
Edson Fachin, presidente do STF, defendeu fim do inquérito das fake news e levou indireta de Flávio Dino, aliado de Alexandre de Moraes
O site Migalhas lembrou de algo que eu não tinha anotado: na sexta-feira passada, Edson Fachin, presidente do Supremo, ao lado de Lula, falava de suas prioridades à frente do STF e mencionou o fim do “inquérito do fim do mundo”. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino questionou se um juiz pode prometer o fim de um inquérito como se fosse candidato, ou apenas para receber aplauso. Uma indireta em Fachin. Isso me confirmou qual a posição de Fachin nessa divisão atual do Supremo: ele está apoiando essa tentativa de André Mendonça de separar o joio do trigo e tirar o joio, as frutas podres do STF.
Eu já havia feito uma análise colocando Fachin ao lado de André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, formando um quarteto, contra o outro quarteto formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dino e Dias Toffoli. Em cima do muro, por enquanto, eu havia colocado Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, que tem muito tempo pela frente e uma biografia a zelar, assim como Cármen Lúcia.
Esse caso vai demandar muita coisa na hora do plenário, que terá de avaliar a realidade óbvia que estamos vendo agora: Moraes envolvido numa quebra de sigilo de uma investigação que continua ajudando Vorcaro, porque revela possíveis alvos de futuras buscas e apreensões, e que agora já vão esconder provas. E Moraes, para se defender de Mendonça, usa uns relatórios de inteligência que não são nada – aliás, são sim, porque surgem como agravantes de crimes praticados lá dentro, tanto que já o chefe da inteligência e o diretor-geral da Polícia Federal acabaram afastados por Mendonça, com o apoio da segunda turma do Supremo. Gilmar tentou parar o julgamento pedindo vista, mas não deu certo, porque outros ministros já adiantaram voto e formaram maioria. E tudo isso acontecendo nas sombras – ou sob a luz, dependendo do resultado da eleição, já que agora, como veremos, as pesquisas estão mostrando uma virada.
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Lula já perde para dois candidatos no segundo turno, segundo pesquisa Nexus
Eu tenho falado das mudanças nessa reta final de campanha, em que Flávio Bolsonaro foi tirando a diferença que o separava de Lula. Era empate técnico, com três pontos de diferença, foi caindo para dois, para um, chegou a empate exato na Quaest, encomendada pelo jornal O Globo. Agora, pesquisa do Instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, já tem Lula perdendo para dois candidatos! No primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio tem 35% e Cury tem 9%. Mas no segundo turno Flávio está na frente, por 46% a 45%. Quando o adversário é Augusto Cury, mais gente que não votaria em Flávio de forma alguma e votaria em Lula passa a votar em Cury: ele vence Lula por 45% a 43%, uma diferença de dois pontos. Contra Ronaldo Caiado, a diferença ainda é de três pontos, 46% a 43% para Lula. Mas tudo isso ainda é considerado empate técnico.
As pessoas que não acreditavam em pesquisa estão vendo pesquisa agora. Eu venho argumentando, desde muito tempo atrás, com os que pensam “pesquisa de jeito nenhum”. Muita gente está tão neurótica com eleição que, se a pesquisa não sai como ela quer, não acredita na pesquisa. Mas é o que temos para avaliar – além, claro, da Avenida Paulista cheia de gente, e o palanque oficial de Brasília quase sem povo.
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Metodologia das pesquisas citadas na coluna
Quaest: 2.004 entrevistados pela Quaest de 3 a 6 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo S/A, Globo Comunicação e Participações S/A, TV Rede Globo/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-01720/2026. Nexus/BTG Pactual: 2.002 entrevistados pelo Nexus/BTG Pactual de 4 a 7 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-06790/2026.
