Foi um sucesso a inauguração, no dia 5 de dezembro, da exposição “Holodomor, o genocídio ucraniano”. A mostra de imagens e relatos gráficos permanecerá aberta à visitação até o dia 9 na sede da ADVB/RS. O evento é uma iniciativa da Faculdade de Filosofia São Basílio Magno, de Curitiba, e veio a Porto Alegre graças à determinação com que a jornalista Fernanda Barth tratou de buscá-la. Teve apoio local da ADVB/RS e de quase uma centena de colaboradores. Coube-me a conferência de abertura, que antecedeu à aula magna do padre Domingos Starepravo. Falei sobre a Revolução Russa e seu terrível legado.

Na primeira parte da minha palestra, tendo em vista o silêncio que envolve o Holodomor, fiz um teste sobre as criminosas ocultações no ensino de história em nosso país. Vali-me, para isso, da própria experiência do público presente, que incluía muitos jovens. Tenho certeza de que as unânimes manifestações que obtive não serão diferentes das respostas dos leitores destas linhas. São cinco pares de perguntas. Apenas cinco de inúmeras possíveis. Cada primeira pergunta leva à subsequente, que, por mero dever de ofício, senão por honestidade intelectual, deveria ser objeto de abordagem em sala de aula. Assim:

• Enquanto estudante, assistiu você a aulas em que as Cruzadas foram mencionadas e criticadas? E ouviu alguma referência à Jihad ou expansionismo islâmico?

• Lembra de alusões à interferência da CIA no Brasil antes e durante os episódios de 1964? E algo lhe foi dito sobre o que a KGB fazia no mesmo período?

• Ouviu, na escola, críticas eloquentes ao capitalismo? E lembra de qualquer menção ao socialismo que não fosse elogiosa?

• Eram frequentes os comentários depreciativos sobre a Igreja Católica? E alguma outra religião foi, também, objeto de críticas?

• Houve aulas a respeito da Revolução Russa e da vitória comunista sobre o absolutismo monárquico dos czares? E lembra de alguma referência ao terrorismo de Estado, à Cheka, aos vários genocídios que compõem a longa história dessa mesma revolução?

Enquanto as primeiras perguntas são respondidas afirmativamente por todos, as segundas sempre têm respostas negativas. Tais temas sempre foram silenciados! São páginas em branco. Tem-se aí a prova provada do muito que tenho denunciado sobre manipulação da verdade e ocultação de fatos, com destapado intuito político no ensino brasileiro, que está a exigir urgente despartidarização.

Em maio de 2015, o sindicato que representa os professores do ensino privado do Rio Grande do Sul se manifestou sobre o movimento Escola Sem Partido. A qualidade do ensino brasileiro despencava, o aparelhamento das instituições e o uso militante da cátedra elevavam o tom em proporção inversa, e o Sinpro-rs veio com tudo: “Retirar da Educação a função política é privá-la de sua essência” para colocá-la a serviço “da ideologia liberal conservadora”. A essa ideologia, os professores de nossos filhos atribuem todas as perversidades e tragédias humanas, das pragas do Egito ao terremoto do México, passando por Jack o Estripador e o naufrágio do Titanic.

Não é por acaso que nosso sistema de ensino se tornou um dos piores do mundo civilizado. Afinal, sua “essência” é ser campo de treinamento de militantes para os partidos de esquerda. Os dirigentes do sindicato dos professores do ensino particular (e não pensam diferente as lideranças dos professores do ensino público) estão convencidos de serem detentores não do dever de ensinar, mas do direito de doutrinar! E creem que essa vocação política, superior a todas as demais, “essencial à Educação”, encontra na sala de aula o espaço natural para seu exercício. Se lhes for suprimida a tarefa “missionária” e lhes demandarem apenas o ensino da matéria que lhes é atribuída, esses professores entrarão em pane, talvez porque isso seja precisamente o que não sabem. Pergunto: porque não tentam fazer a cabeça de alguém do seu tamanho? A minha, por exemplo?

3 Comentários

  1. alberto santo andre disse:

    na realidade boa ou a maioria dos professores hoje sao apenas as madrinhas da tropa de muares a serem formados no brasil e nao so no brasil pois afinal em boa parte do mundo culpam-se os capazes pela incapacidade e asniedade que grassam , como se aqueles que capazes, ao inves de demonstrarem sua capacidade , se abstivem , o mundo viveria melhor no alienismo do conhecimento , talvez o que consiga explicar alguma coisa a respeito e algumas frasede eisten , nos idos da decada de cincoenta , em uma delasele diz …. chegara uma hora onde se valorizara mais os animais que os humanos , e quando este dia chegar , a humanidade , como a conhecemos hoje estara chegando ao fim em uma curva reverssa para a idade da pedra .

  2. Sergio Rieffel disse:

    A humanidade, de uma forma geral, vai muito bem obrigado! Aqui e ali uns probleminhas com o meio ambiente, acolá uma ou outra guerrinha! Nada que se compare ao que acontecia no início do século passado, por exemplo. Agora, quem tá mal mesmo é o Brasil! Nada dá certo, nada é transparente, dois e dois nunca dá quatro! E infelizmente a tendência é continuar assim! Vamos ver o tanto de vagabundos que serão reeleitos nas próximas eleições!

  3. Flavio Feronato disse:

    Pois é, Puggina, o ensino vai mal, com professores analfas que acham que um sistema de governo de partido único funciona! E já fazem 100 anos e eles não percebem. Você mostra muita coragem ao abordar tal tema, mas será muito criticado pelos muares.

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