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O NOVO “TARIFAÇO” DE TRUMP E A REAÇÃO INTEMPESTIVA DE LULA

Editorial Gazeta do Povo

As idas e vindas da política comercial de Donald Trump voltaram a mirar o Brasil. Após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado, em fevereiro deste ano, o primeiro “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, a Casa Branca avisou que usaria a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para procurar e punir práticas consideradas desleais, justificando novas tarifas, e para muitos era questão de tempo até que os norte-americanos alegassem novos pretextos para retomar a cobrança sobre produtos importados de várias nações. No caso brasileiro, duas investigações separadas resultaram em duas recomendações de tarifas.

Na segunda-feira, dia 1.º, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou relatório recomendando uma tarifa de 25% a importações oriundas do Brasil, com algumas exceções. Entre os motivos estavam questões ambientais, falta de combate à pirataria e à corrupção, tarifas preferenciais a outros países como México e Índia, e a fúria censora do Supremo Tribunal Federal. Sobrou até para o Pix, em um trecho sobre um suposto prejuízo a “empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal empresa nacional” – um equívoco grosseiro, já que o Pix não pertence a empresa alguma, sendo um sistema de pagamentos implantado pelo Banco Central.

Uma segunda investigação dizia respeito ao combate ao trabalho escravo, e terminou com a recomendação de uma tarifa de 12,5% não apenas sobre produtos brasileiros, mas também de dezenas de outros países – mesmo os que já teriam mecanismos de combate ao trabalho escravo ou assinaram acordos com os EUA também seriam taxados em 10%, incluindo aliados próximos de Donald Trump, como a Argentina de Javier Milei. Nenhuma das duas tarifas sugeridas está em vigor; audiências sobre os dois relatórios estão marcadas para a primeira quinzena de julho, e só depois disso deve haver alguma decisão sobre a cobrança – que nem é certa, caso Trump esteja preocupado com efeitos inflacionários que reduzam as chances de seu partido nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Há muitas justificativas frágeis nos relatórios americanos – o caso do Pix é evidente, pois as operadoras de cartão continuam trabalhando tranquilamente no Brasil –, mas outras apontam problemas reais. As citações do relatório ao Supremo Tribunal Federal, por exemplo, são certeiras: tanto no que se refere ao desmonte do combate à corrupção, com a anulação constante de condenações da Operação Lava Jato, quanto no que se refere ao ataque à liberdade de expressão, com ordens de censura que chegam a invadir a jurisdição norte-americana – motivo pelo qual Alexandre de Moraes está respondendo a processo nos Estados Unidos. E, naquilo que os norte-americanos identificaram corretamente, a chance de haver qualquer mudança de rumo por parte do Brasil é nula.

Desde que Trump anunciou seu primeiro tarifaço, a Gazeta do Povo tem demonstrado o desacerto das medidas, no atacado e no varejo. Em termos gerais, o norte-americano prejudica seriamente o comércio global, comprovada ferramenta de geração de riqueza e prosperidade. No caso brasileiro em específico, punir setores inteiros da economia pelos abusos de algumas autoridades é algo totalmente desproporcional. Se Trump quer expor ao mundo os desatinos dos inimigos da Lava Jato no STF, como Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ou a censura de Alexandre de Moraes, que os sancionasse individualmente.

Mesmo que Trump esteja errado, no entanto, a reação brasileira à possibilidade de voltar a ter seus produtos taxados nos EUA retrocedeu aos níveis de infantilidade que marcaram os dias seguintes ao primeiro tarifaço. O presidente Lula, agora operando em modo 100% eleitoral, tem respondido com as bravatas de praxe, aproveitando para acusar seu provável rival na disputa pelo Planalto, Flávio Bolsonaro, de estar por trás das possíveis novas tarifas, já que o senador esteve em Washington e se encontrou com Trump dias antes dos anúncios do USTR. O petista chegou a insinuar que Flávio e seu irmão Eduardo deveriam ser enforcados como “traidores da pátria”.

No tarifaço de 2025, Lula teve mais sorte que juízo: Trump recuou porque sua política comercial causou inflação, não por causa das provocações do petista, que se mostrou disposto a sacrificar o exportador brasileiro para colher alguns pontos porcentuais em popularidade com o discurso da “soberania”. Ao repetir a reação intempestiva diante de um possível “tarifaço 2.0”, o petista mostra mais uma vez que só pensa em aproveitar eleitoralmente a nova crise, em vez de deixar para os adultos a tarefa de negociar para defender o produtor nacional e uma boa relação entre Brasil e Estados Unidos.

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O ETERNO VOO DE GALINHA

Alan Ghani

O PIB cresce, mas segue o eterno voo de galinha: avanço sustentado por estímulos fiscais, inflação, juros altos e mais endividamento das famílias

O PIB brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE em 29 de maio. Pelo lado da oferta, o desempenho foi puxado principalmente pela agropecuária (2,0%), indústria (1,0%) e, em menor escala, serviços (0,5%). Pela ótica da demanda, houve expansão do consumo (1,0%), do investimento das empresas (3,5%) e dos gastos do governo (0,4%), além de queda das exportações (-1,7%) e aumento das importações (4,4%).

Embora o resultado tenha sido acima do consenso de mercado (1,0%), não há nada o que comemorar, principalmente porque a dinâmica do crescimento continua baseada em estímulos fiscais com claras consequências negativas para a sociedade.

Não se trata de um crescimento sustentável calcado na elevação da produtividade. Pelo contrário, o aumento do PIB decorre de políticas econômicas populistas para estimular a produção em um curto período de tempo, às custas de condenar a nação ao atraso no médio e longo prazo

Desde a sua eleição, Lula tem anabolizado o crescimento do PIB com crédito subsidiado e desonerações fiscais seletivas para estimular o consumo a qualquer custo, mesmo que o resultado seja mais inflação, juros mais elevados e endividamento das famílias.

Se, de um lado, o país poderá crescer acima de 2% neste ano e a taxa de desemprego está em 5,8%, do outro, a expectativa de inflação para 2026 está acima de 5,00%, e há 80,4% de famílias endividadas, de acordo com pesquisa da CNC. Numa ponderação entre custo e benefício, será que as vantagens de um crescimento próximo de 2% e de um mercado de trabalho mais aquecido superam os efeitos colaterais gerados pelo populismo eleitoral para alcançar esses resultados?

A resposta é, evidentemente, não. Primeiro, porque o benefício do crescimento de 2% é muito pequeno para um país emergente. De acordo com o FMI, os países emergentes crescem, em média, 4,2%.

Segundo, porque os custos desse crescimento superam os benefícios. O crescimento anabolizado significa estimular a demanda acima do PIB potencial do país, com reflexos inflacionários. O que adianta uma reduzida taxa de desemprego se o poder de compra da população está diminuindo por conta da elevação do custo de vida?

Além disso, a inflação provoca elevação nas taxas de juros. Os juros mais elevados criam obstáculos para as pessoas saírem do endividamento. Não à toa, há 83,3 milhões de brasileiros inadimplentes, de acordo com dados do Serasa.

Outro ponto é que os juros mais elevados diminuem o investimento das empresas. O Brasil apresenta uma taxa de investimento muito pequena perto da média dos países emergentes. Nesse nível de investimento, é impossível sair de uma economia emergente para uma desenvolvida com redução significativa da pobreza.

A raiz desse eterno voo de galinha, e de nos contentarmos com o crescimento de 2% a 3% como se fosse algo espetacular, é o gigantesco tamanho do Estado brasileiro, que drena recursos do setor privado para o financiamento estatal e torna o custo de capital historicamente oneroso. Mas, na lógica populista do lulopetismo, o que interessa mesmo é criar a narrativa de que o país cresce como águia, quando, na realidade, voa como galinha.

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NARCO-CACHAÇAL

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, que entra em vigor nesta sexta-feira (5), forçará o mercado brasileiro a tomar medidas efetivas contra a lavagem de dinheiro.

Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tente retratar a medida como um risco para as empresas, ela tem grande potencial para moralizar o mercado e evitar que o Brasil se torne um narcoestado, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

A medida, anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA e que entra em vigor em 5 de junho, amplia o alcance de sanções financeiras e permite que autoridades americanas adotem medidas contra pessoas e empresas que mantenham vínculos com as facções.

* * *

Podemos nos tornar um narcoestado, conforme insinua a nota aí de cima.

Enquanto isso, continuamos sendo um cachaço-estado de grande envergadura, com a birita reinando no mais importante reduto federal.

Fazendo a fusão, aí vai brilhar no mundo um estado narco-cachaçal.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA