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PESQUISAS DE OPINIÃO: TÉCNICAS PARA INFLUENCIAR PESSOAS E DIRECIONAR RESPOSTAS

Roberto Motta

A maioria de nós constrói as respostas no momento das perguntas, usando as informações que estão mais acessíveis na memória.

Priming é uma técnica usada para influenciar a forma como as pessoas reagem a situações e respondem a perguntas. O Prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman discute o priming em seu livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. A técnica consiste em expor a pessoa a um estímulo inicial para influenciar de forma sutil a resposta que ela dará a um estímulo posterior.

Segundo Kahneman, a forma como uma pergunta é formulada influencia a resposta obtida. Perguntar “João é corrupto?” induz a mente a buscar exemplos de corrupção no comportamento de João, enquanto perguntar “João é honesto?” ativa a busca por memórias de comportamentos corretos, gerando resultados tendenciosos baseados no que foi sugerido na pergunta.

Em pesquisas de opinião, o priming pode ser usado – intencionalmente ou não – para “preparar” a mente da pessoa pesquisada e direcioná-la a responder à pesquisa de determinada forma.

O priming é eficaz porque, quando acabamos de ver ou ouvir algo, os conceitos relacionados ficam mais acessíveis mentalmente, disponíveis para serem imediatamente usados. Esse processo acontece de forma automática, sem que a pessoa perceba.

Existem várias formas de fazer priming. Uma delas é planejando a sequência das perguntas. Por exemplo: suponha que vamos fazer uma pesquisa sobre o endurecimento da legislação penal. A pergunta poderia ser simplesmente “você é a favor do aumento das penas?”. Mas, se desejamos aumentar a probabilidade de respostas favoráveis a penas mais duras, podemos usar o priming. Fazemos isso incluindo, antes da pergunta principal, duas outras perguntas.

Primeira pergunta: “Você se sente seguro andando à noite na sua cidade?”.

Segunda pergunta: “Nos últimos meses, você ouviu falar de crimes violentos?”.

Essas duas perguntas não têm como objetivo levantar dados, mas preparar a mente para responder favoravelmente à terceira pergunta, que é o objetivo real da pesquisa. A finalidade da primeira pergunta é fazer com que a pessoa reviva a sensação de insegurança comum nas cidades brasileiras. A segunda pergunta faz com que ela lembre de notícias de crimes. Ela é, então, colocada em um estado mental mais inclinado a responder positivamente à terceira pergunta: “Você é a favor do aumento das penas dos criminosos?”.

A função das duas primeiras perguntas foi apenas ativar mentalmente os sentimentos de medo e insegurança.

O segundo tipo de priming apresenta uma informação embutida na própria pergunta. Por exemplo: poderíamos simplesmente perguntar “você apoia o aumento de impostos para financiar saúde e educação?”. Mas se queremos influenciar as respostas usando priming, formulamos a pergunta de outra forma: “Considerando-se que o Brasil tem uma enorme desigualdade e que vários países aumentaram impostos com bons resultados, você apoia o aumento de impostos para financiar saúde e educação?”. A segunda versão provavelmente produzirá mais respostas favoráveis ao aumento de impostos.

Perceba que as informações embutidas na pergunta sequer precisam ser verdadeiras.

O terceiro tipo de priming é feito expondo o entrevistado a imagens relevantes antes da pergunta. Por exemplo: mostrar imagens de crimes antes de perguntar sobre sentenças gera um aumento do apoio a penas mais duras, assim como mostrar imagens de extrema pobreza produz mais respostas favoráveis ao aumento de impostos.

O quarto tipo de priming é a ativação de uma identidade social específica antes da pergunta, fazendo com que o entrevistado passe a enxergar a questão sob um determinado prisma. Por exemplo, o entrevistador pode primeiro perguntar: “Você se considera um cidadão preocupado com o meio ambiente?”. Como a preocupação ambiental é considerada uma causa nobre, a maioria das pessoas tende a responder afirmativamente a essa questão. Se a próxima pergunta for “você apoia uma maior regulação das indústrias?”, o percentual de respostas favoráveis tende a aumentar, porque o entrevistado agora se considera um defensor do meio ambiente.

A técnica de priming funciona bem em pesquisas porque a maioria das pessoas não tem opiniões firmes sobre todos os assuntos, especialmente quando os temas são complexos e as perguntas são ambíguas. A maioria de nós constrói as respostas no momento das perguntas, usando as informações que estão mais acessíveis na memória.

O que o priming faz é garantir que as informações mais acessíveis na mente do entrevistado sejam aquelas que interessam ao entrevistador.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

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BI, BI, BI

Se o Banco Master é “terceira divisão do sistema financeiro”, como minimizou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a grana que o dono do enrolado banco Daniel Vorcaro pode ter que devolver segue o “padrão Fifa”.

Confirmada a devolução do montante de R$ 60 bilhões no acordo entre o banqueiro e a Procuradoria-Geral da República, o valor é maior do que o orçamento de quase todas as capitais brasileiras; só não consegue superar São Paulo (R$ 137 bilhões) e Brasília (R$ 74,4 bilhões).

Rio de Janeiro (R$ 52 bilhões) e Belo Horizonte (R$ 24,1 bilhões) seguem o ranking dos maiores orçamentos, mas menores que o cofre de Vorcaro.

Listando as capitais pelo tamanho do orçamento, a delação de Vorcaro supera a somatória da receita de 14 capitais.

Para efeito comparativo, o lucro líquido do Itaú Unibanco em 2025, com 70 milhões de clientes, foi de R$ 46,8 bilhões.

A delação é mais da metade do que faturou a Petrobras em 2025, R$ 110,1 bilhões. E mais do que o lucro de 2024, R$ 36,6 bilhões.

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Êita peste!

Eu chega se engasguei-se-me quando li o tanto de bi, bi, bi nessa notícia aí de cima.

Deixo os comentários a critério dos bilionários especialistas fubânicos.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TRISTE ENCANTO – Mário Quintana

Triste encanto das tardes borralheiras
que enchem de cinza o coração da gente…
A tarde lembra um passarinho doente
a pipilar os pingos das goteiras…

A tarde pobre fica horas inteiras
a espiar pela vidraça, tristemente,
o crepitar das brasas nas lareiras…
Meu Deus! o frio que a pobrezinha sente!…

Por que é que esses arcanjos neurastênicos
só usam névoa em seus efeitos cênicos,
nenhum azul para te distraíres?…

Ah! se eu pudesse, tardezinha pobre,
eu pintava trezentos arco-íris
neste tristonho céu que nos encobre…

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)