
Nos EUA, Flávio Bolsonaro afirma que é o “líder do Brasil”. Inicialmente, o senador havia se declarado o “verdadeiro presidente eleito”
Flávio Bolsonaro e a família receberão visto de residência, para permanecer nos Estados Unidos. Ele se lançou como líder da oposição – chegou a falar em “presidente eleito”, mas recuou – no exílio. Mas as manifestações de seu partido e de outros políticos aqui no Brasil nos deixam na dúvida sobre com quem ele vai trabalhar.
O PL já reconheceu o resultado das urnas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou da nota de Flávio, e fez essa declaração ao sair de um encontro com Jair Bolsonaro, que não sabia – ao menos foi o que disse Costa Neto – da saída de Flávio. Depois, Tarcísio de Freitas também disse que o resultado da eleição está finalizado e não cabe contestar o resultado das urnas, porque somos democratas, e que é preciso fazer uma oposição responsável.
Mais ainda: Ives Gandra Martins, uma liderança jurídica liberal, também disse que Lula foi eleito, ponto final; que foi um erro de Flávio se autoproclamar “presidente eleito”; e que cabe agora fazer oposição e ir ao ponto: Lula gastou uma montanha de dinheiro público para se eleger. Isso, sim, justifica uma ação no Tribunal Superior Eleitoral. Mas é difícil imaginar que o TSE vá anular o registro da candidatura de Lula ou cassar o diploma.
O fato é que a posse já está marcada para 5 de janeiro – costumava ocorrer no dia 1.º, mas a data foi mudada por uma emenda constitucional de 2021. O objetivo é poder receber mais convidados do exterior e de outros locais onde também tenha havido posse, ou permitir que as pessoas venham depois das festas de fim de ano. O dia seguinte à passagem de ano realmente dificultava uma presença maior do público e de convidados.
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Novos números da dívida mostram que ajuste fiscal é urgente
A situação econômica está mais difícil do que se imagina, e ficará ainda pior se não houver medidas drásticas de corte de despesas, o que Lula dificilmente fará. O Banco Central anunciou que as contas do governo Lula, até 30 de setembro, tinham déficit primário de R$ 94,3 bilhões – no ano passado eram R$ 79 bilhões. Com os juros, o déficit chega a R$ 113 bilhões. Os juros pagos em 12 meses somam R$ 1,2 trilhão.
O total da dívida pública é de R$ 11,1 trilhões; pelo padrão do FMI, essa dívida está em 95,2% do PIB, ou seja, de tudo que o país produz durante um ano, quase tudo já está comprometido com a dívida. É muito perigoso, e pode levar as pessoas a ter dúvidas sobre os papéis do governo, pode provocar uma crise de crédito muito grande, e a tendência é que os juros subam. Obviamente, isso aumenta o endividamento das pessoas: 30% da renda das famílias já está comprometida com dívidas. Isso é muito grave, e anuncia quatro anos muito difíceis.





