DEU NO X

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

COPA

Desde muito cedo eu aprendi a ler o futebol como algo muito além da questão de bola no fundo da rede. Nunca foi simplesmente isso. É, também, uma questão de desafios socioculturais. De bem-estar individual e coletivo ao mesmo tempo.

O futebol se expande para o universo lhe cercando fora das quatro linhas perimetrando o gramado, ganha o espaço ao redor do espetáculo e alcança a nossa própria nudez moral exposta sob o calor da nossa paixão. E quem enxerga a Copa do Mundo apenas como um torneio esportivo sofre de uma cegueira lamentável, uma incapacidade crônica de ler a filosofia da vida, e as agruras dos homens em seu conflitos. De entender coisas que parecem supérfluas e, no entanto, são essenciais para desnudar virtudes e defeitos. Primeiramente em nós.

O campo é o palco onde as nossas maiores virtudes e os nossos vícios mais inconfessáveis se digladiam em noventa minutos de puro desespero existencial. Mesmo que lá dentro se configure uma vitória fácil.

No fundo, no fundo, a bola é um fetiche absoluto. Um objeto sagrado despertando o adultério moral oculto na alma do dirigente burocrata e a santidade impura, súbita, no peito do torcedor fanático pecador. Em cada gol ela, a bola, promove uma pequena crucificação, ou uma inesquecível ressurreição.

Se em cada derrota há um funeral coletivo com hora marcada e sem direito a choro discreto na melancolia mansa e indecifrável do silêncio do torcedor que sofre sozinho, abraçado à própria solidão no meio de uma multidão, vendo o tempo escorrer entre os dedos, há também na vitória, inevitavelmente, a glória de um jogador superando limites para fazer de sua nação um paraíso de alegrias.

De um lado a tragédia de uma pátria arrasada pela desclassificação. Do outro a glória eterna. Sensações extraídas de um mesmo jogo e lugar; onde o herói e o vilão da partida vestiam cores diferentes mas se doavam num esforço igual pelo mesmo objetivo: a luz inconfundivelmente bela da vitória.

Ambos ficarão marcados no destino futuro, embora em apenas um mês estarão com as almas livres de tais estados. Porque a vida vai além do apito final, nas lembranças do jogo.

O expectador que busca apenas estatísticas, perde a poesia do absurdo existente esportiva e exclusivamente no futebol, e ignora que um drible pode ser algo conotativo, na verdade, da nossa vã tentativa de enganar a morte. Ou a má sorte do destino.

Depois do ato final do último jogo, o que resta não é o campeão erguendo a taça, mas o espelho cruel de quem somos.

A Copa pode ser a vida em miniatura. Uma espécie de prato temperado com o nosso lirismo mais dolorido e o nosso sarcasmo mais definitivo.

Só que a Copa para. A vida não.

E cada nação continua em seu bem-estar social, ou em seu flagelo cotidiano. Cada ser humano disputando um mata-mata de sua Copa individual.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MÁRCIA MARIA RICCI – JUNDIAÍ-SP

Vejam esta:

Só nos 5 primeiros meses de 2026, o governo Lula já torrou R$ 676 milhões com viagens.

E olha que esse número nem inclui os gastos do próprio Lula e da Janja, porque esses são mantidos em sigilo.

Você não tem esse privilégio, mas paga a conta.

Passagem de primeira classe pro governo, fila de espera no SUS para a população.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AO VENTO – Florbela Espanca

O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh’alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!

Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amor,
A tua voz tortura toda a gente! …

Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim ! … Ó vento, chora!

Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
e a gente andar a rir pla vida fora!! …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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