Oriunda de uma família pra lá de musical, Fernanda Cunha já nasceu envolta com a boa música popular brasileira. Sua árvore genealógica inclui desde a sua avó materna, Maria Aparecida Correa Costa, pianista e professora de piano e canto coral do Conservatório de Juiz de Fora; suas tias e compositoras Sueli Costa e Lisieux Costa até chegar a sua herança genética mais arraigada que era a sua mãe, a cantora Telma Costa. Telma aos 15 anos já fazia duetos com Chico Buarque em canções como “Sem fantasia” e em 1980, gravou em dueto com o mesmo a canção “Eu te amo“, parceria do compositor com Tom Jobim e que sem dúvida alguma é a lembrança mais constante daqueles que conhecem as escassas gravações da artista, apesar do belo álbum lançado por ela em 1983. Lastimavelmente, Telma faleceu de maneira prematura mas deixou como legado a sua pequena obra e a sua sucessora que vem cumprindo a risca essa difícil missão de fazer parte de uma família tão seleta.
 
Mesmo graduada em Psicologia Fernanda Cunha não resistiu aquilo que literalmente está em seu sangue e resolveu enveredar em definitivo para a música depois de sua primeira apresentação no Rio ao final de 1997. Suas apresentações tornaram-se cada vez mais constantes e ela começou a se apresentar em diversos espaços no Rio, como o extinto Mistura Fina e o Vinícius Piano Bar, por exemplo. Tudo isso sempre acompanhada por excelentes instrumentistas como o violonista Bilinho Teixeira, o pianista Helvius Vilella, a pianista Camilla Dias, o também pianista João Carlos Coutinho, o baixista Lúcio Nascimento e o baterista Adriano de Oliveira até o momento em que ela partiu para uma longa temporada no exterior, mais precisamente nos EUA, morando em Cleveland a partir do ano 2000. Em terras americanas, Fernanda resolve estudar canto no Cleveland Institute of Music, em Ohio.
 
Lá nos Estados Unidos Fernanda atuou como vocalista do grupo Brasil e com o violonista Michael Manderen, participou de alguns festivais de jazz (como o Blossom Summer Festival, Rock and Roll Hall of Fame e Shaker Square) acabou gravando o seu primeiro álbum intitulado “O tempo e o lugar” e que foi lançado em 2002 (mesmo ano em que resolve voltar para o Brasil) e contou com a participação de nomes como Márcio Hallack e Kip Reed como arranjadores, ip Reed (baixo), Matt Perko (bateria) e Gary Aprile (violão). Neste álbum gravado ao vivo no Clockwerke Studios, em Cleveland, ela procura dar vazão a interpretação de artistas que a influenciaram como Ivan Lins, Djavan, Toninho Horta entre outros.
 
Menos de dois anos depois, em janeiro de 2004, Fernanda grava seu segundo disco que procurou abordar a obra específica de dois grandes nomes da MPB: o grande instrumentista, cantor e compositor Johnny Alf e a fenomenal tia Sueli Costa. O disco foi intitulado “Dois corações” e vem com as luxuosas participações de Johnny cantando “Luz eterna“, e Sueli Costa canta “Bóias de luz“. Além de contar com os arranjos de Cristóvão Bastos, João Carlos Coutinho, Jorjão Carvalho e Camilla Dias. Mesmo sendo uma produção independente, “Dois corações” abriu as portas de importantes palcos no Brasil e a sua primeira turnê no Canadá, em 2005.
 
2007 seria o ano em que Tom Jobim faria 80 anos, e em homenagem ao maestro soberano Fernanda juntou sua belíssima voz a técnica do violão de Zé Carlos e prepararam o álbum denominado “Zíngaro“(O título do disco remete ao nome original de “Retrato em branco e preto”, nome original da primeira composição da dupla); um álbum de voz e violão com as 10 canções compostas por Chico Buarque e Tom ao longo de suas veredas musicais. Diferentemente do álbum anterior, o disco foi distribuído em todo território nacional pela gravadora CID e isso expôs ainda mais o talento incontestável de Fernanda Cunha a partir de diversos shows em diversas regiões do país e a sua participação em programas de televisão. Ainda no ano de 2007 retorna ao Canadá para se apresentar em diversos festivais de jazz de Vancouver, Edmonton, Calgary, Edmonton, Toronto e fez também todo o circuito das cidades de British Columbia. De 2007 em diante sua relação com o Canadá se estreitou ao ponto de todos os anos Fernanda passar um período do ano em terras canadenses.
 
A Excelente receptividade do público canadense em suas apresentações desde 2005 e sua relação tão intensa e próxima do Canadá acabou suscitando em Fernanda a ideia de gravar um álbum unindo canções dos dois países. O disco Brasil-Canadá que foi gravado em Edmonton (Canadá) no inicio de 2009 com os músicos canadenses Mike Lent (contrabaixo) e Sandro Dominelli (bateria), e o brasileiro Ricardo Rito (piano) e traz compositores como Sueli Costa, Noel Rosa, Marcio Hallack, , Joni Mitchel, Bruce Cockburn, Shelton Brooks, Alex Kramer, e Mike Lent. Mostrando seu lado autoral, A cantora assina duas faixas: “Quanto tempo faz” (c/ Mike Lent) e “Amanheceu” (c/ Ricardo Ritto e Luiz Sérgio Henriques). A produção do álbum ficou a cargo da Fernanda e do baixista Mike Lent.
 
Depois de 3 anos de expectativa, Fernanda apresenta agora em 2012 “Coração do Brasil“, álbum composto por 10 faixas e que inclui regravações como “Somos todos iguais esta noite” (Ivan Lins – Vitor Martins), “Não tem tradução” (Noel Rosa), “Adeus América” (Haroldo Barbosa – Geraldo Jacques) entre outras. Um álbum que muito se aproxima do repertório da artista apresentado em torno do mundo em suas apresentações diversas.
 
O título desta pauta não foi à toa, pois além do Brasil, Estados Unidos e do Canadá, Fernanda tem conquistado espaços fora das américas, pois tem intensificado suas apresentações em países como Portugal (Lisboa, Cascais, Porto); Espanha (festival Jazz Iberia, Badajoz); Austria (Ig jazz festival em Viena), Malásia (Borneo Jazz festival). Por isso afirmo com toda convicção que  Fernanda vem conquistado o mundo a partir do seu talento, simplicidade e uma árvore genealógica que faz jus a essa conquista.
 
Para audição dos leitores do JBF deixo aqui duas canções do saudoso Johnny Alf. São dois registros feitos por Fernanda em tributo ao pianista e a Sueli Costa, feito em 2004. A primeira trata-se de “Olhos Negros” (Johnny Alf e Ronaldo Bastos):
 

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 A segunda é “Fim de semana em Eldorado”, composição solo de Alf:

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Discografia:

– O tempo e o lugar (2002)
– Dois corações- Fernanda Cunha interpreta Johnny Alf e Sueli Costa (2004)
– Zíngaro – Fernanda Cunha e Zé Carlos interpretam as parcerias de Tom Jobim e Chico Buarque (2007)
– Brasil Canadá (2009)
– Coração do Brasil (2012)

Conheçam também a página de Fernanda Cunha clicando aqui.

1 Comentário

  1. Bispo Anderson Sousa RJ disse:

    Que linda voz, e arrajo fenomenal. Adorei.

    Um oásis…
    valeu o dia esse post.

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