DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

TERESA RAQUEL – NATAL-RN

Estimado amigo Berto, dileto editor de todos aqueles e aquelas que fazem do Besta Fubana não apenas um periódico, mas um espaço livre onde podemos expressar nossas dores, inquietações filosóficas, medos, desilusões e porque não dizer nossas esperanças?

Pois bem, reiterando sempre a honra de gozar deste espaço a mim apresentado pelo conterrâneo Jesus de Ritinha de Miúdo, em meu coração eternizado através de cada linha escrita pelos colaboradores, cuidadosamente editadas pelas preciosas mãos do pai de um dos romances mais lidos e estudados pelos arredores das terras de Santa Cruz.

Preâmbulo à parte, em meio a esse caos assolando nosso país e, via de consequência, nossas vidas, famílias, ideias e ideais, apresento em anexo a esta correspondência eletrônica, uma resenha de nossa autoria acerca de uma obra de um jovem psiquiatra potiguar que encontrou na escrita poética a maneira mais bela, humana, pungente e original de desnudar as dores nossas de, quebrando estigmas, plantando aceitação, empatia. fazendo-nos, pois, crer ser verdadeiro aquele consenso existente entre Osho e Paulo Buranga, ou seja, a vida é uma só, costura de riso e dor.

A seguir está o texto para sua apreciação e a foto da capa da obra a ser lançada em 28 de novembro do ano em curso, aqui em Natal – RN.

Aproveito o ensejo para em nome da Dra. Sandra Elali, nossa atual Corregedora Geral de Justiça, filha do saudoso Zé Dantas, enviar um forte abraço para Xico Bezerra.

No mais, sempre um enorme prazer falar com gente fina, elegante e sincera, ainda que em terras virtuais.

Com afeto, saudade e respeito,

* * *

Nas raízes da mente humana: uma leitura crítica de Psiquiatra Raiz, de Jales Clemente

Há livros que nos oferecem respostas; outros, mais inquietantes, desarrumam as perguntas que julgávamos resolvidas. Psiquiatra Raiz, de Jales Clemente, apresenta-se como um convite a olhar para além das vitrines cuidadosamente iluminadas das redes sociais e adentrar os bastidores de uma profissão que lida diariamente com aquilo que a humanidade possui de mais íntimo, contraditório e vulnerável: a mente. Sob o subtítulo O que os psiquiatras não contam nas redes sociais, a obra desperta a expectativa de encontrar não apenas relatos sobre a prática psiquiátrica, mas também reflexões sobre as distâncias entre a imagem pública do profissional, a realidade do consultório e a complexidade de quem sofre.

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CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

O CANTO DO CISNE

Capa e contracapa do livro

Na última quarta feira, no Salão Nobre da Associação Atlética Banco do Brasil, nas Graças, lancei a 2ª biografia que escrevi sobre um dos maiores compositores brasileiros: Lourenço da Fonseca Barbosa, nosso saudoso Capiba, apresentada em livro com 302 páginas, das quais, mais de 180 com foto-ilustrações, com o miolo todo em couchê e capas coloridas.

A festa foi uma louvação àquele maestro, pianista, poeta, compositor, pintor, escritor e piadista, apresentando uma Hora de Arte, com show do pianista Marcos Menezes e a cantora Lua, tendo como plano de fundo e trilha sonora, todos os ritmos de Capiba.

Mesa de Honra: Carlos Eduardo, Paula Rubens, Luciano Lobo, Zezita, Euler, Francisco Melo e Luiz Guimarães. – Foto de Débora Barros.

A escritora Paula Rubens, patronesse da festa, assumiu a tribuna para descrever suas impressões sobre o livro:

Começo pela capa que retrata Capiba com um sorriso de menino arteiro; tão realista que parece estar apenas esperando que a gente lhe dê corda e puxe conversa. Mas, meu encantamento vai além da apresentação do visual, descobri algumas convergências entre o autor e o biografado.

Assim como as músicas de Capiba, descomplicadas e ricas de significado, também traduzem a história social do carnaval. A escrita de Carlos Eduardo encanta pela simplicidade, pelo humor e por ser saborosamente coloquial. Na dimensão histórica da obra, encontrei meu maior encantamento.

E findou suas palavras informando que a grande novidade, o mérito maior de Carlos Eduardo, foi ter ido além da música e da trajetória pessoal do biografado e por motivação de Capiba, contou a história de toda uma época, mantendo viva a memória do compositor e a história geral do Brasil.”

Após a apresentação do livro, pela Patronesse, a solenidade continuou. Na Mesa de Honra estavam: Carlos Eduardo, Paula Rubens, Luciano Lobo, Zezita, Euler, Melo e Luiz Guimarães.

Falei, então, sobre lindas aves que proliferam na Ásia Central e Oceania, que proliferam alimentando-se em águas rasas, junto às margens de lagos, rios e açudes, onde existe vegetação aquática abundante: os cisnes.

E esses animais me lembraram, naquele momento, a expressão: “O canto do cisne”, metáfora que se refere à última grande realização de uma pessoa, antes do fim da carreira profissional ou de sua vida.

Trata-se, porém, de uma lenda que aqui se faz como metáfora. Dizia-se, na Antiguidade, que o cisne-branco passava a vida em silêncio ou emitindo sons pouco melodiosos, uma espécie de grunidos. Entretanto, momentos antes, quando pressentia que a morte se avizinhava, entoava uma canção extremamente bela, depois tombavam inertes.

Um casal de cisnes brancos nas águas da Índia. Foto iStock.

E dei continuidade à minha oração acrescentando:

Esta noite representa para mim, o “Canto do Cisne”, porque já completei 90 anos. Publiquei 34 livros, tenho 4 filhos, 12 netos e 11 bisnetos. Quantas realizações divinas!

Portanto, o bom senso recomenda que devo concluir minha atividade profissional, como autor e editor de livros, ausentando-me de vez. E dessa forma, ofereço às gerações atuais, algumas notas biográficas sobre um velho amigo, na data das comemorações dos 122 anos do seu nascimento, avaliando a dimensão de eternidade com outras figuras do Pernambuco cultural.

E o faço emocionado, para louvar um compositor que em vida recebeu a maior honraria de Pernambuco: o título de Comendador da Ordem de Guararapes, Classe Ouro.

E depois da partida para a Eternidade, foi incluído entre os três maiores personagens do século passado, juntamente com o sanfoneiro Luiz Gonzaga e o sociólogo Gilberto Freyre.”

Juntamos, numa festa quase íntima, a família do compositor, com destaque para a viúva Zezita e parentes que vieram de Salvador. E em atmosfera de júbilo, louvamos Capiba como se um santo fosse, como me disse o Dr. Gilberto Freyre.

Luciano Lobo, Presidente da AABB, declarou ao jornal Folha de Pernambuco que o livro era mais um importante trabalho do Departamento Cultural, para a preservação da cultura de Pernambuco e que, seu clube, ao apoiar a iniciativa, reafirmava o compromisso de prestigiar os valores dos nossos artistas.

Encerrou suas palavras reafirmando o compromisso de fazer parte do projeto de valorização do esporte, da cultura e do lazer dos associados do Clube. Emocionado, pronunciou: “Viva Capiba! Viva a Cultura pernambucana! E viva a AABB-Recife!

Euler Araújo de Souza, Vice-presidente de Comunicação, da AABB e Presidente Emérito da Academia de Artes e Letras da AABB-Recife, organizador dos trabalhos complementares da edição do livro e os detalhes da festa, ocupou a tribuna manifestando seus pensamentos, através de simbólico discurso:

A cada dia em que celebramos manifestações de reverência à nossa identidade cultural, cumprimos um imperativo dever humanitário. Hoje, as homenagens vão para a plenitude artística da obra de Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) e para o autor do livro “Viva Apiba”.

É provável que ninguém guarde uma compreensão tão intensa e íntima sobre o Mestre Capiba quanto o escritor Carlos Eduardo Carvalho dos Santos. Sua autoridade sobre o tema é indiscutível, está fundamentada na erudição, em anos de convivência genuína e na sólida amizade com o maestro.

Contudo, se houver outra mente que compartilhe de tamanha sabedoria, isso nos deve ser recebido com entusiasmo, pois o conhecimento e a transmissão de saberes constituem os pilares de qualquer civilização desenvolvida.

O livro é extraordinário: uma obra primorosa, tecida com narrativas envolventes e um acervo iconográfico fascinante. Ao concluir sua leitura, manifestei meus sentimentos.

Esta é uma bela obra. Nesse instante, com a imaginação ainda no calor do contexto literário, senti a voz de Capiba ao piano me dizendo: Você diz que ela é bela; Ela é bela sim senhor.

O autor é uma fortaleza longeva cuja sabedoria atravessa mais de nove décadas. Ao soprar essas palavras ao silêncio, mais uma vez vi Capiba replicar nas teclas do piano: “Ele é madeira de lei que cupim não rói”.

A AABB Recife, mais uma vez, cumpre sua missão institucional e sociocultural ao salvaguardar a memória coletiva e, neste ato solene, reverenciar o legado de seu próprio cofundador. Parabéns ao escritor Carlos Eduardo por manter viva essa chama e semear a cultura brasileira. Viva Capiba!

Portanto, sinto-me rejubilado por haver completado a obrigação sentimental de transmitir um recado àquele que partiu rumo à Eternidade. E em sua maneira de “engolir as consoantes”, falamos mais alto, como me disse Ariano Suassuna: “Bravo! Viva Capiba”!

E foi assim, caros leitores, que completei minha tarefa de historiador, louvando a memória de personagens que projetaram ainda mais a cultura brasileira; melhor dizendo, terá sido meu “Canto dos Cisnes”.

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RODRIGO CONSTANTINO

DIA DE FINADOS: QUANDO A DEMOCRACIA FOI ENTERRADA DE VEZ

O dia 2 de novembro que se aproxima é o Dia de Finados. Tradição brasileira de visitar túmulos, levar flores e lembrar os que partiram. Em 2010, escrevi que prestava homenagem ao mais recente defunto nacional: a Ética, executada a queima-roupa nas urnas no dia 31 de outubro daquele ano. Cinquenta e cinco milhões de brasileiros, anestesiados por um momento econômico favorável e pelo desprezo petista aos valores básicos, deram a vitória a Dilma. Venceu Macunaíma, o herói sem caráter. Ficou a herança maldita de que a ética não tem lugar na política.

Quinze anos depois, o cemitério cresceu. Não se trata mais só da Ética. O defunto principal agora é a própria Democracia. Ela já andava doente – com vícios, clientelismo, o Estado usado como patrimônio particular e a máquina pública a serviço do partido. Mas a vitória suspeita de Lula em 2022 (e a reeleição recente, com virada que muitos consideram matematicamente implausível) foi o golpe de misericórdia. As armas, de novo, foram as urnas eletrônicas, num sistema opaco, sem o voto impresso auditável que o próprio Lula já defendeu quando perdia, e com um Judiciário que se transformou em braço político.

Lula, em 1994, chegou a dizer que “desviar dois ou três milhões de votos neste país é mais fácil que tirar pirulito de criança”. Hoje, quem ousa repetir a frase ou questionar o resultado é tratado como golpista. O mesmo personagem que em outras épocas falava em eleição ilegítima virou o guardião da “democracia”. A casa da Democracia foi ocupada pela Tirania de toga. Censuram, bloqueiam contas, perseguem opositores e tratam divergência como ameaça à segurança do Estado. Quem deveria fiscalizar virou parte da campanha.

O paralelo com 2010 é cruelmente preciso. Naquela época, o PT usou o terrorismo eleitoral (Bolsa Família ia acabar!), o nacionalismo retrógrado e o vale-tudo. Escândalos foram ignorados porque “a economia vai bem”. Depois veio a conta, com a maior recessão da história recente. Em 2022/2026, o roteiro se repetiu com mais sofisticação: censura prévia, inquéritos eternos, uso do aparato estatal e judicial, e a naturalidade com que se abraça qualquer meio para se perpetuar no poder. O voto com o bolso e o estômago continua sendo o perigo maior. Lênin compraria a corda do burguês que queria enforcar. o PT modernizou o método e ainda pede aplauso por “defender a democracia”.

Visitei os túmulos de novo. O Jornalismo morreu e deixou a Militância no lugar. A Lógica e a Ciência foram enterradas por dogmas e interesses. A Coragem rareia entre os “isentões”. A Esperança está em coma. Mas o túmulo que mais dói é o da Democracia: assassinada por farsantes que gritavam o nome dela enquanto cavavam a cova. Não foi acidente. Foi homicídio com premeditação, meio e motivo.

Metade do país (ou mais, dependendo de quem conta) está de luto. A outra metade comemora a ocupação da casa, sem noção do que está por vir. Não se constrói nação livre sem princípios básicos. Foi vitória de Pirro outra vez – com sabor de derrota institucional. O Dia de Finados serve para lembrar os mortos. Serve também para não fingir que o corpo ainda respira. A Ética e a Democracia foram enterradas. Resta decidir se vamos continuar levando flores ao cemitério ou se ainda há tempo de resgatar o que restou antes que o próximo defunto seja a própria liberdade.

PENINHA - DICA MUSICAL

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