A PALAVRA DO EDITOR

EM CASA!

Caros amigos fubânicos:

Tive alta hoje e já estou em casa!

Gratíssimo pela força de todos vocês.

A partir de amanhã, este gazeta escrota voltará a ser editada normalmente.

Um grande abraços para todos!!!!

XICO COM X, BIZERRA COM I

PENINHA - DICA MUSICAL

ALEXANDRE GARCIA

KASSIO NUNES ACUADO NO TSE ASSISTE GILMAR AUTORIZAR BOLSA FAMÍLIA DURANTE CAMPANHA

Kassio Nunes tem postura acuada no TSE enquanto Gilmar Mendes decide questão eleitoral no STF

Estou preocupado com a Justiça Eleitoral sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, porque ele me pareceu acuado na reunião plenária do Supremo de terça-feira, dia 15, sob ameaças de mostrar a tal mulher de R$ 10.000. O filho dele, o Kevin, ganhando R$ 500.000 por mês do Master. Ele chegou a pedir para ir embora lá no Supremo para sair daquela reunião, tão assustado estava. Alegou que, como presidente do TSE, não poderia participar da reunião, mas foi uma fuga para não se tocar muito no assunto.

Como é que ele se sente lá na presidência do TSE quando Gilmar Mendes decide sobre um assunto que está na Justiça Eleitoral, que é a questão do aumento do Bolsa Família para ser pago entre o primeiro e segundo turno? Questão que Gilmar certamente combinou com Lula: que o Messias entraria com um pedido, ele se lembraria que tinha sido relator de um caso parecido lá em 2020, aparecia como relator e decidia: “Não, isso está decidido, é constitucional, não tem nada contra”.

Quando o artigo 299 da lei eleitoral mostra muito bem que qualquer benefício oferecido, prometido, entregue em época eleitoral é compra de voto. Isso aí é um reajuste do valor do Bolsa Família. Gilmar não pensou ao decidir que nem está no orçamento. Não se pode autorizar uma despesa que não esteja prevista no orçamento.

E outra: a cronologia. Vai ser pago dia 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno. Meu Deus.

O presidente do TSE não vai botar a boca no mundo nesse absurdo? Eu fico preocupado com isso. E daqui para frente os desafios dessa eleição tão decisiva, que pode decidir anistia para o 8 de janeiro, que pode decidir o fim do desespero das questões fiscais brasileiras, o desequilíbrio fiscal, o excesso de dívida pública, a corrupção pegando solta, o desrespeito à lei nos Três Poderes.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, irmão do José Genoino, afirmou: “Não, o caso do Supremo está enterrado”. Imagina, isso mostra a vontade do governo: “não se fale mais no Supremo”. Não, tem que falar. Tem que falar em Dino, pendurado em Lula, e Moraes, pendurado em Lula, além de Gilmar, Zanin e Toffoli. Não tem como separar, e Lula sabe disso. Está pesando mesmo.

Falar difícil para dizer o óbvio

Mas uma outra questão: A Folha de S.Paulo publicou um relatório da Agência Brasileira de Informação (Abin) sobre a influência de Washington nas eleições brasileiras. Vi aqui um termo que chegou a um nível de “criticidade”. Procurei no Aurélio e não achei; no Paulo Freire está “criticidade”. Tudo bem, pode estar lá no Caldas Aulete, Michaelis. “Criticidade”. Linguagem tem que ser simples e clara para todo mundo entender.

Decerto queriam dizer “nível crítico”; é tão mais simples. Meu Deus do céu, como as pessoas gostam de complicar o que é simples. Chamar avião de aeronave, disponibilizar em vez de oferecer, comercializar em vez de vender. Para que isso? Que perda de tempo.

O poder dos charutos de Vorcaro

Bom, vamos em frente. Agora o corregedor-geral de Justiça, aquele “missão cumprida”, Dolce & Gabbana, Benedito Gonçalves, aparece no celular de Vorcaro em 2024 dizendo: “Sempre à disposição, amigo, obrigado pelo carinho. Vamos marcar o charuto”.

Eu acho incrível a atração que o charuto de Vorcaro exerce sobre homens públicos Eu sou um fã de Freud e vejo Freud com charuto. Era um fumante de charuto. Mas também era o formulador da teoria da simbologia do charuto marcada lá no inconsciente da pessoa. E aí eu fico preocupado.

Bom, Vorcaro continua preso. Agora o pai dele está com diverticulite, segundo alega a defesa. Isso faz com que Vorcaro fique com uma expectativa muito maior. E a defesa está pedindo que Henrique Vorcaro, 64 anos, possa se tratar fora da prisão.

Mas quem é o relator? Porque o Fachin abrangeu tudo. Ainda ontem eu falava com uma pessoa lá do Supremo: Zé Fachin está agindo como monsenhor. Parece que ele está lidando num seminário, numa congregação. E, no entanto, como o Gilmar lembrou, até a máfia tem regras.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

A ÉTICA E A LEI

Imagine que um sujeito foi contratado como diretor de uma grande empresa privada e resolve mandar reformar seu escritório, instalar uma hidromassagem e um home theater e comprar um carro importado, tudo às custas da empresa. Certamente será demitido ou talvez encaminhado a um hospício.

Mas dentro do governo isso é normal e corriqueiro.

Imagine que em uma empresa privada descubra que um funcionário de alto escalão tem uma esposa que trabalha na empresa concorrente. Certamente será demitido porque é uma situação inconveniente, mesmo que não tenha sido encontrada nenhuma irregularidade concreta.

Mas dentro do governo isso é normal e corriqueiro.

Imagine que em uma empresa privada um funcionário que mexe com grandes quantias de dinheiro começa a ostentar uma riqueza incompatível com seu salário: carro novo, viagens ao exterior, relógios caros. Certamente a empresa não irá esperar por uma longa e minuciosa investigação para afastar o funcionário.

Mas dentro do governo isso é normal e corriqueiro.

Quando a polícia investiga um crime, é comum que seja pedida a prisão preventiva ou temporária de pessoas sem que exista nenhuma prova concreta contra elas: costuma-se alegar “conveniência da instrução criminal”.

Mas isso nunca acontece com quem faz parte do governo.

O fato é que ao longo de muito tempo o governo conseguiu moldar a sociedade para que esta “normalize”, para usar uma palavra da moda, o uso de dois pesos e duas medidas para a moral e a ética: uma para ele mesmo, o governo, outra para os reles mortais. Como isso aconteceu?

Desde o início da humanidade existem conceitos que orientam as pessoas sobre o certo e o errado. As palavras mais usadas para descrever estes conceitos são “moral” e “ética”. Eles não são absolutos, mas em geral cada sociedade e cada cultura tem o seu consenso.

Mas ao longo da história o poder dos governos foi aumentando, e para consolidar e justificar esse poder, os governos substituiram, pouco a pouco, a moral e a ética pelas leis. Na explicação deles, a lei é sempre um reflexo da moral e da ética, e portanto a troca não causa nenhum problema. Mas a explicação deles não é verdadeira.

A lei não é feita para refletir a moral e a ética, pelo contrário: é feita para substituí-la, e para dar aos seus autores o monopólio da decisão sobre o certo e o errado. O povo, despreparado e incauto, abre mão de seu raciocínio e terceiriza a decisão para o governo. Quantas vezes você já viu perguntarem a um político se ele era honesto e ele responder “nunca fui condenado por nenhum crime” ou “nunca provaram nada contra mim”? É essa a idéia: o certo e o errado passam a ser definidos pela burocracia do governo.

Se o povo está preocupado com a corrupção, o governo também está, e a solução do governo é simples: se a corrupção é legalizada, não é corrupção. Assim, chegamos à seguinte situação:

– Não é ilegal um juiz, político ou funcionário público receber presentes caros de uma empresa e depois tratar de assuntos que interessam a essa mesma empresa.

– Não é ilegal um governo conceder vantagens, incluíndo benefícios financeiros, a uma empresa, se forem seguidos os procedimentos burocráticos e providenciados todos os carimbos necessários. (Como disse um jornalista, “Licitação é o processo pelo qual os políticos repassam o dinheiro público para seus amigos e parentes de forma legal e transparente.”)

– Não é ilegal um juiz tratar de um caso onde sua esposa é advogada de uma das partes.

– Não é ilegal um político fazer leis que beneficiem uma parcela da sociedade da qual ele mesmo faz parte.

– Não é ilegal ter regras diferentes para julgar uma mesma situação quando ela ocorre dentro ou fora do governo.

– Não é ilegal o governo conceder para seus membros vantagens e privilégios, e quando questionado ele mesmo julgar a legalidade destas vantagens e privilégios.

É claro que tudo isso é imoral e não deveria ser aceito por uma sociedade formada por seres pensantes. Mas o governo, o jornalismo, o sistema escolar, o cinema, as novelas da TV e vários etc trabalham incessantemente para que as pessoas deixem de ser seres pensantes e passem a ser seres que “obedecem à lei”.

PENINHA - DICA MUSICAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA