JORNAL DE BAURU

nicolielo

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24 dezembro 2014 A PALAVRA DO EDITOR

VALE A PENA VER DE NOVO

Esta postagem foi feita há exatos dois anos.

Foi publicada no dia 24 dezembro de 2012, na seção Deu no Jornal, com o título de “Curiosidade”.

Resolvi republicá-la como brinde aos nossos leitores neste dia de confraternização e mesa farta.

Uma excelente feriadão pra toda a comunidade fubânica!

################

Moradores chegam de jegue e carrinho de mão carregados de vasilhames a um antigo chafariz no município de Alagoa Grande, interior da Paraíba, em busca de água. Na cidade, o abastecimento na zona urbana está sendo feito por rodízio e, em comunidades rurais, a água chega somente por carros-pipa doados pelo governo estadual.

A mais de 500 km de distância, em Carira, Sergipe, além de a estiagem não dar trégua, a prefeitura está sob intervenção da Justiça para garantir o pagamento do salário dos funcionários. Apesar de arrasados pela seca, municípios como esses em todo o sertão nordestino reajustaram em até 272%, nos últimos meses, os salários de prefeitos e vereadores que tomarão posse em 1º de janeiro.

(Leia a matéria na íntegra clicando aqui)

* * *

Eu tô curioso…

E, por conta desta minha curiosidade, ordenei que o Instituto Data Besta faça uma pesquisa lá nos cafundós dos sertões nordestinos pra saber em quem os eleitores destes sofridos recantos votaram pra presidente nas últimas eleições.

E em quem eles irão votar na próxima.

Assim que os dados estiverem tabulados, eu divulgo pra vocês. Mas, desconfio, acho que já sei qual será o resultado…

Enquanto organizo a pesquisa, e já que estamos falando em seca e sertão nordestino, vamos reprisar um vídeo que foi postado no mês passado.

Um vídeo que vem muito a propósito nesta véspera de Natal, dia de devoção e de fé, pois neste vídeo uma autoridade federal fala exatamente em “ter fé”.

Vejam:

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

REGI – AMAZONAS EM TEMPO

regi

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24 dezembro 2014 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

OZI DOS PALMARES – SÃO PAULO-SP

Eu estou no violão com os Cantores de Ébano, primeiro grupo vocal com o qual trabalhei quando cheguei aqui em São Paulo.

A foto que botei no vídeo foi feita em show no Sinhá Moça, do artista sambista Luiz Airão, nos anos 80.

Viajei muito com eles gravei vários programas. Foi um aprendizado maravilhoso!

Obrigado a Venâncio e Nilo Amaro por tudo.

R. Belíssima interpretação, meu caro conterrâneo.

Esta eu não conhecia. E confesso que fiquei encantado.

Precisamos nos encontrar pra matar as saudades.

Já lá se vão mais de 15 anos que tomamos umas e outras juntos. Foi na minha casa, lá em Brasília. Era música o dia inteiro. Se lembra?

Abraços e muito sucesso, seu cabra.

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

cop

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24 dezembro 2014 DEU NO JORNAL

O MAU E O PÉSSIMO

carlos brickmann

O Petrolão é uma história trágica: mostra como uma empresa de renome mundial pode ser capturada por dentro (lembra do filme Aliens?) e sugada até desidratar-se, sob o olhar benevolente de quem deveria estar tomando conta dela.

Mas pior que o Petrolão, pior que a corrupção, é a incompetência. E a incompetência que prejudicou pesadamente a Petrobras foi gerada fora da empresa. Quem obrigou a Petrobras a comprar petróleo caro no Exterior, e vendê-lo aqui mais barato, não foi nenhum diretor da empresa: foi o Governo. Foi o Governo que, por conta do pré-sal, sufocou uma área em que o Brasil era líder mundial, a do álcool e biocombustíveis renováveis, menos poluentes e produzidos aqui mesmo, gerando empregos aqui, aqui gerando investimentos. Segurar o preço da gasolina, para fingir que andar de carro era barato e ajudar as multinacionais automobilísticas, quebrou as usinas, paralisou as pesquisas e incentivou a poluição.

E há um caso emblemático, a Refinaria Abreu e Lima. O Governo brasileiro mandou construí-la a pedido de Hugo Chávez, para refinar petróleo venezuelano, mais pesado. E, para agradar mais rapidamente ao amigo-Chávez-de-todas-as-horas, optou por não perder muito tempo com o projeto. Como disse Paulo Roberto Costa, hoje delator-premiado, o cálculo do custo foi feito em papel de padaria. E Chávez, sócio da Abreu e Lima (nome, aliás, escolhido por ele, de um general brasileiro que lutou ao lado de Bolívar), não botou um centavo nela.

Sem a incompetência, a ladroeira seria incapaz de provocar tanto dano.

Brazil-Venezuela

Chávez e Lula: os parceiros em visita às obras de Abreu e Lima (2005)

Por falar…

A presidente Dilma disse que não é preciso afastar Graça Foster, “porque a Petrobras e o Governo não foram prejudicados”. O Governo é acionista majoritário da Petrobras. Neste ano, as ações da empresa caíram algo como 35%.

…no assunto

O advogado Décio Pedroso nota uma semelhança entre o Petrolão e um filme antigo, da mesma temática, daqueles ambientados em Chicago, década de 20. A companheira Graça é ferida, os inimigos se aproximam. Surge no cenário um sedã negro em alta velocidade, fazendo a curva em duas rodas. A companheira Dilma abre a porta do carro e recolhe a companheira Graça. Não se abandona um aliado ferido, principalmente quando o aliado só ficará em silêncio se quiser.

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A insistenta

Como diria Dilma, é de estarrecer sua intenção de consultar o Ministério Público antes de nomear qualquer ministro. E por vários motivos: primeiro, porque quem comanda o Governo é a presidente, não o procurador-geral da República. Segundo, porque o Ministério Público não é órgão de assessoria. Terceiro, porque a presidente tem, para assessorá-la, a Agência Brasileira de Inteligência, Abin, com agentes especializados, que deveria mantê-la informada sobre quem é quem.

E, por último, não precisava ter passado pelo vexame de levar um contra do procurador-geral Rodrigo Janot. Nem de tomar uma aula do ministro aposentado Joaquim Barbosa. “Há sinais claros de que a chefe do Estado brasileiro não dispõe de pessoas minimamente lúcidas para aconselhá-la em situações de crise (…) Ministério Público é órgão de contenção do poder político. Existe para controlar-lhe os desvios, investigá-lo, não para assessorá-lo”.

A festa continua

Ainda falta escolher o cargo (e, talvez, de tanto escolher, acabe sem nenhum), mas o governador baiano Jaques Wagner, do PT, tem tudo para ser ministro no segundo mandato de Dilma. Até uma boa renda mensal: primeiro, sancionou ele mesmo a lei que dá aos ex-governadores baianos aposentadoria vitalícia de R$ 19 mil mensais – claro, reajustável; agora, obteve outra aposentadoria na Câmara Federal, pelos oito anos em que foi deputado. São mais R$ 10 mil. Aos R$ 29 mil já assegurados deve somar-se o salário de ministro, mais eventuais pagamentos pela participação em reuniões de conselhos de empresas estatais.

Feliz 2015!

Jaques-Wagner-dilma-

A festa acabou

A Alstom, multinacional francesa de energia e transportes, acaba de aceitar um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos: pagará multa de R$ 772 milhões por subornos que pagou em diversos países (pela lei americana, empresas que têm negócios nos EUA respondem lá por práticas ilegais em qualquer lugar do mundo), em troca da suspensão das ações judiciais referentes aos casos. A Alstom é uma das empresas investigadas no Brasil por participação em cartel de metrô e trens metropolitanos. Mas as multas – as maiores já pagas nos EUA – nada têm a ver com nosso país: referem-se a propinas pagas na Indonésia, Bahamas, Egito e Arábia Saudita.

O Brasil é outra história.

A voz do dono

De Lula, no Facebook: “Acho que a lição que ficou é: o povo quer mais democracia, mais participação, mais esperança, mais ética, quer ser mais ouvido. Acho que essas são as mensagens que a presidenta Dilma deve assimilar do resultado eleitoral e fazer do seu mandato um mandato histórico”.

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

DUKE – SUPER NOTÍCIA

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24 dezembro 2014 HORA DA POESIA

MORTE E VIDA SEVERINA – João Cabral de Melo Neto

AUTO DE NATAL PERNAMBUCANO

jcmn

João Cabral de Melo Neto (Jan/1920 – Out/1999)

* * *

O poema Morte e Vida Severina foi levado ao ar pela pela TV Globo em 1981, dirigido por Walter Avancini, com música de Chico Buarque. Logo após este vídeo, o poema está transcrito na íntegra.

* * *

Nota do Editor: Embora o poema se ocupe da morte em boa parte do tempo, na verdade esta obra-prima de João Cabral de Melo Neto é uma exaltação ao milagre da vida e à sua perpétua transmissão. O final é belíssimo. Um presente do JBF pros seus leitores no dia em que os cristãos celebram o nascimento do Redentor.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

* * *

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI

– O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

* * *

ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE “Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO!”

– A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.

– A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.

– E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?

– Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.

– E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?

Clique aqui e leia este artigo completo »

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

PELICANO – TRIBUNA SP

dilmafoster

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24 dezembro 2014 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

DE CAMAROTE

Comentário sobre a postagem NÃO SEI E NÃO QUERO SABER

Dalinha Catunda:

“Eu vi o Fantástico e quando Venina Velosa concluiu a entrevista, pensei:

– Tá lascada! Vão acabar com a vida dela, desclassifica-la e desacredita-la. Sua palavra valerá muito pouco. Pelo que estou vendo, acredito que será assim.

Eu acho que hoje tanto faz a gente se importar ou não com os rumos do país, peixe pequeno se lasca e os tubarões certamente não serão extintos.

Já vimos o mensalão, e no que deu. Agora o petrolão… sabemos no que vai resultar.

Não vejo vontade na população de reagir, de brigar por um Brasil melhor. Vejo não…

Vejo cada um tomar partido e torcer pelo lado que lhe interessa e convém.

Hoje assisti “Café com a presidente”. Por tudo que ouvi, tenho certeza que o país que a presidente vive, não é o mesmo que eu habito.

AUTO_myrria

Ela estava sorridente, falando de um Brasil que eu não reconheço, completamente diferente do Brasil que eu vejo nos jornais e televisão.

Com certeza o Brasil dela é bem diferente do meu.

E se a presidenta declara que não há uma crise de corrupção no Brasil, eu vou ficar de camarote.”

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

jb

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EU CONHECI PAPAI NOEL!

Eu e meu Papai Noel

Várias imagens eu poderia guardar dos meus natais, nenhuma tão forte como a do meu Papai Noel, a construir os meus brinquedos durante os meses que antecediam a grande festa da cristandade.

Éramos tão pobres que a festa, como é comemorada nos dias atuais, praticamente não existia. Nossa casa de taipa, de porta e janela, nesta mesma Rua Marquês de Maricá, era desprovida de todo e qualquer enfeite natalino.

Nada de árvores, com bolas coloridas e capuchos de algodão a imitar neve (!)… Nada de pinheirinhos, de luzes piscando, de arranjos de flores secas, sininhos e anjinhos barrocos… Nada de ceias, vinhos, presuntos, castanhas, frutas cristalizadas, “queijos-do-reino”, pastéis, nozes, amêndoas, chocolates ou outras iguarias da época. Nada de sapatinhos nos pés da cama e outros sonhos infantis, mas tão-somente a doce realidade de um “Papai Noel” de verdade, com seus cabelos brancos e sua tez bronzeada pelo sol do cais do porto, com os seus óculos de aros grossos a esconder uns olhos verdes e ternos, procurando dar os últimos retoques num brinquedo de madeira que ele houvera construído com as suas próprias mãos na tosca oficina do fundo do quintal.

Nos braços da minha mãe

Meus natais, Mariana, eram bem diferentes dos teus. Meus natais eram desprovidos de luzes coloridas, de sons de harpas, repicar de sinos, fogos multicoloridos e novidades eletrônicas, dessas que hoje ornamentam os centros comerciais da cidade.

Nos meus natais não existiam esses apelos da mídia televisada, mas tão-somente aquela valsinha transmitida pelo rádio da sala:

Feliz Natal,
Feliz Ano Novo
São os votos
de Coca-Cola!

Chegavam pelo correio alguns poucos, porém sinceros, cartões natalinos desejando boas festas. Minha mãe, com a sua invejável caligrafia de professora primária, respondia um a um com uma cartinha postada em envelopes comuns. No mais eram as visitas de gente simples, como nós, a desejar:

– Feliz Natal, dona Ilídia!

– Feliz Natal, seu Tonico!

A noite do Natal só era diferente, com relação às outras, na hora do deitar. Numa rua bucólica sem iluminação, nem muito menos calçamento e trânsito de veículos, nós podíamos brincar até meia hora antes da missa do galo, invariavelmente celebrada em frente à matriz da Torre; ainda conservando na sua fachada as lâmpadas da festa de Santa Luzia.

Os adultos colocavam suas cadeiras nas calçadas e lá ficavam a conversar sobre estórias passadas em outros natais, à espera que o sino da igreja começasse a chamar para a missa.

As crianças soltas de pés descalços brincavam de roda, de pega, de garrafão, barra-bandeira, boca-de-forno, ou simplesmente jogavam botão aproveitando a iluminação da frente das casas.

Vez por outra, dependendo da boa vontade dos adultos ou da animação da noite, nos levavam ao Sítio dos Valença, na Madalena, onde João e Raul Valença haviam montado o seu tradicional presépio… Havia também os pastoris, como o do SESI da Torre, com jornadas animadas e belas pastoras do encarnado e do azul.

Presente a tudo, Mariana, estava o meu “Papai Noel”, orgulhoso com o brinquedo que houvera confeccionado para seu filhinho, a levar-me pela mão às casas de alguns amigos e parentes. Nelas, sim, eu me fartava de doces e guloseimas bem próprias da época…

Que saudade dos pastéis de minha tia Nazareth…

O tempo passava e eu crescia com ele; daí não precisar das mãos seguras de Tonico – o meu “Papai Noel” – para adentrar-me em novos lares. Outras mesas, repletas de iguarias, estavam a minha espera nas casas de Joaquim Costa e Carminha Barreto Campello, das quais ainda hoje relembro com saudade.

Muitos natais se passaram Mariana…

Os cabelos brancos tomam conta de minha cabeça, o coração está sempre ameaçando a fazer sua parada derradeira; mais pareço com o “Papai Noel” da minha infância… A angústia existencial vem povoar minha solidão, nos meus pensamentos sonho com aqueles longínquos natais… Um tempo que se foi no qual, apesar da pobreza, eu era feliz e não sabia…

Mais do que nunca, é preciso sonhar Mariana! 

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24 dezembro 2014 FULEIRAGEM

ZOP – CHARGE ONLINE

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NO NATAL OLHE PARA TODOS OS LADOS

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“Cuidadora” atende a idosa com carinho

Natal é a verdadeira comemoração do nascimento do Menino Jesus?

E, se é assim, o Menino Jesus nasceu no dia 24 ou no dia 25?

E o que tem o Natal com Papai Noel?

Pelo que se sabe por ter sido divulgado em algum lugar, o Natal era uma festa eminentemente religiosa que envolvia muito São Nicolau.

Ora, então vejamos:

“Papai Noel ou Pai Natal (“Noël” é natal em francês) é uma figura lendária que, em muitas culturas ocidentais, traz presentes aos lares de crianças bem-comportadas na noite da Véspera de Natal, o dia 24 de dezembro, ou no Dia de São Nicolau (6 de dezembro). A lenda pode ter se baseado em parte em contos hagiográficos sobre a figura histórica de São Nicolau. Uma história quase idêntica é atribuída no folclore grego e bizantino a Basílio de Cesareia. O Dia de São Basílio, 1 ou 1.º de janeiro, é considerado a época de troca de presentes na Grécia.

O personagem foi inspirado em São Nicolau, arcebispo de Mira na Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo inteiro.

Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de mangas brancas, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto. Essa imagem se tornou popular nos EUA e Canadá no século XIX devido à influência da Coca-Cola, que na época lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas. Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da/dos mídia ou meios publicitária(os), como músicas, filmes e propagandas.

Conforme a lenda, Papai Noel mora no Extremo Norte, numa terra de neve eterna. Na versão americana, ele mora em sua casa no Polo Norte, enquanto na versão britânica frequentemente se diz que ele reside nas montanhas de Korvatunturi na Lapônia, Finlândia. Papai Noel vive com sua esposa Mamãe Noel, incontáveis elfos mágicos e oito ou nove renas voadoras. Outra lenda popular diz que ele faz uma lista de crianças ao redor do mundo, classificando-as de acordo com seu comportamento, e que entrega presentes, como brinquedos ou doces, a todos os garotos e garotas bem-comportados no mundo, e às vezes carvão às crianças mal comportadas, na noite da véspera de Natal. Papai Noel consegue esse feito anual com o auxílio de elfos, que fazem os brinquedos na oficina, e das renas que puxam o trenó.

Há bastante tempo existe certa oposição a que se ensine crianças a acreditar em Papai Noel. Alguns cristãos dizem que a tradição de Papai Noel desvia das origens religiosas e do propósito verdadeiro do Natal. Outros críticos sentem que Papai Noel é uma mentira elaborada e que é eticamente incorreto que os pais ensinem os filhos a crer em sua existência. Ainda outros se opõem a Papai Noel como um símbolo da comercialização do Natal, ou como uma intrusão em suas próprias tradições nacionais.” (Transcrito do Wikipédia – Verbete: Papai Noel)

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Quantos pratos você vai servir? Não falta ninguém?

Pelo sim ou pelo não, por isso ou por aquilo, o Natal no Brasil, faz tempo perdeu o cunho religioso, e passou a ser assumido totalmente como uma festa pagã, emoldurada pela troca de presentes materiais, via Papai Noel ou via papai e mamãe mesmo.
Descobriu-se e inventou-se o “amigo oculto” ou “amigo secreto” envolvendo famílias, comunidades e confraternizações de empregados das empresas. Virou, reconheçamos, uma farra com características bem brasileiras.

E esse brasilianismo ou essa brasilidade transformou o país numa maravilha, onde tudo é bom, digno, bonito, compartilhável – para usar uma palavra muito usada atualmente – entre todos.

A data é tão envolvente, que filhos e filhas esquecem pais. Não os pais que estão sentados nas cabeceiras das mesas das ceias natalinas. Falamos de dois tipos de pais/mães: aqueles que estão acometidos de Alzheimer ou Parkinson.

Eles não são cristãos ou não merecem ser lembrados (e até ganhar e oferecer presentes, sim) nos dias e noites em que todos comemoram?

Olhe para os lados – repare se não está faltando alguém à sua mesa! – e coloque uma cadeira e, mesmo que ninguém esteja sentado nela, ela jamais estará vazia.

Por um momento (ou seria para sempre) você prefere se envolver com nozes, avelãs, rabanadas, amêndoas, castanhas portuguesas, peru, vinho importado, panetones e outros, enquanto apenas um líquido intravenoso alimenta quem lhe deu a vida.

Olhe para os lados! Será que sua mesa, cheia de tudo, não estará vazia de nada?

Será que ninguém está esquecendo alguém que lhes deu a vida e, agora, está entregue aos carinhos e atenções de um(a) Cuidador(a)?

Alguém lembrou de retribuir o presente recebido várias vezes, anos seguidos?

Ou será que você também acredita que o mundo acabou para quem sofre de Alzheimer?

Quem sofre de Alzheimer pode até não lhe reconhecer mais. E você não sabe quem é essa pessoa?

E esse (a) Cuidador (a), você sabe quem é ele (a) ou você faz parte da extensa lista que entende que a simples obrigação de pagar pelas atenções que você acha que não tem mais tempo para dar, resolve o problema?

Ou isso não é um problema?

Nem no Natal isso te incomoda?

Sei. Você não tem muito tempo disponível e acabou esquecendo o tempo que essa pessoa te dedicou nas noites daquele resfriado, que trocou tua fralda, que fez tua assepsia – sem jamais ficar preocupado se “estava perdendo tempo”?

Pelo menos você sabe quem é esse (a) Cuidador (a)?

Pois saiba que, o envelhecimento da população brasileira agora é realidade. Temos 23 milhões de pessoas idosas no Brasil, com perspectiva de chegar a 35 milhões em menos de 20 anos. Com isto, muitas questões relacionadas ao envelhecimento aparecem com força cada vez maior. Um exemplo são as doenças próprias das pessoas mais idosas, tais como catarata, osteoporose, problemas articulares e ortopédicos, e a pior de todas, a doença de Alzheimer. Outro exemplo claro do envelhecimento brasileiro aconteceu nestes últimos dias, com a aprovação da PEC das domésticas, pelo Congresso Nacional.

Todos os trabalhadores domésticos foram incluídos nessa PEC (proposta de emenda à constituição), inclusive os cuidadores de idosos. Sem falar que também tramita no Congresso Nacional – já aprovado pelo Senado Federal, aguardando aprovação na Câmara Federal – o projeto de lei do Senador Waldemir Moka, que regulariza a profissão de Cuidador da Pessoa Idosa (PLS – Projeto de Lei do Senado, 284 de 2011).

Enquanto não é regulamentada a lei dos Cuidadores de Idosos e sancionada pela Presidente Dilma, o que vale é o que está escrito na PEC das domésticas.

Mas, será que isso vai o problema ou encobrir a falta de afeto e bem-querer que você deveria ter por aqueles que te deram a vida?

Feliz Natal para você! Mas não deixe de olhar para os lados – principalmente se, agora, você estiver ocupando a cabeceira da mesa – lugar que, antes, foi ocupado por quem está esquecido aos cuidados do (a) Cuidador (a).

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO

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23 dezembro 2014 A PALAVRA DO EDITOR

PANE

Atacado por misteriosas forças alienígenas, o Jornal da Besta Fubana ficou fora do ar uma boa parte do tempo nesta tarde de terça-feira.

Os fubânicos do planeta Marte reclamaram muito. Assim como também reclamaram os fubânicos do planeta Terra.

Mas parece que as coisas voltaram a correr bem nesta boca-de-noite.

Vamos torcer pra que a normalidade seja plenamente restabelecida.

JBF ET

“Não consigo sobreviver sem ler esta gazeta escrota”

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

clayton

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23 dezembro 2014 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADÔNIS OLIVEIRA – TERESINA-PI

Prezado Berto,

Espero que esta gazeta escrota, como você chama, um dia venha a mobilizar multidões para derrubar essa ditadura da gatunagem que se implantou no Brasil.

O meu medo é se, com a ajuda dos milhões de retardados mentais existentes em nosso país, essa corja conseguir implantar a ditadura bolivariana do proletariado, com controle social da mídia e tudo.

Aí, meu velho…NOS TAMOS LASCADOS!!!!!

Se já está uma merda, vai ficar pior ainda. Até porque, os primeiros que eles vão querer mandar para o “PAREDON” vamos ser nós. eheheh

Só pra te mostrar que eu sou fodão e que já sabia da merda que ia dar essa estória toda, veja a singela homenagem que eu fiz para o “SAPO BARBUDO”, também conhecido como “O JUMENTO DE CAETÉS-PE”, lá pelos idos de 2003, imediatamente após ele e a corja vermelha se apossarem da presidência.

Quero ver se tu tens coragem de publicar estas mal traçadas linhas na gazeta.

* * *

CANÇÃO DO EXÍLIO – BRASIL 2003

Parafraseando Gonçalves Dias – Uma singela homenagem a Lula e ao (des)governo do PT

petralhas

Minha terra tem tanto ladrão,
Que até não acaba mais!
Os ladrões que lá fora roubam,
Não sabem como se faz.
Tem que fazer na surdina,
E Sendo da lei o capataz!
Até nosso Presidente,
Tão fingido de inocente,
Hoje é o pior ladravaz.
Não permita Deus que eu morra
Sem ir embora desta pôrra,
E aqui não volte jamais!

E é tanta da gatunagem,
Que a gente até perde a conta.
Sanguessuga, mensalão, Lalau e o PCC.
E a nata da bandidagem,
Essa a justiça não aponta.
Me diga o que acha voçê
Dessa turma engravatada,
De fala bonita e macia.
Que por dinheiro tudo faz!
Não permita Deus que eu morra
Sem ir embora desta pôrra,
Pra poder viver em paz!

É ladrão roubando em Brasília,
Nos Estados, nos municípios.
Tudo gente sem princípios,
Que só emprega a família.
Aposentadorias gordas,
Sugando as tetas da Nação,
E o povo sem instrução,
Sem saúde, ou condução,
Pagando por esta bagunça.
Não permita Deus que eu morra
Sem ir embora desta pôrra,
E aqui não volte mais nunca!

Clique aqui e leia este artigo completo »

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

FAUSTO – OLHO VIVO

fausto

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O VIOLÃO DE AGOSTINHO

Agostinho era um mulato magro e comprido, filho de Pedro Grosso, que morava nos Pereiros, uma propriedade nossa vizinha, era sobrinho da mulher de Chico Mendes, que era nosso morador e, vez por outra, vinha pra casa dos primos, nos sábados, onde ficava até o domingo.

Devia ter lá pelos dezoito ou dezenove anos e tocava um velho violão com quatro cordas somente.

Não lembro quais melodias executava, só sei que a gente organizava, de noite, as cadeiras na sala da nossa casa, pendurava um candeeiro de chaminé aceso na parede, tomávamos banho, trocávamos de roupa, e em silêncio ficávamos eu, minhas duas irmãs mais novas, meus sobrinhos Célia e Rômulo, que eram nossos vizinhos de terreiro, outros amigos filhos de moradores, com a mais absoluta concentração, assistindo ali aquele que seria o primeiro concerto das nossas vidas.

Agostinho tocava, tocava e, quando acabava o concerto, acendíamos a fogueira e íamos brincar e correr até onde chegava o seu clarão.

Lá pelas tantas, nossa irmã Carminha botava a gente pra dentro, os meninos iam embora com Agostinho, que Deus sabe quando voltaria pra outra apresentação.

Muito tempo depois, já no Recife, tive o privilégio de me tornar amigo de verdadeiros mestres do violão. Canhoto da Paraíba, Henrique Annes, Sevy Falcão (meu primo), Nuca Sarmento, Nivaldo Brayner, Nonato Luiz, Cláudio Almeida, Edson Antônio e, pra minha alegria, meu filho Bruno, que, contra todas as tradições da família de não saber tocar nenhum instrumento, promete ser um bom violonista.

O fim dos anos 60 foi particularmente cruel pra nossa família, quis o destino que a minha primeira irmã mais nova, Fátima, morena, meiga e linda viesse a morrer em decorrência de uma malsucedida cirurgia de apendicite.

No ano de 1967, quando contava apenas com dezoito anos anos de idade.

Mal havíamos tirado o fumo do luto dos nossos bolsos, a segunda irmã mais nova desenvolveu uma grave enfermidade, vindo a falecer em abril do ano de 1969.

Chamava-se Maria da Luz e também tinha somente dezenove anos de idade.

Essas perdas contínuas e sequenciadas causaram em nós todos a quebra de um elo afetivo que não mais foi restaurado.

* * *

Do livro “No sertão onde eu vivia”

CAPA_111

 Preço: R$ 40,00. Aquisição diretamente com o autor: zelitonunes@gmail.com

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

LAILSON – CHARGE ONLINE

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23 dezembro 2014 DEU NO JORNAL

OU CRIME OU INCOMPETÊNCIA

ricardo noblat

É clara a tentativa conjunta da presidente Dilma Rousseff e de Graça Foster para deixar tudo como está na Petrobras.

Deixar tudo como está significa manter Graça – ou Graciosa como prefere Dilma – na presidência da Petrobras. E mais os diretores que ela queira manter.

Dilma e Graça não são apenas queridas amigas. Não seria o bastante. São aliadas. Cúmplices em tudo que a Graça faça com o aval de Dilma.Foster-Dilma_

Daí o empenho de Dilma em proteger Graça do mar de lama que ameaça afogar a Petrobras e subir a rampa do Palácio do Planalto.

De sua parte, Graça tudo tem feito para se proteger – e proteger Dilma. Nada disse até aqui que comprometa a amiga.

E outro dia, para preservar a si mesma, transferiu bens para os nomes de parentes, uma maneira de escapar de um eventual bloqueio deles.

Se Dilma mandasse Graça embora não estaria apenas pondo em risco a biografia da amiga, mas também a sua.

Afinal, o que teria havido? Dilma falhara na escolha da principal executiva da mais importante empresa do país? Ou fora traída por ela?

Num caso como no outro, errara fortemente. E logo numa área na qual se considera especialista.

Despachar Graça seria também por em risco a própria biografia de Dilma.

De resto, Graça à frente da Petrobras serve de escudo a Dilma. É uma cabeça que Dilma preserva para entregar em caso de extrema necessidade.

O que Graça tem dito como resposta às revelações feitas por Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da Petrobras, está longe de convencer o distinto público de que fala a verdade.

Como é possível que não tenha convocado Venina para uma conversa e perguntado o que ela queria dizer ao se referir em e-mails a “irregularidades” e a “esquartejamento” de projetos?

Como é possível que não tenha desconfiado que Venina sabia de muita coisa depois de ela ter denunciado corrupção na área de comunicação da empresa? Afinal, a denúncia de Venina acabara comprovada.

Com mais de 30 anos de carreira na Petrobras, como é possível que Graça não fizesse a mais pálida ideia da roubalheira praticada ao seu redor?

Se fez ideia e não tomou providências é criminosa. Se não fez é incompetente. Vale a mesma coisa para Dilma.

Espantoso é o silêncio ensurdecedor dos milhares de funcionários da Petrobras e de seus sindicatos. A que se deve isso?

À cumplicidade com a roubalheira?

Ao aparelhamento da empresa pelos partidos?

Ao medo de perder benefícios e regalias?

A tudo isso junto – e muito mais?

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

THOMATE – A CIDADE (RIBEIRÃO PRETO)

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23 dezembro 2014 DEU NO JORNAL

A MANCHETE DA TERÇA-FEIRA

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* * *

Quem quiser ouvir a chuva de tolôtes que Lobisomem da Meia-Noite cagou pela boca, basta clicar aqui

Aconselho vocês a colocar o pinico aí de lado, pois é provável que tenham ânsia de vômito.

É grande, é incrível, é inacreditável, a quantidade de mentiras, dissimulações e barbaridades que ela excretou na entrevista, seguindo orientação de Dilma. Uma atitude e uma dirigente autenticamente petralhas em tempos de socialismo muderno.

E prestem atenção num detalhe: isto é só o começo. A ordem de Lula e do diretório central da quadrilha é usar de todos os meios, principalmente via internet, pra desmentir, caluniar e difamar a denunciante.

Os tabacudos idiotinhas da militância já caíram furiosamante em campo e estão cumprindo a determinação de Barba.

Dedico a esta militância uma música cuja letra contém um conselho que dou pra todos eles:

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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ANA MARIA CARVALHO

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

JARBAS – DIÁRIO DE PERNAMBUCO

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23 dezembro 2014 LUIZ OTÁVIO CAVALCANTI

O ESCRITOR QUE VEM DO FRIO (VI)

O periódico El Pais

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Em território europeu, tenho sempre companhia inseparável: o El Pais. É hábito antigo. Adquirido em viagens que fiz com meu amigo, jornalista Fernando Menezes. Nos anos 80 e 90, quando viajamos algumas vezes, ele, em toda esquina, parava e procurava o periódico espanhol.

Pois bem. Tornei-me seu leitor virtual. E leitor da versão impressa, quando possível. Assim foi nestes dias. Trata-se de jornal com matérias analisadas de forma fundamentada. E com artigos de opinião de colaboradores reconhecidos.

Semana passada, comprei a edição dominical. E li matéria sobre corrupção nas empresas. A abordagem editorial começa mencionando que o ato de corrupção configura um balé. Um pas de deux. Pode ser consentido ou pode ser forçado.

Traz prejuízos para a sociedade, gera desigualdade entre as empresas, aumenta os custos de obras públicas. E corrói o espírito ético no mercado. A corrupção é um mal mundial. Mas, mostra-se mais enraizada em países neo latinos, como a Itália, a Espanha, o Brasil e o México.

Conforme pesquisa realizada por consultoria europeia, com 2.700 entrevistados de 59 países, a corrupção, em países emergentes, atinge 54% das empresas. E alcança 19% das empresas em economias desenvolvidas. Na Espanha, o número é de 28% das empresas.

Especialistas defendem duas medidas principais para combater a corrupção: mais transparência na gestão e legislação mais dura com corruptores e corrompidos. Sentado no trem, que nos levava a Viena, pensei na péssima governança corporativa da Petrobras. Que resultou na queda de valor correspondente a dois terços de seu patrimônio líquido.

Até mais.

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

DUM – HOJE EM DIA

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23 dezembro 2014 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DE SOUSA XAVIER – NATAL-RN

SANFONA E SANFONEIRO

Na estreita distância,
entre peito do tocador
e a sanfona, mora o forró,
e ninguém sabe de onde vem
o som que emana do melhor
sentimento que eles têm.

Ecoam desde os tempos antigos:
– sons de cigarras, pássaros,
irmandade de amigos,
amores guardados…
no peito do sanfoneiro.

E a sanfona, esse elo
entre os dois e o mundo,
devassa o coração do cantador
e espalha seu penar e clamor,
alegria, paz e amor…
sem limites de cumplicidade,
altivez e simplicidade.

Assim vão viajando:
instrumento colado no peito,
homem, que ao povo amando,
se misturam ao pronto e ao feito
destino em que se deu
essa linda união, Graças a Deus.

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23 dezembro 2014 FULEIRAGEM

MYRRIA – A CRÍTICA

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23 dezembro 2014 MEGAPHONE DO QUINCAS


O CINEMA PERNAMBUCANO (I)

Desde o ‘Ciclo do Recife’, de 1923-1931, até os dias de hoje

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“Ciclo do Recife”, mostra como começou o cinema pernambucano

Quando vi Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, com ótimas interpretações de Luiz Vasconcelos e Duda Mamberti, me perguntei: desde quando fazemos cinema em Pernambuco? E com tamanha qualidade?

Claro, não me era completamente desconhecido o advento da produção cinematográfica de Pernambuco, vindo sempre à frente o nome de Jota Soares, de Gentil Roiz, de Fernando Spencer, do crítico de cinema e cineasta Celso Marconi, entre outros. Também não passou em branco a movimentação de autores de curtas e médias. Mas quando tomei consciência de mim, a minha praia foi o teatro, embora fosse frequentador dos cinemas Ideal, em São José, Trianon, Art Palácio, Santo Antônio, e São Luiz, na Boa Vista.

A Filha do Advogado, Jota Soares, 1926:

Quando vi “O Baile” já morava há 16 anos em São Paulo e, claro, como exilado que saiu de sua terra, por ter encerrado um ciclo de vida ali, mas que continuava com sua terra dentro de si, saí correndo em busca dos primeiros momentos do que havia gerado aquele tão bem produzido e belíssimo “Baile”.

Valho-me integralmente do texto retirado de “Cinema Pernambucano – uma história em ciclos”, de Alexandre Figueirôa, publicado na página da Fundação Joaquim Nabuco. Aqui não há porque substituir a palavra certa, fundada em pesquisa e muito trabalho, para mudar o tratamento deste artigo. A referência de Figueroa é integral:

“A fantasia do mundo da ‘sétima arte’ começou a fazer parte do cotidiano pernambucano na década de 20, do século passado, quando os italianos J. Cambière e Ugo Falangola chegaram ao Recife com uma novidade: a realidade capturada por uma máquina.

À época, os estrangeiros, fundaram a Pernambuco Film, que em 1925 viria a repassar sua sede e seu equipamento à produtiva Aurora-Film. Pioneira no Nordeste, a nova produtora – fundada pelo ourives Edson Chagas e pelo gravador Gentil Roiz, com o apoio do estudante de engenharia Ary Severo, na Rua São João, 485, no bairro de São José – nasce com o objetivo de rodar filmes de enredo e dá o primeiro passo no cenário cinematográfico com a produção de Retribuição.

O filme, lançado em 1925, durou dois anos para ser filmado, e estreou no Cine Royal – localizado na Rua Nova -, sendo um sucesso de público. A história, cujo roteiro e direção de Gentil Roiz, e fotografia de Edson Chagas, era estrelada por Almery Steves e Barreto Júnior, que disputavam com bandidos um tesouro enterrado em Olinda. Animados com a excelente receptividade dos espectadores recifenses, os produtores da Aurora-Film rodaram no mesmo ano Um Ato de Humanidade. O curta-metragem, escrito por Gentil Roiz, havia sido encomendado pelo Laboratório Maciel para fazer propaganda da Garrafada do Sertão – remédio bastante popular na época. O melodrama de 20 minutos conta a história de um jovem sifilítico – interpretado por Jota Soares, sua estreia no cinema – que, após medicar-se com o “santo remédio”, cura-se da doença.

Durante o Ciclo do Recife (1923 a 1931) – a capital pernambucana tornava-se o centro de produção cinematográfica do Brasil, com a realização de 13 longas-metragens, que ganharam as telas dos cinemas da cidade. Cerca de 30 pessoas participaram dessa empreitada, entre eles, jovens jornalistas, servidores públicos e comerciantes. Com os recursos financeiros obtidos da “Garrafada”, a Aurora-Film investiu em um novo projeto: Jurando Vingar.

Inspirado mais uma vez em filmes americanos, a película foi dirigida por Ary Severo – com roteiro de Gentil Roiz e fotografia de Edson Chagas – e passava nos canaviais e engenhos do Estado. Rilda Fernandes e Gentil Roiz interpretaram os papeis principais.

A próxima produção da Aurora-Film surgiu de críticas de colunistas dos jornais locais com relação à temática abordada nos filmes. Dessa forma, Aitaré da Praia nasceu da ideia de explorar assuntos regionais. Dirigido por Roiz, com roteiro de Severo e fotografia de Chagas, o longa-metragem era tido como “um poema de costumes de heróis jangadeiros”.

Estrelado por Almery Steves e Ary Severo, a trama de 62 minutos gira em torno da história de amor entre um pescador e uma jovem, em que a mãe da moça reprova o romance. (N.A. – é muito bonito o filme).

Em meio à efervescência do cinema em Pernambuco, outras produtoras nascem, mas têm pouco tempo de vida, como a Planeta Filme, a Vera Cruz Filme, a Olinda Filme e a Veneza Filme.

Filho sem Mãe, rodado em 1925, sob direção de Alcebíades Araújo e estrelado por ele mesmo, Barreto Júnior e Creusa das Neves, narra uma paixão de um casal em meio a uma luta entre políticos e cangaceiros.

História de uma Alma, da Vera Cruz Filme, foi a última produção do ano. A obra baseava-se no manuscrito autobiográfico de Santa Teresa de Lisieux. Em 1926, a Aurora-Film enfrenta grave crise, apesar dos esforços de Edson Chagas em rodar o natural Carnaval Pernambucano. No entanto, os recursos financeiros investidos pelo empresário João Pedrosa da Fonseca salvaram a produtora da derrocada.

Após esse momento conturbado, Gentil Roiz deixou o Recife e seguiu para o Rio de Janeiro para tentar, sem sucesso, colocar Aitaré da Praia no mercado exibidor do país. Nesse período, também se casou com a companheira de cena em Jurando Vingar, Rilda Fernandes.

Ainda em 1926, chega ao mercado Herói do Século XX. Com ares de comédia americana, o filme foi dirigido por Ary Severo e teve fotografia de Edson Chagas. No elenco, destaque para a desenvoltura de Jota Soares, que interpretou dois personagens: um falso cego e um judeu barbudo e rabugento.

No auge desse período, os holofotes do sucesso apontavam para A Filha do Advogado, a mais ambiciosa produção da Aurora-Film e do Ciclo do Recife. A película foi rodada em 1927 e chegou a ser exibida comercialmente em 31 salas do Rio de Janeiro. O melodrama contou, inicialmente, com Ary Severo como diretor e personagem principal. No entanto, um desentendimento entre ele e Edson Chagas fez com que Jota Soares, com apenas 20 anos de idade, assumisse o papel e a direção da obra.

Baseada em uma novela do poeta Costa Monteiro, a trama consistia em um triângulo amoroso, em que a mocinha rejeitava o bandido. Também em 1926, Jota Soares é convidado para ser responsável por toda a parte técnica de um projeto da Goiana Filme, a película Sangue de Irmão.

Único longa do ciclo a ser produzido fora do Recife, a produção filmada em Goiana, tinha caráter policial, uma vez que o enredo girava em torno de um homem malvado, que espancou um velho paralítico e raptou sua filha de oitos anos de idade.

Mesmo com a falência da Aurora-Film, em 1927, Edson Chagas, juntamente com Ary Severo e Luiz Maranhão, fundam a Liberdade Filme. A primeira empreitada do trio com a nova produtora é Dança, Amor e Ventura, obra cujo roteiro e direção são de Ary Severo. Na história – em que uma moça é raptada por ciganos -, Severo contracena mais uma vez ao lado de sua esposa Almery Steves.

Ainda nessa época, são realizadas mais duas produções: os naturais Chegada do Jaú a Recife e o Progresso da Sciência Médica. Outra película é rodada em 1927. Agora é a vez da Olinda Filme. O drama Reveses traz a história de um fazendeiro próspero, no entanto, mau e bruto.

Durante o ano de 1928, outras pequenas produtoras tentaram iniciar novas obras, sem sucesso. Entre esses projetos, sobressai Destino das Rosas. Rodada entre 1929 e 1930, a trama da Sociedade Pernambucana de Indústrias Artísticas contou com a direção e o roteiro de Ary Severo, além de vários nomes conhecidos no elenco como, por exemplo, Almery Steves e Luiz Maranhão.

Apesar do surgimento dos filmes sonoros – que fez com que muitos espectadores perdessem o interesse pelo cinema mudo -, a Liberdade Filme rodou em 1930 o drama No Cenário da Vida, que viria a ser lançado em 1931.

A trama – dirigida por Luiz Maranhão e Jota Soares, que também foi responsável pelo argumento e pelo roteiro, junto a Mário Mendonça, além de ter fotografia de Edson Chagas – acontecia em meio à alta sociedade recifense, nos moldes de A Filha do Advogado.

No Cenário da Vida foi a última produção do movimento do cinema mudo no Recife. Outras tentativas de recuperar o prestígio e a notoriedade foram feitas nos anos seguintes por Dustan Maciel, no entanto, todas fracassadas. Fred Júnior, fundador da Iate Filmes, iniciou alguns projetos como Odisséia de uma Vida e Audácia do Ciúme, permanecendo, no entanto, incompletas as películas.

Trecho de “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, de 1996:

Baile Perfumado, de 1996, é um drama, com direção conjunta de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. É considerado um marco da retomada do Cinema Pernambucano.

Conta a saga real do libanês Benjamin Abrahão, mascate responsável pelas únicas imagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, quando vivia no sertão brasileiro. Amigo íntimo de Padre Cícero, Benjamim mascateava pelo sertão e exercitou seu espírito mercantilista convivendo intimamente com o bando de Lampião. Infiltrou-se no grupo para colher imagens e vender os registros do famoso criminoso pelo mundo afora. No elenco, Duda Mamberti, no papel do fotógrafo Benjamin Abraão; Luiz Carlos Vasconcelos, excelente como Lampião; Aramis Trindade; Chico Diaz; Jofre Soares; Cláudio Mamberti; Germano Haiut; e Zuleica Ferreira.

Fontes:
Acervo pessoal;
Fundação Joaquim Nabuco;
Wikipedia.

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22 dezembro 2014 FULEIRAGEM

NEWTON SILVA – CHARGE ONLINE

newtonsilva

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22 dezembro 2014 DEU NO JORNAL

COMO O MENSALÃO, PETROLÃO É A MÁFIA SEM CAPO

Josias de Souza

Venina

Na noite da chegada do verão carioca, aberto oficialmente às 21h03 de um domingo abafadiço, com picos de 39,1 graus no Rio, Venina Velosa da Fonseca esquentou a pauta do Fantástico. Com os lábios no trombone há dez dias, a ex-gerente da Petrobras falou à repórter Glória Maria. Contou uma novidade: além dos alertas enviados por e-mail, conversou pessoalmente com Graça Foster, em 2008, sobre irregularidades que grassavam na estatal.

No mais, Venina repetiu o que o repórter Juliano Basile já havia noticiado no diário Valor Econômico. Com uma diferença: a letra fria do jornal foi substituída pela cara compungida da denunciante na tevê. Voz tranquila, pausas adequadas, português correto, raciocínio lógico, tudo em Venina parecia afastá-la do perfil de doidivanas contrariada que a Petrobras tenta traçar nas linhas e, sobretudo, nas entrelinhas de seus comunicados oficiais.

Num dos trechos mais inquietantes da entrevista, Venina repetiu de viva voz uma passagem que saíra no jornal. Ela foi à sala do seu superior hierárquico, o então diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, para reportar irregularidades que farejara em contratos da área de comunicação. Sugeriu a apuração dos desvios. Paulo Roberto, hoje delator e corrupto confesso, teve uma reação inusitada.

“… Ele ficou muito irritado comigo. A gente estava sentado na mesa da sala dele, ele apontou para o retrato do presidente Lula, apontou para a direção da sala do Gabrielli [então presidente da Petrobras] e perguntou: você quer derrubar todo mundo? Aí eu fiquei assustada e disse: olha, eu tenho duas filhas, eu tenho que colocar a cabeça na cama e dormir. No outro dia, eu tenho que olhar nos olhos delas e não sentir vergonha.”

Procurado, Lula não quis comentar as declarações de Venina. Natural. Paulo Roberto tornara-se diretor da Petrobras em 2004, sob Lula. Era da cota do PP, um dos partidos do conglomerado governista. Mas Lula, como sabem todos, não sabia de nada. A propósito, Lula veiculara mais cedo, também no domingo, um vídeo no qual declara que “o povo quer mais ética”. E aconselha Dilma Rousseff a “continuar a política de forte combate à corrupção.”

Lula nem precisava dizer. Também neste domingo, 11 jornais latino-americanos veicularam uma entrevista da presidente da República. Nela, Dilma declara que não há uma crise de corrupção no Brasil, informa quer não existem pessoas intocáveis no país e sustenta que a petroladroagem só toma de assalto as manchetes porque a Polícia Federal do seu governo é extraordinariamente implacável.

Considerando-se que Lula não sabia e que Dilma nada enxergara nem no tempo em que presidira o Conselho de Administração da Petrobras, resta concluir o seguinte: a exemplo do que sucedera na época do mensalão, a excentricidade da não-crise atual é a corrupção acéfala, a máfia sem capo.

Onde estão os chefes? Eis a pergunta que parte da plateia volta a se fazer, sem obter resposta. Enquanto Lula e Dilma reivindicam o papel de cegos atoleimados, Graça Foster, que também não viu coisa nenhuma, pede para ser vista como a mulher menos curiosa do planeta.

Graça alega que os e-mails que Venina lhe enviou eram confusos. A denunciante lamenta não ter sido procurada para desfazer a confusão. “Nós sempre tivemos muito acesso”, contou Venina. “Eu conhecia a Graça na época que ela era gerente de tecnologia, na área de gás, e eu era gerente do setor, na área de contratos. Éramos próximas. Então, ela teria toda a liberdade de falar: ‘Venina, o que está acontecendo’?”

Na Petrobras e no Planalto, insinua-se que Venina não é santa. Ainda que seja pecadora, interessa saber se o que ela diz procede. Por sorte, a denunciante já prestou depoimento de cinco horas ao Ministério Público Federal. Repassou documentos aos procuradores. Tudo de modo a reforçar a sensação de que a maior estatal do país tornou-se uma Chicago sem Al Capone.

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