DEU NO X

DEU NO JORNAL

O AGRO NÃO É PAUTA-BOMBA: GOVERNO NÃO PODE TER MÁ VONTADE COM PRODUTORES RURAIS

Guilherme Macalossi

É preciso ter “responsabilidade fiscal”, disse o ministro Dario Durigan em uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena durante a edição do programa Alô Alô Brasil. Ele condenou a aprovação do PL da Securitização no Senado Federal. A proposta permite o refinanciamento de dívidas de agricultores acossados pelas crises externas e pelos eventos climáticos. Segundo o governo, trata-se de uma das “pautas-bomba” em tramitação no Congresso Nacional. Ele ameaçou até a recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra os interesses do agronegócio.

Impressiona, aliás, a conversão repentina de Durigan em um modelo de ministro fiscalista, planilheiro, zeloso pelo controle das contas públicas. O tom preocupado de agora não combina com sua conduta omissa quando o governo, poucos dias atrás, anunciou um programa de financiamento de R$ 30 bilhões para que motoristas de táxi e aplicativos comprem carros. Ou se é fiscalista com tudo, ou se é apenas hipócrita.

Ainda que muitas pautas de interesse tanto do governo quanto dos deputados e senadores sejam perigosas para o equilíbrio fiscal, não dá para enquadrar a que beneficia o agronegócio nessa categoria. Até porque tal equilíbrio está inequivocamente atrelado ao seu desempenho econômico. O agro não é um fosso sem fundo de custos, é um vetor de desenvolvimento. O mais importante do país. Todos seus números são superlativos e crescentes, ainda que passe por uma crise inédita.

Os produtores rurais brasileiros enfrentam uma tempestade perfeita. O preço das commodities está em baixa no mercado internacional, as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu dificultam a importação de insumos básicos como fertilizantes e combustíveis, o problema climático afeta a produtividade média e os juros altos asfixiam a tomada de crédito necessária para que o setor se mantenha competitivo.

Ainda assim, no primeiro trimestre de 2026, o agro foi responsável por praticamente metade das exportações brasileiras, cumulando um saldo de U$ 70 bilhões até o mês de maio. Alguns poderão alegar que esse resultado comprovaria o contrário: de que não haveria necessidade de aprovar um refinanciamento tão abrangente. É uma leitura burra.

Apenas evidência a necessidade de se atender um setor estratégico para o Brasil, inclusive para suas pretensões geopolíticas. Se o que temos aqui é um exemplo de preconceito político, porque parte do agronegócio não tem simpatia por Lula, tanto pior. Uma escolha dessas está acima de paixões partidárias ou ideológicas. A má-vontade com os produtores rurais depõe contra os interesses nacionais.

COMENTÁRIO DO LEITOR

ESTUPIDEZ

Novo comentário em CELULAR E DINHEIRO PÚBLICO: PODE ROUBAR

Monteiro:

Uma pessoa estúpida é o indivíduo mais perigoso que existe, segundo a Quinta Lei da Estupidez Humana, de Carlo Cipolla.

Em Banânia os exemplos são abundantíssimos.

O animal às vezes já está velho, coberto de pelos brancos, semimorto, mas a estupidez continua robusta e ativa, e os danos causados pelo espécime são frequentemente irreperáveis…

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

É BILHÃO QUE SÓ A PESTE

Governadores riem atoa com tabelas que mostram a arrecadação estadual com o pagamento do IPVA, que cresceu em 2025 e ultrapassou a inescrupulosa marca de R$ 90,6 bilhões.

Estado governado pelo PT há décadas, a Bahia lidera o ranking com maior crescimento real da arrecadação com o imposto, a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) engordou os cofres em 19,69% a mais do que em 2024.

O levantamento é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

* * *

A liderança baiana tá dentro dos conformes.

Adonde o PT comanda, a prioridade é meter os nove dedos no bolso do pagador de impostos.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

DE LIMEIRA A BRASÍLIA: O “JEITINHO” BRASILEIRO CAUSA TRAGÉDIA E CORRUPÇÃO

jeitinho

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é símbolo do “jeitinho” brasileiro

Para não dizerem que não falei de Copa, o presidente dos EUA Donald Trump cumprimentou, ainda no sábado, a equipe do New York Knicks pela vitória no torneio da Associação Americana de Basquete, a NBA. A equipe venceu por 94 a 90 o San Antonio Spurs. “Spur” é espora. E “Knicks” é uma referência àquela calça que os holandeses usavam amarrada embaixo do joelho. É o esporte favorito dos Estados Unidos. Nova Iorque parou; não foi por causa do jogo do Brasil do outro lado do rio Hudson, em Nova Jersey, mas por causa da vitória no basquete.

Em 1994, eu estava nos Estados Unidos. Acho que eu estava em alguma cidade das Montanhas Rochosas; sei que era perto do rio Colorado, pois estava descendo de Denver. Paramos bem na hora do jogo decisivo da Copa do Mundo, em que o Brasil sagrou-se tetracampeão contra a Itália. Foi zero a zero, e decidiram nos pênaltis. O Taffarel segurou um lá e ganhamos por 3 a 2. Romário foi um dos grandes nomes daquela Copa, além do Bebeto. Mas eu não conseguia entrar num bar, num restaurante ou numa lanchonete em que o jogo estivesse no telão. O que passava era um jogo de basquete que todo mundo estava vendo, exatamente no dia da final da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Fiquei tão agoniado com aquilo que entrei num hotel e pedi um quarto só para ver o jogo. Terminada a partida, fui embora. Paguei a diária, mas pelo menos compensou, porque o Brasil foi campeão sem fazer nenhum gol em 90 minutos.

Essa é a questão do americano. Essa decisão do basquete foi no Texas. Em 48 minutos – quatro tempos de 12 minutos –, eles vibraram muitas vezes, já que foram 184 pontos: 94 a 90. Enquanto isso, durante 90 minutos em Nova Jersey, foi um ponto de um lado e um ponto do outro. Ficou 1 a 1 entre Brasil e Marrocos. Só para mostrar as diferenças entre os esportes.

* * *

O risco do amadorismo e do “jeitinho” brasileiro

Nós estamos num país em que agora se descobre que se rouba até ponte. Houve o furto de uma ponte de ferro feita na Inglaterra. Ocorreu no município de Campos das Vertentes (MG), e a estrutura foi encontrada agora lá na Zona da Mata. Uma empresa a comprou por R$ 700 mil e disse que a adquiriu com nota fiscal, mesmo sendo uma ponte roubada.

Por falar em ponte, tivemos aquela tragédia em outra ponte de ferro, do tempo da Rede Ferroviária Federal, no interior de São Paulo, em Limeira. É a Ponte do Esqueleto, onde faziam aqueles saltos com corda. Jogaram uma estudante de educação física de 21 anos no ar e, simplesmente, esqueceram de prender a corda no equipamento da moça. Uma coisa terrível.

Com exceção do futebol, que é todo profissional e movimenta muito dinheiro, nós somos um país de amadores. Eu já vi fazerem esse tipo de salto no Chile e na África do Sul; lá, o equipamento é checado e rechecado por pessoas diferentes para garantir que está tudo ok antes do salto. Três pessoas estão na prisão por causa disso. Trata-se de um homicídio certamente culposo, mas que é fruto de um total amadorismo. É a pessoa que não aprendeu a fazer, mas se mete a fazer. É o famoso “jeitinho”. Dá-se um jeitinho sempre por aqui.

* * *

A falta de ordem nas instituições e o escândalo de Vorcaro

E, por falar em jeitinho, parece que o senador Davi Alcolumbre está envolvido também nos esquemas de Daniel Vorcaro. Vorcaro parece ter lido “Brasil para Principiantes”, de Peter Kellemen, pois chegou aqui e deu um golpe de R$ 6 bilhões enganando as pessoas – afinal, todo mundo gosta de um jeitinho. A capa da revista diz que Vorcaro pagou, no exterior, US$ 30 milhões para Alcolumbre. Isso dá mais ou menos R$ 150 milhões. Ele ganha da família do Moraes. E a revista conta também que, desde o governo de Jaques Wagner na Bahia, com aquele programa Credcesta – ampliado em 2022 por Rui Costa, que também era governador –, Vorcaro foi muito ajudado.

Parece a repetição da história narrada por Peter Kellemen. Ele era um médico húngaro que veio para cá e, na hora de tirar o visto para o Brasil, perguntaram se ele queria atuar como médico. Ele disse que sim, mas informaram que não havia vaga na área; disseram que, se ele declarasse ser agrônomo, poderia entrar. E assim ele entrou no país. É esse o Brasil em que vivemos.

Enquanto isso, o presidente Lula está lá no G7, convidado pelo presidente da França Emmanuel Macron, embora o Brasil não faça parte do grupo. Ele tinha dito que não iria. E como acabou indo, justificou a viagem dizendo que resolveu ir “porque alguém tem que botar ordem na casa”. Meu Deus, é aqui nas três casas – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – que se está precisando de ordem.