DEU NO JORNAL

CUMPANHÊROS SOLIDÁRIOS

Seguindo o padrão observado nos números da votação para presidente, o PT também aparece como grande vencedor das Eleições 2026 na votação para deputado federal nas seções instaladas em cadeias e unidades prisionais pelo país.

Em um mapeamento exclusivo da Gazeta do Povo, o partido do presidente Lula lidera a votação nos presídios de 6 dos 7 maiores colégios eleitorais do Brasil.

O líder isolado na votação para deputado federal nesses locais é Rui Falcão, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores. 

Ele, que liderou a legenda entre os períodos do Mensalão e da Lava Jato, obteve 144 votos entre os eleitores inscritos para votarem nas cadeias.

É o deputado federal mais votado nas cadeias do Brasil.

* * *

Não há motivos para espanto.

Tá tudo dentro dos conformes.

A cumpanhereda encarcerada é agradecida e solidária ao parceiro Lula.

DEU NO X

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

A MANIPULAÇÃO DA ESPERANÇA

Há paisagens tão fidedignas que o ser humano é capaz de jurar estar diante de uma verdade irrefutável. É o caso das miragens, que fazem surgir, sobre o asfalto ou na areia do deserto, a aparência de poças d’água. Não são propriamente os olhos que transformam o falso em verdadeiro; é o cérebro que, ao interpretar as imagens, confere aparência de realidade àquilo que é ilusório.

Sob um sol impiedoso, o viajante que cruza o deserto não tarda a avistar, ao longe, uma lâmina de água cintilando sobre a areia. Acreditando tratar-se de um oásis circundado por árvores acolhedoras, apressa o passo. Mas, quanto mais caminha, mais o oásis recua.

Porém, não são apenas as miragens do asfalto e da areia que projetam imagens ilusórias. Certas instituições costumam prometer aos mais necessitados benefícios diversos — dentre esses, o paraíso. Apresentados em embalagens que levam as cores da sedução, esses benefícios têm o poder de manter milhares de pessoas presas ao cabresto da ilusão por longos anos.

E quando as promessas não se cumprem, como tantas vezes acontece, surgem os pedidos de desculpas. A eles se juntam novas exortações à paciência, devidamente revestidas pelo verniz da máxima segundo a qual “A paciência é amarga, mas seus frutos são doces”.

Essa estratégia tem dupla serventia: reafirma que o oásis está quase ao alcance das mãos e neutraliza eventuais desconfianças de que os destinatários possam estar sendo vítimas de um engodo. Afinal, nada melhor do que uma promessa revigorada para que não haja a desgarra da escravidão consentida. Somente com esse método engenhoso é possível manter a manipulação da esperança.

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

IT GOES ON!

Na madrugada de insônia e pensamentos avulsos, eu me peguei pensando que relógios e rios perenes têm muito em comum. A diferença é que os rios param quando encontram o mar. E os relógios, quando pararão?

Com pressa de chegar a lugar nenhum, o relógio do mundo anda ligeiro, enquanto as minhas pernas, já meio cansadas de correr no curso do tempo, começam a pedir repouso. Há em mim um contraste aperreado de chegar à meia-idade: eu sinto o motor de dentro baixando a rotação, ano a ano, enquanto o mundo lá fora inventa uma marcha nova a cada amanhecer, nascendo ante as minhas madrugadas de insônias. O tempo parece acelerar e o rio da minha vida desce ainda mais apressado ao encontro daquele mar, destino de todos nós.

Na mesma madrugada de pensamentos soltos, no meio desse turbilhão moderno onde tudo é para ontem e ninguém tem tempo de olhar nos olhos, eu lembrei do poeta americano Robert Frost. Ele, que decerto compreendia o ritmo dos rios e a quietude das horas melhor que a maioria de nós, deixou escrito que tudo o que aprendeu sobre a existência cabia em três palavras: “it goes on”, dentro de um contexto com o sentido de dizer que “a vida continua”.

E continua mesmo. Mas como custa acompanhar seu curso!

Um dia acordamos e o espelho já não nos devolve o reflexo da pele com o mesmo viço. O cabelo raleado mudou de cor e, mais tarde, em algum momento as juntas reclamarão na hora do sereno. Um dia descobrimos também que aquela agilidade de rapaz virou prosa de passado, ou um verso não escrito no vácuo das entrelinhas entre dois mal acabados. E é isso! A juventude do mundo corre na velocidade da luz. É um tal de tela que brilha, de botão que se aperta, de máquina que pensa por nós humanos. A humanidade grita por urgência. E eu, cá de dentro do meu peito calejado, só queria um café coado sem pressa e o direito de mastigar o tempo e ruminar a vida.

Dá um certo desespero ver que o nosso ritmo descompassou do compasso da Terra.

Sou um sertanejo de nome santo, mas de carne fraca e alma pecadora, cheio de falhas tatuadas em minha pele, pela insistência das agulhas do tempo. Sinto o peso dos meus fevereiros se acumulando e, às vezes, a sensação de que sou somente um jumento de carga, teimoso, marchando devagar no barro seco da estrada, longe dos rios e sem saber das horas.

Mas é aí que a lição de Frost se encaixa perfeitamente no meu cansaço. A vida continua não porque ela corre, mas porque ela teima em não parar. O rio não precisa de motor de polpa para chegar ao mar; ele só segue o seu curso, contornando a pedra, cavando a terra, no ritmo que Deus lhe deu. Surgiu na calmaria de sua nascente, em algum lugar ganhou volume, força e velocidade, mas para entrar no mar se fez calmo outra vez. Se as minhas pernas já não correm tanto em busca do futuro, o meu olhar aprendeu a ver o que a pressa dos jovens atropela. Aprendi olhar diretamente nos olhos da vida por outros ângulos, sei sentir o peso de um abraço sincero e sei a hora exata em que a saudade dói mais forte.

O mundo que se dane com a sua correria de doer o juízo. Eu seguirei aqui, diminuindo a marcha, trocando o passo apressado pela prosa calma, a velocidade das horas pelo prumo métrico de um verso com lirismo. Afinal, entre as marcas do tempo e o cansaço do espírito, a grande beleza do caminho é saber que, mesmo devagar, o coração ainda bate. E enquanto houver um sopro de poesia nesse velho peito, a vida continuará. Não com a incerteza das horas. Mas, como um rio perene que sabe aonde irá, sem saber de madrugadas e nem de insônias.

DEU NO JORNAL

FECHA TUDO!

O PL resgatou publicações antigas de Ana Elisa, eleita deputada e nova queridinha do PT.

A mineira diz que não vê “a hora do Xandão bloquear Instagram, Facebook e WhatsApp”.

E faz um clamor, “torne real”.

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A nota aí de cima fala em “queridinha do PT”.

Ou seja, tá tudo dentro dos conformes.

Dentro dos padrões ditatoriais das zisquerdas.

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO