DEU NO JORNAL
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PATRULHA ELEITORAL EM NOME DA DEMOCRACIA
Guilherme Fiuza
O Brasil aprendeu nos últimos anos que existe inflação e “sensação de inflação”. A realidade dos fatos, a partir desse fenômeno, adquiriu um novo status: assim é, se lhe parece (ou se assim te contam). Será que estamos entrando também na era da “sensação de democracia”?
O motivo mais visível para se pensar nessa hipótese surgiu na campanha presidencial. Um setor muito esclarecido da sociedade – que poderia ser classificado como “elite cultural” ou algo assim – passou a ter uma conduta ostensiva em defesa do seu candidato. Basicamente, intelectuais e artistas saíram apontando o dedo para colegas famosos e exigindo deles que declarassem publicamente seu voto para presidente da República.
Pode-se dizer que foi exigência, porque hoje em dia uma cobrança em rede social, entre usuários de grande alcance, é uma mensagem que chega para todo mundo. Ou seja: ninguém pensou em discrição ou privacidade. O jogo é expor o alvo ao julgamento geral.
Sobreveio então uma verdadeira campanha para estigmatizar aquele que não “se posicionasse” na eleição. Ou seja: integrantes da classe artística (os mais ruidosos) passaram a jogar no ventilador o nome de colegas que ainda não haviam declarado publicamente seu voto em Lula. Por que em Lula? Porque para o comando propagandístico que outorgou a si mesmo o posto de porta-voz da cultura nacional, Lula é a única possibilidade de democracia para o Brasil.
Em nome da democracia, portanto, figuras célebres do showbiz passaram a patrulhar, à luz do dia, quem não havia declarado voto no PT. Existe perseguição democrática? Se os valores forem transplantados para o campo das sensações, pode até existir.
Numa reação bastante rara nos dias de hoje, o cantor Falcão, do grupo O Rappa, disse o seguinte sobre a chegada dos patrulheiros ao seu quintal:
“Vocês têm seu político de estimação que é o sistema (kkkkk). Tiram foto, abraçam e botam camisa. Que piada. ‘Geral’ atolado nos impostos, supermercado caro, crimes, saidinha de estuprador, zero segurança e vocês insistem (kkkkk). Aqui é suor e trabalho. Canto pra todos e não pra um lado. Eu sou e sempre fui contra esse sistema que vocês idolatram. Aqui é sem privilégios, suor, trabalho e sem Lei Rouanet. Vai lá perturbar o João Gomes”.
Ou seja: uma voz quase solitária surgiu em meio à patrulha para dizer que os “democratas” que andam caçando colegas por aí são, na prática, defensores do sistema. Exatamente isso: usam discurso libertário para defender o poder – e todas as suas emanações deletérias, como nas áreas econômica e criminal, citadas por Falcão.
Qual seria o nome adequado para essas brigadas culturais que perseguem o pensamento alheio? Rebeldes a favor? Libertários oficiais? Revolucionários do sistema? Governistas de oposição?
Escolha você mesmo o seu paradoxo preferido. Com uma certeza: se a sociedade normalizar a perseguição às consciências individuais como forma de “responsabilização política”, ela estará de fato decidindo substituir a democracia pela sensação de democracia.
DEU NO JORNAL
QUE POVO BESTA… AQUI TÁ MUITO MELHOR QUE LÁ
DEU NO JORNAL
ALEGRIA
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
AS DUAS FLORES – Castro Alves
São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Antônio Frederico de Castro Alves, Bahia (1847-1871)
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
VALÉRIA NAVARRO – CAMPINAS-SP
DEU NO JORNAL
O GALEGÃO SPEAKING ENGLISH
🚨EXILADO! Trump acusa Lula de “roubar” a eleição e afirma que Flávio vai ter asilo político nos EUA. https://t.co/XixvjwW9Yj
— Jornal O Globe (@oglobeparodia) October 27, 2026
DEU NO JORNAL
AMARELÃO E VERDE
DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!
NÃO ME AVEXE NÃO!
De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.
Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.
Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência
Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.
ALEXANDRE GARCIA
CONSEGUIU ESCAPAR RAPIDAMENTE DA PERSEGUIÇÃO

Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos com a família, em operação que teria sido montada pelo governo americano
Muita gente se pergunta por que está havendo essa perseguição contra Flávio Bolsonaro a ponto de ele ter de fugir do país e pedir asilo nos Estados Unidos. Há dois inquéritos contra ele – Flávio não é réu em nenhum deles. Um é para saber do dinheiro que foi para o filme sobre Jair Bolsonaro; não era dinheiro público, nem de estatal, era dinheiro de uma empresa privada e foi tudo feito no papel, com contrato. Isso seria de interesse de Daniel Vorcaro, não do governo brasileiro; eu só entenderia se Vorcaro estivesse movendo uma ação, queixando-se de que o dinheiro dado para patrocinar o filme não foi usado na produção. A outra investigação está correndo porque Flávio é colega de advocacia e amigo de Willer Tomaz, que está sendo investigado por lavagem de dinheiro com loterias. Não sei se essa amizade é algo que contamina – para mim, o que contamina é ter um contrato de R$ 130 milhões com Vorcaro.
Foi muito rápido e bem-sucedido o planejamento da ida de Flávio para os Estados Unidos. Ele conseguiu sair com a mulher e as duas filhas, parecia judeu fugindo da Alemanha em tempos de Hitler. Usou o passaporte italiano, já que o brasileiro já tinha sido cancelado, e pediu asilo nos EUA como perseguido político.
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China quer estreitar laços com o Brasil; no que eles estão de olho?
Lula, vitorioso, recebeu uma mensagem de Xi Jinping. Falou na “construção de uma comunidade China-Brasil com futuro compartilhado” e que “a natureza global, estratégica e de longo prazo na relação dos dois países tornou-se mais proeminente, servindo como modelo de unidade e cooperação entre o Sul Global”. Interessante: a China está no Hemisfério Norte, e está interessada no Sul Global. Alguns amigos estrangeiros me perguntam se a China está fazendo com o Brasil aquilo que faz na Ásia com os países pequenos. O Brasil está superendividado, a China pode comprar papéis da dívida pública brasileira, e depois fica com o Brasil na mão. Então, pode oferecer um negócio envolvendo território ou terras raras. É possível: o chinês sempre pensa no longuíssimo prazo; o Império do Meio planeja não 50 anos à frente, mas milênios à frente.
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O Paraguai também saiu ganhando com a vitória de Lula
Dizem que Flávio, antes de ir para os Estados Unidos, cruzou a Ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu, e foi para a província de Misiones, na Argentina. Fica em Foz do Iguaçu também, mas não vai até o Paraguai. A ponte que leva ao Paraguai é a Ponte de Amizade, e muitas empresas brasileiras estão cruzando essa ponte para se estabelecer lá, enquanto aqui no Brasil as empresas vão definhando. O Magazine Luiza perdeu quase 60% em valor de mercado na segunda-feira, recuperou apenas uma parte disso na terça. A bolsa continua caindo.
Temos muitas notícias de empresas brasileiras que estão de mudança para o Paraguai, dando emprego aos paraguaios, exportando, levando divisas para o Paraguai, e pagando um mínimo de imposto. Agora, a Araico, uma empresa paraguaia, assinou um acordo com a norte-americana Crusoe para a construção de um enorme data center no Paraguai. Data centers consomem muita muita energia, e vão aproveitar a energia que sobra de Itaipu para o Paraguai. Com isso, eles vão prestar serviços para o continente inteiro, inclusive os Estados Unidos. Os EUA têm mais de 5 mil data centers; o Brasil tem 218. Para comparar, a Índia tem 305 e a Alemanha, 533.
O Paraguai deve estar agradecendo aos brasileiros pelo resultado da eleição, porque ainda mais empresas devem se mudar para lá. Eu vejo inclusive as pessoas conversando sobre migrar, porque o Paraguai fica pertinho e tem melhores condições de segurança. Aqui temos insegurança jurídica, insegurança fiscal, insegurança tributária, insegurança pública. O Paraguai está resolvendo esse problema por lá. É uma pena, porque o Brasil tem um potencial enorme, mas potencial não se torna real se não houver uma boa administração estratégica.


