DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

VOTO ÚTIL E A MATEMÁTICA DA RETA FINAL: VOTO DISPERSO NÃO VIRA LIÇÃO DE MORAL, MAS VIRA QUATRO ANOS A MAIS DE PETISMO

Não há terceiro caminho viável em 2026 – e quem finge que há está brincando com o futuro do país

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (24) (registro no TSE BR-00304/2026.) confirma o que a reta final das eleições de 2026 exige: Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, e 47% a 45% no segundo. Empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, com a ressalva de que o instituto tende a subestimar o voto na direita. A dez dias da votação, o eleitor que ainda hesita entre Flávio e nomes menores está, na prática, facilitando a reeleição do petista.

O voto útil não é renúncia de convicção. É aritmética. Cada voto disperso em Cury, Renan, Caiado ou Zema – que somam juntos pouco mais de 10% – é um voto que não chega ao Flávio e que, indiretamente, empurra Lula para o Planalto. Quem quer tirar o PT do poder e não vê outro nome competitivo no primeiro turno tem um único caminho racional: concentrar o voto no nome que disputa de igual para igual.

A polarização brasileira é real e não vai desaparecer por wishful thinking. Lula e Flávio têm rejeição idêntica, 45% cada. O país está dividido ao meio, e essa divisão não é invenção de redes sociais: é o reflexo de dois projetos opostos de país. De um lado, o lulismo de gasto público ilimitado, ativismo judicial e dependência de benefícios eleitoreiros. Do outro, a proposta de menos Estado, mais segurança e freio ao STF. Não há terceiro caminho viável em 2026 – e quem finge que há está brincando com o futuro do país.

No meu X, publiquei ontem à noite os dez argumentos para os indecisos votarem já no Flávio. O primeiro é o mais direto: alternativa explícita ao lulismo no Executivo. O segundo, segurança como prioridade número um, com o plano “Brasil sem Medo” tratando facções como narcoterroristas. O terceiro, tesoura no Estado: corte de pelo menos dez ministérios e reforma administrativa, contra o governo que reduz congelamento e piora o déficit em ano eleitoral. O quarto, imposto, luz e combustível mais baratos, com revisão da reforma tributária. O quinto, o mais importante para mim: STF como Corte constitucional, não superpoder – fim das competências criminais originárias, limite a decisões monocráticas e fim da censura estatal. Lula é Moraes, Moraes é Lula.

Os demais cobrem continuidade do que funcionou entre 2019 e 2022, proteção concreta à mulher sem pacote identitário, saúde e INSS que funcionem de verdade, educação para aprender e não para militância, e política externa alinhada ao Ocidente, não ao eixo do mal. O resumo é este: fazer equivalência entre Lula e Flávio por causa de um filme bancado por Vorcaro é absurdo. Analise o entorno, as agendas e o histórico – Bolsonaro contra Lula, Guedes contra Haddad, Mendonça contra Dino.

Marina Helena, candidata do Novo a deputada federal por São Paulo, gravou vídeo anunciando apoio a Flávio já no primeiro turno. Ela conversou com Zema antes e recebeu autorização. A frase dela resume o raciocínio: “Precisamos tentar nos livrar do Lula já, no primeiro turno”. Ela citou o STF como motivo central – o país não pode correr o risco de ter mais quatro Dinos na Corte, que em 2022 e 2024 censurou redes e bloqueou o X.

Sebastião Coelho, candidato ao Senado pelo Distrito Federal pelo mesmo Novo, fez o mesmo movimento. Desembargador aposentado, ele vinha defendendo Zema e pedindo união da direita. Agora anunciou: “Temos um país para salvar e meu apoio para presidente é Flávio Bolsonaro”. Dois candidatos do partido do Zema, com aval do próprio Zema, abandonando a candidatura do chefe para já apoiar Flávio no primeiro turno. Cada vez mais gente tem feito isso.

A reta final não perdoa dilema de gabinete. Quem ainda espera o “candidato ideal” do Novo no Planalto está negociando com um número que não existe: Zema oscila em torno de 2% no Datafolha. Contra Lula, perde por 48% a 39%. Flávio, no mesmo instituto, empata tecnicamente no segundo turno. A matemática é cruel e simples – voto pulverizado no primeiro turno é o único presente que o petismo ainda pode receber de eleitor liberal.

Quem recusa o voto útil costuma esconder um preconceito estético. Não gosta do sobrenome, do jato, do filme, do Vorcaro, do barulho. Tudo isso pode e deve ser fiscalizado. Nenhuma dessas denúncias, porém, apaga o histórico comparativo: de um lado, Guedes e desestatização; do outro, Haddad e gasto com imposto maior. De um lado, Mendonça; do outro, Dino. De um lado, crítica aberta ao ativismo do STF; do outro, aparelhamento que transformou a instituição em puxadinho lulista. Equivaler os dois projetos porque um empresário apareceu nas duas margens da política brasileira é preguiça intelectual.

A polarização não é um defeito a ser “superado” com candidato de 2%. Ela é o dado. Lula e Flávio têm a mesma rejeição, 45%. O país já escolheu o eixo da disputa. O eleitor do interior, da classe média espremida pela conta de luz e do cidadão refém de facção não vai premiar a pureza doutrinária de quem espalha voto para “marcar posição”. Marcar posição sem alterar o placar é o luxo de quem não paga o preço do lulismo no supermercado, na fila do INSS e na esquina dominada.

O plano de Flávio – tesoura em ministérios, fronteira com Forças Armadas, presídio de segurança máxima, limite a monocrática, energia mais barata, escola para aprender e não para militância – pode ser incompleto. Todo plano de campanha é. O que não é incompleto é o diagnóstico: sem concentrar voto agora, o segundo turno chega com Lula à frente e o Supremo como sócio oculto da reeleição. O indeciso que espera o debate perfeito está, na prática, terceirizando a decisão para o petismo.

Voto útil não canoniza Flávio. Cobra dele o que o liberal sempre deveria cobrar: menos Estado, menos tribunal político, mais segurança e contas públicas. Mas cobra na urna que existe, não na urna imaginária. No dia 4 de outubro, o voto disperso não vira lição de moral. Vira quatro anos de mais petismo, o que pode ser a destruição total do país.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DOMINGOS SALVIO FIOROT – COLATINA-ES

Na tristeza da saudade a gente se lembra dos tempos vividos que não refletiam a verdade do poderia ser hoje, após o infortúnio da ida sem volta.

É que nesta vida não sabemos de nada e quando passamos a saber, o saber também não vale mais nada, pois a vida era tudo e agora já não é nada.

Uma vida que não é nada já não é uma vida, mas uma vida morta, que só respira por que ainda há vida num corpo que já não vale nada.

O que fazer numa situação assim, onde quase nada tem sentido?

Não dá para saber, não se sabe o que dizer e não se sabe o que fazer.

Voltar no tempo é impossível, chorar não vai curar nada, pensar não vai levar a lugar nenhum.

Viver assim não é viver, em tudo que se faz vem o sofrer, às vezes em choro, às vezes em saudade e sempre com a impossível vontade de voltar no tempo.

Tempo que agora também não vale nada, onde se passa a maior parte do tempo sem querer nada fazer.

Quem sabe se pudesse acelerar no tempo talvez para viver outros tempos em outros momentos onde talvez alguém também se lembrasse de você, como agora a gente se lembra de alguém que esteve aqui e que aqui não mais está.

O tempo passa rápido quando queremos que passe devagar e devagar quando queremos que ele passe rápido, mas quando passa não tem mais volta.

E se voltasse, como seria.

Sei lá, talvez fosse uma babaquice, uma vida maluca, meio desnorteada, meio desconectada da realidade da vida louca que todos nós vivemos.

Isto só explica que não sabemos nada da vida e nem mesmo sabemos o que é a vida .

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O QUADRO DA ESTIAGEM

Uma ave de rapina
Beliscando uma caveira
Um torreão de poeira
Subindo pela campina
Um pé de palma se inclina
Parecendo uma miragem
O gado sem ter pastagem
Berrando numa gamela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Sem ração, o criador
Descasca uma macambira
Voa pra longe a cupira
Se escondendo do calor
Sem mato o agricultor
Não pode fazer silagem
A caatinga sem folhagem
Não tem um pé de favela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Um anum já desolado
Canta triste o seu lamento
Com sede cai um jumento
Na sequidão do cercado
Um casebre abandonado
Na beira de uma rodagem
O vaqueiro sem coragem
Abandona a sua sela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Um cão com fome latindo
Lambe triste uma bacia
Arde o sol do meio dia
Morre o pé de tamarindo.
Um retirante partindo
Sem ter nada na bagagem
Ao comprar sua passagem
Prende o choro na goela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARIEL REIS – RIO DE JANEIRO-RJ

Casa-cadáver

É uma casa que respira. Desde a minha infância, ela está diante do garoto que parece indeciso para entrar em seu quintal. Há árvores frutíferas intactas. Os pássaros e os morcegos a desprezam. Nenhum garoto sobe em seus galhos para recolhê-las, apesar de toda a disponibilidade. Sempre estou diante dela, arfante, sincronizando a nossa respiração, recusando os frutos, atraído pelo odor leve e familiar. Às vezes, tenho a impressão de ver em uma das janelas alguém com quem convivi. Se estou acompanhado, peço ao companheiro que verifique, sem resultado. Ele não vê o imóvel, nem a janela, nem a paisagem em que tudo está reunido, achando que a minha imaginação é responsável pelas visões.

Tenho cinquenta anos, mudei de bairro muitas vezes e, sempre que ponho os pés na rua, a casa está lá. Aumentada, com mais cômodos, novas portas e janelas. Como se estivesse recebendo novos moradores ao longo do tempo, projetando em sua arquitetura eclética os gostos que, em vez de a tornarem bizarra, lhe conferem uma beleza pitoresca. O cheiro mudou. Os materiais também. É perceptível a diferença de texturas sem contradição. No quintal, há um pequeno cão, agora. Dependendo de nossa proximidade do muro, ele parece maior ou menor, feroz ou inofensivo. As árvores estão cuidadas. Alguém colheu seus frutos. Porém, tinha um aspecto mais assustador que na primeira vez em que as vi. E há uma bolha na nova pintura, parecendo um olho que se move por ela quase sem parar.

No nosso último encontro, não resisti e entrei. A ordem do local não importa. Logo estava diante da porta. A bolha parou acima do batente. Era um olho. E havia roupas nas paredes. Colaram, sem método, vários trajes nas paredes, como numa instalação. Descobri um vestido entre as peças e o olho correu até lá, adquiriu aspecto feminino e uma pequena voz cortou o ar como um silvo agudo, começando uma conversa agradável. Procurei uma fresta ou alguém escondido em uma travessura, mas não encontrei ninguém. Deslizei as mãos novamente e parei em um macacão de jardineiro. Em velocidade surpreendente, o olho se deslocou e assumiu a característica equivalente à vestimenta, não sem antes a outra voz se enfraquecer até sumir. Tomou outra forma e o silvo encorpou-se rústico e a conversa cresceu.

Não lembro de nada que ouvi. A minha retirada foi lenta, porque meus sentidos custavam a compreender tudo e podia ser um delírio perigoso. Casa-cadáver? Mas por que suas peculiaridades estão fundidas? Por que todo o resto das particularidades desapareceu? Quando terá começado o monstro? Como fez suas vítimas? Dificilmente surgiria uma resposta. Olhei para o terreno ao lado: havia uma moça também estudando uma residência semelhante, perplexa, entretida em uma conversa mais longa e respeitosa com uma indumentária nobre. Não parecia assustada. Ela saiu do transe, percebendo que estava sendo notada, acenou e sorriu. Simpática. Retribuí o gesto. Quando caminhei para a rua, deixando o lugar, resolvi esperá-la. Pode ser que a convide para um café.

ALEXANDRE GARCIA

EMPRESÁRIO AMIGO DE VORCARO MOSTRA QUE APRENDEU COM OS “ANÕES DO ORÇAMENTO”

empresario loteria banco master daniel vorcaro

MP-SP suspeita que empresário ligado ao Banco Master usava loterias para lavagem de dinheiro

Vocês ainda se lembram dos “anões do Orçamento”? Tinham esse nome porque eram todos baixinhos. O deputado João Alves era o líder desse grupo, que metia a mão nos milhões do orçamento, do dinheiro dos seus impostos. Para justificar a fortuna que ele tinha amealhado, dizia que havia ganho na loteria umas 200 vezes. O também deputado Miro Teixeira denunciou que, segundo a Caixa, Alves tinha ganho 24 mil vezes em cinco anos. Ele acabou renunciando ao mandato para não ser cassado e ficar inelegível. Isso aconteceu há mais de 30 anos.

Pois agora surgiu uma cópia de João Alves: um empresário ligado a Daniel Vorcaro, Antônio Carlos Freixo Júnior, diz que ganhou 570 vezes na loteria, e que isso lhe rendeu R$ 176 milhões, segundo o Ministério Público de São Paulo. Vocês notaram que, desde que o Supremo “lavou” a Lava Jato e fez Lula virar ficha limpa, todos entenderam que a corte deu luz verde para a corrupção? Nesses últimos quatro anos, a corrupção subiu em todos os lugares. Venda de almas e de favores, corrupção de funcionários do público fazendo advocacia administrativa, se omitindo, fingindo que não veem, e isso em toda parte.

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PT vai inventar interferência americana para tentar melar a eleição

Muita gente está preocupada e lançando suposições, porque Lula sentiu que a brisa da mudança está virando vento. As pesquisas mostram que a campanha dele vai mal. Um amigo argentino que acompanha a disputa aqui me disse que Lula está desatualizado, fora de moda, que essa campanha parece que não ser feita para jovens, porque repete as mesmas lenga-lengas de sempre e os jovens que trabalham com redes sociais querem coisas mais rápidas. Lula não admite que possa perder para um candidato jovem, e por isso começou a espalhar que Trump está interferindo. Como assim? O que Trump pode fazer? Não pode fazer nada. Eu não vi nas redes sociais nada de diferente, que me convencesse a mudar voto.

Muita gente acredita que isso é uma preparação, em conluio com os amiguinhos do Supremo, que sabemos quem são, para atrapalhar a eleição se houver a percepção de que Lula vai perder, talvez até no primeiro turno. Deixo o aviso para nos acautelarmos contra as invenções desses últimos dias, porque agora faltam menos de duas semanas para a eleição.

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Brasil se retira antes de discurso de Netanyahu na ONU e passa vergonha

Que vergonha passamos na ONU! A delegação brasileira se retirou do plenário porque o chefe de governo de Israel ocuparia a tribuna. E Netanyahu, quando viu essa retirada, ainda questionou: “Algum covarde ainda não se retirou? Por favor, se retire”. A delegação brasileira foi uma das que se retiraram, como já tinha feito no ano passado e em 2024, por ordens do governo Lula. No discurso, o presidente fala em multilateralidade, em paz com todo mundo, mas faz uma coisa dessas. Nenhuma novidade: com Lula, a fala é sempre diferente da prática.

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Milei disse verdades na tribuna da ONU

O que teve muita repercussão nos jornais brasileiros foi o discurso de Javier Milei. Ele disse umas verdades: que a ONU é inútil, que não tem evitado guerras, que é um bando (e isso eu vi lá, quando estive na sede da ONU) de burocratas de nariz em pé. Cada vez que muda um secretário-geral, ele traz o seu trem da alegria, o pessoal do seu país de origem, apaniguados políticos que ficam lá o resto da vida sendo sustentados pelos países filiados da ONU, sem efetividade, eficácia ou eficiência. Estão lá para aplaudir e fazer reuniões.

Foi um discurso efetivo. Milei falou das Malvinas, falou da atração de investimentos para a Argentina, mostrou o que a Argentina tem, e aproveitou para fazer a crítica correta, porque a ONU estava cheia de boas intenções, quando de sua criação dela. Mas depois… Eu cobri guerras no Oriente Médio, e em alguns lugares – não era o caso das tropas brasileiras, mas de militares de países europeus – eu só vi os boinas azuis, ou capacetes azuis, em barzinho tomando cerveja.