3 agosto 2014 DEU NO JORNAL

XÔ!

Mary Zaidan

Dilma Rousseff acertou no diagnóstico: o pessimismo está no ar.

Também pudera. Só hienas, acostumadas a rir de sua própria desgraça, alimentariam sentimento distinto diante da inflação alta que esburaca o bolso principalmente dos mais pobres, do crescimento pífio a sinalizar redução na oferta de emprego, de serviços públicos cada vez mais precários, da escalada da corrupção. Ânimo difícil de ser revertido se a ação da presidente se limitar ao slogan marqueteiro “Xô, pessimismo!”, esboçado por sua campanha à reeleição.

Ao longo da semana, Dilma recitou o discurso decorado: quer fazer crer que o Brasil vai muito bem, obrigado, e que as críticas são passam de mau agouro daqueles que torcem pelo “quanto pior melhor”. Fala como se houbesse uma gigantesca conspiração contra o seu governo, como se os números negativos fossem plantados pela oposição e os indicadores econômicos estivessem sendo manipulados contra ela.

No máximo, aceita atribuir os problemas do Brasil à crise internacional, já distante até mesmo dos países que a provocaram.

pessimism

Usa e abusa do sucesso da Copa do Mundo como exemplo dos erros cometidos pelos analistas. Esquece-se das promessas não cumpridas, do legado que não veio, da inutilidade de várias das arenas, elefantes-brancos que custaram milhões ao contribuinte e já estão sem uso. Por fim, rouba para o seu governo o crédito dos brasileiros que perderam fragorosamente dentro do campo, mas deram um show de alegria. Este, sim, o verdadeiro sucesso do Mundial.

Chamem como quiser – pessimismo, negativismo, desesperança -, mas qualquer pessoa que some um mais um sabe que essas sensações estão associadas diretamente à falta de crédito no governante.

Não raro, são frutos de plantios desastrados, mal planejados, feitos por quem não é do ramo, mas acha que é. Adubados por promessas que não se materializam, geram desconfiança e incerteza sobre a capacidade do governante de garantir a próxima colheita, quanto mais prosperidade. Algo crucial para quem deseja renovar o mandato.

Por mais bem feita que possa ser – e será -, a campanha contra o pessimismo pode, no máximo, maquiar a realidade.

Mas não será capaz de reverter os indicadores econômicos. Muito menos dará conta de coisas como as 6.000 creches nunca criadas, UPAs que não saíram do papel, o paralisado megaprojeto de transposição do Rio São Francisco. Ou de consertar malfeitos em todas as obras de infraestrutura auditadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de acordo com relatório revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. De coibir a corrupção.

Pode até dar certo, mas é um bordão de risco.

Xô!

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

AROEIRA – BRASIL ECONÔMICO

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3 agosto 2014 DEU NO JORNAL

UMA CPI PARA INVESTIGAR A INUTILIDADE DAS CPIs

Josias de Souza

Já se sabia que as duas CPIs abertas no Congresso para investigar as mutretas praticadas na Petrobras não resultariam em nada. Mas, de repente, nada tornou-se uma palavra que ultrapassa tudo. E as petro-CPIs revelaram sua verdadeira utilidade. Servem para consolidar o processo de avacalhação do instituto da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Há muito tempo que CPI virou sinônimo de teatro circense. Mas a plateia só enxergava o que sucedia no palco, que é o pedaço menos interessante do espetáculo. O público ouvia o ruído abafado das arrumações nos bastidores e tinha enorme curiosidade para saber o que acontecia atrás do pano.

Como toda farsa tem dois gumes, o repórter Hugo Marques obteve um vídeo clandestino. Nele, aparece a gravação de um dos ensaios de CPI. Foi como se a cortina se abrisse fora de hora. Personagens foram surpreendidos longe de suas marcas, fazendo a maquiagem, ajustando a peruca e escolhendo o melhor nariz. A cena tem 20 minutos, dos quais 2min40s estão disponíveis no vídeo abaixo:

Ficou-se sabendo que depoentes como Nestor Cerveró e José Sérgio Gabrielli, ex-diretor e ex-presidente da Petrobras, receberam previamente as perguntas que lhes seriam dirigidas, sob holofotes, na pseudo-inquirição. Apalparam com antecedência até sugestões de respostas, de modo a evitar contradições.

A gravação das coxias foi feita na véspera do depoimento de Cerveró na CPI petroleira do Senado. O resultado foi patético. Conforme noticiado aqui, Cerveró falou para um plenário ermo. Afora o presidente, Vital do Rêgo (PMDB-PB), e o relator, José Pimentel (PT-CE), havia no plenário da comissão uma mísera senadora: Vanessa Graziottin (PCdoB-AM).

Cerveró responder a 157 perguntas, a maioria do relator: 138. Mas o senador Pimentel, escalado pelo PT para encenar a relatoria, se absteve de perguntar. Numa cena inusitada, o depoente, munido do questionário, leu as indagações, autoinquirindo-se. Repare o acinte no vídeo abaixo:

A certa altura, a senadora Vanessa tirou um sarro da oposição, que se ausentara da sessão para não legitimar o teatro. Ela disse: “Lutaram muito para que a CPI fosse instalada, mas agora, em vez de participar, preferem ficar nominando a CPI de ‘CPI-amiga’, de ‘CPI chapa-branca’. Com todo esse conjunto de questionamentos!” Pois é. O que dirá agora a senadora? Com que cara o relator Pimentel ressurgirá em cena?

Os brasileiros mais otimistas gostam de pensar que tudo o que aconteceu nas ruas durante os protestos de junho de 2013 foi o país dizendo aos seus malfeitores que não tem mais saco para fazer papel de bobo. E que a indignação transbordante virou uma força política consequente, capaz de tomar as providências necessárias. Será?AUTO_sponholz

O aviltamento da Petrobras justifica a constituição de CPIs. A coreagrafia organizada pelo Planalto para evitar a investigação reforça sua necessidade. Presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL) fez o que prometera a Dilma Rousseff. Graças às suas manobras, a apuração começou às vésperas da Copa. Sobreveio o recesso. Seguiu-se a campanha eleitoral.

Operando assim, com as fornalhas do Legislativo semi-desligadas, as CPIs exageram na teatralidade. A imprensa, aos pouquinhos, vai abandonando a condição de bumbo inocente. Escalada para o papel de boba, a plateia deveria punir os canastrões e os maus atores negando-lhes os votos na eleição de 5 de outubro.

Responsáveis pela Operação Lava Jato, a Polícia Federal, a Procuradoria e o juiz federal Sérgio Moro se encarregariam do resto. Em inquéritos que não devem nada ao palco das CPIs, essa turma já abriu nove processos contra mais de quatro dezenas de pessoas. Entre elas o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff, mantidos preventivamente atrás das grades.

Deve-se a esse pessoal também a quebra dos sigilos bancário e fiscal de algumas vistosas logomarcas que fizeram negócios suspeitos com a Petrobras, sob intermediação de Paulo Costa, com pedágios asseados na lavanderia de Youssef. Expuseram-se, de resto, os glúteos do deputado federal paranaense André Vargas.

Apeado da vice-presidência da Câmara e desfiliado do PT, Vargas responde a processo de cassação por falta de decoro na Comissão de Ética da Câmara. Foram ao STF, por ora, pedidos de abertura de inquéritos contra Vargas, o deputado Luiz Argôlo (PP-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL).

Considerando-se o estágio embrionário da apuração e a quantidade de material estocado pelos investigadores – mensagens eletrônicas extraídas de 34 telefones celurares de Youssef e mais de 80 mil documentos apreendidos – não são negligenciáveis as chances de surgirem novas surpresas.

Ao acender o forno diante de tanta matéria-prima, as CPIs da Petrobras não assam apenas pizzas. Torram a paciência do público, já bem inquieto. Não fosse a completa desmoralização do instituto da CPI, a rapaziada talvez voltasse às ruas com faixas e cartazes cobrando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a inutilidade das CPIs.

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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O SAPO QUE ENGULIU A PULÍTICA

Comentário sobre a postagem DEBAIXO DO COLCHÃO

Mauro Pereira:

“Tempos esquisitos esses que presenciamos.

Jamais imaginei que algum dia eu testemunharia o nome mais reverenciado do sindicalismo brasileiro – demonstrando estreita intimidade com um dos mais poderosos representantes do empresariado financeiro internacional -, exigindo a demissão de uma trabalhadora.

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Se existisse o Partido dos Patrões e Lula fosse seu proprietário, imagino que a vida da “piãozada” não seria nada fácil.

Dizem que política é a arte de engolir sapo.

No Brasil do lulopetismo, o sapo engoliu  política!”

* * *

o banqueiro e o operário

O banqueiro Emilio Botín, do Santander, e o picareta Luiz Inácio Barba da Silva, da República Federativa de Banânia: amigos fraternos, umbilicais e inseparáveis

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

nani

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3 agosto 2014 DEU NO JORNAL

SEMPRE FOI ASSIM. ENTÃO, É LÍCITO E LEGÍTIMO QUE CONTINUE DO MESMO JEITO HOJE EM DIA

Funcionários do Serviço Social da Indústria (Sesi) denunciaram à Corregedoria Geral da União (CGU) no começo do ano a existência de fantasmas nos quadros da entidade, informa a revista Época em sua edição deste fim de semana.

Segundo a reportagem, todos os “fantasmas” foram indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros próceres do PT. Os auditores da CGU, como caça-fantasmas, foram a campo. Em uma casa amarela, nº 787, da Rua José Bonifácio, no Centro de São Bernardo do Campo, em São Paulo, funciona o escritório de representação em São Paulo do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, o Sesi. A casa fica a 40 metros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em que Lula se projetou como um dos maiores líderes políticos do Brasil.

O sindicato mais famoso do País continua sob o comando de Lula e seus aliados, diz Época. A casa amarela foi criada por esses aliados no governo Lula. Quem a banca são as indústrias do País, mostra a reportagem.

Segundo a Época, o escritório é modesto, mas os salários são inimagináveis e para trabalhar lá é preciso ser amigo de petistas poderosos. Dois dos funcionários “fantasmas”, segundo a publicação, são próximos de Lula, sua nora Marlene Araújo Lula da Silva e a mulher do ex-deputado João Paulo Cunha, condenado no processo do Mensalão, Márcia Regina Cunha. Marlene raramente aparece no serviço, apesar de ter um salário de R$ 13.500,00 mensais, enquanto Márcia, que está empregada como gerente de Marketing, recebe R$ 22 mil por mês, denuncia a publicação.

O presidente do Sesi, Jair Meneghelli, nomeado por Lula e há 11 anos na entidade, recebe salário de quase R$ 60 mil, somando ao salário uma verba de representação. Por meio de sua assessoria, Meneghelli afirmou que Marlene, Márcia e outros funcionários do Sesi cumprem suas jornadas de trabalho normalmente, que os cargos são de livre provimento e que os carros usados por ele são compatíveis com “padrão executivo, adotado pela instituição desde antes da atual gestão, e a despeito de quem seja gestor”.

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Abrigo de fantasmas: a filial do Conselho do Sesi em São Bernardo, São Paulo. Os funcionários deveriam trabalhar lá, mas ninguém conseguia vê-los antes da visita dos caça-fantasmas

* * *

Besteira. Tolice. Bobagem.

Esta grande imprensa sem censura e sem controle social continua no seu linchamento midiático da impoluta figura do ex-prisidente Lula.

Segundo o gunvernista fubânico Acreditador Irrestrito, os tucanos procediam da mesma maneira quando estavam no puder.

Itamar Franco, Fernando Collor, José Sarney, Jânio Quadros, Getúlio Vargas e o Marechal Floriano, também agiram da mesma forma.

Vejam, por exemplo, este bigodudo que aparece na foto abaixo, Venceslau Brás, que foi prisidente deztepaiz de novembro de 1914 até novembro de 1918. Pois vocês podem ter certeza que no gunverno dele já se arranjavam boquinhas e peitinhos pros apadrinhados e parentes.

Por que é que Lula não pode fazer o mesmo cem anos depois???!!!

Ora, ora, vocês vão tudinho tomar no olho do furico, seus barões da grande mídia golpista!

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Venceslau Brás Pereira Gomes (1868-1966) o mais longevo de todos os presidentes brasileiros e o político que permaneceu mais tempo na condição de ex-presidente da república

Pelos princípios do Direito Consuetudinário, Lula pode nomear nora, filhos, cunhados, quengas, amigos e o diabo-a-quatro. Ora, que implicância tola.

Aliás, neste domingo bonito, lendo esta baboseira da revista Época, Rose Noronha, a Marquesa de Garanhuns, deve estar dando gostosas gargalhadas.

Vão procurar o que fazer, bando de jornalistas vagabundos.

Quem quiser ler na íntegra o amontoado de inverdades, a reportagem da revista Época, basta clicar aqui.

Advirto os leitores fubânicos: vale a pena ler…

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

JORGE BRAGA – O POPULAR

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3 agosto 2014 REPORTAGEM

CIDADE SITIADA

As roupas, os carros e as caminhonetes estacionados ao lado das barracas construídas com toras de madeira revelam que o perfil dos militantes do MST que invadiram há duas semanas as terras de uma indústria de reflorestamento no interior do Paraná mudou radicalmente nos últimos anos. É a nova geração de invasores, que usa tênis de marca, tem celular, motos e caminhões para ajudar no trabalho pesado.

Cobertos por lonas novas, mais resistentes do que no passado, os barracos são espaçosos e estão fartamente abastecidos de suprimentos enviados pelas cooperativas ligadas ao movimento. O semblante desenganado dos desafortunados deu lugar a um ar confiante e a um discurso mais arrumado sobre o que eles entendem por reforma agrária. A maioria tem endereço fixo e a lona é nada mais que um ritual de passagem.

A ocupação é o atalho pelo qual muitos filhos de assentados esperam deixar a casa dos pais para construir o próprio patrimônio. Antes inimigos declarados do Estado, que não lhes provia condições dignas de vida no campo, os jovens sem terra agora posam na internet abraçados com lideranças políticas de Brasília. Só uma coisa não mudou: a tática e os métodos criminosos para se apossar de propriedades alheias.

Quedas do Iguaçu é um município de 33.000 habitantes a 447 quilômetros de Curitiba que estrutura sua economia na agricultura, na pecuária e no setor de beneficiamento de madeira, em que se destaca a Araupel, uma das maiores indústrias de reflorestamento da região.

A empresa emprega um quarto da força de trabalho da cidade. Além de gerar 2.000 empregos diretos e indiretos, sustenta toda uma rede de fornecedores que injeta na economia 50 milhões de reais por ano em salários e investimentos, valor equivalente ao próprio orçamento municipal. É a espinha dorsal econômica da cidade. É, também, o alvo principal do MST.

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Ao invadir apenas as terras mais lucrativas, os sem-terra se estabelecem e criam seus filhos – os futuros líderes do MST

Há duas semanas, 500 sem-terra armados com foices e facões ocuparam um novo pedaço da fazenda da Araupel – que já foi uma das grandes proprietárias de terras da região, com 85.000 hectares de florestas cultivadas no estado. Nas últimas duas décadas, o MST promoveu quatro invasões nas áreas da indústria e conseguiu a desapropriação de 52.000 hectares, criando o maior assentamento da América Latina – mas, segundo os líderes do movimento, ainda insuficiente.

Uma vez assentados, os sem-terra criam os filhos para ser os invasores do amanhã. Desse modo, não importa quantas famílias o governo ampare, sempre haverá novos sem-terra e mais invasões.

Lutando na Justiça para reaver a área, a empresa questiona os reais interesses dos intrusos. “Eles não invadem ao acaso. Escolhem sempre o nosso espaço mais lucrativo, com árvores maduras para o corte. Só a madeira que está nessa área que eles ocuparam vale 100 milhões de reais”, diz o diretor da Araupel Tarso Giacomet.

O coordenador do MST no Paraná, Danilo Ferreira, conhecido como Cabeludo, que lidera essa nova geração de sem-terra, é um exemplo de como a invasão se retroalimenta. Filho de assentado, ele também conseguiu seu lote de terra invadindo a área de reflorestamento da empresa e, agora, está na linha de frente da nova ocupação. Dono de um supermercado que vende produtos aos assentados, ele não esconde um desejo: estrangular a empresa “porque ela exporta para os Estados Unidos”.

“A sobrevivência da Araupel realmente está em risco”, afirma Giacomet. A empresa já conseguiu na Justiça a reintegração de posse, mas os sem-terra se recusam a deixar o local – e ameaçam partir para o confronto.

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COM-CARROS – A nova geração de sem-terra que invadiu a fazenda da Araupel quer fechar a unidade da indústria de Quedas do Iguaçu, que gera 2.000 empregos diretos e indiretos, porque ela exporta peças de madeira para os Estados Unidos

Às vésperas de uma eleição, o problema deixa de ser policial e ganha contornos políticos. De um lado, o governo do estado, comandado pelo PSDB, quer evitar usar a força por temer que a reintegração de posse venha a produzir um confronto violento com os invasores. Para não provocar estragos na campanha do governador Beto Richa, os mediadores tentam retirar pacificamente as famílias da área.

Do lado do MST, no entanto, está a turma que deseja ver o “bicho pegar”. Cientes das implicações políticas favoráveis ao movimento em plena campanha eleitoral, os s­e­m-terra protegem-se no apoio que recebem de integrantes do PT instalados no governo federal, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o deputado Dr. Rosinha, que usa o dinheiro das emendas parlamentares para tirar proveito do potencial eleitoral dos assentamentos.

Nos últimos dez anos, os repasses feitos a um conjunto de instituições reconhecidamente controladas pelos se­m-terra no país somaram 300 milhões de reais. Já nos assentamentos da região de Quedas do Iguaçu, apenas duas dessas associações receberam 36 milhões de reais. Com os cofres cheios, o MST envolveu a cidade em uma atmosfera de medo.

As autoridades locais evitam criticar os sem-terra porque temem ser alvo de retaliação. Em julho do ano passado, um grupo de 250 sem-terra assumiu o controle do município por um dia inteiro. Descontentes com a qualidade das estradas no assentamento, eles chegaram armados e ocuparam a prefeitura. Depois de expulsar os funcionários, o grupo vandalizou a sede do Executivo.

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O BICHO QUE PEGA – Os sem-terra contam com o apoio do ministro Gilberto Carvalho e do deputado Dr. Rosinha, que envia recursos públicos aos acampamentos

Meses antes, os sem-terra recorreram ao mesmo expediente para fechar a agência do Banco do Brasil na cidade e, com isso, forçar uma renegociação de dívidas. A população foi impedida de recorrer ao banco por quase uma semana.

Com a nova ocupação nas terras da Araupel, o cinturão de invasões deixa Quedas do Iguaçu cada vez mais sitiada pelos sem-terra. Segundo o presidente da associação comercial da cidade, Reni Felipe, as incertezas sobre os empregos da Araupel derrubaram 60% das vendas no comércio e provocaram a desvalorização de boa parte dos imóveis na região.

A presença do MST também inflou a população, mas não trouxe benefícios econômicos porque muitas famílias vivem exclusivamente da renda de programas sociais, como o Bolsa Família. Sob a condição do anonimato, a dona de um dos principais restaurantes de Quedas diz que o movimento recrutou moradores da própria cidade, interessados em um pedaço de terra fácil.

“Meu garçom, que ganhava 1.100 reais aqui, pediu a conta e está lá acampado agora. Como o governo dá de tudo para essa gente, por que trabalhar, né?”, ironiza ela.

* * *

“O MST é uma religião”

O paranaense Danilo Ferreira, 44 anos, é um exemplo de como, ao longo dos anos, as invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) se transformaram num grande negócio. Filho de agricultores sem-terra, ele tinha 14 anos quando os pais foram assentados pela primeira vez. Nos anos 90, foi a vez de ele fazer patrimônio invadindo as terras da empresa Araupel, no entorno de Quedas do Iguaçu. Hoje, Danilo é uma das principais lideranças do MST em seu estado. Conhecido pelo apelido de “Cabeludo” e dono de um supermercado no assentamento, ele prepara a terceira geração de sem-terra.

Qual o objetivo do MST com mais essa invasão?

Nós queremos promover o desenvolvimento econômico das famílias pondo todas as terras improdutivas para produzir. Não dá para se contentar em ser assalariado. Só salário não serve para nada.

Mas as terras invadidas são produtivas.

A nossa discussão de movimento social vai além de pínus e eucalipto. A empresa está no direito dela de produzir celulose, mas em outro lugar. Essas terras são maravilhosas para a agricultura. Se ela quer plantar madeira para exportar para os Estados Unidos, que faça isso em outro lugar.

Há alguma chance de acordo para o MST deixar as terras da empresa?

O pessoal não vai sair, porque nós estamos discutindo um novo jeito de produzir no campo. A nossa lógica é fazer a reforma agrária no Brasil. Estamos retomando as grandes ocupações.

O movimento já não tem terras demais na região?

São 52.000 hectares. As pessoas que estão assentadas hoje, algo em torno de 2.800 famílias, estão no limite. A região não dá mais conta de garantir produção e renda para todos. Temos filhos de assentados que já se casaram, construíram família e agora precisam encontrar um lugar para viver.

O pessoal está preparado para resistir em caso de uma ação policial?

O MST é tipo uma religião. Quem não tem família no acampamento ajuda quem está lá do mesmo jeito. Quem já tem casa no assentamento dá suporte a quem está na barraca. Temos 5.000 pessoas no acampamento e podemos colocar mais 5.000 com dois ou três telefonemas. É só o governador vir com a polícia.

Vocês não temem o confronto?

Temos medo porque existem muitas crianças, mulheres e idosos no acampamento. Mas o pessoal não vai sair. Vai lutar. Se a polícia vier mesmo, ela sabe que vai ter confronto.

Como vocês se organizam?

Temos uns trinta grupos de famílias que se reúnem diariamente. Cada grupo responde a um casal de coordenadores. Temos um grupo de companheiros que atuam na equipe de disciplina e são responsáveis por aplicar o nosso regimento de conduta. Eles são responsáveis pela segurança de todos.

O MST retomou as invasões para pressionar o governo federal?

Não dá para se queixar do governo. Só com uma parte do PAC a gente abriu estradas, construiu casas melhores para os assentados e financiou a produção. Tem muito fazendeiro que, por medo da ocupação, resolveu produzir na terra.

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

FAUSTO – OLHO VIVO

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3 agosto 2014 DEU NO JORNAL

NINGUÉM ME QUER

Carlos Brickmann

As últimas pesquisas mostraram um dado interessantíssimo: em boa parte dos Estados, na disputa pela maioria dos cargos, o eleitorado manifesta o mesmo voto, Nenhum Deles. Nenhum Deles acumula 34% das preferências pelo Senado em São Paulo; é seguido por Serra, PSDB, com 34%, e Suplicy, PT, 23%.seu voto

No Rio, Nenhum Deles lidera para o Governo, com 33%. É seguido por Garotinho, PR, com 21%; Crivella, PRB, 16%; Pezão, PMDB, 15%. E, com 42%, levaria o Senado, seguido por Romário, PSB, 24%, e César Maia, DEM, 17%.

Nenhum Deles ganha o Governo de Minas, com 44%; Pimentel, do PT de Lula e Dilma, tem 25%; Pimenta da Veiga, do PSDB de Aécio, 21%. O ex-governador Anastasia, PSDB, tem 38% para o Senado. Nenhum Deles tem 46%.

Os candidatos, os mais competitivos de que os partidos dispõem, não são aqueles com quem os eleitores sonham. Serra já foi candidato ao Planalto, Garotinho também; Romário foi campeão do mundo; o PSDB mineiro aponta seu líder, Aécio, para a Presidência; nem assim empolgam o cidadão. Mesmo para o Governo de São Paulo, onde Alckmin lidera com 50%, indicando vitória no primeiro turno, Nenhum Deles está bem na fita: tem 29%, contra 21% de todos os outros candidatos somados – e isso inclui o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, com Duda Mendonça e tudo, e Padilha, do PT, com Lula, Andrés Sanchez, o popular ex-presidente do Corinthians, e a poderosa máquina da Prefeitura paulistana.

É hora de renovar. E renovar não é trocar um líder antigo por um poste novo.

Buraco na cédula

Ainda faltam dois meses para as eleições, há tempo para que os candidatos se tornem mais conhecidos e ganhem mais corpo. Mas, neste momento, pelo menos um terço do eleitorado, em todo o país, não quer votar nos nomes disponíveis: divide-se em nulo, branco, não sei.

Não se pode esquecer que os Estados citados na nota acima são os mais populosos do país, onde vivem 4 entre 10 eleitores.

Petista atucanado

A frase é de Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional, petista desde criancinha mas ainda assim capaz de tucanar o buraco nas contas públicas: “Foi um resultado fiscal menos dinâmico, decorrente de receita menos forte”.

Preço ao alto!

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que não haverá tarifaço de eletricidade após as eleições. A presidente Dilma, na Confederação Nacional da Indústria, garantiu que não haverá tarifaço elétrico.

Prepare-se, pois: tarifaço não haverá, mas uma revisão do equilíbrio econômico das empresas do setor com viés exógeno de ascensão modal estruturante, isso ninguém desmentiu.

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Imóveis na berlinda

O número é de São Paulo – mas não se pode esquecer de que é o Estado mais rico da federação. Em um ano, a porcentagem de pessoas que desistem da compra de um imóvel, arcando com pesados prejuízos, passou de 5 para 15%. Alguns desistem antes mesmo da entrega do imóvel; mas a maioria das desistências acontece no momento da entrega das chaves.

Para desistir do negócio e fazer o distrato, o comprador perde mais da metade do que pagou. Este índice sugere que, na melhor das hipóteses, reduziu-se entre os compradores a confiança no futuro. E, na pior, que mais e mais famílias, que eram capazes de arcar com as prestações de um imóvel, deixaram de ter condições de comprá-lo.

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Memórias da morte

Questão de tempo, talento e gosto. Um grupo de admiradores do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, o Trincheira Chavista, desenvolveu uma fonte de texto para computadores chamada ChavezPro, baseada na caligrafia de seu ídolo. O designer Marcos Volpe utilizou esse tipo de letra para tatuar em seu corpo frases bolivarianas.

Quem quiser abandonar o Garamond, o Arial e tantos outros pode baixar a fonte chavista clicando aqui.

Onde está o dinheiro?

O Governo Federal diz que entregou ao Governo de São Paulo determinada quantia destinada à Santa Casa paulistana. A Santa Casa diz que recebeu menos do que isso. O Governo de São Paulo diz que repassou à Santa Casa toda a verba recebida do Governo Federal. O Ministério Público Federal decidiu investigar a questão.

Mas não há muito a investigar: devemos imaginar que o Governo Federal, ao repassar a verba, recebeu documentos do Governo estadual acusando o recebimento; da mesma forma, ao encaminhar as verbas à Santa Casa, o Governo estadual deve ter recebido documentos atestando o montante. É só conferir. E, se houve desvio de verba, não há perdão possível: roubar dinheiro de doente não dá.

E os doentes, senhores?

Por falta de dinheiro – segundo a Santa Casa, os fornecedores já haviam suspendido as entregas – o pronto-socorro da entidade chegou a ser fechado. Há versões segundo as quais não houve repasse correto de verbas federais, ou de que as verbas estaduais não chegaram, ou de que a entidade é mal administrada.

É uma excelente oportunidade para descobrir quem é quem, quem mente e quem não tem escrúpulos de deixar gente necessitada sem ter quem a atenda.

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

WALDEZ – AMAZÔNIA JORNAL

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A BONECA QUE PARIU

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Maria Anunciada, envelhecida, mantinha a boneca “filha”!

Maria Anunciada Luciano Pereira era uma das minhas primas, filha da tia Maria e de Antônio Luciano Pereira. Era a filha mais velha, deles, e tinha como irmão mais velho, José Luciano. Anunciada pariu 21 filhos e, inexplicavelmente, foi “avó” quando ainda tinha 10 anos de idade.

Parece mentira. Mas é a verdade. Anunciada pode ter batido recordes e mais recordes e, quem sabe, deveria figurar no Guiness. Se não, vejamos: teve 21 filhos; nunca menstruou; era a maior catadora de castanha de caju do Ceará;  e com a mais absoluta  certeza, nunca sentiu o prazer no sexo.

Literalmente, desculpe a ideia de algo que pode parecer chulo ou desrespeito, Anunciada não “fazia amor”. Ela “abria” as pernas para o companheiro, a quem chamava de “Senhor Meu Marido”. Aliás, Jorge Amado retratou isso muito bem no romance “Gabriela, cravo e canela”. Só que a estória dele tinha a Bahia como nascedouro.

E, como teria sido avó aos 10 anos?

Naqueles tempos, namorar não era tão fácil como nos dias atuais. Sexo? Só para quem era casado; para quem recorria às prostitutas; ou para quem pulava a cerca.  Sendo do sexo masculino sem ser casado, ou sem ter alguns mil réis para pagar a puta, só tinha uma solução: recorrer à Maria Cinco Dedos, uma das mulheres mais famosas de todos os tempos. Ninguém “comia” a namorada, como come hoje. Hoje, se o namorado não “comer”, vem outro e “come”.

Para as “meninas” a situação era muito mais complicada. Os pais, quase nada conversavam com as filhas a respeito de sexo. A escola mantinha um tabu e esse era um assunto para pecadores. Como “vibrador” é coisa muito moderna, as meninas não tinham muito a quem recorrer. Muitas não conheciam as carícias que elas mesmas podiam fazer em si próprias, até porque, a grande maioria pensava que, masturbação feminina só poderia acontecer com a defloração.

Isso, dito assim, fica até engraçado. Era “pecado mortal” (mas há quem afirme que as meninas internas em colégios dirigidos por freiras foram as primeiras a descobrir que, prazer nada tem com penetração – e ainda hoje, homens vivem enganados, imaginando que é o tamanho do pênis que dá prazer à mulher).

Meninas carolas que eram obrigadas a comungar, quando ainda existiam nas igrejas os confessionários, ao confessar, diziam aos padres:

– Padre, eu pequei. Eu “fiz aquilo”!

Pois, Maria Anunciada se encaixava totalmente em todos esses requisitos. Bateu inúmeros recordes. Houve época que teve dois filhos num só ano. Um em janeiro e outro em dezembro. Repare bem: eu disse um em janeiro e outro em dezembro, e não um em dezembro e outro em janeiro.

E, como foi avó aos 10 anos de idade?

Além de se intitular “a maior catadora de castanhas de caju” do Ceará, Anunciada tinha um profundo amor por bonecas. Para ela, uma boneca de pano feita de molambos, tinha tudo de cheirosa, linda, perfeita. E ela tinha uma assim, que resolveu “batizar” com o nome de Gigi, embora revelasse para os estranhos que o nome da boneca era Maria Eduarda. E era “filha” dela.

Eis que, numa manhã de domingo a casa de Maria Anunciada recebeu algumas visitas. Maria, a mãe de Maria Anunciada não era de se apertar diante da surpresa e decidiu que mataria um pato para oferecer como almoço. Um pato dos grandes. Um pato da raça Paysandu.

Quem já abateu ou viu abater pato, sabe que é uma ave difícil de morrer. Mais difícil ainda quando não tem o pescoço quebrado – que é quando alguém precisa aparar o sangue para fazer o molho pardo.

Maria pegou o pato, preparou a bacia para aparar o sangue, arrancou algumas penas no local da sangria e, com um dos pés prendeu as pernas do pato.  Cortou na carótida e o sangue jorrou. Segurou mais um pouco para aparar a quantidade desejada para o molho. Satisfeita, soltou o pato. A ave não estava totalmente morta e saiu dando pulos e cambalhotas dentro de casa e algum sangue que ainda restava sujou exatamente a roupa da boneca Gigi.

O rangido da tramela do portão da casa mais parecia um besouro mangangá. Anunciava a chegada de quem o ultrapassava. E assim foi com Anunciada que, atarantada com o surrão cheio de castanhas, procurou primeiro se desfazer do peso. Depois foi cumprimentar as visitas, e tomar a bênção aos parentes mais velhos.

O carinho seguinte ficou para Gigi, a boneca e filha. Com um grito desesperado, Anunciada atraiu a atenção de todos. Gritava em incontrolável desespero:

– A minha filhinha está sangrando!!!! Ela vai morrer!!!!

O sangue frio de Maria, diante do desespero da filha, e da forma como as visitas interpretariam aquela cena, acabou por acalmar Anunciada, pondo panos quentes no desespero:

– Não minha filha. Ela não vai morrer. Ela fez foi acabar de parir!!!

Maria, mãe atônita, e naquele momento bisavó assumida, mostrou para Anunciada uma linda bonequinha de porcelana que a outra tia, Duda, havia comprado para Anunciada, mesmo sabendo que a preferência continuaria sendo por Gigi.

– Espie aqui a filhinha dela!

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3 agosto 2014 FULEIRAGEM

S. SALVADOR – ESTADO DE MINAS

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2 agosto 2014 A PALAVRA DO EDITOR

DE NOVO…

Deu pau de novo no correio do JBF.

Parece que agora é por conta do Terra, onde está hospedado o meu endereço eletrônico (bertofilho@terra.com.br).

Detalhe: a assinatura é paga religiosamente  na data do vencimento mensal, em débito automático na minha conta corrente… 

Tá mais fácil fazer um elefante voar do que falar com o atendimento ao assinante do Terra: todas as tentativas foram em vão até agora.

Não consigo enviar ou receber mensagens.

De modo que peço paciência e compreensão aos leitores, colaboradores e colunistas.

Se alguém mandou mensagem, só vou ler quando a normalidade estiver restabelecida.

Abraços e um excelente final de semana pra todos vocês.

T

Portal Terra: atendimento banânico de péssima categoria

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

J. BOSCO – O LIBERAL

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

O AÇO QUE NOS TEMPERA

Fernando Gabeira  

O relatório sobre a queda do viaduto em Belo Horizonte apontou a causa: a viga de sustentação tinha só 1/10 do aço necessário para conter o peso da estrutura. Stalin chamava-se o homem de aço. Romances populares editados pelos partidos comunistas da época celebravam os bolcheviques de aço, entre eles um aviador que perdeu as pernas e continuou combatendo. No universo ocidental, mais crítico, o aço é integrado ao corpo humano na figura de um herói infantil, o Super-homem. Não tenho nada contra a fusão do corpo com o metal. O titânio tem ajudado muita gente a se mover normalmente: é uma boa presença. Felizmente, não trabalhamos com essa mitologia de corpos de aço. Mas pelo menos o aço de nossas construções deveria ser o suficiente para mantê-las de pé.

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Para onde foram os 90% do aço? É uma pergunta pertinente, pois só assim entenderíamos melhor o desabamento, para além do laudo técnico. Ausência do aço necessário, camuflada em misturas de areia e cimento, é um elemento simbólico no País. Foi essa mistura malemolente que derrubou os prédios do Sérgio Naya. No Rio, um deputado confessa em gravação que recebe R$ 15 mil/mês, entre outros ganhos, só com o lanche que é servido por ONGs conveniadas com a prefeitura. Se os lanches pudessem ser decompostos como elementos de uma viga, diríamos que milhares de pães, rios de café com leite, igarapés de laranjada desembocaram na barriga do deputado.

Uma notícia diz que Lula se surpreendeu com o desgaste do governo, esperando algo assim só para 2018. Os governos desgastam-se, naturalmente, numa democracia. Nela precisam gerir recursos limitados para atender a gigantescas necessidades. E vencem as eleições prometendo mais do que podem. Esse é um dos dínamos da alternância. Mas cada governo se desgasta de maneira singular. A tolerância e a cumplicidade com a corrupção são fatores, entre outros, que determinaram o desgaste do PT. Alguns afirmam que corrupção sempre existiu, mas agora aumentou a transparência. Parcialmente correto. No entanto, muitos casos só emergiram, como o mensalão e esse escândalo carioca, de uma forma clássica: a disputa pelo butim.

O desgaste do PT começou como uma pedra na água. O primeiro círculo de descontentes nasceu com os navegantes próximos que abandonaram o barco. Impulsionados pelos ventos econômicos, novos amplos círculos desenham-se na água. O processo não se resume à política interna e à economia. O PT quer realizar uma política externa dele, e não do País. Isso é possível em Cuba ou na China. Não para um partido que chega ao poder pelo voto, num contexto democrático. Os dirigentes chineses e cubanos fundem o país com o partido porque liquidaram a oposição organizada.

Esse tema não tem grande impacto eleitoral, mas sempre me preocupou. A nota que o governo brasileiro publicou sobre a guerra na Faixa de Gaza exprime a posição do partido e de milhões de pessoas diante da morte de civis e crianças. No entanto, uma nota nacional sempre é mais equilibrada, mencionando também a violência do Hamas.

O porta-voz israelense chamou o Brasil de anão diplomático. Um líder trabalhista chamou o Brasil de gigante do futebol. Não somos nem uma coisa nem outra. É um equívoco chamar o Brasil de anão diplomático, pois retira a importância do fato histórico da criação de Israel. Neste caso da guerra em Gaza, a violência da resposta de Israel acabou atenuando a posição do governo brasileiro. Mas, sem dúvida, houve uma inflexão: ingenuamente, Lula achou que poderia influenciar um processo de paz. Chegou a viajar para isso.

Ao lançar a nota, o governo praticamente abre mão de dialogar com um dos atores. O Brasil não tem o poder de resolver uma crise que desafia a humanidade, como a do Oriente Médio. Mas tem sido eficaz na pacificação de conflitos nos países de sua região. Está na busca efetiva da paz o grande fundamento de nossa política externa. Mas o PT move-se em zigue-zagues.

A política externa tem pouco impacto eleitoral, mas soma-se aos equívocos que, no conjunto, jogam o PT numa aventura romanesca: navegar sem novas ideias num oceano de desejos de mudança. São Paulo é uma referência: o governo perde para qualquer um dos opositores, sinal de que, para a maioria dos entrevistados, o PT já era. Em termos eleitorais, isso é equacionado em números: perdemos aqui, ganhamos em outros Estados, não ameaça a vitória nacional. Mas perder na região mais desenvolvida do País dá o que pensar, sobretudo para quem se diz na vanguarda do progresso, combatendo elites brancas e outros moinhos de vento.

A Bolsa Família é uma zona de conforto porque envolve milhões de pessoas e foi reconhecida internacionalmente. Supor que represente um escudo contra todos os erros e tropeços é um equívoco. Alguns críticos do programa dizem que com a bolsa as pessoas não querem trabalhar. Discordo, minha tese é que, com a bolsa, o governo não quis mais trabalhar, no sentido de interpretar o Brasil, buscar alternativas, ligar-se aos setores mais dinâmicos e desenvolvidos tanto dentro como fora do País. A Bolsa Família deu para o gasto. E agora que o preço político dos erros vai ficando mais alto?

Por mais que os pragmáticos riam, o viaduto que caiu, além de matar duas pessoas, indicou, para mim, o ponto central do momento: nosso sistema político, já frágil, foi perdendo o aço com a mistura de areia e cimento que a longa dominação do PT injetou. O perito de Minas ficou surpreso porque a viga não se partiu antes. Se traduzimos o aço por credibilidade, também ficamos surpresos como o edifício político se mantém no Brasil. É um problema que transcende as eleições deste ano. Mas elas são a única oportunidade para todos poderem olhar para o abismo que se abriu entre o universo político e o Brasil real.

O ano que nos espera, sobretudo no setor da energia, não é dos mais animadores. O pequeno apagão que vivi na manhã de domingo me lembrou da aspereza do caminho. Tocar o País em tempos de crescimento internacional e distribuição de renda é mais fácil. Quem vencer as eleições encontrará uma pedreira.

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

xx

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

NANI – CHARGE ONLINE

nani

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

A RODA QUADRADA

Sandro Vaia

A roda já tinha sido inventada e girava razoavelmente bem.

Na verdade, eram três rodas: inflação na meta, câmbio flutuante e superávit primário de 3,1% do PIB.

Tudo que estava prometido na Carta ao Povo Brasileiro para garantir aos eleitores que o programa do PT iria dormir na gaveta enquanto a política anterior continuaria sendo aplicada, e assim espantar os fantasmas e tornar possível a vitória de Lula, o dr. Palocci aplicou direitinho.

Nunca antes na história deste país um governo reformista reformou tanto a sua retórica para, no fim, mudar para que tudo permanecesse igual, como pregava Tancredo, o sobrinho do príncipe de Salinas, o Leopardo.

A roda continuou girando até que se abrissem as portas da generosidade máxima dos “reformadores”, que foram eleitos para expandir as suas benesses para todos. O dr. Palocci foi escanteado por mil razões, e com ele foi jogada no lixo a roda que girava, o tripé que parava em pé, e o governo, travestido de Estado resolveu meter a sua mão na roda.

A cócega do salvacionismo estatal falou mais alto e o governo resolveu meter a mão na economia, talvez na ilusão de fazer a roda girar mais rápido – ou à imagem e semelhança de suas utopias.

Subitamente foi inventada a quadratura do círculo e a roda parou de girar. Os mecanismos naturais da economia foram substituídos: a mão invisível do mercado foi substituída pela mão pesada do intervencionismo, e o governo resolveu trocar o seu papel regulador pelo papel de benfeitor da humanidade; começou a determinar os lucros e os riscos dos outros, a determinar os preços, a segurar as tarifas para não aumentar a inflação, e o trem descarrilou.

roda-quadrad

O país começou a crescer aos trancos e barrancos, menos que os seus vizinhos latino-americanos. A inflação começou a descontrolar-se, a feira ficou mais cara, os empresários perderam o “apetite animal” e diminuíram sua gana de investir, o governo voluntarista começou a maquiar as suas contas.

Maquiar as contas públicas é mais fácil do que maquiar e esconder o apetite intervencionista, que faz parte do mais recôndito desejo da alma deste governo. O governo, além de tentar dirigir a mão da economia, tenta agora dirigir também a mão das reações ao seu ímpeto dirigista.

Na véspera de uma eleição que vai decidir se a sua roda quadrada tem suficiente sustentação para continuar a engasgar ou não, o governo intervém também na principal função técnica dos bancos, que é o seu compromisso contratual de orientar seus clientes para preservar seu patrimônio.

Intimida as instituições acusando-as de fazer jogo político-eleitoral simplesmente por cumprir a sua função de relatar fatos, associando-os uns aos outros, até dar-lhes sentido.

Os analistas dos bancos não entendem “porra nenhuma” do Brasil, e quem acha que entende faz com que eles calem a boca.

Onde foi que já vimos esse filme?

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

SINOVALDO – JORNAL NH

sinovaldo

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

OS ABUTRES DO BEM

Guilherme Fiuza

Lula da Silva pediu a cabeça de uma funcionária do Santander. O banco entregou-lhe a cabeça dela. Era uma funcionária abutre, dessas que atacam os cordeirinhos socialistas, escrevendo coisas desagradáveis sobre o governo popular. Como ousa essa agente do capitalismo selvagem dizer que a queda de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais anima o mercado?

É bem verdade que a queda de Dilma nas pesquisas anima o mercado, mas… precisava dizer isso para todo mundo? A analista do Santander não poderia ser mais discreta com seus clientes? Não dava pelo menos para falar mais baixo? Ou mudar de assunto?

Não dá para entender por que esses analistas de conjuntura insistem em falar de coisa triste. Em vez desses boletins sisudos e cinzentos, poderiam mandar mensagens coloridas e alegres, prevendo um PIB maravilhoso e garantindo que a inflação está quietinha no seu canto. Se o ministro da Fazenda faz isso, por que um banco não pode fazer? São mesmo uns pessimistas. Abutres!adb

Mas aqui no nosso terreiro, financista estrangeiro não vai cantar de galo, não. Como avisou Dilma na Copa do Mundo, o brasileiro já superou seu complexo de vira-latas. Os pastores alemães sentiram na carne o que significa isso. E os pitbulls do governo popular foram para cima do Santander: Dilma rosnou, Lula mordeu, e o banco teve que engolir suas palavras.

Onde quer que esteja agora, o companheiro Hugo Chávez deve estar explodindo de orgulho dos seus amigos petistas. Lula já dissera que a Venezuela chavista é um modelo de democracia, e agora mostra que não estava brincando.

A reação do filho do Brasil em defesa da reeleição de sua criatura foi um ato de estadista. O que fazer diante de uma análise desfavorável ao governo do PT? Elementar: fuzilar o analista. Com classe: “Não entende porra nenhuma de Brasil.” Quase é possível ouvir a reação eufórica do coronel Chávez: “Meu garoto!”

Aqui na Terra, a parceria chavista também é só alegria. Depois de destroçar a economia argentina com seu populismo cor-de-rosa, Cristina Kirchner deu o calote e recebeu o caloroso abraço do Brasil.

“Não podemos aceitar que a ação de alguns poucos especuladores coloquem em risco a estabilidade e o bem-estar de países inteiros”, declarou Dilma em Caracas, lugar ideal para esse tipo de ternura. Estão vendo como esses abutres são maus? Atacam uma viúva indefesa, que é leal ao falecido e mantém irretocável a reputação caloteira da família.

O abraço de Dilma em Cristina é pleno de simbolismo. A presidente brasileira deve muito à companheira argentina. Foi Cristina quem começou, corajosamente, a esconder os indicadores feiosos da economia, e a fabricar números novinhos em folha – tornando os índices de inflação, por exemplo, até simpáticos.

Dilma tomou coragem e foi atrás, implantando no governo brasileiro a contabilidade criativa – sem dúvida uma das realizações mais engenhosas do PT no poder. Numa triangulação mágica entre o Tesouro, o BNDES e estatais como a Petrobras e a Caixa, o governo popular aprendeu a esconder déficits e assim ampliar o orçamento do fisiologismo. Nem a seleção alemã pôs o Brasil na roda com tanta maestria.

Entre outras maravilhas da bravura bolivariana, os Kirchner arruinaram as empresas de energia – base do crescimento – para garantir a conta de luz baratinha, que o povo adora. Os abutres pensam que é fácil enganar o povo, mas enganados estão eles: custa caríssimo.

Propaganda populista, truques assistencialistas, engordar a máquina para enriquecer os aliados – isso tudo custa dinheiro. Como declarou Dilma, é um absurdo que esses urubus não tenham um mínimo de sensibilidade para com o bem-estar dos marajás da viúva.

E o governo brasileiro tem autoridade para defender a Argentina nesse momento difícil, porque segue a mesma escola de abutres do bem: além dos números amestrados, por aqui o setor elétrico também foi depredado em favor da bondade tarifária – que ajudou adicionalmente a sumir com metade do valor da Petrobras (fora o antro de negociatas, que ninguém é de ferro).

E, para provar que o Brasil faz questão de estar no mesmo barco da Argentina, o governo Dilma acaba de bater um novo recorde, depois de construir os estádios de futebol mais caros do mundo: o primeiro semestre de 2014 registrou o maior déficit nas contas públicas do século 21.

É bem verdade que o PT ainda não conseguiu torpedear a imprensa com a eficiência dos Kirchner. Mas tem suas listas negras, e continuará caçando essa gente que não entende porra nenhuma de Brasil.

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

PELICANO – TRIBUNA SP

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DON PABLITO – FORTALEZA-CE

Papa Berto

Pelo presente apresento-lhe: O MEU CANDIDATO!

Acredito que todos os candidatos pensem igual ao Borel.

Pena que não falem.

R. Francamente, eu só lamento que aqui no meu estado não tenha um candidato assim feito esse cabra.

Teria o meu voto com toda certeza!!!

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

SPONHOLZ – JBF

VAR

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

CENSURA À VISTA

Ruy Fabiano

Em 1985, primeiro ano da redemocratização, o então ministro da Justiça do governo Sarney, Fernando Lyra, anunciava, em tom triunfal, a cerca de 700 artistas e intelectuais, reunidos no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, o fim da censura.

Ela vigorara oficialmente ao longo do regime militar, exercida de forma prévia, por meio de censores nas redações, e a posteriori, pelo recolhimento de publicações que escapavam à sagacidade (sempre escassa) daqueles.

A censura prévia fora derrubada ainda no governo Geisel, mas a censura a posteriori prosseguiu até o fim do regime. Sua abolição total se deu apenas com o anúncio de Fernando Lyra, na sequência da proibição e posterior liberação de um filme medíocre de Jean-Luc Godard, “Je Vos Salue Marie”, a que os censores deram visibilidade e cujo imbróglio marcou o fim oficial da censura.

A Constituição de 1988 foi enfática em condená-la, em nada menos que seis incisos ao artigo 5º (do nono ao décimo-quarto). Mesmo assim, seu fantasma jamais deixou de pairar sobre a vida jornalística e intelectual brasileira. Adquiriu outras formas, sofisticadas, sub-reptícias, tão ou mais eficazes, dando origem ao termo, ainda vigente, de “patrulhas ideológicas”.black_no_censura_button

Já não era necessária a presença de censores oficiais nas redações e universidades. O ambiente intelectual se incumbia de cercear o livre debate de ideias, lançando ao limbo as que não se afinassem com o discurso de esquerda. Autores múltiplos deixaram de ter suas obras disponíveis, censurados pelo silêncio.

O quadro persiste e somente há pouco tempo algumas vozes dissonantes, na imprensa e na universidade, se levantaram para estabelecer o contraponto. São vozes que entre si guardam pouca ou mesmo nenhuma afinidade, senão a de se contrapor ao ideário hegemônico. Sua discordância não provoca o debate, mas uma reação ofensiva, uníssona, que busca impor-lhe um rótulo comum de “direita”, igualando desiguais, na tentativa de difamá-los.

Direita, nesses termos, é tudo o que se contrapõe ao ideário esquerdista, o que automaticamente remete o infrator à companhia de personagens como Hitler, Mussolini ou Pinochet. Ser de esquerda, no entanto, não estabelece vínculos com açougueiros bem mais eficazes, como Stalin, Lênin ou Fidel Castro. Ao contrário, os companheiros citados são bem mais charmosos: Chico Buarque, Pablo Neruda, José Saramago – e por aí vai.

Nada disso é gratuito. O que se quer é inibir o debate de ideias e rumos para o país, fora da agenda socialista. Mas não parece suficiente. Tanto assim que o PT persiste na ideia de “regulamentar” a mídia e tê-la sob “controle social”.

Incluiu-a no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos e teve que recuar diante das reações. Na campanha de 2010, Dilma comprometeu-se a não levá-la adiante, assegurando que, em seu governo, só admitiria o controle remoto. Boa tirada, a ser comprovada.

Mês passado, o vice-presidente nacional do PT, Alberto Cantalice, publicou, no site do partido, uma lista negra de seis jornalistas (“entre outros menos votados”) que, segundo ele, deveriam ser simplesmente banidos da mídia. O partido não o contradisse, nem deu bola para as reações de protesto. Portanto, até prova em contrário, a lista está em vigor.

Semana passada, uma analista do Banco Santander foi demitida, por exigência de Lula, governo e PT, por ter, em carta aos clientes, constatado o óbvio: que a hipótese de reeleição de Dilma afeta negativamente as cotações no mercado. Recomendou aos investidores que, por essa razão, procurassem o banco para orientar suas aplicações. Entrou também para o índex.

A censura, nesse caso, saiu do terreno da informalidade e ganhou contornos oficiais. Interferiu na comunicação de um banco com seus clientes, o que nem o governo militar ousou.

Parece ser uma prévia do que aguarda o país, se Dilma vencer. É pelo menos o que promete o deputado José Guimarães (PT-CE), irmão de José Genoíno, que diz que a regulamentação da mídia virá de qualquer jeito, “quer queiram, quer não queiram”.

Numa democracia, como é óbvio, tal expressão só faz sentido se dita pela contramão.

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

SINFRÔNIO – DIÁRIO DO NORDESTE

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CARLOS LINHARES – NATAL-RN

Dizem os entendidos, que isso é um caso explícito de eletricidade estática…..

R. Danô-se!!!

Eu só tô acreditando nesta informação porque você, meu caro Padre, tem um diploma de doutor engenheiro e deve entender do assunto.

Com certeza, este é o famoso priquito eletrificado!

priquito elétrico

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

DÁLCIO – CORREIO POPULAR

AUTO_dalcio

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

NOTÍCIA ALTAMENTE PREOCUPANTE

Risco de ebola propagar-se para o Brasil é baixo, segundo Ministério da Saúde.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (1º), a pasta afirmou que não há nenhum caso suspeito ou confirmado da doença no país.

* * *

Puta merda!

Esta notícia estragou meu final de semana e me deixou profundamente preocupado.

Se o nosso Ministério da Saúde disse isto, é sinal que o ebola já deve estar aqui entre nós.

Valei-me meu Padrim Pade Ciço!

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

AMARILDO – A GAZETA

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

DILMA SE DIZ PREOCUPADA COM INSCRIÇÃO DE KIRCHNER NO SPC E SERASA E OFERECE DINHEIRO A JUROS

Joselito Müller

joselito-JORNALISTA DESTEMIDO

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A presidente Dilma Rousseff falou na manhã de hoje sobre o calote argentino no credores da dívida externa, e ofereceu “uma parte dos 152 mil que guardo no colchão para a Cristina Kirchner pagar a dívida”.

Dilma disse que se preocupa com a “provável inscrição do nome de Cristina nos cadastros de proteção ao crédito, como o SPC e o SERASA.”

A presidente brasileira disse que pode emprestar o dinheiro a juros de 20% ao mês.

Caso aceite, a Argentina sairia da condição de “caloteira”, epíteto que recebeu após o prazo de pagamento da dívida que já foi renegociada anteriormente.

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

MIGUEL – JORNAL DO COMMERCIO

migueljc

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É PRETO NO BRANCO

Neste 2 de agosto estarão passados 78 anos da abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim.  Decerto com a Segunda Guerra Mundial em gestação no seu útero teratogênico, Hitler fazia daquele evento esportivo a afirmação da superioridade ariana. O circo estava armado.

Nos estádios o povo cantava o hino alemão – lembra algum fato recente? – e dirigia a Hitler entusiásticas saudações. O mundo caminhava para um holocausto, mas naquele dia alegre o que estava em jogo era o uso do esporte como promoção política, pratica que perdura até hoje, embora nem sempre produza bons resultados.

O costume vem da Antiguidade, saliente-se. No Império Romano os esportes eram, como continuam sendo, o ópio do povo, traduzido na velha prática do pão e circo como instrumento de alienação. Com a Alemanha nazista, claro, não poderia ser diferente, e tudo iria muito bem para os exuberantes jovens louros de olhos azuis, não fosse a intromissão de um negro. Ou melhor, de dois.

Um deles, Jesse Owens, ganhou quatro medalhas de ouro nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4×100. O outro, Cornelius Johnson, ganhou a medalha de ouro no salto em altura, o que compeliu Hitler a retirar-se do estádio, não por apupos, ressalte-se, mas para não ter que cumprimentar os vencedores.

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Jesse Owens na posição mais destacada do pódio: Hitler retirou-se pra não ter que lhe apertar a mão

Veja você como o esporte é usado abusivamente. Atribui-se às vitórias de Jesse Owens o abandono do estádio por Hitler, mas em verdade tal havia acontecido antes, como resultado da vitória de Cornelius Johnson.

Quer saber por quê? Porque a propaganda norte-americana escolheu consagrar não Cornelius Johnson que conquistara apenas uma medalha, mas Jesse Owens, que conquistara quatro.

Este, aliás, assumiu a farsa com tanta devoção, que chegou a dizer: “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca.”

Naquele contexto, no entanto, fundamental foi que os negros americanos venceram não só as provas de atletismo, mas impuseram ao preconceito uma memorável derrota, uma inesquecível lição. Preto no branco.

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

IPOJUCÃ – CHARGE ONLINE

ipojuca

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

ERASMO – JORNAL DE PIRACICABA

erasmo

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2 agosto 2014 DEU NO JORNAL

UM PITACO DE QUEM TÁ POR DENTRO…

Não dá para entender como conseguiram destruir o setor sucroalcooleiro e a Petrobras em um tiro só.”

* * *

Quem pronunciou esta frase sobre o gunverno petralha foi um ex-ministro de Banânia. Ex-ministro da Agricultura.

Todavia, não se trata de um ex-ministro tucano, da era FHC.

Trata-se de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura do gunverno do PT, da era Lula. Ele foi ministro de janeiro de 2003 até julho de 2006.

Quando ele diz que não entende “como conseguiram” esta destruição, ele está apenas sendo modesto.

Ele entende perfeitamente e sabe essa história a fundo, eis que já foi membro do bando vermêio, em cargo de primeiríssimo escalão.

Mas, Roberto Rodrigues pode ficar tranquilo: o fubânico gunvernista Explicador Linkado vai provar pra ele – com números, dados, links e estatísticas -, que o setor sucroalcooleiro está a pleno vapor no Socialismo Muderno e que a Petrobras nunca foi tão eficiente nos seus 61 anos de existência como está sendo agora na era do PT.

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Ex-ministro Roberto Rodrigues: “Cara, tu e Dilma vão fuder os sacoleiros, a Petrobras e os sucroalcooleiros”

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2 agosto 2014 FULEIRAGEM

AROEIRA – BRASIL ECONÔMICO

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A SEMANA PASSADA

Na Atenas do século V a. C., o cidadão livre não trabalhava. Ocupava-se de questões relacionadas com a polis grega. E com a democracia ateniense. Era o chamado século de ouro, de Péricles. Trabalhavam os agricultores, os artesãos e os escravos.

O mesmo ocorria em Roma. Trabalho era tortura. Indigno para os cidadãos. Que usufruíam do ócio. Também na Idade Média, até o século XIII, trabalhar era incompatível com a condição de homem livre.

Mas, veio a revolução Francesa, no século XVIII, e as noções fortalecendo o uso da razão com o Iluminismo. E veio a revolução Industrial, no século XIX. Então, o trabalho tornou-se conceito reconhecido na sociedade. A ponto de o filósofo alemão, Max Weber, na virada do século XIX para o XX, defender a ética do trabalho e o espírito do capitalismo.

Na segunda metade do século XX, o pensador italiano Domenico de Masi passou a fazer a defesa da sociedade do ócio.
 
Argumentando que as novas tecnologias, baseadas no computador, aumentavam a produtividade. Dessa forma, o homem contaria com mais horas para descanso e lazer. E, por essa via, estimularia o espírito criativo. Facilitando a comunicação entre as pessoas.

Essa consideração vem a respeito de um dos fatos da semana. Uma pesquisa, realizada nos Estados Unidos, levanta a hipótese de as crianças estarem perdendo o senso de reação com o outro. Por causa de demasiado tempo diário, voltado para si mesmas, em cima do computador.

Esse é o evento novo da semana. Os dois outros fatos são reconhecidamente antigos: a crise na economia argentina e a guerra entre palestinos e judeus.

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A mistura argentina entre populismo político e gestão econômica terminou em tribunal de Nova York. Juiz norte americano determinou o arresto de cerca de US$ 500 milhões, depositados pelo governo argentino, para pagar bancos com os quais Cristina Kirchner havia pactuado. Porque, segundo o magistrado, o dinheiro não cobria valores reclamados por bancos que não tinham fechado acordo com o governo da presidente. Ao redor de US$ 1 bilhão.

Por esse motivo, a Argentina foi considerada em default, ou seja, praticando calote. Tenha ou não tenha razão, o governo argentino repete um tango que não é compatível com a boa gestão da economia. E com sadios costumes políticos. Parece que o neo bolivarianismo não é sustentável.

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A guerra mais recente e mais cruel entre Israel e Palestina é o novo fato velho da semana. Já se vão além de vinte dias de combate, mais de 1 mil palestinos mortos, entre eles, mais de duzentas crianças, de um lado, e cerca de cinquenta judeus mortos, de outro lado.

O estrategista chinês, Sun Tzu, dizia que a guerra é feita para propiciar a paz. O problema é que, ao menos neste caso, não se cuida do pós guerra. O pós guerra, na faixa de Gaza, é risco permanente de conflito. Ou se cuida de parceria programática, reunindo judeus e palestinos, com intermediação internacional, para promover o desenvolvimento da região, ou a guerra entre eles não finda.

E o entendimento, agora, poderia começar pela retomada dos acordos de Oslo, quase finalizados entre Béguin e Arafat, e mediados pelo ex presidente Bill Clinton.

sinovaldo

Por fim, o fato novo. A pesquisa que mostra tendência à introspecção de crianças que utilizam muito o computador. Ora, a vida contemporânea, com seu caráter competitivo e seu corte narcísico, já contribui, em si, para a falta de comunicação entre as pessoas.

Se, além disso, confirma-se em crianças alguma perda de senso de reação quanto ao outro, as relações humanas vão se tornando cada vez menos calorosas.

Até a próxima.

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1 agosto 2014 FULEIRAGEM

CAZO – COMÉRCIO DO JAHU

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