RODRIGO CONSTANTINO

O SIMBOLISMO DE UMA IMAGEM

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O senador e pré-candidato a Presidência Flávio Bolsonaro durante encontro com o presidente Donald Trump, dos EUA, nesta terça (26)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu o encontro com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, com direito a uma foto e tudo. Até a hora do almoço de terça-feira (26) esse encontro não estava garantido, principalmente pela agenda corrida de Trump. Mas Flávio foi capaz de se reunir com o presidente, mesmo não sendo chefe de Estado, e isso representou um gol importante em sua campanha.

Claro que não significa um endosso de Trump à candidatura de Flávio, e não deveria. Mas é um sinal de respeito inequívoco, que serve também para mostrar ao presidente Lula que existe alternativa para os Estados Unidos. Trump vem negociando com Lula pautas sensíveis, e o presidente brasileiro promete muita coisa, mas não entrega. Agora mesmo baixou decretos que incomodaram as Big Techs. Trump quer um Brasil mais afastado da China, e Flávio representa a candidatura mais alinhada do ponto de vista ideológico.

Na questão das organizações criminosas, Flávio Bolsonaro levou a Trump a demanda pela classificação do CV e PCC como grupos terroristas, o que mostra o abismo em relação à postura lulista, que se recusa a definir assim essas entidades, chama traficante de vítima de usuário, veste literalmente o boné de uma facção e sobe morro dominado sem escolta policial.

A campanha de Flávio estava na defensiva, nas “cordas”, principalmente por conta dos áudios vazados das conversas com Daniel Vorcaro. Tinha também o caso da “rachadinha” de Mario Frias, aliado próximo, e nova operação da Polícia Federal mirando Cláudio Castro no Rio, outro aliado. A foto com Trump dá fôlego novo para a campanha, e ajuda a reverter esse quadro. Lauro Jardim comentou no Globo: “Passado o choque, empresariado volta a ter Flávio Bolsonaro como candidato preferencial”.

Caberá ao Flávio, agora, buscar se afastar dos aliados mais tóxicos e radicais, de olho na turma do mercado e nos eleitores de centro, que Lula tem conseguido seduzir em maior número. A aproximação de Trump ajuda nesse sentido, e a esquerda, esquizofrênica, não consegue decidir se responde alegando que Lula também esteve com Trump ou se receber os afagos do presidente americano é ameaça à soberania nacional pelo “imperialismo ianque”. Aliás, a maior prova de que o encontro entre Flávio e Trump foi importante para sua candidatura é a reação histérica da esquerda. Não souberam como lidar com isso e lotaram as redes sociais com pura gritaria.

Flávio se saiu bem na coletiva de imprensa, que contou com a participação de Paulo Figueiredo, uma espécie de assessor informal do candidato, que coordenou a ordem das perguntas e até ajudou seu candidato nas respostas. Figueiredo desponta como forte candidato ao cargo de porta-voz do governo numa eventual vitória de Flávio.

Quanto ao local da coletiva, o hotel em que Flávio estava hospedado, o senador repudiou a postura da Embaixada Brasileira de não lhe conceder o espaço. Adalberto Piotto comentou: “É vergonhoso, ultrajante e mesquinho o Itamaraty negar o uso do Embaixada do Brasil em Washington para que Flávio Bolsonaro concedesse uma entrevista após a reunião com Trump, na Casa Branca. A embaixada é um espaço público no exterior que pertence a todos os brasileiros, não é do governo Lula. Flávio é um senador da República no exercício do cargo, antes de tudo. É um constrangimento diplomático e internacional que denuncia, uma vez mais, que o governo Lula sequestrou o Estado. O Brasil não pode aceitar isso”.

Enfim, Flávio marcou um gol importante nessa ida aos Estados Unidos, que pode representar o começo de uma virada eleitoral para quem vinha só apanhando. Resta saber, claro, se o PT não guardou munição contra o adversário para usar mais à frente…

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DEU NO JORNAL

O DEBATE INTERDITADO NA OPOSIÇÃO A LULA

Guilherme Fiuza

A menos de cinco meses da eleição, o projeto de uma alternativa presidencial ao PT é uma montanha de fragmentos e estilhaços

A sucessão presidencial no Brasil está especialmente embaralhada. Faz parte das corridas eleitorais o cenário indefinido e a consolidação das opções mais competitivas em cima da hora. Mas parece que a comunicação total das redes, cada vez mais veloz e reativa, criou um componente extra de ansiedade no debate público.

A expectativa sobre quem seria o substituto do ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito demarcou a fase preliminar da campanha. O eleitorado de oposição ao petismo já se dividia conforme determinadas preferências. Uns queriam um perfil de maior confrontação, na linha do temperamento do ex-presidente; outros preferiam uma opção mais ponderada. O problema começou aí.

Desde muito cedo, a campanha eleitoral de 2026 foi marcada pela intolerância e pela propensão à patrulha. Na verdade, ainda em 2025, o debate entre os simpatizantes da oposição já trazia a cobrança por escolhas definitivas. E, se não fossem assim manifestadas, ou se o perfil escolhido não fosse o “certo”, multiplicavam-se as acusações de “traidor” ou “xiita”.

O cenário atual de beligerância e elevada hostilidade entre adeptos de Jair Bolsonaro já estava delineado desde o ano passado, independentemente dos fatos mais recentes envolvendo a candidatura de seu filho Flavio. Desde antes dessa definição, o campo de guerra estava demarcado: já não se permitia uma boa convivência entre inclinações diferentes.

(“Todos” é força de expressão, porque não há como generalizar esse tipo de conduta. Mas é bastante característico dos tempos atuais que grupos de vozes mais estridentes acabem direcionando o debate como um todo.)

A definição do senador Flavio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência pegou muita gente de surpresa. Embora a escolha tenha partido de seu pai, não era um nome que circulasse tanto nas cogitações, desde o período em que não se sabia ao certo se o ex-presidente poderia concorrer. Muitos viram nessa escolha uma boa estratégia: a manutenção do sobrenome Bolsonaro na disputa por meio de um candidato com lealdade sanguínea ao ex-presidente.

Outros tantos consideraram uma escolha forçada, por não verem na trajetória do senador expressão política comparável à do pai. Seria uma situação normal da democracia, em que o próprio desenrolar da campanha confirmaria ou não as várias premissas postas — e permitiria ao eleitorado de oposição amadurecer sua escolha. Mas isso não foi possível.

A própria imprensa — ou melhor dizendo, a nova imprensa, que surgiu como excelente contraponto aos desvios da imprensa tradicional — contribuiu para o problema. Apesar dos bons serviços prestados, essa nova imprensa vem confundindo um pouco seu público, que eventualmente vê nela uma espécie de porta-voz da “direita”, seja lá o que isso signifique (conceitos vagos comportam variadas acepções). Linha editorial é uma coisa; ativismo ideológico é outra. E essa parte mais audível do público passou a cobrar adesão jornalística a candidatos — o que é uma aberração em si.

Foi nessa escalada de intolerância e cobranças generalizadas que se chegou ao cenário conflagrado de hoje. A própria cogitação da candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, em certo ponto desse percurso, expôs o terreno envenenado. Para muitos adeptos do governador de São Paulo como presidenciável, era imperioso retirar a família Bolsonaro do protagonismo; para outros tantos, o perfil “moderado” de Tarcísio era uma traição ao bolsonarismo. E tome patrulha matando, na raiz, a troca de ideias.

O que se pode constatar, a menos de cinco meses da eleição, é que o projeto de uma alternativa presidencial ao PT é uma montanha de fragmentos e estilhaços. Não há sobriedade para se discutir nada consistente no panorama sucessório. Para qualquer consideração das opções colocadas, há um bombardeio apontado para a opinião que ousar colocar a cabeça de fora. Ou essa beligerância reflui, ou a oposição vai ficar vendo a banda passar.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

DEU NO JORNAL

INVEJA

“O que estão esperando para aplicabilidade das leis contra Lulinha, filho do Lula? Buscas e apreensões, aprender passaporte, prisão, chamar para depor, tabelas com a velha mídia? Por que não há vazamento de informações?”, pergunta o pré-candidato a senador Carlos Bolsonaro.

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O filho de um criticando o filho do outro.

Isso é inveja: o filho do outro é bem mais rico e jeitoso!