6 dezembro 2017DE MEIO-GOLE EM MEIO-GOLE



Eu e meu amigo abstêmio José Paulo, na casa do Editor Berto

Meu amigo detesta álcool, qualquer que seja a sua natureza: cerveja, whisky, cachaça. Nada. Conhaque, nem pensar. Mas, cavalheiresco que é, tolera os amigos que têm o paladar tolerante para as bebidas e com eles se senta às mesas, apenas para petiscar e jogar conversa para fora e para dentro … No seu caso, meio gole de champanhe a cada réveillon é o máximo a que se permite, porre maior com que se deleita. Ou seja, a cada dois anos, um gole completo de champanhe. Hoje, aos 60 anos e imaginando que seu ritual alcoólico teve início à flor de seus vinte anos, ou seja, há quarenta anos, chega-se à fácil conclusão que o meu amigo, ao longo de sua trajetória ‘boêmia’, ingeriu até agora 40 meio goles do precioso líquido francês, o equivalente a 20 goles de champanhe. Ou, feita a devida equivalência corretiva, um terço de uma garrafa do precioso líquido de origem francesa. Menos por curiosidade e mais por falta de algo melhor a fazer, usei goles d’agua para encher uma garrafa de champanhe secada no meu último réveillon e fiz a experiência que me indicou a necessidade de 120 meio-goles para enchê-la totalmente. Assim, uma garrafa integralmente cheia, tomada aos meio goles anuais, consumirá 60 goles líquidos, ou, na medida dele, 120 meio goles. Se a cada 2 anos ele bebe 1 gole e, desde que começou, já bebeu 20 goles, resta-lhe beber 40 goles para realizar a proeza de secar a garrafa, o que demandará exatos 80 anos, mantida a medida do meio gole anual. Assim, somente no réveillon de 2097 poderemos comemorar a festiva data. Até lá vou bebendo minha cervejinha diária para que, aos 147 anos, eu e ele, lúcidos, bengala a nos amparar, possamos comemorar a data, com mais um meio gole da bebida francesa. Levarei de presente uma garrafa de Krug Clos d’Ambonnay, feito com as melhores uvas Pinor Noir para o início de novo ciclo que se findará em 2157. De minha parte, após a festa, entornarei uma boa caneca de chopp e torcerei para que, na volta para casa, não me depare com os fiscais da Lei Seca.

10 Comentários

  1. Padre José Paulo. disse:

    Todos temos amigos especiais. Com o dom de escrever. Ou poesia correndo nas veias. Ou que sabem cultivar amizades. Ou que brilham, ao falar. Mas só tenho um que reúne todas essas qualidades. O grande Xico Bizerra. Saravá, meu irmão. Deus te guarde. Daqui a 80 anos, se possível. Ou mais.

  2. Cardeal XICO BIZERRA disse:

    Bebamos champanhes e palavras, aos meio-goles ou aos meio-termos, mas comemoremos sempre o que a vida nos proporciona, de champanhes, palavras e amizades.

  3. Goiano disse:

    Só podes estar de sacanagem, uma garrafa de Champagne Krug Clos D’Ambonnay comprada na própria França custa 2.500,00 Euros, que na conversão ficam aí pelos dez mil reais, de modo que se for comprar em algum revendedor no Brasil não dá para imaginar o preço que vão cobrar aqui!
    Para quebrar a banca mesmo basta pedir uma garrafa 1996, a cinco mil euros.

  4. Padre José Paulo. disse:

    Tem solução melhor e mais barata, Goiano. Suco de mangaba. Ou de cajá. Ou cajú. Se não tiver à mão, água de coco. Garanto ser mais saborosos que qualquer álcool. E mais barato, também. TIM TIM, amigo.

  5. Cardeal Xico Bizerra disse:

    e o melhor: sucos, bebemos aos goles, muitos … tim, tim

  6. Goiano disse:

    Não sou propriamente um bebedor, coloco-me mais do que no chamado social, mas aprecio. Por exemplo, falando, de suco, o caldo de cana, in natura, que seria aquele lado, e fermentado, que seria deste lado… de boa qualidade vale a pena, mas poucos goles, só para acompanhar uma boa refeição, ou para preparar as papilas gustativas para uma cervejinha.

  7. Cardeal XICO BIZERRA disse:

    paladares à parte e respeitados todos eles, gosto mesmo é de una cervejinha bem gelada. mas nao contrario os amigos e bebo, à falta desta, um whisky, um gim, um cuba libre ou até um caldo de cana. água, já bebi, mas não gostei muito …

  8. Padre Jose Paulo disse:

    Água é bom, amigo Xico. Posso garantir. Tente de novo.

Deixe o seu comentário!


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa