DEU NO X

DEU NO JORNAL

SÓ LEVAREMOS A SÉRIO CANDIDATOS COMPROMETIDOS COM O FIM DOS ABUSOS

Luís Ernesto Lacombe

Em época de eleição, fica muito evidente uma característica dos políticos brasileiros: quase nada do que eles fazem é para o bem do Brasil e do povo. Os interesses particulares, partidários, ideológicos, corporativistas, mercadológicos costumam definir as ações. Até que se aproxima a hora de os eleitores voltarem às urnas. Aí parece que os candidatos passam a pensar no que realmente importa. É uma postura transitória, invariavelmente, um movimento oportunista para caçar votos dos desinformados, daqueles que não têm senso crítico e capacidade de registrar e guardar na memória grande parte do que já vivemos.

O exemplo mais evidente disso vem do atual ocupante do Planalto. De repente, Lula resolveu demonstrar preocupação com o endividamento recorde dos brasileiros. Nunca o país teve tantos inadimplentes. Nunca essa gente deveu tanto. Quase 82 milhões de pessoas têm, hoje, dívidas que não conseguem pagar, dívidas que somam R$ 539 bilhões. E esse quadro não surgiu de uma hora para outra. Se o petista agora considera esse tema importante, isso obviamente tem a ver com a queda dele nas pesquisas eleitorais e de popularidade.

Governos petistas sempre incentivaram o endividamento das pessoas, de várias formas. E, ao mesmo tempo, são especializados em produzir seus próprios déficits, rombos e suas dívidas. Diante disso, um Banco Central comprometido com o controle da inflação não pode baixar a taxa básica de juros. Hoje, a Selic está em 14,75% ao ano, e é apontada por economistas como o principal fator do endividamento do povo. Lula gasta demais e gasta mal. Ele tem empurrado o país e a maior parte da população para o buraco, impedido a queda dos juros, e finge que não tem nada a ver com o problema, mas com a solução, que, partindo dele, certamente, nunca virá.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema agora surgiu como um grande crítico de abusos, arbítrios e ilegalidades praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal. É um comportamento que surgiu justamente com o fim de seu segundo mandato à frente do estado e o início da pré-campanha presidencial. Ao longo de seus dois mandatos como governador, sua postura foi predominantemente pragmática. Não há registros de críticas sistemáticas, confrontos diretos ou denúncias públicas consistentes contra os inúmeros absurdos que partiram do Supremo. O Partido Novo, sim, fazia críticas pontuais à censura e ao Inquérito do Fim do Mundo, mas Zema não liderou ou amplificou esse discurso.

Ele tem apresentado propostas boas para tentar moralizar o Supremo, mas a pergunta é: essa atitude está ligada apenas a um interesse eleitoral? Os embates com Gilmar Mendes têm favorecido o ex-governador mineiro… Uma das pesquisas indica que Zema saiu de quase zero para 7% das intenções de voto em poucos dias. Sim, ele é um bom gestor, já provou isso. Sim, seu foco era a administração estadual, mas os embates nacionais com a maior corte do Judiciário não podem mais ser evitados, e também não podem ser passageiros, apenas peça de propaganda política.

Só podemos considerar candidatos a presidente sérios aqueles que assumirem posição contrária aos desmandos de ministros do Supremo como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, eles principalmente. É preciso haver, de alguma forma, um compromisso inabalável com a defesa da Constituição, das leis, da liberdade, do devido processo legal. É isso que se espera dos três principais opositores de Lula: Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado – que, infelizmente, no ano passado, entregou a Toffoli, Gilmar e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o Título Honorífico de Cidadania Goiana… Que a campanha eleitoral indique o correto, o que deve ser feito, aponte para aquilo que importa mesmo ao Brasil, e que ninguém se desvie jamais desse caminho.

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

BILHÕES E BILHÕES

O governo Lula (PT) distribuiu mais de R$ 500 milhões em emendas parlamentares nas últimas duas semanas.

No total, já são mais de R$ 2,5 bilhões em emendas pagas pela administração petista, este ano. Há 14 dias, o total era de pouco mais de R$ 2 bilhões.

As emendas individuais dos parlamentares custaram R$ 1,35 bilhão aos pagadores de impostos, enquanto R$ 1,17 bilhão custearam as emendas de bancadas.

Os números estão na transparência do Tesouro Nacional. O Portal da Transparência do governo Lula contabiliza apenas R$ 269 milhões.

A previsão do governo é pagar R$ 13 bilhões (já empenhados), este ano, diz o Portal da Transparência. O Orçamento prevê de R$ 50 bilhões.

Em 2025, foram pagos R$ 28,9 bilhões em emendas parlamentares, segundo o Tesouro Nacional.

* * *

A nota aí de cima diz que a previsão é pagar 13 bilhões este ano.

Um número coerente: 13 é a dezena da patota que comanda o país atualmente.

A nota diz também que estas emendas bilionárias foram custeadas pelos “pagadores de impostos”.

Se tem algum leitor aqui que é pagador de impostos, nós gostaríamos de ouvir sua opinião sobre essa farra bilionária.

Fique à vontade!

XICO COM X, BIZERRA COM I

O BICHINHO SORRIDENTE E O POLÍTICO INDECENTE

Que me perdoe Pitágoras, mas mais um dia que se vai e eu não precisei usar o cateto da hipotenusa para absolutamente nada. Em contrapartida, tive a grata satisfação de, através do excelente CRÔNICAS PANDÊMICAS, de Zé Teles, tomar conhecimento do sorridente Quokka. Que diabo é Quokka e de que ele ri? Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de Quokka que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qualquer motivo? Não creio que nele resida o riso do cinismo e desfaçatez tão comuns a alguns políticos em período eleitoral, época de caça aos votos. Para não deixar pela metade o compêndio de cultura inútil, informo que os Quokkaa são herbívoros, de hábitos noturnos e possuem uma bolsa na barriga onde as fêmeas carregam e amamentam seus filhotes. Se quiserem conhecê-los melhor e tiverem preguiça de consultar o Google é só comprar uma passagem para a Ilha Rottnest, lá pras bandas da Oceania, mas já sabendo que o bichinho é considerado uma espécie vulnerável, protegida pelas leis australianas, sendo proibido tocá-lo ou alimentá-lo. Distância deles, pois. Dos homens que riem por cinismo, também. Estes, ao contrário daqueles, são nocivos à boa alma.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

OS SINAIS QUE NÃO FECHAM

Está sendo muito falado mais um possível vínculo entre Moraes e Master, ou Moraes e Vorcaro. A partir daquela conversa entre Vorcaro e sua então namorada, em que ele diz que está recebendo, no apartamento em Campos — no caso, Campos do Jordão —, o ministro Alexandre de Moraes.

* * *

A conversa que levanta suspeitas

E ela pergunta: “e aí? Ele gostou do apartamento?” É uma pergunta que só cabe se alguém está vendendo o apartamento, alugando o apartamento ou, enfim, apresentando o imóvel para alguém.

Se eu fosse dar uma gravata para alguém, e depois essa pessoa comentasse com algum amigo meu, perguntaria: “e aí, ele gostou da gravata?” A menos que Moraes seja um admirador de decoração de interiores. Ficou estranho.

* * *

Contratos milionários sugerem possíveis contrapartidas

E o que está se noticiando é que a Polícia Federal está investigando para saber se Moraes, além do contrato de R$ 129 milhões, ainda recebeu imóvel ou imóveis. Lula recebeu um triplex no Guarujá, um sítio em Atibaia.

Enfim, indiretamente, sim, porque, com o dinheiro da mulher de Moraes, com aquele contrato, já recebeu no escritório da família. Foram R$ 80 milhões, e ele comprou uma mansão em Brasília de R$ 12 milhões.

Então, indiretamente, já foi um presente. Isso tudo está sendo investigado. Moraes e Toffoli estão em um beco sem saída, porque todo mundo viu Toffoli blindando, congelando.

* * *

O papel de Toffoli para travar o inquérito

Quando ele era relator do inquérito do Master, o inquérito não andava, estava tudo parado. A Polícia Federal não podia fazer nada.

Ele assumiu aquilo e disse: “é meu, esconde, esconde tudo, não mostra para ninguém; se fizer busca e apreensão, não mostra para ninguém, fica às sete chaves.”

Só depois, pelo ruído da opinião pública invadindo o Supremo, o tribunal colocou Toffoli em uma situação em que ele teve que abrir mão disso.

Se declarar, obviamente, impedido, já que a empresa dele e o Tayayá receberam aportes de R$ 25 milhões, R$ 30 milhões, R$ 35 milhões. Entre esses grandes aportes, constam os do próprio Master, do Vorcaro.

* * *

Delegado em missão nos EUA cometeu dolo eventual

Bom, e uma outra coisa: esse delegado que estava lá, arapongando, dedurando o ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.

Foram investigar quem é o delegado Marcelo Ivo e descobriram que ele estava usando um carro importado que tinha sido apreendido pela Polícia Federal. Estava usando o carro, estava embriagado e atropelou uma pessoa — um vigilante —, que morreu.

Isso se chama dolo eventual, porque, ao beber, a pessoa assume o risco de causar dano a alguém ou a algum patrimônio. O nome disso é dolo eventual.

E, ainda assim, ele foi premiado com essa missão na Flórida, que dá direito a diárias, pagamento em dólar. Morava em um apartamento excelente, dava festas.

Parece que a arapongagem dele acabou por chamar a atenção para tudo isso — senão, passaria despercebido.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

ANISTIA PARA AMERICANO VER

Editorial Gazeta do Povo

editorial anistia venezuela

A ditadora Delcy Rodriguez anunciou que não haver mais presos políticos beneficiados pela lei de anistia aprovada após a captura de Nicolás Maduro

Em fevereiro, o Legislativo venezuelano aprovou uma lei de anistia que estava muito longe de proporcionar a libertação de todos os presos políticos encarcerados ao longo de anos de repressão sob o ditador Nicolás Maduro. Embora o texto legal não tivesse prazo de validade, nesta quinta-feira, dia 23, a ditadora Delcy Rodríguez anunciou o fim do processo: quem conseguiu a liberdade pode comemorar, mas quem não deixou as prisões chavistas até agora continuará detido; pode até recorrer ao Programa para a Paz e Convivência Democrática ou à recém-instalada Comissão para a Reforma da Justiça Penal, mas sem garantia nenhuma de sucesso.

As organizações de direitos humanos que monitoram a situação dos presos políticos na Venezuela informaram que, desde a captura de Maduro por forças norte-americanas no início de janeiro deste ano, 768 pessoas foram libertadas – dessas, apenas 186 saíram dos centros de detenção chavistas por se beneficiarem da lei de anistia. No entanto, ainda há 473 presos políticos na Venezuela, até porque a legislação continha um truque, aplicando-se apenas a certos eventos específicos, e deixando de lado condenados por crimes comuns – sendo que o Judiciário e o Ministério Público chavistas costumavam usar acusações como corrupção para se livrar de opositores, que não estariam contemplados pela anistia nesses casos.

Se Delcy Rodríguez se sente à vontade para encerrar unilateralmente a aplicação da lei de anistia recém-aprovada, é porque de alguma forma ela se percebe mais confortável no posto, a ponto de manter na cadeia centenas de dissidentes sem medo de alguma retaliação da parte dos Estados Unidos – que, desde o fim de fevereiro, têm preocupações muito maiores, com a campanha no Irã. O grande perigo, para os democratas venezuelanos que nutriram a esperança de uma mudança de regime em Caracas, mesmo que no médio prazo, é que se esteja caminhando para uma situação em que a manutenção da ditadura socialista se torne aceitável para todos.

No início de março, o governo Trump reconheceu formalmente Delcy Rodríguez como governante legítima da Venezuela. Na última quinta-feira, o Fundo Monetário Internacional anunciou a retomada das relações com o país. Até a oposição brasileira já planeja uma visita à Venezuela para abrir canais de negócio com os vizinhos, em um reconhecimento tácito não muito diferente daquele que Lula deu a Maduro quando mandou a embaixadora brasileira à “posse” do chavista, no início de 2025. Isso nada mais é que legitimar uma fraude eleitoral: Delcy era a vice de Maduro, que se proclamou vencedor da eleição de 2024 após uma violação grosseira do processo de apuração. Enquanto isso, o vencedor legítimo daquele pleito, Edmundo González Urrutia, segue exilado na Espanha. A principal líder oposicionista, María Corina Machado, também está fora do país.

Dois terços dos venezuelanos querem eleições ainda este ano. No entanto, quanto mais os atores internacionais aceitam Delcy Rodríguez como interlocutora, mais fortalecem a posição dos fraudadores, e não a dos democratas. Como os bolivarianos insistem que seu presidente ainda é Maduro, com Delcy sendo apenas uma interina, já se produziu a situação de “falta absoluta” que, segundo a Constituição, exigiria a convocação de novas eleições. Isso, no entanto, não importa para o Legislativo e o Judiciário dominados pelo chavismo, que seguirão prorrogando o mandato da ditadora indefinidamente. O atual mandato presidencial – que deveria estar sendo exercido por González, mas foi usurpado por Maduro e Delcy – vai até 2031; que o povo venezuelano não precise esperar tanto para ver a democracia retornar a seu país.