Necrológio de Francisco Romano


Na era 91
No centro paraibano,
Dentro do termo de Patos,
Em março do dito ano,
No primeiro desse mês
Morreu Francisco Romano.


Ele, antes de morrer,
Tinha em casa destinado
De ir buscar uma imagem
Com quem tinha se pegado,
Mas antes dessa viagem.
Primeiro foi ao roçado.

Pegou o chapéu, saiu
Com uma faca na mão
E uma foice no ombro,
Foi tapar um boqueirão,
Embora fosse domingo,
Mas havia precisão.

Justamente foi o tempo
De a hora lhe ser chegada…
Romano dentro da roça,
Morreu de morte apressada:
Apagou-se aquele esprito,
Seu corpo virou em nada.

Foi num dia de domingo
Esse caso acontecido…
Nesse dia, às quatro horas,
Foi Jesus Cristo servido:
Duma morte violenta
Romano foi falecido.

De bruço caiu em terra
Com a tal faca na mão,
A outra mão sobre o peito,
Em riba do coração,
A foice do outro lado,
Bem junto dele, no chão.

Nesse entre, um filho dele,
Tendo de ir ao roçado,
Pra dar água a uns animais,
Por seu mano ter mandado,
Chegou, foi vendo o cadave
No chão, morto, istoporado.

O menino, quando viu,
Ficou cheio de agonia
De ver seu querido pai
Se acabar naquele dia…
Foi levar a notiça à mãe,
Coitada, que não sabia!

Choroso voltou pra trás
Do caso que aconteceu,
Foi chegando e foi dizendo:
- “Ruim notiça trago eu!
Minha mãe, meus irmãozinho,
Meu querido pai morreu!”

Em casa o choro foi tanto
Que fez um grande alarido,
A mulher correu pra roça,
À procura do marido,
Não morreu de sentimento
Porque Deus não foi servido.

Atrás da pobre mulher
O povo todo seguiu…
Quando ela viu o cadave
Por cima dele caiu,
A prece que fez ao céu
Parece que Deus ouviu.

Voltaram tristes pra casa,
O choro ninguém continha,
Romano veio numa rede,
A mulher em braços vinha,
Mandaram comprar mortalha
Na rua, de noitezinha.

Eu senti a morte dele,
Que ninguém não esperava!
Quando me veio a notiça
Que Romano morto estava,
Logo me veio à lembrança
O tempo em que nós cantava.

Conheço, desde esse dia,
Cantador entusiasmado…
Todo mundo quer cantar,
Cada qual dá seu recado
Porque quem se respeitava
Ja está em cinzas tornado!

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2 Comentários

  1. Paulo Barja disse:

    Esse é mesmo (junto com Leandro Gomes de Barros) O MESTRE!

  2. Isaltino Carneiro de Araujo disse:

    Buscando na NET estrofes de versos que meu pai cantava é que com alegria vos encontrei.

    do Necrológio de Francisco Romano havia uma versão cantada por ele (meu pai), que tinha lá pelo meio assim:

    No ano 99 no centro paraibano
    Dentro do termo de Patos
    Em março do mesmo ano,
    De uma morte apressada
    Morreu Francisco Romano

    Em casa o choro era tanto
    Com tão grande arruído
    Ali por morta a mulher
    Com pena do seu marido
    Não morreu de sentimento
    porque Deus não foi servido

    Falha-me a memória quanto à exatidão e quem cantou já é com Deus
    Gostaria de descobrir esta versão.
    Pode me ajudar?

    Agradeço

    Isaltino

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