20 março 2017ALTER EGO



Todas as noites, deixa o fantasma dos desencantos
ou das vitórias o lastro obscuro de cada peito,
todos os risos, todas as mágoas, todos os prantos
fogem, cantantes, e um corpo inerte fica no leito.

Esses noturnos seres estranhos, que olhos não sonham,
fremem nos ritos de alguma ronda desconhecida.
E, antes que as trevas depois do sono se decomponham,
voltam aos corpos para os labores de uma outra vida.

O eu verdadeiro vive nas sombras, belo ou monstruoso.
Só quando noite, libera as dores e as alegrias,
cantando todas – umas, cansadas; outras, em gozo.

E há, nessas horas, fundas insânias, carícias mansas,
medonhos gritos, pântanos negros, formas sombrias,
choros e anseios, trevas e angústias, sóis e esperanças.

4 Comentários

  1. Goiano disse:

    Belo poema; não conheço bem as regras poéticas, mas me consta que se o alexandrino já é difícil, quem dirá o arcaico.

  2. violante pimentel disse:

    Belíssimo soneto, com metrificação no estilo “bárbaro”, esbanjando lirismo e erudição! Magnífico!!!

  3. Glória Braga Horta disse:

    Nem sempre comento porque sou suspeita, mas a corujice
    costuma falar mais alto. Barbaridade, sô!

  4. Anderson Braga Horta disse:

    A beleza está antes em vossas vistas e ouças. Obrigado.

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