DEU NO JORNAL
DEU NO X
AGUARDEMOS FEVEREIRO
DEU NO JORNAL
IMPRENSA DENUNCIA ABUSO ESTATAL
Guilherme Fiuza

A censura do último debate eleitoral, dias antes do primeiro turno, expôs uma rara reação da imprensa a abusos e à interferência judicial
Uma cadeira vazia provocou o acontecimento mais relevante da vida pública brasileira nos últimos anos. A normalização de uma série de desvios pareceu, pelo menos por um momento, ter seu status quebrado. Não se sabe ainda se foi um despertar ou apenas um acidente de percurso.
A decisão que proibiu a TV Globo de mostrar o lugar vazio de Lula no debate entre os presidenciáveis é inédita. Em oposição ao que previam as regras do debate — assinadas por todos os participantes com a emissora —, a autoridade eleitoral decidiu que o púlpito sem o candidato do PT não poderia ser exibido durante a transmissão. E também não poderiam ser dirigidas perguntas pelos concorrentes a Lula — o que era igualmente previsto pelas regras assinadas, em caso de ausência de algum dos participantes.
A decisão da autoridade eleitoral seguiu outros princípios — no terreno da exposição abusiva do candidato ausente e da exploração da sua impossibilidade de defesa. Talvez fossem questões a se considerar no processo de elaboração das regras. Mas esse processo já estava concluído e assinado. Por considerar que a decisão da autoridade eleitoral feriu seus direitos, a TV Globo decidiu cancelar o debate presidencial.
A reação da chamada grande imprensa se deu em uníssono nessa mesma direção. E o resultado das urnas de primeiro turno também parece ter a ver com isso — quando se trata de reação a abusos institucionais. Seguem alguns dos termos utilizados pelos veículos da mídia tradicional para repudiar a decisão que atingiu a Globo:
“Intervenção judicial em regras do debate da Globo”. (G1)
“Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição”. (Folha de S. Paulo)
“A decisão de Estela Aranha proíbe que os candidatos façam perguntas a Lula, que estará ausente, interferindo diretamente nas regras estabelecidas”. (Metrópoles)
“Decisão de Estela Aranha que impôs censura em debate da TV Globo é inédita”. (O Globo)
“O último debate eleitoral no Brasil foi cancelado devido a ‘interferência indevida’ do Judiciário” (Agência EFE)
“Manobras no STF deixam recado: fechem o TSE; o que importa é ter ministro favorito”. (O Estado de S. Paulo)
“Sem liberdade não há debate”. (O Globo)
“Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”. (TV Globo)
“Alas do STF e TSE escancaram decisões pró-Lula”. (CNN Brasil)
“Juízes fazem o diabo para ajudar Lula”. (O Estado de S. Paulo)
Como se pode notar, a imprensa não se limitou a noticiar em manchete o ocorrido. Não só recheou a notícia com a crítica, como não economizou na expressão do repúdio. Para uma mídia que, nos últimos anos, andou tratando crítica ao poder como “narrativa antiestatal”, não é pouca coisa.
Pois aí estão vários dos maiores veículos de comunicação do país diagnosticando como abusiva uma decisão de Estado que beneficia o grupo político governante. E alertando para o comprometimento da liberdade e da democracia.
Sem dúvida, um momento de altivez da imprensa brasileira. Só falta ela comparar o caso que considerou abusivo e perigoso para a democracia com tudo que o país tem vivido nesta década.
DEU NO X
ELEITORADO EXEMPLAR
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
AS MINHAS MÃOS – Florbela Espanca
As minhas mãos magritas, afiladas,
Tão brancas como a água da nascente,
Lembram pálidas rosas entornadas
Dum regaço de Infanta do Oriente.
Mãos de ninfa, de fada, de vidente,
Pobrezinhas em sedas enroladas,
Virgens mortas em luz amortalhadas
Pelas próprias mãos de oiro do sol-poente.
Magras e brancas… Foram assim feitas…
Mãos de enjeitada porque tu me enjeitas…
Tão doces que elas são! Tão a meu gosto!
Pra que as quero eu – Deus! – Pra que as quero eu?!
Ó minhas mãos, aonde está o céu?
…Aonde estão as linhas do teu rosto?

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
DEU NO JORNAL
DECISÕES
Certamente foram gestos pós-eleitorais, mas juristas acham quase cosméticas as decisões de Alexandre de Moraes sobre Débora do Batom, reduzindo em duzentos dias a pena cruel e desproporcional de 14 anos, e sobre jornalistas exilados, que continuam na mira do ministro.
* * *
Decisões cosméticas do ilustre togado?
Num intendi…
Que danado é isso?
Os bem informados leitores desta gazeta escrota bem que poderiam explicar aqui pra gente.
DEU NO X
AS CONTAS DO MERCADO
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
MATA-PASTO
DEU NO JORNAL
PITACO CERTEIRO
RODRIGO CONSTANTINO
SEM ANISTIA
A CNN Brasil revelou nesta segunda-feira que uma ala do STF já estaria buscando um acordo político com o bolsonarismo, assustada com a bancada que a direita vai ter no Senado a partir de fevereiro. A conta é simples: a bancada pró-impeachment chega a 49 votos, faltando só cinco para os 54 necessários para tirar um ministro da Corte. E o recado que circula nos bastidores é claro – poupar os ministros em troca da revisão da prisão de Jair Bolsonaro e da anistia unânime aos condenados do 8 de janeiro.
O PL já rejeitou qualquer “acordão”. E fez bem. Porque anistia negociada não é anistia – é chantagem institucionalizada. É o Supremo usando a prisão de um ex-presidente como moeda de troca para blindar ministros investigados. Quem aceita esse negócio não está fazendo política; está vendendo a democracia a preço de banana.
Rogério Marinho foi direto ao ponto. Ele disse que, se for presidente do Senado, vai mudar o rito: “Se 49 senadores assinarem um pedido de cassação, a abertura do processo será automática”. E completou: “Não quero ser como Alexandre de Moraes, que acusa e julga. Quero me colocar no papel de magistrado. Se os elementos de prova me convencerem, votarei favorável ao afastamento em definitivo do ministro processado”.
É isso. Não é vingança, não é radicalismo – é o Senado fazendo o que a Constituição manda. Marinho também lembrou o recado que deu a Gilmar Mendes: “Não queremos vingança. Queremos que a Constituição seja respeitada.” Ninguém pode estar acima da lei, ponto final. Marinho adota tom sereno, mas com conteúdo firme. Será um bom presidente do Senado. Davi Alcolumbre não deixará saudades.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse em entrevista que a prioridade é tocar o país para frente, não “incendiar o Brasil”. De fato, ninguém quer espalhar clima de vingança generalizada e o povo tem pressa, quer prosperidade, segurança, tudo aquilo que o PT lhe tirou. Mas todo cuidado é pouco: falta a Valdemar, investigado pelo sistema, a coragem de defender o que deve ser feito. Moraes precisa ser investigado. Isso é parte de “tocar o país para frente”. Nenhuma democracia está a salvo com um ministro desses permanecendo no STF.
E aqui entra o detalhe que ninguém quer enxergar. Michel Temer, o homem que indicou Alexandre de Moraes ao STF em 2017, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. A CNN aponta Temer como possível intermediário do acordo. Coincidência? Talvez. Mas aquele que criou o monstro agora quer negociar em seu nome – e isso cheira a tentativa de salvar o próprio legado, não a interesse republicano.
A democracia brasileira não sobrevive com um ministro que decide eleição por conveniência, que presta consultoria a banqueiro ladrão, que censura opositores e que se acha acima de qualquer apuração. O caso Vorcaro não é detalhe – são mais de 50 conversas, um contrato de R$ 129 milhões com o escritório da mulher do ministro, e uma perícia da PF que identificou o próprio Moraes como interlocutor. Isso não se anistia. Isso se investiga. E se pune, caso comprovada a culpa.
Recuar agora seria um erro histórico. A bancada está montada, as provas estão na mesa, e o povo acabou de votar contra o ativismo judicial. Moraes foi o maior cabo eleitoral de Flávio e o maior derrotado nas urnas no domingo – mais até do que Lula. Se o STF teme o impeachment, que resolva internamente – afastando quem manchou a toga. Mas o Congresso não pode trocar a Constituição por um acordo de bastidor.
Talvez tentando já contemporizar, Moraes autorizou o semiaberto para a Débora do batom, condenada a vários anos de prisão pelo 8 de janeiro, pelo “terrível crime” de escrever uma frase na estátua da Justiça com seu batom. A frase era problemática sim: dita pelo ministro Barroso! “Perdeu, mané”, no batom da Débora, não é nada demais; na boca de Barroso, é confissão de crime. Moraes acha que vai se safar com gestos assim? É pouco demais, tarde demais. O senador eleito pelo Novo, Marcel van Hattem, está certo: não queremos impeachment apenas, mas a prisão de Moraes!
Para o Brasil ser pacificado, Moraes tem que sair e, de preferência, ser preso, pagar por seus inúmeros crimes que destruíram famílias inteiras. Sem anistia. Sem blindagem. Sem medo. Sem acordão.

