25 setembro 2012 MEGAPHONE DO QUINCAS


SANTOS EM 4 ATOS (PARTE II)

A cidade e o futebol

É difícil confessar! Depois de tanto tempo de futebol, quando aqui cheguei, torcia pelo Santos e companhia ilimitada. Tenho a impressão de que, naquele tempo, todos tinham um pouco de simpatia pelo Santos de Pelé, quando o time representava o Brasil em torneios internacionais! Não sei!

Fatores extracampo, a estimulante experiência da “democracia corintiana”, aliada ao fato de que o clube de Parque São Jorge estava em fase de alta, com o ídolo Sócrates à frente, VIREI A CASACA. Tornei-me corintiano até em jogo de botão, como se tivesse convivido com Claudio, Luizinho, Baltazar e Simão. Por um triz não vira Rivelino, com a camisa mosqueteira -, tinha ido para as Laranjeiras. Mesmo assim, vi jogos memoráveis, nos gramados paulistanos, protagonizados pelo ‘Doutor”, Casão, Zenon e  companhia limitada.

Restou-me uma “saída”: uma vez corintiano,  sempre tive como principais rivais os outros integrantes do chamado “trio de ferro” da capital – São Paulo e Palmeiras. O Santos, sediado lá embaixo, na praia, também era alvinegro; sempre me identifiquei com a praia etc: usei, enfim, todos os argumentos engenhosos e falaciosos que servem para justificar uma “virada de casaca”, quase uma contravenção penal para os padrões brasileiros.

Mas, não atirem a primeira pedra, conheço casos semelhantes!!! Superado esse momento de sofrido desprendimento confessional, continuemos pois a nossa conversa. Tem botafoguense que hoje é urubu, uma infâmia, não é Julinho!

Bem, falar de Santos é fazer uma conexão imediata com o time do Santos. Há uma osmose inexorável cidade/clube.

Ok, time do Santos é maneira de dizer: o esquadrão da Vila; a equipe do rei; um dos maiores times de futebol de todos os tempos. Comparações só a partir de Honved, da Hungria, time Ferenc Puskas; Real Madrid, de Di Stéfano, Gento e também Puskas; e o Barcelona, de Messi, Xavi e Iniesta; o Ajax, de Johann Cruyff e Johan Neeskens, treinados por Rinus Michel, o responsável pela maior revolução do futebol no século XX, a “Laranja Mecânica” ou “Carrossel Holandês”.

Certamente, terei sido injusto por omissão e, até mesmo, por incluir esquadras que nem seriam tão fabulosos quanto os Santos de Pelé, Coutinho, Zito, Clodoaldo, Toninho, Serginho, Pagão, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Rodolfo Rodrigues, Lima, Rildo, Cejas, Araken, Feitiço, Edu, Abel e Pepe; e que novamente me perdoem as ausências ou paixões de ocasião. Das últimas safras, Robinho, Diego, Neymar, P. H. Ganso, Renato, Elano, Juary, Pita.

A princípio, ser santista é torcer pelo Santos. Claro que numa cidade de 420 mil habitantes, com gente de todo o canto, na beira do porto e de imigrantes por natureza, não poderia calar as torcidas alheias que, não só são abraçadas pela cidade, como convive abertamente com outros pavilhões.

Acontece que a simbiose cidade/clube é tamanha que é de bom tom uma identificação prévia do torcedor “inimigo” para evitar constrangimentos num gol fora de hora.

O Santos Futebol Clube:

Fundado no dia 14 de abril de 1912, realizou seu primeiro jogo oficial em 15 de setembro de do mesmo ano. O Santos venceu o Santos Athletic Club (atual Clube dos Ingleses) por 3 a 2, no campo da avenida Ana Costa.

 

Ainda em 1913, foi disputado pela primeira vez, o Campeonato Santista de Futebol, contando com a participação de Santos, América, Escolástica Rosa e Atlético. O “alvinegro praiano” foi o campeão, com seis vitórias em seis jogos, 35 gols pró e apenas sete contra, sendo o primeiro título da história do Clube.

Seu primeiro título de Campeão Paulista aconteceu em 1935, dois anos após o profissionalismo futebol brasileiro.

   Campeã paulista de 1935                            Robinho e a “pedalada”,
                                                                                     brasileiro de 2002

Em 1955, após 20 anos sem ser campeão, o Santos voltou a conquistar outro título estadual. Na final da competição, a equipe santista venceu o Taubaté por 2 a 1, sob o comando do técnico Lula. A equipe foi formada por: Manga; Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga e Urubatão; Tite, Negri, Álvaro, Del Vecchio e Pepe. Portanto já existia um grande clube quando Pelé ali chegou.

O Santos  tem milhões de histórias, contadas e recontadas pelos amantes de futebol. Três linhas, para não passar em branco: além de promover a interrupção de uma guerra civil no Congo, África, em 1969, a equipe costumava provocar feriados locais os dias em que se apresentava em várias cidades do mundo.

O Santos foi o único time paulista a “ceder” um jogador para a primeira Copa do Mundo. Brigado com a diretoria do clube, Araken Patuska, aliou-se à delegação no navio que levava o time nacional para o Uruguai e defendeu a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1930.

Outra lenda dos primeiros tempos santistas foi Feitiço, que, com Araken, fez parte do famoso ataque dos 100 gols, em 1927.

Em 1956, trazido por Valdemar de Brito, chegava à Vila o menino Pelé, de 15 anos, que deu novo impulso ao Santos, levando-o a conquistas mundiais.

Praticamente deu a volta ao mundo, encantando torcedores com o futebol mágico de seus craques. Formou um ataque memorável: Dorval, Mengávio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Nesse período, foi Bicampeão Mundial Interclubes (1962/1963) e Bicampeão da Taça Libertadores da América (1962/1963), entre outras glórias.

Seus jogos são realizados no Estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro (“vila mais famosa do mundo”), construída em 1916, com capacidade para 17 mil pessoas.

Após a “era Pelé”, o Santos continuou seu caminho de conquistas, com importantes títulos estaduais, nacionais e internacionais e permaneceu com sua tradição de formar grandes atletas em casa, ou garimpar bem aqueles vindos de fora.

Em 1984, uma passagem com este cronista. Depois de obter o último título estadual em 1978, o Santos voltou a ganhar em 1984. Ironicamente, neste dia, atuei na equipe do departamento de esporte da rádio Excelsior, fazendo o trânsito, e pude assistir à partida final, Santos 1 X 0 Corinthians, no Morumbi, atrás das traves  em que o polêmico Serginho fizera o gol do título: foi a primeira tristeza do corintiano recém-convertido. Infernal Serginho, feliz Serginho!

Engana-se, porém, que Santos tem sua história do futebol circunscrita ao clube que lhe deu projeção mundial. O Jabaquara e a Portuguesa Santista têm seu papel, tradição e história.

O Jabaquara Atlético Clube

Fundada em 15 de novembro de 1914, suas cores são amarelo e vermelho. Anteriormente chamada de Hespanha, é um dos membros fundadores da Federação Paulista de Futebol.

De acordo com o site oficial do clube, um grupo de jornaleiros espanhóis, ou “tribuneiros”, como eram conhecidos, unidos a outras associações de imigrantes europeus da região de Santos, no início do século 20, reuniam-se na área do atual bairro do Jabaquara, com interesse na nova modalidade esportiva.

Nos anos de 1918 a 1920, conquistou a “Taça Grande Café D’Oeste” e participou como convidado da inauguração do estádio da Associação Atlética Portuguesa. O seu crescimento foi tamanho a partir de então, que, em 1924, construiu um estádio, localizado noutro bairro, o Macuco, por isso é chamada de “Leão do Macuco”.

No início da década de 1940, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, houve a necessidade de mudança do nome Hespanha, pois como aludia ao país, foi obrigado a obedecer decreto que impedia tais nomenclaturas, passando a denominar-se Jabaquara Atlético Clube, em homenagem ao seu bairro de origem, gerando o popularizado apelido de “Jabuca”. Este fato ocorreu com diversos outros clubes no Brasil, como “Palestra Itália” etc.

Em 1944, o time atingiu o seu auge com o melhor ataque do futebol paulista. Entre 1940 e 1957, o clube revelou vários craques, entre eles o goleiro Gilmar dos Santos Neves, bicampeão mundial pelo Santos Futebol Clube e pela Seleção Brasileira de Futebol. Ramiro e Álvaro (Santos) e Célio (Vasco da Gama) também saíram de lá.

No entanto, em 1945 o clube sofreu grave crise financeira que afetou o time, levando-o quase ao rebaixamento à segunda divisão. Restou treinar em um campo na cidade vizinha de São Vicente.  Assim correram os anos até que em 1957, uma vitória de virada em partida histórica contra o Santos, na Vila, fez o clube reacender suas forças. O  inevitável rebaixamento, porém, chegou em 1963.

A luta do histórico clube faz a paixão de seus torcedores e ganha a simpatia dos rivais. Com o São Vicente Atlético Clube, da vizinha São Vicente – faz o clássico regional (Baixada Santista).

Feito inédito no país e, para alguns, inacreditável, é que as duas torcidas “Fúria Alvinegra” (São Vicente) e “Fúria Rubro-Amarela” (Jabaquara) são aliadas.

Em 2008, a equipe anexou ao seu patrimônio o Litoral Futebol Clube, clube de um projeto social idealizado por Pelé.

A Portuguesa Santista:

A Associação Atlética Portuguesa, mais conhecida como Portuguesa Santista, foi fundada, em Santos, em  20 de novembro de 1917. É conhecida também como “briosa” ou lusinha. Seu estádio, Ulrico Mursa, comporta 15 mil pessoas, foi o primeiro da América Latina a ter cobertura de concreto.

Foi campeã paulista da segunda divisão em 1964, participou cinco vezes da terceira divisão do Campeonato Brasileiro e esteve uma vez na Copa do Brasil, em 2004. Hoje, disputa a quarta divisão.

Os registros históricos contam que, em novembro de 1914, “canteiros” (profissionais que talham blocos de rocha bruta em formatos geométricos), que trabalhavam numa pedreira do bairro do Jabaquara observaram surpresos uma partida de futebol do Hespanha (atual Jabaquara). Encantados, os trabalhadores, todos portugueses, começaram a pensar na idéia de fundar um clube da colônia, assim como já haviam feito os espanhóis, italianos, ingleses e sírios da cidade.

A Portuguesa Santista foi a primeira equipe da cidade a revelar um jogador que serviu à Seleção Brasileira de Futebol, para a Copa do Mundo de 1938, na França. Foi Tim (Elba de Pádua Lima), atacante da Briosa, que passou a jogar em 1936 pelo Fluminense.

Pela areia da praia, que naturalmente se presta ao mais rústico futebol, onde um par de sandálias ou dois pedaços de pau são o gol, Santos é, em si, sinônimo de futebol, o mais puro, raso e despretensioso, da beira do mar, dos descampados, de várzea por assim dizer, das infindáveis divisões oficiais e do maior time do mundo. Santos  possui um cast que abrilhantaria o melhor espetáculo da terra, desde os maiores mágicos da bola, até os peladeiros no melhor espírito que isto quer dizer!

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25 setembro 2012 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

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24 setembro 2012 A PALAVRA DO EDITOR

BANÂNIA NO MUNDO TODINHO!

Antigamente havia um grupo de fubânicos, ufanistas e patriotas, que mandava regularmente pro JBF notícias que saiam na imprensa estrangeira sobre Banânia.

Tudo era motivo pra orgulho: concessão de título de Doutor Horse Causa pra Deus, o magnífico desempenho da economia nacional, a abolição da miséria por decreto, a fantástica e bilionária distribuição do Bolsa Esmola, etc. etc. etc.

E estes ufanistas baixavam sempre o cacete nos fubânicos pessimistas, de baixa autoestima e que torciam pras coisas não dar certo.

Todavia, de uns tempos pra cá, eles pararam de me enviar recortes e links de jornais da grande imprensa lá do exterior. Certamente por falta de tempo ou, melhor ainda, por excesso de notícias boas, tantas e tais que eles nem conseguem copiar e mandar pro JBF.

Francamente, eu sinto uma falta danada destas notícias. E, por sentir falta, eu mesmo cuidei de selecionar algumas matérias publicadas em terras estrangeiras, nos principais jornais e nas mais importantes páginas de todos os quadrantes do planeta. Tem em inglês, em francês, em chinês, em italiano, em javanês, em espanhol e tem até no caralho a quatro!

Eu fico num orgulho da porra quando vejo as manchetes se referindo ao “Corruption trial of the century” (Julgamento por corrupção do século).

Curtam e fiquem tão orgulhosos quanto eu, com a seleção que está postada a seguir:

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

PELICANO – BOM DIA SP

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A TOGA

Foto: Google.com

Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.

Pense numa correria
Em meio aos advogados
Ao quererem inocentados
Agentes da vilania
A nossa democracia
Mostrando pro cidadão
Que aquela facção
Teve quebrado o segredo
Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.
 
Ao acreditarem que
Jamais seriam punidos
Atos foram cometidos
Imitando os de PC
E o nome do PT
Aparece em gravação
Talvez a população
Não vá esquecer tão cedo
Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.
 
Torçamos pra que o Brasil
Saia deste mar de lama
E que perca a triste fama
De ser um grande covil.
Que o sonho juvenil,
Por ser tão jovem Nação,
Não pereça ante a ação
De quem merece o degredo.
Tem muita gente com medo
Da toga do Joaquinzão.

Porto Velho, 24/09/2012.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

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https://www.facebook.com/gustavo.arruda3/
TEORIA CONSPIRATÓRIA

Só acredito que o homem foi à Lua mesmo se a mulher dele disser que deixou…

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

CLAYTON – O POVO

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24 setembro 2012 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JÚLIO FERREIRA – RECIFE-PE

Essa nota de solidariedade assinada pelos presidentes dos diversos partidos da famigerada base aliada do Governo Dilma, é tão escandalosamente cínica quanto o principal argumento usado por Lulla, tentando “salvar a pele de Zé Sarney”, durante aquele sórdido episódio envolvendo parentes do senador, que “fingiam trabalhar” em seu gabinete, quando o aloprado apelou para a tese de que, pelos serviços anteriormente prestados ao Brasil, Sarney deveria ter um “tratamento legal diferenciado”, esquecendo-se do preceito constitucional de que TODOS são iguais perante a Lei.
 
Para que se veja a semelhança de raciocínio entre as duas falaciosas posturas de puro “marketing político”, registre-se que ao justificar à imprensa a nota de apoio a Lula, assinada pelos presidentes dos partidos da base aliada, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, foi “curto e grosso”: “Nós fomos solidários a um grande líder, um grande brasileiro, com enorme serviço prestado à redemocratização do país”.

Será que alguém pode avisar para essa rafaméia de puxa sacos de Lulla que essa “conversa mole” de ter prestado serviços ao Brasil, não pode ser justificativa para que o sujeito, enquanto presidente da República, “nade de braçadas” no mar da corrupção, dando-se ao desfrute de permitir que a compra de votos no Congresso, para aprovação de projetos de interesse do Governo, aconteça debaixo do seu nariz.

A verdade é que a “desmoralização pública” que Lulla está vivenciando, por conta do “Escândalo do Mensalão”, a está apenas no começo.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

PADRE SPONHOL – JBF

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

MARIANO – CHARGE ONLINE

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24 setembro 2012 DEU NO JORNAL

MIAU! MIAU! MIAU!

Ricardo Noblat

Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato. Mas está longe de ser um gato, segundo a malta dos que nada veem demais na escolha em tempo recorde do ministro Teori Zavascki para a vaga do ministro Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal (STF). E também na pressa com que estão sendo tomadas as providências para que ele assuma o cargo o mais rapidamente possível.

Porta-vozes formais e informais da presidente Dilma Rousseff juram por todos os santos que longe dela a vontade de interferir de alguma forma no julgamento do processo do mensalão. Pelo contrário. Ela quer distância do processo, de sua repercussão e das futuras consequências. Mensalão é herança pesada deixada pelo governo anterior. Dilma jamais dirá isso, é claro. Nem em sonho. Mas é assim que pensa. Logo…

Logo por que se envolveria com manobra esperta indicando um ministro para influir no resultado das votações do processo? Ou pior: para tentar adiar o julgamento como sempre foi desejo expresso de Lula, avalista e tutor político de Dilma? Não. Ela saltaria na jugular de quem lhe sugerisse tais coisas abjetas. Até mandou espalhar a história de que escolheu Teori sob a condição de ele não votar no julgamento do processo. Escolheu-o para não ser obrigada a engolir alguém que Lula lhe apontasse.

Mas a escolha foi relâmpago. (Miau!) Dois dias depois de anunciada, Teori começou a bater perna dentro do Senado atrás de votos. (Miau! Miau!) Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato a presidente do Senado, pediu para relatar a indicação de Teori. (Miau! Miau! Miau!) Esvaziado pela eleição, o Senado foi convocado para aprovar esta semana o nome do terceiro ministro que Dilma emplacará no STF. (Miau! Miau! Miau! Miau!)

Dilma levou seis meses para remeter ao Senado o nome do atual ministro Luiz Fux. No caso da ministra Rosa Weber, três meses. Gastou apenas 11 dias para remeter o de Teori.

Lula telefonou para ela antes de Peluso se aposentar. Quis saber em quem ela pensava para a nova vaga de ministro. Dilma respondeu que se o advogado Sigmaringa Seixas concordasse seria ele. Sigmaringa é amigo de copa e cozinha de Lula. Nunca topou ser ministro do STF. Nas duas vezes em que foi sondado ainda durante o governo Lula, alegou que lhe falta “notório saber jurídico” como exige a Constituição. Excesso de rigor! Tem ministro no STF que já foi reprovado duas vezes em concurso para juiz de primeira instância. Sigmaringa foi um dos fiadores junto à Dilma da indicação de Teori. Outro fiador: o ministro Gilmar Mendes.

Teori tem fama de homem sério. Por sério não se prestaria a ser peça de uma jogada política. Sua seriedade, porém, o impediria de retardar o exame do seu nome pelo Senado. Uma vez no STF deixaria de ser sério só por estar disposto a exercer de imediato a função de juiz? Absurdo! De resto, que juiz sério votaria sem antes estudar o que tivesse de votar? Para estudar, só pedindo vistas do processo. (Miau! Miau! Miau! Miau! Miau!)

Sentado numa daquelas cadeiras do plenário do STF, envergando a toga que parece conferir ao seu usuário a aura de homem sábio e correto, um ministro não deve satisfações a ninguém. Somente a Deus, se acreditar nele, e à sua consciência. Cada um à sua maneira, é assim que procedem, por exemplo, os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, as duas peças-chaves do processo do mensalão. Ambos ganharam assento no STF graças a Lula. Joaquim por ser negro e ter o melhor currículo entre os juristas negros disponíveis na ocasião. Lewandowski por ter um bom currículo e ser dileto amigo da família de dona Marisa, a ex-primeira dama.

Lula está furioso com a independência de Joaquim e satisfeito com o bom comportamento de Lewandowski, a quem visitou em casa antes do julgamento começar.

Não cobrem de Lula apego férreo ao princípio da separação dos poderes. Lula concorda com todos os princípios que balizam o sistema democrático desde que não lhe sejam adversos. Desde que possa ignorá-los sempre que lhe convier e sem prejuízo para sua imagem. O mensalão atingiu em cheio a soberania do Legislativo. Pagou-se caro por apoios ao governo. Lula foi contra o suborno de deputados? Disse que não sabia.

Marcos Valério acusou Lula de ter chefiado o esquema do mensalão. Em entrevista à Veja, deu a entender que Lula só não caiu porque ele, José Dirceu e Delúbio Soares jamais contaram o que sabem. Lula respondeu o quê? Nada. Acusação tão grave ficou sem resposta dele. O que Lula teme? Que Valério, uma vez confrontado por ele, faça novas revelações? E que elas acabem forçando a Justiça a processá-lo?

Acionados por Lula, o PT e partidos aliados acusaram setores conservadores da sociedade de pressionarem o STF para que faça do julgamento do mensalão um meio de “golpear a democracia”. Santo Deus! Sandices! Um monte de sandices que aos ignorantes impressiona e aos mais fracos assusta. Como se o STF fosse formado por um monte de tontos.

A presidente da República é Dilma. Que desfruta, hoje, do sólido apoio dos seus governados. Em que parte do mundo conhecido já se ouviu falar de ameaça de golpe contra ex-presidente? O PT denuncia a iminência de um golpe contra Lula! Ahahahahah!

O PT está no poder há 10 anos. Oito dos atuais 10 ministros do STF devem o emprego a Lula e à Dilma. E no entanto… Tem um golpe em marcha contra Lula! Ahahahahah!

À distância ouve-se o barulho das esteiras dos tanques nas estradas asfaltadas que convergem para São Bernardo, onde Lula mora.

No país da jabuticaba, golpe contra ex-presidente é coisa nossa, e somente nossa! Quanto a golpe a favor de ex-presidente… Miau!

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

PAIXÃO – GAZETA DO POVO

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24 setembro 2012 DEU NO JORNAL

LEWANDOWSKI ABSOLVE ESPANHOLA QUE RESTAUROU QUADRO DO CRISTO

The i-piauí Herald

O deputado Eduardo Azeredo anunciou hoje que Cecilia Giménez foi contratada para restaurar os profetas de Aleijadinho em Congonhas do Campo. A obra será custeada pelo Banco Rural

MUSEU DO PRADO – O ministro do STF Ricardo Lewandowski causou polêmica ontem ao votar pela absolvição da espanhola Cecilia Giménez, que desfigurou uma pintura de Cristo do século XIX depois de tentar restaurá-la sozinha. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, havia acusado Giménez de ser o elo transatlântico do mensalão. “Era tudo um esquema para transferir recursos de campanha não contabilizados para a Europa”, acusou Gurgel. “A aposentada embolsou o dinheiro das agências de Marcos Valério e decidiu fazer ela mesma a restauração.”

Lewandowski entendeu que não houve vínculo entre o saque de 500 mil euros que Giménez fez numa agência do Banco Rural em Madri e a decisão de restaurar sozinha o afresco que adornava uma igreja de Borja, na Espanha. “A decisão foi tomada de boa fé”, considerou o ministro do STF. “Não há ligação entre a vantagem indevida e o ato de ofício que se pretendia ver realizado ou até omitido”, prosseguiu. “Ademais, há de se reconhecer que a intervenção de Giménez não é de todo desprovida de mérito estético. Sabe que eu gostei daquela caretinha?”, disse, olhando risonho para Joaquim Barbosa.

A decisão de Lewandowski foi duramente criticada pela oposição. Não faltaram insinuações de que o ministro deixou interesses de ordem pessoal interferirem em seu juízo. “Todo mundo sabe que ele só votou pela absolvição porque Doña Giménez é parceira de tranca da Dona Marisa Letícia”, insinuou um deputado do DEM que preferiu não se identificar. “Ele devia ter se declarado impedido para julgar esse caso”.

Foram apontados também interesses políticos escusos na intervenção de Giménez. “O título do afresco – Ecce Homo (‘Eis o Homem’) – é uma alusão ao apelido que Obama deu ao Lula, numa clara propaganda antecipada para as eleições de 2014”, alfinetou o governador paulista Geraldo Alckmin. Reconhecendo a semelhança física entre o rosto de Lula e o do Cristo restaurado, o movimento Ficha Limpa anunciou que acionará a Justiça Eleitoral e pedirá à corte de Haia um recall dos ministros do STF.

O i-Herald apurou que marqueteiros do PSDB manobram para cooptar Cecilia Giménez. Querem trazê-la ao Brasil para restaurar o rosto de José Serra.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

LUTE – HOJE EM DIA

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www.cantinhodadalinha.blogspot.com
VENDO ESTRELAS

Eu já perdi o meu sono
Só pra sonhar acordada
Após dormir de conchinha
Após lasciva jornada
Nos braços que eu dormia
Sonhando estrelas eu via
No meio da madrugada.

A lua e seu voyeurismo
Atravessava a janela
Eu concretizando sonhos
Pouco ligava pra ela
Diante de tanto calor
Perdi de vez o pudor
Desabonei a cautela.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

MÁRIO – A TRIBUNA DE MINAS

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24 setembro 2012 A PALAVRA DO EDITOR

UMA NOTA PRO CURRAL DE ANTAS

Semana passada, em sessão do STF, o Ministro Joaquim Herói Brasileiro Barbosa, ao ler um trecho de sua sentença mostrando como o gunverno petralha comprava parlamentares pra votar a seu favor e de forma rápida, lembrou que a atual Presidenta Dilma, quando era ministra de Lula, e ao depor num processo judicial, se declarou “surpresa” com a agilidade de Suas Insolências pra aprovar  Medidas Provisórias que tratavam do setor elétrico.

Destrambelhada, coiceira, furiosa, intempestiva e sem uma assessoria competente pra lhe alertar sobre a merda que estava fazendo, Dilma resolveu divulgar uma nota se explicando sobre o que dissera o Ministro Joaquim.

A Presidenta começa confirmando que realmente se declarou “surpresa” com a rapidez dos parlamentares, e escreveu mais o seguinte:

“…surpresa, conforme afirmei no depoimento de 2009 e repito hoje, por termos conseguido uma rápida aprovação por parte de todas as forças políticas que compreenderam a gravidade do tema. Como disse no meu depoimento, em função do funcionamento equivocado do setor até então, ou se reformava ou o setor quebrava. E quando se está em situações limites como esta, as coisas ficam muito urgentes e claras”.

Traduzindo: não foi o dinheiro do Mensalão que fez os deputados, quer dizer, “as forças políticas“, se avexarem e votarem ligeirinho o que Lula queria.

Foi o patriotismo e o amor pelo Brasil que fizeram os nossos parlamentares compreender “a gravidade do tema” e a “urgência” que o assunto exigia.

Eu ri pra caralho com a leitura da nota e enviei uma mensagem ao Palácio do Planalto convidando a Presidenta pra ser comentarista do JBF. Ela faria uma parelha humorística arretada com Natan. Num sei não, mas eu tenho fundadas esperanças de que ela aceite o meu convite.

 

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E, pra fechar esta postagem, vamos botar Polodoro pra rinchar em homenagem ao curral que acredita piamente na sinceridade do que ela escreveu na sua nota hilária.

Rincha, Polodoro!

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“Essa minha Presidenta é uma pândega jumental!!!”

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

M. AURÉLIO – ZERO HORA

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VIVER COM PLENITUDE

No semestre passado, participei de um papo com o pessoal da ESAFAZ – Escola de Administração Fazendária, que comemorava o vigésimo aniversário de criação da instituição, uma parição do IAF – Instituto de Administração Fazendária, iniciativa pioneira do então governador Gustavo Krause. Uma solenidade recheada de muita energia, presentes quase todos os seus ex-diretores, além de um coral afiado que se agigantou diante de plateia entusiasta.
 
E principiei a fala dizendo que se encontra no cotidiano três tipos de pessoas: as que aceitam o mundo como o encontraram, a turma do “se Deus quiser” e do “Deus quis”, e os conscientes, que procuram perceber-se como uma metamorfose ambuante (Raul Seixas), ratificando o pensar do Lulu Santos (Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia) e Fernando Pessoa (Tudo vale a pena quando a alma não é pequena). E que os conscientes são possuidores de saúdes bem desenvolvidas: a emocional, sempre aprimorando a resiliência pessoal; a espiritual, conjugando missão de vida com muita paz interior; a física, manifestada através de repouso adequado, alimentação apropriada e comportamento preventivo; a financeira, gerenciando seu existir de forma sustentável; a intelectual, favorecendo sempre a expansão dos conhecimentos; e a profissional, desempenhada por uma convivialidade explicitada nos relacionamentos pessoais frutificantes.
 
Diante de uma pergunta inteligente – Como enfrentar com efetividade um caminhar profissional/pessoal consistente? – apontei as três áreas que rodeiam nossa caminhada: a zona do conforto, quando a acomodação e a falta de iniciativa acarretam a inexistência de novos aprendizados e debilidade da curiosidade; a zona de pânico, quando ocorrem mudança, uma porta que só pode ser aberta pelo lado de dentro; e a zona do desconforto voluntário, quando a curiosidade, aprendizagem e as iniciativas mobilizadoras acarretam ampliações da enxergância, emulando novas iniciativas e fazedo emergir novas curiosidades. 
 
No papo com o pessoal da ESAFAZ, citei uma opinião do Dr. Jair Candido de Melo, ex-reitor do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica: “Quando quiser avaliar uma organização, não se fixe tanto na imponência de seus prédios ou de suas máquinas, observe  as pessoas, veja se há brilho em seus olhos ou sorriso em seus lábios;converse com elas e sinta se há entusiasmo em suas falas. Encontrando isso, pode ter a certeza de que a organização está bem”. E pelos aplausos de contentamentos, logo percebi que aquela instituição se encontrava muito bem administrada, dada o grau de satisfação reinante. Aproveitei a oportunidade para enumerar os mais perniciosos complicadores do profissional contemporâneo: a ausência de uma fascinação pelo futuro, a ampliação de uma cultura de fingimento, as arrogâncias, arrotâncias e autoritarismos dos dirigentes jovens recém nomeados, e o azedume exalado quando dos diálogos com os funcionários subalternos. E que tais “virus” deveriam ser sempre combatidos através de consistentes princípios éticos, rejeição das imitações acríticas e trato das conflitividades sem medos, receios e traições, para isso sendo indispensáveis uma capacidade estratégica para edificaçãos dos cenários futuror, uma gerencialidade associativa, uma criatividade gestora nunca bur(r)ocratizante e uma continuada tesão existencial, sempre rejeitando as posturas que admitem apenas uma resposta, cultivando-se através dela o medo do erro e do fracasso.
 
Antes de concluir minha fala, atendendo uma curiosidade de um jovem executivo, revelei minhas atuais ojerizas: os fuxiquismos e babaovismos,  além dos vitimismos, coitadismos, dolorismos e babaquismos que prejudicam as trajetórias pessoais e profissionais. E aproveitei o momento para revelar minhas quatro maiores admirações, três já eternizadas e um ainda entre nós, vivendo com muita bravura.  Duas das eternizadas já eram do conhecimento de muitos dos presentes: Antônio Carolino Gonçalves, meu pai, e Hélder Câmara, o inesquecível arcebispo de Olinda e Recife. A terceira é Helen Keller, norteamericana, que nasceu cega, surda e muda, tornando-se, através da paciência inteligente de uma professora, uma das maiores palestrantes do seu país, defensora incansável dos direitos das mulheres. Sua é uma reflexão muito repetida até hoje: “A ciência pode ter encontrado a cura para a maioria dos males, no entanto ainda não encontrou o remédio para o pior de todos – a apatia dos seres humanos”.
 
A quarta admiração, ainda entre nós, chama-se Eliana Zagui, 38 anos de idade, 36 deitada num leito de UTI do Instituto de Ortopedia do HC de São Paulo, vítima de paralisia infantil aos dois anos de idade, perdendo os movimentos do pescoço para baixo. Respira por ajuda de aparelhos. Na cama, terminou o ensino médio, aprendeu inglês e italiano, fez curso de história da arte, tornou-se pintora e aprendeu a escrever com a boca. E que lançou, recentemente, o livro Pulmão de Aço – uma vida no maior hospital Do Brasil, editora Belaletra, 2012. E que declarou, na FSP, em abril passado:  “Espero que o livro ajude aqueles que não querem nada com a vida. É sempre bom poder aprender a tirar o que vale a pena da vida”.
 
E a minha parte foi concluída, utilizando versos do padre Daniel Lima, eternizado em abril passado. Um gênio que jamais desejou os palcos, permanecendo sempre convivendo com seus acanhamentos existenciais: “Antes, vivia na certeza, / como uma águia aprisionada na gaiola./ A dúvida me libertou / deixando-me voar no espaço livre, / não mais certo de nada / senão da importância do voo.”

PS. Para Eliana Trigueiro, amiga querida da ESAFAZ, inteligência privilegiada.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

PADRE SPONHOLZ – JBF

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

ZOPE – CHARGE ONLINE

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24 setembro 2012 DEU NO JORNAL

SORRIA, AQUI É TUDO ALEGRIA

Carlos Brickmann

 

No Brasil imaginário, só é pobre quem quer

Se o caro leitor não puder almoçar seu arroz com feijão, salada, bife e sobremesa, resolva o problema com uma folha de alface, duas ervilhas e um grão de milho. Pode não ser satisfatório, mas o caro leitor não deixou de almoçar.

Se o caro leitor ganha muito pouco e está abaixo da linha da pobreza, resolva o problema com as estatísticas do governo federal: de acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidente Dilma Rousseff, quem ganha mais de 291 reais por mês integra a classe média.

Assim foi possível fazer com que 35 milhões de brasileiros se alçassem à classe média nos dez anos de governo petista.

É simples assim: uma pessoa não precisa ganhar mais de dez reais por dia para entrar na classe média. Um casal que ganhe, em conjunto, 582 reais por mês será também de classe média.

Pronto: no Brasil, só é pobre quem quer.

Mas há limites para ser de classe média. Quem ganhar a partir de 1.019,10 reais por mês será de classe alta. A história de achar que classe alta é coisa para Eike Batista está errada: neste país em que se plantando tudo dá (especialmente notícias), até professor, mesmo ganhando o que ganha, pertence à classe alta.

O pessoal que tem recursos para comprar deputado mensaleiro, dar carona de jatinho a quem toma decisões sobre concorrências, fotografar a esposa usando sapatos de sola vermelha, esse nem chega a ter classificação.

Político corrupto, dos que trocam apoios por Ministérios, está tão alto que a verdade se restabelece sozinha: este não tem classe, nem categoria.

A classe média (de verdade) paga a conta.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

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24 setembro 2012 XICO COM X, BIZERRA COM I


http://www.forroboxote.com.br/
HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 70

Frevo de Bloco composto a pedido de meus amigos Edson Bezerra e Renato Phaelante para integrar o CD comemorativo aos 10 anos do Bloco Turma da Jaqueira, da Fundação Joaquim Nabuco. O tema proposto era Gilberto Freyre. A interpretação, impecável, a cargo de Irah Caldeira.

GILBERTIANA
Xico Bizerra

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no carnaval apipucos se embandeira
e a turma da jaqueira faz valer seu ideal
não importa se chuva ou sol a pino
homem, mulher, menino além do bem e do mal
a alegria se derrama em casa forte
dando suporte à nossa troça que já vai passar
e nesse passo frevado, cadenciado
o povo do nosso lado sorrindo a desfilar

joguei minha tristeza na senzala
e a minha fala só falava coisa à toa
sobrados e mocambos de alegria
eu não sabia que a vida era tão boa
ainda me lembro da alegria de gilberto
sorriso aberto vendo a nossa troça passar
são casas-grandes de tanta felicidade
se espalhando na cidade enfeitando o meu lugar

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

AMORIM – CHARGE ONLINE

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A ESCRAVIDÃO NO BRASIL HOLANDÊS

Dança de negros

Foi a produção açucareira de 149 engenhos, que em 1641 atingiu a elevada cifra de 447.562 arrobas, a base do sistema econômico holandês e o senhor-de-engenho o seu elemento mais importante – “o elemento burguês que se aglomerava no Recife e Maurícia vivia do comércio do açúcar ou dele dependia para sua subsistência, direta ou indiretamente”, como bem demonstra o autor de Tempo dos Flamengos.

Já em 1609, em carta dirigida ao rei de Espanha por Diogo de Menezes, se ressaltava: “As verdadeiras minas do Brasil são o açúcar e o pau-brasil, de que Vossa Majestade tem tanto proveito, sem lhe custar de sua fazenda um só vintém”.

Em 1645, quando da Insurreição Pernambucana, proclamada a 13 de junho, foi à palavra açúcar a senha usada pelos insurretos quando deflagraram a guerra de libertação do domínio holandês a partir dos engenhos da Várzea do Capibaribe.

Era o engenho de açúcar, na descrição do oficial inglês Cuthbert Pudsey, que entre 1629 e 1640 serviu como mercenário da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil, uma comunidade autônoma na qual se encontrava o necessário à vida com pouca dependência do mundo exterior:

“Ali havia fundidores para preparar tachos, pedreiros para construir fornalhas, carpinas para fazer caixas, enquanto outros ocupavam-se de levantar capelas, pois cada engenho tem a sua, e ainda padre, barbeiro, ferreiro, sapateiro, carpinteiro, oleiro, alfaiate e outros artífices necessários”.

Na sociedade de então, era o senhor-de-engenho a figura de maior destaque, verdadeiro senhor feudal transplantado da Europa e adaptado às condições dos trópicos, onde integrava a chamada nobreza da terra. Eram os da sua classe possuidores de privilégios, concedidos pelos reis de Portugal e Espanha, com tratamento especial dentro das Ordenações do Reino, como demonstra a carta da Câmara de Olinda dirigida ao conde João Maurício de Nassau em 1637.

Era o engenho uma espécie de povoação rural, a exemplo da usina de açúcar dos dias atuais, que congregava não somente escravos, mas artesãos dos mais diversos misteres, lavradores de canas vizinhos, moradores livres, agregados da casa-grande, padres e familiares do senhor-de-engenho, que vieram a tornar-se, no dizer de Stuart Schwartz, “espelhos e metáfora da sociedade brasileira”.

Dois negros de Rembrandt

Assinala Antonil (1711) servirem ao senhor-de-engenho, “além dos escravos de enxada e foice que tem nas fazendas e na moenda, e fora os mulatos e mulatas, negros e negras de casa ou ocupados em outras partes, barqueiros, canoeiros, calafates, carapinhas, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores e pescadores. Tem mais cada senhor destes necessariamente um mestre-de-açúcar, um banqueiro e um contra-banqueiro, um purgador, um caixeiro no engenho e outro na cidade, feitores nos partidos e roças, um feitor mor de engenho, para espiritual um sacerdote seu capelão, e cada qual destes oficiais tem soldada”.(¹)

O que representava um total de 150 a 200 escravos.

Ainda a mesma fonte observa serem os escravos conhecidos pelo nome de suas tribos ou dos portos de origem na costa da África:

Ardas, Minas, Congos, de São Tomé, de Angola, de Cabo Verde, e alguns de Moçambique, que vêm nas naus da Índia. Os Ardas e os Minas são robustos. Os de Cabo Verde e de São Tomé são mais fracos. Os de Angola, criados em Luanda, são mais capazes de aprender ofícios mecânicos que os das outras partes já nomeadas. Entre os Congos há também alguns bastantemente industriosos e bons, não somente pare o serviço da cana, mas para as oficinas e pare o meneio da Casa. Os mulatos são “soberbos e viciosos”, metidos a valentes. Levam no Brasil sorte melhor que os negros, a parte de sangue branco atenua a ira dos senhores, talvez até seus filhos.

Daí se dizer na época que era o Brasil o “Inferno dos negros, Purgatório dos brancos, e Paraíso dos mulatos e mulatas”.

Comenta com muita propriedade o historiador Alberto Vieira que “a cana de açúcar é de todas as plantas domesticadas pelo Homem a que mais implicações tiveram na História da Humanidade. […] A chegada ao Atlântico, no século XV provocou o maior fenômeno migratório que foi a escravatura de milhões de africanos e teve repercussões evidentes na cultura literária, musical e lúdica”.(²)

Servo da comitiva de D. Miguel de Castro, com cesto decorado

A escravatura tem suas origens com a própria humanidade: desde os tempos bíblicos, descritos no livro do Gênesis, os vencidos eram tornados à condição de escravos, em troca de suas vidas. A escravidão era dessa forma, vista como um gesto “humanitário”, chegando a fazer parte de todos os grandes códigos da antiguidade, como o de Hamurabi, com especial enfoque no Direito Romano e nas Ordenações do Reino, que serviram de norma escrita ao mundo português até o século XIX.

No mundo português ela surge a partir de 1441, depois que Antão Gonçalves e Nunes Tristão capturaram os azenegues do Rio do Ouro, a serviço do Infante D. Henrique de Portugal. A partir de então, as expedições portuguesas e espanholas transformaram-se em verdadeiras empresas, com objetivo de incrementar o comércio escravo, fixando na Costa da África várias feitorias, especialmente na região do Cabo Branco, estabelecendo-se posteriormente na ilha de Arguim (1448) e no Senegal (1460), com a finalidade de adquirir prisioneiros de tribos africanas, para transformá-los em escravos.

Na estimativa de Vitorino Magalhães Godinho,(³) citado por José Ramos Tinhorão, foram importados como escravos berberes, árabes e negros africanos, entre 1448 e 1505, de 136.000 a 151.000 indivíduos.(4)

Em Portugal, foram os escravos, inicialmente, destinados aos serviços domésticos e logo em seguida passaram a ser usados na florescente lavoura da cana-de-açúcar nas ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde.

Na América, a escravidão foi introduzida pelos espanhóis com os descobrimentos, havendo indícios de que nas naus comandadas por Cristóvão Colombo, em 1492, já houvesse escravo;(5) com regularidade, porém, a importação de negros só foi introduzida pelos espanhóis, a partir de 1501, em São Domingos. No Brasil, se comprova a existência de escravos a partir de 1531, na Capitania de São Vicente.

Em Pernambuco, em carta escrita em 1539, dirigida ao rei D. João III, o donatário Duarte Coelho Pereira solicita autorização para a importação direta da costa da Guiné de 24 negros, a cada ano, quantidade que seria aumentada por D. Catarina, em 1559, para 120, mediante o pagamento de uma taxa reduzida, nada impedindo que outros negros aqui chegassem por outros caminhos. No testemunho dos jesuítas Antônio Pires (carta de 4 de junho de 1552) e José Anchieta (1548), era comum a existência de escravos negros e índios em Pernambuco; a escravidão dos índios durou até o século XVII, quando foi extinta pela Bula do Papa Urbano VIII, de 22 de abril de 1639.

Toda a economia açucareira veio a ser sustentada por braços cativos, introduzidos pelo colonizador com o beneplácito dos Reis de Castela e da Igreja Católica. Os escravos eram todos vistos como mouros e, como tais “infiéis”, para os quais o Papa Eugênio IV autorizou o “direito” de cativar. Justificava a Igreja de então, através de seus teólogos, que sobre os africanos de todas as raças recaía o preceito bíblico que, descendendo de Cã, estariam condenados à escravidão; como acentua o padre Manuel da Nóbrega: Nasceram com este destino “que lhes veio por maldição de seus avós, porque estes cremos serem descendentes de Cã, filho de Noé, que descobriu as vergonhas de seu pai bêbado, e em maldição e por isso ficaram nus e têm outras mais misérias”.(6)

Em 1570, calculava-se que viviam no Brasil entre 2000 e 3000 negros trabalhando na lavoura da cana-de-açúcar. O número de escravos cresceu assustadoramente, quando, segundo alguns autores, se constata no final do século XVI a importação de 30.000 negros da Guiné para servirem nas lavouras da Bahia e Pernambuco. No apogeu da produção do açúcar, no século XVII, foram importados cerca de 500.000 negros, em sua maior parte antes de 1640.

A escravidão do negro, na observação de Pedro Calmon, era só questão de começo:

Tudo era começar. Engenhos e tráfico. Canaviais e fabrico. Casas-grandes e escravidão. A partir dessa época [séc. XVI], muitos amadores se especializaram no negócio, as águas da Guiné e Angola se encheram de barcos tumbeiros e o Brasil teve os escravos que quis. Inundação deles. Grossa e ininterrupta imigração de pau e corda. Milhares ao ano, e em número crescente. Negros adultos e crianças; mulheres, para produzir, e homens invalidados cedo pelas atrozes moléstias do seu e do nosso clima. A nódoa que se alastrava. Horror da navegação negreira. Crime organizado, pela forma da pilhagem. Desumanidade inaudita, pela torpeza da viagem. Deslocamento metódico de populações. A passagem, para a América, das sobras da África apanhadas um tanto ao acaso, desde o Senegal até Moçambique, para o lucro do vendedor, príncipe da costa, empresa de portugueses, ou as próprias famílias dos escravos, para a fortuna do traficante, que espantosamente ganhava para a lavra e a conquista do Brasil. 

Era tanta a importância do trabalho escravo que o padre Antônio Vieira, em carta dirigida ao Marquês de Niza, datada de 12 de agosto de 1648, chega a afirmar:

Sem negros não há Pernambuco!

_________________

1) ANTONIL; op. cit. P. 71

2) VIEIRA, Alberto. “A Madeira, a expansão e história da tecnologia do açúcar”, in História e tecnologia do açúcar. Região

Autônoma da Madeira: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000. p. 7.

3) GODINHO, Vitorino de Magalhães. Os descobrimentos e a economia mundial v. IV. Lisboa, 1981-83.
 
4) TINHORÃO, José Ramos. Os negros em Portugal – Uma presença silenciosa. Lisboa: Ed. Caminho, 1988. p. 79-80.
 
5) Cristóbal Colón: Los cuatro viajes. Testamento. Madri: Ed. de Consuelo Varela, Alianza Editorial, 1986. p. 12.

6) NÓBREGA, Manuel da. Diário sobre a conversão do gentio, ed. do padre Serafim Leite, Lisboa 1954.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

BRUM – TRIBUNA DO NORTE

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24 setembro 2012 COMENTÁRIOS SELECIONADOS

OS ABSOLVIDOS IRÃO RECLAMAR???

Comentário sobre a postagem CONTROLE BUFETAL DA MÍDIA

Marcos Mairton:

“É lamentável ver Quixadá se tornar noticia dessa forma.

Fico na expectativa que o Ministério Publico e a Justiça Eleitoral adotem providências para punir esse tipo de coisa e evitar que volte a acontecer.

Não posso encerrar este comentário sem dizer que sou totalmente a favor da publicidade dos julgamentos de qualquer tribunal, inclusive o STF, salvo, obviamente, casos que envolvam a vida intima das partes, como questões de família, por exemplo.

Na jurisdição criminal, o segredo de justiça em um caso de estupro é cabível, em respeito à vitima.
 
A propósito, tem havido absolvições no caso do Mensalão. Será que os absolvidos tem algo a reclamar da publicidade do julgamento?”

Luiz Gushiken, filiado ao PT desde a criação do partido e ex-Ministro da Comunicação no governo Lula: “Nada tenho a reclamar da minha absolvição pelo STF no processo do Mensalão; que isto seja divulgado ao vivo e a cores, por todos os canais de televisão destepaiz”

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

LUTE – HOJE EM DIA

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24 setembro 2012 A PALAVRA DO EDITOR

UMA NOTÍCIA ARRETADA!

A semana começa com uma excelente notícia, vinda aqui da terrinha pernambucana.

O candidato petralha, Humberto Pato Rouco Costa, que Deus empurrou goela abaixo do PT pra ser prefeito do Recife, despencou ruidosamente na preferência do eleitorado da cidade.

O candidato apresentado pelo gunvernador Eduardo Campos, um poste que atende pelo nome de Geraldo Júlio, tá lá em cima. O gunvernador bancou a candidatura de Geraldo pra bater de frente com o candidato de Deus.

Vejam que beleza os números da pesquisa divulgada ontem, domingo:

Geraldo Julio (PSB) – 39%
Daniel Coelho (PSDB) – 24%
Humberto Costa (PT) – 16%
Mendonça (DEM) – 4%

Agora, pra ter uma idéia do desastre petralha, comparem os resultados aí de cima com os números de uma pesquisa feita no mês de julho passado:

Humberto Costa – 40%
Mendonça – 20%
Daniel Coelho – 9%
Geraldo Julio – 5%

Isto merece uma comemoração! Até um tucano passou na frente do palmípede vermêio.

Lá em São Paulo, o quadro também está ótimo: o petralha Haddad, outro tabacudo que foi imposto por Deus, não vai nem pra segundo turno!

Ver petralha despencar e o prestígio de Deus cair, faz um bem arretado pra banda decente da nação.

Aliás, já que estamos falando de eleições, quero aproveitar a oportunidade pra sugerir que os eleitores reflitam bastante antes de escolher seus candidatos.

E, para fazer esta reflexão, aconselho que levem em conta a opinião de um cabra que entende muito do assunto.

Vejam que opiniões sensatas:

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

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24 setembro 2012 DEU NO JORNAL

PARALIMPÍADAS É A MÃE

João Ubaldo Ribeiro

Certamente eu descobriria no Google, mas me deu preguiça de pesquisar e, além disso, não tem importância saber quem inventou essa palavra grotesca, que agora a gente ouve nos noticiários de televisão e lê nos jornais. O surpreendente não é a invenção, pois sempre houve besteiras desse tipo, bastando lembrar os que se empenharam em não jogarmos futebol, mas ludopédio ou podobálio. O impressionante é a quase universalidade da adoção dessa palavra (ainda não vi se ela colou em Portugal, mas tenho dúvidas; os portugueses são bem mais ciosos de nossa língua do que nós), cujo uso parece ter sido objeto de um decreto imperial e faz pensar em por que não classificamos isso imediatamente como uma aberração deseducadora, desnecessária e inaceitável, além de subserviente a ditames saídos não se sabe de que cabeça desmiolada ou que interesse obscuro. Imagino que temos autonomia para isso e, se não temos, deveríamos ter, pois jornal, telejornal e radiojornal implicam deveres sérios em relação à língua. Sua escrita e sua fala são imitadas e tidas como padrão e essa responsabilidade não pode ser encarada de forma leviana.

Que cretinice é essa? Que quer dizer essa palavra, cuja formação não tem nada a ver com nossa língua? Faz muitos e muitos anos, o então ministro do Trabalho, Antônio Magri, usou a palavra “imexível” e foi gozado a torto e a direito, até porque ele não era bem um intelectual e era visto como um alvo fácil. Mas, no neologismo que talvez tenha criado, aplicou perfeitamente as regras de derivação da língua e o vocábulo resultante não está nada “errado”, tanto assim que hoje é encontrado em dicionários e tem uso corrente. Já o vi empregado muitas vezes, sem alusão ao ex-ministro. Infutucável, inesculhambável e impaquerável, por exemplo, são palavras que não se acham no dicionário, mas qualquer falante da língua as entende, pois estão dentro do espírito da língua, exprimem bem o que se pretende com seu uso e constituem derivações perfeitamente legítimas.

Por que será que aceitamos sem discutir uma excrescência como “paralimpíada”? Já li alguns protestos na imprensa e na internet, mas a experiência insinua que paralimpíada chegou para ficar e ter seu uso praticamente imposto. Ao contrário dos portugueses, parecemos encarar nossa língua com desprezo e nem sequer pensamos em como, ao abastardá-la e ao subordiná-la a padrões e usos estranhos a ela, vamos aos poucos abdicando até de nossa maneira de ver o mundo e falar dele, nossa maneira de existir. Talvez isso, no pensar de alguns, seja desejável, mas o problema é que, por esse caminho, nunca se chegará à identificação com o colonizador que tanto se admira e inveja, mas, sim, à condição cada vez mais arraigada de colonizado, que recebe tudo de segunda mão, até suas próprias opiniões e valores.

Mas há um pequeno consolo em presenciar esse tipo de vergonheira servil. Consolo meio torto, mas consolo. Refiro-me ao fato de que nossa crescente ignorância não se limita a estropiar nossa língua, mas faz o mesmo com idiomas que consideramos superiores em tudo, como o inglês. Hoje isto caiu em desuso, mas smoking já foi aqui “smocking” durante muito tempo. Assim como doping já foi “dopping”. Quanto a este, assinale-se que o som, digamos fechado, do O, em inglês, foi trocado aqui por um som aberto, é o dópin. O mesmo tipo de fenômeno ocorreu com volley, cuja primeira vogal em inglês é aberta, mas em brasinglês é fechada e já entrou no português assim.

No setor de nomes próprios, a vingança é mais completa. Em primeiro lugar, transformamos os sobrenomes deles em prenomes nossos e enchemos o País de jeffersons, washingtons, edisons (aliás, em brasinglês, Edson, como Pelé), lincolns, roosevelts e até mesmo kennedys e nixons. E não perdoamos os contemporâneos. Não só trocamos o H por E em Elizabeth, como até hoje há publicações que se referem a Margareth Thatcher, ou à princesa Margareth. Esse nome nunca teve H no fim, mas aqui é assim não só em muitos jornais quanto no caso de nossas meninas, como atesta o exemplo da minha linda e talentosa conterrânea Margareth Menezes. E das Nathalies que assim foram batizadas em homenagem a Natalie Wood. E dos Phellipes, inspirados no príncipe Philip, das Daianes da Diane, a lista não acaba.

De maneira semelhante, também alteramos não somente a pronúncia, mas as regras gramaticais do inglês. Por exemplo, é quase unânime, entre todos os numerosos militantes do brasinglês, a convicção de que qualquer plural inglês terminado em S deve ter essa letra precedida de um asterisco. Acho que é barbada apostar que, em todas as cidades brasileiras de médias para cima, serão encontrados pelo menos uma placa e cinco cardápios anunciando “Drink’s”. É mais chique e até o Galeão, não há muito tempo, tinha armários (lockers) de aluguel, encimados pelo letreiro “Locker’s”, o que fazia os falantes de inglês entender que os armários eram propriedade de um certo Mr. Locker. No Galeão, aliás, gate (portão) já soou como gay tea (chá gay) e shuttle service (ponte aérea) como chateau service (o que lá seja isso). Agora mudou, mas to (para) deu para sair um prolongado tchuu, que, a um ouvido americano, há de soar como uma onomatopeia de espirro ou partida de maria-fumaça.

Mas, até mesmo por causa (“por causa”, não, por conta; agora só se diz “por conta”, vai ver que vem do inglês on account of) dessas paralimpíadas, receio que as contraofensivas nacionais não serão suficientes para neutralizar a subordinação de nossa cabeça, através do incalculável poder da língua. Acho que, coletivamente, aspiramos a essa subordinação. Tem sido muito lembrado o complexo de vira-lata de que falou Nélson Rodrigues. Pois é, é isso mesmo e é também caminho seguro para sermos vira-latas de verdade.

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24 setembro 2012 FULEIRAGEM

PADRE SPONHOLZ – JBF

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PALHAÇO PIRULITO EM APUROS! VAMOS SOCORRÊ-LO?

A tristeza da alegria

A imagem acima é simbólica. Com nosso astro sozinho numa arquibancada vazia, traduz a melancolia que dele se apossou ao ver a Sociedade Esportiva do Gama, time brasiliense de seu coração, ser eliminada da Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, esquadrão que, há bem pouco tempo pertencera à elite do Futebol Nacional.

À paisana e caracterizado: com o Gama no coração

José dos Santos Cavalcanti – seu nome de batismo – nasceu em São Rafael (RN), no dia 31 de março de 1966. Em 1984, mudou-se para Brasília, buscando profissionalizar-se como ator de novelas. Aqui, enquanto aguardava a almejada chance, começou a apresentar-se em escolas, feiras, parques, clubes e praças públicas. Residindo no Setor Leste do Gama, sua estreia caracterizado como Palhaço Pirulito aconteceu no Colégio JK daquela cidade-satélite, onde até hoje mora.

Desde então, vendendo algodão-doce, pipoca, picolé e estalinho, cantando e divertindo crianças e adultos, o Palhaço Pirulito se fez onipresente em todas as manifestações populares levadas a efeito no Distrito Federal. Onde quer que acontecesse uma inauguração, uma passeata, um lançamento, um comício, uma carreata, um bloco de sujos, podia-se contar como certa a presença do Pirulito. E, infalivelmente, em todos os jogos do Gama.

No Estádio Serejão: fidelidade ao Periquito de Brasília

Na Banda da Capital Federal, da qual sou Mestre, e na Banda do Pacotão, da qual sou trombonista, sempre contei com a animação desse grande artista candango. Onde quer que estivesse a alegria, ali também estava o Palhaço Pirulito. Se a TV perdeu um excelente ator, o Distrito Federal ganhou em dobro o entretenimento e satisfação que ele nos tem proporcionado.

Há 28 anos, o Palhaço Pirulito dava início a sua carreira histriônica em Brasília; há 28 anos, minhas duas filhas, hoje formadas, ensaiavam os primeiros passos na vida. O que significa que o Pirulito faz parte dessa história, pois ambas sempre foram ávidas apreciadoras de seus produtos, de suas brincadeiras e de suas presepadas.

Em 2009, comemorando o 49º Aniversário do Gama

A ubiquidade do Palhaço Pirulito fez dele, no decorrer desses 28 anos, o palhaço em atividade mais conhecido no País, devido às imagens publicadas em toda a mídia, com sua participação nos principais fatos que fizeram a recente Historia do Brasil. Eleição de Tancredo, Pirulito tava lá; posse de Sarney Pirulito tava lá; posse de Collor, Pirulito tava lá; caras-pintadas, Pirulito tava lá; impeachment de Collor, Pirulito tava lá; posse de Itamar, Pirulito tava lá; lançamento do Plano Real; Pirulito tava lá; posses de Fernando Henrique, Pirulito tava lá; posses de Lula, Pirulito tava lá; posse de Dilma, Pirulito tava lá. Isso sem falar em eventos menores, como o Lançamento do Polo de Cinema de Brasília e inaugurações diversas, sempre com suas guloseimas e suas palhaçadas.

Sem jamais envolver-se com a política, viu-se sempre envolvido pelos políticos, com abraços e tapinhas nas costas, eles querendo aparecer bem na foto. Como foi o caso do ainda candidato Agnelo, atual Governador do Distrito Federal, quando, em campanha, visitou o Shopping do Gama.

No dia 9 deste mês, aconteceu uma tragédia na vida desse artista que só alegria e satisfação proporcionou a todos nós. Às 11h30, voltava de uma apresentação em Santa Maria quando, na entrada do Gama, os balões transportados dentro da Kombi em que viajava começaram ao pegar fogo. Para salvar a vida, Pirulito jogou-se no asfalto, com o veículo em movimento, porém as chamas já o haviam atingido nos braços e na cabeça, queimando-o em 30% do corpo.

Levado para o Hospital do Gama e, posteriormente para o da Asa Norte, HRAN, referência no tratamento de queimaduras, recebeu os procedimentos adequados, voltando para casa com os braços e a cabeça enfaixados, tendo livres apenas a boca e o nariz, que ele faz questão de manter com sua pintura característica, sempre que recebe visitas.

Momento de dor na vida do Palhaço Pirulito

Além do sofrimento físico, outro de igual intensidade: Pirulito deverá ficar em inatividade durante 45 dias, impedido, assim, de prover os meios da própria subsistência, bem como de ganhar seu honesto dinheirinho para a compara de remédios e pagamento de luz, água e aluguel do barraco onde reside.

Ao tomar conhecimento, pela leitura do Correio Braziliense, desse doloroso ocorrido e dessas angustiosas circunstâncias, tentei, visando a contribuir com pequeno adjutório, entrar em contado com o Pirulito, valendo-me dos números de telefones indicados pelo jornal: (61) 9903-2053, do Pirulito, e (61) 9135-4917, de seu ajudante Deymes, seu colega e amigo, vendedor de laranjinha, que dele esta cuidando.

E fiquei sabendo muito mais desse bravo nordestino. É solteiro e vive sozinho. Seu barraco é mobiliado apenas com uma mesa, uma cama e um colchão. Ali, não existe televisão, geladeira nem fogão. Para alimentar-se, Pirulito come nos botecos e quiosques das quebradas.

Ciente desses detalhes constrangedores, fiquei intrigado, curioso por saber como ele fabricava os produtos que vendia para a criançada. Indiscreto, fiz-lhe a indagação. E aí, a dura realidade. A mercadoria não lhe pertence. Pirulito é, infelizmente, um subempregado, sem carteira assinada, sem qualquer direito social, sem plano de saúde.

É desesperador o momento que ora vive esse trabalhador brasileiro. Perguntei-lhe como poderia proceder para concorrer com minha pequena ajuda, e ele me indicou e primeira solução: – Traga aqui! Diante da argumentação de que o Setor Leste do Gama fica muito distante de onde moro, Pirulito me propôs a opção satisfatória: depositar no nome de seu amigo Deymes, que tem conta na Caixa Econômica Federal.

Sei que existem outras pessoas bem intencionadas querendo ajudar o Palhaço Pirulito. Uma delas até postou anúncio na Internet, conforme adiante se vê:

Mas, pelo senti, nos contatos telefônicos que mantive com o Pirulito e com o Deymes, pouco ou nada palpável, em espécie, chegou a se concretizar. Também, pudera! Sem conta bancária, o que se esperar?

Por livre e espontânea vontade, atendendo a impulso pessoal, é que estou tentando fazer minha pequena parte em benefício desse artista num momento deveras aflitivo. Por isso, solicito o engajamento nessa campanha de todos vocês, meus amigos, tanto os leitores fubânicos, quanto os que compõem meu círculo de amizade no Orkut e no Facebook, enfim, os que recebem esta matéria semanalmente, no sentido de que contribuam com pequena parcela, 10 reais que seja, depositando-a na Casa Lotérica mais à mão. Sempre se lembrando de que o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. E, para esse homem simples, qualquer coisa é tudo. Aí vão os dados bancários do Deymes, amigo fiel e cuidador do Palhaço Pirulito:

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agência: 0655
Conta: 00022106-6
Operação: 001
Titular: DEYMES SILVA ANTUNES

Tentando alegrar esta lamentosa página, aqui vai a marchinha O Palhaço o Que É? de Paulo Barbosa e Alcebíades Barcelos, gravação de Carlos Galhardo para o Carnaval de 1937.

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23 setembro 2012 FULEIRAGEM

RICO – VALEPARAIBANO

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23 setembro 2012 DEU NO JORNAL

NUCLEAR EM DESUSO

Heitor Scalambrini Costa

Setembro de 2012 ficará marcado na história pelos anúncios feitos pelos governos japonês e francês, a respeito da decisão de se afastarem da energia nuclear, responsável pelos piores pesadelos da humanidade. Esta tomada de posição tem um significado especial, visto que estes países, até então defensores desta fonte energética, têm em suas matrizes a maior participação mundial da nucleoeletricidade. Depois da histórica decisão do governo alemão em abandonar em definitivo a energia nuclear, agora são os governos do Japão e da França que vão rever os planos relativos ao uso do nuclear.

O Japão anunciou que irá abrir mão da energia nuclear ao longo das próximas três décadas. Esta decisão, tomada após um encontro ministerial (14/09), indica o abandono de tal fonte energética na “década de 2030″. Esta posição governamental foi tomada após o desastre de Fukushima que abalou a confiança da população na segurança dos reatores nucleares. O plano japonês apresentado é semelhante ao da Alemanha, primeira nação industrializada que comprometeu desligar todos os seus 17 reatores até 2022. Sem dúvida para o Japão, a tarefa é complexa visto que 1/3 da eletricidade gerada no país é proveniente dos 50 reatores instalados em seu território.

Ainda sobre a decisão do governo japonês existem criticas por não ter sido especificado, quando exatamente a meta seria alcançada, já que a decisão agora tomada não seria obrigatória para governos futuros. O que significa em principio, que uma nova administração poderia reverter os planos. Todavia, analistas afirmam que dificilmente esta mudança de rumo ocorreria pelo alto engajamento e conscientização dos japonese(a)s, demonstrada em recente pesquisa de opinião, onde mais da metade da população se diz favorável ao fim do uso do nuclear no país. Também houve criticas sobre o porque deste calendário ser tão dilatado, já que o país chegou a desligar 48 dos reatores depois do desastre de Fukushima, e poderia, com o aumento da participação das fontes renováveis e com um ambicioso programa de eficientização energética, atingir a meta num prazo menor. Todavia, mesmo com estas ressalvas, a decisão anunciada aponta para um novo rumo na questão energética japonesa e mundial.

Já na França, em recente conferencia realizada (14 e 15/9) sobre questões ambientais, em Paris, o presidente, François Hollande, cumprindo promessa de campanha, declarou que está engajado na transição energética, baseada em dois princípios: eficiência e fontes renováveis; e que planeja reduzir a dependência do país da energia nuclear, hoje correspondendo a 75% da matriz energética, para 50% até 2025.

Sem ter metas conclusivas para o abandono definitivo da energia nuclear no seu território, sem duvida a decisão do governo francês é histórica e extremamente positiva, visto que até então, discutir a questão nuclear na França era tabu. Para aqueles defensores desta tecnologia que sempre mencionavam o estado francês como referencia de uma experiência exitosa na área nuclear, fica ai uma derrota de grandes proporções. Sem dúvida, a França rever sua posição, mesmo diante das dificuldades, da complexidade do problema e das contradições existentes, é indispensável para um mundo de amanhã sem nuclear.

Somados a Áustria, Bélgica, Suíça, Itália (decisão plebiscitaria, onde mais de 90% da população votou contrário à instalação de novos reatores nucleares em seu território) que reviram os planos de instalação de novas usinas, e decidiram se distanciar da energia nuclear; agora a Alemanha, o Japão e a França tomaram decisões semelhantes.

Diante deste contexto internacional fica aqui uma pergunta que não quer calar: porque então o governo brasileiro insiste em planejar a construção de usinas nucleares? Com a palavra as “autoridades energéticas”.

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