1967 – A Whiter Shade of Pale
Guilherme Macalossi

Em Desenrola 2.0, governo Lula aposta em renegociação de dívidas com bloqueio de CPF em casas de apostas
O Desenrola 2.0 é um monumento à bola de neve do endividamento como política induzida pelo governo. Os brasileiros foram instados a consumir despudoradamente porque Lula desejava manter a economia aquecida durante todo seu mandato e vender a pauta eleitoreira do “Brasil pujante”. Emprego, renda e consumo articulados como slogans de campanha. Uma receita política que deu certo em 2006, mas que parece não se repetir vinte anos depois. O cidadão comum, mesmo empregado, está no limite, com sua renda mensal dissolvida em contas que vão se sobrepondo, aniquilando qualquer percepção residual de bonança.
É importante ressaltar que a primeira edição do programa Desenrola não foi pensada com o fito de resolver o problema financeiro que, na época, já engolfava 73% da população em 2023. O propósito era mascarar uma camada profunda de dívidas com uma repactuação de contas que serviria para que as pessoas fossem lançadas ao mercado para comprar e se endividar novamente. Há uma coletânea de frases de Lula incentivando que os brasileiros consumissem mais.
Já no discurso de posse, o presidente sinalizou qual seria a toada de sua política. ”A roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo”, disse. Em julho do mesmo ano, em uma entrevista a jornalistas, falou especificamente do Desenrola, que iria, em suas palavras “libertar milhões de brasileiros que vão poder voltar ao consumo livremente, alegre, sorrindo, podendo comprar aquela coisinha que ele sonha comprar”.
Veio o Desenrola, e, na sequência, o crédito consignado descontado na folha de pagamento. Ao invés de diminuir, o número de pessoas que contrataram passivos impagáveis aumentou ainda mais. Como um pato submetido à gavagem, a economia brasileira engoliu crédito goela abaixo até que explodisse na forma de um endividamento ainda mais avassalador. O foie gras indigesto servido pelo PT não cabe no bolso da população.
Ao mesmo tempo em que incentivou o endividamento, o governo mesmo se endividou. A trajetória explosiva das contas públicas inviabilizou qualquer corte drástico na taxa de juros, que deverá ficar ainda por um bom tempo bem acima dos dois dígitos. A precificação desse percentual foi parar na conta do trabalhador que, na ponta, foi induzido a tomar dinheiro emprestado do sistema bancário para, como disse Lula, “voltar ao consumo livremente, alegre, sorrindo”.
A crescente impopularidade do presidente e o aumento da competitividade de seus adversários mostra que ninguém parece estar “alegre, sorrindo”. Ao contrário. Com o boleto vem a frustração, e uma hora a conta chega, seja na caixa de correspondência, seja na urna eletrônica.
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) May 6, 2026
À Nice
Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.
Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!
Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!
Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Qual nota você dá para esta liberdade de ser?
E se sua mãe, avó, ou bisavó se vestisse assim? pic.twitter.com/mHyorHFd1d
— Elise Wilshaw (@EliseWilshaw) May 6, 2026
Comentário sobre a postagem A URNA “PILILI”
Maurino Júnior:
Na era da Idiocracia, não basta simplificar: é preciso infantilizar. A realidade já não deve ser compreendida — deve ser mascoteada, colorida, domesticada até caber no recreio da superficialidade.
Surge então “Pilili”, não como símbolo cívico, mas como sintoma clínico e cínico: a política reduzida à pelúcia e o voto transformado em brinquedo pedagógico para adultos que desaprenderam a ser adultos.
Aplaude-se não a ideia, mas o alívio de não precisar pensar. A complexidade democrática, que exige consciência, responsabilidade e maturidade, é trocada por uma caricatura simpática — porque refletir cansa, mas sorrir para bonecos é confortável.
Eis o triunfo da estética sobre a substância, do afago sobre o argumento.
A Idiocracia não se impõe com violência; ela seduz com fofura. E, quando percebemos, já estamos debatendo mascotes enquanto o essencial escorre silenciosamente pelos dedos.
No fim, não é “Pilili” que nos representa — é o aplauso acrítico que a consagra.
Esse é o país do futuro.
Como existe gente cretina no mundo.
E me parece, que 99,9% deles, estão aqui nesta terra infeliz.
* * *
