Quando do seu lançamento, em outubro de 1984, este livro ganhou dois prêmios de Melhor Livro do Ano:
Prêmio Literário Nacional – Instituto Nacional do Livro/MEC
Prêmio Guararapes – União Brasileira de Escritores
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Trump perdeu a maioria em ambas as casas do Congresso nas eleições de 3 de novembro
Muita gente interpreta – e eu já mencionei – que Donald Trump, após o resultado da eleição legislativa de terça-feira, está na mesma situação que Lula com o resultado do primeiro turno do mês passado. Mas não é igual, nem a legislação, nem a Constituição. Nos Estados Unidos, as relações entre o Congresso e Casa Branca são diferentes das relações entre o Congresso brasileiro e o Palácio do Planalto.
Os republicanos perderam a maioria que tinham na Câmara e no Senado; agora, a maioria é de democratas. Isso já ocorreu outras vezes: Bill Clinton, democrata, perdeu essa eleição de meio de mandato, ficou com minoria, e mesmo assim continuou mandando bombardear a Sérvia, o Congresso não foi capaz de impedir. George W. Bush, republicano, passou pela mesma coisa e continuou governando. Barack Obama também: tinha maioria na Câmara e no Senado quando foi eleito, mas no meio do seu mandato os republicanos assumiram a maioria.
Trump não vai deixar de insistir nas questões relativas ao Brasil – por exemplo, na designação de terroristas para as facções criminosas brasileiras, ou na possível aplicação de uma Lei Magnitsky. A mudança no Congresso não vai alterar a autonomia e o poder do presidente dos Estados Unidos. Ele ainda é o chefe do Executivo e das Forças Armadas; o combate à ideologia woke também vai continuar. Onde as coisas podem mudar é em questões do orçamento interno dos Estados Unidos, e de projetos que ele queira propor ao Congresso. Grandes projetos de lei podem ficar parados.
Lula vai ter muito mais dificuldade que Trump. Mesmo tendo nas mãos a possibilidade de editar medidas provisórias – Trump tem algo parecido, a “ordem executiva” –, ele vai encontrar oposição forte, como nessa medida provisória sobre impostos criados pela reforma tributária. Já existe um abaixo-assinado de centenas de entidades empresariais, dizendo que não é possível que a definição de alíquotas possa ocorrer até 15 de dezembro para entrar em vigor em 1.º de janeiro de 2027. Teria de ficar para o ano seguinte, pois não há estrutura de contabilidade e planejamento econômico das empresas que aguente.
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Contar e contabilizar não são a mesma coisa
Falando em contabilidade, o jornalismo precisa conhecer as palavras. Eu vi um jornal afirmando que a eleição americana “contabilizou” tantos votos, que os democratas “contabilizaram” tantos votos, e por aí vai. Eu sou contabilista, eu me formei em Contabilidade, eu sei o que é “contabilizar”; o jornalista que escreveu isso não sabe. Contabilizar é botar débito e crédito, partidas dobradas. A mesma importância no débito, no crédito, saiu do caixa, entrou na conta particular de alguém, ou na venda de mercadoria, entrou dinheiro no caixa. Isso tudo é contabilidade. O que o jornalista quer dizer é que contaram mais votos. É tão simples dizer “contar mais votos”. Talvez ele quisesse mostrar erudição usando uma palavra mais comprida. Acabou mostrando burrice.
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Agora que está reeleito, Lula pode esquecer a promessa de baixar a maioridade penal
No finzinho da campanha, Lula prometeu reduzir a maioridade penal para 16 anos. Agora, que já se reelegeu, ele pediu para Davi Alcolumbre tirar o assunto da pauta do Senado. Estava tudo pronto para a votação dentro da PEC da Segurança Pública, mas Alcolumbre deu a desculpa de que, como esse assunto já estava sendo tratado pela Câmara, era melhor deixar que a Câmara decidisse isso. É ridículo que os dois falam esse teatro, como se todos fôssemos imbecis e não percebêssemos essas coisas.
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Copom mantém a Selic porque vitória de Lula trouxe muita insegurança
A principal notícia econômica da quarta-feira foi a decisão do Copom de manter a taxa Selic, rejeitando de forma unânime a pressão do governo por mais queda. O comitê afirmou que a inflação está aumentando, está rumando para o dobro da meta de 3%, e a taxa básica não muda por enquanto porque há muita insegurança, muita indecisão, muita expectativa a respeito de um futuro que não se conhece.